Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Sporting atira-se ao VAR

Rui Gomes, em 13.09.21

img_467x599$2021_09_13_01_03_44_1902898.jpg

Esperamos mais informações sobre a reacção do Sporting, mas não nos surpreende dado que nós próprios abordámos estas questões ontem, aqui no Camarote Leonino.

Tal como referimos, o epicentro da queixa leonina recai sobre a inacção, ou melhor, a falta de comparência do VAR João Pinheiro, nomeadamente nos dois lances em que Coates sofre faltas para grandes penalidades e o cartão vermelho directo a Pepe por agressão.

O momento para abordar questões polémicas não será o melhor, uma vez que a equipa prepara-se para o jogo inaugural da Champions, na próxima quarta-feira, frente ao Ajax.

____________________________________________

Infelizmente o VAR é uma ajuda tecnológica que não favorece uma melhor visão dos lances, porque não depende unicamente da visão de quem o usa, mas também da vontade, da isenção, da liberdade de quem o usa. A mesma ferramenta consegue ser usada para anular um golo por um "microtoque" no braço de um GR, mas não consegue ver um soco, numa imagem em ângulo aberto, na cara de um jogador! Com tamanha disparidade, ao nível da acuidade visual, por parte do utilizador, não há como confiar nesta "evolução" tecnológica.

Texto da autoria de Leão do Norte

ADENDA

O Sporting endereçou nas últimas horas à Comissão de Instrutores (CI) da Liga um pedido para a elaboração de um auto de flagrante delito a Pepe, central do FC Porto.

A CI tem, segundo os regulamentos, um prazo de três dias para responder à solicitação, ou seja, para verificar se existe matéria de facto para a abertura de um processo sumário, posteriormente analisado pelo Conselho de Disciplina da FPF.

Este pedido passa, assim, pelo ponto 2 do Artigo 258.º do Regulamento de Disciplina da Liga, no qual é explicado que uma infracção é flagrante quando "detectada através de objectos ou sinais percepcionados directamente, ainda que através da visualização de imagens televisivas, que mostrem claramente que a infracção foi cometida e o agente nela participou".

publicado às 04:03

Golos anulados aumentaram significativamente com o VAR em Portugal

São as conclusões de um estudo do Portugal Football Observatory

Rui Gomes, em 24.07.21

mo1196941d8defaultlarge_1024.jpg

O número de golos anulados sofreu um acréscimo de 165 por cento desde a introdução do videoárbitro (VAR) no futebol português, na época de 2017/2018, segundo um estudo divulgado esta sexta-feira pelo Portugal Football Observatory, ascendendo a uma média de 77 golos anulados por época.

"O videoárbitro tem contribuído para reduzir os erros e, ou, infracções passíveis de escapar ao escrutínio imediato no campo. Em todas as épocas VAR houve subida dos golos anulados", lê-se nas conclusões publicadas pela Federação Portuguesa de Futebol.

Os dados demonstram que, nas últimas quatro épocas, o VAR tem sido "essencial" para reverter cada vez mais decisões iniciais do árbitro, sublinha o estudo, exemplificando que, em 2020/2021, o VAR permitiu detectar irregularidades que levaram à anulação de 40 golos e 18 penáltis inicialmente validados e assinalados, respectivamente.

Da comparação entre os dados relativos aos golos anulados antes e após a utilização desta ferramenta tecnológica, verifica-se um aumento significativo por época desportiva: antes do VAR a média era 29 por época, e depois do VAR esse valor aumentou 165 por cento.

Mais, sem o recurso ao videoárbitro, nas últimas quatro épocas, teriam sido validados 119 golos, 56 penáltis e seis cartões vermelhos directos.

Os dados indicam também que, de época para época, o árbitro tem vindo a aceitar mais vezes a análise do VAR.

Na época de 2020/2021 o árbitro seguiu o parecer do VAR em 96 por cento dos lances, mesmo tendo decidido inicialmente de forma diferente. O impacto na queda das reversões decorreu de penáltis e da amostragem de cartões vermelhos, ao passo que os golos não tiveram influência relevante nessa descida.

Estas são algumas de várias conclusões do recém-estudo do Portugal Football Observatory (PFO), que analisou o "Impacto do VAR nas decisões dos árbitros e no Jogo".

Segundo o actual protocolo, o VAR emite a sua opinião sobre os lances em que entende ter havido erro claro e óbvio, mas a decisão final é do árbitro de campo.

publicado às 03:02

Screenshot (142).png

O cartoonista Henrique Monteiro - benfiquista assumido - sublinha essa sua condição com este cartoon de Nuno Almeira, árbitro ontem na final da Taça de Portugal.

O clube da Luz está a ter muitas dificuldades em digerir o insucesso da época, depois da promessa do treinador que iriam jogar o triplo. Nesse sentido, vi recentemente um outro cartoon muito engraçado cujo foco era uma garrafa de Triple Sec.

Depois das inúmeras queixas de Jorge Jesus sobre o factor Covid-19 e como o coronavírus afectou o Benfica como a nenhum outro clube - segundo ele -, surge hoje um ataque à arbitragem em que é peça central "Não vamos tolerar que VAR só funcione para uns".

Admite-se que há problemas com a funcionalidade do VAR no futebol português - já o referimos muitas vezes neste espaço -, contudo, é pura hipocrisia o Benfica apresentar-se como a única vítima de decisões adversas. Vejamos o que tiveram para dizer:

"Não andamos a condicionar arbitragens antes dos jogos, com ameaças mais ou menos veladas. Recusamos a refrega permanente em prol de uma suspeição nociva e tóxica para o Campeonato português. Refutamos tudo isso, mas exigimos respeito. Confiamos nas instituições que têm responsabilidades, mas não aceitamos impávidos que nos prejudiquem sistematicamente em momentos decisivos. Não vamos tolerar que o VAR só funcione para uns, ignorando os penáltis que sofremos e as más decisões que nos diminuem. É tempo de quem tem esse dever – nomeadamente, a Federação Portuguesa de Futebol – mudar o que tiver de mudar a bem do futebol e assumir as suas falhas. Nós saberemos assumir as nossas, corrigindo o que tiver de ser melhorado para a próxima época".

O comunicado completo está disponível aqui.

publicado às 17:00

doc2019012525479753mal_3574a444900c0defaultlarge_1

O SC Braga, uma vez mais, recorreu à Newsletter semanal do clube para tecer algumas críticas sobre matérias de arbitragem. Desta vez concretamente sobre o vídeo-árbitro, que o emblema minhoto considera já ter tido "intervenções tóxicas".

"O VAR deveria ser uma ferramenta de essencial auxílio à verdade desportiva, mas já por várias ocasiões mostrou ter uma intervenção tóxica no jogo".

Entre outras considerações, disponíveis aqui, pode-se ler esta a terminar o artigo na referida Newsletter:

"Por último, o número de câmaras presentes em cada um dos estádios e a influência que estas podem ter na boa utilização do VAR. Não se entende, nos dias de hoje, como é que ainda existe uma desigualdade entre Sporting, FC Porto e Benfica e todos os restantes clubes, SC Braga incluído.

Como é que nos jogos disputados entre 15 clubes o número de câmaras nunca é superior a 8, e em contrapartida, naqueles em que participam os três clubes acima mencionados, este número passa, no mínimo, para 12 câmaras? Mas será que há dois campeonatos diferentes? Exigimos igualdade na aplicação e cumprimento das regras e este propósito só poderá ser alcançado se a conjuntura de análise disciplinar for igual para todos. Sem excepção".

Reportagem de André Gonçalves, Record

publicado às 13:15

doc2019012525479753mal_3574a444900c0defaultlarge_1

O sistema de videoárbitro (VAR) em funções na I Liga portuguesa de futebol registou 534 incidentes nos jogos das primeiras doze jornadas desta época, com 43 lances revistos, revelou ontem a Federação Portuguesa de Futebol. Segundo os dados divulgados, dos 43 lances revistos, 95% resultaram numa reversão da decisão original.

A divulgação pelo Conselho de Arbitragem foi decidida para "contribuir para o melhor esclarecimento de todos os agentes desportivos e adeptos".

Pois... "para melhor esclarecimento"Siga...

Com uma média próxima dos cinco incidentes por jogo na primeira dúzia de jogos da temporada 2020/21, há um aumento de 100 minutos, ou 14%, dedicado a revisões e outros momentos de actuação do VAR.

Se apenas 5% das decisões se mantiveram após a revisão do VAR, 51% dos momentos de revisão incluíram a visualização do lance pelo árbitro principal, no relvado.

Por outro lado... o grosso dos incidentes prende-se principalmente com a verificação da validade de um golo, seguida dos momentos de possível grande penalidade.

O Conselho de Arbitragem destaca que foram já promovidas, esta época, um total de 133 horas de formação específica, apontando para um total de 610 até ao final da temporada, além da utilização de um simulador que permite aos árbitros recorrer a jogos para poder decidir em cada vez menos tempo.

"No âmbito do investimento no treino e desenvolvimento dos árbitros, o Conselho de Arbitragem intensificou a relação com o consultor independente David Elleray, cuja colaboração data de 2017, ano em que foi introduzido o VAR em Portugal", acrescenta a nota federativa.

E o relatório sobre os erros cometidos?... Podem começar com o jogo em Famalicão!!!

publicado às 03:47

"Não há razão para o VAR não ver"

Rui Gomes, em 03.01.21

21933450_DbcuU.png

Miguel Braga, Responsável de Comunicação do Sporting CP, considera, com plena razão, que ficaram por marcar dois penáltis a favor do Sporting na partida com o SC Braga, mais concretamente sobre Feddal e Tiago Tomás, ambos na primeira parte. E criticou ainda o facto de apenas ter sido mostrado cartão amarelo ao guarda-redes bracarense por entrada violenta sobre Sporar:

"Bom jogo contra uma boa equipa e mais três pontos, porém o VAR deveria ter auxiliado na marcação de dois penáltis. Não há razão para que o VAR não tenha visto. Não há razão alguma para que o VAR não tenha assinalado. O amarelo ao Matheus é também inexplicável. Próxima paragem: Nacional da Madeira".

Mais uma vez, o Conselho de Arbitragem da FPF evidenciou-se pelo seu silêncio. Veremos ainda se deste jogo ainda vai sair mais algum processo disciplinar contra o Sporting e seu treinador.

______________________________________________

Carlos Carvalhal, no entanto, tem outra visão das coisas:

"Não falo de arbitragens. Os jogadores do Sporting queixaram-se? Espectacular (risos). Tenho uma visão diferente, do jogo. Foi um jogo disputado. Duas equipas que tentaram fazer o seu melhor. Fizemos um bom jogo e tivemos qualidade para sair do espartilho táctico que estava o jogo. Tivemos as três oportunidades flagrantes, na segunda parte podíamos ter marcado, com uma excelente defesa. Marcámos e foi invalidado. Polémicas não é para mim".

Foi invalidado, com dois jogadores em clara posição irregular. Mas será pedir muito para ele admitir este simples facto.

publicado às 03:03

Screenshot (470).png

O Sporting Clube de Portugal promoveu, esta segunda-feira, o 'VAR Future Challenges', um webinar (seminário através da internet) que reuniu vários especialistas internacionais para auscultar os problemas e debater possíveis soluções para uma melhor utilização da ferramenta que chegou para ficar no futebol: o videoárbitro (VAR). 

naom_590d9a85622e1.jpg

O Clube Leonino reuniu um painel diverso de oradores constituído por figuras ligadas à arbitragem, como Paddy O'Brian e Nigel Owens, árbitros internacionais de râguebi (modalidade com a sua muito própria versão do VAR, designada TMO – Televison Match Official), Keith Hackett, antigo árbitro inglês de futebol, e ainda Greg Barkey, árbitro da MLS (Liga Norte-Americana de futebol), bem como personalidades em representação de organizações de grande relevo no futebol europeu, como Gijs de Jong, secretário-geral da Federação Holandesa de Futebol, Alexander Ernst e Jochen Dree, da Federação Alemã de Futebol, Helena Pires, da Liga Portugal e também José Fontelas Gomes, presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

Pode ler aqui, algumas das considerações em debate.

_______________________________________________

Em nota separada, mas ainda relacionada com a conferência do SCP, José Fontela Gomes, presidente do Conselho de Arbitragem da FPF admite abrir as comunicações entre árbitro e videoárbitro em tempo real, mas sublinha que é preciso "tempo, treino e aprendizagem" para dar esse passo:

"Neste momento é muito difícil colocar em prática as comunicações em tempo real. No futuro, esta é a forma de dar maior transparência e credibilidade ao VAR. Precisamos de tempo, treino e aprendizagem. Talvez se no início colocarmos uns 'clips' nos média, só para os adeptos perceberem bem que não há ali quaisquer segredos, para as pessoas perceberem bem como trabalhamos com o VAR. Temos muito trabalho para fazer nesta área. A nossa opinião, neste momento, é que precisamos de muitas horas de treino antes de podermos dar este passo".

Treino e aprendizagem para quê? Para ensaiar os discursos? Parece-me que o componente principal é do foro tecnológico. A partir desse ponto é apenas fazer o que fazem agora, com a distinta diferença que toda a conversa será pública. Por outro lado, até é de admitir que é precisamente isto que será muito inconveniente e exige ser bem treinado.

Ainda, a explicação de Fontela Gomes para as decisões erradas do VAR:

"As pessoas que estão no VAR sofrem pressão para tomar a decisão certa. Há situações de interpretação, o que para um é claro em termos de erro, para outra pessoa não é. O stress e a pressão são os principais problemas que levam a decisões erradas do VAR. Temos de treinar muitas horas e educar a implementação do VAR. Não temos de mudar muito as leis de jogo. Algumas ligeiras mudanças".

Stress e a pressão são "os principais factores"?... Acho que Fontela Gomes deve puxar mais pela sua imaginação para dar uma explicação/justificação mais coerente e realística.

publicado às 04:34

gianni_infantino_foto_ennio_leanza_epa12445638defa

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, saiu em defesa do VAR, considerando que o novo sistema “está a ajudar o futebol”, e rejeitou que esteja a “prejudicar ou danificar” o desporto.

É preciso ter em conta que o VAR só foi introduzido há dois anos e não há vinte anos. Está a ajudar o futebol, não o está a prejudicar ou danificar. A importância do VAR não pode ser confundida por algumas decisões erradas que podem ter sido tomadas em determinado momento.

Os erros que têm acontecido são sobretudo por falta de experiência. Eu acredito que o VAR está em boas mãos. É preciso evoluir através das informações que são recebidas em todos os jogos. Com essas informações, é possível discutir melhorias".

Gianni Infantino abordou ainda o actual calendário de competições, formatado devido à pandemia da Covid-19, com praticamente todos os clubes a terem de disputar dois jogos por semana.

“No futuro próximo, será necessário que todas as partes envolvidas no futebol discutam e debatam a criação de um calendário harmonioso que tenha em consideração a saúde dos jogadores. É preciso proteger selecções, clubes e o futebol mundial”.

Bem... um discurso muito positivo, mas há determinadas realidades que contrariam o seu optimismo.

Admite-se que o VAR tem tido alguns aspectos muito benéficos, mas não podemos ignorar que cada país lida com as suas próprias circunstâncias, e em Portugal tem-se verificado que os erros de registo não se devem apenas a falta de experiência dos homens do apito. Há vários casos de pura incompetência e ainda outros que, como sempre, nos levam a suspeitar a imparcialidade e objectividade das decisões tomadas.

No que ao calendário competitivo diz respeito, a realidade é que o número de jogos tem vindo a aumentar ano após ano, nomeadamente devido ao alargamento de algumas provas e à criação de outras, e ainda há escassos dias a UEFA revelou que pretende aumentar significativamente o número de jogos da Liga dos Campeões. Relativamente a selecções, a razão de ser da Liga das Nações é muito discutível.

Tags:

publicado às 03:03

Já começa?

Rui Gomes, em 30.11.20

Screenshot (425).png

Ao que consta, o vídeo-árbitro do Sporting-Moreirense vai ficar afastado das nomeações durante várias semanas. A decisão do Conselho de Arbitragem em colocar Rui Oliveira na jarra tem a ver com o erro no primeiro golo do Sporting, que deveria ter sido anulado devido ao contacto da bola com o braço de Pote, momentos antes de este marcar.

O CA irá manter o critério que já levou ao afastamento de alguns juízes esta época, entre os quais Nuno Almeida e André Narciso, referente ao P. Ferreira-FC Porto. O algarvio e o setubalense não voltaram a dirigir jogos profissionais desde então, tendo apenas estado na Taça de Portugal por não haver árbitros suficientes para os duelos envolvendo equipas da Liga NOS.

Para o CA, Rui Oliveira cometeu um erro grave ao não dar indicação da falta ao árbitro Vítor Ferreira. O portuense não respeitou as directrizes fornecidas aos árbitros na função de VAR e será punido por isso. Até porque se tratou de uma falha com consequências no resultado, vitória do Sporting por 2-1.

Nota: Deve haver uma outra imagem muito mais especial, porque neste vídeo da jogada do golo não se consegue ver infracção alguma.

publicado às 03:33

img_920x518$2020_11_17_13_29_51_1780148.jpg

Uma versão mais simples do videoárbitro (VAR) e uma abordagem que se estenda "a todos os níveis do futebol" está a ser estudada por um grupo de trabalho da FIFA, informou esta terça-feira o organismo, em comunicado, acrescentando a possibilidade de redução nos requisitos mínimos tecnológicos.

O grupo denominado 'Inovação e Excelência' apresentará brevemente à FIFA e ao IFAB - órgão regulador das Leis do Jogo - recomendações para colocar em 'marcha' a reforma pretendida, no sentido de simplificar o VAR.

"Existe a necessidade de criar sistemas mais acessíveis e que permitam o recurso ao assistente de vídeo na arbitragem a todos os níveis do futebol".

Na mesma nota, o organismo diz também estar a estudar um desenvolvimento tecnológico semiautomático para a questão do fora de jogo, no sentido de tornar a análise dos mesmos o mais eficaz possível.

Tudo muito bem..., mas teremos de esperar para ver as medidas inovadoras que vão ser propostas e eventualmente implementadas. Não há dúvida alguma que o recurso ao VAR necessita urgentemente de ser melhorado, mas também é igualmente verdade que estes "grupos de trabalho" da FIFA nem sempre vêm à luz com inovações de excelência. Aliás, há aspectos das leis do jogo que urgem há anos ser alteradas mas que a FIFA e/ou o IFAB recusam efectuar.

Não sendo novidade alguma, há em tudo isto uma realidade incontornável: enquanto o ser humano participar no processo decisional vamos ter erros e quaisquer novas medidas que venham a aumentar a participação humana, em vez de a reduzir, tornar-se-ão ainda mais susceptíveis ao erro, especialmente em países como Portugal onde os critérios de decisão são inconstantes e vulneráveis a influências alheias.

publicado às 17:00

Gastaram-se litros de tinta, usaram-se uns quantos quilos de palavras, passe o exagero, com interpretações, tão ou mais subjectivas, que o lance de penálti revertido no jogo Sporting-FC Porto. Do que foi dito e escrito, resulta um denominador comum: o homem do apito, esteve certo na sua decisão em função do que observou directamente, mas, ao mesmo tempo, esteve errado, de acordo com as imagens televisionadas, que lhe foram apresentadas pelo VAR. Assim sendo, a reversão acabou por ser correcta, ou por outras palavras, "escreveu-se direito por linhas tortas". Quando o assunto cair no esquecimento, a banda continua a tocar.

Imagens televisionadas? Começam aqui as contradições. Porque razão o VAR meteu o "bedelho" onde não devia. Sobre tudo o que li e ouvi, há uma posição unânime: o lance em causa não constituía um erro grosseiro do árbitro. E mesmo perante as imagens que têm aparecido, a intervenção do defesa portista na acção do avançado é susceptível de diversas interpretações. Também não se nega o contacto, o que se discute, fundamentalmente, é se teve ou não influência no seguimento da jogada.

Screenshot (239).png

Para não acrescentar mais litros ou quilos à polémica, coloco algumas interrogações: o que se passou na comunicação, que não devia ter existido, entre o VAR e árbitro? O que viu este nas imagens televisivas que o levou a mudar a sua anterior decisão? Não viu contacto? Se viu, calculou então a sua intensidade? Com que certezas mudou a decisão? Será que não os tem no sítio? Tem medo de quê ou de quem?

Em conclusão, o homem do apito foi célere na marcação da infracção, mas depois de uma conversa de "pé de orelha", mudou de agulha. Acredito que quando foi ver as imagens já tivesse a reversão decidida.

Vimos vários comentadores encartados a dizer que não era caso para VAR, mas que a sua intervenção repôs a verdade, a partir da dita conversa, que não podia ter existido. Que raio de coerência é esta? A verdade é que é fácil bater num clube sério como o Sporting CP, ainda por cima com o acordo de certas facções internas. Na realidade, não me lembro de ver estes comentadores mexer uma palha, contra as falcatruas que beneficiam outros clubes. A verdade é que não se "escreveu direito por linhas tortas" mas escreveu-se "torto por linhas direitas". 

publicado às 03:49

maxresdefault.jpg

Um muito breve esclarecimento para complementar o debate que decorre neste momento sobre o VAR e a sua actuação no jogo de ontem entre Sporting e FC Porto.

Em Dezembro 2019, Lukas Brud, secretário-geral do International Football Association Board (IFAB), em declarações ao jornal L'Équipe, esclareceu que "o VAR só deve actuar em situações claras e óbvias".

"Se uma situação não é clara ao primeiro olhar, então não deve ser considerada. Olhar para uma câmara de um ângulo é uma coisa, olhar para quinze câmaras, procurando encontrar algo que pode estar ou não ali, essa não era a ideia original. Não estamos à procura da melhor decisão, mas sim a tentar livrar-nos de erros claros e óbvios".

Isto não vem do IFAB, mas nem por isso deixa de ser interessante que na Austrália ouve-se na TV a conversa entre o árbitro e o VAR. Dá para imaginar que esta prática em Portugal não seria vista de bons olhos pelos principais intervenientes do futebol português.

Tags:

publicado às 15:09

Screenshot (232).png

O que é que Luís Godinho viu no monitor - com a cumplicidade de Tiago Martins (VAR) - diferente do que viu no relvado no momento real do lance?

O facto de ser o mesmo VAR que agiu na época passada em Moreira de Cónegos, tal como Frederico Varandas refere nas suas declarações, deve ser "mera" coincidência, decerto?!?

O árbitro assinalou falta de Zaidu sobre Pote na área numa primeira instância e exibiu o 2º cartão amarelo ao lateral-esquerdo portista. No entanto, reavaliou o lance no monitor e reverteu a decisão.

(O vídeo do lance disponível aqui)

Frederico Varandas, em conferência de imprensa, manifestou a sua indignação:

"Hoje o Sporting CP está triste porque perdeu dois pontos e acho que o futebol português também está triste porque teima em não mudar. Já vi o lance várias vezes, e só faço uma pergunta: este mesmo lance, este possível penálti, sabem quando é que era revertido no Estádio do Dragão ou na Luz? Nunca, nunca. O árbitro vê empurrão nas costas, assinala penálti, depois o VAR surge a analisar se há intensidade, se é dentro ou fora da área. É o costume... o VAR só deve analisar num erro clamoroso. Para mim é penálti, é. O jogador leva um encosto no ar, para mim é penálti. Foi marcado, em Alvalade, é revertido. Mas também vi em Tondela o Doumbia ser pisado, o árbitro bem a mostrar o vermelho, o VAR chamou e reverteu em amarelo. Também vi um penálti claríssimo em Moreira de Cónegos que o mesmo VAR de hoje não viu. O VAR chamou o árbitro, viu, mas o árbitro continuou a achar que não era penálti.

São estas coisas que acontecem frequentemente no futebol português, mas sobretudo ao Sporting. O mesmo VAR não vê o vermelho directo ao Zaidu, qual é a dúvida? E é por isso que acho que o futebol português devia estar triste. Infelizmente, em Portugal, para triunfar só por mérito, é muito difícil. No futebol ainda mais. Não interessa se a pessoa foi apanhada em escutas, se tem processos judiciais, interessa é se tem poder, se ganhou e aí todos prestam vassalagem.

O Sporting dá todo o apoio ao presidente da arbitragem mas já disse isto três vezes: Se os soldados não prestam, encostam-se. E se virmos, há um denominador comum muitas vezes. Há valores que o Sporting não abdica, não vamos fazer o que se fazia, não vamos jogar sujo. Mas se tivermos de gritar, vamos gritar bem alto. Custe o que custar, vamos vencer."

__________________________________________________

ADENDA

Faltava, neste post, os pareceres de alguns "peritos" cá do burgo...

Jorge Faustino (nota 3) - Arbitragem que confirmou a maturidade de um "jovem" internacional onde alguns erros de critério não influenciaram o resultado. Trabalho globalmente positivo.

- Zaidu, na tentativa de jogar a bola, mas numa abordagem muito negligente, acertou com a sola da bota no pé de Pedro Porro. Vantagem bem aplicada e correta a exibição do amarelo na interrupção seguinte.

- Existe contacto do braço de Zaidu nas costas de Pedro Gonçalves que parece não ter impacto na movimentação deste. Lance de interpretação de intensidade onde se aceita a decisão de não sancionar penálti.

Marco Ferreira (nota 3) - Cometeu alguns lapsos a nível técnico e disciplinar. Errou em assinalar o pontapé de penálti com o VAR a intervir correctamente. Acusou a pressão do jogo acabando por não influenciar o resultado final.

-  Zaidu aborda tarde a bola e pisa o pé do adversário de forma negligente, Árbitro aplica a lei da vantagem e adverte na interrupção. Boa decisão.

- Zaidu e Pedro Gonçalves tentam disputar a bola dentro da área do Porto com o avançado a cair, Árbitro assinala pontapé de penálti. VAR aconselha o árbitro a verificar o monitor e reverte a decisão correctamente. Lance normal sem infracção.

**** Surpresas?... Nenhuma!!!

publicado às 04:04

xeebra_fifa_pr_header_photo.png

Aleksander Ceferín, presidente da UEFA, defendeu a necessidade de se encontrar uma alternativa à interpretação da regra do fora de jogo feita com a tecnologia de linhas do VAR. O líder do organismo europeu não quer que "as equipas sejam arruinadas por uma má decisão".

"Um centímetro fora de jogo não é fora de jogo... Essa não é a intenção ou o significado da regra. Tem de ser um erro óbvio e decisivo para o VAR intervir", afirmou Ceferín em entrevista à Sky Sports.

De referir que a UEFA prepara-se para introduzir linhas virtuais mais grossas nos lances de possível fora de jogo analisados pelo VAR. Esta mudança deve entrar em vigor a partir de 2020/21, nos jogos da Liga dos Campeões e Liga Europa.

"Linhas mais grossas são mesmo essenciais, porque a linha é colocada subjectivamente. Não existe precisão exata e um centímetro pode arruinar a época de um clube. A mão na bola também é problemática, mas não sei o que fazer acerca disso", observou.

publicado às 03:03

pierluigi-collina-masterclass-sky-sports.jpg

Pierluigi Collina, antigo árbitro italiano que actualmente chefia a comissão de arbitragem da FIFA, reflecte sobre a introdução da tecnologia no futebol e defende que o VAR não pode ser encarado como um decisor, mas como um auxiliar ao árbitro de campo.

"O árbitro deve decidir como se a tecnologia não existisse. O objectivo é não precisar do VAR porque as decisões são tomadas de forma correcta de acordo com a preparação que os árbitros fazem", começou por dizer em entrevista à La Gazzetta dello Sport o antigo árbitro, que apitou uma final da Liga dos Campeões (1999), uma final de um Mundial (2002) e uma final de um Europeu (1998).

"O árbitro sabe bem que está ali um para-quedas que pode ajudar a corrigir um erro. É preciso conhecer tudo acerca do jogo, analisar vídeos para conhecer as tácticas e as características dos jogadores. No meu tempo, isso era feito ocasionalmente, agora faz parte da preparação integral dos árbitros".

publicado às 03:03

naom_57f60c70eee77.jpg

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, manifestou, esta quinta-feira, muito optimismo quanto ao futuro do VAR, muito embora reconheça que não está a ser utilizado da mesma maneira em todos os países onde foi implementado.

O líder do organismo que superintende o futebol mundial, em declarações reproduzidas pela REUTERS, defende que "é importante que o VAR esteja lá para apoiar o árbitro mas não para tomar as decisões que deveriam ser do juiz da partida. Não deveria ser outra pessoa a tomar as decisões pelo árbitro, e é assim que o VAR está implementado em quase todas as partes do mundo, mas não em todas".

Quanto ao leque de críticas de que o VAR tem sido alvo, especialmente, em Inglaterra, Gianni Infantino recorda que, "no início, Itália atravessou um período conturbado", que acabou por ser superado.

"Não levaria essas críticas, de Inglaterra e da Premier League em particular, de forma demasiado dramática. Não há razão alguma para que, em Inglaterra, não possa ter tanto sucesso como em qualquer outro local. 

Penso que é bastante normal em algo pelo qual o futebol esteve à espera durante 150 anos. Mas... há, sem dúvida, progresso. É, certamente, um passo na direcção certa, e uma ajuda para os árbitros, mas tem de ser usado de maneira apropriada".

Pois... mas em Portugal, pelos muitos exemplos de registo esta época, e ainda vai a meio, fica a ideia que a "direcção certa" do VAR ainda não foi encontrada e muito dificilmente será enquanto forem os mesmos homens a dirigir o Conselho de Arbitragem e a apurar e seleccionar os árbitros.

publicado às 17:16

img_920x519$2020_01_01_20_31_44_1645140.jpg

Não há campeonato algum de topo sem situações polémicas por golos invalidados pelo VAR devido a foras de jogo milimétricos.

A imagem que publicamos é do jogo desta quarta-feira entre o Burnley e Aston Villa em que um golo foi invalidado pelo VAR à equipa visitante, porque o calcanhar do goleador estava, por milímetros, adiantado relativamente ao último oponente.

Entretanto, o Internacional Football Association Board (IFAB), organismo que regula as leis do jogo no futebol, decidiu tomar uma posição pública em relação à atuação do VAR, nomeadamente em lances de fora de jogo, manifestando que as indicações dadas para considerar um lance irregular não estão a ser bem interpretadas.

Lukas Brud, secretário-geral do IFAB, assegurou que novas directivas serão dadas no final da Assembleia Geral anual do organismo, agendada para o final de Fevereiro. O dirigente, acrescentou que no que confere aos foras de jogo, o VAR só deve intervir em "situações claras e óbvias". Mais, explicou que há um conceito de dúvida ou margem de tolerância que deve prevalecer em casos duvidosos:

"Se uma situação não é clara à primeira vista, então não deve ser considerada. Olhar para uma câmara de um ângulo é uma coisa, mas olhar a quinze, procurando encontrar algo pode estar ou não ali, essa não era a ideia original."

A realidade é que a lei de fora de jogo sempre foi controversa e as várias medidas que o IFAB implementou ao longo dos anos pouco ou nada melhoraram a situação.

Agora, com o VAR operacional, há de facto casos em que erros são detectados e corrigidos, contudo, há outros tantos que só resultam em decisões polémicas.

Parece-me que a essência do problema recai fundamentalmente sobre a lei de fora de jogo. Não recomendo que seja eliminada, mas há muito que exige ser algo simplificada.

O vídeo-árbitro (VAR) é uma outra discussão e é tudo menos consensual, especialmente no futebol português, onde a credibilidade das pessoas que exercem a função está muito em dúvida.

publicado às 04:31

UEFA vai pedir esclarecimentos ao International Board por causa do VAR

“Não sou fã do VAR. Se tiveres um nariz comprido hoje em dia, estás fora-de-jogo”

Rui Gomes, em 05.12.19

90a56e8e8c48f521a17c3faef3f97f92.jpg

Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, em conferência de imprensa, após reunião do Comité Executivo, em Nyon, na Suíça, afirmou que vai pedir ao International Board, que define as leis do jogo no futebol, alguns esclarecimentos sobre a utilização do vídeo-árbitro (VAR), sobretudo nos lances de fora de jogo:

“Há algumas coisas que não estão claras e gostaríamos de esclarecer. Por exemplo, as linhas de fora de jogo. É algo que ainda não é claro. Não é claro como são feitas e quem decide.

Devemos tornar a tecnologia muito mais clara, rápida e menos invasiva. O futebol está a mudar e estamos preocupados que esteja a mudar demais.

Espero uma resposta clara do International Board, que tem uma reunião agendada para 29 de fevereiro do próximo ano, na Irlanda do Norte".

Entretanto, o Comité Executivo do organismo aprovou a utilização do VAR na fase de qualificação europeia para o Mundial 2022, que vai decorrer no Qatar, algo que acontecerá pela primeira vez, faltando apenas receber a confirmação da FIFA.

O vídeo-árbitro vai ser utilizado já em Março de 2020, nos ‘play-offs’ de acesso à fase final do Euro2020, competição que vai decorrer pela primeira vez em 12 cidades de 12 países diferentes e para a qual Portugal, detentor do troféu, já está qualificado.

publicado às 04:45

Penálti que ficou por assinalar

Rui Gomes, em 29.10.19

Desconhecemos as recomendações do vídeoárbitro André Narciso, mas Artur Soares Dias esteve mal ao não assinalar falta do guarda-redes Miguel Silva sobre Bruno Fernandes, aos 47 minutos.

download (1).jpg

Bruno Fernandes publicou uma foto do seu olho negro nas redes sociais e deixou uma pergunta ao guardião vitoriano:

"Achas que chegaste a tocar?"...

publicado às 03:17

2019-09-29 (2).png

Aos 68' do Rio Ave-FC Porto, o árbitro anulou a Tarem o que seria o golo do empate (1-1). O lance foi depois ao VAR que, após longa consulta, confirmou a decisão inicial do juiz Nuno Almeida.

O leitor consegue ver o fora de jogo?... Eu não consigo, mas talvez que o problema seja meu.

Que houvesse dúvidas da parte do árbitro-auxiliar, ainda se admite, mas a consulta ao VAR devia ter esclarecido o cenário. E esclareceu... com o que parece ser uma decisão errada.

Enfim... mais do eterno mesmo do futebol português!

publicado às 05:01

Comentar

Para comentar, o leitor necessita de se identificar através do seu nome ou de um pseudónimo.




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Taça das Taças 1963-64



Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D




Cristiano Ronaldo


subscrever feeds