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A "ala dos namorados"

Naçao Valente, em 03.07.20

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A batalha de Aljubarrota, onde um muito pequeno exército português, sem a sua cavalaria tradicional que se passou para o inimigo, venceu o gigante castelhano, tem sido objecto de estudo. Em linhas gerais, a vitória de Aljubarrota é resultado de uma táctica de guerra inovadora, conhecida como o “quadrado” e por alguma displicência do inimigo, que convencido da sua superioridade, julgava que “eram favas contadas”. Mas explica-se também pela determinação de um exército, bem mentalizado e dirigido, pelo jovem Nuno Álvares Pereira. À sua fiel imagem havia muitos jovens naquele exército, muitos deles agregados numa ala que ficou conhecida pela “ala dos namorados”, tendo em conta a sua juventude.

Mas não é dessa batalha que garantiu a independência nacional que pretendemos falar neste contexto. Queremos falar de futebol e do nosso “novo Sporting”. A introdução do texto vem a propósito de se encontrar alguma similitude, com as devidas distâncias, com a actual equipa principal do Clube.

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Nesse sentido, pode-se considerar que temos também uma equipa guerreira, motivada e determinada, que vai ganhando batalhas, conseguindo vitórias, nas quais muitos não acreditavam e que outros “castelhanos” não desejavam. Dessas vitórias fazem parte um comandante jovem, ambicioso e sem medo algum de arriscar. Dessas vitórias fazem muitos jovens imberbes que podemos classificar como uma “ala dos namoradas”. Dessas vitórias fazem parte as tácticas adequadas a cada situação.

A questão que se coloca é: vão-se ganhando batalhas, mas pode-se ganhar a guerra com a “ala dos namorados”? Pode-se desde que a equipa seja composta também por veteranos com experiência. O que acontece, na minha perspectiva, é que não existem em qualidade e quantidade. Em campo temos Coates, Ristovski, Battaglia. Fora dele (lesionados) Vietto, Acûna e alguns jovens com mais experiência, como Jovane e Francisco Geraldes, para além de alguns emprestados.

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Na preparação da próxima época deve seguir-se esta estratégia, mantendo em campo a “ala dos namorados”, mas enquadrada com atletas de boa qualidade e mais experiência, necessários para ganhar uma guerra. Neste momento, creio que não existem, e portanto é preciso ir ao mercado providenciar esses meios. E estou convicto que o timoneiro, com a sua competência, estará atento à situação.

Na simbiose entre juventude aguerrida e experiência competente estará a solução. E para poder dar passos neste caminho a formação é vital. Pena foi ter sido descurada, sobretudo na fase de aproveitamento dos novos talentos., aos quais não foram concedidas todas as oportunidades. Por outro lado. para que esta tarefa tenha total êxito, precisamos de um Sporting unido e ao lado da equipa, nos bons e nos maus momentos. Aljubarrota também é consequência da vontade de toda a nação.

publicado às 04:19

publicado às 17:45

Um clube de tolos?

Naçao Valente, em 28.04.20

No ano 2000, em Dezembro, o técnico (Mourinho) esteve bem perto de suceder a Augusto Inácio e tudo estava acordado com o emblema de Alvalade. No entanto, Luís Duque, na altura presidente da SAD, voltou atrás com a decisão, face à opinião dos adeptos.

"O Duque ia anunciá-lo no Sporting depois de um treino, mas adiou devido ao impasse e críticas dos adeptos. Depois tudo caiu por terra e eu estava com o Mourinho e ele só disse ‘Mas está tudo tolo?’ completamente irritado", referiu.

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   ‘Mourinho: Derrière le Special One’ o novo livro de Nicolas Vilas

Estas informação é só por si bastante significativa e dispensava comentários. Mas pareceu-me interessante fazer uma breve reflexão.

Será o Sporting um clube de tolos?

A resposta é não... No entanto, se perguntarmos se existem tolos no Sporting, temos que admitir que sim, como aliás se verifica noutros clubes e na sociedade. Estou convencido que serão uma mera minoria ruidosa, e que, ao contrário da maioria silenciosa, tem tido influência perniciosa na longa vida da nossa colectividade, como aconteceu na contratação falhada de Mourinho.

Uma outra constatação que se pode apurar é que a espécie humana nem sempre aprende com os erros. Ainda recentemente o Sporting passou por um período de tolice, com apoio dos verdadeiros tolos e de outros que pela sua ingenuidade se deixaram enganar. Como foi possível acreditar que alguém sem currículo profissional e de vida, tinha perfil para dirigir uma instituição, como o Sporting Clube de Portugal? Pior. Como é possível insistir na mesma solução?

Dir-me-ão, que isso são águas passadas. Aparentemente são, mas na realidade não é tanto assim. Os tolos, que mesmo perante tantas evidências teimam em idolatrar esse ignóbil passado, e manter viva a esperança do seu regresso, continuam por aí. E se durante a grave crise sanitária e económica por que passamos no Mundo, (onde a sobrevivência dos clubes é bem evidente), estão um pouco mais discretos, não desistiram e apenas esperam melhor oportunidade.

Vou dar alguns exemplos. Nos blogues que nas redes sociais assumem a defesa da tolice, a teoria dos ditos tolos continua bem viva. Se não vejamos: aquando do incumprimento do pagamento ao Sporting de Braga da prestação referente à contratação de Amorim, com a alegação de atraso nas receitas programadas, que posição tomaram? Colocaram-se contra a Direcção acusando-a de caloteira. Fosse ela dirigida por um tolo e seria elogiada.

Ao invés, e segundo uma notícia de O Jogo, onde se referia que o Sporting CP não estava a receber os pagamentos estipulados com a venda de Bruno Fernandes, porque a entidade bancária com a qual estava contratado o pagamento, aludia a dificuldades relacionadas com a situação especial que vivemos, quem criticaram? A Direcção, pois claro. Porquê? Porque é incompetente, não pega num canhão e não assalta essa instituição. Estivesse um tolo na presidência e já o teria feito. Mas como não o temos, voltaram à velha cantilena da demissão dos órgãos sociais, como se tivesses em tempo de continuar a brincar às tolices. Mas continua tudo tolo?

Estes exemplos fazem ver à sociedade porque é que o nosso nobre Clube não estabiliza. Não somos um Clube de tolos... mas um Clube onde os tolos insistem em manter viva a prática da tolice. Porque o verdadeiro tolo gosta mais dela do que do próprio Clube.

P.S.: A propósito do tema deste texto, lembrei-me de uma discussão a que assisti em 1976 sobre o ataque bombista à embaixada de Cuba, em Lisboa. Dizia um militante comunista:

-Agora os russos deviam vir cá bombardear-nos.

Respondeu o seu interlocutor.

-Afinal você é português ou russo?

Para bom entendedor.

publicado às 04:05

Ser ou não ser

Leão Zargo, em 16.04.20

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Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim?

William Shakespeare, “Hamlet”

publicado às 13:30

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Já estão de regresso aos treinos os lançadores leoninos, Irina Rodrigues, Auriol Dongmo e Rúben Antunes, no Centro Nacional de Lançamentos, em Leiria. Os lançadores foram os primeiros a usufruir das condições determinadas pela mais recente legislação do Estado de Emergência, que permite aos atletas de alto rendimento e profissionais voltarem a treinar, de acordo com a informação divulgada ontem na página oficial da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA).

No Centro Nacional de Lançamentos estão a treinar dois atletas de alto rendimento, Auriol Dongmo (integrada na preparação olímpica, PREPOL), recordista nacional do lançamento do peso (18,37 metros), e Ruben Antunes (integrado no projecto Esperanças Olímpicas), internacional sub 23 especialista no lançamento do martelo, com recorde pessoal fixado em 69,85 metros, ambos treinados por Paulo Reis, e ainda Irina Rodrigues, outra atleta na PREPOL, internacional do lançamento do disco e segunda melhor portuguesa de sempre (62,91 metros, apenas superados pelos 65,40 da recordista nacional Teresa Machado), treinada por Júlio Cirino.

"Com a abertura mostrada na legislação [permissão de regresso aos treinos dos atletas de alto rendimento] e a autorização do município de Leiria, recomeçámos os treinos, precisando as especificidades das regras de treino, ainda bastante rígidas e a respeitar as recomendações das autoridades de saúde por causa da pandemia de Covid-19", disse Paulo Reis aos canais da FPA.

Foto: Irina Rodrigues

publicado às 03:03

Bola sem ar

Rui Gomes, em 02.04.20

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Neste momento a bola não está a rolar. Mas há uma Bola que insiste em cair sempre para o mesmo lado.

O país e o mundo vivem tempos únicos, desafiantes para o indivíduo e para as sociedades, e apesar das ondas de voluntarismo e solidariedade, a situação continua a complicar-se severamente de dia para dia. Seria no mínimo de esperar, neste momento e aliás sempre, que não divagassem à procura de ruído onde ele não existe. Mas não. Nem agora, e pelos vistos, nem nunca.

Com direito a chamada de primeira página nos Suspeitos do Costume (jornal A Bola, para os mais distraídos), tenta-se, por um lado, levantar uma “insatisfação (que) pode motivar a mudanças no gabinete jurídico de Alvalade”, como por outro, imputa-se a culpa ao dito gabinete pela condenação em tribunal por três milhões de euros a Siniša Mihajlović, o treinador de futebol sérvio cuja contratação e termo contratual este Conselho Directivo e Administração da Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD são completamente alheios.

Mais grave do que a capa é a notícia ao personalizar essa falsa insatisfação. Primeiro, em dois membros do referido departamento jurídico, que têm servido, com inquestionável competência, lealdade e diligência, o Clube e a SAD. Depois, ao tentar, mais uma vez, lamentavelmente, ver e apontar divergências entre membros do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal que, pura e simplesmente, não existem.

Esta Direcção continuará, como sempre, a salvaguardar os interesses do Sporting Clube de Portugal e tem agora também a importante missão de ajudar o possível a minimizar o impacto da actual pandemia no desporto nacional e na sociedade portuguesa. Esse vai ser o nosso caminho. Independentemente do ruído falso que se tenta criar.

Miguel Braga

Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal

publicado às 03:33

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Numa benemérita iniciativa conjunta com a Comunidade Vida e Paz, instituição particular de solidariedade social, a Fundação Sporting ofereceu almoço aos sem-abrigo junto ao Estádio de Alvalade, este domingo.

Numa altura marcada pelo surto de Covid-19, a iniciativa contou também com médicos, que procederam à monitorizarão dos sem-abrigo presentes.

publicado às 11:45

Recordar é viver

Rui Gomes, em 21.03.20

publicado às 17:15

Recordar é viver

Rui Gomes, em 20.03.20

publicado às 13:30

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O Sporting CP anunciou esta quarta-feira através de comunicado o plano de prevenção ao coronavírus.  São várias as medidas adoptadas: desde a realização de jogos à porta fechada até ao cancelamento de conferência de imprensa pós-jogo de Rúben Amorim bem como de entrevistas na zona mista. 

"Em face das orientações da Direção-Geral da Saúde e das recomendações das diversas entidades, incluindo Ligas e Federações organizadoras das competições desportivas nacionais e internacionais, o Sporting Clube de Portugal e a Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD informam que cumprirão todas as indicações e que vão adoptar as seguintes medidas:".

As medidas anunciadas podem ser lidas no site oficial do Clube, aqui.

"Toda a informação será revista e este comunicado será actualizado sempre que existam alterações, por parte das entidades competentes, que o exijam".

publicado às 03:34

A nau e os piratas

Naçao Valente, em 10.03.20

O Sporting CP faz lembrar uma nau a navegar num mar encapelado. Essa navegação que começou à cerca de ano meio, tem sobrevivido com uma espécie de navegação à vista. Os rombos que sofreu no quase naufrágio de 2018 têm sido difíceis de tapar. Os timoneiros tiveram como principal preocupação não deixar a nau afundar. A tripulação, com alguma serenidade, foi tapando as maiores brechas para que a água não entrasse. Tarefa difícil mas bem conseguida.

No primeiro ano houve uma aparente acalmia, no segundo depois de sucessivas mudanças de pilotos, para tentar levar a nau a porto seguro, sem o resultado pretendido, surgiu outro perigo que sempre esteve latente, mas que se encontrava na expectativa de poder actuar. E porque umas vezes por culpa dos timoneiros, outras por culpa dos pilotos, houve alguma oscilação, os piratas saíram das seus esconderijos para a tentar ocupar de novo. 

Os piratas saídos da bruma, após manobras de diversão, pensaram que tinha chegado a hora do ataque final. E aí estão, na sua plenitude, com perna de pau, olho de vidro, cara de mau e faca nos dentes, a fazer a abordagem de cara destapada. Como fantasmas saídos do nevoeiro, não respeitam, nem se dão ao respeito.

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Mas que querem estes brunistas de uma nau que navega com dificuldades? Salvá-la? Não! Querem os seus despojos, querem vingança, querem, se for  preciso, afundá-la, mesmo que não possa ser recuperada. Com piratas sem escrúpulos e sem o mínimo de ética, que mais que o timoneiro prejudicam a nau, não pode haver cedências.

Mas está o timoneiro e a sua tripulação no bom caminho? Diria pelo percurso da nau que está no caminho possível? Poderia ter feito melhor? Possivelmente. De certo que cometeu erros, de certo que não acertou nos melhores pilotos. Deseja-se e confia-se que acerte no último, para que a pirataria, não afunde de vez a nau.

Levar a nau a bom porto, não será tarefa muito fácil, Depois dos rombos, dos ataques dos tubarões e das piranhas, a tripulação tem de estar unida, o comando tem de ser reforçado, o rumo tem de ser firme, para a tirar do mar encapelado tem de a levar a bom porto. Salva a nau da pirataria, será a altura de repensar então livremente e sem pressão, quem a deve dirigir.

P.S.: À margem desta alegoria e sobre a crítica feita ao presidente Varandas, em relação à contratação de Rúben Amorim, estou convicto, que este e outros actos idênticos, são da responsabilidade da estrutura desportiva e de toda a Direcção, até pelo investimento que implica. Por isso espero que corra bem, e que obrigue os "marretas", que na comunicação social prevêem cenários catastróficos, a meter a viola no saco.

publicado às 02:34

Primeiro estranha-se, depois entranha-se

Naçao Valente, em 06.03.20

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Fernando Pessoa, que não sei se ligava ao futebol, para além da poesia, escreveu o slogan para promover um refrigerante novo em Portugal, e que é,  "Primeiro estranha-se, depois entranha-se". E, com convicção ou não, acabou por estar certo.

Quando se contrata um treinador de futebol, e um pouco conhecido, enquanto tal, não se sabe se vai entranhar-se ou não. Para já, para muitos sportinguistas, apenas se estranha. Fazendo um esforço para ser isento, focando-me apenas no acto e no seu contexto, e não em pressupostos em relação a quem o toma, prefiro assumir a expressão na sua totalidade.

A decisão de contratar Rúben Amorim, por mais especulações que avancemos, só obedece às motivações de quem a tomou. Podemos dizer que foi desespero, podemos afirmar que é de grande risco, podemos dizer que é deveras ousada, e o mais que nos vier à cabeça. Mas a verdade é que certamente foi ponderada, discutida, avaliada, por quem tem legitimidade para a tomar, até porque implica a disponibilidade de uma verba muito significativa. Neste sentido, parece-me de bom senso dar, no mínimo, o benefício da dúvida.

A vantagem ou desvantagem da bondade desta contratação, ou de outra, nunca se deve avaliar à priori. As avaliações feitas deste modo, valem o mesmo que os prognósticos dos resultados de jogos, com uma agravante, ou é por revanchismo ou por má fé. Tanto mais que a história recente do Clube está cheia de más decisões, já comprovadas. Se este acto de gestão desportiva foi bom ou mau saber-se-á a seu tempo, e só então poderemos apurar consequências.

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Pode-se dar um bom número de exemplos de decisões que correram mal - que são por de mais conhecidas - que geralmente passaram incólumes e sem o mínimo de contestação. O problema é que a memória é muito curta, e a avaliação sempre subjectiva e à conveniência.

Outra questão discutível é a ética desta aquisição, retirando o técnico ao clube para quem trabalhava, embora com base nos regulamentos, mas sem o seu acordo. O presidente desse clube pelos vistos rejeitou qualquer negociação e mostrou não querer perder o treinador neste momento... se estava a ser sincero. Nesse aspecto, tenho que referir, que não me parece muito correcto e que esta norma devia ser revista.

Mas concretizada a contratação, de acordo com as regras em vigor, Rúben Amorim, que aceitou o desafio (não foi obrigado a tal) como um passo em frente na sua carreira, é o treinador do Sporting, e precisa de ser bastante apoiado por todos os que põem o Sporting acima de direcções, e que não reagem previamente em função de simpatias, ou das suas avaliações subjectivas. O seu êxito é antes de mais o êxito do Sporting.

P.S.: Admito que a cláusula de rescisão é muito elevada, e pouco comum, mas era a única possibilidade para trazer o técnico de imediato. Fomos informados pelo presidente que será acomodado no orçamento já aprovado para o futebol. E se não há equipas sem bons jogadores, muito menos as há sem bons treinadores. Só o tempo o dirá.

publicado às 14:30

O regresso do 'brunismo' é possível?

Naçao Valente, em 01.03.20

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Procurando ser realista, nunca admiti a ideia de o Sporting poder ganhar a Liga Europa. Só uma muito invulgar conjugação de factores extremamente favoráveis, difíceis de reunir, poderia concretizar essa hipótese. E... mesmo assim, teriam de estar os "astros" todos alinhados nesse sentido.

Mas a continuidade nesta prova era bem possível por mais uma ou duas eliminatórias. Se tivesse acontecido, isso teria tido aspectos positivos e negativos. Teria acumulado mais valias financeiras e dado uma maior motivação à equipa. Ao invés, causaria um desgaste físico num plantel curto e de qualidade mediana, com reflexos na competição interna, onde é importante conseguir o terceiro lugar.

Por outro lado, permitiria à actual Direcção ganhar algum sossego, retirando argumentos à oposição, apenas assentes nos maus resultados. Esta saída extemporânea da Liga Europa, pelas razões que têm sido dissecadas, vai servir aos mentecaptos radicais do brunismo, a quem já se juntam outros adeptos descontentes, aumentarem a contestação, continuando a desestabilizar o Clube, convictos de que o regresso do brunismo é possível.

A anunciada manifestação para o dia 8 de Março, antes de um jogo de futebol, insere-se nessa estratégia. Quanto mais instabilidade semearem, mais dividendos esperam colher. Para esta gente vale tudo. Jogam no desespero e descontentamento geral dos adeptos em função dos resultados e têm em mira aliená-los para a sua causa. A reabilitação do líder deposto está em curso, já de uma forma descarada.

Ainda hoje, numa rádio onde é pregador, o presidente destituido disse com todas as letras que é candidato à presidência do Sporting. Que irá lutar pela sua reintegração como sócio. Para quem tinha dúvidas que este notório oportunista, que deixou o Sporting à beira da falência, queria voltar, como sempre tenho dito, aqui está a prova. E a razão é simples: este personagem não tem outra forma de vida.

Que fique bem claro, que o que move este movimento de contestação, não é o presidente chamar-se Varandas. Até podia ter outro nome, porque perante as mesmas circunstâncias, seria contestado da  mesma maneira. Que fique claro, que o que esta gente alienada quer é repor Bruno e o brunismo. Não lhe interessa mais nada. Que não se iludam aqueles que pensam que com a queda de Varandas se pretende que haja escolha livre. Não, pretende-se mais um golpe, como acontecu no pós-Alcochete. Os cabecilhas destes movimento não têm princípios, valores, ou qualquer moral.

O eventual regresso deste cenário, que ainda me recuso a admitir, atiraria o Sporting para uma decadência imprevisível. Não são sportinguistas, são fanáticos de tipo "religioso" a quem é completamente indiferente as consequências de uma "guerra santa" que em nada se relaciona com futebol. O fanatismo desta gente, para muitos inconsciente, para outros consciente, tem de ser travado. Os sportinguistas iludidos, que tiveram a lucidez de parar a loucura que estava a destruir o SCP, têm de cerrar fileiras. O que está em causa não é esta Direcção, nem meros resultados transitórios. O que está em causa é o Sporting.

Conclusão: as possibilidades objectivas do regresso do brunismo, são muito reduzidas, mas é urgente não continuar a dar motivações a essa minoria.

P.S.1: Esta análise concreta sobre a oposição golpista, não serve de desculpa para os erros cometidos pela Direcção, no aspecto desportivo. É preciso construir uma estrutura forte, com um projecto claro e realista. Esta novela de Silas, sai não sai, de Amorim, entra não entra, já devia ter sido parada pela Direcção, dando total apoio ao treinador até ao fim do campeonato. Mas isso é assunto para outro debate.

P.S 2. : De acordo com os estatutos um sócio excluído pode pedir a readmissão, que tem de ser concedida em AG por dois terços dos votos (Secção V, artigo 29). 

O direito de ser eleito para cargos sociais pertence exclusivamente aos sócios efectivos com pelo menos cinco anos de inscrição ininterrupta na categoria e que nos últimos cinco anos anteriores à data da eleição, pelo menos, tenham pago ininterruptamente as quotas (Secção II, artigo 20).

É considerada como ininterrupta a inscrição de todos os sócios readmitidos se, no acto de reingresso, efectuarem o pagamento total das quotas em atraso, salvo deliberação do Conselho Directivo em sentido diverso.(Secção V, artigo 29).

Desta leitura algo simplificada, pode-se depreender que a readmissão é possível, embora limitada. Depreende-se também que o facto de não ter pago quotas de forma ininterrupta, poderá ser ultrapassado.  

publicado às 05:04

O mais ecléctico dos clubes portugueses

Naçao Valente, em 18.02.20

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*Título extraído de um comentário de Leão Zargo, num post sobre Joaquim Agostinho

O Sporting Clube de Portugal foi fundado por homens que gostavam de jogar futebol, uma modalidade, importada da Inglaterra, mas com muita aceitação no início do século XX. Mas quem consultar a história do Clube encontra logo no período da sua fundação várias outras modalidades, como ténis, atletismo e ginástica. Igualmente curioso é constatar que houve, desde sempre, grande participação de mulheres atletas na vida do Clube, como por exemplo Hortense Roquette.

O Sporting CP é um clube ecléctico, o campeão do eclectismo em Portugal. É e sempre foi. Sendo o futebol como modalidade popular, menos exigente em meios, e portanto acessível a todos os que o quisessem praticar,  depressa se popularizou. Bastava uma bola, às vezes feita de trapos para se reunirem interessados, num espaço mais ou menos amplo, e para se organizar um jogo.

No entanto, outras modalidades foram gradualmente ganhando o seu lugar, captando atletas e competindo ao mais alto nível interno e externo. Não foi por acaso que o Clube ganhou desde muito cedo títulos nacionais e europeus. É uma pena que esta rica história desportiva, não seja mais divulgada, porque é pouco conhecida da gerações mais recentes. Refere-se o ciclismo, que levou ao clube até ao país mais recôndito, o atletismo  com mais de sessenta medalhas internacionais, o hóquei em patins, com oito medalhas de ouro europeias, só para dar alguns exemplos.

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Quando se aprecia a grandeza de um clube, tem que se ter em consideração o papel que desempenhou, não apenas no desenvolvimento e divulgação do futebol, mas no trabalho que foi feito noutras modalidades. Esta herança que vem do passado, mas que continua a estar presente, devia orgulhar todos os sportinguistas, e, diga-se, até os portugueses que apoiam outros clubes.

No Camarote Leonino, ao contrário de outros espaços, dá-se grande relevo a todas as modalidades. Um serviço de evidente valor que se presta ao Sporting e que merece ser devidamente reconhecido. Pena é que muitos dos seus leitores passem ao lado dessa divulgação. Pena é que os adeptos sportinguistas, e de todos os clubes, só vivam focados no futebol, com uma cegueira que não permite ir mais além. Deste modo, o chamado desporto rei, que também sigo com paixão, aliena mais do que liberta, como devia ser a função do desporto.

Os sportinguistas precisam de olhar para o Clube de uma forma mais ampla, valorizando o seu historial, passado e presente, unindo-se à sua volta com a convicção que não somos, de nenhum modo, inferiores aos nossos adversários. E  devemos mostrar que como adeptos de um clube ecléctico, apoiamos o eclectismo.

Isto é o verdadeiro Sporting e não o que hoje pulula nas redes sociais!

publicado às 03:33

Golpismo - "Alcochete" continua

Naçao Valente, em 11.02.20

"Trabalhar e vencer no manicómio que é o estádio de Alvalade é obra. Chapeau."

                                                   Alexandre Pais, a propósito do jogo Portimonense/SportinCP

                                                                                                                   Record

"Isto é uma tentativa de homicidio ao Sporting"

                 Rui Santos

Quem pensava que quase dois anos depois do assalto a Alcochete que este episódio estava arrumado, enganou-se redondamente. Alcochete continua bem vivo e presente na vida do Clube. Já é e continuará a ser um infame caso de estudo. Como é que uma minoria de associados/adeptos continua a perturbar o funcionamento normal do Sporting Clube de Portugal? Alguém já lhe chamou um clube de malucos. Pelo menos em relação a alguns a designação parece correcta. O facto é que utilizando outras formas o ataque ao Sporting vai tendo novos episódios.

O que se verificou na recém-manifestação de "antis" com violência gratuita à mistura, é apenas e tão só mais um desses episódios recorrentes. Quem são eles e o que pretendem? Numa aliança oportunista, distingo três grupos que se entrecruzam: as claques Juve Leo e Directivo XXI, os brunistas radicais com alguns descontentes ocasionais, os "abutres" sedentos de poder que na sombra manejam os seus fantoches, sem dar a cara.

Estão unidos num único objectivo em comum... derrubar a Direcção eleita há ano e meio. Mas têm objectivos próprios que os distinguem. As referidas claques com privilégios especiais há anos, que foram reforçados pela Direcção anterior, não se conformam com a sua perda. Lutam pelas regalias que possuíam em relação aos outros sócios, e que para alguns constituía um modo de vida. Lutam pelo poder de "governar" o Sporting CP,  sem mandato legal. Muito para além do apoio ao Clube são antros de vícios, onde se inclui a droga.

A droga, como substância alucinogénia para produzir uma realidade omniparalela, pode assumir outras formas, a que se chamaria de droga psicológica, e que está presente desde os alvores da humanidade na forma de religiões radicais e alienantes. É responsável por ódios e guerras trágicas. Condiciona mentes humanas fracas, criando fantasias que as façam viver numa euforia permanente.

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Um analista televisivo inseriu este comportamento recorrente dos brunistas nesse estado de felicidade artificial, criado pelos seu lider, durante o seu consolado. De facto, Bruno de Carvalho, recorrendo a um veículo viperino de populismo e demagogia, criou um ambiente eufórico, como uma religião, mantendo os seus seguidores constantemente "embriagados" numa felicidade sem correspondência com o dia a dia, e sempre dependente de um paraíso futuro. Embora como psicólogo de bancada a tese parece fazer sentido.

E sendo assim, o que acontece quando se tira a droga a quem dela depende?... Entra-se em período de carência e procura-se readquirir a droga perdida. Daí esta golpada permanente para restituir ao poder quem o faça, assuma a forma que assumir. Para isso, está provado, recorre-se a todos os meios incluindo a violência, inerente a estados de espírito alienados.

O que é que isto tem a ver com o Sporting e os seus interesses? Nada. O que é que tem a ver com resultados? Nada. O que é que tem a ver com o presidente se chamar Varandas ou outra coisa qualquer? Absolutamente nada. Apenas tem a ver com a recuperação da droga perdida, metaforicamente falando. O vício da droga sendo uma doença não se cura com paliativos.

Na sombra encontra-se, cinicamente, o grupo de oportunistas que apostam na degradação do ambiente do Clube, esperando que o poder caia na rua para o apanharem. Que é que isto tem a ver com a recuperação do Sporting? Nada. Tem haver com os seus interesses, e tudo têm feito para desestabilizar, como se provou aquando do lançamento do empréstimo obrigacionista.

É esta oblíqua convergência de interesses que gera o 'caldo de cultura' que alimenta este golpismo. O golpismo tem de ser combatido com muita coragem, mas só isso não chega. É preciso desmacará-lo, com verdade, com transparência, com provas irrefutáveis. É preciso agir com firmeza. Se não for assim é difícil ganhar esta batalha. E quem perde não é a Direcção eleita e com mandato legítimo por quatro anos. Quem perde é o Sporting CP e o futebol em geral. Como no antigo PREC está em causa a democracia. Por ela todos os sportinguistas de boa fé devem lutar.

P.S. : Nos últimos 25 anos o Sporting teve sete presidentes, cinco que não completaram o mandato, e 30 treinadores. Caso para reflexão. Será que o Sporting aguenta muito mais este percurso destrutivo?

publicado às 04:33

O poder da rua (entrevista - 2ª parte)

Naçao Valente, em 09.02.20

Nesta parte da entrevista concedida ao Record, Frederico Varandas abordou vários temas: a contestação, o ataque a Alcochete, as arbitragens, as claques, a bomba dos ilícitos fiscais e os casos judiciais, entre outros. Saliento a ideia expressa de que se o Sporting enveredar por eleições todos os anos, não conseguirá sobreviver. Compreendo a afirmação, no actual contexto, e na sua relatividade, mas não acredito que o Sporting não venha a sobreviver. É uma importante e centenária Instituição com milhões de adeptos, e enquanto assim for, continuará. Mas continuará na degradação que tem vindo a viver.

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Compreendo, assim, esta dramatização do presidente. Nem o Sporting, nem nenhum clube terá futuro numa instabilidade permanente. Nenhum clube será credível num negócio em que tem de mostrar consistência directiva, e garantir a confiança dos meios financeiros. Querer derrubar um presidente do Conselho Directivo apenas porque em determinadas e pontuais circunstâncias, a bola bate no poste ou na trave e não entra, é um disparate, uma irresponsabilidade, um crime de lesa Clube, que precisa de ser travado.

Desde há uns anos que grupos e movimentos minoritários foram ganhando poder, sendo pontualmente responsáveis por quedas de Direcções a fazer bom trabalho, ou até a queda de treinadores com potencial. Estes ditos elementos têm-se sobreposto a direcções eleitas democraticamente, procurando a governância de uma forma paralela o Clube. Um atrás de outro, presidentes eleitos vão caindo, sem terem tempo de implementar um projecto de futuro. Ou se põe um travão a esta deriva populista e demagógica, ou o Sporting irá de derrota em derrota.

Não é democrático nem sequer justo que três ou quatro centenas de sócios, como refere o presidente, possam marcar assembleias gerais com total leviandade. É absurdo que 0,5% de associados consiga paralizar o Clube por este processo. Tem de haver uma revisão dos Estatutos que ponha fim a este patente desvario. O Sporting é dos sócios e dos adeptos, não de uma minoria ruidosa, mas insignificante.

A alteração dos Estatutos que é prevista por esta Direcção há muito que já devia estar em andamento. A requisição de assembleias gerais por dá cá aquela palha, por um número reduzidíssimo de votos, pode tornar o Sporting CP ingovernável, por grupos minoritários, alguns alienados, que o que menos lhes interessa é a sua sustentabilidade. A introdução do voto electrónico que permita a todos os sócios poder votar, era para ontem. Urge mudar os Estatutos.

No meio da podridão que é de facto o futebol português, o Sporting e os sportinguistas, os que realmente o são, devem ter bastante orgulho de não ter as mãos sujas por processos judiciais de corrupção, incluindo os que estão na ordem do dia, relacionados com fugas ao fisco. Neste panorama, o Sporting CP é um Clube exemplar. Não é como disse alguém um Clube de malucos. Mas corre o risco de o ser se não travar os malucos que andam à solta a conspurcar a sua imagem.

O Sporting sobreviverá porque é muitíssimo grande, em todos os sentidos. Mas é preciso assumir que o deveras infame recém-passado apenas deve subsistir como má memória e ensinamento para o presente e para o futuro. A minoria ruidosa que confunde o Sporting como uma mera quinta de uma qualquer "religião" com o seu deus, não pode ter nas suas mãos o poder de destabilizar quando lhes apetece. Pela sobrevivência, pela recuperação do prestígio, dentro e fora dos relvados.

publicado às 03:35

O estado do Sporting

Naçao Valente, em 31.01.20

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Tenho seguido o grande debate sobre o estado do Sporting na comunicação social e nas redes sociais. Depois de tudo espremido chego a uma conclusão pessoal que admito possa ser polémica: o que vejo discutir-se são minudências. Procurando ser mais explícito o que é que se discute? Se perdemos um ou outro jogo, com os rivais directos ou não, se estamos ou não a dezanove pontos do primeiro lugar, se não ganhamos nenhum título, se temos uma equipa fraca, se nos faltam defesas ou médios, se compramos mal, se o treinador tem ou não tem competência, se a Direcção deve ou não cumprir o mandato, se a estrutura do futebol actua bem ou mal. Em conclusão pequenos assuntos apenas relacionados com o futebol profissional.

Na minha perspectiva é uma discussão irrelevante no que ao Sporting Clube de Portugal diz respeito, porque a Instituição é muito mais que uma equipa de futebol de profissional, embora este seja fundamental, porque a sua existência está ligada a um glorioso e ecléctico percurso. No ciclismo, que mobilizava o povo de Norte a Sul do país e fez crescer o número de adeptos, no hóquei em patins, que colava o mundo leonino à rádio, nos seus tempos dominantes, e no atletismo, que fornecia campeões internacionais a Portugal,  apenas para dar alguns exemplos.

O passado é história, eu sei, mas foi nela que se caldeou o grande Clube que hoje temos. E, precisamente por isso, recorro a essa história para sublinhar que a grandeza do Sporting CP não pode estar dependente de minudências. Durante mais de um século aconteceram vitórias e derrotas, títulos perdidos ou ganhos, por pequenos pormenores, com grandes ou pequenas distâncias pontuais. Há nessa história fases boas e menos boas, grandes e menos grandes equipas, assim como períodos de maior ou de menor domínio. Com o orgulho de, como já tenho escrito, terem as nossas conquistas sido feitas dentro do que consideramos a verdade desportiva.

O desporto, em geral, e o futebol, em particular, evoluíram, acompanhando a evolução da sociedade. A passagem épica do amadorismo para o profissionalismo tornou o desporto e o futebol numa gigantesca indústria que hoje move muitos milhões. A transparência foi sendo substituída pela opacidade. O Sporting CP, na sua genuinidade/ingenuidade, não se adaptou bem a essa mudança, mas não deixou de ser o grande Clube graças à sua massa adepta, que se perpetua como uma grande família. Se o Sporting dependesse somente de resultados mais ou menos pontuais do futebol, para ser uma Instituição de referência,  já não existiria. Portanto, repito,  colocar a discussão no patamar de resultados transitórios é uma perda de tempo inconsequente.

O que o Sporting CP precisa de discutir, para além da espuma dos dias, é um projecto que alavanque o presente e que garanta o futuro. Com ideias, com elevação, longe do ruído dos estádios, à margem da bola que entra ou não, e da conversa de café que deve servir apenas para o adepto "lavar a alma" como sempre aconteceu, mas não mais do que isso.

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II

Um projecto estruturado não pode estar apenas dependente dos títulos a curto prazo. Tem de apontar em primeiro lugar para a construção de uma estrutura financeira sólida. Passa por tirar de imediato o Sporting do estrangulamento financeiro em que vive há muito, sempre à beira da insolvência em primeiro lugar e da falência logo a seguir. 

Em primeiro lugar, os adeptos têm que ser devidamente informados da situação real. As despesas não podem continuar a ser superiores às receitas, nomeadamente os gastos com o futebol profissional, que arrastam a parte de leão. Isso implica constituir uma equipa de futebol condizente com os recursos, que represente o Clube com total dignidade e lute pelos melhores lugares, sem estar sujeita à pressão dos títulos, independentemente de os conquistar.

A aposta continuada e consistente na formação, muito abandonada nos últimos anos, tem de ser (já devia ser)... o alfa e o ómega do Clube, gerando activos tanto na área desportiva como na financeira.  A abordagem ao mercado precisa de ser muito mais criteriosa, com a constituição de uma equipa de pesquisa competente, que avalie possíveis activos, seguidos e observados durante um tempo conveniente. Este tem de ser um trabalho de fundo, que produza mais "nozes que vozes".

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III

Este pode ser o bom caminho se os adeptos quiserem e acreditarem que é possível. Mas há outros. Eu não sou, em teoria, favorável à venda da maioria da SAD. Mas vivo na realidade e não costumo meter a cabeça na areia. Assim sendo, e se outra solução não resultar, não vejo qual seja a alternativa, e não apenas para o Sporting. Apesar de ser uma questão que não está em cima da mesa, não será inoportuno começar a fazer sobre ela uma reflexão sem tabus.

A ideia recorrente que o Sporting CP, ou qualquer outro clube, é dos sócios, parece-me uma ilusão. O Sporting é e será de quem tiver capacidade para gerar o capital que permite o funcionamento do Clube. A contribuição financeira dos associados é uma gota de água no cômputo geral das despesas. Os seus direitos, expressos nos Estatutos, consistem em eleger ou demitir os Órgãos Sociais, aprovar orçamentos, e regalias no acesso a recintos desportivos, como contrapartida de pagamento das quotizações. E não é coisa pouca.

Daí a considerarem-se donos do Clube vai uma enormíssima distância. Comparativamente e para explicitar com absoluta clareza o que pretendo dizer, todos nós temos por hábito afirmar, enquanto portugueses, que o País é nosso. É verdade que escolhemos os nossos representantes, produzimos riqueza, pagamos impostos, no fundo financiamos o Estado para cumprir as suas funções. Mas é deste modo que funcionam os clubes desportivos?... De maneira nenhuma. A realidade é que a contribuição financeira dos adeptos não garante a sua sustentabilidade. Esta vem da publicidade, da venda de activos, da participação em provas, e desinvestimentos feitos por accionistas. Se os sócios querem que o Clube tenha "ad eternum" a maioria da SAD, têm de garantir, "de persi" a respectiva sustentabilidade, mas nem sequer vejo sócios endinheirados a avançar com o seu dinheiro.

Se se conseguir encontrar o equilíbrio financeiro, o Sporting continuará a ter a maioria da SAD, e será um grande clube nacional, mas tendo em conta a dimensão do país e do nosso mercado, será sempre uma equipa de futebol mediana no contexto europeu. Assim como qualquer outro clube português. Não vejo que nenhum passe desta mediania, sem que primeiro se disponha a vender a maioria do capital a um investidor que aumente bastante o acometimento. É uma questão de opção, e de realismo.

P.S.: Enquanto há quem trabalhe para tornar o Clube mais sustentável, há outros, que sem qualquer responsabilidade e sem qualquer solução viável, teimam em desestabilizar, brincando às demissões, sem razões plausíveis. Lamentável.

publicado às 04:33

O que é o Sporting?

Naçao Valente, em 11.12.19

O Sporting Clube de Portugal é um clube desportivo, não é uma religião. O seu estádio é lugar para competir, não é uma igreja, muito menos uma catedral. Os seus simpatizantes são adeptos, não são fiéis religiosos.

Este é o Sporting que conheço, sempre conheci, e que corresponde à intenção dos seus fundadores. Mas há meia dúzia de anos, houve uma tentativa travada de transformar o Clube numa seita religiosa com o seu "deus", os seus santos, os seus altares, as suas rezas, os seus dogmas, os seus fiéis e os respectivos infiéis.

Todos se lembram da adoração ao suposto "deus" nas suas voltas dentro do "templo" para receber a adoração dos sempre fiéis. Todos se lembram das suas homilías, da excomunhão dos contestatários, da pregação da guerra. Todos, os que têm memória, se lembram da utilização dos ecrans do estádio para se glorificar, sobrepondo a vida privada ao próprio Clube. 

A transformação do Sporting numa religião falhou. O falso "deus" voltou à sua condição de mero humano, da qual nunca devia ter saído. Mas os seus seguidores continuam a adorá-lo, não obstante a clara evidência da sua condição humana. Estão presentes na contestação permanente à actual Direcção. Manifestam-se na rua, no estádio, nas redes sociais,com a mesma fé na "divindade" do seu ídolo.

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E mesmo que não tenha feito o milagre de ganhar um grande título, acham que fez tudo bem, porque os deuses são perfeitos e incontestáveis. Ouço-os e pasmo... Dizem: 'não ganhávamos, mas jogávamos bom futebol. O estádio estava sempre cheio. Os adeptos estavam felizes. Os infiéis derrotados. Títulos para quê? Isso é coisa de vida terrena. A nossa glória está no além'.

Há quem diga que o futebol aliena... Alienará. Mas a religião assumida de uma forma fundamentalista, aliena completamente. Os seguidores incondicionais de falsos deuses, perdem a capacidade cognitiva para distinguir o real do imaginário. E vão continuar presos na sua alienação.

É o que faz um grupo de associados que recolhe assinaturas para demitir a Direcção, sem se conhecer, pela parte desta, qualquer infracção aos Estatutos. O objectivo é claro: repor a situação vigente durante o período de desvio da essência do Clube. Se assim não fosse esperavam pelo próximo acto eleitoral para se apresentar a sufrágio.

Estas e várias outras iniciativas podem não passar de fogo fátuo. No entanto, causam perturbação e desgaste. Minam a unidade. Complicam a recuperação. Não pretendem que o Sporting seja vivido como um clube desportivo, e tudo farão para que volte a ser uma religião.

Cabe aos sócios não alienados, ou que se libertaram da alienação, não dar espaço a mais desvios. O Sporting tem de ser o que sempre foi, um clube desportivo, com altos e baixos, mas com potencialidades para continuar a ser uma referência no desporto português e internacional.

publicado às 03:49

SLB Vida Selvagem

Rui Gomes, em 06.12.19

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"Não é possível continuar a assobiar para o lado.

Não é possível fingir mais.

Não é possível ignorar mais.

Sucedem-se os casos.

Uns atrás dos outros.

Vouchers?... Apoios ilegais a claques?... Porta 18?... Toupeiras?... E-mails?... Favores e mais favores?... Promessa de cargos?

Não confundimos instituições com quem pontualmente as dirige... respeitamos todas as instituições, mas as instituições também têm de se dar ao respeito... e têm de resolver internamente o que há a resolver.

É inevitável e já não há volta a dar a isto.

Estamos em 2019, somos um país da União Europeia. Portugal é campeão europeu de selecções e tem hoje dos melhores jogadores e treinadores do Mundo.

Já não é tempo de coisas e condutas do tempo passado".

Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal

publicado às 14:11

Foto do dia

Rui Gomes, em 08.11.19

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Leões celebram na Noruega

publicado às 04:02

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