Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



 

mw-480.jpg

 

"A Liga e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), cada uma nas suas tamanquinhas, tiveram uma reunião ridícula, inócua, que durou 15 minutos".

 

Rui Santos, no programa Tempo Extra da SIC Notícias (vídeo aqui), criticou a Liga e a FPF por não terem chegado a conclusões algumas na reunião conjunta que se realizou esta segunda-feira, a fim de discutir os procedimentos das escolhas dos árbitros, face ao caso das fugas de informação de César Boaventura.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:09

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 18.04.19

 

wm.jpg

 

"É preciso separar os melhores árbitros dos menos bons, e há árbitros que não merecem as oportunidades. É o caso de Bruno Paixão".

 

Rui Santos no programa Tempo Extra da SIC Notícias.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:32

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 11.04.19

 

wm.jpg

 

O Conselho de Discplina da Federação Portuguesa de Futebol interditou o Estádio da Luz por um jogo, mas os encarnados interpuseram uma providência cautelar que protelou a decisão para mais tarde. OUTRA VEZ...

 

Eis o que Rui Santos tem para dizer sobre este assunto:

 

"A Federação permite que o Benfica empurre no tempo a decisão sobre a interdição da Luz. Isto tem consequências na verdade desportiva".

 

O link do vídeo do programa da SIC Notícias, está disponível aqui.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 05:02

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 28.03.19

 

mw-480.jpg

 

Rui Santos - SIC Notícias - diz que a eurodeputada Ana Gomes está a realizar um trabalho importante ao denunciar a corrupção que existe no mundo do futebol. E deixa questões aos presidentes do Benfica e FC Porto sobre César Boaventura e Vítor Catão.

 

"Eu gostava muito de perguntar a Luís Filipe Vieira se ele não tem vergonha de César Boaventura", diz o comentador.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:18

Frase do dia

Rui Gomes, em 27.03.19

 

mw-480.jpg

 

"Agora, tudo o que mexe leva um processo do Benfica"

 

 

Consideração de Rui Santos, no programa "Play-Off" da SIC Notícias.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:18

Que Rui Pinto não se iluda

Rui Gomes, em 25.03.19


«"Portugal está podre!" - atirou Rui Pinto no dia em que, na Hungria, conheceu a decisão do tribunal em extraditá-lo para Portugal.

21363942_wdw5M.jpeg

A expressão chocou parte da ‘intelligentsia’ nacional, a mesma que, nas suas fragilidades e dependências, alimentaram o sistema que levou ao colapso do BES. "Está podre?!" Não. Não está. Como pode estar podre um País cujos apoios aos bancos já custaram, em nove anos, a partir de 2008 — segundo o Tribunal de Contas — 16,8 mil milhões de euros? Como pode estar podre um País que obrigou os contribuintes a financiar este custo, faltando depois dinheiro para investimento público e para melhorar a qualidade de vida dos portugueses?

 

Como pode estar podre um País que, confortável perante a apatia dos "coletes anémicos", se diverte a "bastonar" sem piedade os contribuintes, chamados a pagar todos os abusos, os dislates e os ‘chás dançantes’ das elites — de direita e de esquerda —, nada preocupados em fazer pagar a factura aqueles que são os verdadeiros culpados do gigantesco buraco em que colocaram o País?

No futebol, não sei se é melhor ou pior, mas o mal é semelhante e resulta tudo da mesma causa: o sentimento de impunidade. Como o Apito Dourado não teve as consequências que deveria ter tido, e não obstante a evolução que o sistema judicial conheceu em Portugal nos últimos anos, continua a achar-se que a construção de um novo poder ou a alternância de poderes se pode fazer numa mesma base de viciação orgânica. Pode mas não deve.

Aliás, esse é precisamente o problema de visão de Luís Filipe Vieira, presidente do maior clube desportivo português, em número de adeptos e em capacidade de gerar receitas e faturação acima de todas as entidades rivais.

 

Está a fazer uma boa gestão, assente desportivamente em pilares de desenvolvimento e crescimento interessantes, mas é incapaz de travar todos aqueles que vão projectando uma imagem tremendamente negativa do clube, seja nos espaços televisivos de debate, seja através de pontas-de-lança que enxameiam as redes sociais, seja através de intermediários que, montados em cima de ‘boas aventuranças’, metem-se em assuntos que nada têm a ver (ou têm?!) com transferências de jogadores.

Na verdade, bastava a Luís Filipe Vieira e a Jorge Nuno Pinto da Costa enterrarem de vez estes prosélitos do futebol marginal para tudo começar a mudar. A sensação que se colhe é a inversa; é a percepção de que precisam desses ‘anfíbios’, capazes de se moverem em qualquer tipo de ambientes e terrenos, mesmo os mais enlameados, para fazer a afirmação do seu poder. Talvez seja uma questão de e da natureza.

 

E por isso eu tenho sugerido a Luís Filipe Vieira que se agarre aquilo que verdadeiramente interessa (o cumprimento do seu projecto, nas vertentes desportiva e financeira), fechando a botija de oxigénio a quem se sente confortável com aquilo que eles consideram ser o patrocínio do Benfica, achando-se por isso ‘intocáveis". Não serão afinal Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira mais próximos do que aparentam?…

 

Um excerto da crónica semanal de Rui Santos, no jornal Record.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:55

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 12.03.19

 

21363942_wdw5M.jpeg

 

"Não é só de agora, é praticamente de sempre a percepção de que a ‘paixão clubística’ domina quem não deveria dominar, porque uma coisa são os adeptos, despidos da sua condição de decisores, em matérias relacionadas com a lei, as regras e os regulamentos; outra coisa são as personalidades que, de acordo com as suas valências académicas e (para)profissionais, são chamados a colocar os seus afectos pessoais de parte e a agir imparcialmente de acordo com a sua condição de decisores.

 

Essa condição obriga a um omnidever de isenção que deveria ser fomentado, protegido e premiado — e nada disso acontece em Portugal. Na verdade, alguma coisa está errada quando alguns desses decisores aceitam (ou aceitavam, até há bem pouco tempo) lugares em tribunas VIP, cujos convites — ao contrário do que se quer fazer crer — não são actos de mera pura cortesia; são formas de gerir, potenciar e aproveitar diversos níveis de influência.

 

Na verdade, não se sente que haja uma profunda vontade de combater a corrupção no futebol (e no País, acrescente-se), e isso pode ter a ver, ou não, com o grau de satisfação de muitos ‘agentes’ em relação ao ‘sistema’ vigente".

 

Excerto da crónica semanal de Rui Santos, jornal Record

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 02:32

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 02.03.19

 

2019-03-01.png

 

"Frederico Varandas não vai ter sossego. Bruno de Carvalho vai estar sempre atrás da árvore. Há mais casos de polícia no Sporting".

 

Considerações de Rui Santos, aqui, na Tribuna Expresso.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 05:33

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 25.02.19

 

download.jpg

 

"Toda a gente entende a afirmação de Frederico Varandas segundo a qual o ataque à Academia de Alcochete constituiu "o maior rombo financeiro e desportivo da história do clube" e toda a gente sabe quem gerou as condições para que o Sporting visse rebentar dentro das suas próprias instalações um dos barris de pólvora mais indignos da história do futebol.
 
Parece fácil restaurar todos os estragos (e as consequências financeiras, cujas contas finais serão apuradas a seu tempo), mas não é. O Sporting precisa de tempo para sarar feridas tão profundas. E isso só poderá ser feito, se os sócios do Sporting perceberem o que aconteceu ao clube e quem o atirou para uma situação tão delicada.
 
Frederico Varandas — sem ruído mas com coragem — colocou o dedo em várias feridas. Uma delas foi a das claques. Na verdade, é preciso ter coragem para mexer no vespeiro. Naquilo que ele representa de subversão de todos os valores que devem estar associados ao desporto e às sociedades. Varandas relembrou que fez parte da Juve Leo quando não (lhes) era dado nada em troca.
 
As claques, entretanto, por responsabilidade das Direcções, passaram a ser espaços de negócio e de poder. E o clube ficou e estava refém das claques. Dos seus caprichos e das suas exigências. Desmantelar o todo desse processo não é fácil. Mas é um imperativo de consciência para quem quer fazer crescer o clube. E, para isso, como diz Varandas, as claques não podem estar acima dos sócios que pagam as suas quotas e bilhetes e que se devem enquadrar num regime de normalidade".

 

Um breve excerto da crónica semanal de Rui Santos, no Record.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 02:49

 

download.jpg

 

"Há três anos e meio, o Benfica precisava de um treinador que fosse a antítese de Jorge Jesus. Na Luz, Jorge Jesus era o treinador que não ouvia a estrutura e nem queria saber se A ou B compunha a estrutura. A estrutura era ele, em estreita relação com Luís Filipe Vieira. Jogava quem o treinador achava que tinha condições para jogar e essa coisa de colocar os jovens da formação no ‘onze’ não poderia ser nem uma obrigação, nem algo forçado ou meramente induzido.
 
O presidente do Benfica, naquele momento, achou que era tempo de abalizar a estrutura e tentou ejectar Jorge Jesus sem dor e até com algum ‘carinho’. A coisa saiu-lhe mal e Jesus acabou no Sporting. Era preciso arranjar um treinador que ouvisse e respeitasse a estrutura e, mais do que isso, se convertesse rapidamente na extensão dessa mesma estrutura. E um treinador que não fizesse ‘peito’ à estrutura só podia ser um ‘treinador bonzinho’. Logo, Rui Vitória.
 
Luís Filipe Vieira é um ’self-made man’, com faro para o negócio, mas foi desenvolvendo ao longo dos anos o seu lado político. Todavia, o autoconvencimento de que é capaz de controlar tudo e todos, utilizando um tacticismo — como lhe chamar? — tugo-esperto, tem-lhe trazido alguns dissabores".
 
Extracto da mais recente crónica de Rui Santos no jornal Record, intitulada "Vieira, o tugo-esperto... da iluminação".
 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:15

Para onde vai o futebol português?

Rui Gomes, em 07.10.18

 

Benfica, FC Porto e Sporting venceram os seus compromissos europeus desta semana - somando pontos sempre importantes para o 'ranking' da UEFA - e isso poderia ser observado como um sinal de pujança do futebol português.

 

img_240x200$2015_10_26_19_11_45_1006496_im_6358148

Não é, como adiante se pode ver. Em que circunstância for, ganhar é sempre bom, mas é importante reter que esta semana tivemos, na Champions, o 21.º do ranking da UEFA (Benfica) a jogar em 'casa' do 81.º (AEK); o 9.º (FC Porto) a receber o 64.º (Galatasaray) e, na Liga Europa, o 33.º (Sporting) a deslocar-se ao reduto do Vorskla Poltava (141.º).

 

… E o que se viu? As equipas portuguesas, todas elas, a revelarem imensas dificuldades para vencerem os seus menos cotados adversários. Nos casos de Benfica e Sporting, com adversários realmente inferiores, a imagem deixada foi muitíssimo pobre. Um Benfica descontrolado e incapaz de fazer valer a qualidade dos jogadores que tinha disponíveis para a partida de Atenas; um Sporting muito mexido em relação aos habituais titulares e a evidenciar pouco mais de 'zero'… em classe futebolística.

 

Mesmo o campeão nacional FC Porto, não obstante ter actuado perante melhor equipa entre os três adversários das equipas portuguesas nesta semana europeia, foi ameaçado em demasia por um Galatasaray que desperdiçou muitas oportunidades de golo, fazendo brilhar Casillas.

A imagem de produção futebolística foi, portanto, genericamente pobre. Poder-se-ia tratar de uma situação pontual, mais ou menos ocasional. A verdade, porém, é que essa imagem é mais ou menos a mesma daquela que as três equipas têm revelado nas competições domésticas, e talvez não seja por acaso que o líder do campeonato seja o Sp. Braga, que curiosamente deixou demasiado cedo os palcos europeus.

Recorde-se: antes de entrarem em campo nas competições europeias, o Benfica tinha deixado uma imagem igualmente pobre em Chaves; o FC Porto, com melhor desempenho, viu-se e desejou-se para ultrapassar o Tondela e o Sporting também não foi eloquente frente ao Marítimo.

 

Há razões diferenciadas que podem explicar o arranque e o desempenho das principais equipas portuguesas, mas a convicção de que os adeptos não andam satisfeitos com o rendimento dos jogadores, individual e colectivamente, com assobios ouvidos em diversos momentos, já levou por exemplo Sérgio Conceição a dizer que, "se querem espectáculo vão ao Coliseu"; Rui Vitória a tentar desculpar-se com as arbitragens e José Peseiro - noutro contexto, é preciso sublinhá-lo - a relativizar as exibições menos conseguidas.

Parece-me claro que se está a jogar menos no campeonato português. Uma coisa é a (boa) organização táctica das equipas, quase sempre muito arrumadinhas no contexto nacional; outra coisa é a capacidade de meter pressão e velocidade no jogo, imagem de marca do FC Porto na época passada como também do Benfica, aqui e ali, mas com assinaláveis intermitências, face à superior qualidade do plantel.

O futebol português vive, então, uma fase preocupante: está com um problema dentro do campo (escassez de qualidade futebolística) e tem um outro ainda maior fora das quatro linhas, com os processos judiciais que se acumularam nos últimos meses - a revelarem, muito para além das imputações especificas de enorme gravidade, escasso ou nenhum entendimento institucional, agora mitigado com a mudança de presidência no Sporting.

 

Nenhuma Federação e nenhuma Liga, seja onde for, gostariam de estar confrontadas com estes tipos de problemas (o pior dos cenários), mas a verdade é que eles existem e não se vê forma de o futebol português poder evoluir, rapidamente, para outro estádio de desenvolvimento e comportamento, porque o desenlace dos diversos processos judiciais não será conhecido tão cedo, há que contar com as consequências desses desenlaces (em caso de pronúncias e condenações) e questões relacionadas com a falta de qualidade futebolística da nossa Liga não se resolvem com uma varinha mágica, uma vez que estão dependentes de imensos factores, difíceis de potenciar ao mesmo tempo.

 

A realidade portuguesa também não se pode dissociar da realidade europeia e mundial, porque a FIFA e a UEFA têm estado empenhadas em não travar esta escalada de aumento de número de jogos, tudo no sentido da obtenção do lucro, não se preocupando com o tempo de gestão da recuperação dos jogadores - e parece-me que até nas principais ligas europeias começa a assistir-se à implantação do 'primado da gestão', de uma forma mais clara, em detrimento do futebol-espectáculo. E isso é muito mau, porque o futebol sem espectáculo, resumido à eterna rivalidade no momento da vitória, passa a ser uma coisa exclusivamente tribal.

É neste contexto que se realiza hoje o Benfica-FC Porto e, sinceramente, desejo muito (sem grande fé) que o espectáculo não se resuma às coreografias dos adeptos… 

 

Rui Santos, jornal Record

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:01

À porta fechada? Só a gargalhada!

Rui Gomes, em 30.09.18

 

O mau comportamento dos adeptos nos jogos de futebol é uma matéria sensível, que promete continuar a fazer correr muita tinta.

 

img_240x200$2015_10_26_19_11_45_1006496_im_6358148

O Conselho de Disciplina da FPF já havia sublinhado, no seu último relatório, que "esse tipo de comportamento, (…) quando assenta na deflagração e arremesso de objetos perigosos, representa uma das manifestações de maior violência no desporto e, entre outras tantas consequências negativas, assume-se como um factor de insegurança e perigo para os espectadores e todos os agentes desportivos que participam num espetáculo desportivo".

 

Chegou, pois, o crucial momento em que era impossível não haver castigos de jogos à porta fechada, sob pena de a justiça desportiva aceitar ser uma figura pouco mais do que decorativa, incapaz de tomar decisões que afrontem os poderes instituídos.


O futebol português recusa corrigir-se, os principais clubes não querem aceitar que não podem mandar em tudo e que os métodos utilizados para condicionar as decisões são absolutamente intoleráveis.

 

Tudo é susceptível de recurso (os advogados e os seus escritórios agradecem e rejubilam com tanto ‘caso’), com custos impensáveis, e até saltaram muitas figuras a patrocinar a ideia de que a ‘porta fechada’ é um mecanismo anti-futebol.

 

Controlem melhor os adeptos, naquilo que podem fazer, e verão que a ‘porta fechada’ não acontecerá.

 

De resto, um Benfica-FC Porto, à porta fechada, significaria uma decisão do TAD em 8 dias. À porta fechada? Só se for uma sonora gargalhada.

 

Rui Santos, jornal Record

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:26

 

mw-320.jpg

 

"O Benfica anichou-se, acomodou-se e pôs-se de cócoras perante Paulo Gonçalves. Quanto é que vale o silêncio dele ?"

 

Pergunta de Rui Santos, que, além do mais, insiste que o clube da Luz continua refém de Paulo Gonçalves.

 

Um breve vídeo disponível aqui.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:00

Promiscuidade ao mais alto nível

Rui Gomes, em 23.09.18

 

img_240x200$2015_10_26_19_11_45_1006496_im_6358148

Quem segue as minhas intervenções públicas sabe que, em relação ao 'Benfica de Vieira', sempre apresentei as minhas teses em dois planos:


1. A vincada evolução que o clube conheceu, do ponto de vista da ultra modernização das infra-estruturas, com óbvia repercussão na qualidade do projecto desportivo;


2. A obsessão em querer ver tudo controlado, fora das quatro linhas, como espécie de 'lei' conferida pela sua dimensão, sendo esta sobretudo nacional - número de adeptos, maior atractividade comercial, etc., etc.


Com Vieira, tem havido '2 Benficas': um pujante e progressivo, e profissional, no que diz respeito à sua 'roupagem' de grande clube; um outro capaz de promover mecanismos e dinâmicas de sedução pouco recomendáveis - e o eufemismo nem sequer pretende mitigar a acusação do Ministério Público em relação ao 'e-toupeira', segundo a qual a SAD está acusada de 1 crime de corrupção activa, 1 crime de oferta ou recebimento indevido de vantagem e 28 crimes de falsidade informática.

 

Nesta óbvia obsessão de ver tudo controlado (Arbitragem, Disciplina, Justiça, Parlamento, Comunicação Social, etc.), os responsáveis do Benfica têm sido de uma arrogância que lhes pode ser fatal. Acharam que nada os podia atingir, protegidos pela força da 'marca Benfica', e a revelação dos emails, depois de ter aberto a 'caça ao hacker', mostra acima de tudo - e o que de resto as investigações determinarem - uma grande promiscuidade. Promiscuidade ao mais alto nível.

 

Esta clara ideia de promiscuidade à solta, sob a convicção de que a Justiça não pune os poderosos, representa um olhar redutor de um país periférico, sem lei, sem autoridade, sem dignidade. Um olhar próprio de quem vê, através de um umbigo espelhado, uma República das Bananas.

O acesso ilegítimo é punido por lei. Mas, como tenho sempre dito, o acesso ilegítimo não pode ser apenas censurado quando nos sentimos invadidos na nossa privacidade; também tem de ser (auto) reprovado quando se acede, ilegitimamente, aos processos que deveriam estar em recato na máquina do aparelho judicial e judiciário.

O Benfica perde qualquer tipo de razão ao criticar a devassa do seu sistema informático e não o consegue fazer quando devassa o sistema informático da Justiça. Ambas as situações são graves e punidas por lei.

Há um denominador comum em todos os processos a envolver o Benfica: tentar 'prender o rabo' a várias figuras ligadas, directa e/ou indirectamente, ao futebol. Foi assim com os vouchers, foi assim com a criação das toupeiras, foi assim com o processo de rangelização do 'aparelho judicial'. A ideia é a mesma: que nenhum 'árbitro' tenha condições ou a ousadia de tomar decisões contra os alegados interesses do Benfica. Uma espécie de (boa) polícia de usos e costumes, à prova de qualquer iniciativa policial.

Quando um clube de futebol ousa criar uma espécie de 'ultra-polícia', para tentar estar um passo à frente das investigações, algo está profundamente errado no cérebro de algumas pessoas. A ideia é demasiado ousada e arriscada para ser patrocinada ou em negação ou em doses contraditórias de decisões que nunca são assumidas em pleno, como no caso vertente de Paulo Gonçalves.

 

As ligações do Benfica com Paulo Gonçalves são tão fortes que, mesmo na hora de prescindir dos seus serviços, foram necessários (em comunicado) mais do que mínimos salamaleques. O reconhecimento da lealdade (de Paulo Gonçalves) legitima a leitura de que ele estava alinhado com uma estratégia e com o projecto em todas as suas vertentes. A não assumpção, por parte da Benfica SAD, da responsabilidade de prescindir dos serviços do seu ex-assessor jurídico já significa muito. A proposta foi de Paulo Gonçalves; não foi do Benfica. Quer dizer: ambos podem ter concertado posições, no sentido de, no limite, se protegerem um ao outro, numa manobra de contorcionismo desconfortável e impossível, mas a imagem que fica é muito redutora para o Benfica: não foi capaz de tomar uma posição clara, e a recente imagem de Paulo Gonçalves na tribuna de honra [vide foto deste texto] adensa essa ideia de que o Benfica se deixou aprisionar.

Esta ideia de um Benfica aprisionado (e verdadeiramente em apertos) é perturbante e penaliza muito a imagem de Luís Filipe Vieira.

 

Rui Santos, jornal Record

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:32

 

mw-320.jpg

 

Rui Santos comenta a saída de Paulo Gonçalves do Benfica, avançando que a constante defesa pelos encarnados do assessor jurídico poderá comprometer o clube da Luz:

 

“O Benfica quis proteger o Paulo Gonçalves do Apito Dourado ou do E-toupeira e de outros processos? Aquele comunicado é uma desgraça”.

 

Comunicado: "Na base da proposta do Dr. Paulo Gonçalves estão razões de natureza pessoal, em especial a necessidade de se dedicar à sua defesa num processo judicial, em nada relacionado com o exercício de funções que lhe estavam confiadas na Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD".

 

Em assunto relacionado, leitores pediram ontem para se publicar mais detalhes sobre os processos do Benfica em curso. Pela extensa natureza do tema, limitamo-nos a um breve resumo:

 

Investigação no 'Caso dos Emails'

 

Ministério Público acusou a SAD do Benfica e Paulo Gonçalves de vários crimes no âmbito do processo e-toupeira, incluindo corrupção, favorecimento pessoal, peculato e falsidade informática.

 

O caso teve origem em denúncias feitas por Francisco J. Marques. No dia 6 de Julho de 2017, o director de comunicação do FC Porto denunciou no programa ‘Universo Porto da Bancada’, do Porto Canal, emails que terão sido trocados entre Adão Mendes, antigo árbitro da Associação de Futebol de Braga, e Pedro Guerra, na altura director de conteúdos da Benfica TV, salientando que os mesmos configuram um "esquema de corrupção [na arbitragem] para beneficiar o Benfica".

 

Pedro Guerra acabou por admitir a existência dos referidos emails, no programa da TVI Prolongamento, mas disse que não se lembrava dos seus conteúdos.

 

Luís Filipe Vieira também "comentou" o caso na Assembleia-Geral do Clube "Em relação aos e-mails, desculpem falar à português, tanta m... e zero. Não temos medo de ninguém. Nunca comprámos um filho da p... de um resultado".

 

Caso e-Toupeira

 

Com origem nos emails, o e-Toupeira é outro dos casos que envolve directamente Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica, um técnico informático e um funcionário judicial.

 

Paulo Gonçalves é acusado de ter aliciado três funcionários judiciais. Os três elementos foram detidos pela Polícia Judiciária por suspeitas de corrupção activa e passiva.

 

Em causa está a prática dos crimes de corrupção activa e passiva, acesso ilegítimo, violação de segredo de justiça, falsidade informática e favorecimento pessoal.

 

Paulo Gonçalves terá recebido informações sobre o processo 'caso dos emails' depois de acesso informático indevido a informações que se encontravam em segredo de justiça.

 

Operação Lex

 

Esta investigação do Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) e da Policia Judiciária.

 

Num processo que envolve o juiz desembargador Rui Rangel e Luís Filipe Vieira estão em causa alegados crimes de corrupção, recebimento indevido de vantagens, branqueamento de capitais, fraude fiscal e tráfico de influências.

 

A conversa divulgada pela revista "Sábado" adianta uma conversa entre Rangel e Vieira, que que em troca de um intervenção num litígio fiscal de Vieira no valor de 1,6 milhões de euros, Rangel seria agraciado com um cargo na direcção da escola e Universidade do convidado e seria convidado das deslocações do clube encarnado ao estrangeiro.

 

Caso dos Vouchers

 

O caso dos 'vouchers' surgiu depois de declarações de Bruno de Carvalho no dia 5 de Outubro de 2015 no programa televisivo da TVI. O então presidente do Sporting trouxe à Luz alegadas ofertas do Benfica a equipas de arbitragem que atingiam um valor total de 250 mil euros. No dia 27 de Janeiro de 2017 o processo acabou por ser arquivado.

 

Lavagem de dinheiro

 

Outra das investigações levada a cabo pelo Ministério Público relacionada-se com a alegada transferência de 1,9 milhões de euros do Benfica para uma consultora informática, por uma suposta prestação de serviços. O valor foi posteriormente alvo de levantamento, alertando as autoridades bancárias.

 

De acordo com notícia do Jornal de Notícias, este alegado esquema pode incorrer no crime de fraude fiscal e de lavagem de dinheiro. Já foram feitas buscas no estádio da Luz por parte da Polícia Judiciária.

 

Mala Ciao

 

Numa investigação que foi tornada pública no dia 25 de Julho, o Correio da Manhã revelou  buscas relacionadas com alegada corrupção desportiva, com o Benfica a ser alvo de suspeitas de ter subornado atletas de outros clubes para vencerem ao FC Porto. As contrapartidas envolveriam a promessa da compra efectiva dos respectivos passes dos jogadores. A PJ fez buscas nas instalações do V. Setúbal, Desportivo das Aves e P. Ferreira.

 

A Procuradoria-Geral do Distrito do Porto confirmou que realizou 14 buscas domiciliárias e 10 não domiciliárias, quatro das quais em sociedades desportivas.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:05

Quem é afinal o maior 'pirata' ?

Rui Gomes, em 16.09.18

 

Tudo isto, no futebol português, já foi longe de mais. Vivemos a fase-pirata.
 

img_240x200$2015_10_26_19_11_45_1006496_im_6358148

Luís Filipe Vieira e a SAD do Benfica fizeram tudo para não deixar cair o seu assessor jurídico, Paulo Gonçalves, que era na Luz , na denominada ‘estrutura’, uma das figuras com maior poder.

 

Em 12 anos, Paulo Gonçalves aconselhou, ratificou, aprovou, reprovou, orientou e influenciou milhares de decisões.


A certa altura do referido longo perído de doze anos, a influência de Paulo Gonçalves foi vista como positiva pela restante estrutura. Muitos consideravam-no mesmo como ‘a’ estrutura, não apenas por dominar os mecanismos de transferências, os regulamentos e o direito desportivo, mas fundamentalmente por conhecer, de Norte a Sul, alguns dos principais protagonistas do futebol em Portugal.

 

O ‘homem invisível’ – o ‘homem invisível’ que só se tornava visível (na invisibilidade) quando era estritamente necessário. O ‘campeão’ para além do futebol das quatro linhas – e essa apreciação nem sequer deve conter, na totalidade, uma valoração negativa… Ele sabia, ele conhecia, ele influenciava e vivia no perímetro principal da decisão, entre Domingos Soares de Oliveira e Luís Filipe Vieira. Com afecto(s) mas principalmente com toneladas de ‘pragmatismo’.

 

Simplesmente Paulo Gonçalves exagerou e passou das marcas.

 

A conhecida acusação, por maiores críticas que possa merecer do ‘gabinete de crise’ do Benfica, contém pormenores do modus operandi benfiquista que, face à gravidade, não poderiam continuar a ser ignorados.

Fica claro que, no limite da defesa de Paulo Gonçalves (vide comunicados), ou caía o assessor jurídico da Benfica SAD ou a Benfica SAD era arrastada, mais depressa, com ele, aumentando o risco da queda de Vieira e do ‘vieirismo’.

Luís Filipe Vieira e quem está acossado (para já) no ‘e-toupeira’ – toda a administração da SAD – sabem que tinham de tentar abrir o pára-quedas, numa manobra muito próxima de uma ejecção num avião em chamas. Já se gastaram todos os extintores e, apesar de todas as declarações de que não há fogo e (alguns) bombeiros (benfiquistas) são pirómanos, este acordo relativo à saída concertada de Paulo Gonçalves demonstra a convicção de que foi preciso accionar o plano de emergência para ejectar aqueles que querem perdurar como sobreviventes e se possível, até, como heróis.

 

A Benfica SAD, como pessoa colectiva, sabe que não pode ignorar as consequências das alíneas a) e b) do ponto 2 do artigo 11 do Código Penal. Pode ter violado os "deveres de vigilância" ou "controlo que lhes incumbem". Porque Paulo Gonçalves agiu "sob a autoridade" da Benfica SAD e, se a saída da Luz pode facilitar a defesa jurídica do Benfica, a verdade é que a Benfica SAD continua a ter um grande problema para resolver, depois de requerer a fase de instrução e o debate instrutório que se lhe vai seguir, no sentido de o juiz decidir se a arguida deve ser submetida, ou não, a julgamento. A Benfica SAD está acusada de um crime de corrupção activa, um crime de oferta ou recebimento indevido de vantagem (com pena acessória prevista em diploma) e 28 crimes de falsidade informática.

Acabou, portanto, o ‘faz-de-conta’. O Benfica levou longe de mais a ideia pretensamente soberana de que Paulo Gonçalves actuava por sua conta e risco. Paulo Gonçalves foi longe de mais mas o Benfica também.

 

Rui Santos, jornal Record

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:35

 

Em condições normais, o Sporting elegerá no próximo sábado o 44.º presidente da sua história.

img_240x200$2015_10_26_19_11_45_1006496_im_6358148

 

7 candidatos é um número brutal e mostra duas coisas:


1) A facilidade com que se pode chegar à presidência de um clube com a dimensão do SCP.


2) A grande dificuldade de não se achar uma figura suficientemente mobilizadora e agregadora para protagonizar uma liderança que represente um futuro minimamente consistente na vida do SCP.

Os últimos debates têm revelado a dificuldade de todos os 7 candidatos em projectar a ideia de uma superioridade indiscutível: seja pelo projecto, pela palavra e imagem ou seja por aquilo que representam, representaram ou podem representar no clube de Alvalade.

Considerando os défices, as lacunas e um poço sem fundo de problemas para resolver, parece um dado adquirido que ‘a crise do Sporting’ não se vai resolver na próxima presidência. Pegando no número de candidatos, são 7 os principais problemas que afligem o Sporting:

1. UNIÃO E LIDERANÇA


… Ou a falta delas. É uma das questões que mais perturba o Sporting e que, no fundo, muito se relaciona com a natureza da liderança. Ou oito ou oitenta. As facções, os desencontros, a dificuldade de se estabelecerem pontes e mínimos consensos minam o clube por dentro e enfraquecem-no nas lutas externas. O Sporting necessita de recuperar uma imagem de respeitabilidade. E isso só se consegue com equilíbrio (sem perda de firmeza). Estas eleições, considerando o excessivo número de candidato e a fragmentação de votos, não vão fazer baixar o ruído.

2. HERANÇA(S)


A fragmentação de votos e a possibilidade de muitos sócios optarem por não votar vão aumentar a ‘corrida por fora’ de Bruno de Carvalho. Pode até Bruno de Carvalho ser expulso de sócio (cenário mais provável), pode até não conseguir mecanismos funcionais e legais para voltar à ribalta, mas — pelo que se conhece do seu modus operandi — não fará nada para agregar. Será sempre um elemento desestabilizador e o futuro do Sporting, nestas condições, será muito difícil de construir. É preciso ter essa noção.

3. LIMPEZA


A Comissão de Gestão fez os possíveis para ‘curar e colar’ mas é óbvio que a sua tarefa foi no sentido de assegurar alguma governabilidade e o anti-caos. Há um mundo de realizações a cumprir. O Sporting precisa de se preparar para a próxima década. E aquilo que fizer de errado agora vai pagar no decénio 2020-30.


As saídas para o desbloqueio da situação financeira são prioritárias, mas o Sporting não tem apenas um problema financeiro. Tem um gravíssimo problema de modelo de organização de todo o seu futebol. E considerando a complexidade e as brechas abertas com Bruno de Carvalho, há um trabalho essencial de desminagem e limpeza que o próximo presidente e a sua equipa têm de assegurar. O Sporting não terá futuro se não souber conciliar um plano de curtíssimo-prazo com um plano de médio e longo prazos.


A questão crucial é saber se haverá coragem para fazer esse trabalho. Em Alvalade e em Alcochete. Cortar pela raiz as ervas daninhas.

4. COMUNICAÇÃO


Uma das prioridades é encetar um novo ciclo na área da comunicação. A imagem dada por Bruno de Carvalho e Nuno Saraiva, neste domínio, foi terrível. O Sporting perdia facilmente a razão, quando eventualmente a tinha. Foi estranho que a Comissão de Gestão tenha sido romântica na abordagem deste tema. As ligações ao regime de Bruno de Carvalho, pelo dano que causaram, causam e ainda vão causar à instituição durante anos a fio, deveriam ter sido interrompidas. A comunicação do Sporting, com Bruno & Saraiva, atingiu os sportinguistas de uma forma gravemente desrespeitosa. Esse facto não pode ser branqueado e todos passaram por cima do quisto.

5. TRANSIÇÃO NO FUTEBOL 


José Peseiro foi achado pela Comissão de Gestão para ocupar o lugar deixado em aberto através do abalo provocado pela ‘invasão de Alcochete’. Foi uma boa decisão porque o Sporting precisava, no período de transição, de um treinador com vivência e experiência mas também com um grau elevado de sensatez. Sempre afirmei que o Sporting, no tempo de Bruno de Carvalho e Jorge Jesus, tinha todo um mundo (de recursos) para explorar e optimizar entre eles. Não é fácil para Peseiro perceber que é um treinador a prazo. Já fez o mais difícil: manter a equipa competitiva num período crucial. O novo presidente terá uma decisão a tomar: dar-lhe ou não um voto de confiança… imediato.

6. FORMAÇÃO E ACADEMIA


Queira ou não queira, o Sporting está muito atrasado em relação ao Benfica, na formação e nas respectivas Academias. O que quer dizer que, primeiro, é preciso definir estratégias no sentido da modernização e da requalificação de ‘Alcochete’. A Formação não está a funcionar bem - e não basta acenar com a ‘bandeira’ dos "Ronaldos e dos Figos". Quem ignorar esta realidade estará a contribuir para que se continue a falar em ser campeão sem se criarem as condições essenciais nesse sentido.

7. RELAÇÃO COM OS PODERES


A tarefa ciclópica é de reestruturação externa (uma montanha de prioridades) mas o Sporting tem de saber relacionar-se com os poderes. Sem os afrontar inconscientemente mas sem se mostrar adormecido. O Sporting tem, de facto, trabalho de muita paciência para os próximos 10 anos.»

 

Rui Santos, jornal Record

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:35

Benfica nunca teve tanto a favor

Rui Gomes, em 26.08.18

 

Artigo da autoria de Rui Santos, jornal Record, publicado antes do dérbi deste sábado.

  

DÉRBI NA COMPONENTE DESPORTIVA

 

img_240x200$2015_10_26_19_11_45_1006496_im_6358148

Benfica e Sporting encontram-se hoje na Luz num contexto muito especial. Desportivamente, o dérbi realiza-se no começo da temporada e, considerando o que tem vindo a acontecer ao clube de Alvalade, em processo de transição para um ‘novo ciclo’, esse facto, em tese, beneficia o Benfica.

 

Como também beneficia o Benfica o facto de ter uma equipa muito mais consolidada, liderada pelo mesmo treinador e a contar com alguns reforços, entre os quais o maior de todos é, surpreendentemente, um dos jogadores da sua Formação - Gedson Fernandes.

 

O Sporting tem um novo técnico (José Peseiro), com ideias diferentes das que professava Jorge Jesus, os reforços (Diaby, Gudelj e o lesionado Sturaro) não estão em condições de se apresentar na Luz, sendo que Raphinha ainda procura o seu espaço de afirmação. É claro que há outro tipo de ‘reforços’ (Bruno Fernandes, Battaglia e Bas Dost) - e veja-se o que seria, neste momento, da equipa ‘leonina’ se não contasse com estes três jogadores, sendo que o holandês não está a 100 por cento…

O Benfica ainda tem vários pontos de interrogação (Vlachodimos é o guarda-redes que vai fazer esquecer Ederson? Os centrais Conti e Lema são mesmo reforços? Jonas, Ferreyra e Castillo vão ser soluções compatíveis na zona do ponta-de-lança? Qual a razão para a não afirmação de Rafa?), mas os que assaltam o Sporting são ainda maiores (a defesa, pelas laterais, não se vai ressentir das trocas de Piccini e Coentrão, por Ristovski e Jefferson?

 

Quanto tempo vai demorar a encontrar a solução definitiva no eixo central do meio-campo, no espaço compreendido entre o ‘6’ e o ‘8’, sendo que Petrovic e Misic parecem ser recursos ‘de segunda’? Alguma das hipóteses mais evidentes [Jovane, Mattheus Pereira…] têm o nível de Gelson? Quem vai ser a alternativa a Bas Dost?).

Benfica joga em ‘casa’ e, embora venha de um resultado menos positivo (empate com PAOK), parece mais bem apetrechado no binómio qualidade/nível de preparação. Seria, pois, uma grande surpresa os ‘encarnados’ não aproveitarem um contexto que não era assim tão favorável há um bom par de anos… N o passado recente, nunca teve tanto a favor, embora o Sporting tenha sempre uma palavra a dizer. Dérbi é dérbi.

DÉRBI NA COMPONENTE INSTITUCIONAL


Institucionalmente, correu muita tinta a anunciada presença de Artur Torres Pereira, Sousa Cintra e Jaime Marta Soares na tribuna do Estádio da Luz para assistirem ao dérbi. Alguns dos candidatos à presidência do Sporting indignaram-se. Que não podia ser, etc. etc. 

 

Ao contrário de muitas vozes que tenho ouvido e registado, faz muito bem a Comissão de Gestão em marcar presença na tribuna da Luz. É preciso, de uma vez por todas, não confundir rivalidades e desencontros de posições com deveres institucionais. Se cada vez que dois clubes denunciarem antagonismo ou divergência de tomadas de posição em relação a esta ou aquela matéria, a solução for não marcar presença nos jogos, então não sairíamos disto.


Os clubes não precisam de ser grandes amigos ou terem boas relações para os seus dirigentes assumirem o dever de representação institucional. É preciso não confundir as coisas. As relações até podem ser más e as coisas, neste plano, não deveriam mudar. Não é preciso fazer como Rui Pedro Soares que, no jogo com o FC Porto, no Jamor, quando o campeão nacional marcou, só faltou o presidente da SAD dos azuis de Lisboa saltar para o colo de Pinto da Costa. Nem tanto ao mar nem tanto à terra.

DÉRBI NA COMPONENTE ELEITORAL


O Sporting vai à Luz em plena corrida eleitoral e debaixo dos efeitos de uma primeira sondagem de opinião que dá Frederico Varandas e João Benedito na dianteira, relegando Ricciardi para um resultado pouco impactante. Creio que este resultado, valendo apenas o que vale, é já o impacto da escolha do banqueiro em relação ao futebol.

 

A impopularidade de José Eduardo (JE) junto da comunidade leonina é algo que não se pode desprezar, e isso deve-se à percepção de que o envolvimento de JE nas coisas do SCP teve sempre uma motivação negocial. Para quem não quer ser confundido com croquetes, é erro de monta requisitar os serviços do fornecedor dos ditos cujos.

 

Erro crasso e fatal para quem reivindica capacidade de liderança. Há alguma coisa muita errada quando José Maria Ricciardi tem de chorar para conseguir o concurso de José Eduardo para a liderança do futebol…

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:54

Psico/juridicamente

Rui Gomes, em 18.08.18

 

img_240x200$2015_10_26_19_11_45_1006496_im_6358148

Véspera do dia de jogo da jornada 2 da Liga, com o Vitória de Setúbal, depois da vitória inaugural (muito importante para os ‘leões’!): Bruno de Carvalho apresenta-se em Alvalade a dizer "o presidente sou eu", fazendo crer que o tribunal o tinha legitimado para retomar as suas funções presidenciais.

 

Mero logro. A verdade é que conseguiu o que pretendia: mobilizar a comunicação social em redor da sua figura. BdC não consegue estar muito tempo sem palco. Precisa de palco, a que preço for. Mesmo que isso corresponda, como é o caso, ao prejuízo da estabilidade do Sporting e da sua equipa de futebol. E isso é muito grave. Colocar os seus interesses de ambição pessoal desmedida acima dos interesses da instituição.

 

Os jogadores fugiram de BdC, o treinador fugiu de BdC, os colegas dirigentes fugiram de BdC, o Mundo foge de BdC, mas BdC ignora tudo isso e diz-se vítima desse Mundo e agora do ‘mundo Sporting’.

 

Bruno de Carvalho volta a teatralizar e, nesta sua corrida para ficar efectivamente sozinho, continua a ‘fazer de louco’, arrastando tudo e todos, em mentiras e meias-verdades, sem nenhuma preocupação face às consequências. Desde que tenha palco. Desde que consiga alimentar o ego e a fama, mesmo que seja a de ‘louco’.

 

Se por algum devaneio psicojurídico, voltasse efectivamente à presidência do Sporting, o que seria de todos aqueles que fugiram e regressaram e o que seria daqueles que vivem em permanente sobressalto com a hipótese (psicojurídica) de BdC se manter agarrado a um mundo de tramas e confabulações?

 

Rui Santos, jornal Record

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:45

 

img_240x200$2015_10_26_19_11_45_1006496_im_6358148

Começa hoje (ontem) a época futebolística 2018/19, com realização da Supertaça correspondente aos vencedores do Campeonato Nacional e da Taça de Portugal de 2017/18. O FC Porto foi a melhor equipa da época passada e mereceu o título conquistado; o Aves soube explorar com mérito o 'hara kiri' histórico do Sporting, numa final que nunca se deveria ter disputado nas condições em que se realizou. Não houve coragem suficiente para se perceber que a integridade da competição não estava salvaguardada; não se pode promover uma final de uma prova tão marcante como a Taça de Portugal - a segunda prova mais importante do calendário futebolístico indígena - quando uma das equipas finalistas havia sido assaltada na sua dignidade, de um modo bárbaro e sem precedentes à escala universal. Mas quando toca a coragem - e a decisões difíceis -, sabemos o que acontece: normalmente, nada. E é nestes momentos que falha a liderança.


Chegamos a este ponto e nenhum dos candidatos ao título parece preparado para um arranque indiscutível de força e poderio.

É o Sp. Braga que parece mais sólido e compacto e mais perto de uma versão final, e não espanta que os seus responsáveis sejam portadores de uma mensagem optimista. O Sp. Braga cresceu o suficiente para poder aspirar ao título, com aposta em bons jogadores e treinadores e, através da proximidade entre Luís Filipe Vieira e António Salvador, acentuada com a permanente bílis lançada por Bruno de Carvalho, o ataque estratégico desferido ao Sporting, no sentido de começar por ocupar a 'terceira vaga', em que Abel Ferreira surge como uma 'peça' dessa estratégia, tem tudo para se desenvolver em 2018/19, principalmente num quadro de ainda maior fragilização do clube de Alvalade, imposta pela loucura do seu ex-presidente.

O FC Porto parte com duas indiscutíveis vantagens: a de ser o campeão e de ter a baliza melhor defendida.


Esta questão dos guarda-redes é muito curiosa. Na época passada, Sérgio Conceição começou por identificar um problema na baliza (com Casillas), e depois rectificou o tiro, porque José Sá não o deixou ficar bem na fotografia. O Benfica não soube, em momento algum, suprir a saída de Ederson e o mais incrível é que a questão ainda não está totalmente resolvida. O Benfica não tem um guarda-redes que lhe dê total confiança e, apesar dos ténues progressos, a desconfiança sobre Vlachodimos permanece; o Sporting ainda menos, Viviano parece ser uma carta fora do baralho antes de o jogo começar. Criar as condições para a fuga de Rui Patrício foi insensatez pura.

 

Nenhuma equipa pode aspirar a ser campeã nacional se tiver um problema na baliza. Parece indiscutível que piorou a qualidade entre os guarda-redes dos 'grandes' - e isso é um péssimo ponto de partida e algo inaceitável num candidato ao título.


Na hipótese de Marega ser vendido, o ataque perde peso e passa a ser… 'de franguinho'. Pairam muitas dúvidas sobre o campeão nacional e Sérgio Conceição deve estar à beira de um ataque de nervos.

No Benfica, a questão Jonas durou tempo de mais.


A equipa está com boas dinâmicas ofensivas, do meio-campo para a frente, mas muito vulnerável no processo defensivo.


Começar uma época com a sensação de que a questão do guarda-redes e dos centrais não está resolvida – outra vez – parece ser ‘coisa de amadores’.


Gedson é promessa, e jogador a seguir, mas o último jogo colocou algumas reticências. Talvez não esteja no ponto de ser ‘certeza’ e aposta segura no ‘onze’…


E o caso Jonas conhece ainda muitas sombras: como é que principal ‘solução’ passa a principal ‘problema’? A questão clínica ‘das costas’ serve para justificar um não acordo? A pouca utilização de Jonas na pré-época foi uma questão clínica ou um ‘duplo cartão amarelo’ do Benfica? Ficar com Jonas contrariado nunca seria boa ideia. Contudo, com esta venda, o (novo) ataque do Benfica e de quem o escolheu ficam sob pressão e Rui Vitória com via aberta para o 4x3x3. Interrogações a mais, a poucos dias do início da operação Champions!

No Sporting, são várias e de diferentes dimensões as questões em aberto.


Desde logo, o campeonato vai começar sem se saber quem vai ser o próximo presidente do Sporting.


Os leões debatem-se com uma questão directiva e, enquanto a não resolver, em regime de maior estabilidade, terá poucas possibilidades de alcançar êxitos no futebol.


No plano desportivo, posso estar enganado mas acho que a nova aposta em Jefferson tem tudo para correr mal. Não parece concentrado. Um defesa-esquerdo consistente daria possibilidade de Acuña poder ser uma boa solução para '8': é agressivo, tem os dois 'tempos de jogo' (defensivo e ofensivo), chuta e serve bem… Libertaria Bruno Fernandes para ser o principal apoio a Bas Dost, embora ainda haja Nani para essas funções… Badelj - grande perda!


Battaglia chega para '6'? Não parece. E é óbvio que falta mais um ponta-de-lança…

Vamos ver se todas estas dúvidas, interrogações e fragilidades não vão aumentar o ruído em 2018/19. A coisa promete… como sempre, ainda por cima com o sector da arbitragem mergulhado outras vez num regime de opacidade.

 

Rui Santos, jornal Record

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:32

Comentar

Para comentar, o leitor necessita de se identificar através do seu nome ou de um pseudónimo.




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Taça das Taças 1963-64



Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D




Cristiano Ronaldo