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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
... que não vejo bem as coisas. Ao longo dos anos, foi com frequência que lia a crónica de um jogo de domingo em um diário desportivo, na segunda-feira, e perguntava a mim próprio, e a amigos, se esta se referia ao mesmo jogo a que eu assisti, "in loco" ou pela televisão. Pouco ou nada mudou com o passar do tempo... aparentemente.
No que diz respeito ao jogo da Selecção Nacional, a exibição não me agradou, a equipa mostrou insuficiências clamorosas a espaços e o meio campo não funcionou na construção das manobras ofensivas. Escrevi na crónica que publiquei logo a seguir ao jogo, que, na minha opinião, o grande problema deste meio campo centra-se em Tiago, que não justifica a titularidade, minimamente. Não mencionei Danny, mas também fez parte integral da minha análise global.
Estarei errado com estas observações, porque acabo de ler o seguinte no "Record":
«Tiago... Durante mais de 70 minutos foi, com Moutinho, um dos grandes dominadores de todo o espaço do meio-campo, desdobrando-se no terreno. Jogou na antecipação, quando tinha de ajudar William Carvalho, e no passe quase sempre certo na procura de Nani ou Ronaldo. Quando saiu já estava esgotado.»
Não comentei João Moutinho mas, sem ser brilhante, esteve melhor do que Tiago. Acho, no entanto, esta apreciação nada menos do que surreal:
«João Moutinho... Há muito tempo que não víamos João Moutinho jogar a este nível na Selecção Nacional. Seguramente que desde o jogo com a Suécia, em Solna, que não se mostrava tão decisivo em todas as acções ofensivas de Portugal, correndo quilómetros mas com qualidade, fazendo passes no tempo certo e para o companheiro certo. Um gigante.»
Que me perdoem, mas não foi este o jogo que eu vi !
Nunca fui dos maiores fãs de Paulo Bento - nem dos maiores críticos - mesmo enquanto orientava o Sporting, mas em relação aos casos de Ricardo Carvalho e Tiago, concordo na íntegra com as decisões tomadas. Aliás, a bem dizer, foram os próprios jogadores que assumiram as suas posições de livre vontade e, ao que concerne Tiago, até recusou repetidos convites do Seleccionador Nacional.
Em entrevista ao "L'Équipe" - concedida antes da partida para o Brasil, mas só publicada este domingo - Paulo Bento aborda diversas questões relacionadas com a equipa das quinas, inclusive dos casos de Ricardo Carvalho e Tiago:
Por que disse que não faz sentido falar do regresso à equipa nacional de Tiago e Ricardo Carvalho ?
«Desde logo, são casos que nada têm a ver um com o outro, não podem ser associados».
Então, comecemos por Tiago...
«Começamos e acabamos em Tiago. Entre Outubro de 2010 e Janeiro de 2011, tivemos várias mudanças. Cheguei mesmo a deslocar-me a Madrid, para tentar fazer com que mudasse de ideia e recuasse na decisão. Manifestei claramente o meu desejo de contar com ele. Tiago manteve a sua posição. Foi claro, honesto. A partir daí, cada um seguiu o seu caminho. Relativamente ao grupo, não faria sentido, para mim, voltar a chamar Tiago, hoje. E creio que ele compreendeu bem o fundamento da minha decisão.»
E Ricardo Carvalho ?
«Não merece o menor comentário.»
Apoio totalmente Paulo Bento porque, na minha opinião, um jogador que abandona a Selecção Nacional, sem sequer falar com o Seleccionador, e apenas porque percebeu que não ia ser titular num jogo amigável - como foi o caso de Ricardo Carvalho - não merece jamais voltar a representar o seu País. Isto, muito além das suas eventuais descabidas declarações.
O caso de Tiago é bem diferente, como indica Paulo Bento. Não me recordo das explicações que terá dado para a sua decisão de renunciar à Selecção, mas foi sempre a minha ideia que ele o fez por interesse próprio, visando aliviar a carga de jogos e responsabilidades e dar prioridade à carreira de clube. Além do mais, teria sido uma grande injustiça ele ser chamado para o Mundial do Brasil, à última da hora, em detrimento de outro jogador que contribuiu para o apuramento para a fase final.
Em entrevista à SIC Notícias, Tiago (Atlético de Madrid) foi muito simpático afirmando que a Selecção Nacional "merece todo o carinho" e que ele vai ser "um dos que vai apoiar quem vai ao Mundial", mas - e é um MAS muito grande - não perdeu a oportunidade para confessar que gostaria de regressar ao grupo e marcar presença no Brasil, apesar de reconhecer que "Paulo Bento não o vai ter em conta".
Achei esta sua atitude de "atirar o anzol para a água para ver se pegava" algo deselegante, considerando que foi ele, por sua própria iniciativa e contra a insistência de Paulo Bento em contrário, que abandonou a equipa das quinas logo após o Mundial de África do Sul, juntamente com Miguel, Simão Sabrosa e Paulo Ferreira.
Paulo Bento, instado a comentar esta situação, afirmou, e bem, "Neste momento e a quinze dias de ser divulgada uma convocatória, do meu ponto de vista, não faz sentido integrar Tiago. É algo evidente e sem polémica."
Muito injusto da parte de Tiago colocar o Seleccionador Nacional nesta posição. Deveria ter tido a sensatez de reconhecer que a sua oportunidade já passou e que não era agora, literalmente à última da hora, que o seu regresso iria ser permitido e em detrimento de um outro jogador que merece essa distinção. Isto, para não evocar a disposição desportiva.
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