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Vou tentar ser breve, porque isto refere a um assunto que dá para o proverbial "pano para mangas", com muitos metros de tecido.

O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol instaurou dois processos disciplinares a Frederico Varandas. Em causa, segundo o documento, estão as declarações do presidente do Sporting a criticar a arbitragem após o clássico com o FC Porto e ainda a acusação a Pinto da Costa.

No primeiro caso, pode ler-se que o processo... "tem por base participação disciplinar apresentada pelo Conselho de Arbitragem da FPF, por alegadas declarações proferidas em órgão de comunicação social". Recorde-se que após o jogo em Alvalade, Varandas apontou o dedo ao penálti revertido aos leões. "Sabem quando é que este penálti era revertido no Dragão ou na Luz? Nunca", disse na sala de imprensa.

No que toca ao segundo processo, surgiu por "alegadas declarações proferidas em órgão de comunicação social, visando dirigente desportivo de sociedade anónima desportiva", mais concretamente por Varandas ter apelidado Pinto da Costa de "bandido".

Nota adicional, na sequência também do clássico, para a instauração de um processo de inquérito a Rúben Amorim, para "apuramento de eventuais declarações alegadamente feitas pelo agente desportivo e referidas na participação disciplinar apresentada pelo Conselho de Arbitragem, assim como modo de apurar a eventual responsabilidade disciplinar inerente à factualidade que subjaz a tais declarações e que pode associar-se a eventuais omissões do relatório da equipa de arbitragem."

- O processo relativamente aos comentários de Frederico Varandas sobre a arbitragem do jogo com o FC Porto já era esperado, não sendo, portanto, surpresa alguma;

- Deixa-me algo perplexo, no entanto, um segundo processo pelas acusações dirigidas a Pinto da Costa. Desde quando é que o Conselho de Disciplina da FPF intervém em casos que constam de troca de "bocas" entre presidentes de Clubes?

- O organismo federal levantou algum processo pelas "declarações proferidas em órgão de comunicação social, visando dirigente desportivo de sociedade anónima desportiva" por intermédio de Jorge Nuno Pinto da Costa, no que ao presidente do Sporting e da Sporting SAD diz respeito?

- Por fim, um processo de inquérito a Rúben Amorim e a causa da sua expulsão durante o clássico. É a minha memória que falha, ou o treinador do Sporting não foi já punido com seis dias de suspensão e multado em 3.825 euros?... Ou será isto relacionado com um outro aspecto do incidente?

Para terminar - e já não estou a ser tão breve como gostaria - um excerto da crónica de Eduardo Dâmaso, em Record, que toca no assunto:

"Não sei se um bandido será sempre um bandido, como disse Frederico Varandas... até porque os manuais por onde estudei direito penal defendiam o contrário, ou seja, a famosa ressocialização dos delinquentes. Mas sei que, para formar uma opinião sobre o que aconteceu no Apito Dourado, não preciso de ir ouvir as escutas nem de ouvir a canção do bandido sobre a presunção de inocência ou a falta de condenações. E também não preciso de ir ao futebol - de pertencer ou, tão só, frequentar o seu mundo - para perceber que Varandas, pessoa que não conheço, trava a luta certa contra uma claque. E que Pinto da Costa (ou Luís Filipe Vieira) nunca teria condições para fazer o mesmo e dar um exemplo de grande dignidade moral".

ADENDA

A acreditar no que é hoje noticiado por Record, o CD da FPF vai investigar a "dualidade de critérios" denunciada por Rúben Amorim. Ou seja, tudo aquilo que Sérgio Conceição disse durante o clássico e que o árbitro e quarto árbitro - este em posição ideal para ouvir tudo - ignoraram e que não resultou em punição durante o jogo nem constou no relatório.

publicado às 03:34

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Pinto da Costa, pelos vistos, anunciou esta quarta-feira que vai avançar com uma queixa-crime contra Frederico Varandas, que o apelidou recententemente de "bandido":

"Não vou comentar, não vou falar sobre esse senhor. Não costumo falar de processos judiciais. E como entra amanhã, já está determinado, uma queixa-crime nos tribunais contra o tal presidente, não me vou pronunciar até que siga o seu curso normal".

Mesmo reconhecendo a ironia cómica desta ameaça do presidente portista, não deixamos de reparar que o anúncio foi feito durante a apresentação anual das contas da SAD azul e branca que regista um recorde negativo de 116,1 milhões de euros.

Para uma velha raposa como Jorge Nuno Pinto da Costa, é obra hábil desviar as atenções do que é realmente importante.

publicado às 03:46

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A história é conhecida há muito em Portugal: Frederico Varandas, médico de formação, esteve envolvido no combate à primeira vaga da pandemia de Covid-19, prestando serviço no Hospital Militar, em Lisboa. O caso foi ganhando projecção e este sábado é notícia no NY Times, o prestigiado jornal com sede em Nova Iorque. "The Coronavirus Patient Had a Question: Don"t You Lead a Soccer Team? [O doente com coronavírus tinha uma pergunta: você não é o líder de um clube de futebol?]" é o título do artigo.

A reportagem da autoria de Tariq Panja está disponível aqui.

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Adenda: Fui alertado há instantes pelo meu colega redactor Leão Zargo que o artigo só está acessível a subscritores do NY Times. Como eu sou, não identifiquei essa restrição. Infelizmente, não há alternativa, uma vez que o artigo é mesmo muito extenso. É referido em vários outros sites noticiosos, mas todos a dar o mesmo link que eu dei aqui. Fica a ideia...

publicado às 13:20

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Em recém-entrevista ao Canal 11, Frederico Varandas confirmou o regresso da equipa B do Sporting já na próxima temporada. Na sequência desse mesmo tema, o presidente leonino referiu João Pereira, actualmente ao serviço dos turcos do Trabzonspor, mencionando que este terá futuro como treinador.

Questionado sobre este assunto, João Pereira admitiu sentir-se "contente por Varandas falar" nele, mas garantiu que não há qualquer tipo de conversação sobre a possibilidade de deixar o futebol para regressar ao Sporting noutras funções, para já:

"Mandaram-me o vídeo e penso que ele disse isso porque no Sporting CP conversávamos muito e ele deve ter percebido que poderia abraçar a carreira de treinador. É claro que fico orgulhoso, por ser a pessoa que é a referir-se a mim".

Além disso, o lateral que jogou de leão ao peito de 2009 a 2012 e novamente entre 2015 e 2016, ainda comentou a contratação de Rúben Amorim:

"Uma excelente aposta do Sporting, um treinador ambicioso que mostrou já excelente trabalho. Na minha opinião, fizeram muto bem em contratá-lo. Vai provar todo o seu valor também no Sporting, vai mostrar a quem lhe apontou o dedo pela questão da falta do IV nível."

Actualmente com 36 anos, João Pereira salientou que ainda não decidiu como vai ser a sua carreira depois do término desta temporada.

publicado às 03:46

Foto do dia

Rui Gomes, em 29.04.20

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Momento inédito: Varandas, Vieira e Pinto da Costa a conversar

publicado às 04:32

Calado é um poeta

Naçao Valente, em 14.02.20

Já aqui escrevi que Varandas está sozinho nesta luta para resgatar o Sporting do domínio de energúmenos que não representam o clube, e que são a antítese do que deve ser o desporto.

Varandas não conta com o apoio de outros clubes, que têm as suas claques controladas e que utilizam na luta externa. Não tem o apoio do poder político que assobia para o lado. Não tem o apoio de órgãos do mundo do futebol, que se refugiam numa estranha passividade.

Os notáveis do Sporting com uma ou outra excepção, incluindo ex-candidatos, estão mudos e quedos. E os que se pronunciam é para deitar mais achas na fogueira. Refiro, concretamente Sousa Cintra, que depois de estar no tribunal como testemunha arrolada pelo advogado de assaltantes, Francisco Marques, prestou declarações onde fez feroz ataque à actual Direcção.

Criticou a precipitada substituição de Peseiro, e nesse aspecto dou-lhe alguma razão, porque aqui me bati contra a pressão dos adeptos para que isso acontecesse. Foi um erro mas ao qual associo adeptos e mais uma vez as claques. Mas agora pergunto: que autoridade tem Cintra para criticar, neste aspecto Varandas, quando despediu Robson com a equipa isolada no campeonato? Que autoridade tem quando durante a sua Presidência não ganhou um campeonato? Que autoridade tem quem durante a presidência da SAD aumentou despesa, com conhecimento da grave situação financeira?

Mas o que considero mais grave foi a sua defesa das claques, depois dos graves acontecimentos que se têm sucedido. O que considero lamentável é que sobre os ataques a pessoas e interesses do Sporting, nada tenha dito. Nem uma ténue condenação. Porque é que esta personagem de opereta bufa não se cala. Calado é um poeta.

Com estes amigos o Sporting não precisa de inimigos.

publicado às 00:55

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Miguel Braga, responsável da comunicação do Sporting, assina um artigo no site do Clube esta sexta-feira em resposta a uma reportagem do jornal Público que hoje dava conta de que os atletas do Sporting são tratados por médicos da Clínica Comcorpus, de Frederico Varandas.

A pseudo-notícia avançada por essa potência noticiosa portuguesa dava conta de que são sete os funcionários da clínica de Varandas que prestam actualmente serviço no Clube – dois fisioterapeutas e cinco clínicos. Um dos médicos da equipa principal de futebol, Nuno Loureiro, é também coordenador do departamento médico desportivo da Clínica do Dragão, no Porto, empresa instalada no Estádio do Dragão e com protocolos com o FC Porto:

Eis o comunicado de Miguel Braga:

Escrever torto por linhas direitas

No país do e-toupeira, da Operação Lex, do Apito Dourado, da Mala Ciao, dos passeios de Isabel dos Santos e afins e de tantas outras personagens, tenta-se, mais uma vez, atacar a idoneidade do presidente do Sporting Clube de Portugal.

Em causa, uma notícia (com informação “antiga”) a dar conta que os “atletas do Sporting Clube de Portugal são tratados por médicos da clínica de Varandas”.

Se é mentira? Não.

De facto, os atletas do Clube são tratados por médicos da ComCorpus.

Mas também do Hospital da Luz, da CUF Alvalade, da CUF Almada, do Hospor, da Clínica Algododeia, da Clínica Joaquim Chaves, da Clínica Dr. Fernando Póvoas, do Hospital das Forças Armadas e, imagine-se, da Clínica do Dragão.

Mais, os médicos do Sporting Clube de Portugal não trabalham em exclusividade no Clube, tal como se passa em todos os departamentos médicos dos outros clubes em Portugal.

Esta é a regra.

Acrescente-se que o anterior presidente do Sporting Clube de Portugal quis fazer um protocolo para oficializar esta parceria, situação recusada por Frederico Varandas que, em cinco anos, nunca cobrou um cêntimo ao Sporting Clube de Portugal.

E, recorde-se, estamos a falar de um departamento médico que tem sido, e continua a ser, uma referência a nível internacional. Ou seja, muita tinta para escrever sobre nada, apenas para atacar o presidente do Sporting Clube de Portugal.

Fica a nota.

* Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal

publicado às 14:03

Varandas está só

Naçao Valente, em 10.01.20

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As claques como grupos organizados, e constituídos por jovens, têm a sua origem nos anos sessenta. O seu objectivo era apoiar as equipas, dando-lhes motivação na sua acção em campo. Agiam por amor ao clube e nada recebiam para além da satisfação de participar e receber bons resultados desportivos.

As claques evoluíram acompanhando os tempos, mas evoluíram no pior sentido. Passaram de grupos de adeptos que davam, com generosidade, o seu apoio, para grupos subsidiados, como uma espécie de animadores profissionais, que começaram a extravasar o motivo para que foram criadas. São hoje um contra-poder que se arroga  a intervir na gestão do próprio clube, pressionando decisões dos dirigentes. 

Enfeudadas no Sporting Clube de Portugal à Direcção que foi destituída, tornaram-se na sua guarda pretoriana. Com a queda dessa Direcção, assumiram-se como oposição aos novos dirigentes eleitos, ao ponto de irem para os jogos criticar e insultar o Presidente, à boleia de maus resultados negativos. A situação atingiu tal dimensão, que Varandas teve de agir com firmeza, tomando as medidas, impopulares, que se exigiam.

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Passados meses,Varandas mantém a mesma firmeza mas está só. Os presidentes de outros clubes, que de forma clara ou até encapotada, se servem das claques, nas quais se apoiam, como um grupo que utilizam para a luta contra os adversários, assobiam para o lado. E enquanto estas não se virarem contra a sua autoridade não irão mexer uma palha. Deste lado, não pode esperar Varandas qualquer solidariedade.

O poder político foge do mundo do futebol e da sua irracionalidade como o diabo da cruz. Tem medo de meter-se com gente que se apoia em milhões de adeptos, que enquanto tal, consideram os dirigentes do seu clube, como cidadãos acima da lei, inatacáveis e dispostos a guerrear em seu nome. Deste lado, tirando umas promessas vãs de alguns governantes de segunda linha, Varandas dificilmente terá qualquer apoio.

Os vários acontecimentos de comportamento selvagem de adeptos, utilizando artefactos pirotécnicos proibidos num jogo de futebol, trouxe para a actualidade, um assunto que é transversal a todos os clubes. Esta violência gratuita não tem a ver com rivalidade, e devia preocupar a sociedade. O poder político ao mais alto nível, devia ser pressionado para agir de forma drástica. A escumalha, para usar as palavras de Varandas, não pode continuar impune a espalhar o medo pelos recintos desportivos. 

Como é possível que os dirigentes desportivos vejam os seus adeptos a causar distúrbios num jogo que devia acontecer dentro das quatro linhas e não tome nenhuma medida, para além de algumas lágrimas de crocodilo? No combate a esta situação Varandas está só, mas está no bom caminho. A indústria do futebol agradece num país que se quer civilizado.

Nota: título utilizado na coluna de opinião do Director de Record

publicado às 04:34

Dos "pecados" de Varandas à Guerra Suja

Naçao Valente, em 22.10.19

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Antes de mais, quero deixar claro que não apoio a demissão da actual Direcção. Foi eleita legitimamente, mediante as normas vigentes, por uma das maiores Assembleias Eleitorais. Está a exercer o seu mandato dentro dos limites previstos nos Estatutos.

A contestação a que tem vindo a ser sistematicamente sujeita, em função dos resultados do futebol profissional, por grupos que perderam privilégios e por uma oposição que ainda não reconheceu a decisão maioritária dos sócios, na mais concorrida Assembleia que destituiu a Direcção, na sequência do ataque a Alcochete, ultrapassou todos os limites.

Estes grupos constituídos por desordeiros, ao não respeitarem os Órgãos Sociais eleitos, também não respeitam o Sporting. O reprovável ataque a Alcochete que custou milhões de euros ao Clube continua com outros contornos, agora com ataques à Direcção. Num jogo de futsal o presidente teve de ser escoltado perante a ameaça destes arruaceiros, ao sair do Pavilhão João Rocha. Mas que é isto? O presidente não pode assistir aos jogos do Clube a que preside? Quem manda afinal? A Direcção eleita ou grupos de perturbadores? Quem governa? A estupidez ou a inteligência?

A livre crítica não deve ser confundida de modo algum com sentido cívico. O pluralismo também não é sinónimo de anarquia. Mas estará esta Direcção (e o seu presidente) isenta de erros?... Apesar de ter encontrado uma situação financeira deveras caótica, que tem estado a resolver, a Direcção cometeu o que eu apelido de "pecados capitais" na gestão do futebol profissional, num misto de inexperiência e "governança" dirigida pelas bancadas.

O primeiro pecado

Durante a última campanha eleitoral, o então candidato Frederico Varandas assumiu que manteria em função o treinador contratado pela Comissão de Gestão, José Peseiro, uma vez que quando tomasse posse, a época futebolística já estaria em andamento. Prometeu e não cumpriu, por uma razão muito fundamental: a desmedida pressão das bancadas hostis ao referido técnico, desde a sua contratação. A qualidade do futebol praticado, mais do que os resultados, serviram de argumento para a sua dispensa, apesar de ter reconstruído, uma equipa destroçada. O que é mais conforme a norma no despedimento de técnicos são os maus resultados. Neste aspecto, não havia razões objectivas para o fazer. E aí cometeu, o presidente, o primeiro "pecado capital", que está na origem de todos os outros.

O segundo pecado

A contratação apressada de um novo treinador, o holandês Marcel Keizer, desconhecedor do futebol português e sem currículo que o habilitasse como a pessoa certa, no rescaldo de crise gerada pelo ataque a Alcochete, foi um tiro no escuro. Foi, sem dúvida, pior a emenda que o soneto, mesmo depois da continuação de resultados positivos, um pouco à boleia do trabalho que herdou, da equipa técnica anterior. Este foi o segundo "pecado".

A manutenção da equipa no terceiro lugar e a conquista de duas provas nacionais, embora meritoriamente, mas também com alguma dose de sorte, constituiu um balão de oxigénio para treinador e Direcção. Os grupos contestatários que já então existiam, tiveram-se que se remeter a algum silêncio e aguardar outras oportunidades. Mas a capacidade de Marcel Keizer, apesar dos ditos triunfos, não ficou, no aspecto geral, comprovada, e havia indícios que continuava a ser uma aposta de risco.

O terceiro pecado 

O começo atribulado da presente época, com uma espécie de navegação à vista, sem um plantel devidamente definido, não augurava um bom começo. Mesmo com a atenuante das dificuldades financeiras, a falta de uma planificação rigorosa, em função dos caprichos do mercado, hipotecou a possibilidade de um trabalho bem organizado.

A insistência em segurar Bruno Fernandes, recusando vender de acordo com o valor que o mercado estabeleceu, manteve uma constante inabilidade de constituir um plantel sólido. As vendas de recurso à última da hora, para prover receitas de tesouraria, e a negociação apressada de empréstimos de atletas de duvidoso valor, constituem o terceiro "pecado".

Embora compreenda a referida insistência, na minha perspectiva, teria sido mais realista vender Bruno Fernandes, que terá até ficado algo contrariado, e manter o restante plantel. O encaixe teria permitido adquirir mais dois ou três reforços de comprovada qualidade. Como disse Silas recentemente, o Sporting precisa de uma equipa e não de "heróis" Para além da qualidade individual dos atletas, não há sucesso desportivo se estes não actuarem como equipa. E essa é uma das razões dos maus resultados desportivos.

São estes os erros apontados como a razão para a actual contestação organizada e que se manifesta nas redes sociais e pela arruaça?... Atrevo-me a dizer que não. Os protestos são consequência de uma mera estratégia oposicionista, que sempre existiu, mas que esteve algo adormecida, e  que desejava estes maus resultados, para puderem concretizar a queda da Direcção.

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A guerra suja

A guerra da claques, reafirmo, à boleia dos resultados, não é inocente.Tem na sua génese a orfandade de um líder, que a transformou numa força de choque ao seu serviço, agravada com a perda de poder e rendimentos neste mandato directivo, e criou o caldo de cultura para o que está a acontecer.

Ao mesmo tempo, alguns dos derrotados nas eleições, com pressa de dominar o Sporting, aproveitaram o clima de guerrilha, aceitando-o tacticamente, para se apresentarem como salvadores. Nunca se verificou da parte desta oposição de gabinete, com pontas de lança na comunicação social, uma condenação clara e não hipócrita dos distúrbios violentos. Por sua vez, os 'brunistas' continuam a acreditar que podem voltar ao poder, e desejam o caos para dele emergirem como  almas inocentes e puras. 

A decisão frontal e corajosa da Direcção em cortar relações com duas claques, não é para já uma vitória. Estes grupos desordeiros, de forma subterrânea ou visível, vão continuar a sua guerra suja. Apenas a inversão de resultados num sentido positivo, pode travar a curto prazo a cruzada de interesses que não são os do Clube. 

Esta Direcção está a cumprir o seu mandato, legitimamente. Deve reflectir e aprender com os erros. Deve corrigir o que não está correcto, definir estratégias precisas, e continuar o seu trabalho em prol do Clube. Deve ouvir as críticas com ponderação, mas sem ceder a pressões inadmissíveis. Deve dialogar com quem quer o diálogo, ouvir opiniões, informar com objectividade, e decidir consensualmente. Deve enfrentar, com coragem a guerrilha dos grupos arruaceiros, que põem os seus interesses pessoais, acima dos do Clube. 

O Sporting para ganhar esta guerra suja precisa de contar com o "adepto comum" sempre disposto a contribuir para o engrandecimento do Clube. A luta pacífica contra a violência interna, pode servir de exemplo, para a luta mais vasta pela pacificação do desporto.

Quem com telhados de vidro sacudir a água do capote e não fizer a sua parte, não se pode queixar, quando esta mesma violência lhe bater à porta. Banir do futebol quem não o serve e dele se serve, é um imperativo cívico e geral.

publicado às 04:03

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Aproveitando o estágio de pré-época que o Sporting está a realizar na Suíça, Frederico Varandas esteve reunido esta quinta-feira com Gianni Infantino, presidente da FIFA.

Em declarações à Sporting TV, o presidente leonino explicou que abordou dois temas com o dirigente máximo do organismo mundial: o mercado de transferências e a necessidade de proteger os clubes formadores:

"Mostrei as minhas duas grandes preocupações. Uma delas é a falta de regulação do mercado de transferências. Vivemos numa fase em que há um mercado verdadeiramente selvagem, em que os clubes estão cada vez mais pobres. As receitas vão aumentando, mas, cada vez, o dinheiro fica menos nos clubes e tem de, de uma vez por todas, haver coragem para uma regulação das tranferências.

O segundo aspecto foi falar da nossa história, da nossa tradição, como um clube que formou dois 'bolas de ouro', um dos quais, o melhor jogador português de todos os tempos e um dos melhores do mundo, tem de ser protegido. Não falo só do Sporting, falo de todos os clubes formadores, e hoje estes clubes têm uma grande dificuldade a lutar contra gigantes, que chegam a estes jogadores mesmo antes de eles assinarem o primeiro contrato profissional. e nós não temos qualquer tipo de protecção".

 

Regular... mas como?

A visita de Frederico Varandas à FIFA não irá mudar o Mundo, nem sequer o mundo do futebol. Porque, apesar das palavras simpáticas de Gianni Infantino em relação ao emblema de Alvalade, os problemas de clubes como o Sporting – grandes num contexto regional – não estão na primeira linha de preocupações da FIFA, até porque a sua resolução não depende apenas de regulamentos que possam emanar de Zurique.

A grande mensagem que Varandas passou após a reunião foi sobre a necessidade de regular o mercado de transferências, que classificou de "verdadeiramente selvagem", pedindo especial proteção aos clubes formadores. Uma evidência para quem anda atento – e não é preciso muito – aos meandros da bola, mas a questão é a mesma de sempre: como? Porque há regulamentos de transferências, mas depois também há leis nacionais e europeias, como nos lembrou Jean-Marc Bosman há mais de 20 anos.

Os problemas do Sporting são comuns a muitos clubes formadores e a falta de dinheiro deixa esses emblemas mais expostos do que nunca. Mas se os leões podem queixar-se num contexto global, também é verdade que estão do lado dos tubarões num contexto local. E basta lembrar, para citar um dos exemplos referidos por Infantino, que Cristiano Ronaldo foi recrutado ao Nacional por causa de uma dívida de 5 mil euros.

Artigo de Sérgio Krithinas, jornal Record, aqui.

 

Nota: O Director Adjunto do diário desportivo não devia abordar assuntos sobre os quais não tem conhecimento algum. O recrutamento de Cristiano Ronaldo em 1997, aos 12 anos, em nada se relacionou com a então dívida do Nacional ao Sporting, sendo esta apenas uma circunstância à data.

Acontece que uma colega de blogue nossa esteve pessoal e directamente envolvida no caso que viabilizou a vinda de CR7 para Alvalade.

publicado às 06:49

Revolução tranquila

Naçao Valente, em 28.05.19

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Ponto prévio: não fui apoiante do candidato Varandas aquando das eleições. Mas foi eleito pela maioria dos votos expressos e é o presidente dos Sportinguistas. Depois da sua posse, critiquei pontualmente, algumas decisões como a contratação de um treinador sem grande currículo. Estou portanto completamente à vontade para fazer, com alguma equidistância, a análise dos primeiros meses do seu mandato.

Varandas e a sua equipa encontraram o Clube numa situação muito difícil. Tiveram de resolver, em tempo recorde, um pagamento obrigacionista, sem apoio de personalidades com influência na área bancária e com alguma hostilidade dos meios financeiros. Ousou e conseguiu com o apoio de alguns grandes investidores e de muitos adeptos, que  colocam o Sporting acima de qualquer personalidade, concretizar essa operação.

De forma discreta e em certo sentido sigilosa, como convém, resolveu os graves problemas de tesouraria e começou a saldar dívidas cujo pagamento já estava atrasado. No aspecto financeiro foi arrumando o todo da casa sem alardes e sem "foguetório". Melhor, nunca fez nenhum alarde, nem pretendeu colher louros, do relativo êxito da operação.

No plano desportivo encontrou uma equipa de futebol profissional que estava destruída. Depois de um período em que o novo treinador parecia perdido e sem soluções, começou a notar-se o seu cunho pessoal, e com um plantel com poucos "craques" deu uma nova alma a um grupo que se uniu, e com humildade e trabalho recuperou terreno, e conseguiu a proeza de conquistar dois títulos.

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No mesmo estilo sereno, Frederico Varandas e a sua equipa,  reformaram toda a estrutura, com ênfase na aposta da Academia, entregue ao desmazelo e à incompetência, durante anos. Nos oito meses de mandato, tempo demasiado curto para uma avaliação profunda e segura, podemos concluir, contudo, que o presidente está a fazer uma revolução muito tranquila, longe do "show off" inútil a que estávamos expostos.

Até  este momento parece-me certo e adequado o caminho seguido, mas muito falta fazer. O Sporting não pode querer, como os seus homólogos dos chamados grandes, dominar o "sistema", através de procedimentos ilícitos e condenáveis. 

Ao Sporting Clube de Portugal, como clube histórico e, sim, diferente, compete-lhe lutar pela libertação do "sistema", para que a justiça e a verdade possam voltar a imperar. De uma forma tranquila, mas com passos bem firmes, é o único Clube que, com mãos limpas, pode moralizar o futebol português.

A impunidade pode parecer natural e até eterna, mas um dia terá o seu fim, como outras iniquidades. Compete agora aos Sportinguistas unirem-se à volta da sua Direcção e sem divisionismos, remarem todos no mesmo sentido.

P.S.: Ontem, no seu discurso na Câmara , o dr. Varandas, deixou uma ideia que transcrevo, sem total rigor, de memória: "nós somos diferentes e mostrámos que se pode vencer sem abandonar os valores". Comprova o que escrevi e penso. Que não fique na nossa história nenhuma conquista que não seja legítima.

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Para quem gosta da minha escrita venho informar, que numa vertente ficcional, estarei a autografar, no próximo domingo, na Feira do Livro de Lisboa, entre as 16h00 e as 17h30, o meu livro "Os bons Velhacos", no pavilhão dos pequenos editores (Mosaico de Palavras), sem pseudónimo e com o nome José Mateus Gonçalves. Estão convidados. Obrigado ao Rui por me permitir a inclusão deste convite.

publicado às 02:49

Dores que ainda Doyen

Rampante, em 05.03.19

 

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Publicado o Relatório Semestral, tem esta direção sido questionada por algumas questões, nomeadamente acerca do negócio Rui Patrício e suposta divida à Gestifute.

 

Vamos a factos.

 

Antes de 2013, o Sporting encetou uma série de negociações e renovações com jogadores, utilizando para isso 3ªs empresas que investiram dinheiro em proporções que o Sporting não conseguia. Podemos agora questionar a ética por trás da intervenção destas empresas, mas temos de ter plena consciência de que à época este era um procedimento legal e comummente utilizado por aqueles clubes que não tinham dinheiro para investir e num momento em que a banca tinha fechado as torneiras do crédito.

 

Assim, os clubes viram nestas empresas o acesso viabilizado a dinheiros que não tinham e as empresas viram aqui oportunidades de negócio milionários.

 

Os saudosistas pela Direcção de BdC, gostam de abanar a bandeira a dizer que foi ele que liderou uma guerra contra os Fundos e Empresas 3ªs, no entanto não dizem que BdC apenas se tornou contra os Fundos quando tentou “passar a perna” a um desses Fundos, numa ação que custou milhões ao SCP. Falo aqui da Doyen e na sacanice que a direcção de BdC fez (ou tentou fazer).

 

Para além da situação com a Doyen Sports, aquando das renovações de Adrien Silva e Rui Patrício em 2016, o Sporting (ou BdC) tentou afastar a Gestifute do processo de forma unilateral, excluindo-a dos seus direitos como se nada fosse. Foi utilizada a exacta mesma estratégia que para com a Doyen, com consequências que podiam ter sido semelhantes.

 

Esta distinta “sacanice” foi feita à vista de todos e ainda hoje me pergunto como é que as autoridades fiscalizadoras, bem como a PWC que audita as contas do SCP, nunca se referiu ao seguinte facto:

 

Até 31-12-2015 o SCP indicava que possuía 65% dos direitos económicos de Rui Patrício e 50% dos de Adrien Silva. No 1º semestre de 2016, por via das renovações de contrato, o Sporting adquiriu a percentagem que cada um detinha (17,5% e 30% respectivamente) e anunciou o Sporting à CMVM que passou a deter 82,5% dos direitos económicos de Rui Patrício e 80% de Adrien Silva (o restante dos passes dos 2 jogadores seriam da Gestifute).

 

Acerca dos dois referidos jogadores, nunca mais houve comunicações à CMVM, nem foi feita referência em qualquer relatório e contas, NO ENTANTO, após Junho de 2016 o SCP passou a reflectir nos seus documentos que detinha 100% dos direitos económicos destes dois jogadores SEM evidenciar qualquer contingência a favor da Gestifute pelos direitos que a mesma detinha. Incrível esta “contabilidade” criativa…

 

No Mundo do “faz de conta” em que BdC vivia, tudo isto era muito bonito, até ao dia em que a realidade lhe bateu à porta e esse dia foi aquando da negociação de Rui Patrício. Nesse dia a Gestifute terá pedido um acerto de contas que consistiria em 20% de 29,5M€ da venda de Adrien Silva e 17,5% da venda de Rui Patrício, o que daria 9,05M€ (5,9M€ + 3,15M€), mais de metade do valor a que estava a ser vendido Rui Patrício.

 

Com a saída de Bruno de Carvalho do Clube, as negociações tornaram-se mais “simples” e Rui Patrício, à semelhança do que Adrien já havia feito, abdicou de valores que tinha a receber do Sporting por forma a facilitar as negociações e a Gestifute, por forma a não se envolver em litígios aceitou receber 4.459K€ ao invés dos pouco mais de 9M€ a que tinha direito.

 

Ao contrário do que os “alucinados” pela anterior Direcção querem fazer crer, as dividas à Gestifute eram evidentes e mesuráveis e este foi MAIS UM problema que BdC deixou para os outros resolverem...

 

...no entanto a Direcção de Varandas também não está a conseguir sair com a imagem “limpa”, pois segundo este relatório semestral existe um valor de 1,5M€ (e não 2M€ como tem sido divulgado) por justificar. Zenha, com visível embaraço, disse que este valor era referente a um protocolo com o Wolves para o Sporting entrar no mercado Chinês. Uma justificação que além de não ser convincente, levanta mais questões do que deu respostas e se Varandas não quer começar a deixar “pontas soltas” é bom que ele ou alguém da sua Direcção venha a publico clarificar esta situação sob pena de perder já a transparência que tanto apregoou durante a sua campanha eleitoral.

 

Nota final:

 

Porquê o título “Dores que ainda Doyen”?

 

É uma simples alusão ao facto de que um processo infantil, liderado por mentes infantis, pode fazer sofrer o Sporting muito para além do tempo expectável… Toda esta confusão com a Gestifute arrastou-se no tempo por causa do processo Doyen… e mais… à custa da infantilidade de BdC, o SCP ainda tem neste momento mais de 2M€ penhorados na UEFA, dinheiro que neste momento faz imensa falta à tesouraria de Alvalade. Os “alucinados” podem não querer acreditar, mas o Sporting CP vai demorar muito tempo até recuperar definitivamente do efeito Bruno de Carvalho.

 

publicado às 03:19

Reflexão do dia

Rui Gomes, em 25.02.19

 

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"Toda a gente entende a afirmação de Frederico Varandas segundo a qual o ataque à Academia de Alcochete constituiu "o maior rombo financeiro e desportivo da história do clube" e toda a gente sabe quem gerou as condições para que o Sporting visse rebentar dentro das suas próprias instalações um dos barris de pólvora mais indignos da história do futebol.
 
Parece fácil restaurar todos os estragos (e as consequências financeiras, cujas contas finais serão apuradas a seu tempo), mas não é. O Sporting precisa de tempo para sarar feridas tão profundas. E isso só poderá ser feito, se os sócios do Sporting perceberem o que aconteceu ao clube e quem o atirou para uma situação tão delicada.
 
Frederico Varandas — sem ruído mas com coragem — colocou o dedo em várias feridas. Uma delas foi a das claques. Na verdade, é preciso ter coragem para mexer no vespeiro. Naquilo que ele representa de subversão de todos os valores que devem estar associados ao desporto e às sociedades. Varandas relembrou que fez parte da Juve Leo quando não (lhes) era dado nada em troca.
 
As claques, entretanto, por responsabilidade das Direcções, passaram a ser espaços de negócio e de poder. E o clube ficou e estava refém das claques. Dos seus caprichos e das suas exigências. Desmantelar o todo desse processo não é fácil. Mas é um imperativo de consciência para quem quer fazer crescer o clube. E, para isso, como diz Varandas, as claques não podem estar acima dos sócios que pagam as suas quotas e bilhetes e que se devem enquadrar num regime de normalidade".

 

Um breve excerto da crónica semanal de Rui Santos, no Record.

 

publicado às 02:49

O estado da nação sportinguista

Naçao Valente, em 23.02.19

 

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Como estava programado e anunciado o presidente Frederico Varandas, acompanhado por outros membros da Conselho Directivo, fez o balanço dos primeiros seis meses da sua presidência.

 

Abordou temas como a Auditoria Forense, (ainda não concluída) e o mais importante, a situação financeira, a estratégia para o futebol e a marca Sporting. Fez um relato longo, impossível de descrever na íntegra no espaço de um post. Assim sendo optei por fazer um breve resumo da conferência, para dar espaço a alguma análise interpretativa.

 

Em relação à Auditoria referiu-se ao contrato efectuado pelo Conselho Directivo anterior com MGRA, uma sociedade de advogados, onde à data trabalhava Alexandre Godinho, vogal da Direcção e que a partir de 2018 passou a contar, como associado, com o sogro de Bruno de Carvalho, por 1,7 milhões para tratar de "assuntos da presidência".

 

De acordo com os resultados apurados, o Sporting gastou mais 50% nesta conta, em três anos, do que em todas as outras em dezasseis. O departamento jurídico do Sporting não obteve evidência sobre o trabalho que foi facturado pela MGRA.

 

Falou de um empresa de nome Chow Lda (China), à qual o Sporting pagou 60 mil euros de brindes e ofertas promocionais e 20 mil euros por serviços de “Divulgação da marca Sporting na comunidade Chinesa”. O departamento de merchandising não conhece a empresa. A empresa fechou actividade após o pagamento.

 

E ainda do chamado Batuque Futebol Clube, de Cabo Verde, com o qual foi celebrado um contrato conferindo o direito de preferência do Sporting Clube de Potugal sobre sete jogadores pré-identificados. Não existe qualquer relatório, do Clube ou de terceiros, sobre jogadores daquele Clube; Em Janeiro de 2018 foi solicitado pela Administração da SAD ao departamento jurídico uma minuta de acordo de resolução daquele contrato. Não obstante esse pedido, o valor de 330 mil euros foi liquidado em Maio de 2018 e nunca foi restituído.

 

Sobre as claques, depois de referir os privilégios que possuíam, afirmou que não concorda com o seu comportamento desestabilizador e com atitudes que revelam mais interesse por negócios do que por amor ao Clube. Acentuou a sua firmeza em não se deixar ficar refém seja de quem for.

 

No diagnóstico do futebol profissional, fez o balanço conhecido dos últimos cinco anos, e dos acontecimentos que tiveram na situação actual do Sporting, que ficou com um plantel desequilibrado. E acentuou os esforços que estão a ser feitos para o reequilibrar.

 

Quanto ao futebol da formação considerou que houve desinvestimento na Academia quer em termos humanos, quer em termos materiais, com instalações degradadas, campos sem manutenção o que se reflectiu na formação de excelência conseguida. Reverter a situação é uma tarefa premente para o futuro do Sporting, dos seus adeptos, dos seus associados, que em número de pagantes sem as quotas em dia, são um assunto preocupante.

 

Em conclusão garantiu que o Sporting tem um rumo, estão a ser implementadas reformas em várias áreas, sem alarido, sem trombetas, com trabalho discrição e eficiência. Acentuou a importância da estabilidade para o sucesso, a necessidade de ter os pés na terra, não cair no deslumbramento fácil, e trabalhar para que as vitórias surjam de forma consistente.

 

Para além das leituras que se possa fazer destas declarações quero dar relevo negativo ao oportunismo do destituído, que marcou a apresentação do seu livro para a mesma hora, criando assim as condições para fazer, de imediato, o contraditório na mesma linha a que nos habituou, mentindo ou ignorando os aspectos fundamentais. Deixa-me perplexo como uma Editora prestigiada como a Bertrand se deixou enredar nesta repugnante campanha que o destituído mantém contra o Sporting.

 

Outro facto que não pode deixar de ser passível de reflexão, prende-se com a reacção dos 'brunistas', nomeadamente nas redes sociais. Caso de estudo é ver a página de Facebook do Sporting, inundada com comentários de seguidores do destituído, atacando a actual Direcção. Como o seu guru passaram ao lado das graves ou pelo menos intrigantes indícios que são apontados na Auditoria. E se não estamos perante uma acção concertada, parece.

 

Entendo o destituído porque não tem vida fora do Sporting. É como um fantasma que não quer admitir que morreu e continua a tentar assombrar, mesmo que isso implique o fim do Clube, que felizmente não é o caso.

 

Compreendo os fanáticos com palas nos olhos que não concebem o Sporting sem Bruno. O que me custa muito a compreender é a guerra que se vê entre adeptos, críticos até do não criticável, que consciente ou inconscientemente, exigem a esta Direcção, em seis meses, o que não exigiram à anterior em cinco anos, e que estava a destruir o Sporting.

 

Esta equipa precisa de tempo, de estabilidade e do apoio de todos os sportinguistas. Sem isso não há recuperação financeira e desportiva. Sem isso não se criam as condições reais para lançar o Clube no caminho do sucesso.

 

Nota: No site oficial do Sporting, está exposto em detalhe tudo aquilo que foi referido na conferência de imprensa, ponto por ponto:

 

- Sociedade advogados MGRA
- Chow Lda (China)
- Batuque Futebol Clube (Cabo Verde)
- Claques
- Sócios
- Compras de jogadores
- Diagnóstico e Estratégia Financeira
- Diagnóstico e Estratégia para Futebol Profissional
- Diagnóstico e Estratégia para Futebol de Formação
- Diagnóstico organizacional – o futuro do Sporting
- Infra-estrutura para além da Academia
- As pessoas
- A gestão
- Visão Marca Sporting

 

publicado às 13:15

 

 

publicado às 11:00

 

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A manchete do Correio da Manhã - fonte original da notícia - indica que o presidente do Sporting "abre guerra à Juve Leo". 

 

Mesmo confirmando-se as novas medidas, não me parece que seja tanto assim, mas talvez explique o pequeno incidente em Londres, em que Mustafá e uma dezena de elementos desta claque tenham abandonado a sede do Núcleo do Sporting de Londres após a chegada do presidente, ainda antes do jogo com o Arsenal.

 

Ao que consta, Frederico Varandas mudou as regras de financiamento das claques do Sporting, nomeadamente da principal, a Juve Leo, cortando com benesses que eram anualmente negociadas entre o anterior presidente, Bruno de Carvalho, e as chefias das claques – só a Juve chegava a embolsar 14 mil euros por cada jogo em casa, na venda de bilhetes concedidos pela direcção. De resto, o actual líder dos leões cortou com as viagens ao estrangeiro oferecidas a elementos das claques no avião da equipa principal.

Pelos vistos, a direcção de presidente destituído chegava a dar à Juve Leo cerca de 400 bilhetes (de 20 euros) por jogo em casa; e vendia-lhes outros 600 a metade do preço. Tudo revendido, permitia à chefia da claque amealhar dezenas de milhares de euros – algo que a gestão de Frederico Varandas está a pôr em causa. A relação do Clube com a claque deteriorou-se após a invasão a Alcochete.

 

Há quem argumente, não sem razão, que as medidas a tomar contra a Juve Leo deviam ser muitíssimo mais severas, não excluindo até a sua expulsão do Clube. O facto de "apenas" alguns elementos da claque terem participado no ataque à Academia, não é minimamente abonatório relativamente ao todo do grupo.

 

publicado às 13:30

Ter ou não ter coragem, eis a questão

Naçao Valente, em 06.11.18

 

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Rei morto, rei posto, ou quase. O Presidente do Sporting, recentemente eleito, tem todo o direito de despedir treinadores, de acordo com as normas laborais. Entendo que foi um despedimento precoce, embora tivesse vindo a ser anunciado. A gratidão não é um acto unânime entre os humanos, mas é completamente desconhecido pela tribo do futebol. O que se passou com Peseiro é disso exemplo claro.

 

Pouco falador, o que nem sempre é mau, o Dr. Varandas vai mandando uns "bitaites" aqui e ali, mas de concreto de objectivo não diz nada. Sobre o despedimento, fixei duas frases: Peseiro "é um bom homem" e "tenho coragem". Nem uma, nem outra afirmação colam com a realidade.

 

Das duas uma, ou é um bom homem, e é tratado com respeito, ou é um biltre, e leva um pontapé no rabo, durante um sonho nocturno que se tornou real. Como Sousa Cintra, que despediu Robson, um treinador que poderia ter sido campeão,  numa viagem de avião, o Dr. Varandas despediu Peseiro, após um mau resultado numa taça de baixo gabarito. Pior, mandou-o despedir através de um mero director de serviço. E isso leva-nos à questão da coragem.

 

Será o Dr. Varandas um Homem corajoso? Se o é, e se pelo que consta, Peseiro nunca foi o seu treinador, porque não o disse na campanha eleitoral? Isso foi coragem ou estratégia eleitoral? 

 

Se Peseiro não era o seu técnico, porque não o despediu  após ter ganho as eleições? Estava a ver por onde paravam as modas, nomeadamente à espera que crescesse a vaga de fundo, na qual se respaldasse?

 

Se o Dr. Varandas queria despedir José Peseiro porque só o fez quando teve as costas bem quentes pelo ambiente irracional das bancadas?

 

A coragem demonstra-se em actos frontais. Decidir um despedimento, numa noite de um pesadelo tornado realidade, não é coragem. Pior, mandar despedir o treinador por um subordinado, não é coragem, tem outro nome, e faz lembrar tempos idos de má memória.. Coragem teve Peseiro, quando pegou num barco à deriva e o pôs a navegar mesmo com com altos e baixos. A frontalidade dificilmente vence a manhosice.

 

José Peseiro cometeu um erro capital. Cometeu o erro de colocar uma equipa com atletas de menor valia, sem competição, sem rotinas e sem entrosamento, como é natural, nos jogos de competições de segundo plano, para ter sempre, em boas condições, a equipa principal nos jogos importantes que se estão a disputar. Ao tomar esta opção, "entregou o ouro ao bandido", prejudicou-se a si próprio, mas favoreceu o Clube.

 

Passaram pelo Sporting depois da conquista do último campeonato dezoito treinadores. Caramba,  são todos maus? Parece-me que o problema está mais acima, umas vezes na falta de coragem, outras na coragem de fazer disparate, ou por decisão própria, ou por pressão de quem não pensa com a cabeça.

 

publicado às 04:02

 

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"A Persistência da Memória" é uma extraordinária obra do excêntrico Salvador Dali. Terá o próprio afirmado que a fez enquanto a sua esposa foi ao teatro e a quando do seu regresso a casa, ele lhe perguntou se ela após ver a obra ainda se lembraria dela dali a 3 anos, ao que ela lhe terá respondido, que uma vez vista, ninguém jamais a conseguiria esquecer. 

 

Como qualquer grande obra, "A Persistência da Memória" possui diferentes interpretações consoante a pessoa que a está a ver, sendo no entanto mais ou menos generalizada a ideia que ela nos transmite um sentimento de "tempo que nos escorre por entre os dedos".

 

Tempo. Esse velho conhecido que pode ser o nosso melhor aliado, ou o pior inimigo.

 

A medição da passagem do tempo, uma invenção do homem moderno, tem servido o propósito de apoiar a evolução da humanidade, sendo que é possível ler na história dos Homens, uma crescente urgência na concretização de tarefas iguais. Esta urgência crescente tem evoluído à medida do desenvolvimento da tecnologia disponível, dai que tenha tido um crescimento exponencial no inicio do Sec. XX com a revolução industrial e agora novamente com a revolução tecnológica. O que antes era aceitável ser feito em 2 dias, agora não pode demorar mais de 2 horas. O que antes era aceitável ser feito em 2 horas, agora têm de ser imediato...

 

Toda esta evolução parece natural e necessária, pelo que é difícil percepcionar que dela advenham problemas. Afinal de contas, que mal pode vir ao mundo, a exigência de evoluir e fazer as tarefas cada vez mais instantâneas?

 

O problema é que esta urgência que atribuímos às tarefas, tendemos também a atribuir às decisões, e o ser humano, ao contrário da tecnologia, tem uma evolução lenta pelo que estamos a exigir uma rapidez que não se coaduna com as nossas capacidades e isso leva inevitavelmente ao erro.

 

Seja no trabalho, seja na vida pessoal, vivemos o imediato... exigimos o imediato... Se o patrão detecta um problema, exige resposta sem dar tempo a reflexões. Se o telemóvel toca, exige-se que se atenda ou que se responda. Se temos a necessidade de algo, compra-se, não se reflectindo nem procurando alternativas.

 

A urgência do tempo, imposta por nós e principalmente pelos outros, está a roubar-nos o pensamento e a reflexão... Está a obrigar-nos a cometer erros.

 

E o que tudo isto tem a ver com o Sporting?

 

TUDO!!!!

BdC, não tivesse ele sentido urgência em dar resposta a tudo e a todos, ainda hoje era Presidente. Não se tivesse ele sentido pressionado pela urgência do tempo, e não teria feito todos aqueles posts no Facebook, não teria comprado as guerras que comprou, não teria cometido os erros que cometeu... foi vencido pelo sentimento de urgência e a cada dia que passava as suas decisões eram cada vez mais imediatas, urgentes... erradas...

 

Quem ocupa posições de topo tem de perceber que a reflexão é sempre necessária. Tem de perceber que o ser humano não evoluiu à mesma velocidade que a tecnologia; que precisa de tempo para decidir.

 

Se a resposta é imediata, a probabilidade de errar é enorme. Um grandes gestor sabe disto e por maior que seja a pressão daqueles que o rodeiam, cabe a ele não ceder...

 

Todas as decisões precisam de Tempo... Grandes decisões precisam de muito Tempo.

 

Frederico Varandas (em quem não votei), até agora tem sabido gerir o seu tempo. É porventura o presidente do Sporting que mais tem sido pressionado pelo imediatismo e pela urgência. É igualmente o que menos tem cedido.

 

Felizmente tem-se mostrado à altura da posição que ocupa e tem ignorado essa pressão e mesmo quando figuras de peso como Ricciardi vieram exigir o imediato ele soube responder com a necessidade do Tempo.

 

Ricciardi mostrou uma vez mais que não passa de um incompetente que teve a sorte de nascer num berço de ouro.

 

O Sporting possui demasiados problemas para que as decisões não sejam ponderadas... Todas as decisões exigem reflexão, pois o espaço para tomar decisões erradas é cada vez menor. É isto que poucos Sportinguistas compreendem.

 

O "sangue na guelra" tem de estar no estádio ou nos pavilhões durante os tempos de jogo, não pode, não deve, estar nos gabinetes onde se tomam decisões.

 

publicado às 12:00

 

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Frederico Varanas e João Benedito são os dois candidatos à presidência do Sporting que reúnem mais consenso entre os sócios. A conclusão é de um estudo de opinião publicado esta quinta-feira pelo jornal "A Bola".

 

De acordo com a sondagem realizada, Frederico Varandas reúne 35,4% das preferências e João Benedito 28,4%. O gestor e antigo guarda-redes de futsal, está ainda assim a sete pontos de distância do ex-director clínico dos leões.

 

Os restantes cinco candidatos estão a larga distância: José Maria Ricciardi com 5,3%, Dias Ferreira 2,8%, Pedro Madeira Rodrigues 1,3%, Fernando Tavares Pereira 0,9% e Rui Jorge Rego 0,3%.

 

O estudo da Intercampus para o jornal resulta de entrevistas a 615 sócios leoninos nas imediações do Estádio José Alvalade. Dos 490 sócios que afirmaram que vão marcar presença no ato eleitoral de 8 de Setembro., 91 confessaram ainda estar indecisos sobre o candidato que vão escolher.

 

A recolha de dados foi feita a 18 de Agosto, antes da realização do jogo Sporting - Vitória de Setúbal. A margem de erro máximo da sondagem é de aproximadamente 3,95 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%. A taxa de resposta foi de 60%.

 

publicado às 12:00

Com ou sem vouchers ?

Rui Gomes, em 01.08.18

 

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publicado às 03:47

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