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Fotografia com história dentro (239)

Um dérbi para o título (1961-62)

Leão Zargo, em 14.03.21

SCP SLB 1961-62 3-1 CN 26ª jornada.jpg

Em 1961-62, o Benfica, que tinha sido campeão nacional e europeu na época anterior, era considerado o grande favorito à conquista do campeonato. No entanto, o título foi disputado até fim entre o Sporting e o FC Porto, que antes da última jornada estavam em igualdade pontual na classificação. Os leões, com vantagem no confronto directo (vitória por 2-0 e derrota por 1-0), receberam o Benfica, enquanto que os portistas jogaram em Guimarães.

A época começou atribulada para o Sporting treinado por Otto Glória, eliminado pelo Partizan de Belgrado na Taça do Campeões Europeus e um empate em Alvalade frente ao Lusitano de Évora (0-0) na 1ª jornada do campeonato. Na sequência do empate com os eborenses e de uma chuva de assobios no final do jogo, o treinador brasileiro garantiu que “sem ovos não se fazem omeletas”. A afirmação caiu que nem uma bomba no balneário, a seguir havia uma deslocação difícil às Antas e o presidente Gaudêncio Costa não hesitou: despediu Otto Glória e apostou no jovem Juca, que era o treinador adjunto.

A decisão do título foi remetida para a última jornada e Alvalade encheu-se com mais de 60 mil adeptos. Até a pista de atletismo ficou ocupada. O Benfica pouco tempo antes tinha derrotado o Real Madrid na final dos Campeões Europeus e era grande a expectativa. Na véspera, o guarda-redes Libânio tinha dado o mote para o dérbi: “em cada minuto, em cada lance pode estar a resolução dos nossos anseios”. Os leões jogaram sempre muito organizados e concentrados, venceram por 3-1 e fizeram a festa do título. No final, alguns jogadores benfiquistas foram ao balneário leonino saudar os novos campeões nacionais.

Ficha de jogo:

Campeonato Nacional da 1ª Divisão 1961-62 - 26ª jornada

Sporting 3 - Benfica 1

Estádio José Alvalade, 7 de Maio de 1962

Árbitro - Décio de Freitas (Lisboa)

Sporting - Libânio, Mário Lino, Lúcio, Hilário, Pérides, Fernando Mendes (capitão), Hugo Sarmento, Figueiredo, Diego, Géo e João Morais

Treinador - Júlio Cernadas Pereira (Juca)

Benfica - Costa Pereira, Mário João, Germano, Ângelo, Cavém, Fernando Cruz, José Augusto, Eusébio, Águas (capitão), Coluna e Simões

Treinador - Béla Guttmann

Golos - 1-0, Morais (20’), 2-0, Hugo (27’), 2-1, Eusébio (29’) e 3-1, Costa Pereira (40, p.b.)

publicado às 15:15

Fotografia com história dentro (115)

Leão Zargo, em 30.09.18

 

21186628_pU6RG.jpeg

 

Libânio Avelar

 

Libânio Avelar chegou ao Sporting no Verão de 1961 com 31 anos de idade. Octávio de Sá tinha regressado a Moçambique, o brasileiro Aníbal Saraiva não convencera, e os leões procuravam um guarda-redes muito mais experiente e seguro para disputar a baliza ao jovem Carvalho. Era um guardião com muita tarimba, com longa carreira na CUF (oito anos e Campeão Nacional da 2ª Divisão) e no Vitória de Setúbal (quatro anos).

 

Libânio Avelar permaneceu quatro épocas em Alvalade e assumiu-se sempre como uma alternativa válida a Carvalho, a quem nunca deu descanso. De tal forma que o treinador Juca deu-lhe a titularidade nas três últimas jornadas do Campeonato Nacional quando Sporting e FC Porto estavam com os mesmos pontos no topo da classificação. No último jogo da competição, decisivo para a atribuição do título, houve dérbi com o Benfica bicampeão europeu, Libânio é que defendeu a baliza sportinguista, os leões venceram por 3-1 e foram os campeões nacionais. Foi o primeiro jogo de Eusébio em Alvalade.


O futebol não é uma ciência exacta, mas existem coisas exactas no futebol. Na fase crucial do Campeonato, Juca confiou num guarda-redes imperturbável, mesmo nas situações de maior pressão ofensiva dos jogadores adversários, que transmitia grande confiança aos companheiros de equipa. Apesar de ser “baixote” (tinha 1,78 de altura), Libânio era seguro entre os postes e eficaz nas saídas destemidas da baliza. Na verdade, foi um bom guarda-redes do nosso futebol nas décadas de 1950 e 1960, um dos melhores numa segunda linha logo a seguir aos habituais titulares dos principais clubes portugueses.

 

No futebol as grandes vitórias também se alcançam com jogadores que parecem normais, que não são considerados excepcionais. Ao treinador compete impor uma visão comum, colectiva, que faça com que cada jogador se supere, que se torne indispensável. Foi o que se passou em 1961-62 com um plantel sobre o qual Otto Glória chegou a dizer, antes de ser demitido pela direcção sportinguista, que “sem ovos não se fazem omeletas”. Essa visão comum é também o combustível que conduz ao sucesso.

 

Na fotografia, Libânio está rodeado por adeptos leoninos que festejam o título no final do jogo com o Benfica em 27 de Maio de 1962.

 

publicado às 13:30

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