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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

Contratado por 22 milhões de euros, mais três em variáveis, ao Panathinaikos, Fotis Ioannidis a pouco e pouco vai conquistando o seu espaço na equipa sportinguista. Antes do jogo em Turim, Rui Borges considerou que ele e Luis Suárez “são jogadores um pouco diferentes, mas ambos dão garantias. O Fotis tem outros comportamentos em relação às linhas defensivas e, para hoje, é a melhor opção, achamos”.
Dois avançados diferentes, o grego mais eficaz na profundidade, o colombiano no apoio, mas ambos muito competentes. Frente à Juventus ficou na memória o toque de calcanhar com que Ioannidis participou na jogada do golo de Maxi. Uma boa dor de cabeça, diz Rui Borges.

Fechou o (enganador) mercado de inverno e são conhecidos os resultados. O Sporting contratou Rui Silva e Biel, mas perdeu apenas Marcus Edwards. Nos nossos rivais, há quem tenha contratado jogadores mais para o imediato, como também há quem tenha prescindido de jogadores fundamentais. No que nos diz respeito, parece-me que se podia ter ido mais longe, mas o mais importante é não ter saído ninguém. Admito que se recusou a estratégia de contratar quem não fizesse de facto a diferença. Para isso, é melhor continuar com os que temos, recuperar os lesionados, com a convicção de que com este plantel é possível a renovação do título de campeão nacional.
Em determinado momento do mês de Janeiro, Rui Borges recusou o propósito de se contratar por contratar. Até porque se sabe que bons jogadores não estão disponíveis, e muito menos são comprados em saldo. Reafirmou que acredita muito na qualidade e na capacidade dos seus jogadores e, pragmaticamente, concluiu que é pago para “arranjar soluções”, não para “se lamentar”. Com um discurso positivo, simples e sem rodeios, considera que os jogadores têm de estar cientes de que há muito trabalho pela frente, qualidade todos têm, não são campeões nacionais por acaso. Agressividade, intensidade e competitividade, eis a máxima já inscrita no balneário.
Começámos a segunda volta como a primeira, com uma vitória clara e uma boa exibição. Depois da tempestade que foi o período transitório de má memória, onde tudo se pôs em causa, voltou a equipa que ganha, com competência e personalidade.
O futebol não é um mero jogo de acasos, embora estes também estejam na sua natureza. O futebol sempre foi, e é cada vez mais, uma ciência, no sentido do rigor, da experiência, da seriedade. Como em qualquer ciência, o trabalho tem obrigatoriamente de ser feito por equipas profissionais, focadas num objectivo, e dirigidas por um mestre competente na função.

Depois de uma experiência falhada, com um técnico, para já impreparado, por força de circunstâncias imprevistas, corrigiu-se a mão e colocou-se no lugar de timoneiro, um treinador que mostrou ter conhecimentos do mister e de saber aplicá-los. Com pouco tempo de trabalho, e muito mau grado as contrariedades existentes e o difícil calendário, colocou a equipa a vencer e a jogar cada vez melhor futebol.
Acabámos de ultrapassar o cabo das tormentas, e ainda há muito mar para navegar, mas começa a ficar claro que temos timoneiro e marinheiros para chegar a bom porto. De forma mais prosaica, podemos dizer, que mesmo sem tempo para treinar, transformou um grupo de homens desorientados num grupo coeso, e que vem mostrando dia após dia, que sabe o que pretende, e como deve fazê-lo. Com todas as reservas e cautelas, parece estar à altura da tarefa.
No entanto, como em qualquer navegação longa, existem muitos imprevistos, e ninguém pode garantir sucesso antes do fim. Por isso, com confiança, mas sem embandeirar em arco, devemos acreditar, como disse o treinador, após a Taça da Liga, “há algo melhor guardado para nós”. Num breve balanço da primeira volta do campeonato, mau grado o experimentalismo transitório, a equipa mantém o primeiro lugar, e mostra estar motivada para lutar até ao fim pelos seus objectivos, obstáculo após obstáculo.

Amanhã temos o jogo mais difícil da época. É sempre o mesmo ciclo. O mais difícil e o mais importante da época. É sempre assim, o jogo seguinte. O Sporting CP continua a ser o principal candidato a ganhar a Liga. Está em primeiro lugar, nada mudou em termos de objectivos. Sabemos que metade da equipa está lesionada ou joga presa por arames, mas o objectivo é a vitória para continuarmos na liderança. É esta a vida de uma equipa que veste de leão ao peito.
Segui com atenção a antevisão do jogo feita por Rui Borges. Aberto e frontal até onde lhe foi permitido ir. Gyökeres e Morita vão “estar em dúvida até à hora do jogo”, Eduardo Quaresma “está fora do jogo”, Daniel Bragança “pode ir a jogo”, Marcus Edwards está fora por “opção técnica” e conta com Rui Silva como “com qualquer outro guarda-redes”.
Perante a insistência dos jornalistas sobre questões particulares, Rui Borges sublinhou o essencial: “Eu estou focado [no jogo] com o Rio Ave. Um jogo difícil, contra uma equipa que não perde em casa há 20 jogos, muito competitiva. O meu trabalho é tentar perceber o que o Rio Ave pode nos apresentar e passar essa informação aos meus jogadores.”
É isso mesmo, o jogo de amanhã em Vila do Conde é o mais difícil da época.

Rui Borges tinha dito que ia visitar a família na folga, em Mirandela, sendo que o treinador dos leões aproveitou também para assistir ao jogo da equipa local com o FC Vinhais, que terminou com a vitória dos mirandelenses, por 1-0. O SC Mirandela fez uma publicação nas redes sociais, dando conta da sua presença na bancada, ao lado de Carlos Correia, presidente do clube onde o actual treinador sportinguista jogou durante quinze épocas e iniciou a carreira como técnico.
Neste tempo em que tantos esquecem a sua terra e a sua gente, foi bonito ver que Rui Borges recorda-se bem de onde veio, onde começou e cresceu, fazendo questão de marcar presença. Aliás, sempre que lhe é oportuno desloca-se à sua terra natal. Fica-lhe bem esse sentimento de guardar a memória da vida percorrida. Merecem consideração os que não renegam as suas origens e continuam a praticar a humildade, que anda tanto arredada de muitos de nós.
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