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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
Nunca fui dos maiores fãs de Paulo Bento - nem dos maiores críticos - mesmo enquanto orientava o Sporting, mas em relação aos casos de Ricardo Carvalho e Tiago, concordo na íntegra com as decisões tomadas. Aliás, a bem dizer, foram os próprios jogadores que assumiram as suas posições de livre vontade e, ao que concerne Tiago, até recusou repetidos convites do Seleccionador Nacional.
Em entrevista ao "L'Équipe" - concedida antes da partida para o Brasil, mas só publicada este domingo - Paulo Bento aborda diversas questões relacionadas com a equipa das quinas, inclusive dos casos de Ricardo Carvalho e Tiago:
Por que disse que não faz sentido falar do regresso à equipa nacional de Tiago e Ricardo Carvalho ?
«Desde logo, são casos que nada têm a ver um com o outro, não podem ser associados».
Então, comecemos por Tiago...
«Começamos e acabamos em Tiago. Entre Outubro de 2010 e Janeiro de 2011, tivemos várias mudanças. Cheguei mesmo a deslocar-me a Madrid, para tentar fazer com que mudasse de ideia e recuasse na decisão. Manifestei claramente o meu desejo de contar com ele. Tiago manteve a sua posição. Foi claro, honesto. A partir daí, cada um seguiu o seu caminho. Relativamente ao grupo, não faria sentido, para mim, voltar a chamar Tiago, hoje. E creio que ele compreendeu bem o fundamento da minha decisão.»
E Ricardo Carvalho ?
«Não merece o menor comentário.»
Apoio totalmente Paulo Bento porque, na minha opinião, um jogador que abandona a Selecção Nacional, sem sequer falar com o Seleccionador, e apenas porque percebeu que não ia ser titular num jogo amigável - como foi o caso de Ricardo Carvalho - não merece jamais voltar a representar o seu País. Isto, muito além das suas eventuais descabidas declarações.
O caso de Tiago é bem diferente, como indica Paulo Bento. Não me recordo das explicações que terá dado para a sua decisão de renunciar à Selecção, mas foi sempre a minha ideia que ele o fez por interesse próprio, visando aliviar a carga de jogos e responsabilidades e dar prioridade à carreira de clube. Além do mais, teria sido uma grande injustiça ele ser chamado para o Mundial do Brasil, à última da hora, em detrimento de outro jogador que contribuiu para o apuramento para a fase final.
«Dizem que tenho qualidade para jogar no Mundial, mas há este problema com o seleccionador. Seria uma honra representar Portugal, mas se não há respeito... Eu não ia à Selecção só por estar. Ou jogava ou ia-me embora. Como não estava para arranjar histórias com o treinador decidi partir. Senti que não era respeitado. No FC Porto e no Chelsea respeitavam-me. Um colega meu esteve dois dias sem se treinar, eu trabalhei no limite mas ele é que jogou.»
- Ricardo Carvalho -
Observação: Ricardo Carvalho perdeu uma boa oportunidade para ficar em silêncio. Ele é que desrespeitou o seleccionador e o grupo, abandonou a Selecção de livre vontade, sem causa nem explicação alguma, e vem agora, e já há algum tempo, com o choradinho a clamar que não há respeito. A sua qualidade como futebolista e a sua entrega nunca estiveram em disputa mas, pelos vistos, a sua ideia de representar Portugal é somente assente nos seus próprios termos, não nos do grupo. Ou seja, ou é titular sempre que entender, ou faz birra e abandona a equipa. Foi precisamente o que fez no dia 2 de Setembro de 2011, quando se ausentou do estágio da Selecção, sem qualquer comunicação, por saber que não seria titular no jogo com o Chipre, da fase de apuramento para o Europeu de 2012.
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