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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
Sabe-se que um Campeonato Nacional é uma maratona que se conquista ao longo de sucessivas jornadas. Mas, numa fase crucial da prova, há jogos de tal forma arrebatadores que a equipa que ganhou convence os seus adeptos de que “sim, agora é que é”. Muitos sportinguistas já se terão esquecido dos dissabores da época de 1999-00, durante muito tempo o futebol leonino parecia uma garrafa de vinho meia vazia, umas vezes, meio cheia, outras vezes. No entanto, os jogadores sofreram sempre uns pelos outros, lutaram juntos, partilhando entre eles a vontade férrea de alcançar o sucesso.
A contratação de André Cruz, César Prates e Mbo Mpenza no mercado de inverno foi decisiva na caminhada para o título. Maior eficácia nos livres directos e pontapés de canto e mais velocidade pela ala direita tornaram a equipa muito perigosa e objectiva, apesar de alguns resultados frustrantes. O momento redentor verificou-se no Sporting 2 - FC Porto 0 para a 26ª jornada. Antes do jogo, os portistas tinham dois pontos de vantagem, depois do clássico os leões passaram a liderar com um ponto de vantagem.
O Sporting foi um justo vencedor. O futebol leonino muito lutador e pressionante, com processos simples, intenso, venceu um adversário que teria mais talento técnico. Nunca lhe faltou coração pela grande condição física. Dois golos perfeitos, de André Cruz na marcação de um livre directo e de Beto Acosta no aproveitamento de um mau passe de Secretário. Os leões ganharam o clássico ao dominar o centro do terreno, Vidigal, Duscher e Pedro Barbosa pareceram sempre estar em superioridade numérica, o que permitiu um certo controlo do jogo.
Na fotografia, os leões que iniciaram o jogo com o FC Porto (Campeonato Nacional 26ª jornada 1999-00).
Um grande jogo de futebol é como que uma metáfora da vida de cada um de nós. Nele há vitória e derrota, aplauso e assobio, generosidade e mesquinhez, amor e ódio numa tal ordem que originam a sua natureza ficcional insólita e excepcional. Os grandes jogos de futebol são formas de arte dramática comparáveis às peças de teatro de Shakespeare, às óperas de Wagner ou aos bailados de Stravinsky. Num Estádio o ser humano liberta-se do seu labirinto vivencial e assume a condição inicial e primária de crente em mitos e heróis.
Num jogo emocionante, o Sporting foi um justo vencedor. O futebol leonino muito lutador e pressionante, de grande garra e empenho, venceu um adversário que terá mais talento técnico. Dois golos perfeitos, de André Cruz na marcação de um livre directo e de Acosta no aproveitamento de um mau passe de Secretário. A 2ª parte foi bastante disputada pelas duas equipas, e não se verificou alteração no marcador. Com a vitória, os leões passaram para a frente da classificação com um ponto de vantagem sobre os portistas.
Leões em campo: Schmeichel, César Prates, Beto, André Cruz, Rui Jorge, Vidigal, Duscher, Pedro Barbosa - capitão (Toñito, 67’), Mbo Mpenza (De Franceschi, 72’), Edmilson (Bino, 84’) e Beto Acosta. Golos por André Cruz (16’) e Acosta (37’). Nos festejos, os jogadores do Sporting levantaram a camisola de jogo que por baixo dizia “Golos para Moçambique”.
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