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Rui Santos comenta o Sporting

Rui Gomes, em 05.11.20

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No programa Tempo Extra da SIC Notícias, Rui Santos diz que o Sporting é um justo líder do campeonato através do investimento feito na formação e nos jogadores contratados:

"Os cinco cavalinhos do carrossel do Sporting estão a animar a feira do campeonato".

publicado às 16:30

Rui Santos comenta a arbitragem

Rui Gomes, em 02.11.20

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Rui Santos diz que erros de arbitragem como os que aconteceram em Paços de Ferreira não se podem consentir de modo algum na era da videoarbitragem. O comentador da SIC pede consequências para Nuno Almeida (árbitro) e André Narciso (VAR).

"Arbitragem da primeira parte em Paços de Ferreira parecia um regresso aos anos 90".

Ver vídeo aqui.

publicado às 17:00

Rui Santos opina

Rui Gomes, em 10.10.20

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"O Sporting está numa fase de psicanálise. Há accionistas residuais

ligados a Bruno de Carvalho que só fazem barulho"

Rui Santos - Tempo Extra - SIC Notícias

publicado às 03:32

Rui Santos opina

Rui Gomes, em 09.10.20

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"O regresso de João Mário ao futebol português é a grande notícia deste mercado"

Rui Santos - Tempo Extra - SIC Notícias

publicado às 16:00

Algumas breves considerações de Rui Santos, extraídas da sua mais recente crónica em Record, em que comenta maioritariamente a propagada super equipa do Benfica.

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"No Sporting, não obstante o esforço realizado para não se perder o pé no quadro da gestão financeira, são evidentes as dificuldades para se cumprirem compromissos, como resulta evidente do facto de os leões terem partido do princípio que vale a pena pagar mais 2,1M pela contratação-kamikaze de Rúben Amorim para poderem, em 8 meses, dar melhor resposta a um vasto leque de obrigações. Também é importante ressalvar que o Sporting CP nunca manifestou vontade de não pagar; apenas se colocou na posição de pagar mais, como consequência do facto de não poder/querer pagar nos prazos inicialmente aprazados e isso é apenas a confirmação de um aperto que já todos, afinal, conhecíamos".

"No FC Porto, a notícia do Correio da Manhã segundo a qual existem salários em atraso apenas confirma aquilo que é sabido há muito, isto é, uma péssima e caótica gestão de recursos atirou um clube histórico para uma situação financeira muito complexa e só há uma explicação para isso: os custos das transferências são elevadíssimos e o produto das vendas líquidas que entra nos cofres da SAD portista não chega para contrabalançar uma estrutura de custos particularmente elevada, nalguns casos até verdadeiramente pornográfica.

Muito estranho que a comunicação do FC Porto não tenha feito um escarcéu perante a notícia. O tímido desmentido de J., a dizer que é mentira, nem em Gaia se ouviu".

"É evidente que a contratação de Jorge Jesus pressupõe, aliás como foi reconhecido pelo próprio técnico no dia do seu regresso ao Benfica, uma equipa a jogar o triplo do que jogava antes, e, portanto, há uma espécie de expectativa segundo a qual os jogadores que já estiveram entregues a Rui Vitória, Bruno Lage e Nélson Veríssimo tenham, sem as chamadas alcavalas de qualidade, um rendimento superior, por força da influência e do trabalho de Jorge Jesus.

Contudo, se o Benfica 2019-20 com Jesus renderia, em tese, muito mais, o actual só pode ter aspirações de se recolocar com ambição no quadro das competições europeias com um acrescento de qualidade no plantel. E isso, neste momento, não corresponde àquilo a que se pode chamar de Super Equipa, até porque falhou, no tempo certo, a aquisição de uma estrela do futebol internacional (Cavani era uma boa ideia)".

publicado às 03:33

As cartilhas e a sede de controlo

Rui Gomes, em 01.08.20

img_192x192$2019_09_07_00_18_48_1598529.jpgEm NOTA a fechar o artigo da semana passada, escrevi: "Espero sinceramente que Jorge Jesus e, até, Sérgio Conceição se unam no combate aos tóxicos departamentos de comunicação, empenhados em transformar o futebol numa lixeira atómica. Com ela, o futebol em Portugal nunca se desenvolverá nem sequer será olhado com seriedade".

Este é um tema crucial para o processo de desintoxicação do futebol português e é preciso que se adquira uma consciência colectiva no país, num quadro de normalização das relações entre o negócio futebol e a sociedade, com relevo para aquelas que se estabelecem no âmbito dos poderes públicos e privados, de que esse processo de despoluição não corresponde a uma luta específica contra o clube A ou clube B; é uma necessidade, no sentido de reposicionar o futebol nacional em relação ao futuro, um futuro ainda por cima cheio de incertezas, por via das interrogações suscitadas pela Covid.

Quer dizer, o futuro sugere contenção, racionalidade, bom-senso, reformas — e a febre pelos títulos faz com que muitos protagonistas continuem virados para a querela, para o ataque descabelado ou sub-reptício e para a mobilização dos exércitos do mal.

O futebol sugere ainda assumpção de responsabilidades de todas as partes directa ou indirectamente envolvidas no negócio e, nesse aspecto, entre vícios, entorses e dinâmicas de contra-informação muito difíceis de contrariar, a partir das quais tem valido tudo para desviar atenções, a comunicação social tem, como sempre e agora ainda mais, um papel relevante a desempenhar.

Esta semana, a propósito, fomos confrontados com uma decisão histórica, cujo pontapé de saída foi dado pela Direcção de Informação da SIC e seguido pela TVI: acabar com os programas de debate, com representantes do FC Porto, Benfica e Sporting.

Antes da pandemia, o grito (clubístico) já tinha tomado conta de 90% das tribunas de debate futebolístico em televisão, algumas das quais haviam sido tomadas, em casos facilmente identificáveis, pelas direcções de comunicação dos clubes, no caso concreto com FC Porto e Benfica a tentarem marcar pontos nessa área.

Há um ano e meio, dei uma entrevista ao jornal i, na qual dizia que "Os clubes têm sede controlar a AR, os tribunais, a comunicação social", sem deixar de chamar a atenção para o facto de "alguns jornalistas ditos independentes são fabricações dos próprios clubes". Dei a entrevista há um ano e meio, mas o meu discurso neste capítulo há muito que aponta para a tentativa de controlo da opinião por parte de alguns clubes de futebol, cuja prática se agudizou a partir do momento em que se descobriu que essa tentativa de controlo correspondia a uma visão organizada pelo departamento de comunicação do Benfica e coordenada por Carlos Janela.

Quando nasceram as célebres cartilhas, já o ambiente não era o melhor e o logro estava identificado. Não me parece que haja muitas dúvidas de que a trama tem uma raiz político-socrática, no sentido de tentar fazer passar para o espaço público, e no futebol, realidades que afinal não o são. Ninguém está numa posição moral para reivindicar qualquer superioridade, tal os níveis de toxicidade produzidas em ambas as centrais de contra-informação e propaganda, uma vez que não existem quaisquer tipo de dúvidas de que, no polo oposto, também não existem escrúpulos.

De um lado, alguma subtileza e sofisticação e, de quando em vez, metralha; do outro,  apenas metralha.

[É bom relembrar, em forma de parêntesis, que o director de comunicação do FC Porto, ‘Jota’ Marques, tão pressuroso na defesa da ‘verdade’, foi condenado (ao pagamento de 523 000€ por danos patrimoniais emergentes e 1,4M€ por danos não emergentes, na sequência da divulgação de correspondência, em processo movido pela SAD do Benfica), tendo o Tribunal do Juízo Central Cível do Porto entendido que Francisco J. Marques nunca quis servir o interesse público com a divulgação dos emails do Benfica e a entender que a informação foi obtida ‘de má fé’, sem "qualquer interesse público", e por meio de "omissão dolosa, cirúrgica e inteligente". Foi ainda considerado judicialmente que "esta deturpação selectiva do texto é pior do que mentira, pois essa é facilmente posta em causa, a deturpação é bem mais difícil de detetar e nunca porá em causa a primeira impressão já criada". E mesmo que tribunal tenha considerado que em 31 dos 55 emails divulgados poderia existir interesse público, conclui, porém, que a forma como foram tratados no Porto Canal — "sem contraditório, com omissões, sem enquadramento, sem tratamento jornalístico" — levaram a que se decidisse pela condenação].

Estas guerras intestinas entre FC Porto e Benfica, com os respectivos departamentos de comunicação a afastarem-se cada vez mais do seu objecto primacial, já causaram danos irreparáveis ao futebol português e vão continuar a causar, porque pelos vistos, viciados nestas dinâmicas, não são capaz de produzir jogo limpo, aceitando a regra de que as instituições, nas suas imperfeições e submetidas à crítica (também) limpa, precisam de cultivar autonomias e mecanismos de escrutínio e regulação, à margem do jugo ou da influência dos clubes de futebol.

Bem sei que é muito difícil esta mudança de mentalidades e procedimentos num terreno dominado por dois dinossauros do dirigismo desportivo: Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira, tão diferentes em muitas virtudes mas tão siameses em tantos pecados. Não vão ser eles, já se percebeu, por razões distintas, os motores da transformação, no que diz respeito ao modelo de comunicação que ajudaram a construir. Todavia, mais tarde ou mais cedo, Benfica e FC Porto — com o Sporting ainda na corda bamba — vão conhecer mudanças estruturais e geracionais e, com as condicionantes económicas que a pandemia vai impor, este halo de mudança será imperativo.

Esperemos que, até lá, se faça progressivamente o real desmantelamento dos exércitos especializados em produtos tóxicos. O futebol português merece que os seus méritos sejam exaltados, sem o contributo químico de guerras e jotas. E é neste contexto que precisamos de Jorge Jesus, Sergio Conceição e mais Vítores Oliveiras. E de um país que saiba honrar o valor da rivalidade e do desportivismo.

NOTA… DE ESCABECHE - A final da Taça de Portugal desta noite em Coimbra pode assemelhar-se a uma ida a um restaurante, pedir carapaus de escabeche, e trazerem-nos apenas os carapaus, com o argumento de que o (molho de) escabeche acabou. Pode ser bom, mas não é a mesma coisa.

publicado às 05:02

Uma história da carochinha

Rui Gomes, em 02.07.20

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Rui Santos diz que não acredita que Luís Filipe Vieira possa abandonar a presidência do Benfica neste momento e aponta críticas várias ao líder dos encarnados.

"O Vieira sair do Benfica é uma história da carochinha. Deslumbrou-se, achou que o futebol português era o quintal do Vieira".

Comentário completo na SIC Notícias, em vídeo, aqui.

publicado às 02:32

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Rui Santos, no programa Tempo Extra, da SIC Notícias, diz que o interesse do Benfica e a conjuntura de pré-falência da maioria dos clubes portugueses, dependentes das receitas televisivas, ditaram a decisão do regresso do campeonato. O que se vai seguir, segundo ele, é, por necessidade, uma deformação do futebol.

"Tenho de dizer isto, porque vivemos em democracia: como o Benfica não estava em 1.º no momento da paragem, tudo ficou muito mais complicado".

Sempre polémico Rui Santos, mas neste caso concreto, não disse nada que não tenha já ocorrido a muitos adeptos do futebol.

publicado às 03:18

img_192x192$2019_09_07_00_18_48_1598529.jpgSe houvesse um gráfico a acusar as várias mudanças de opinião da diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, desde que foi identificado o primeiro caso de Covid-19 em Portugal, esse gráfico seria uma montanha russa, de altos e baixos, a provar algo que temos vindo a acompanhar diariamente — as opiniões dividem-se na classe médica e, também, entre os especialistas.

Ninguém tem certezas de nada e as estatísticas vão determinando o comportamento da intervenção política.

Saiu agora o Código de Conduta que determina os procedimentos a ter pela ‘comunidade do futebol’ relativamente a todas as fases das competições e treinos — um compromisso global do Futebol em relação ao Estado.

O Governo pode ter, e tem, muita vontade em ajudar a indústria futebolística, perante os confessados alarmes de caos financeiro, mas não quer de modo algum correr mais riscos para além daqueles que já está a correr.

Logo a abrir o supracitado Código de Conduta, no ponto 1, a DGS define: “A FPF, a Liga Portugal, os clubes participantes na Liga NOS e os atletas assumem, em todas as fases das competições e treinos, o risco existente de infeção por SARS-CoV-2 e de COVID-19, bem como a responsabilidade de todas as eventuais consequências clínicas da doença e do risco para a Saúde Pública".

Tomem lá este guardanapo (de 14 pontos) e assoem-se a ele. Depois, não venham é pedir-nos responsabilidades.

Quer dizer, a DGS e o Governo permitem que se entre nesta grande loucura de se calçar as chuteiras para o dinheiro voltar a circular, mas quer que todos assinem um verdadeiro e indiscutível ‘termo de responsabilidade’.

Se alguma coisa correr mal, a culpa não é “oficialmente” do Governo; é da organização do Futebol.

Não é bem assim, já se sabe, porque o Governo — conforme fizeram a França e a Holanda — teria sempre a possibilidade de não consentir, nas condições actuais, a retoma da I Liga, embora, nesse cenário, tivesse de arrostar com as consequências do chinfrim futebolístico, liderado pelos ‘grandes’, que se iria instalar.

Os efeitos não seriam assim tão grandes como se julga, mas em Portugal há uma espécie de ‘regra constitucional’ que aceita, sem estrebuchar, que o futebol reúne o maior de todos os poderes. E isso só é assim, porque 1) há falta de coragem; 2) os outros poderes estão demasiado comprometidos e capturados pelo poder do futebol.

As consequências políticas globais da gestão Covid/Futebol só serão contabilizadas lá mais para o fim do ano; neste momento é preciso dar um passo de cada vez e permitir que o Futebol faça o seu próprio caminho, inclusive o de desviar as atenções de situações bem mais gravosas para os portugueses do que a paragem da competição.

Danilo, Zé Luís e Soares, três jogadores do FC Porto, já expressaram o seu desacordo (a linguagem emoji tem muita força!) e vamos ver se os jogadores assinam o Código de Conduta que é uma espécie de Código da Carne para Canhão (CCC).

O Futebol vai assoar-se a este ‘guardanapo’ ou não?!…

Rui Santos, SIC

publicado às 04:03

As balelas da degola

Rui Gomes, em 10.05.20

img_192x192$2019_09_07_00_18_48_1598529.jpgEmbora pareça, o futebol profissional em Portugal não se reduz nem às aspirações, nem às expectativas, nem aos objectivos do Benfica, FC Porto e Sporting. E enquanto isso não for assumido pela FPF e pela Liga, fica mais difícil diminuir o impacto dessa macrocefalia e, com essa redução, tornar o futebol português mais equilibrado e também mais democrático.

O futebol profissional, em Portugal, reflecte um mapa competitivo assimétrico e as recém-decisões relacionadas com a crise pandémica, que envolveram Governo, FPF e Liga, demonstraram o mais puro desprezo pelos clubes pequenos, quer os do campeonato de Portugal, quer os da 2.ª Liga.

As injustiças obedeceram a dois tipos de ditadura:

1) A ditadura das várias operadoras de telecomunicações, a defenderem escrupulosamente todos os seus interesses, uma vez que se tornaram nos principais ventiladores do futebol profissional;

2) A ditadura dos três principais emblemas nacionais, que pressionaram o Governo até ao tutano, os únicos a terem assento personalizado na reunião com o primeiro-ministro e com outros membros do executivo, o que desde logo correspondeu à assumpção, até orgulhosa, de uma discriminação difícil de aceitar.

Se quisermos utilizar uma linguagem prosaica, a NOS, a Altice e a Vodafone disseram sem sofismas: meus amigos, façam lá como quiserem, ponham a máscara ou tirem a máscara, metam ou não desinfectante nas mãos, nas bolas e nas chuteiras, arranjem ou não estádios que tenham balneários suficientes para lá meter os jogadores que vão a jogo, arranjem ou não autocarros suficientes para os fazer deslocar, com ou sem viseira, façam lá como quiserem, mas joguem, acabem lá o campeonato, porque nós não podemos andar aqui a meter o dinheirinho e a ver a banda (não) passar...

Só faltou dizer: pela vossa (e nossa) saudinha, façam isso, porque os milhões não caem do céu e até o céu já não é tão confiável como era antes. ‘Business is business’ e não é a jogar PlayStation que NOS (e os outros) podemos garantir os V. ordenados.

Os ‘grandes’ do futebol português, extraordinariamente sintonizados nesta matéria, por necessidade, mas também porque há títulos em jogo, não deixam qualquer margem de manobra seja a quem for, e sentem a fragilidade do poder político, qualquer coisa assim a modos que ancestral, velha e relha, como se fosse uma regra constitucional. Que não é, sublinhe-se bem.

Com o fim do estado de emergência, mas ainda assim a entrarmos no corredor do estado de catástrofe, a malta - perdoe-se-me a expressão - desconfina-se, e se a malta é atirada para o desconfinamento, numa exposição generosa e simpática ao vírus, por que razão o futebol não se deve também desconfinar e mostrar alguma simpatia ao vírus, que até é bonzinho, na visão de muitos especialistas?

De resto, o presidente do Sporting, Frederico Varandas, único médico entre presidentes dos ‘grandes’, é um grande entusiasta no processo de conquista da imunidade e disso deu conta a António Costa e aos governantes na célebre reunião em que o presidente da Liga esteve quase para não entrar (!), entusiasmo esse acompanhado por imperativos e exigências de natureza financeira.

Varandas sabe que a pandemia apenas veio acelerar e denunciar as más práticas de gestão e os desequilíbrios na distribuição de receitas.

Este claro halo de pré-falência, numa indústria que faz movimentar milhões de euros, é arrepiante, e o discurso de Frederico Varandas, neste tempo de Covid, mostra bem que o actual ‘modelo de negócio’ está esgotado, porque não promove qualquer tipo de saúde financeira.

A propósito, não creio que o facto tenha sido público, mas na reunião de direcção da Liga durante a qual ficou decidida a despromoção do Cova da Piedade e do Casa Pia, impedidos de lutar em campo pela manutenção no escalão secundário, o presidente Pedro Proença, sempre num tom agitado e bastante audível, afirmou que "se a Liga NOS não acontecer, não é a Liga que entra em insolvência; é o futebol português que entra em insolvência. Não tenham dúvidas disto!"

Pedro Proença afirmou, inclusive, que se não houver retoma do campeonato, e com o futebol "no limite das nossas capacidades", não via outro cenário senão "uma intervenção estatal", com "injecção de capital".

Tudo enquadrado naquilo que apelidou, financeiramente, de "esforço brutal" (repetiu o adjectivo ‘brutal’ várias vezes) nas medidas de ajuda-Covid aos clubes da LigaPro e num ambiente evidente em que "ninguém se consegue financiar", chamando a atenção para o comportamento pós-troika da Banca em relação ao futebol.

Quer dizer: o que resta do principal campeonato tem de se realizar, dê lá por onde der, porque é a única forma de as operadoras bombarem ‘oxigénio’ nas tubagens dos clubes profissionais…

Este óbvio reconhecimento de pré-falência e a autodenúncia de que o futebol não é auto-suficiente, levou, no entanto, a que a FPF e a Liga impusessem "critérios desportivos" de promoção e despromoção que são um atentado à integridade e à respeitabilidade dos clubes.

A Federação não conseguiu ser coerente (ou havia promoções/despromoções em todas as situações ou não havia para todos) e a Liga também não conseguiu dissuadir o Governo de promover uma clara discriminação no futebol profissional entre o primeiro e o segundo escalões.

O que aconteceu no Campeonato de Portugal é uma aberração. Nunca vi, em nenhuma prova nacional ou internacional, quando estão em causa apuramentos resultantes de desfechos em séries diferentes, premiar-se as equipas que tenham somado mais pontos, no conjunto, ao fim de um ciclo de prova.

O que se fez ao Praiense, de Angra do Heroísmo, é uma coisa que não se faz a ninguém. Confundir pontuações em séries diferentes não é uma coisa séria. E deixar para trás uma equipa que liderava a série e tinha 11 pontos de vantagem e menos derrotas do que as equipas promovidas, não se pode deixar de considerar como um dos maiores atentados à verdade desportiva na história do futebol português.

E precisamente por isso não posso aceitar que a Covid-19 sirva para proteger os poderosos em detrimento dos mais fracos. Isto não é justiça (a crise pandémica não justifica tudo) e, por isso, não quero deixar de me associar à revolta sentida pelo Praiense, Olhanense, Real Massamá, Fafe, Lusitânia de Lourosa, Benfica e Castelo Branco, mas também pelo Cova da Piedade e Casa Pia.

A hipocrisia dos fundos de compensação e a simples ideia de alguém ter pensado em retaliar perante eventuais impugnações, numa chantagem inadmissível, diz bem como é possível manobrar o futebol português em nome dos interesses maiores. Não venham é fazer-se de sonsos e fingir que, assim, se protege a verdade desportiva. Balelas!

Rui Santos, jornal Record

publicado às 04:02

Os d€us€s €stão loucos

Rui Gomes, em 04.05.20

img_192x192$2019_09_07_00_18_48_1598529.jpgNunca, em nenhum momento, o nosso Governo admitiu ir contra as pretensões dos três ‘grandes’ do futebol português, que cedo se manifestaram unidos no objectivo de verem o campeonato ser concluído. E, neste particular, nem a FPF (Fernando Gomes) nem a Liga (Pedro Proença) alguma vez orientaram as suas decisões no sentido da não conclusão da Primeira Liga, pelo que o objectivo fundamental foi sempre terminar o que restava da temporada futebolística ao nível da competição principal, mesmo que isso significasse hipotecar todo o restante desporto de competição, no futebol e nas modalidades de pavilhão.

Esta decisão do Governo tem muito que se lhe diga e, em tempo de poucas certezas, com António Costa a sublinhar que não terá vergonha se for obrigado a dar dois passos atrás, é muito injusta para a globalidade dos anseios do ‘movimento associativo’; é altamente discriminatória (quem salva a II Liga?) e pouco respeitosa para a maioria dos clubes do quadro profissional e visa manter a ‘cúpula do futebol’ ligada à máquina e ao ventilador central das operadoras de telecomunicações.

E ninguém parece querer ver o essencial: estar parado é mau (defendi desde a primeira hora que a FIFA deveria responsabilizar-se pelo financiamento deste tempo de paragem, com fundos constituídos para o efeito), mas o reatamento em curso produz altíssimos riscos não apenas no âmbito do super-complexo controlo sanitário, mas também em termos da salvaguarda da verdade desportiva.

O terreno está todo minado e rapidamente a primeira mina rebentará debaixo dos pés de alguém. Basta um teste positivo para poder colocar uma equipa em quarentena. Basta um resultado desportivo negativo do Benfica ou do FC Porto para termos uma discussão sem precedentes. E se a competição tiver de parar, novamente?

Os deuses devem estar loucos.

O problema é que a retoma da competição - nos termos em que se perfila - não vai salvar ninguém, a não ser que se tomem medidas estruturais de redimensionamento da indústria (global) do futebol.

Excerto da crónica de Rui Santos em Record.

publicado às 07:03

As chatas e as chagas

Rui Gomes, em 27.04.20

O poder é quase sempre mais forte do que o bom-senso.

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Neste caso, não se trata de um poder directo, mas sim indirecto. O papel que as chatas chegaram a ter, por mar, nalgumas guerras, uma vez que normalmente eram rebocadas e tinham a sua função.

O Nacional tomou a decisão de romper o estado de emergência, no seu período mais crítico, precisamente quando as famílias costumam reunir-se para passarem a Páscoa juntas, para dar o pontapé de saída a uma “espécie de treino’, aproveitando-se de um decreto-lei que, no alívio à alta competição e ao futebol profissional, mais valia nem sequer saído da gaveta, até pelos desencontros que gerou na Madeira.

Estava o estado de emergência no seu pico de rigores, repito, e a chata a querer navegar, sabedora que, mesmo num acto de atrevimento e de quebra de solidariedade, perante a DGS e o País.

O poder do decreto-lei também fica muitas vezes aquém do bom-senso e o comandante da chata, valente e destemido, foi à sua faina, sabendo que, na eventualidade de o mar ficar demasiado agitado, teria sempre umas embarcações de grande porte a fazer o resgate.

Para a irresponsabilidade, quando alinhada com os principais poderes, há sempre uma bóia de salvação e para o bom-senso não há ventiladores. Afogue-se.

A economia do futebol não pode esperar muito mas talvez o suficiente para não forçar ou atirar os jogadores para a arena. A pandemia não pode transformar-se num circo romano, no qual os poderes são maiores do que o bom-senso, e Evangelista neste caso já começa a ser torpedeado por um contra-almirante.

Difícil... é mesmo não alimentar os poderes maiores e, neste caso, há um denominador comum entre o interesse da chata e o interesse dos navios de escolta.

Essa coisa das cercas sanitárias não devia existir, nem em Câmara de Lobos nem em lado nenhum.

Sou e serei sempre pela protecção das vidas humanas, embora perceba que a economia não pode mesmo parar. E, no futebol, a protecção da sua economia não tinha de passar forçosamente pelo que resta do cumprimento da presente época desportiva.

A partir do momento em que a UEFA deu sinal de que as épocas deveriam terminar e a gestão dessa directriz, embora condicionada pelas decisões das autoridades sanitárias, seria realizada pelas Ligas/Federações, supunha-se que estas iriam fazer a administração das datas para o regresso aos treinos em datas comuns ou aproximadas.

Não fazê-lo mostra bem a incapacidade de consenso (Benfica e SC Braga ainda de férias) e as posições desgarradas.

O armador Alves antecipou-se porque achou que as águas já não se achavam ácidas de mais para uma corrida de carapau. E quando o Sporting se deixou capturar aparentemente (!) pelo mesmo tipo de anzol, o Nacional calçou as barbatanas e dirigiu a pergunta aos seus associados, em forma de comunicado: “Como acha que Rui Santos vai analisar a decisão do Sporting, clube que tem como presidente um médico, em promover a partir de hoje treinos individualizados com os seus atletas?

A – Uma decisão irresponsável e desajustada, que coloca em causa a verdade desportiva do campeonato.

B – Parabéns ao Sporting por ter contribuído para mostrar ao país que é chegado o tempo de começar a voltar à normalidade”.

Sempre gostei de um bom desafio e agradeço a estratificação da resposta. Se a opção está reduzida apenas às duas hipóteses sugeridas, a resposta é A. Porque não há nada que me possa fazer recuar sobre o facto de o recomeço da actividade, em forma de treinos, não ser realizada ao mesmo tempo. A isto chama-se deixar as embarcações navegar a seu bel-prazer e o papel de coordenação da Liga, neste aspecto, falhou redondamente.

A resposta B, só se fosse noutro Mundo, e não neste, com as provações que lhe estão a ser lançadas.

Quero relembrar, no entanto, que o CD Nacional tem um médico (João Pedro Mendonça), com larga experiência no futebol, presidente da ANEM (Associação Nacional de Médicos de Futebol), que considerou “pouco razoável” o regresso da sua própria equipa aos treinos. Mais palavras para quê?

Cá está: outra vez o bom-senso. Os médicos não podem ser monstros.

Estranho muito, por isso, a pergunta que foi dirigida aos sócios do Nacional (deveria ser “Considera ‘pouco razoável’ o regresso aos treinos, como preconiza o nosso médico João Pedro Mendonça?)" e, depois, quando reparei na capa de um diário desportivo a mostrar o distanciamento dos jogadores do Sporting em treino, disse cá para mim: tenho muitas saudades do futebol, mas já não sei quem mata mais: se o vírus, se as chagas da insensatez ou se o ridículo de tudo isto.

Rui Santos, SIC Notícias

publicado às 03:18

Entrámos na fase do "casinovírus"

Rui Gomes, em 21.04.20

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Rui Santos diz que o futebol nunca saiu da fase da "roletavírus", por causa da pressão económica...

"Já percebemos que, no final deste mês, vai começar a primeira fase do desconfinamento sem sabermos se vai haver uma segunda, até ao regresso da 'normalidade', seja lá o que isso quer dizer, até essa adiada sine die, se é que na verdade vai chegar.

Começamos a ouvir muito frequentemente que... "temos de conviver com o vírus", com a convicção de que ele pode estar em qualquer lado e continua a ser uma ameaça para todos.

Podemos dizer, provavelmente porque soubemos fechar as fronteiras terrestres a tempo de evitar consequências ainda maiores e ter havido uma resposta globalmente positiva da população ao apelo de isolamento social, que saímos vencedores deste primeiro mês, sob as restrições impostas pelo estado de emergência.

Tirando alguns casos de 'infantilidade política', Governo e Oposição foram genericamente responsáveis: o controlo sanitário e o foco na vida das pessoas foi uma aposta indiscutível e, nesse aspeto, fomos campeões e 'ganhámos' o campeonato a países mais fortes, ao ponto de nos apontarem como 'exemplo', o que não deixa de ser relevante e notável, porque elogios ao País temos ouvido basicamente pelo desempenho das Selecções Nacionais e de Cristiano Ronaldo.

Sabíamos, todavia, que a prevalência da saúde sobre a pressão da economia não poderia durar muito. E sabíamos que, mais tarde ou mais cedo, ter-se-iam que correr maiores riscos sob pena de entrarmos, economicamente, numa espécie de corredor da morte. Na primeira fase de desconfinamento, o perigo maior é o da desresponsabilização individual e esse pode comprometer o efeito do confinamento. Perigosíssimo.

Vamos entrar agora na fase do "casinovírus" ou da "roletavirus", porque é de elementar compreensão que o cansaço acumulado por aqueles que têm estado em casa, a somar aos óbvios problemas de emprego, produtividade e sustentabilidade, vai provocar uma grande pressão e um grau de incerteza supletivos sobre o sistema de saúde, com consequências que neste momento não conseguimos determinar.

O futebol nunca quis saber a fundo do 'guião-coronavírus', porque nunca teve capacidade para abandonar, mentalmente, a fase do "casinovírus" ou da "roletavírus", considerando o impacto da paragem competitiva na respectiva indústria.

Passou a mensagem de que é preciso jogar, em Maio, em Junho, em Julho, em Agosto - seja lá quando for - para terminar a presente época e começar a próxima… "quando Deus quiser".

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A antecipação de receitas pagas pelas principais operadoras de telecomunicações reforçou este poder que se tornou inegociável. A NOS é o grande ventilador que a maior parte dos clubes portugueses necessita para respirar. Sem esse oxigénio, a morte é mais que certa.

O jogo-futebol, tal e qual como o conhecíamos nas suas reais representações endógenas e exógenas, está adiado. Não sabemos até que ponto vai ser recuperado e quando, naquelas suas características que haviam sido padronizadas.

Sabemos que já tínhamos, pelas deformações sistémicas, mais do que futebol, uma espécie de modalidade adaptada chamada "futebolha"... O que vem a seguir, e num período de transição para qualquer coisa neste momento muito imprevisível e inalcançável, será uma deformação do futebol gerada em laboratório: jogos sem público, jogadores a treinar como se estivessem numa nave espacial, qualquer coisa que 'salve o negócio'.

Preparem-se: está a nascer uma nova modalidade desportiva.

É natural que, na recém-entrevista ao Expresso, António Costa tenha revelado 'cuidados especiais' com o futebol, poupando nas palavras. Contudo, quando se referiu aos 'eventos culturais e desportivos', genericamente, disse tudo: "Temos todos de nos compenetrar que durante o próximo ano, ano e meio, não vamos viver como vivíamos antes do mês de Fevereiro. Isso significa que temos de dar passos sem ansiedade e com prudência. O risco que não podemos correr é de termos novamente uma situação em que a pandemia não está sob controlo".

Espero sinceramente que estas palavras sejam bem digeridas pelos portugueses e… pelos agentes desportivos".

Rui Santos, SIC/SIC Notícias

publicado às 08:02

A desobediência do circo

Rui Gomes, em 14.04.20

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Estamos em estado de emergência e o circo foi incluído na lista de actividades suspensas.

O circo está parado, mas não várias formas de circo paralelo.

Uma das maiores é aquilo que estamos a ver acontecer no futebol.

Não há nenhuma dúvida que esta paragem forçada causa danos imensos e nalguns casos irreparáveis.

Nenhuma dúvida que, sem se sair da grande-área do bom senso, todos queremos voltar o mais breve possível a apreciar os talentos dos artistas, no futebol e no âmbito de outros espectáculos ou actividades culturais.

Ninguém ganha com a grave estagnação da(s) economia(s). Todos temos muita vontade de voltar às nossas vidas. Mas…

Acabo de ler um extenso documento patrocinado pela Liga Portugal subordinado ao título RETOMA PROGRESSIVA À COMPETIÇÃO - Plano de Acção, Abril 2020.

Não queria acreditar no que estava a ler.

É um documento (“indicativo e orientador”) que consta de 19 páginas e “foi elaborado pelos médicos das Sociedades Desportivas participantes na Liga NOS e na LigaPro” e, apesar de ser sublinhada a advertência de que “esta retoma progressiva à competição apenas poderá ser iniciada quando for legalmente autorizado pelas entidades oficiais competentes”, não consigo perceber bem se vivemos todos no mesmo Mundo ou se há, na verdade, um ‘mundo do futebol’ diferente daquele que milhões de terráqueos habitam.

A certa altura senti-me como um telespectador de um filme de ficção científica.

O documento prevê 3 fases de adaptação no quadro da retoma da competição:

FASE 1 - Regresso progressivo aos treinos; treinos individualizados no campo durante duas semanas, com avaliações antes das sessões (com máscaras e salas próprias), na presença de treinador e elemento do departamento médico (com máscaras e respeitando distâncias de 2 metros). Não há cruzamento com outros jogadores ou staff. E é admissível a presença de 2 jogadores, cada qual no seu meio-campo.

FASE 2 - Treinos de grupo com contacto (3.ª e 4.ª semanas), mas respeitando ‘normas básicas’.

FASE 3 - Campeonato inicialmente à porta fechada, no qual os jogos ‘fora’ obedecem a viagens mesmo no próprio dia da competição, com autocarros higienizados e os jogadores distribuídos segundo as normas de segurança (1 atleta para cada 2 lugares e com máscara). Nos balneários, 1 jogador por cada 25m2 e, nos ginásios, já agora, recomendação de distância mínima de 5 metros entre atletas.

Não imaginam até onde vai a particularidade das recomendações publicadas: alimentação, limpeza, higiene, viagens, estágios com menor duração possível, equipamentos e rouparia, balneários, ginásios, massagens, banhos, reuniões, relva, etc.

Saúdo o esforço da equipa de médicos em não querer deixar nada ao acaso e não estão em causa, obviamente, as questões clínicas que devem ser analisadas especificamente nesse âmbito. Tudo parece previsto; nada é deixado ao acaso.

Este documento mostra-se insensível, contudo, a realidade que estamos a viver e não podemos ignorar que já há presidentes, como Rui Alves, do Nacional (com interesse na subida de divisão), a anunciar o regresso aos treinos já na próxima segunda-feira. Quer dizer: o Presidente da República e o Governo a darem nota de que os portugueses devem continuar confinados e o Nacional a anunciar que vai voltar aos treinos?!…

O presidente do Governo Regional e o Governo da República não dizem nada? Estaremos perante um crime de desobediência ou, como defende Rui Alves, o decreto-lei 2-B/2020 permite este contra-senso e todas as recomendações avançadas, diariamente, pela DGS e pela ministra da Saúde?

A menos que se chegue à conclusão de que não nos vamos livrar desta pandemia e que estaremos condenados a viver neste regime para todo o sempre, isto é, a contabilizar mortes todos os dias, a desinfectar as mãos todos os dias, a manter a distância de 2 metros todos os dias, a não trocar beijos e abraços e a adaptar as economias a esta espécie de ‘holocausto sensorial’; a menos que nos obriguem a sair de casa de máscara (tipo antigás), a ir aos estádios e olhar com desdém para o desfalecimento do parceiro do lado (a tombar a 2 metros de distância, no mínimo) e proclamem a morte como um facto que não se deve retardar e, ao invés, acelerar, então tudo isto é ridículo, tudo isto é um circo (paralelo), tudo isto é uma palhaçada, com todo o respeito pelos palhaços, agora confinados e sem vontade de nos fazer rir, aprisionados nas suas (e nas nossas) angústias.

Uns a fazer sacrifícios e… outros na palhaçada?! Alguém põe ordem nisto?

Rui Santos, SIC Notícias

publicado às 03:18

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Se, no que liga Rui Pinto ao futebol - este não é um mero problema de esquerda ou de direita (politicamente falando) - a temática que lhe está subjacente e fundamenta as soluções para o futuro também não é um problema do Benfica ou do FC Porto. É um problema de todos.

A clubitização desta questão é apenas uma tentativa, menor, de passa-culpas. E, mais uma vez, de exploração da emocionalidade e das múltiplas preferências clubísticas que ‘cegam’ os adeptos.

O futebol em Portugal (como noutros países) estava a viver artificialmente e bastou um mês de paragem para haver recursos abusivos ao lay-off, mesmo antes de se tentarem achar soluções bilaterais, com eventual moderação dos sindicatos, no caso dos jogadores.

Os clubes têm de repensar se este modelo de serem apenas, na área financeira, as sedes que gerem exclusivamente a entrada e saída de dinheiro, sem qualquer preocupação em constituir reservas, é, na verdade, o que faz sentido. Esta crise veio provar que não.

O futebol, no seu modelo actual, estava a rebentar pelas costuras, a entrada em vigor do fair-play financeiro foi o grande sinal de que era preciso conter os excessos e, portanto, esta pandemia (a assinalar mais de 100 000 mortes no Mundo) apenas veio acelerar o imperativo de mudança.

Como escrevia aqui há uma semana, não faz sentido que em Portugal se tenham gasto numa época mais de 80M€ em custos de intermediação de transferências.

Os clubes e os seus dirigentes nunca souberam explicar - a FIFA e a UEFA também não - por que razão os intermediários são tão necessários nas operações de transferência.

Defendo há muito um mecanismo completamente diferente que pressupõe mais verdade e transparência nas relações inter-clubes.

A organização global do futebol vai ter mesmo de mudar e esta desgraça da pandemia vai talvez trazer algo de bom no futuro: a substituição das lógicas de antanho e provavelmente a substituição progressiva de velhas mentalidades por uma visão mais despoluída e menos comprometida com esquemas que o Football Leaks já denunciou.

Rui Santos, em Record

publicado às 03:02

As máscaras da indignação

Rui Gomes, em 04.04.20

A semana passada, nestas colunas, perguntava se "alguém quer ser ‘campeão do vírus’?"

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"Estamos todos com muito pouca vontade de falar de futebol, da época que foi suspensa e dos cenários que se colocam, resultantes desta paragem. Apesar do vincado isolamento social a que estamos confinados, contrariado por alguns líderes políticos que acham necessário sacrificar mais de um milhão de vítimas para ‘salvar’ as economias, o Mundo não pára e não podemos ignorar as decisões políticas, o leque de orientações das autoridades e dos técnicos de saúde e também as consequências económicas, mesmo as que estão relacionadas com a indústria do futebol.

Curiosamente, não há competição, não há jogo, o mais importante no futebol, mas há muita coisa para falar, analisar e debater, à margem das lógicas comunicacionais de sempre, se foi penálti ou não, se a dialéctica do Benfica é melhor do que a do FC Porto e vice-versa, se o Sporting é ou não para soterrar debaixo da obstinação dos guerrilheiros profissionais, e este é o tempo para a corporação do futebol começar a mudar aquilo que era importante já ter sido mudado, muito tempo antes da eclosão desta pandemia que a todos ameaça".

É assim que Rui Santos inicia a sua crónica semanal em Record. Mas indo além do muito mais que ele tem para dizer, vejamos, em resumo, a sua posição sobre o tema:

"1. Sou a favor de não atribuição do título correspondente à actual época de 2019-20.

2. A actual classificação da Liga serviria para designar as equipas a jogar na próxima época na UEFA (FC Porto e Benfica na Champions e SC Braga e Sporting, na Liga Europa).

3. Não haveria final de Taça nem portanto designação de vencedor.

4. Não haveria subidas nem descidas.

5. As equipas que estão neste momento em posição de subida (Nacional e Feirense) seriam compensadas na próxima época com + pontos à partida e/ou com prémio financeiro.

6. A indicação de um vencedor do campeonato (à semelhança do que fez a Liga belga) não me parece ser a melhor solução, mas seria preferível a criar-se a expectativa de jogos em Julho (à porta fechada), com consequências/riscos ao nível do sector da saúde.

7. As soluções devem ser achadas no sentido de não potenciar mais vítimas e proteger os técnicos e o próprio sistema de saúde.

8. Sem este stress adicional, em cima da incerteza, tornar-se-ia mais fácil arranjar soluções para mitigar os efeitos decorrentes desta paragem forçada e preparar a próxima época. Estas soluções visam também a protecção dos atletas, e espanta que a FIFPro não tenha sobre esta matéria uma posição bem clara e de força. A FIFA e as suas confederações — a UEFA, no caso europeu — deveriam chegar-se à frente para compensar os prejuízos entre Abril e Junho.

9. É bom não esquecer que em Itália a propagação do vírus pode muito bem ter começado com as aglomerações em estádios de futebol.

10. Todas e quaisquer soluções devem passar pelo princípio de que as nossas vidas não são negociáveis, e é precisamente essa importante mensagem que o Futebol não está a passar, embora saibamos que a este nível as recomendações da Organização Mundial de Saúde e os respectivos ministérios, em cada País, serão determinantes".

Rui Santos, em Record

publicado às 03:32

img_192x192$2019_09_07_00_18_48_1598529.jpgJá bastavam os múltiplos condicionamentos que a pandemia e o estado de emergência nos vieram impor para estarmos confinados às coisas verdadeiramente importantes.

Este ‘jogo’, acelerado, da vida contra a morte, que vemos reflectido todos os dias nos contadores actualizados pela DGS, deveria ser suficiente para reprimir a loucura, a estupidez e a idiotice.

Temos mais de 2.300 casos de Covid-19 e mais de 30 mortos em Portugal e o movimento ‘Sou Sporting’ emite um comunicado a pedir convocação de eleições para… Abril, alegando ‘impossibilidade física’ do presidente Frederico Varandas em exercer as suas funções em Alvalade, uma vez que, perante a entrada em vigor do estado de emergência, a situação de ‘licença especial’ havia caducado e, por isso, “o cidadão Frederico Varandas não pode exercer outras funções, nomeadamente em acumulação com os cargos directivos que exerce no SCP e na SAD”.

Depois de Bruno de Carvalho ter dito, em Fevereiro, que “sou candidato a presidente do Sporting”, sabendo de antemão que, não sendo hoje sócio do Clube e no seguimento do processo de destituição, não o poderia fazer, agora é o movimento ‘Sou Sporting’, em Março, a protagonizar mais um momento infeliz e que se torna chocante, pelo simples facto de não revelar o mínimo respeito e consideração pelo momento que todos nós e o Mundo estamos a atravessar.

Discutem-se agora datas e até se Frederico Varandas se voluntariou, ou não, antes da proclamação do estado de emergência. Discutem-se, agora, na praça pública questões formais que envolvem o Ministério da Defesa e escamoteia-se o essencial, isto é, o momento muito delicado e específico que vivemos — fora do âmbito convencional da promulgação de um estado de emergência — e o facto de haver um presidente de um clube que, independentemente das questões formais, está disponível, na sua qualidade de médico e militar, para servir o país e ajudar os portugueses.

Pedir eleições para Abril, no pico da pandemia, segundo os especialistas, não é apenas um exercício de imbecilidade e idiotice; é uma manifestação de falta de respeito não apenas pelos sportinguistas, mas acima de tudo pelos portugueses e pelo ecumenismo. Haja paciência!

Rui Santos, SIC Notícias

publicado às 03:19

Um breve excerto da crónica semanal de Rui Santos no jornal Record, em que comenta, principalmente, a Covid-19, e, por tabela, o futebol português.

img_192x192$2019_09_07_00_18_48_1598529.jpg"Na segunda-feira, o primeiro-ministro António Costa, em entrevista à SIC, questionado sobre o impacto do coronavírus no futebol, afirmou que o futebol se trata de "um mundo à parte" e que neste momento não é uma prioridade socialmente aceitável, considerando as prioridades definidas pelo Estado.

O presidente da Liga, Pedro Proença, foi muito lesto a responder e disse que as palavras de António Costa foram ‘inapropriadas’, exigindo… "respeito".

Percebe-se bem que, do alto da sua condição formal de ‘presidente dos clubes’, cujo poder é infinitamente mais pequeno do que aquele que a soma dos clubes profissionais poderia sugerir ou mesmo recomendar, Pedro Proença quisesse defender a(s) sua(s) dama(s).

Fê-lo no momento errado.

António Costa tem razão: em termos de apoios e ajudas, o futebol não faz parte das prioridades e é mesmo ‘um mundo à parte’. É um ‘mundo à parte’, esclareça-se, porque os Estados assim quiseram, e achava eu — até há uma década atrás — porque os Clubes também queriam assim. Acontece que os Clubes e os seus dirigentes há muito que vêm pedindo a intervenção do Estado, pelo que são os Governos que ainda não se acostumaram à ideia de que a sua demissão, neste domínio, é apenas mero comodismo.

Temos um longo caminho a percorrer neste ajustamento entre as ‘leis do futebol’ e as leis do(s) país(es), mas esta demanda de Proença segundo a qual "o futebol exige respeito" é apenas uma reacção (pseudo) corporativa. Por uma razão muito simples: o futebol para exigir respeito é preciso saber dar-se ao respeito. E este tempo de restrições pode ser uma excelente oportunidade para esse efeito.

Ninguém visa negligenciar a importância do futebol nas nossas vidas. Mas, em Portugal, o futebol tem uma componente tóxica mortífera, equivalendo a um vírus letal. Temos todos de fazer um esforço colectivo para mudar comportamentos, não deixar que os dirigentes acentuem a notória clubite, a divisão geográfica e territorial, a utilização das claques como exércitos contra a paz e a falta de transparência.

Temos, primeiro e sobretudo, de vencer o Covid-19, mas, a seguir, temos de tratar dos vírus que infectam o futebol".

publicado às 02:02

Algumas figuras em foco

Rui Gomes, em 07.03.20

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Um breve excerto da crónica semanal de Rui Santos em Record, com foco em algumas figuras do futebol português mais em destaque nestes últimos dias:

António Salvador - Está a consolidar o seu crescimento como líder do Sporting Clube de Braga. Percebe o futebol como todos. A importância da formação; a importância das infra-estruturas; a importância do negócio. Geriu bem o ‘negócio-Amorim’, sob o interesse da ‘instituição-Braga’.
 
Custódio - Passa a ser, repentinamente, o ‘sr. 15 milhões’. Esta estória das cláusulas de rescisão também tem de ser revista — e não apenas a questão dos ‘níveis’ dos treinadores.
 
Frederico Varandas - É preciso acreditar muito num treinador (em começo de carreira) para fazer aquilo que o presidente do Sporting fez.
 
Jorge Mendes - São demasiadas as suspeitas que envolvem operações de transferência e representação de jogadores e treinadores sob a chancela directa ou indirecta da Gestifute, algumas das quais já foram denunciadas pelo "Football Leaks".
 
Luís Filipe Vieira - Tem cerca de dois meses para tomar grandes decisões. Muita coisa para ganhar ou perder.
 
"Ó Boi!" - Tudo arquivado. Menos a falta de dignidade dos protagonistas.
 
Rúben Amorim - Boa apresentação: descontracção, discurso fácil, ambição, convicção. Os jogadores precisam muito de acreditar no seu líder. A passagem - mensagem direi eu! - passa mais depressa. E Amorim parece ter esse poder.
 
Rui Pinto - Tem um valor acrescido pelo facto de os sistemas de regulação tradicionais não captarem nem capturarem os esquemas ilícitos do futebol, com consequências para os contribuintes, nomeadamente ao nível da fiscalidade. Há muita gente interessada em que Rui Pinto continue detido, e isso é preocupante.

publicado às 03:17

Rui Santos escreve muito que faz perfeito sentido na sua última crónica em Record, mas limito-me a transcrever duas partes que considero interessantes:

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"Enquanto as equipas portuguesas deixam de jogar, em Fevereiro, nas competições europeias, temos um Cristiano Ronaldo incapaz de se conformar e de se reformar; temos Diogo Jota e Rúben Neves a marcar golos; temos Jorge Jesus a afirmar-se como papa-títulos no Brasil e temos um conjunto alargado de jogadores e treinadores a demonstrar que são capazes de dar respostas…

Continuo a pensar que Portugal é, em proporcionalidade, um grande fenómeno à escala mundial. Até poderia ser um super-fenómeno se, em contraponto, não cultivasse um conjunto de bizarrias internas, que começam na obsessão de controlar tudo e todos e não respeitando ninguém, nem a própria sombra.

O que se passa em Portugal é deveras ultrajante, mas o que mais choca é a impunidade e a consagração da ideia de que os heróis devem ser os controladores do submundo. A quantidade invulgar de fazedores de heróis é perturbante.

E precisamente por isso o futebol português está como está... Agarrado ao ruído e nas mãos dos parasitas e figurantes que alimentam e engordam os (falsos) heróis".

Sobre os treinadores dos clubes que participaram na Europa, diz o seguinte:

"O afastamento das equipas portuguesas das provas europeias é um problema bem mais profundo, mas nesta eliminatória os respectivos treinadores cometeram muitos erros:

Bruno Lage Disse que, frente ao Shakhtar, se viu um ‘Benfica à Benfica’. Onde? Na Cochinchina? As alterações permanentes e a falta de consistência estão na base de tudo. Errático".

Sérgio Conceição - Não merece a situação que se construiu à sua volta. O Bayer é melhor, mas as opções que fez não resultaram.

Rúben Amorim - Cotação em alta, perfil elogiado sem favores, mas a falta de maturidade também se viu nos dois jogos frente ao Rangers. O que é… natural!

Jorge Silas - Fica difícil explicar como é que a equipa se equilibra nos últimos jogos e depois é o próprio treinador a promover os desequilíbrios. Inaceitável.

publicado às 12:30

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