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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
Com a eliminação do Nacional e Estoril, esta quarta-feira, a Taça de Portugal passa a ser disputada exclusivamente a Norte. Do Porto a Braga, com passagens por Vila do Conde e Barcelos, as meias-finais, a duas mãos, jogam-se num percurso de 88 quilómetros.
A última vez que se verificou cenário semelhante foi há 39 anos, na época de 1976/77, com três dos mesmos clubes, FC Porto, SC Braga e Gil Vicente, com o Fafe a completar o quarteto. Na altura, foi a primeira e salvo erro única ocasião em que dois emblemas dos escalões secundários disputaram esta fase da prova, embora acabassem por serem eliminados pelos favoritos.
O FC Porto foi o eventual vencedor, derrotando o SC Braga, por 1-0, em jogo realizado no antigo Estádio das Antas.
Vem-me à ideia que o actual cenário geográfico dará nova "munição" a Jorge Nuno Pinto da Costa para argumentar que a final não deve ser agendada para "Oeiras".
Começo por reconhecer que houve um bom número de erros da equipa de arbitragem, dois deles com influência directa no resultado: o primeiro, no golo do SC Braga, por Wilson Eduardo, aos 42', que foi precedido por falta não assinalada sobre William Carvalho. O segundo, aos 11' minutos do primeiro período de prolongamento, no golo invalidado a Slimani, por fora de jogo mal assinalado pelo auxiliar.
Dito isto, espero que não se recorra ao factor arbitragem para desculpar a derrota e o afastamento da Taça de Portugal, porque fica longe de explicar tudo.
Jorge Jesus optou por fazer alterações - diria "invenções" - para este jogo que me ultrapassam completamente. Ou ele tem razão, apesar da evidência à vista, e do resultado, ou então serei eu que não fiz uma leitura correcta do jogo. Começou por montar a equipa numa espécie de 4x3x3, contrário ao usual 4x4x2. Digo espécie, porque a disposição dos jogadores nem sempre era clara. William Carvalho no meio-campo mas a espaços muito mais recuado, Adrien Silva à sua frente, com Aquilani praticamente a jogar livre, por vezes de apoio à linha intermediária, outras vezes a surgir em zonas mais da pertença de Slimani, quase como um segundo ponta de lança. Bryan Ruiz, como sempre, infelizmente, encostado à esquerda e João Mário a fazer praticamente de extremo no lado direito.
Com diversos outros jogadores à sua disposição, a integração de Aquilani no onze inicial e na posição em que jogou, terá de ser explicado pelo treinador, porque este adepto não tem esse alcance técnico.
Perdi a conta ao número de vezes que Jefferson foi batido e/ou apanhado fora de posição. Não surpreende, portanto, que o cruzamento para o golo vitorioso de Rui Fonte tenha sido iniciado na sua zona de responsabilidade, em que ele nem perto da bola se encontrava na altura. William Carvalho marcou um golo, é certo, mas fez uma exibição muito cinzenta, acentuada pelo número de passes falhados. Aquinali, com bons pormenores, a espaços, mas de igual modo a desaparecer do jogo. Fez um excelente cruzamento para o cabeceamento letal de Slimani, aos 57', mas esteve muito pouco em evidência na segunda parte da partida. A razão que levou Jorge Jesus a não o substituir mais cedo, compete a ele explicar, porque não faz sentido.
Não justifica coisa alguma, mas não posso deixar de apontar os dois golos do SC Braga algo fortuitos: o golo de Alan, aos 54', em que ele bate muito mal na bola mesmo para o solo aos seus pés e foi precisamente esse imprevisto ressalto que faz com que Rui Patrício seja batido. O outro golo, de Goiano, aos 83', em que a bola tabela em Paulo Oliveira.
Em tudo isto, há mérito do SC Braga. É uma boa equipa. Mas o Sporting tem argumentos superiores à sua disposição e, em abono da verdade, não havia necessidade de sofrer tanto, durante e agora pós-jogo.
Para ser sincero, não sei bem que ilações se pode retirar desta derrota e, sobretudo, do afastamento precoce da prova que o Sporting conquistou na época passada. Talvez... menos euforia/fanfarrice e mais humildade/realismo, reconhecendo que ainda há uma muito longa campanha pela frente.
Não há duas sem três - nem sempre acontece - mas este sábado aconteceu e o Sporting venceu o Benfica pela terceira vez esta época, merecidamente, diga-se.
Na realidade, apesar de uma segunda parte e prolongamento com algum maior equilíbrio de jogo, o Sporting foi sempre superior e o empate ao intervalo até foi excessivamente generoso para o Benfica, que marcou no único lance de perigo que criou e no único remate à baliza que fez nesse período. O Sporting acabou o jogo com 19 remates, contra 8 do clube da Luz.
A equipa esteve muito bem e no contexto individual também não se pode apontar o dedo a ninguém; todos fizeram uma boa exibição, alguns até atingiram um nível de excelência. Creio que a substituição de Fredy Montero, ao intervalo, terá sido por opção técnica de Jorge Jesus. Gelson Martins entrou a dar uma nova dinâmica ao jogo ofensivo leonino e até se destacou em alguns lances na zona defensiva. Novamente Slimani a mostrar todo o seu valor, com Adrien também a fazer um explêndido jogo e a dar gosto ao pé, com um golo muito oportuno.
Não posso deixar de comentar o golo do Benfica. Primeiro, a jogada pareceu-me em fora de jogo e, curiosamente, a Sport TV, entre tantas repetições, não mostrou uma única com a linha de fora de jogo à vista. Segundo, recorde-se, a jogada do Benfica é de contra-ataque, precedida por uma falta sobre Slimani não assinalada.
Não duvido que haja discussão sobre algumas decisões da arbitragem , nomeadamente o contacto que levou à queda de Luisão na área do Sporting, já no prolongamento, mas, também, houve um lance muito discutível na primeira parte do período suplementar em que Gelson Martins foi empurrado na área. Não surpreende que Rui Vitória, pelo seu muito excitado estado no fim do jogo, venha a recorrer à arbitragem para desculpar a derrota.
O Sporting foi melhor, mereceu a vitória e a permanência na Taça de Portugal.
P.S.: Congratulo Jorge Jesus por finalmente reconhecer que Teo Gutiérrez não tem lugar no onze inicial deste Sporting. Apesar de ter sido dos internacionais que menos tempo jogou pela sua selecção (58' em dois jogos) não saiu do banco.
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