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As chatas e as chagas

Rui Gomes, em 27.04.20

O poder é quase sempre mais forte do que o bom-senso.

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Neste caso, não se trata de um poder directo, mas sim indirecto. O papel que as chatas chegaram a ter, por mar, nalgumas guerras, uma vez que normalmente eram rebocadas e tinham a sua função.

O Nacional tomou a decisão de romper o estado de emergência, no seu período mais crítico, precisamente quando as famílias costumam reunir-se para passarem a Páscoa juntas, para dar o pontapé de saída a uma “espécie de treino’, aproveitando-se de um decreto-lei que, no alívio à alta competição e ao futebol profissional, mais valia nem sequer saído da gaveta, até pelos desencontros que gerou na Madeira.

Estava o estado de emergência no seu pico de rigores, repito, e a chata a querer navegar, sabedora que, mesmo num acto de atrevimento e de quebra de solidariedade, perante a DGS e o País.

O poder do decreto-lei também fica muitas vezes aquém do bom-senso e o comandante da chata, valente e destemido, foi à sua faina, sabendo que, na eventualidade de o mar ficar demasiado agitado, teria sempre umas embarcações de grande porte a fazer o resgate.

Para a irresponsabilidade, quando alinhada com os principais poderes, há sempre uma bóia de salvação e para o bom-senso não há ventiladores. Afogue-se.

A economia do futebol não pode esperar muito mas talvez o suficiente para não forçar ou atirar os jogadores para a arena. A pandemia não pode transformar-se num circo romano, no qual os poderes são maiores do que o bom-senso, e Evangelista neste caso já começa a ser torpedeado por um contra-almirante.

Difícil... é mesmo não alimentar os poderes maiores e, neste caso, há um denominador comum entre o interesse da chata e o interesse dos navios de escolta.

Essa coisa das cercas sanitárias não devia existir, nem em Câmara de Lobos nem em lado nenhum.

Sou e serei sempre pela protecção das vidas humanas, embora perceba que a economia não pode mesmo parar. E, no futebol, a protecção da sua economia não tinha de passar forçosamente pelo que resta do cumprimento da presente época desportiva.

A partir do momento em que a UEFA deu sinal de que as épocas deveriam terminar e a gestão dessa directriz, embora condicionada pelas decisões das autoridades sanitárias, seria realizada pelas Ligas/Federações, supunha-se que estas iriam fazer a administração das datas para o regresso aos treinos em datas comuns ou aproximadas.

Não fazê-lo mostra bem a incapacidade de consenso (Benfica e SC Braga ainda de férias) e as posições desgarradas.

O armador Alves antecipou-se porque achou que as águas já não se achavam ácidas de mais para uma corrida de carapau. E quando o Sporting se deixou capturar aparentemente (!) pelo mesmo tipo de anzol, o Nacional calçou as barbatanas e dirigiu a pergunta aos seus associados, em forma de comunicado: “Como acha que Rui Santos vai analisar a decisão do Sporting, clube que tem como presidente um médico, em promover a partir de hoje treinos individualizados com os seus atletas?

A – Uma decisão irresponsável e desajustada, que coloca em causa a verdade desportiva do campeonato.

B – Parabéns ao Sporting por ter contribuído para mostrar ao país que é chegado o tempo de começar a voltar à normalidade”.

Sempre gostei de um bom desafio e agradeço a estratificação da resposta. Se a opção está reduzida apenas às duas hipóteses sugeridas, a resposta é A. Porque não há nada que me possa fazer recuar sobre o facto de o recomeço da actividade, em forma de treinos, não ser realizada ao mesmo tempo. A isto chama-se deixar as embarcações navegar a seu bel-prazer e o papel de coordenação da Liga, neste aspecto, falhou redondamente.

A resposta B, só se fosse noutro Mundo, e não neste, com as provações que lhe estão a ser lançadas.

Quero relembrar, no entanto, que o CD Nacional tem um médico (João Pedro Mendonça), com larga experiência no futebol, presidente da ANEM (Associação Nacional de Médicos de Futebol), que considerou “pouco razoável” o regresso da sua própria equipa aos treinos. Mais palavras para quê?

Cá está: outra vez o bom-senso. Os médicos não podem ser monstros.

Estranho muito, por isso, a pergunta que foi dirigida aos sócios do Nacional (deveria ser “Considera ‘pouco razoável’ o regresso aos treinos, como preconiza o nosso médico João Pedro Mendonça?)" e, depois, quando reparei na capa de um diário desportivo a mostrar o distanciamento dos jogadores do Sporting em treino, disse cá para mim: tenho muitas saudades do futebol, mas já não sei quem mata mais: se o vírus, se as chagas da insensatez ou se o ridículo de tudo isto.

Rui Santos, SIC Notícias

publicado às 03:18

A desobediência do circo

Rui Gomes, em 14.04.20

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Estamos em estado de emergência e o circo foi incluído na lista de actividades suspensas.

O circo está parado, mas não várias formas de circo paralelo.

Uma das maiores é aquilo que estamos a ver acontecer no futebol.

Não há nenhuma dúvida que esta paragem forçada causa danos imensos e nalguns casos irreparáveis.

Nenhuma dúvida que, sem se sair da grande-área do bom senso, todos queremos voltar o mais breve possível a apreciar os talentos dos artistas, no futebol e no âmbito de outros espectáculos ou actividades culturais.

Ninguém ganha com a grave estagnação da(s) economia(s). Todos temos muita vontade de voltar às nossas vidas. Mas…

Acabo de ler um extenso documento patrocinado pela Liga Portugal subordinado ao título RETOMA PROGRESSIVA À COMPETIÇÃO - Plano de Acção, Abril 2020.

Não queria acreditar no que estava a ler.

É um documento (“indicativo e orientador”) que consta de 19 páginas e “foi elaborado pelos médicos das Sociedades Desportivas participantes na Liga NOS e na LigaPro” e, apesar de ser sublinhada a advertência de que “esta retoma progressiva à competição apenas poderá ser iniciada quando for legalmente autorizado pelas entidades oficiais competentes”, não consigo perceber bem se vivemos todos no mesmo Mundo ou se há, na verdade, um ‘mundo do futebol’ diferente daquele que milhões de terráqueos habitam.

A certa altura senti-me como um telespectador de um filme de ficção científica.

O documento prevê 3 fases de adaptação no quadro da retoma da competição:

FASE 1 - Regresso progressivo aos treinos; treinos individualizados no campo durante duas semanas, com avaliações antes das sessões (com máscaras e salas próprias), na presença de treinador e elemento do departamento médico (com máscaras e respeitando distâncias de 2 metros). Não há cruzamento com outros jogadores ou staff. E é admissível a presença de 2 jogadores, cada qual no seu meio-campo.

FASE 2 - Treinos de grupo com contacto (3.ª e 4.ª semanas), mas respeitando ‘normas básicas’.

FASE 3 - Campeonato inicialmente à porta fechada, no qual os jogos ‘fora’ obedecem a viagens mesmo no próprio dia da competição, com autocarros higienizados e os jogadores distribuídos segundo as normas de segurança (1 atleta para cada 2 lugares e com máscara). Nos balneários, 1 jogador por cada 25m2 e, nos ginásios, já agora, recomendação de distância mínima de 5 metros entre atletas.

Não imaginam até onde vai a particularidade das recomendações publicadas: alimentação, limpeza, higiene, viagens, estágios com menor duração possível, equipamentos e rouparia, balneários, ginásios, massagens, banhos, reuniões, relva, etc.

Saúdo o esforço da equipa de médicos em não querer deixar nada ao acaso e não estão em causa, obviamente, as questões clínicas que devem ser analisadas especificamente nesse âmbito. Tudo parece previsto; nada é deixado ao acaso.

Este documento mostra-se insensível, contudo, a realidade que estamos a viver e não podemos ignorar que já há presidentes, como Rui Alves, do Nacional (com interesse na subida de divisão), a anunciar o regresso aos treinos já na próxima segunda-feira. Quer dizer: o Presidente da República e o Governo a darem nota de que os portugueses devem continuar confinados e o Nacional a anunciar que vai voltar aos treinos?!…

O presidente do Governo Regional e o Governo da República não dizem nada? Estaremos perante um crime de desobediência ou, como defende Rui Alves, o decreto-lei 2-B/2020 permite este contra-senso e todas as recomendações avançadas, diariamente, pela DGS e pela ministra da Saúde?

A menos que se chegue à conclusão de que não nos vamos livrar desta pandemia e que estaremos condenados a viver neste regime para todo o sempre, isto é, a contabilizar mortes todos os dias, a desinfectar as mãos todos os dias, a manter a distância de 2 metros todos os dias, a não trocar beijos e abraços e a adaptar as economias a esta espécie de ‘holocausto sensorial’; a menos que nos obriguem a sair de casa de máscara (tipo antigás), a ir aos estádios e olhar com desdém para o desfalecimento do parceiro do lado (a tombar a 2 metros de distância, no mínimo) e proclamem a morte como um facto que não se deve retardar e, ao invés, acelerar, então tudo isto é ridículo, tudo isto é um circo (paralelo), tudo isto é uma palhaçada, com todo o respeito pelos palhaços, agora confinados e sem vontade de nos fazer rir, aprisionados nas suas (e nas nossas) angústias.

Uns a fazer sacrifícios e… outros na palhaçada?! Alguém põe ordem nisto?

Rui Santos, SIC Notícias

publicado às 03:18

img_192x192$2019_09_07_00_18_48_1598529.jpgJá bastavam os múltiplos condicionamentos que a pandemia e o estado de emergência nos vieram impor para estarmos confinados às coisas verdadeiramente importantes.

Este ‘jogo’, acelerado, da vida contra a morte, que vemos reflectido todos os dias nos contadores actualizados pela DGS, deveria ser suficiente para reprimir a loucura, a estupidez e a idiotice.

Temos mais de 2.300 casos de Covid-19 e mais de 30 mortos em Portugal e o movimento ‘Sou Sporting’ emite um comunicado a pedir convocação de eleições para… Abril, alegando ‘impossibilidade física’ do presidente Frederico Varandas em exercer as suas funções em Alvalade, uma vez que, perante a entrada em vigor do estado de emergência, a situação de ‘licença especial’ havia caducado e, por isso, “o cidadão Frederico Varandas não pode exercer outras funções, nomeadamente em acumulação com os cargos directivos que exerce no SCP e na SAD”.

Depois de Bruno de Carvalho ter dito, em Fevereiro, que “sou candidato a presidente do Sporting”, sabendo de antemão que, não sendo hoje sócio do Clube e no seguimento do processo de destituição, não o poderia fazer, agora é o movimento ‘Sou Sporting’, em Março, a protagonizar mais um momento infeliz e que se torna chocante, pelo simples facto de não revelar o mínimo respeito e consideração pelo momento que todos nós e o Mundo estamos a atravessar.

Discutem-se agora datas e até se Frederico Varandas se voluntariou, ou não, antes da proclamação do estado de emergência. Discutem-se, agora, na praça pública questões formais que envolvem o Ministério da Defesa e escamoteia-se o essencial, isto é, o momento muito delicado e específico que vivemos — fora do âmbito convencional da promulgação de um estado de emergência — e o facto de haver um presidente de um clube que, independentemente das questões formais, está disponível, na sua qualidade de médico e militar, para servir o país e ajudar os portugueses.

Pedir eleições para Abril, no pico da pandemia, segundo os especialistas, não é apenas um exercício de imbecilidade e idiotice; é uma manifestação de falta de respeito não apenas pelos sportinguistas, mas acima de tudo pelos portugueses e pelo ecumenismo. Haja paciência!

Rui Santos, SIC Notícias

publicado às 03:19

"Frederico Varandas agiu com coragem"

Rui Gomes, em 29.10.19

download (2).jpgConcordo totalmente com o presidente do Sporting. Esta questão das claques do futebol é uma vergonha. E neste momento há que dizer que o presidente do Sporting CP, Frederico Varandas, teve uma actuação correctíssima, honesta, corajosa, digna. Ele agiu com coragem e agiu com princípios... Foi dizer: vamos pôr ordem nas claques, rescindir protocolos, limitar mordomias, impor regras, acabar com benesses. Muito bem.

Isto até lhe pode custar, de hoje para amanhã, a liderança. Mas ele agiu com coragem, com princípios. Ao contrário de presidentes de outros clubes, que fazem vista grossa.

Este problema não é sobretudo de futebol ou de desporto. É um problema de segurança das pessoas que vão aos estádios e é um problema de autoridade do Estado. Porque as claques são um verdadeiro estado dentro do Estado. Não respeitam nada nem respeitam ninguém".

Luís Marques Mendes, SIC Notícias

publicado às 03:19

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 28.03.19

 

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Rui Santos - SIC Notícias - diz que a eurodeputada Ana Gomes está a realizar um trabalho importante ao denunciar a corrupção que existe no mundo do futebol. E deixa questões aos presidentes do Benfica e FC Porto sobre César Boaventura e Vítor Catão.

 

"Eu gostava muito de perguntar a Luís Filipe Vieira se ele não tem vergonha de César Boaventura", diz o comentador.

 

publicado às 16:18

 

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Filipe Soares Franco, antigo presidente do Sporting, esteve na Edição da Noite da SIC Notícias.

 

Entrevista de 27 minutos de duração sobre o futuro do Sporting, disponível aqui.

 

publicado às 03:16

As comadres zangaram-se !

Rui Gomes, em 05.06.18

 

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O antigo presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting, Eduardo Barroso, voltou a pronunciar-se sobre a actual situação do Clube e fez um apelo a Bruno de Carvalho para que saia da direcção do Sporting 'com dignidade'.

 

Em entrevista à SIC Notícias, Eduardo Barroso, médico cirurgião e antigo dirigente do Sporting, considerou que Bruno de Carvalho não tem condições para continuar à frente do clube e lamentou que o presidente, que considera seu amigo, o tenha considerado 'traidor' por ter dado uma opinião:

 

"Bruno de Carvalho devia demitir-se, demitir-se agora, e dar voz aos sócios. Eu próprio pedi-lhe para se demitir e sair com dignidade de modo a evitar esta tragédia que se avizinha para o nosso clube.

 

É impossível continuar a sua missão com um clube tão dividido. Mesmo que ele tivesse toda a razão da vida, comprou uma guerra que não deveria ter comprado e que se virou contra ele.

 

A invasão à Academia foi a gota que fez transbordar o copo. Se eu fosse presidente ter-me-ia demitido nessa mesma tarde e acompanhado os jogadores à GNR.

 

Eu não o traí, limitei-me a ser porta-voz da minha opinião.

 

Fico satisfeito que Jorge Jesus possa continuar a sua vida profissional e que tenha saído nas condições em que saiu. Já Rui Patrício deveria ter mantido a sua coerência e não rescindido unilateralmente. Ele deve muito ao Sporting, não ao Bruno de Carvalho".

 

publicado às 11:30

 

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Rui Santos acredita que as suspeitas sobre alegados aliciamentos a jogadores podem arruinar o futebol português. O comentador, no programa Tempo Extra, da SIC Notícias, afirmou que os clubes são os princpais culpados por estas situações. O ambiente de suspeição que se reflectiu na Gala das Quinas de Ouro a certa altura parecia um velório.

 

Um breve vídeo do programa disponível aqui.

 

publicado às 16:03

Blackout em análise

Rui Gomes, em 15.01.17

 

 

publicado às 12:00

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