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Bola sem ar

Rui Gomes, em 02.04.20

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Neste momento a bola não está a rolar. Mas há uma Bola que insiste em cair sempre para o mesmo lado.

O país e o mundo vivem tempos únicos, desafiantes para o indivíduo e para as sociedades, e apesar das ondas de voluntarismo e solidariedade, a situação continua a complicar-se severamente de dia para dia. Seria no mínimo de esperar, neste momento e aliás sempre, que não divagassem à procura de ruído onde ele não existe. Mas não. Nem agora, e pelos vistos, nem nunca.

Com direito a chamada de primeira página nos Suspeitos do Costume (jornal A Bola, para os mais distraídos), tenta-se, por um lado, levantar uma “insatisfação (que) pode motivar a mudanças no gabinete jurídico de Alvalade”, como por outro, imputa-se a culpa ao dito gabinete pela condenação em tribunal por três milhões de euros a Siniša Mihajlović, o treinador de futebol sérvio cuja contratação e termo contratual este Conselho Directivo e Administração da Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD são completamente alheios.

Mais grave do que a capa é a notícia ao personalizar essa falsa insatisfação. Primeiro, em dois membros do referido departamento jurídico, que têm servido, com inquestionável competência, lealdade e diligência, o Clube e a SAD. Depois, ao tentar, mais uma vez, lamentavelmente, ver e apontar divergências entre membros do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal que, pura e simplesmente, não existem.

Esta Direcção continuará, como sempre, a salvaguardar os interesses do Sporting Clube de Portugal e tem agora também a importante missão de ajudar o possível a minimizar o impacto da actual pandemia no desporto nacional e na sociedade portuguesa. Esse vai ser o nosso caminho. Independentemente do ruído falso que se tenta criar.

Miguel Braga

Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal

publicado às 03:33

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Numa benemérita iniciativa conjunta com a Comunidade Vida e Paz, instituição particular de solidariedade social, a Fundação Sporting ofereceu almoço aos sem-abrigo junto ao Estádio de Alvalade, este domingo.

Numa altura marcada pelo surto de Covid-19, a iniciativa contou também com médicos, que procederam à monitorizarão dos sem-abrigo presentes.

publicado às 11:45

Recordar é viver

Rui Gomes, em 21.03.20

publicado às 17:15

Recordar é viver

Rui Gomes, em 20.03.20

publicado às 13:30

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O Sporting CP anunciou esta quarta-feira através de comunicado o plano de prevenção ao coronavírus.  São várias as medidas adoptadas: desde a realização de jogos à porta fechada até ao cancelamento de conferência de imprensa pós-jogo de Rúben Amorim bem como de entrevistas na zona mista. 

"Em face das orientações da Direção-Geral da Saúde e das recomendações das diversas entidades, incluindo Ligas e Federações organizadoras das competições desportivas nacionais e internacionais, o Sporting Clube de Portugal e a Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD informam que cumprirão todas as indicações e que vão adoptar as seguintes medidas:".

As medidas anunciadas podem ser lidas no site oficial do Clube, aqui.

"Toda a informação será revista e este comunicado será actualizado sempre que existam alterações, por parte das entidades competentes, que o exijam".

publicado às 03:34

A nau e os piratas

Naçao Valente, em 10.03.20

O Sporting CP faz lembrar uma nau a navegar num mar encapelado. Essa navegação que começou à cerca de ano meio, tem sobrevivido com uma espécie de navegação à vista. Os rombos que sofreu no quase naufrágio de 2018 têm sido difíceis de tapar. Os timoneiros tiveram como principal preocupação não deixar a nau afundar. A tripulação, com alguma serenidade, foi tapando as maiores brechas para que a água não entrasse. Tarefa difícil mas bem conseguida.

No primeiro ano houve uma aparente acalmia, no segundo depois de sucessivas mudanças de pilotos, para tentar levar a nau a porto seguro, sem o resultado pretendido, surgiu outro perigo que sempre esteve latente, mas que se encontrava na expectativa de poder actuar. E porque umas vezes por culpa dos timoneiros, outras por culpa dos pilotos, houve alguma oscilação, os piratas saíram das seus esconderijos para a tentar ocupar de novo. 

Os piratas saídos da bruma, após manobras de diversão, pensaram que tinha chegado a hora do ataque final. E aí estão, na sua plenitude, com perna de pau, olho de vidro, cara de mau e faca nos dentes, a fazer a abordagem de cara destapada. Como fantasmas saídos do nevoeiro, não respeitam, nem se dão ao respeito.

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Mas que querem estes brunistas de uma nau que navega com dificuldades? Salvá-la? Não! Querem os seus despojos, querem vingança, querem, se for  preciso, afundá-la, mesmo que não possa ser recuperada. Com piratas sem escrúpulos e sem o mínimo de ética, que mais que o timoneiro prejudicam a nau, não pode haver cedências.

Mas está o timoneiro e a sua tripulação no bom caminho? Diria pelo percurso da nau que está no caminho possível? Poderia ter feito melhor? Possivelmente. De certo que cometeu erros, de certo que não acertou nos melhores pilotos. Deseja-se e confia-se que acerte no último, para que a pirataria, não afunde de vez a nau.

Levar a nau a bom porto, não será tarefa muito fácil, Depois dos rombos, dos ataques dos tubarões e das piranhas, a tripulação tem de estar unida, o comando tem de ser reforçado, o rumo tem de ser firme, para a tirar do mar encapelado tem de a levar a bom porto. Salva a nau da pirataria, será a altura de repensar então livremente e sem pressão, quem a deve dirigir.

P.S.: À margem desta alegoria e sobre a crítica feita ao presidente Varandas, em relação à contratação de Rúben Amorim, estou convicto, que este e outros actos idênticos, são da responsabilidade da estrutura desportiva e de toda a Direcção, até pelo investimento que implica. Por isso espero que corra bem, e que obrigue os "marretas", que na comunicação social prevêem cenários catastróficos, a meter a viola no saco.

publicado às 02:34

Primeiro estranha-se, depois entranha-se

Naçao Valente, em 06.03.20

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Fernando Pessoa, que não sei se ligava ao futebol, para além da poesia, escreveu o slogan para promover um refrigerante novo em Portugal, e que é,  "Primeiro estranha-se, depois entranha-se". E, com convicção ou não, acabou por estar certo.

Quando se contrata um treinador de futebol, e um pouco conhecido, enquanto tal, não se sabe se vai entranhar-se ou não. Para já, para muitos sportinguistas, apenas se estranha. Fazendo um esforço para ser isento, focando-me apenas no acto e no seu contexto, e não em pressupostos em relação a quem o toma, prefiro assumir a expressão na sua totalidade.

A decisão de contratar Rúben Amorim, por mais especulações que avancemos, só obedece às motivações de quem a tomou. Podemos dizer que foi desespero, podemos afirmar que é de grande risco, podemos dizer que é deveras ousada, e o mais que nos vier à cabeça. Mas a verdade é que certamente foi ponderada, discutida, avaliada, por quem tem legitimidade para a tomar, até porque implica a disponibilidade de uma verba muito significativa. Neste sentido, parece-me de bom senso dar, no mínimo, o benefício da dúvida.

A vantagem ou desvantagem da bondade desta contratação, ou de outra, nunca se deve avaliar à priori. As avaliações feitas deste modo, valem o mesmo que os prognósticos dos resultados de jogos, com uma agravante, ou é por revanchismo ou por má fé. Tanto mais que a história recente do Clube está cheia de más decisões, já comprovadas. Se este acto de gestão desportiva foi bom ou mau saber-se-á a seu tempo, e só então poderemos apurar consequências.

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Pode-se dar um bom número de exemplos de decisões que correram mal - que são por de mais conhecidas - que geralmente passaram incólumes e sem o mínimo de contestação. O problema é que a memória é muito curta, e a avaliação sempre subjectiva e à conveniência.

Outra questão discutível é a ética desta aquisição, retirando o técnico ao clube para quem trabalhava, embora com base nos regulamentos, mas sem o seu acordo. O presidente desse clube pelos vistos rejeitou qualquer negociação e mostrou não querer perder o treinador neste momento... se estava a ser sincero. Nesse aspecto, tenho que referir, que não me parece muito correcto e que esta norma devia ser revista.

Mas concretizada a contratação, de acordo com as regras em vigor, Rúben Amorim, que aceitou o desafio (não foi obrigado a tal) como um passo em frente na sua carreira, é o treinador do Sporting, e precisa de ser bastante apoiado por todos os que põem o Sporting acima de direcções, e que não reagem previamente em função de simpatias, ou das suas avaliações subjectivas. O seu êxito é antes de mais o êxito do Sporting.

P.S.: Admito que a cláusula de rescisão é muito elevada, e pouco comum, mas era a única possibilidade para trazer o técnico de imediato. Fomos informados pelo presidente que será acomodado no orçamento já aprovado para o futebol. E se não há equipas sem bons jogadores, muito menos as há sem bons treinadores. Só o tempo o dirá.

publicado às 14:30

O regresso do 'brunismo' é possível?

Naçao Valente, em 01.03.20

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Procurando ser realista, nunca admiti a ideia de o Sporting poder ganhar a Liga Europa. Só uma muito invulgar conjugação de factores extremamente favoráveis, difíceis de reunir, poderia concretizar essa hipótese. E... mesmo assim, teriam de estar os "astros" todos alinhados nesse sentido.

Mas a continuidade nesta prova era bem possível por mais uma ou duas eliminatórias. Se tivesse acontecido, isso teria tido aspectos positivos e negativos. Teria acumulado mais valias financeiras e dado uma maior motivação à equipa. Ao invés, causaria um desgaste físico num plantel curto e de qualidade mediana, com reflexos na competição interna, onde é importante conseguir o terceiro lugar.

Por outro lado, permitiria à actual Direcção ganhar algum sossego, retirando argumentos à oposição, apenas assentes nos maus resultados. Esta saída extemporânea da Liga Europa, pelas razões que têm sido dissecadas, vai servir aos mentecaptos radicais do brunismo, a quem já se juntam outros adeptos descontentes, aumentarem a contestação, continuando a desestabilizar o Clube, convictos de que o regresso do brunismo é possível.

A anunciada manifestação para o dia 8 de Março, antes de um jogo de futebol, insere-se nessa estratégia. Quanto mais instabilidade semearem, mais dividendos esperam colher. Para esta gente vale tudo. Jogam no desespero e descontentamento geral dos adeptos em função dos resultados e têm em mira aliená-los para a sua causa. A reabilitação do líder deposto está em curso, já de uma forma descarada.

Ainda hoje, numa rádio onde é pregador, o presidente destituido disse com todas as letras que é candidato à presidência do Sporting. Que irá lutar pela sua reintegração como sócio. Para quem tinha dúvidas que este notório oportunista, que deixou o Sporting à beira da falência, queria voltar, como sempre tenho dito, aqui está a prova. E a razão é simples: este personagem não tem outra forma de vida.

Que fique bem claro, que o que move este movimento de contestação, não é o presidente chamar-se Varandas. Até podia ter outro nome, porque perante as mesmas circunstâncias, seria contestado da  mesma maneira. Que fique claro, que o que esta gente alienada quer é repor Bruno e o brunismo. Não lhe interessa mais nada. Que não se iludam aqueles que pensam que com a queda de Varandas se pretende que haja escolha livre. Não, pretende-se mais um golpe, como acontecu no pós-Alcochete. Os cabecilhas destes movimento não têm princípios, valores, ou qualquer moral.

O eventual regresso deste cenário, que ainda me recuso a admitir, atiraria o Sporting para uma decadência imprevisível. Não são sportinguistas, são fanáticos de tipo "religioso" a quem é completamente indiferente as consequências de uma "guerra santa" que em nada se relaciona com futebol. O fanatismo desta gente, para muitos inconsciente, para outros consciente, tem de ser travado. Os sportinguistas iludidos, que tiveram a lucidez de parar a loucura que estava a destruir o SCP, têm de cerrar fileiras. O que está em causa não é esta Direcção, nem meros resultados transitórios. O que está em causa é o Sporting.

Conclusão: as possibilidades objectivas do regresso do brunismo, são muito reduzidas, mas é urgente não continuar a dar motivações a essa minoria.

P.S.1: Esta análise concreta sobre a oposição golpista, não serve de desculpa para os erros cometidos pela Direcção, no aspecto desportivo. É preciso construir uma estrutura forte, com um projecto claro e realista. Esta novela de Silas, sai não sai, de Amorim, entra não entra, já devia ter sido parada pela Direcção, dando total apoio ao treinador até ao fim do campeonato. Mas isso é assunto para outro debate.

P.S 2. : De acordo com os estatutos um sócio excluído pode pedir a readmissão, que tem de ser concedida em AG por dois terços dos votos (Secção V, artigo 29). 

O direito de ser eleito para cargos sociais pertence exclusivamente aos sócios efectivos com pelo menos cinco anos de inscrição ininterrupta na categoria e que nos últimos cinco anos anteriores à data da eleição, pelo menos, tenham pago ininterruptamente as quotas (Secção II, artigo 20).

É considerada como ininterrupta a inscrição de todos os sócios readmitidos se, no acto de reingresso, efectuarem o pagamento total das quotas em atraso, salvo deliberação do Conselho Directivo em sentido diverso.(Secção V, artigo 29).

Desta leitura algo simplificada, pode-se depreender que a readmissão é possível, embora limitada. Depreende-se também que o facto de não ter pago quotas de forma ininterrupta, poderá ser ultrapassado.  

publicado às 05:04

O mais ecléctico dos clubes portugueses

Naçao Valente, em 18.02.20

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*Título extraído de um comentário de Leão Zargo, num post sobre Joaquim Agostinho

O Sporting Clube de Portugal foi fundado por homens que gostavam de jogar futebol, uma modalidade, importada da Inglaterra, mas com muita aceitação no início do século XX. Mas quem consultar a história do Clube encontra logo no período da sua fundação várias outras modalidades, como ténis, atletismo e ginástica. Igualmente curioso é constatar que houve, desde sempre, grande participação de mulheres atletas na vida do Clube, como por exemplo Hortense Roquette.

O Sporting CP é um clube ecléctico, o campeão do eclectismo em Portugal. É e sempre foi. Sendo o futebol como modalidade popular, menos exigente em meios, e portanto acessível a todos os que o quisessem praticar,  depressa se popularizou. Bastava uma bola, às vezes feita de trapos para se reunirem interessados, num espaço mais ou menos amplo, e para se organizar um jogo.

No entanto, outras modalidades foram gradualmente ganhando o seu lugar, captando atletas e competindo ao mais alto nível interno e externo. Não foi por acaso que o Clube ganhou desde muito cedo títulos nacionais e europeus. É uma pena que esta rica história desportiva, não seja mais divulgada, porque é pouco conhecida da gerações mais recentes. Refere-se o ciclismo, que levou ao clube até ao país mais recôndito, o atletismo  com mais de sessenta medalhas internacionais, o hóquei em patins, com oito medalhas de ouro europeias, só para dar alguns exemplos.

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Quando se aprecia a grandeza de um clube, tem que se ter em consideração o papel que desempenhou, não apenas no desenvolvimento e divulgação do futebol, mas no trabalho que foi feito noutras modalidades. Esta herança que vem do passado, mas que continua a estar presente, devia orgulhar todos os sportinguistas, e, diga-se, até os portugueses que apoiam outros clubes.

No Camarote Leonino, ao contrário de outros espaços, dá-se grande relevo a todas as modalidades. Um serviço de evidente valor que se presta ao Sporting e que merece ser devidamente reconhecido. Pena é que muitos dos seus leitores passem ao lado dessa divulgação. Pena é que os adeptos sportinguistas, e de todos os clubes, só vivam focados no futebol, com uma cegueira que não permite ir mais além. Deste modo, o chamado desporto rei, que também sigo com paixão, aliena mais do que liberta, como devia ser a função do desporto.

Os sportinguistas precisam de olhar para o Clube de uma forma mais ampla, valorizando o seu historial, passado e presente, unindo-se à sua volta com a convicção que não somos, de nenhum modo, inferiores aos nossos adversários. E  devemos mostrar que como adeptos de um clube ecléctico, apoiamos o eclectismo.

Isto é o verdadeiro Sporting e não o que hoje pulula nas redes sociais!

publicado às 03:33

Golpismo - "Alcochete" continua

Naçao Valente, em 11.02.20

"Trabalhar e vencer no manicómio que é o estádio de Alvalade é obra. Chapeau."

                                                   Alexandre Pais, a propósito do jogo Portimonense/SportinCP

                                                                                                                   Record

"Isto é uma tentativa de homicidio ao Sporting"

                 Rui Santos

Quem pensava que quase dois anos depois do assalto a Alcochete que este episódio estava arrumado, enganou-se redondamente. Alcochete continua bem vivo e presente na vida do Clube. Já é e continuará a ser um infame caso de estudo. Como é que uma minoria de associados/adeptos continua a perturbar o funcionamento normal do Sporting Clube de Portugal? Alguém já lhe chamou um clube de malucos. Pelo menos em relação a alguns a designação parece correcta. O facto é que utilizando outras formas o ataque ao Sporting vai tendo novos episódios.

O que se verificou na recém-manifestação de "antis" com violência gratuita à mistura, é apenas e tão só mais um desses episódios recorrentes. Quem são eles e o que pretendem? Numa aliança oportunista, distingo três grupos que se entrecruzam: as claques Juve Leo e Directivo XXI, os brunistas radicais com alguns descontentes ocasionais, os "abutres" sedentos de poder que na sombra manejam os seus fantoches, sem dar a cara.

Estão unidos num único objectivo em comum... derrubar a Direcção eleita há ano e meio. Mas têm objectivos próprios que os distinguem. As referidas claques com privilégios especiais há anos, que foram reforçados pela Direcção anterior, não se conformam com a sua perda. Lutam pelas regalias que possuíam em relação aos outros sócios, e que para alguns constituía um modo de vida. Lutam pelo poder de "governar" o Sporting CP,  sem mandato legal. Muito para além do apoio ao Clube são antros de vícios, onde se inclui a droga.

A droga, como substância alucinogénia para produzir uma realidade omniparalela, pode assumir outras formas, a que se chamaria de droga psicológica, e que está presente desde os alvores da humanidade na forma de religiões radicais e alienantes. É responsável por ódios e guerras trágicas. Condiciona mentes humanas fracas, criando fantasias que as façam viver numa euforia permanente.

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Um analista televisivo inseriu este comportamento recorrente dos brunistas nesse estado de felicidade artificial, criado pelos seu lider, durante o seu consolado. De facto, Bruno de Carvalho, recorrendo a um veículo viperino de populismo e demagogia, criou um ambiente eufórico, como uma religião, mantendo os seus seguidores constantemente "embriagados" numa felicidade sem correspondência com o dia a dia, e sempre dependente de um paraíso futuro. Embora como psicólogo de bancada a tese parece fazer sentido.

E sendo assim, o que acontece quando se tira a droga a quem dela depende?... Entra-se em período de carência e procura-se readquirir a droga perdida. Daí esta golpada permanente para restituir ao poder quem o faça, assuma a forma que assumir. Para isso, está provado, recorre-se a todos os meios incluindo a violência, inerente a estados de espírito alienados.

O que é que isto tem a ver com o Sporting e os seus interesses? Nada. O que é que tem a ver com resultados? Nada. O que é que tem a ver com o presidente se chamar Varandas ou outra coisa qualquer? Absolutamente nada. Apenas tem a ver com a recuperação da droga perdida, metaforicamente falando. O vício da droga sendo uma doença não se cura com paliativos.

Na sombra encontra-se, cinicamente, o grupo de oportunistas que apostam na degradação do ambiente do Clube, esperando que o poder caia na rua para o apanharem. Que é que isto tem a ver com a recuperação do Sporting? Nada. Tem haver com os seus interesses, e tudo têm feito para desestabilizar, como se provou aquando do lançamento do empréstimo obrigacionista.

É esta oblíqua convergência de interesses que gera o 'caldo de cultura' que alimenta este golpismo. O golpismo tem de ser combatido com muita coragem, mas só isso não chega. É preciso desmacará-lo, com verdade, com transparência, com provas irrefutáveis. É preciso agir com firmeza. Se não for assim é difícil ganhar esta batalha. E quem perde não é a Direcção eleita e com mandato legítimo por quatro anos. Quem perde é o Sporting CP e o futebol em geral. Como no antigo PREC está em causa a democracia. Por ela todos os sportinguistas de boa fé devem lutar.

P.S. : Nos últimos 25 anos o Sporting teve sete presidentes, cinco que não completaram o mandato, e 30 treinadores. Caso para reflexão. Será que o Sporting aguenta muito mais este percurso destrutivo?

publicado às 04:33

O poder da rua (entrevista - 2ª parte)

Naçao Valente, em 09.02.20

Nesta parte da entrevista concedida ao Record, Frederico Varandas abordou vários temas: a contestação, o ataque a Alcochete, as arbitragens, as claques, a bomba dos ilícitos fiscais e os casos judiciais, entre outros. Saliento a ideia expressa de que se o Sporting enveredar por eleições todos os anos, não conseguirá sobreviver. Compreendo a afirmação, no actual contexto, e na sua relatividade, mas não acredito que o Sporting não venha a sobreviver. É uma importante e centenária Instituição com milhões de adeptos, e enquanto assim for, continuará. Mas continuará na degradação que tem vindo a viver.

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Compreendo, assim, esta dramatização do presidente. Nem o Sporting, nem nenhum clube terá futuro numa instabilidade permanente. Nenhum clube será credível num negócio em que tem de mostrar consistência directiva, e garantir a confiança dos meios financeiros. Querer derrubar um presidente do Conselho Directivo apenas porque em determinadas e pontuais circunstâncias, a bola bate no poste ou na trave e não entra, é um disparate, uma irresponsabilidade, um crime de lesa Clube, que precisa de ser travado.

Desde há uns anos que grupos e movimentos minoritários foram ganhando poder, sendo pontualmente responsáveis por quedas de Direcções a fazer bom trabalho, ou até a queda de treinadores com potencial. Estes ditos elementos têm-se sobreposto a direcções eleitas democraticamente, procurando a governância de uma forma paralela o Clube. Um atrás de outro, presidentes eleitos vão caindo, sem terem tempo de implementar um projecto de futuro. Ou se põe um travão a esta deriva populista e demagógica, ou o Sporting irá de derrota em derrota.

Não é democrático nem sequer justo que três ou quatro centenas de sócios, como refere o presidente, possam marcar assembleias gerais com total leviandade. É absurdo que 0,5% de associados consiga paralizar o Clube por este processo. Tem de haver uma revisão dos Estatutos que ponha fim a este patente desvario. O Sporting é dos sócios e dos adeptos, não de uma minoria ruidosa, mas insignificante.

A alteração dos Estatutos que é prevista por esta Direcção há muito que já devia estar em andamento. A requisição de assembleias gerais por dá cá aquela palha, por um número reduzidíssimo de votos, pode tornar o Sporting CP ingovernável, por grupos minoritários, alguns alienados, que o que menos lhes interessa é a sua sustentabilidade. A introdução do voto electrónico que permita a todos os sócios poder votar, era para ontem. Urge mudar os Estatutos.

No meio da podridão que é de facto o futebol português, o Sporting e os sportinguistas, os que realmente o são, devem ter bastante orgulho de não ter as mãos sujas por processos judiciais de corrupção, incluindo os que estão na ordem do dia, relacionados com fugas ao fisco. Neste panorama, o Sporting CP é um Clube exemplar. Não é como disse alguém um Clube de malucos. Mas corre o risco de o ser se não travar os malucos que andam à solta a conspurcar a sua imagem.

O Sporting sobreviverá porque é muitíssimo grande, em todos os sentidos. Mas é preciso assumir que o deveras infame recém-passado apenas deve subsistir como má memória e ensinamento para o presente e para o futuro. A minoria ruidosa que confunde o Sporting como uma mera quinta de uma qualquer "religião" com o seu deus, não pode ter nas suas mãos o poder de destabilizar quando lhes apetece. Pela sobrevivência, pela recuperação do prestígio, dentro e fora dos relvados.

publicado às 03:35

O estado do Sporting

Naçao Valente, em 31.01.20

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Tenho seguido o grande debate sobre o estado do Sporting na comunicação social e nas redes sociais. Depois de tudo espremido chego a uma conclusão pessoal que admito possa ser polémica: o que vejo discutir-se são minudências. Procurando ser mais explícito o que é que se discute? Se perdemos um ou outro jogo, com os rivais directos ou não, se estamos ou não a dezanove pontos do primeiro lugar, se não ganhamos nenhum título, se temos uma equipa fraca, se nos faltam defesas ou médios, se compramos mal, se o treinador tem ou não tem competência, se a Direcção deve ou não cumprir o mandato, se a estrutura do futebol actua bem ou mal. Em conclusão pequenos assuntos apenas relacionados com o futebol profissional.

Na minha perspectiva é uma discussão irrelevante no que ao Sporting Clube de Portugal diz respeito, porque a Instituição é muito mais que uma equipa de futebol de profissional, embora este seja fundamental, porque a sua existência está ligada a um glorioso e ecléctico percurso. No ciclismo, que mobilizava o povo de Norte a Sul do país e fez crescer o número de adeptos, no hóquei em patins, que colava o mundo leonino à rádio, nos seus tempos dominantes, e no atletismo, que fornecia campeões internacionais a Portugal,  apenas para dar alguns exemplos.

O passado é história, eu sei, mas foi nela que se caldeou o grande Clube que hoje temos. E, precisamente por isso, recorro a essa história para sublinhar que a grandeza do Sporting CP não pode estar dependente de minudências. Durante mais de um século aconteceram vitórias e derrotas, títulos perdidos ou ganhos, por pequenos pormenores, com grandes ou pequenas distâncias pontuais. Há nessa história fases boas e menos boas, grandes e menos grandes equipas, assim como períodos de maior ou de menor domínio. Com o orgulho de, como já tenho escrito, terem as nossas conquistas sido feitas dentro do que consideramos a verdade desportiva.

O desporto, em geral, e o futebol, em particular, evoluíram, acompanhando a evolução da sociedade. A passagem épica do amadorismo para o profissionalismo tornou o desporto e o futebol numa gigantesca indústria que hoje move muitos milhões. A transparência foi sendo substituída pela opacidade. O Sporting CP, na sua genuinidade/ingenuidade, não se adaptou bem a essa mudança, mas não deixou de ser o grande Clube graças à sua massa adepta, que se perpetua como uma grande família. Se o Sporting dependesse somente de resultados mais ou menos pontuais do futebol, para ser uma Instituição de referência,  já não existiria. Portanto, repito,  colocar a discussão no patamar de resultados transitórios é uma perda de tempo inconsequente.

O que o Sporting CP precisa de discutir, para além da espuma dos dias, é um projecto que alavanque o presente e que garanta o futuro. Com ideias, com elevação, longe do ruído dos estádios, à margem da bola que entra ou não, e da conversa de café que deve servir apenas para o adepto "lavar a alma" como sempre aconteceu, mas não mais do que isso.

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II

Um projecto estruturado não pode estar apenas dependente dos títulos a curto prazo. Tem de apontar em primeiro lugar para a construção de uma estrutura financeira sólida. Passa por tirar de imediato o Sporting do estrangulamento financeiro em que vive há muito, sempre à beira da insolvência em primeiro lugar e da falência logo a seguir. 

Em primeiro lugar, os adeptos têm que ser devidamente informados da situação real. As despesas não podem continuar a ser superiores às receitas, nomeadamente os gastos com o futebol profissional, que arrastam a parte de leão. Isso implica constituir uma equipa de futebol condizente com os recursos, que represente o Clube com total dignidade e lute pelos melhores lugares, sem estar sujeita à pressão dos títulos, independentemente de os conquistar.

A aposta continuada e consistente na formação, muito abandonada nos últimos anos, tem de ser (já devia ser)... o alfa e o ómega do Clube, gerando activos tanto na área desportiva como na financeira.  A abordagem ao mercado precisa de ser muito mais criteriosa, com a constituição de uma equipa de pesquisa competente, que avalie possíveis activos, seguidos e observados durante um tempo conveniente. Este tem de ser um trabalho de fundo, que produza mais "nozes que vozes".

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III

Este pode ser o bom caminho se os adeptos quiserem e acreditarem que é possível. Mas há outros. Eu não sou, em teoria, favorável à venda da maioria da SAD. Mas vivo na realidade e não costumo meter a cabeça na areia. Assim sendo, e se outra solução não resultar, não vejo qual seja a alternativa, e não apenas para o Sporting. Apesar de ser uma questão que não está em cima da mesa, não será inoportuno começar a fazer sobre ela uma reflexão sem tabus.

A ideia recorrente que o Sporting CP, ou qualquer outro clube, é dos sócios, parece-me uma ilusão. O Sporting é e será de quem tiver capacidade para gerar o capital que permite o funcionamento do Clube. A contribuição financeira dos associados é uma gota de água no cômputo geral das despesas. Os seus direitos, expressos nos Estatutos, consistem em eleger ou demitir os Órgãos Sociais, aprovar orçamentos, e regalias no acesso a recintos desportivos, como contrapartida de pagamento das quotizações. E não é coisa pouca.

Daí a considerarem-se donos do Clube vai uma enormíssima distância. Comparativamente e para explicitar com absoluta clareza o que pretendo dizer, todos nós temos por hábito afirmar, enquanto portugueses, que o País é nosso. É verdade que escolhemos os nossos representantes, produzimos riqueza, pagamos impostos, no fundo financiamos o Estado para cumprir as suas funções. Mas é deste modo que funcionam os clubes desportivos?... De maneira nenhuma. A realidade é que a contribuição financeira dos adeptos não garante a sua sustentabilidade. Esta vem da publicidade, da venda de activos, da participação em provas, e desinvestimentos feitos por accionistas. Se os sócios querem que o Clube tenha "ad eternum" a maioria da SAD, têm de garantir, "de persi" a respectiva sustentabilidade, mas nem sequer vejo sócios endinheirados a avançar com o seu dinheiro.

Se se conseguir encontrar o equilíbrio financeiro, o Sporting continuará a ter a maioria da SAD, e será um grande clube nacional, mas tendo em conta a dimensão do país e do nosso mercado, será sempre uma equipa de futebol mediana no contexto europeu. Assim como qualquer outro clube português. Não vejo que nenhum passe desta mediania, sem que primeiro se disponha a vender a maioria do capital a um investidor que aumente bastante o acometimento. É uma questão de opção, e de realismo.

P.S.: Enquanto há quem trabalhe para tornar o Clube mais sustentável, há outros, que sem qualquer responsabilidade e sem qualquer solução viável, teimam em desestabilizar, brincando às demissões, sem razões plausíveis. Lamentável.

publicado às 04:33

O que é o Sporting?

Naçao Valente, em 11.12.19

O Sporting Clube de Portugal é um clube desportivo, não é uma religião. O seu estádio é lugar para competir, não é uma igreja, muito menos uma catedral. Os seus simpatizantes são adeptos, não são fiéis religiosos.

Este é o Sporting que conheço, sempre conheci, e que corresponde à intenção dos seus fundadores. Mas há meia dúzia de anos, houve uma tentativa travada de transformar o Clube numa seita religiosa com o seu "deus", os seus santos, os seus altares, as suas rezas, os seus dogmas, os seus fiéis e os respectivos infiéis.

Todos se lembram da adoração ao suposto "deus" nas suas voltas dentro do "templo" para receber a adoração dos sempre fiéis. Todos se lembram das suas homilías, da excomunhão dos contestatários, da pregação da guerra. Todos, os que têm memória, se lembram da utilização dos ecrans do estádio para se glorificar, sobrepondo a vida privada ao próprio Clube. 

A transformação do Sporting numa religião falhou. O falso "deus" voltou à sua condição de mero humano, da qual nunca devia ter saído. Mas os seus seguidores continuam a adorá-lo, não obstante a clara evidência da sua condição humana. Estão presentes na contestação permanente à actual Direcção. Manifestam-se na rua, no estádio, nas redes sociais,com a mesma fé na "divindade" do seu ídolo.

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E mesmo que não tenha feito o milagre de ganhar um grande título, acham que fez tudo bem, porque os deuses são perfeitos e incontestáveis. Ouço-os e pasmo... Dizem: 'não ganhávamos, mas jogávamos bom futebol. O estádio estava sempre cheio. Os adeptos estavam felizes. Os infiéis derrotados. Títulos para quê? Isso é coisa de vida terrena. A nossa glória está no além'.

Há quem diga que o futebol aliena... Alienará. Mas a religião assumida de uma forma fundamentalista, aliena completamente. Os seguidores incondicionais de falsos deuses, perdem a capacidade cognitiva para distinguir o real do imaginário. E vão continuar presos na sua alienação.

É o que faz um grupo de associados que recolhe assinaturas para demitir a Direcção, sem se conhecer, pela parte desta, qualquer infracção aos Estatutos. O objectivo é claro: repor a situação vigente durante o período de desvio da essência do Clube. Se assim não fosse esperavam pelo próximo acto eleitoral para se apresentar a sufrágio.

Estas e várias outras iniciativas podem não passar de fogo fátuo. No entanto, causam perturbação e desgaste. Minam a unidade. Complicam a recuperação. Não pretendem que o Sporting seja vivido como um clube desportivo, e tudo farão para que volte a ser uma religião.

Cabe aos sócios não alienados, ou que se libertaram da alienação, não dar espaço a mais desvios. O Sporting tem de ser o que sempre foi, um clube desportivo, com altos e baixos, mas com potencialidades para continuar a ser uma referência no desporto português e internacional.

publicado às 03:49

SLB Vida Selvagem

Rui Gomes, em 06.12.19

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"Não é possível continuar a assobiar para o lado.

Não é possível fingir mais.

Não é possível ignorar mais.

Sucedem-se os casos.

Uns atrás dos outros.

Vouchers?... Apoios ilegais a claques?... Porta 18?... Toupeiras?... E-mails?... Favores e mais favores?... Promessa de cargos?

Não confundimos instituições com quem pontualmente as dirige... respeitamos todas as instituições, mas as instituições também têm de se dar ao respeito... e têm de resolver internamente o que há a resolver.

É inevitável e já não há volta a dar a isto.

Estamos em 2019, somos um país da União Europeia. Portugal é campeão europeu de selecções e tem hoje dos melhores jogadores e treinadores do Mundo.

Já não é tempo de coisas e condutas do tempo passado".

Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal

publicado às 14:11

Foto do dia

Rui Gomes, em 08.11.19

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Leões celebram na Noruega

publicado às 04:02

O Sporting é a prioridade absoluta

Leão Zargo, em 21.10.19

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O futebol sempre coexistiu com determinadas formas de violência. Em Portugal há notícias de distúrbios desde a década de 1920. A própria linguagem futebolística possui algo de agressivo (ataque, vitória, derrota) e o desporto substituiu os torneios medievais ou várias outras demonstrações de força e de valor. Mas, tudo isso, o futebol foi capaz de integrar e sublimar pela extraordinária dimensão humana, estética, cultural e atlética que decorre de um desporto praticado por grandes jogadores.

Nos dias de hoje a violência no futebol adquiriu outra dimensão e coloca-se a um outro nível da pulsão agressiva aceitável em seres humanos. É algo teorizado, organizado e planeado que não decorre essencialmente da paixão e da emoção do jogo, mas que resulta da incorporação de valores de identidade exacerbados e estereotipados que predispõem para o confronto e surgem associados ao ódio e à vontade de estabelecer outras regras que estão para além daquelas que decorrem da organização social e desportiva.

O que acontece nesta altura no Sporting decorre desta “thick solidarity” (R. Giulianotti) potenciada por um conjunto de particularismos que resultam da especificidade e da história recente do Clube. Uma espiral de violência e um sentimento de impunidade que permitiram os crimes praticados na Academia de Alcochete e a acção recorrente violenta, abusiva e inaceitável que visa intimidar e ameaçar atletas e membros dos órgãos sociais democraticamente eleitos. A decisão de revogar os protocolos celebrados com a Juventude Leonina e com o Directivo Ultras XXI revela-se correcta e adequada às circunstâncias. As claques existem unicamente para apoiar o Sporting.

O Sporting nunca se limitará a um universo de pensamento único e monolítico, é o mais plural e diverso de todos os grandes clubes portugueses. Essa é também a sua força, mas pode ser a sua fraqueza. O Clube necessita em absoluto, momentânea e publicamente, de ser capaz de superar as divergências e de reforçar a unidade, não cedendo espaço a falsos e meteóricos profetas que, com uma estratégia de poder, pretendem dividir ainda mais, puxar ainda mais para baixo. Não é desejável nem possível uma unanimidade crédula e acrítica, mas com humildade e sabedoria temos de colocar o Sporting como a prioridade absoluta.

publicado às 12:00

A alma do Sporting

Naçao Valente, em 02.10.19

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"As claques são a alma do Sporting"

Fernando Mendes (ex-jogador e comentador)

As claques entraram no Sporting com a constituição da Juve Leo, fundada pelos filhos do Presidente João Rocha, nos anos de 1976. Mais tarde foram surgindo outras claques como a Torcida Verde, os Directivo  Ultra XXI e a Brigada Ultras Sporting. 

Alma deriva do termo latim 'anima', com significado literal do que anima. A um nível mais abrangente também significa o espírito das coisas. Por isso, quando se fala da alma do Sporting estamos a falar do que está para lá do que é mensurável, do que está entranhado na sua história secular, que não está apenas nos aspectos materiais, mas num conjunto de simbologias pautadas muitas vezes por aspectos com contornos quase religiosos.

Atribuir às claques, que entraram na vida do Clube setenta anos depois da sua fundação é de uma grande ligeireza e nem ao diabo deve lembrar. A alma do Sporting, a sua mística, é paralela ao seu nascimento e é-lhe dada pela matriz fundadora, aprofundada pelos adeptos (fiéis  clubísticos) que o vivem como uma componente importante das suas vidas. E esta adoração atingiu o seu zénite nos anos de 1930, 1940 e 1950, com os rituais abrilhantados pelo som dos violinos. 

Muito mal servido estaria o Sporting CP quanto à questão da alma, se esta residisse nas claques. Estas, não são mais do que pequenos grupos organizados, uma minoria que não representa os milhões de adeptos atribuídos ao Clube, estes sim a sua verdadeira alma. São eles, com a sua fidelidade muitas vezes até silenciosa, que mantiveram e mantêm o Sporting vivo, independentemente de melhores ou piores resultados desportivos.

Mas convém fazermos uma distinção entre estes grupos designados como claques. Alguns desempenham a sua missão de apoio com determinação e alegria, e por aí se ficam. Outros, dos quais salienta-se a actual Juve Leo, que se afastou dos princípios dos seus fundadores, e se transformou num grupo composto por indivíduos sem formação cívica, e sem quaisquer valores éticos. Não fazem parte seguramente da alma do Sporting.

A Juve Leo, com os privilégios que foram recebendo de vários dirigentes, constituíram-se como uma força poderosa, apesar de minoritária. A sua capacidade de influenciar o poder, governando de fora para dentro, teve um percurso cada vez mais decisivo. Fizeram cair treinadores e presidentes ao longo dos anos, com a sua influência a ser ainda muito mais reforçada pela Direcção cessante, que a arregimentou, pondo-a ao seu serviço, como uma tropa de choque. Tendo-lhe sido retirado privilégios pela Direcção actual, não espanta a sua oposição cada vez mais agressiva, à nova Direcção.

A questão do papel das claques tem que merecer reflexão. Não podem ter mais privilégios que os restantes associados. Se querem estar nos jogos juntos como apoiantes das equipas, com os seus rituais que estejam. Não podem é continuar a ser  uma força de bloqueio a Direcções legitimamente eleitas pelos sócios. Estas recebem mandato para exercer o poder legitimamente, e devem exercê-lo sem pressão da rua. O poder paralelo não está previsto nos Estatutos, e isso tem que ficar claro, custe o que custar.

Ao contrário do que diz o comentador Fernando Mendes, a alma do Sporting são todos os sportinguistas, os que estão no estádio e os que vivem o Clube por todo o Mundo. Quando a alma do Sporting residir nas claques, é sinal que o Sporting deu a alma ao criador. Apenas restam almas penadas.

publicado às 02:18

O poço e o pêndulo

Naçao Valente, em 29.09.19

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"O poço e o pêndulo" é o titulo de um conto de Edgar Allan Poe, que deu origem a um filme de terror, passado no contexto da Inquisição, e que foi  interpretado por Vicente Price, um mestre nesta área da interpretação. O filme em questão, um clássico dos tempos em que o género terror tinha uma matriz muito marcada na cinematografia, conta a história de um louco, filho de um torcionário da Inquisição. No climax final, este coloca a sua vítima preso numa mesa colocada num fosso, fazendo descer lentamente um pêndulo com uma lâmina (ou serra) que a mataria.

Lembrei-me do título e do filme a propósito da situação que se vive no Sporting. Já não estamos no tempo institucional do Tribunal da Inquisição, mas não deixamos de viver tempos inquisitoriais. Usando o filme enquanto simbologia, o Sporting e a sua Direcção eleita há um ano, sempre teve sobre a cabeça, um cutelo bem afiado e que vai descendo a cada desaire da equipa de futebol, que é a face mais visível e mais apropriada para se fazer contestação. 

O Sporting e a sua Direcção eleita há um ano, está dentro de um fosso que não contruiu e no qual entrou para tirar de lá o Clube. E com muito esforço tem escalado o fosso, mas quando olha para cima não vê apoio, mas o pêndulo afiado a descer, movido por "loucos" assombrados por fantasmas.

Os que contestam a Direcção eleita, praticamente desde o dia da sua eleição, são na sua maioria despeitados pela demissão de uma pessoa, que continuam a adorar como um salvador (e de quem gostam mais do que do Sporting) , mesmo perante as evidência das suas malfeitorias. Os que no estádio, grupos organizados, vulgo claques, que insultam o presidente eleito do Clube, apenas são movidos pelos seus interesses, as mordomias que perderam. 

Podemos e devemos acompanhar a acção da Direcção no seu exercício. É lícito usar o direito de crítica com intuitos construtivos. Do que observo concluo, que o Presidente cometeu alguns erros, sobretudo na área do futebol profissional, onde me parece existir uma estrutura frágil e pouco experiente. A falta de uma comunicação clara, objectiva e frontal sobre a vida do Clube, não tem contribuido para um conhecimento da realidade presente e futura.

Esta situação criticável, nada tem a ver com a campanha organizada de oposição de terra queimada, por um grupo que mais do que o Sporting, lhe interessa que o caos se instale para disso tirar dividendos, e numa situção limite, ressuscitar um passado que destruiu a identidade secular do Clube. Mesmo considerando que a época foi mal preparada, e que é preciso fazer mudanças, o Sporting precisa de tranquilidade e de estabilidade.

Uma coisa é certa. Enquanto o Sporting não sair do fosso e não deixar de ter o pêndulo sobre si, não vai ganhar nenhum campeonato, nem agora nem daqui a mais dezassete anos. E os que pensam que estamos em situação de andar a brincar aos presidentes, estão totalmente errados. Esta contestação concertada e revanchista e vou dizê-lo com todas as letras, não passa de uma criancisse de gente sem dois dedos de testa.

Espero que haja adeptos (e tudo me leva a crer que há) com tutano e bom senso, que percebam e contrariem esta campanha orquestrada para fazer regressar o passado que foi largamente rejeitado, para bem do Sporting. Espero que como na história de "O poço e o pêndulo", as pessoas sérias, honestas e lúcidas, parem o pêndulo e acabem com a loucura que pretende destruir o Sporting.

PS: Depois de escrever este texto tenho assistido a cenas lamentáveis no estádio e fora dele, que não podem fazer parte da matriz do Clube. Eventuais erros de má preparação da época, não podem servir de arma de aremesso. O que se tem visto no estádio com grupos de arruaceiros organizados, não para ver futebol, mas para insultar órgão sociais e atletas não se pode admitir. Quem exerce de direito o poder tem que agir. A nossa equipa precisa, mais do que nunca, de apoio para levantar o seu ânimo.

publicado às 03:05

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- Alguém que estará muito interessado na saída de Bruno Fernandes do Sporting, insiste que tanto o Manchester United como o Tottenham vão apresentar propostas formais pelo jogador ainda esta semana. Se acontecer, esperamos que sejam de 70/80 milhões de euros para cima. No entanto, esse "alguém", reportou há dois ou três dias que os ingleses não pagariam mais do que 33,5 milhões.

- O PAOK de Abel Ferreira está interessado em Jefferson, mas a acreditar nas notícias, não está disposto a pagar qualquer verba pelo jogador de 31 anos que está no seu último ano de contrato com o Sporting.

- O melhor treinador do planeta e arredores, actualmente no Flamengo, estará interessado em Luiz Phellype. O avançado tem contrato com o Sporting até Junho 2024 e o seu passe está avaliado em 5 milhões de euros, verba que, na minha opinião, fica muito aquém do que a SAD considerará para uma eventual transferência.

- O West Bromwich Albion (II Divisão inglesa) está interessado em Matheus Pereira e já terá feito chegar a Alvalade uma proposta de empréstimo.

- O West Ham (Premier League) estará interessado em João Palhinha, médio-defensivo de 24 anos, que está cedido pelo Sporting ao SC Braga até final da época, com o qual tem contrato até Junho 2023. O seu passe está avaliado em 2,5 milhões de euros e o clube minhoto tem preferência caso o jogador receba uma proposta.

- João Queirós, defesa-central de 21 anos que na época passada alinhou pelos sub-23 do Sporting, estará de saída. O jogador foi cedido pelos alemães do FC Koln e o contrato de empréstimo é válido até Junho 2020. Pelo Sporting, participou em 13 jogos, 12 dos quais como titular, com 1092 minutos de jogo.

- O Manchester City, em parceria com o Sporting CP, prepara-se para apresentar nova proposta ao Vélez Sarsfield pelo jovem médio-ofensivo Thiago Almada. Ao que consta, uma primeira oferta de 12 milhões de euros terá sido recusada. A cláusula de rescisão é no valor de 16 milhões.

publicado às 12:00

Factos e rumores do mercado leonino

Rui Gomes, em 16.07.19

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- Carolina Deslandes, cantora e amiga íntima de Bruno Fernandes, alega que convenceu o capitão do Sporting a ficar em Portugal. A resposta, algo egnimática, foi... "talvez".

- Ryan Gauld rescindiu com o Sporting e vai assinar pelo Farense (por duas temporadas, com outra de opção). Se há valores envolvidos nesta rescisão, não foram divulgados. O médio escocês tinha contrato até Junho 2020.

- Pedro Marques, avançado de 21 anos que na época passada actuou pela equipa de sub-23, foi emprestado ao FC Dordrecht, clube da segunda divisão da Holanda.

- Ivanildo Fernandes, defesa-central de 23 anos que na época passada esteve ao serviço do Moreirense por empréstimo do Sporting e que integrou a comitiva no recém-estágio na Suíça, vai ser novamente emprestado, clube ainda por definir.

- Emiliano Viviano tem vindo a despertar o interesse de vários clubes italianos, sendo o mais recente o Torino. O Sporting procura recuperar os dois milhões de euros que investiu no guarda-redes italiano no Verão de 2018. Na época passada realizou 17 jogos pelo SPAL, por empréstimo.

- Pedro Ferreira, médio de 21 anos que na época passada esteve emprestado ao Mafra, saiu a título definitivo para o Varzim, com o Sporting a ficar com 50 por cento de uma futura transferência.

- Segundo a Sky Itália, o Brescia Calcio, recém-promovido à Série A, estará interessado em assegurar André Pinto por empréstimo, com opção de compra. O defesa-central tem contrato com o Sporting até Junho 2021.

- Agustín Jiménez, agente de Alan Ruiz e do jovem Thiago Almada, alvo recentemente de tanta atenção mediática, encontra-se em Lisboa e terá reunião em breve com Frederico Varandas. Ruiz ainda tem contrato com o Sporting até Junho 2020.

publicado às 03:02

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