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Sporting boicotado

Rui Gomes, em 13.10.19

Não sei sinceramente quanto tempo demorará no Sporting esta sensação de fragmentação e colapso, mas sei que deve ser um inferno governar um clube na actual conjuntura, como se percebeu através da Assembleia Geral de quinta-feira.

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Há muito tempo que tenho sérias reservas sobre o funcionamento e real significado deste tipo de Assembleias. Frederico Varandas dizia, no final, que... "no Sporting, a democracia vai sempre imperar", percebemos o alcance do presidente dos ‘leões’ segundo o qual os resultados das votações serão sempre respeitados, mesmo que eles traduzam sensações menos positivas para o actual elenco directivo, mas convenhamos... o nosso futebol vive numa ‘democracia’ muito peculiar, por um vasto conjunto de razões. E não é só no Sporting.

É uma ‘democracia’ do... 8 ou do 80. Ou se criam condições para os clubes não serem discutidos, ou se criam estatutos de protecção dos líderes ou permite-se que ‘minorias desqualificadas’ se transformem, pontualmente, em maiorias. Esta é a ‘democracia’ do futebol português.

Repare-se: o FC Porto de Pinto da Costa, que fez milhões com vendas de jogadores ao longo de décadas, foi intervencionado pela UEFA e é hoje obrigado a seguir um regime de emagrecimento, sem que os sócios se sentissem impelidos a discutir as razões através das quais o clube que endeusou o seu líder chegou a uma situação desta natureza.

O SL Benfica, a ganhar no plano interno, mas a comprometer rotundamente no domínio europeu, convocou recentemente uma AG durante a qual o presidente Luís Filipe Vieira ‘apertou o pescoço’ a um sócio mais crítico; no Sporting, é o que se vê: qualquer coisa, desde uma mosca (com licença do PAN) a um alfinete, é suficiente para a instalação da algazarra.

É esta a ‘democracia’ associada à realidade dos clubes mais representativos em Portugal. É esta a ‘democracia’ no futebol lusitano.

Uma ‘democracia’ que está longe de espelhar a justa dimensão da realidade. A ‘realidade’ que nos entra pelos cinco sentidos é aquela que hoje resulta das publicações nas redes sociais e as manifestações, às vezes de meia dúzia de agitadores com cartazes, veiculadas pela comunicação social, tantas vezes passadas em ‘loop’, a conferir importância a uma erupção localizada que, afinal, não tem importância nenhuma. Mas esta é a ‘realidade’ que vale e sobre a qual é preciso saber agir e reagir.

O caso do Sporting é manifestamente patológico.

Houve um tempo, durante anos a fio, em que o Sporting discutiu mais o património não desportivo e a sua alienação do que o objecto para o qual os fundadores haviam norteado os seus ideais: criar um clube vencedor na sua génese competitiva.

Nessa discussão, as elites mostraram o seu lado de impreparação para a gestão desportiva. Era um complemento e uma espécie de acessório, numa visão completamente distorcida. Seguiu-se um pequeno período de esperança, mas Bruno de Carvalho deslumbrou-se completamente, perdeu-se numa visão obsessiva, monolítica, destruidora — e veio o caos. A fragmentação vem de longe.

Muita gente se esquece agora (convenientemente) quem era o ex-líder dos ‘leões’. O que moveu, o que provocou, dentro e fora, no balneário e fora dele. Nunca quis unir. Dividiu, dividiu, dividiu.

Quando agora se ouve, no pavilhão, chamarem ‘ditador’ a Frederico Varandas, percebe-se o estado de impotência a que o clube chegou. Ditador? Em que filme?… Mas onde é que estava a democracia em Alvalade, antes do último acto eleitoral? Fiéis ao Sporting?… Ao… Sporting?! Haja vergonha!

Pode até chegar-se à conclusão que Frederico Varandas não consegue passar as mensagens e que as suas skills de liderança são reduzidas. O problema maior do Sporting não se chama Varandas. O problema maior do Sporting foi ter-se chegado a uma situação em que nada, mas mesmo NADA, é meritório.

Veja-se o caso de Sousa Cintra. Foi à Assembleia Geral, não o deixaram falar, foi assobiado e deveras enxovalhado e, no final, perante os jornalistas, visivelmente perturbado, malhou no presidente. Há alguma dúvida de que, no actual contexto, tivessem as eleições sido ganhas por João Benedito, Ricciardi, Dias Ferreira ou outro qualquer, chamado António, José ou Joaquim, o ruído e a contestação seriam exactamente os mesmos? 

No Sporting, tudo se discute. O que merece discussão e o que faz parte de uma agenda absolutamente patológica... O presidente, o treinador, os jogadores, mas também o tapete de entrada, a gravilha da calçada ou os fungos nas unhas dos pés. Principalmente estes, os fungos.

O Sporting são cerca de 160 000 sócios (90 000 pagantes) e milhões de adeptos. A maioria não quer boicotar o Sporting. Mas aqueles que teimam em boicotar o Sporting são aqueles que teimam em aparecer na fotografia e a passar a imagem de que o rei vai nu. Os boicotadores não são apenas os ‘fiéis ao Sporting’. São também os infiéis. Em regime de boicote, o Sporting não será governável...".

Rui Santos, jornal Record

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publicado às 03:33

Os 'handicaps' do Sporting

Rui Gomes, em 21.09.19

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"O Sporting até poderia ter saído com outro resultado de Eindhoven, mas há muitos 'handicaps'. Depois de tantas decisões adiadas (exemplo: venda, sim ou não?, de Bruno Fernandes, com custos ao nível da redefinição do plantel), o que falta ao Sporting é trabalho (e menos ruído). Fazer a ‘pré-época’ com a temporada a decorrer, com jogadores a sair de lesões e outros com pouco ritmo devido a ausências, não pode deixar de ter custos. Remar contra esta realidade é muito complicado.

Bruno Fernandes também rema contra outra realidade: quando há talento, a qualidade sobressai, mesmo em contextos adversos".

Rui Santos, jornal Record

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publicado às 02:32

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A entrevista concedida esta semana por Frederico Varandas foi um bom momento para o presidente do Sporting e numa, entre outras coisas, está coberto de razão: não foi ele quem criou o fosso para os rivais Benfica e FC Porto.

O Sporting CP está no fosso e está na fossa e acha-se há anos a tentar encontrar o seu ‘salvador da pátria’.

O problema do presente – é bom não esquecer – é uma decorrência de dois passados: o passado antes de Bruno de Carvalho e o passado com Bruno de Carvalho, depois de ele se revelar um ‘caso perdido’ como presidente. Esses passados não comportaram apenas situações e apostas negativas, mas nunca ninguém se revelou absolutamente capaz de unir os sportinguistas.

Este é o drama do Sporting: nem a ‘linha de continuidade’ do pós-Roquette conseguiu eliminar o fosso (não há registo de um campeonato ganho em quase duas décadas!) nem a ‘linha ultra’ que se lhe seguiu, com Bruno de Carvalho, o conseguiu fazer. O Sporting viveu sempre entre o ‘8’ e o ’80’, num terreno minado entre um certo elitismo e o radicalismo, quando o Sporting precisa de um ‘governo’ que faça um esforço suplementar para unir sensibilidades, excluindo aqueles que, num período crítico, atacaram e delapidaram a imagem e a essência do Sporting enquanto instituição.

Volvido um ano sobre a eleição de Frederico Varandas para presidir aos destinos dos ‘leões’, após uma campanha com muitos candidatos e poucas ideias novas, o Sporting debate-se, pois, com dois tipos de problemas: os resquícios deixados por uma presidência super atribulada – aquilo a que podemos denominar uma ‘presidência ultra’, marcada por uma excessiva e desequilibrada emocionalidade – e as manifestações críticas de diversas figuras ligadas ao universo ‘leonino’, muitas das quais ligadas a algum desses passados, sobre as quais não impende nenhum juízo sobre o direito de criticar, mas apenas e tão-só o facto de não entenderem o peso da herança e não revelarem um mínimo de tolerância sobre o ciclo que se seguiu à deposição de Bruno de Carvalho. A mesma tolerância que requereriam para si próprios, no caso de terem vencido as eleições.

Tudo no Sporting é passível de crítica. Crítica também irrazoável. Se o presidente não fala é porque não fala; se fala é porque fala. Se mantém o Bruno Fernandes, devia tê-lo vendido (nem que fosse pelos tais 45M€). Consegue vender o Thierry Correia por 12M€ e o Raphinha por 21M€ não tem qualquer significado, a não ser desfalcar o plantel, mesmo no caso do jovem lateral direito, tantas vezes criticado por alguns erros cometidos nas suas primeiras aparições na equipa principal do Sporting. Se o Sporting ganha a Taça de Portugal (ao FC Porto) e a Taça da Liga (numa fase final Benfica, FC Porto e SC Braga) é porque os outros quiseram. Quer dizer: o Sporting está sempre no fosso (e na fossa) e, no fosso, não se vê amontoar apenas a lixeira normal destes ambientes mas uma enorme quantidade de crocodilos. O fosso dos crocodilos.

O ‘fosso dos crocodilos’ está pejado de frustrações, maus gestores, críticas por tudo e por nada, elitismos e radicalismos, gente que não sabe fazer mais nada senão viver do debate continuado sobre o Sporting, numa fustigação permanente e irracional. Os crocodilianos não gostam do Sporting. Alimentam-se do Sporting. DEVORAM o Sporting.

Este presidente – e qualquer outro que saísse ‘vencedor’ das eleições – já sabia que ia arrastar com o peso histórico da maledicência e da desvalorização permanentes, e no caso de Frederico Varandas com a coragem (sim, coragem!) de fazer frente aos abusos das claques, que estavam – governando-se – a governar o Sporting.

Os sportinguistas acham que apenas um ano é suficiente para eliminar o fosso? O fosso não resulta apenas do crescimento do Benfica e do FC Porto, este agora confrontado com um problema de gestão cujas consequências estão à vista na tentativa de cumprimento do fair-play financeiro importo pela UEFA. O fosso foi (es)cavado por sportinguistas, mais ou menos ilustres. e vão continuar a (es)cavar, convencidos de que vão finalmente achar o ouro. Não, não vão. Se continuarem a (es)cavar obsessiva e delirantemente, vão encontrar mais dejectos e escuridão – e o Sporting não sairá da sua actual condição de ‘terceiro de Portugal’, ameaçado por vários outros emblemas, mais pacientes na sua afirmação e na consolidação de reformas.

Este ‘Sporting de Varandas’ tem défices e problemas? Tem. A gestão dos últimos dossiês foi perfeita? Não. Mas, neste quadro, quem conseguiria governar melhor?… Quem pode reclamar, neste contexto, o exercício da perfeição?

Um dos melhores artigos que já li de Rui Santos (Record)

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publicado às 06:02

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 09.08.19

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"Desculpem-me a expressão, mas o Partido Socialista borrou-se de medo do Benfica. E isso incomoda-me".

Rui Santos - programa Tempo Extra, SIC Notícias - considera que o Partido Socialista se curvou perante o Benfica, ao esclarecer que as posições da ex-eurodeputada Ana Gomes não vinculam o partido.

Vídeo disponível aqui.

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publicado às 03:02

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 17.06.19

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No programa Play-Off da SIC Notícias, Rui Santos analisa a importância do agente Jorge Mendes nas possíveis transferências de Bruno Fernandes e João Félix, dois jogadores que, na sua opinião, são incomparáveis.

" O factor Jorge Mendes é decisivo aqui. Se Bruno Fernandes fosse jogador do Benfica, quanto é que valeria?"

O vídeo está disponível aqui.

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publicado às 14:00

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 13.06.19

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Rui Santos, no programa Tempo Extra da SIC Notícias, analisou a condenação do FC Porto no caso da divulgação dos e-mails do Benfica, fazendo distinção, no entanto, entre este processo e aquele que investiga o conteúdo dos e-mails:

"Uma coisa é a violação de correspondência privada que tinha de ter uma punição. Outra coisa é o conteúdo dos e-mails".

Vídeo dessa parte do programa está disponível aqui.

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publicado às 05:03

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 29.05.19

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Rui Santos, na sua usual participação no programa Tempo Extra, SIC Notícias, acha que o treinador do FC Porto precisa de "corrigir alguns comportamentos anti-desportivos", e indo ainda um pouco mais além, disse também isto:

"O mundo não está contra Sérgio Conceição. Ele acha que é a montanha e Maomé e que tem de ser o Batman. Super-heróis só na BD".

Uma proposição algo inovadora, mesmo para o sempre polémico comentador desportivo. Mas à sua boa maneira, com tiques de 'showman', creio que passa a mensagem, muito embora, na minha opinião, seja um desiderato inatingível.

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publicado às 15:01

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 16.05.19

 

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"Um nome para a Liga? Liga Palhaça, Liga Marginal ou Liga Pecado"

 

A frase é de Rui Santos, no programa Tempo Extra, SIC Notícias, que considera que se tem assistido a episódios tristes no futebol português e que todos os intervenientes são culpados.

 

Vídeo disponível aqui.

 

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publicado às 03:48

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 02.05.19

 

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Considerações de Rui Santos, no programa Tempo Extra, da SIC Notícias, disponível aqui.

 

Além de considerar que o castigo a Luís Filipe Vieira é justo, dado que as palavras por ele proferidas condicionaram o Conselho de Arbitragem, o comentador ainda teve isto para dizer sobre o árbitro Fábio Veríssimo:

 

"Passaram-se quatro meses e Veríssimo não apitou um jogo do Benfica. Isto é dramático, há lógicas de captura que vencem".

 

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publicado às 03:34

 

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"A Liga e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), cada uma nas suas tamanquinhas, tiveram uma reunião ridícula, inócua, que durou 15 minutos".

 

Rui Santos, no programa Tempo Extra da SIC Notícias (vídeo aqui), criticou a Liga e a FPF por não terem chegado a conclusões algumas na reunião conjunta que se realizou esta segunda-feira, a fim de discutir os procedimentos das escolhas dos árbitros, face ao caso das fugas de informação de César Boaventura.

 

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publicado às 15:09

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 18.04.19

 

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"É preciso separar os melhores árbitros dos menos bons, e há árbitros que não merecem as oportunidades. É o caso de Bruno Paixão".

 

Rui Santos no programa Tempo Extra da SIC Notícias.

 

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publicado às 04:32

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 11.04.19

 

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O Conselho de Discplina da Federação Portuguesa de Futebol interditou o Estádio da Luz por um jogo, mas os encarnados interpuseram uma providência cautelar que protelou a decisão para mais tarde. OUTRA VEZ...

 

Eis o que Rui Santos tem para dizer sobre este assunto:

 

"A Federação permite que o Benfica empurre no tempo a decisão sobre a interdição da Luz. Isto tem consequências na verdade desportiva".

 

O link do vídeo do programa da SIC Notícias, está disponível aqui.

 

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publicado às 05:02

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 28.03.19

 

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Rui Santos - SIC Notícias - diz que a eurodeputada Ana Gomes está a realizar um trabalho importante ao denunciar a corrupção que existe no mundo do futebol. E deixa questões aos presidentes do Benfica e FC Porto sobre César Boaventura e Vítor Catão.

 

"Eu gostava muito de perguntar a Luís Filipe Vieira se ele não tem vergonha de César Boaventura", diz o comentador.

 

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publicado às 16:18

Frase do dia

Rui Gomes, em 27.03.19

 

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"Agora, tudo o que mexe leva um processo do Benfica"

 

 

Consideração de Rui Santos, no programa "Play-Off" da SIC Notícias.

 

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publicado às 03:18

Que Rui Pinto não se iluda

Rui Gomes, em 25.03.19


«"Portugal está podre!" - atirou Rui Pinto no dia em que, na Hungria, conheceu a decisão do tribunal em extraditá-lo para Portugal.

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A expressão chocou parte da ‘intelligentsia’ nacional, a mesma que, nas suas fragilidades e dependências, alimentaram o sistema que levou ao colapso do BES. "Está podre?!" Não. Não está. Como pode estar podre um País cujos apoios aos bancos já custaram, em nove anos, a partir de 2008 — segundo o Tribunal de Contas — 16,8 mil milhões de euros? Como pode estar podre um País que obrigou os contribuintes a financiar este custo, faltando depois dinheiro para investimento público e para melhorar a qualidade de vida dos portugueses?

 

Como pode estar podre um País que, confortável perante a apatia dos "coletes anémicos", se diverte a "bastonar" sem piedade os contribuintes, chamados a pagar todos os abusos, os dislates e os ‘chás dançantes’ das elites — de direita e de esquerda —, nada preocupados em fazer pagar a factura aqueles que são os verdadeiros culpados do gigantesco buraco em que colocaram o País?

No futebol, não sei se é melhor ou pior, mas o mal é semelhante e resulta tudo da mesma causa: o sentimento de impunidade. Como o Apito Dourado não teve as consequências que deveria ter tido, e não obstante a evolução que o sistema judicial conheceu em Portugal nos últimos anos, continua a achar-se que a construção de um novo poder ou a alternância de poderes se pode fazer numa mesma base de viciação orgânica. Pode mas não deve.

Aliás, esse é precisamente o problema de visão de Luís Filipe Vieira, presidente do maior clube desportivo português, em número de adeptos e em capacidade de gerar receitas e faturação acima de todas as entidades rivais.

 

Está a fazer uma boa gestão, assente desportivamente em pilares de desenvolvimento e crescimento interessantes, mas é incapaz de travar todos aqueles que vão projectando uma imagem tremendamente negativa do clube, seja nos espaços televisivos de debate, seja através de pontas-de-lança que enxameiam as redes sociais, seja através de intermediários que, montados em cima de ‘boas aventuranças’, metem-se em assuntos que nada têm a ver (ou têm?!) com transferências de jogadores.

Na verdade, bastava a Luís Filipe Vieira e a Jorge Nuno Pinto da Costa enterrarem de vez estes prosélitos do futebol marginal para tudo começar a mudar. A sensação que se colhe é a inversa; é a percepção de que precisam desses ‘anfíbios’, capazes de se moverem em qualquer tipo de ambientes e terrenos, mesmo os mais enlameados, para fazer a afirmação do seu poder. Talvez seja uma questão de e da natureza.

 

E por isso eu tenho sugerido a Luís Filipe Vieira que se agarre aquilo que verdadeiramente interessa (o cumprimento do seu projecto, nas vertentes desportiva e financeira), fechando a botija de oxigénio a quem se sente confortável com aquilo que eles consideram ser o patrocínio do Benfica, achando-se por isso ‘intocáveis". Não serão afinal Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira mais próximos do que aparentam?…

 

Um excerto da crónica semanal de Rui Santos, no jornal Record.

 

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publicado às 12:55

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 12.03.19

 

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"Não é só de agora, é praticamente de sempre a percepção de que a ‘paixão clubística’ domina quem não deveria dominar, porque uma coisa são os adeptos, despidos da sua condição de decisores, em matérias relacionadas com a lei, as regras e os regulamentos; outra coisa são as personalidades que, de acordo com as suas valências académicas e (para)profissionais, são chamados a colocar os seus afectos pessoais de parte e a agir imparcialmente de acordo com a sua condição de decisores.

 

Essa condição obriga a um omnidever de isenção que deveria ser fomentado, protegido e premiado — e nada disso acontece em Portugal. Na verdade, alguma coisa está errada quando alguns desses decisores aceitam (ou aceitavam, até há bem pouco tempo) lugares em tribunas VIP, cujos convites — ao contrário do que se quer fazer crer — não são actos de mera pura cortesia; são formas de gerir, potenciar e aproveitar diversos níveis de influência.

 

Na verdade, não se sente que haja uma profunda vontade de combater a corrupção no futebol (e no País, acrescente-se), e isso pode ter a ver, ou não, com o grau de satisfação de muitos ‘agentes’ em relação ao ‘sistema’ vigente".

 

Excerto da crónica semanal de Rui Santos, jornal Record

 

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publicado às 02:32

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 02.03.19

 

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"Frederico Varandas não vai ter sossego. Bruno de Carvalho vai estar sempre atrás da árvore. Há mais casos de polícia no Sporting".

 

Considerações de Rui Santos, aqui, na Tribuna Expresso.

 

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publicado às 05:33

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 25.02.19

 

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"Toda a gente entende a afirmação de Frederico Varandas segundo a qual o ataque à Academia de Alcochete constituiu "o maior rombo financeiro e desportivo da história do clube" e toda a gente sabe quem gerou as condições para que o Sporting visse rebentar dentro das suas próprias instalações um dos barris de pólvora mais indignos da história do futebol.
 
Parece fácil restaurar todos os estragos (e as consequências financeiras, cujas contas finais serão apuradas a seu tempo), mas não é. O Sporting precisa de tempo para sarar feridas tão profundas. E isso só poderá ser feito, se os sócios do Sporting perceberem o que aconteceu ao clube e quem o atirou para uma situação tão delicada.
 
Frederico Varandas — sem ruído mas com coragem — colocou o dedo em várias feridas. Uma delas foi a das claques. Na verdade, é preciso ter coragem para mexer no vespeiro. Naquilo que ele representa de subversão de todos os valores que devem estar associados ao desporto e às sociedades. Varandas relembrou que fez parte da Juve Leo quando não (lhes) era dado nada em troca.
 
As claques, entretanto, por responsabilidade das Direcções, passaram a ser espaços de negócio e de poder. E o clube ficou e estava refém das claques. Dos seus caprichos e das suas exigências. Desmantelar o todo desse processo não é fácil. Mas é um imperativo de consciência para quem quer fazer crescer o clube. E, para isso, como diz Varandas, as claques não podem estar acima dos sócios que pagam as suas quotas e bilhetes e que se devem enquadrar num regime de normalidade".

 

Um breve excerto da crónica semanal de Rui Santos, no Record.

 

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publicado às 02:49

 

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"Há três anos e meio, o Benfica precisava de um treinador que fosse a antítese de Jorge Jesus. Na Luz, Jorge Jesus era o treinador que não ouvia a estrutura e nem queria saber se A ou B compunha a estrutura. A estrutura era ele, em estreita relação com Luís Filipe Vieira. Jogava quem o treinador achava que tinha condições para jogar e essa coisa de colocar os jovens da formação no ‘onze’ não poderia ser nem uma obrigação, nem algo forçado ou meramente induzido.
 
O presidente do Benfica, naquele momento, achou que era tempo de abalizar a estrutura e tentou ejectar Jorge Jesus sem dor e até com algum ‘carinho’. A coisa saiu-lhe mal e Jesus acabou no Sporting. Era preciso arranjar um treinador que ouvisse e respeitasse a estrutura e, mais do que isso, se convertesse rapidamente na extensão dessa mesma estrutura. E um treinador que não fizesse ‘peito’ à estrutura só podia ser um ‘treinador bonzinho’. Logo, Rui Vitória.
 
Luís Filipe Vieira é um ’self-made man’, com faro para o negócio, mas foi desenvolvendo ao longo dos anos o seu lado político. Todavia, o autoconvencimento de que é capaz de controlar tudo e todos, utilizando um tacticismo — como lhe chamar? — tugo-esperto, tem-lhe trazido alguns dissabores".
 
Extracto da mais recente crónica de Rui Santos no jornal Record, intitulada "Vieira, o tugo-esperto... da iluminação".
 

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publicado às 03:15

Para onde vai o futebol português?

Rui Gomes, em 07.10.18

 

Benfica, FC Porto e Sporting venceram os seus compromissos europeus desta semana - somando pontos sempre importantes para o 'ranking' da UEFA - e isso poderia ser observado como um sinal de pujança do futebol português.

 

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Não é, como adiante se pode ver. Em que circunstância for, ganhar é sempre bom, mas é importante reter que esta semana tivemos, na Champions, o 21.º do ranking da UEFA (Benfica) a jogar em 'casa' do 81.º (AEK); o 9.º (FC Porto) a receber o 64.º (Galatasaray) e, na Liga Europa, o 33.º (Sporting) a deslocar-se ao reduto do Vorskla Poltava (141.º).

 

… E o que se viu? As equipas portuguesas, todas elas, a revelarem imensas dificuldades para vencerem os seus menos cotados adversários. Nos casos de Benfica e Sporting, com adversários realmente inferiores, a imagem deixada foi muitíssimo pobre. Um Benfica descontrolado e incapaz de fazer valer a qualidade dos jogadores que tinha disponíveis para a partida de Atenas; um Sporting muito mexido em relação aos habituais titulares e a evidenciar pouco mais de 'zero'… em classe futebolística.

 

Mesmo o campeão nacional FC Porto, não obstante ter actuado perante melhor equipa entre os três adversários das equipas portuguesas nesta semana europeia, foi ameaçado em demasia por um Galatasaray que desperdiçou muitas oportunidades de golo, fazendo brilhar Casillas.

A imagem de produção futebolística foi, portanto, genericamente pobre. Poder-se-ia tratar de uma situação pontual, mais ou menos ocasional. A verdade, porém, é que essa imagem é mais ou menos a mesma daquela que as três equipas têm revelado nas competições domésticas, e talvez não seja por acaso que o líder do campeonato seja o Sp. Braga, que curiosamente deixou demasiado cedo os palcos europeus.

Recorde-se: antes de entrarem em campo nas competições europeias, o Benfica tinha deixado uma imagem igualmente pobre em Chaves; o FC Porto, com melhor desempenho, viu-se e desejou-se para ultrapassar o Tondela e o Sporting também não foi eloquente frente ao Marítimo.

 

Há razões diferenciadas que podem explicar o arranque e o desempenho das principais equipas portuguesas, mas a convicção de que os adeptos não andam satisfeitos com o rendimento dos jogadores, individual e colectivamente, com assobios ouvidos em diversos momentos, já levou por exemplo Sérgio Conceição a dizer que, "se querem espectáculo vão ao Coliseu"; Rui Vitória a tentar desculpar-se com as arbitragens e José Peseiro - noutro contexto, é preciso sublinhá-lo - a relativizar as exibições menos conseguidas.

Parece-me claro que se está a jogar menos no campeonato português. Uma coisa é a (boa) organização táctica das equipas, quase sempre muito arrumadinhas no contexto nacional; outra coisa é a capacidade de meter pressão e velocidade no jogo, imagem de marca do FC Porto na época passada como também do Benfica, aqui e ali, mas com assinaláveis intermitências, face à superior qualidade do plantel.

O futebol português vive, então, uma fase preocupante: está com um problema dentro do campo (escassez de qualidade futebolística) e tem um outro ainda maior fora das quatro linhas, com os processos judiciais que se acumularam nos últimos meses - a revelarem, muito para além das imputações especificas de enorme gravidade, escasso ou nenhum entendimento institucional, agora mitigado com a mudança de presidência no Sporting.

 

Nenhuma Federação e nenhuma Liga, seja onde for, gostariam de estar confrontadas com estes tipos de problemas (o pior dos cenários), mas a verdade é que eles existem e não se vê forma de o futebol português poder evoluir, rapidamente, para outro estádio de desenvolvimento e comportamento, porque o desenlace dos diversos processos judiciais não será conhecido tão cedo, há que contar com as consequências desses desenlaces (em caso de pronúncias e condenações) e questões relacionadas com a falta de qualidade futebolística da nossa Liga não se resolvem com uma varinha mágica, uma vez que estão dependentes de imensos factores, difíceis de potenciar ao mesmo tempo.

 

A realidade portuguesa também não se pode dissociar da realidade europeia e mundial, porque a FIFA e a UEFA têm estado empenhadas em não travar esta escalada de aumento de número de jogos, tudo no sentido da obtenção do lucro, não se preocupando com o tempo de gestão da recuperação dos jogadores - e parece-me que até nas principais ligas europeias começa a assistir-se à implantação do 'primado da gestão', de uma forma mais clara, em detrimento do futebol-espectáculo. E isso é muito mau, porque o futebol sem espectáculo, resumido à eterna rivalidade no momento da vitória, passa a ser uma coisa exclusivamente tribal.

É neste contexto que se realiza hoje o Benfica-FC Porto e, sinceramente, desejo muito (sem grande fé) que o espectáculo não se resuma às coreografias dos adeptos… 

 

Rui Santos, jornal Record

 

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publicado às 16:01

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