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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
A situação política internacional está num ponto muito preocupante. As normas estabelecidas no pós-Segunda Guerra Mundial, que originaram oitenta anos de progresso e de paz, estão a ser deitadas para o lixo, perante a passividade generalizada dos cidadãos que delas beneficiaram.
Não é assunto específico para abordar neste espaço, mas perante a indiferença, o que é que se discute na pantalha comunicativa durante horas infindas? Guerras e guerrinhas sobre o tema futebol tuga. E porquê, pasme-se! Porque um clube fundador do futebol em Portugal de sigla SCP, marginalizado durante décadas por esquemas fraudulentos, emergiu para a ribalta, tendo a ousadia de começar a ganha títulos com regularidade, e se percebeu que estava na luta.
Os clubes que dominaram o nosso futebol, têm vindo a terreiro, numa guerra sem tréguas, para atacar o Sporting com foco nas arbitragens. Qualquer erro ou suposto erro dos árbitros que pareça favorecer o Sporting , é motivo para ataques dos nossos adversários directos.
Chegámos ao desplante de ainda com o jogo a decorrer nos Açores e já estão no ar comunicados dos nossos adversários a contestar arbitragens, obliterando quando estas lhe são favoráveis. A comunicação social que vive à conta do futebol, passa horas infindas a analisar e caçar eventuais erros dos árbitros que beneficiam o Sporting.
No jogo nos Açores, onde a equipa leonina, desfalcada de jogadores fundamentais, não fez uma boa exibição, mas que considero que ganhou justamente em função dos noventa minutos mais prolongamento, se considerou que esta vitória foi conseguida com um erro de arbitragem, em função de imagens pouco claras. Fosse ou não fosse erro de arbitragem, a culpa não é do Sporting.
Não vou pronunciar-me perentoriamente, mas em função do que vi, parece-me que o jogador Hjulmand foi impedido de disputar o lance. Seja como for, é preciso lembrar que o Sporting tem sido prejudicado por arbitragens, sem que se levantasse tal alvoroço. Vi até muitos sportinguistas entrar no coro de protestos, como se o Sporting fosse um clube corrupto. É preciso acrescentar que o Sporting tem a sua folha limpa do ponto de vista ético. Que outros o pudessem dizer.
Esta saga persecutória mostra que vale tudo. Veremos o que vem a seguir, mas temos de estar atentos e unidos e não entrar em cantos de sereia. Temos de estar atentos ao jogo sujo.
A profissão de treinador de futebol é das mais instáveis. Assinar contratos de vários anos não tem nenhum valor. Se os resultados desportivos forem negativos, pode ser dispensado de imediato. Pode até não ser o único culpado, mas como se diz em linguagem popular é o primeiro a pagar o pato.
O êxito de um treinador depende de vários factores, sendo a sua competência um dos mais irrelevantes. Os presidentes que precisam dos sócios para ser eleitos, não conseguem, de uma forma geral, resistir à pressão das bancadas.

Rui Borges é desde que chegou ao Sporting um mal-amado, apesar de herdar uma equipa desmotivada e cheia de lesões. Não fugiu ao desafio, e conseguiu unir os cacos, e com alguma sorte à mistura, conquistou a chamada dobradinha que outros com mais currículo não conseguiram. Portanto, algum mérito deve ter. Ainda esta época não tinha começado e já estava a ser criticado.
Há dias, a jornalista Sofia Oliveira arrasou-o nas televisões, como sendo um taberneiro. Como escreveu o deputado e adepto leonino André Pinotes, as elites cosmopolitas não gostam de um provinciano que se mantém fiel às suas origens, na maneira de ser e estar. Mais que a sua competência interessa a sua imagem.
Esta forma de avaliar alguém parece-me nojenta e ainda mais nojenta me parece quanto essa avaliação é feita portas adentro, dormindo com o inimigo. Gente que veste de verde, mas cujo comportamento não mudou desde que Varandas se tornou presidente, apesar de todos os êxitos.

No outro lado da proverbial moeda, estão os nossos adversários que estão numa roda viva para desestabilizar o Sporting, porque não querem perder a hegemonia que tiveram durante muitas décadas. O comportamento do presidente do Antas para condicionar a arbitragem, além de vergonhoso é cínico. Apareceu com a imagem seráfica de alguém que queria moralizar o futebol e já lhe caiu completamente a máscara. Se Borges é taberneiro na sua autenticidade, Vilas Boas é um tasqueiro, apesar do nome, no pior sentido que se possa imaginar.
Sportinguistas, afinal o que é que V. Exas. preferem, um taberneiro que tem dado provas de honestidade e competência, ou um mero tasqueiro que já não esconde a sua ambição de ganhar a qualquer preço, como era habitual naquela casa? Não se ganham guerras com um exército dividido.
Apesar de tudo, e não é pouco, o Sporting venceu o Marselha. Apesar da contestação ao treinador nas televisões e nas redes sociais., saiu vitorioso o que significa que os jogos se ganham dentro do campo. A influência dos debates televisivos, não sendo irrelevante, não é fundamental.
O mais caricato é que a contestação ao actual treinador, com base nalguns jogos menos conseguidos, venha de alguns adeptos do Clube. Podemos, mesmo como leigos na matéria, acharmos que somos especialistas do pontapé na bola, e fazermos as nossas críticas, outra coisa é pedir a cabeça do Rui Borges, sem qualquer argumento plausível.

É lamentável que a claque Juve Leo, que tem no seu currículo responsabilidade por muitos maus anos desportivos, pela influência que tinha na governação, tendo após a eleição do presidente Frederico Varandas tentado boicotar a sua acção, a meio deste jogo estivesse a manifestar-se contra os nossos jogadores. O que pretendem?
Entre os contestatários “avant la lettre” distingo, os mal-intencionados, dos que classifico de “ingénuos” que emprenham de ouvido, como se diz em linguagem popular. Mas, quer uns, quer outros, com essa grande atitude de contestação despropositada, apenas acabam por prejudicar o Sporting.
Enquanto espectador, não gosto de ver maus jogos, e muito menos de os perder. Posso criticar a equipa por um qualquer mau resultado, mas não aponto baterias a qualquer individualidade. O futebol é um jogo colectivo e nas vitórias como nas derrotas, todos são responsáveis, e todos erram. O que é mais preciso é aprender com os erros, para não os repetir.
Não deixa de ser triste ver que, depois da vitória contra o Marselha, justíssima, se continua a pedir a crucificação do treinador Rui Borges nas redes sociais. É preocupante ver adeptos aborrecidos com a vitória. O que pretendem? Qual a sua agenda?

Fui acusado neste espaço de criticar adeptos, por posições que nunca beneficiarão o Clube. Entendo que aos adeptos cabe manifestar opinião, mesmo sobre o que não conhecem na íntegra, mas não lhes compete fazer “campanha” mais ou menos organizada, contra um técnico do Clube, ou outro elemento qualquer por razões incompreensíveis. Atingida uma peça, atinge-se toda a equipa. Atirar para dentro, não parece uma boa atitude.
Aborrecidos com resultados negativos todos ficamos, mas faz parte do futebol. Não há nenhuma equipa que ganhe sempre. O Sporting perdeu um jogo a nível interno, lutando pela vitória até ao fim, empatou outro nas condições que se conhecem, e está na luta em todas as provas. O que pretendem os que pedem a cabeça do treinador?
Não vejo razão objectiva para o que está a acontecer. A resposta é unicamente ganhar, com a certeza que não se ganha sempre. Apesar dessa desestabilização, o Sporting vai fazendo o seu caminho. Por isso, tive uma alegria especial com a vitória contra o Marselha, clube que nos ganhou na época passada duas vezes.
Vamos Sporting, contra tudo e contra todos, os de fora e os de dentro, rumo à conquista de títulos, com a consciência que não vai ser fácil.
O jogo fora do campo no nosso campeonato, não é uma grande novidade. Há muito tempo que me lembro desse debate, especialmente a partir do momento em que os jogos são televisionados, e sobretudo desde que estes programas de análise e debate nas televisões, proliferam como cogumelos venenosos.

A CMTV é a campeã no âmbito televisivo, desse tipo de programas e percebe-se porquê. Na luta pelas audiências, igual a receitas monetárias, não há limites, mas no referido canal há horas e horas de programas sobre o futebol luso, que se justificam pelas receitas que proporcionam.
Como não embarco em quaisquer teorias de conspiração, não considero este canal, como qualquer outro, porta voz de um determinado clube, como argumentam alguns adeptos sportinguistas. Como atrás já referi, o que move as televisões é basicamente o “cifrão”, Daí que tenham jornalistas/comentadores que são especialistas aptos na arte de prender os espectadores. Muito para além disso, acrescentam comentadores clubísticos com o mesmo objectivo, o de captar audiências. Daí que sejam os “reis” deste segmento televisivo.

No programa de ontem, foram os primeiros a chamar a atenção para erros de arbitragem no jogo do Sporting com o Estoril, como já aconteceu noutros jogos. Mas é justo referir que têm a mesma atitude em relação a outros “grandes”, porque o que está em jogo, repito, é sobretudo “money”.
Embora a assunto dos erros de arbitragem que teriam beneficiado o Sporting no jogo referido, tenha sido largamente debatido, quero deixar uma opinião de adepto sempre condicionado pelo clubismo. Mesmo na estação referida, onde comentam dois analistas de arbitragem, cada um tem a sua opinião. Isto mostra que são lances de interpretação.Do que li sobre os especialistas da área, há uma diversidade de análises para todos os gostos. Comparando o que vi com essas opiniões, tenho que concluir que foram lances legais.

Esta situação sensacionalista de divergências que não é nova, vai continuar de forma ainda mais assanhada, por duas grandes ordens de razões. A primeira tem a ver com o facto de o SCP ter despertado de uma longa letargia e ter começado a disputar títulos de igual para igual, com a agravante de os adversários estarem afastados dos principais títulos há algum tempo. A segunda razão, está ligada ao clube da Luz onde há uma disputa pela presidência, estando o presidente actual e candidato incumbente, em “maus lençóis” por poder perder o lugar.
Uma coisa é certa, este grande jogo fora das quatro linhas vai continuar sem regras. Ao Sporting cabe manter a serenidade e continuar o seu rumo, focando-se na luta dentro das quatro linhas, com eficácia e competência.
Finalmente, o mercado de transferências encerrou. Foi um longo período de negócios de compra e venda de jogadores de futebol. O que mais ressalta deste período é que os valores dos atletas, cada vez mais inflacionados, atingiram números escandalosos.

No mercado nacional não me lembro de tão grande frenesim. Depois do SCP ter ganho dois campeonatos seguidos, os concorrentes directos entraram numa corrida desenfreada para adquirir activos, por preços deveras invulgares para a nossa realidade. Os da Luz impulsionados por uma corrida desefreada à presidência do Clube estão a gastar como se não houvesse amanhã. Os das Antas, quase falidos, fizeram das tripas coração e gastaram à tripa forra. Em Alvalade houve mais contenção. Mas também se procurou suprir lacunas, com a aquisição de jogadores de vários milhões.
A verdade mesmo incontornável é que nem todos podem ganhar e quando os resultados desportivos não corresponderem ao investimento, correm sério risco de criar problemas financeiros, pelo menos a médio prazo. Por outro lado, a pressão dos adeptos, que ligam pouco ou nada a sustentabilidade institucional, e apenas querem títulos, levam a este desvario, pressionados por alguma hegemonia do SCP. Digamos que começou a caça aos leões.
Aparentemente, os adversários, parecem estar muito mais fortes, e pelo que se passou até agora é mesmo provável que estejam. Isso significa que a nossa equipa, que fez aquisições selectivas mantendo o núcleo original, tem que ser muito mais competente, unindo-se na crença que o “tri” é possível. Mas os adeptos também têm que apoiar a equipa, nos bons e nos menos bons momentos. O que de pior pode acontecer é que logo ao primeiro desaire começar-se a pôr tudo em causa, desde tácticas a sistemas, a técnicos e a atletas, como começou a acontecer
As críticas são aceitáveis desde que sejam construtivas. Mas há quem confunda crítica com bota-abaixismo, como se começa a ver aqui e ali. O Sporting somos todos desde a Direcção até aos adeptos. Sem união, sem crença, sem estabilidade não se ganha nada. Se queremos manter o trajecto vitorioso temos que deixar dirigir quem dirige, treinar quem treina, jogar quem joga, com a consciência que haverá erros. Quem não erra são os “doutores da mula ruça” como os apelidou um leitor, num comentário, que sem saberem o que se passa de concreto, acham que sabem tudo.
P.S.: Durante este mercado ficou a percepção que os adversários fizeram negócios mais assertivos e mais rápidos que o Sporting. Tenho alguma dificuldade em explicar porque se arrastaram algumas aquisições, dando origem a certas novelas. Tema que só por si merece análise, mas numa abordagem linear, fica-se com a ideia que nalgumas escolhas se perdeu demasiado tempo, insistindo porventura em atletas que estavam praticamente blindados contra vendas.
NOTA
Os dois rivais, em conjunto, gastaram 216,9 milhões de euros na janela de transferências de verão, com os dragões a baterem mesmo o recorde de investimento em Portugal, com 111,35 ME.
Todos os sportinguistas sabem da existência dos chamados “Cinco Violinos” e da sua importância na história do Sporting. Embora reconheçam o seu valor, há, porém, muitos adeptos que desconhecem a sua real importância no que é hoje o Clube. Alguns dirão que o passado é coisa de museu (também é) e outros preocupam-se mais com o imediatismo das coisas.

Na verdade, conhecer o passado é fundamental e não apenas no futebol, para vivermos conscientemente o presente. No que diz respeito à gloriosa história do Sporting CP, os “Cinco Violinos”, assim como a grande equipa em que participavam, foram uma rampa de lançamento para reforçar a instituição com a dimensão que hoje possui. No currículo dessa equipa está um “tri” e um tetra, campeonatos, feito inédito nessa época
Assim sendo, nunca é de mais lembrar Jesus Correia, Peyroteo, Vasques, Travassos e Albano, mas também, Azevedo, Cardoso, Manuel Marques, Canário, Mateus e Barrosa, entre outros. Foi o treinador Robert Kelly que catapultou a equipa para o primeiro do famoso “tri”, em 1947. Para quem dá muita importância a tácticas, Kelly aproveitou o sistema deixado por Cândido Oliveira e conhecido como WM, mas como acontece hoje, o que fez essa equipa quase invencível, para além dos grandes valores individuais, foram as dinâmicas.
Após uma longa travessia do deserto por erros próprios, mas também por factores pouco limpos que não dominava, o Sporting parece estar a voltar a repetir a glória desses tempos. Claro que o futebol, como tudo, evoluiu e é hoje uma indústria capitalista e tecnicamente diferente, mas na sua essência parece-me não ter mudado tanto como se pode pensar.

De qualquer modo, ao fazermos comparações temos de ter muito cuidado. Posso usar a expressão novos cinco violinos, mas com a salvaguarda das devidas distâncias. Hoje, no ataque da equipa temos criativos como Pote, Trincão, Quenda, talvez Suárez, ou Catamo, sem referir outros que estão à espreita. Se por um lado, chamá-los de violinos, pode parecer algo abusivo, não é de todo despropositado. Os antigos, na sua essência, podem ser irrepetíveis, mas estes, a continuarem assim, também vão dar muita música, sem esquecer os restantes artistas, que compõem a orquestra.
PS: Uma curiosidade importante e talvez relevante, foi que no primeiro campeonato do tri o Sporting apontou 123 golos em 26 jogos. Outra curiosidade é o contributo dado por todos os atacantes: Peyroteo(46) Jesus Correia (29) Albano (16) Travassos (13) Vasques (8). Também na equipa actual temos vindo a assistir a vários atacantes a marcar, embora a amostra ainda seja pequena, para generalizar, mas pode ser um bom indício.

Esta quinta-feira, dia 31 de Julho, às 20h45, os rivais Sporting CP e Benfica defrontam-se na disputa da Supertaça Cândido de Oliveira, o primeiro jogo oficial da época 2025/2026.
Qual vai ser o 'onze' inicial do Sporting frente ao Benfica?
Iniciamos assim a primeira edição desta nossa rubrica que muito sucesso teve na época passada. Lembramos os estimados leitores que a intenção é apenas de registar os palpites sobre o 'onze' inicial do Sporting, sem outros comentários generalizados.
Relativamente à disponibilidade do plantel do Sporting, Nuno Santos e Daniel Bragança continuam inaptos devido às lesões ainda da época passada. O outro caso que vai estar em dúvida até à última é Maxi Araújo. Sendo assim, a sua titularidade é muito improvável.
Creio que os recém-reforços vão ser convocados: Kochorashvili, Alisson e até Luis Suárez, mas não é de antecipar a sua inclusão no 'onze' inicial.
Por fim, Matheus Reis terá de cumprir o primeiro dos seus cinco jogos de castigo que lhe foram impostos pelo Conselho de Disciplina da FPF, aguardando a decisão do recurso apresentado pelo Sporting.
Na realidade, a constituição da equipa titular vai depender em grande parte do sistema de jogo que Rui Borges vai querer utilizar. Estou convicto que ele vai insistir com o 4x2x3x1, 4x4x2 ou 4x3x3.
NOTA: O leitor pode dar entrada do seu palpite até às 12h00 de quinta-feira. Recorde-se que adendas não são permitidas e o prazo é para ser respeitado.
ADENDA
Pelos vistos, Alisson não vai a jogo para cumprir castigo ainda dos tempos da União Leiria.
Maxi Araújo já treinou.
Conhecer o passado ajuda a compreender melhor o presente. Esta ideia pode parecer apenas uma “frase batida” mas encerra na sua simplicidade, a constatação de que o que somos hoje é resultado de um longo processo. Da mesma forma, o desporto tem uma longa história e o futebol como modalidade mais recente já existe há mais de um século.

A fundação do Sporting Clube de Portugal remonta a Julho de 1906, embora tenha sido a continuidade de um projecto iniciado em 1902, remodelado em 1904, e assumido com a actual designação em 1906. Foi a mesma malta que queria ter um clube para jogar futebol, que está em todo o processo. Os irmãos Gavazzo são os primeiros impulsionadores, aos quais se seguiram os irmãos Stromp e José Alvalade, entre outros.
Embora a designação de Sporting Clube de Portugal fosse assumida em 8 de Maio de 1906, em Assembleia Geral, apenas foi assumida a partir de 1 de Julho. No entanto, foi na Assembleia Geral do Campo Grande Sporting Clube, em 8 de Abril, que se deu o primeiro passo com a cisão entre adeptos da prática desportiva e os de convívios (festas e piqueniques), o que levou à maioria dos fundadores, a sair dessa colectividade para fundar o Sporting Clube de Portugal designação definitiva até aos dias de hoje.

A primeira Direcção foi constituída pelo Visconde de Alvalade (presidente) José Alvalade (vice-presidente) e ainda Frederico Ferreira, Henrique Leite e José Gavazzo. O primeiro campo de jogos foi no campo das Mouras, num terreno cedido pelo visconde de Alvalade, na zona da hoje designada Alameda das Linhas de Torres. O primeiro equipamento era constituído por camisola, calções brancos e meias pretas. A partir do ano de 1910 começa a aparecer a cor verde.

Como em tudo na vida o Sporting Clube de Portugal, nesta muito longa viagem, teve altos e baixos, mas desde cedo começou a afirmar-se como um clube vencedor que veio para ficar.
A época que terminou fica gloriosamente marcada na história do Sporting pela conquista do Bicampeonato e da Taça de Portugal, a chamada dobradinha.
Feito sem dúvida notável, tendo em conta o poder dos adversários directos. Foram vitórias “limpas” conquistadas apesar de múltiplas adversidades, como a mudança imprevista e forçada de treinadores, e o elevado número de lesões contraídas pelo plantel. Parabéns a todo o plantel e às equipas técnicas, assim como à estrutura desportiva.

Para encontrarmos um feito semelhante, no que diz respeito á conquista do bicampeonato temos de recuar até à época de 1951/52, sendo treinador Randolph Galloway, presidente António Ribeiro Ferreira e um plantel com grandes jogadores. O campeonato só começou a decidir-se para os leões, no dia 2 de Março no Estádio Nacional com uma vitória sobre o Benfica por 3-2. O jogo bateu todos os recordes de bilheteira (536 contos). Depois desta vitória, o jogador Passos atirou o seu equipamento ao ar dizendo, “somos campeões” o que viria a acontecer a 6 Abril frente ao Barreirense. A equipa tipo era constituída por Carlos Gomes, Amaro, Manuel Passos, Caldeira, Veríssimo, Armando Barros, Vasques, Travassos, Albano, Jesus Correia e Martins.

Este foi o ´segundo bicampeonato já que o primeiro tinha sido conquistado em 1946/47. A seguir a este segundo “bi” seguir-se-ia o tricampeonato e o “tetra”. Esperemos que está série de conquistas continue e que a previsão de Pedro Gonçalves se concretize.
Fontes: Site oficial do Sporting Cube de Portugal e Almanaque do Leão; autor, Rui Miguel Tovar.
Apetece recordar uma frase batida. No futebol passa-se muito depressa de bestial a besta. Depois do empate com o Braga, esta afirmação aplica-se plenamente aos comentários que fui lendo, quase sempre fruto de abordagens sem fundamentos analíticos e pautados pela emoção.
Vou lembrar o seguinte: quando Rui Borges chegou ao Sporting CP, o Clube estava atrás dos “benfas”, e já não era a equipa deixada por Amorim. Tinha perdido dinâmicas, pela mudança da equipa técnica e pela perda de jogadores fundamentais, pela baixa confiança, a que acresce cansaço e uma onda progressiva de lesões de menor ou maior duração.

Apesar de ter de gerir uma situação complicada, o treinador Rui Borges, ainda recuperou pontos, graças a resultados positivos da equipa e resultados negativos dos principais adversários. É verdade que foi perdendo pontos, perante equipas inferiores, devido a erros individuais e infantis, cometidos desnecessariamente. Lembro, como exemplo, o jogo com o Arouca onde se ofereceu um golo no início e outro num penálti, e ainda uma expulsão de bradar aos céus.
Sendo o futebol um jogo colectivo, mas que vive de actuações individuais, que culpa tem o treinador, de desconcentrações defensivas dignas de amadores, de falhas de golos construídos, de más decisões no último passe. Que pode fazer o treinador, este ou outro qualquer, quando olha para o banco, e só vê jovens inexperientes. Apesar disso, manteve até agora a equipa na frente, e continua na luta pelo primeiro lugar. Com as mesmas condições quem faria melhor? Como exemplo veja-se Guardiola ou Amorim na Inglaterra.
Criou-se muita esperança no “bi” e com razão, em função do arranque do campeonato, mas sempre disse que o campeonato é uma maratona que só se ganha no fim. Apesar do último revés, continuo a pensar da mesma maneira, porque até ao lavar dos cestos é vindima. Seja qual for o resultado final, não tenho dados concretos que apontem a responsabilidade apenas ao treinador, antes pelo contrário. Mesmo tendo de jogar com meia equipa de jovens e suplentes, tem continuado no topo.
Fico muito contente se conseguirmos ganhar este campeonato, e acredito que é possível, mas não é um caso de vida ou de morte, porque não é assim que analiso o futebol. Sabem o que me preocupa? É ganhar um campeonato de vinte em vinte anos. Se ganharmos dois seguidos, maravilha, mas se mantivermos, um ano sim e outro não, assino por baixo. Significa que estamos a criar uma equipa competitiva, de forma regular e não apenas em fogachos. Isso exige estabilidade. Se Amorim tivesse sido despedido no primeiro ano no Sporting depois do quarto lugar, ou se tivesse sido dispensado, no ano em que voltou a ficar em quarto, teríamos ganho os dois campeonatos?

Eu, porque ainda tenho alguma memória, não gostaria nada de voltar a ver o meu Clube, relegado para uma situação secundária durante vinte anos, por erros de gestão financeira e desportiva, alguns proporcionados pela irracionalidade dos adeptos. Seja qual for o resultado, o actual treinador, merece uma oportunidade, como aconteceu com Amorim. Na minha perspectiva, tendo em conta as circunstâncias, tem feito um trabalho positivo, não isento de erros, porque é humano. Se o futebol vier a ser comandado e jogado por robôs, talvez desapareçam os erros, mas creio que perderá o seu encanto.
P:S: Tem-se discutido muito a entrada de Harder mais cedo. É uma questão pertinente, mas lembro-me de o ver como titular na ausência de Viktor Gyökeres, e não me lembro de grandes exibições, mas ainda é muito jovem e tem margem de progressão. Uma questão discutível é porque se retrai a equipa ao fim de quarenta minutos. Nunca me apercebi que foi o treinador que os mandou parar. Para além de eventual quebra física, Debast não é Pote, nem Morita. É um central adaptado a médio. Realismo!
Num post publicado aqui ,ontem, pelo Rui Gomes, debateu-se o assunto da venda de activos do Sporting CP, incluindo as concretizadas e as que se poderão concretizar. Falou-se de milhões, de muitos milhões. Um hipotético observador, que não conhecesse esta realidade, poderia chegar à conclusão de que o Sporting é uma empresa de investimentos financeiros. Mas quem participou no debate sabe, que para além disso, e antes disso, o Sporting é um clube desportivo. A discussão que se gerou, inspirou-me a fazer uma abordagem mais abrangente.

Sabemos que o Sporting CP é acima de tudo um clube desportivo, e foi para exercer essa actividade que foi fundado há mais de cem anos, primordialmente como clube de futebol. Nos primórdios desse desporto no nosso país, o Clube foi pioneiro, e começou a existir devido à enorme vontade de alguns jovens, que gostavam de jogar à bola, sendo essa a sua motivação. Foi o tempo onde se andava de balizas às costas, para jogar em descampados, apenas pelo gosto de o fazer.
Muita água correu debaixo das pontes desde essa época fundadora. A história está feita e é conhecida. Como desporto amador, o futebol depressa se implantou pela vontade dos praticantes, mas também pela sua capacidade de captar espectadores, motivados pela sua espectacularidade. Do amadorismo, passando pelo semi-amadorismo, depressa se chegou ao profissionalismo. Do espectáculo que atraía multidões, chegou-se a um negócio que move milhões.
O prazer de jogar e ver jogar, assim como as paixões que move, continuam iguais, mas a sua capacidade para gerar receitas, depressa o transformou num negócio que vai para além da prática desportiva, de tal modo, que existe uma separação entre ricos e pobres, confundindo-se uma modalidade desportiva com especulação financeira.
O Sporting CP continua a ser, na minha perspectiva, um clube desportivo eclético, mas que deve a sua grandeza ao futebol, à sombra do qual foi crescendo ao longo dos anos. Ser jogador de futebol, é hoje uma profissão muito bem remunerada, e cobiçada por muitos jovens, cujo objectivo, para além do gosto de jogar, é chegar a profissional, e conseguir atingir os mais altos patamares da glória e da riqueza.

Portanto, o grande amor à camisola, e o puro “gosto” pelo jogo, está nas calendas dos seus primórdios. Daí os futebolistas hoje serem activos, que valem muitos milhões. Daí os clubes terem de gerir esses activos, de forma a rentabilizá-los, para conseguir receitas e equilibrar as suas contas. Daí parecer que um clube se confunda com uma empresa financeira. Daí que fique claro que apesar disso, o Sporting CP continua a ser um clube desportivo, que para além do futebol, presta um importante serviço público à sociedade, com as suas várias modalidades, e que permite que centenas de cidadãos, utilizem os seus espaços para praticar educação física.
E se hoje a valorização de activos e as suas vendas são uma grande fonte de receitas, entre outras, temos que acentuar que essa não é a razão da existência do Clube. E nesse aspecto convém separar as águas. O que os adeptos mais esperam e o que os mais apaixona, são as competições desportivas e os seus resultados.
Como a pescadinha de rabo na boca, as duas vertentes estão ligadas, as vendas são um mal necessário, no contexto em que vivemos, mas que não se coloque a vertente financeira, em pé de igualdade com a vertente desportiva, mas antes ao seu serviço. No fundo, sendo um mal necessário, que se subordine ao que é essencial.
Uma das características do ser humano, do ponto de vista emocional, é a paixão, mas que no futebol atinge níveis exagerados. Assim transformam-se discussões que deviam ser civilizadas, em confrontos, por vezes violentos e desajustados.
A avaliação dos treinadores, por exemplo, é frequentemente feita de forma irracional. O principal critério dessa avaliação pelos adeptos, são os resultados. Enquanto a equipa ganha, o técnico é bestial, mas se não ganha passa num ápice a besta. Embora esta norma seja geral, vou concentrar-me no que se passa no Sporting, por ser o clube que apoio e que sigo com mais atenção. Quando Rui Borges chegou ao Clube, este tinha sido ultrapassado pelo Benfica na classificação geral, em função do que se passou, após a saída de Ruben Amorim.

Passado algum tempo, o Sporting estava de novo isolado, com seis pontos de avanço sobre o segundo, apesar de ter perdido vários jogadores fundamentais, chegando ao ponto de neste último jogo, ter jogado com jogadores adaptados ou trazidos da equipa B, na zona do meio campo. Para além disso, nota-se muito bem desde a segunda metade do campeonato, que os jogadores mais utilizados que continuam a jogar, estão fisicamente esgotados, com respeito pelos que acham que não estão sujeitos a essas mundividências porque são super-homens.
Mas para além do cansaço e da ausência dos chamados “peso pesados” aconteceram nestes dois últimos jogos, erros infantis a roçar a estupidez. Huljmand, no jogo anterior, fez um penálti desnecessário e a seguir comete uma falta para segundo amarelo. No jogo com o Aves, repetiu-se a mesma cena com Diamondé. Porquê? O certo é que se desperdiçaram seis pontos em três jornadas!
Nota-se que a equipa recua no terreno na segunda parte. Porquê? De forma deliberada ou por incapacidade? Ao contrário de algumas análises que leio por aqui, não me parece que seja deliberada, mas fruto de diversos factores, como incapacidade física e falta de força mental. Como é possível perder pontos preciosos, no último minuto do prolongamento? As responsabilidades devem ser devidamente repartidas por toda a estrutura, não criando bodes expiatórios, e analisando com serenidade e bom senso. Há erros e erros. Uns são evitáveis, outros nem por isso.
Sem ser optimista, nem pessimista, apenas realista, concluo que a situação não está fácil. A equipa continua bem desfalcada, as arbitragens, ao contrário do que aqui leio, nalgumas opiniões, têm-nos prejudicado, e os erros comprometedores, persistem. Quero acreditar que com a recuperação dos nossos melhores, a equipa poderá voltar à sua antiga dinâmica, de modo a continuar na luta até ao fim. Desde o início que digo que a conquista da prova só está garantida quando chegarmos à "meta". E também gostaria que algumas análises sobre a situação não se baseassem unicamente em percepções unívocas, mas em diversos factores conjugados. No futebol, como noutras áreas, as coisas não são a preto e branco, como as paixões que nos dominam.
Durante a primeira volta deste campeonato, apenas com vitórias, nunca andei eufórico. Depois, quando a equipa perdeu pontos em poucos jogos, não fiquei deprimido. Sempre defendi que o campeonato, é como uma maratona, onde há altos e baixos, mas onde é preciso manter alguma regularidade.

A leitura básica que faço até ao momento, é que temos um bom plantel, mas bastante curto, por opção da anterior equipa técnica. Fez uma carreira limpa até quase a meio da prova, mas depois a equipa começou a colapsar, com jogadores lesionados e com outros cansados. Independentemente das mudanças de equipas técnicas, era provável que isto acontecesse, porque os atletas não são super-homens.
Certamente, que a mudança de treinadores, com alterações tácticas subjacentes, também tiveram influência, mas a utilização muito intensiva dos mesmos jogadores, tinha que ter consequências. Perderam-se dinâmicas, e com maus resultados, perdeu-se confiança, e com jogos de três em três dias, não houve tempo para treinar.
O técnico brasileiro Otto Glória, ficou ligado à frase, “sem ovos não se fazem omeletes”. Verdade à “La Palice”, que continua actual. Como atrás referi, nesta equipa há cada vez menos ovos e a omelete está a ficar escassa. Alguns perguntam, porque não se compraram ovos? Pensar eu também penso, mas não digo, porque para serem bons, são muito caros. Houve tentativas de reforçar o plantel, mas os alvos foram inflacionados, e perderam-se. E comprar “ovos podres” é deitar dinheiro à rua.
Nesta fase não adiantam lamentações. Como não entrei em euforias, não vou entrar agora em desespero. Continuo a acreditar que nada está decidido. Jogo a jogo temos que lutar, com as armas que temos. Nesta fase decisiva, cabe-nos fazer o nosso papel. Dar força à equipa.
P.S.: Não sei se Rui Borges será ou não um grande treinador, mas sei que até agora tem feito um bom trabalho, tendo em conta as várias condicionantes, incluindo arbitragens. Não gosto de ver as avaliações negativas que vão surgindo, ainda tímidas, mas que acabam por apenas perturbar.
Ser árbitro de futebol, pode parecer, mas não é, uma tarefa fácil. Do ponto de vista técnico exige conhecimentos que podem ser aprendidos, mas do ponto de vista de aptidões pessoais, ou se nasce com aptidões, específicas, que se podem aprimorar ou não se nasce, tal como para outras profissões.
Na minha curtíssima experiência como árbitro, ainda bastante jovem, num jogo entre aldeias, e no qual não tive lugar na equipa, pediram-me para o arbitrar. Para além de um jogador da minha equipa me ter pressionado antes do início do jogo, deram-me um apito, que durante mais de quinze minutos, não se ouviu. Acabei de ser substituído por um senhor de idade madura. Deu para perceber bem, apesar da tenra idade, que não tinha nenhuma vocação para tal tarefa.

Passados muitos bons anos, fui aprendendo que para executar tal função, para além do conhecimento das regras, tem que se possuir uma série de características, que passam pela honestidade, capacidade de isenção, grande concentração, autoridade democrática de impor respeito, respeitando. No fundo, para ser um bom árbitro, tem de se roçar a quase perfeição, impossível de atingir por qualquer humano.
Por isso, procuro observar o acto de arbitrar com muita precaução. Enquanto adepto, tenho uma tendência natural para analisar arbitragens vestido com a camisola do meu Clube, por mais isento que queira ser. E seria hipócrita se não o reconhecesse. Tenho consciência que todos os árbitros erram, por incompetência, por desconcentração, ou até por má-fé. E não tenho quaisquer dúvidas que, em casos limite, têm influência directa na conquista de títulos.
A função de arbitrar tem hoje melhores condições para não errar, porque a formação está muito mais desenvolvida e porque houve evolução nas tecnologias, como instrumentos auxiliares. Apesar disso, os erros persistem, devido a situações difíceis de analisar, ou por outras mais discutíveis, de tal modo que se fazem debates entre comentadores e peritos de arbitragem, sem se chegar a um consenso.
Pondo de lado a tendência natural, para avaliarmos de acordo com os nossos interesses futebolísticos, a grande realidade é que a função de arbitrar devia passar por uma selecção rigorosa, assente em aspectos que à partida podemos considerar, como vocacionais. Porém , é muito difícil avaliar atitudes como isenção e/ou rigor. Outro aspecto que merecia uma revisão, tem a ver com a atribuição de responsabilidades a quem erra, sendo o castigo real adequado a cada situação. O que acontece hoje, é de uma total impunidade.
Acredito que grande parte dos candidatos à carreira, o faça por razões económicas, ou seja, como uma forma de ganhar a vida. Isso condiciona à partida a sua actuação. E agindo a natureza humana pelo princípio da sobrevivência, todos, com uma ou outra excepção, são vulneráveis a diversas pressões, sujeitos a quem controla o sector, também com total impunidade.
Deste modo, concluo, que os erros involuntários ou voluntários vão continuar a persistir. A minha esperança é que, dada a evolução tecnológica, com a inteligência artificial, permita construir máquinas programadas para uma função isenta e rigorosa. Mas mesmo assim, tudo depende de como possam ser programadas. Um assunto de difícil resolução e que vai continuar a dar azo a divergências jornada após jornada, e que merecia da parte das estruturas desportivas profunda reflexão, para bem da verdade desportiva.
Começámos a segunda volta como a primeira, com uma vitória clara e uma boa exibição. Depois da tempestade que foi o período transitório de má memória, onde tudo se pôs em causa, voltou a equipa que ganha, com competência e personalidade.
O futebol não é um mero jogo de acasos, embora estes também estejam na sua natureza. O futebol sempre foi, e é cada vez mais, uma ciência, no sentido do rigor, da experiência, da seriedade. Como em qualquer ciência, o trabalho tem obrigatoriamente de ser feito por equipas profissionais, focadas num objectivo, e dirigidas por um mestre competente na função.

Depois de uma experiência falhada, com um técnico, para já impreparado, por força de circunstâncias imprevistas, corrigiu-se a mão e colocou-se no lugar de timoneiro, um treinador que mostrou ter conhecimentos do mister e de saber aplicá-los. Com pouco tempo de trabalho, e muito mau grado as contrariedades existentes e o difícil calendário, colocou a equipa a vencer e a jogar cada vez melhor futebol.
Acabámos de ultrapassar o cabo das tormentas, e ainda há muito mar para navegar, mas começa a ficar claro que temos timoneiro e marinheiros para chegar a bom porto. De forma mais prosaica, podemos dizer, que mesmo sem tempo para treinar, transformou um grupo de homens desorientados num grupo coeso, e que vem mostrando dia após dia, que sabe o que pretende, e como deve fazê-lo. Com todas as reservas e cautelas, parece estar à altura da tarefa.
No entanto, como em qualquer navegação longa, existem muitos imprevistos, e ninguém pode garantir sucesso antes do fim. Por isso, com confiança, mas sem embandeirar em arco, devemos acreditar, como disse o treinador, após a Taça da Liga, “há algo melhor guardado para nós”. Num breve balanço da primeira volta do campeonato, mau grado o experimentalismo transitório, a equipa mantém o primeiro lugar, e mostra estar motivada para lutar até ao fim pelos seus objectivos, obstáculo após obstáculo.
Se se quiser encontrar bodes expiatórios, o presidente Varandas está na lista, porque é o primeiro responsável pelo que se passa no Sporting. Mas se quisermos ser honestos na análise, no SCP existem órgãos colegiais, que são responsáveis pelas decisões. Estou certo que a vinda de Amorim para o Clube, assumida por Varandas, resultou de conselhos de pessoas que faziam parte da estrutura desportiva.

O mesmo se terá passado com João Pereira. Contratado como jogador, para terminar a carreira de futebolista, e iniciar a de treinador nos escalões inferiores, onde milita há anos, com o intuito de substituir Amorim, numa transição programada. A saída deste, de forma abrupta e criticável, fez despoletar a entrada de João Pereira, antes do que estava previsto.
Isto são os factos, para além da espuma de todas as discussões. E se não se pode atribuir unicamente a Varandas, os louros da contratação de Amorim, porque correu bem, também não se pode atribuir-lhe toda a responsabilidade, do eventual falhanço do novo treinador. Como aconteceu com Amorim, esta decisão foi, quase de certeza colegial. Se for um erro de casting há vários responsáveis.
Ao contrário dos muitos especialistas cá do burgo de tudo e mais umas botas, confesso a minha incapacidade para responsabilizar seja quem for, sem provas provadas. Se João Pereira falhar na missão que lhe entregaram, então falha muita boa gente. Falham os que desenharam esta solução, e falham aqueles que a executam. E aqui responsabilizo todos os executantes, desde os que dirigem aos que têm que executar, os jogadores. Apercebo-me que há muito tempo que diziam que esta equipa até jogava de olhos fechados. Em certo sentido concordo, embora a expressão seja exagerada, pois como se explica, que de um dia para o outro, nem saibam jogar de olhos abertos. Muito estranho.
Quero acreditar na tese do nosso amigo Leão do Norte, que acentua que a equipa, se bem o interpreto, mais que de tácticas, precisa de tratamento psicológico. Também sou levado a crer, que estes jogadores, (e é mais uma teoria), sofrem da perda do paizinho, e não são capazes de fazer o luto. Seja como for, atribuir a J. Pereira todas as culpas, parece-me desculpa de mau observador, até porque o rapaz não é nenhum génio do mal. Mas para além dos eventuais erros cometidos, há uma coisa que João Pereira não tem tido. Chama-se estrelinha. Até isso, o treinador “fujão” levou para lá de toda a equipa técnica. Não sei como escapou o roupeiro! E vá lá, continuem a incensá-lo, depois de ter puxado “fogo ao circo”.
E enquanto não chega o psicólogo, João Pereira precisa de dar um grande murro na mesa, senão, mais que erro de casting, vai acabar por ser destruído. O Sporting CP, aconteça o que acontecer, continuará, porque é eterno.
O futebol é uma actividade onde a imprevisibilidade tem um lugar importante, e onde as emoções suplantam largamente a racionalidade. Os mais apreciadores deste desporto, enfeudados a um qualquer clube, raramente conseguem despir a pele de adepto faccioso e raciocinar fora desse formato. Por isso, não me admira a reacção de alguns sportinguistas à situação actual do Clube.
O que podemos considerar como factos, é a saída de um técnico de forma inesperada e a entrada de um substituto, escolhido pela Direcção, e apresentado como uma escolha já preparada há vários anos. Para além disto, o que se passa nas opiniões, mais ou menos ponderada,s é especulação, embrulhada em estados de alma.

A muito contestada substituição do treinador que abandonou um barco, que construiu à sua imagem, com todo o apoio institucional, e que após anos de navegação em contraciclo com o sistema, vencendo mitos ancestrais, está, na minha perspectiva, assente em dois erros fundamentais.
O primeiro, é que deve ser substituído por outra personalidade, de grande prestígio no mundo de futebol, que mantenha a navegação dentro da mesma eficácia. Mas não há disponível outro timoneiro igual, e por mais competente que seja, nada garante que fará, no mínimo até, o que estava a ser feito. Portanto, a mudança de técnico causará sempre perturbações.
Em segundo lugar, só se pode falar da competência do substituto, depois de verificar a forma como continua a navegação, para usar a mesma imagem. Não se pode avaliar ninguém, com racionalidade, quando ainda nem teve tempo, de assumir plenamente o comando. Quem conhece um pouco de história percebe o que está em causa.
Chamando os bois pelos nomes, Rúben Amorim é um especialista raro na sua área, com características difíceis de encontrar. Refira-se, porém, que a competência que atingiu, levou quatro anos até atingir o seu estado actual. E porque a memória é curta, lembro que nos primeiros meses no Sporting, teve três derrotas e vários empates. Lembro mais, que no terceiro ano no Clube este ficou em quarto lugar, com seis derrotas e alguns empates.
Ou seja, tudo aquilo que ele é hoje, resultou muito das suas características naturais, mas também de muita aprendizagem, devido ao tempo que lhe foi concedido. João Pereira, ou outro qualquer, não é nem será Rúben Amorim. É certo que lhe falta experiência, mas também é certo que parte de um ponto, onde não é possível, ou é muito difícil fazer melhor. Voltando à imagem da navegação, não sei, nem deixo de saber, se ele consegue manter o barco na sua rota. No entanto, a mesma dúvida pode ser colocada em relação a outro qualquer timoneiro mais credenciado.
O campeonato, sempre o disse, não está, nem nunca esteve ganho. Com competência e com algum apagamento dos adversários no início da prova, conseguimos distanciarmo-nos, mas sempre achei, que todas as equipas têm altos e baixos. Nunca considerei a nossa equipa a melhor do mundo, até contra afirmações do Presidente, nem a considero agora a pior. Tem condições para retomar o seu percurso vitorioso, desde que não se acrescente mais instabilidade àquela que já existe.
Discordando, mas respeitando, opiniões contrárias, porque não me julgo dono de qualquer verdade, continuo a acreditar no projecto, embora a minha parte emocional esteja algo perturbada pelo choque de uma derrota inesperada. Procuro, no entanto, manter alguma capacidade racional de análise, não embarcando em soluções que à partida podem ser tão falíveis, como a que alguns querem atribuir à solução encontrada. Na nossa percepção, podemos ter passado do céu para o inferno.Na realidade, nem uma coisa nem outra, até porque de verdades absolutas está o inferno cheio.
P.S.: Em relação aos graves erros de arbitragem do último jogo, que tiveram influência no resultado, não é sem tristeza que vejo serem desvalorizados por alguns sportinguistas. Os adversários costumam atirar para fora, nós preferimos dar tiros nos pés.
Nos últimos dias tem havido, na comunicação social, um chorrilho de críticas a Roberto Martínez, a propósito das opções por si tomadas no jogo com a Croácia. Críticas justas, sobretudo relacionadas com a pouca ou nenhuma utilização de jogadores do Sporting CP. Não sou partidário de teorias da conspiração, por isso, neste caso, estou à vontade para dizer que o seleccionador Martínez, demonstra alguma (muita) aversão ao Sporting e aos seus atletas.

Na minha perspectiva, e para além dessa aversão, a questão Martínez parece-me mais complexa. Fazendo uma análise para lá da espuma dos dias, em toda a sua dimensão, o problema de Martínez é que é um mau seleccionador e um péssimo treinador, na minha observação naturalmente subjectiva.Mostra incompetência ou má fé nas convocatórias, e uma péssima actuação no domínio técnico-táctico. E se a equipa nacional já está apurada, isso deve-se mais à excelente qualidade do plantel, do que à acção de quem o dirige. Por isso, sendo as críticas justas, devem é concentrar-se na incapacidade de Martínez na função que exerce.
Numa retrospectiva longa, pode-se concluir que Martinez foi uma má escolha. Para usar uma imagem batida, foi como entregar um “Ferrari” a um mau condutor. Para além disso, ou talvez por isso, mostra ser uma pessoa sujeita a pressões e influências. Voltando à convocação de jogadores do Sporting, essas características estão patentes, primeiro, nas não convocatórias, e depois das pressões da imprensa, na convocatória “forçada” , mas sem pôr os atletas a jogar. Qual será o próximo capítulo?
Numa outra vertente de análise, talvez pouco racional, e ao invés de muitos sportinguistas, admitindo a injustiça para os atletas, não fico aborrecido com a não convocação dos nossos jogadores. A verdade é que, quando vão às selecções, podem muito bem vir com lesões, como aconteceu por exemplo, com Zeno Debast e com Quaresma. Enquanto sportinguista, quero os nossos atletas, sempre disponíveis para as competições em que o clube participa. Gosto que a Selecção nacional ganhe sempre, mas ponho em primeiro lugar os interesses do Sporting.
A crítica pode e deve ter um papel positivo, mas em relação a Roberto Martínez, para além de aspectos pontuais, pouco adiantará, pois parece-me ser um caso perdido. É como bater no ceguinho, como se diz na expressão popular.
A saída abrupta de Rúben Amorim, contra o que estava planeado, obrigou a Direcção do Sporting a antecipar a solução, que vinha a ser preparada para o final da época. Portanto, a substituição da equipa de Amorim pela de João Pereira, não foi uma solução de recurso, mas uma solução planeada com antecedência, como já é hábito da Direcção do presidente Varandas.

Antevejo que não vão faltar as aves agoirentas, a criticar a nova direcção técnica da equipa de futebol, e até quem deseje que não tenha êxito. Desde que a saída da equipa de Amorim foi anunciada, que apareceram aqui os treinadores de bancada, a dar “bitaites” sobre qual seria o técnico que se devia contratar. Cada cabeça, cada sentença e foram adiantados vários nomes. É uma realidade a que estamos habituados.
Bastava estar um pouco atento para perceber que a substituição já estava preparada, tendo até o agora ex-técnico dado esses sinais, salientando por diversas vezes, que o João Pereira estava preparado para assumir a função. Ninguém pode garantir se o novo técnico terá ou não êxito, mas acredito que terá, pela simples razão que foi preparada pela Direcção, com a conivência do técnico que ia ser substituído.
Por outro lado, estou certo que João Pereira não será um Amorim 2.0. É outra pessoa, com outra personalidade, ao que parece, com as mesmas tácticas e que estava a trabalhar com o técnico que saiu. Por isso, penso que os métodos de trabalho deverão ter continuidade, assim como o modelo de jogo. A nova equipa técnica não precisa de inventar nada, apenas tem que aproveitar a dinâmica que já existe, e penso que o fará.
A argumentação que João Pereira não tem experiência alguma de primeira liga, é fácil de desmontar. Pergunto: que experiência tinha Rúben Amorim quando veio para o Sporting? Recuando uns anos, que experiência tinha Paulo Bento, quando assumiu o comando da equipa principal, vindo do comando dos juniores? Podem dizer que não ganhou nenhum campeonato, mas que condições existiam? Apesar disso, ganhou títulos, podendo queixar-se veementemente de lhe terem sonegado um título. Ao invés, que resultados conseguiu um técnico experiente, como Jorge Jesus?
Antes que questionem, quero esclarecer, que não comparo Paulo Bento a Amorim: são pessoas diferentes, com métodos diferentes, e que trabalharam, em contextos, que não são comparáveis. Os tempos são outros, pressente-se que algo está a mudar no nosso futebol, e que mudou radicalmente no Sporting. Sem esquecer a imponderabilidade que é o futebol, confio na nova equipa técnica, confio na estrutura do futebol, e sobretudo numa equipa motivada competente e que, como se diz, joga de olhos fechados. Por fim, desejo longa vida à nova equipa. Usando uma expressão batida... “e se der certo?”
“Um grande Clube, tão grande como os maiores da Europa”, foi a frase escolhida por José Alvalade, fundador e presidente do Sporting CP, para o caracterizar. A ambição assumida por José Alvalade podia parecer de difícil concretização, num país periférico, mas não é totalmente descabida. Passado mais de um século de altos e baixos, o Sporting não sendo um dos maiores, é conhecido como um clube de âmbito europeu.

O resultado deste último jogo da Champions, uma vitória sobre um dos grandes colossos europeus, demonstra que, apesar de menores meios financeiros, o Sporting também os pode vencer. É verdade que foi um jogo em que tudo correu bem e onde não faltou a estrelinha, mas o resultado deve-se também à competência de uma equipa, que tem vindo a evoluir positivamente desde alguns anos.
A evolução positiva da equipa, não se pode desligar do trabalho dos técnicos, dirigidos por Rúben Amorim, sem esquecer que com menos visibilidade, a direcção comandada por Frederico Varandas, deu um apoio incondicional à estrutura do futebol. Contra ventos e marés, apostou num treinador em início de carreira, e que revolucionou o futebol do clube. Em quatro anos, conquistaram-se 6 títulos, incluindo dois campeonatos nacionais.
O treinador Amorim está de saída, mas temos de reconhecer que transformou o futebol profissional. Há quem defenda que lhe devemos estar gratos, outros que nem por isso. Considero que foi uma óbvia relação profissional mútua, na qual lhe foram dadas boas condições, que soube aproveitar. Nesta linha, se melhorou o futebol do clube, também evoluiu e cresceu como técnico, pelo apoio que sempre teve dos gestores e dos adeptos. Nesse sentido, talvez não se deva colocar a questão dos agradecimentos.

A saída repentina do técnico, que tanta discussão gerou, não me espanta. Pode espantar quem não conhece a natureza humana. Esta, para simplificar, move-se pelo egoísmo e pelo poder, salvaguardando naturais excepções. O cidadão Rúben Amorim não fugiu de modo algum à regra... Palavra, valores são mera letra morta. Não deve ser incensado, nem ostracizado. Saiu, como alguns dizem, pela porta pequena, mas vai deixar uma equipa muito competente, bem motivada, com ambição de ganhar. Não é nenhum drama. Não há insubstituíveis. Alguém ocupará o seu lugar. O Sporting CP continuará como grande clube nacional e europeu.
Cabe à nova equipa técnica, seja qual for, dar seguimento ao projecto em curso. A equipa mostrou neste jogo com o Manchester City e nos anteriores, que já está num nível superior no panorama europeu e nesta época até pode fazer história, como era o desejo dos seus fundadores. Mas para que isso se torne numa regra permanente, é imperativo manter os melhores jogadores. A manutenção do plantel parece dar a entender qual é o caminho. Mantendo uma boa prática financeira é possível manter plantéis competitivos dentro e fora de portas. Acredito no presidente Varandas e na sua estrutura, para que isso aconteça. Uma gestão competente, permite fazer mais com menos. E passo a passo, quem sabe, se não estamos mesmo a caminhar para sermos dos maiores da Europa.
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