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A violência e os crimes nos estádios de futebol aumentaram 26% da época 2015/2016 para a época 2016/2017. É nesse sentido que apontam os dados revelados pela PSP ao Jornal de Notícias, só relativamente ao futebol profissional.

 

Nesses dois anos, a PSP e a GNR contabilizaram um total de 5628 casos violentos – 2505 no primeiro ano e 3177 na época seguinte -, numa média de 54 ocorrências semanais em estádios e recintos desportivos.

 

Os crimes mais praticados são posse ou uso de artefactos pirotécnicos, roubo, arremesso de objectos ou desordens entre adeptos e a venda ilegal de bilhetes, que levou à detenção de 198 pessoas em duas temporadas. Ao mesmo jornal, PSP e GNR consideram que o crescimento de participações criminais se deve a um aumento de policiamento que se tornou mais proactivo e preventivo.

 

Segundo o Jornal de Notícias, existem duas dezenas de pessoas proibidas de entrarem em estádios de futebol, por terem sido condenadas em tribunal ou como acção preventiva por ordem do Instituto Português do Desporto e da Juventude.  As autoridades assumem a dificuldade de aplicar a medida, principalmente se for possível aos visados misturarem-se com a multidão. "Normalmente são indivíduos referenciados e conhecidos e todas as semanas são enviados relatórios actualizados. Mas não é fácil, no meio de três ou quatro mil pessoas, ou 200 ou 300 que sejam, identifica-los", disse fonte da GNR ao JN.

 

Desde o início da presente temporada e até Março de 2018, avança o jornal diário, a PSP registou um total de 2578 incidentes em recintos desportivos – 2394 em eventos relacionados com o futebol. Números que apontam para um novo possível aumento da violência no final da presente época.

 

publicado às 05:06

 

 

publicado às 17:00

O lado "negro" do futebol

Rui Gomes, em 05.11.16

 

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A Associação Uruguaia de Futebol (AUF) anunciou que decidiu suspender a 11.ª jornada do campeonato da I Divisão após a morte de um adepto do Peñarol, que foi atacado por ultras do Nacional, no final de Setembro. "Face ao lamentável falecimento do jovem Hernán Fioritto, a AUF resolveu suspender todas as suas actividades previstas para o fim de semana.

 

O jovem foi um dos três adeptos do Peñarol baleados no dia 28 de Setembro na localidade de Santa Lucía, na província de Canelones, segundo a imprensa local.

 

Um das vítimas recebeu alta hospitalar no mesmo dia, enquanto outro permaneceu internado um mês até se recuperar, enquanto o terceiro morreu então na sexta-feira no Centro de Tratamento Intensivo de Montevideu, onde estava internado.

 

Até ao momento, 12 ultras do Nacional foram condenados a penas de prisão pelos incidentes, enquanto três outros aguardam em preventiva uma decisão judicial.

 

publicado às 12:17

 

O Sporting instalou uma caixa de segurança no Estádio José Alvalade que já foi usada no jogo com o CSKA de Moscovo, em 18 de Agosto. A estrutura é semelhante à que o Benfica estreou na Luz, num derby em 2011, e que foi incendiada. O Estádio do Dragão também já tem uma caixa de segurança instalada.

 

A construção de caixas de segurança passou a ser obrigatória em estádios com capacidade para mais de 35 mil pessoas em Portugal, desde a revisão dos estatutos da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, entrando em vigor na época desportiva de 2016-17. Os clubes nessas condições têm, de acordo com o regulamento, um ano para proceder à mudança.

 

Para inúmeros adeptos do futebol a instalação da referida caixa é contraproducente por razões de visibilidade, de bem-estar e de segurança pessoal. Há quem recorde que as vedações nos estádios começaram a ser retiradas na sequência da tragédia do Estádio do Heysel em 29 de Maio de 1985, discordando da instalação de uma mini vedação e muitos garantem que ali nunca assistirão a um jogo.

 

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É verdade que o futebol sempre coexistiu com determinadas formas de violência. Em Portugal há notícias de se verificarem distúrbios desde a década de 20 do século passado. A própria linguagem futebolística possui algo de agressivo (ataque, táctica, vitória, derrota) e o desporto substituiu os torneios medievais ou outras demonstrações de força e de valor. Os futebolistas quando regressam de uma vitória importante são recebidos como heróis. Por vezes diz-se, para exaltar o esforço físico que envolve um jogo de futebol, que é para “homens de barba rija”. Mas, tudo isso, o futebol foi capaz de integrar e sublimar pela extraordinária dimensão humana, estética, cultural e atlética que decorre de um desporto praticado por grandes atletas.

 

Nos dias de hoje a violência no desporto adquiriu outra dimensão e coloca-se a um outro nível da pulsão agressiva aceitável em seres humanos. É algo teorizado, organizado e planeado que não decorre essencialmente da paixão e da emoção do jogo, mas que resulta da incorporação de valores de identidade exacerbados e estereotipados que predispõem para a luta simbólica ou explícita e surgem associados ao ódio e à vontade de estabelecer outras regras que estão para além daquelas que decorrem da organização social e desportiva. Este fenómeno é potenciado pela reprodução autónoma das rivalidades violentas através de acções conflituantes determinadas por solidariedades grupais e instintivas. Aquilo a que R. Giulianotti designa por “thick solidarity”.

 

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Esta realidade constitui um dos problemas mais graves que se verifica no futebol hoje em dia, independentemente das diferentes características e intensidades que assume em diversos países. Alvalade é, ainda, um oásis comparativamente com o que se passa em vários outros locais, mas a um observador minimamente atento não escapa que, em qualquer momento, podem acontecer situações de elevada conflitualidade.

 

As tochas atiradas para o relvado do Estádio do Bessa são de um patamar muito diferente da abordagem deste texto, mas continua-se a aguardar que a Direcção se pronuncie sobre o ocorrido na bancada com adeptos leoninos. É do interesse do Clube (e do próprio Futebol) uma mensagem cristalina sobre este tipo de acontecimentos.

 

O Sporting tem todo o interesse em demarcar-se de forma clara e veemente das manifestações violentas no futebol, repudiando as sub-culturas que promovem o sectarismo e a xenofobia, para depois possuir autoridade moral para criticar eventuais acontecimentos dessa ordem.

 

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No entanto, a caixa de segurança é questionada por muitos adeptos do futebol e consideram que uma estrutura daquele género ainda tornará o ambiente nos estádios mais conflituante e opressivo, concluindo que, tal como se verificou com as vedações, chegará o dia da sua demolição. Em Alvalade já foi inaugurada, sendo presidente o mesmo Bruno de Carvalho que em Novembro de 2011, a propósito da inauguração da jaula no Estádio da Luz num Benfica-Sporting, afirmou que "quando se tomam medidas como a de colocar uma rede à volta dos adeptos, não é para refrear ânimos, mas sim para agudizá-los".

  

 

P.S.: A morte continua a rondar os estádios de futebol. Iniciou-se no Tribunal de Varas Mistas de Guimarães o julgamento de um indivíduo de 20 anos suspeito de esfaquear dois adeptos do Sporting, numa rua de Guimarães, no final do jogo Vitória-Sporting realizado em 1 de Novembro de 2014. Outro indivíduo, de 18 anos, vai responder no mesmo processo por agressões. A acusação de homicídio qualificado refere-se ao caso do sportinguista que foi esfaqueado no tórax. Na próxima sessão, em 1 de Outubro, vão ser ouvidas as testemunhas de defesa e de acusação. 

 

publicado às 12:41

 

  

As cenas de violência gratuita a que assistimos ontem cerca de duas horas antes do clássico do Dragão não é representativo do Sporting, do futebol e muito menos ainda de uma sociedade civil e respeitadora. Recorrendo às palavras de um leitor, "Depois da batalha campal que se seguiu pela televisão, os três pontos em disputa em qualquer jogo passaram de imediato para segundo plano. Há coisas mais importantes que exigem ser investigadas urgentemente."

 

Esperamos que o Sporting se pronuncie publica e oficialmente a repudiar estes lamentáveis actos e, sobretudo, que os prevaricadores dos mesmos - indiferente da sua associação clubista - sejam devidamente identificados e severamente punidos pela Justiça, disposição esta, em Portugal, mesmo muito duvidosa, infelizmente.

 

Um breve apontamento noticioso sobre os incidentes:

 

«Viveram-se momentos de grande tensão duas horas antes do clássico entre o FC Porto e o Sporting. Um grupo de cerca de 100 adeptos não identificados, vestindo roupa preta e cinzenta e munidos de capuchos - alegadamente afectos ao Sporting - resolveram sair fora da caixa de segurança formada pela polícia e irromper pela Alameda do Dragão causando o verdadeiro pânico, ao lançarem pedras e garrafas na direcção dos simpatizantes do FC Porto.

 

O medo apoderou-se de muita gente, que decidiu fugir para longe, ao passo que os prevaricadores continuaram a sua cruzada até ficarem encurralados e começarem a ser agredidos por adeptos do FC Porto.

 

As cenas de pancadaria não tomaram maiores proporções, já que os adeptos, em pânico, precipitaram-se para as baias de segurança, correram em direcção à entrada 25 do Estádio do Dragão e pularam os torniquetes para escapar à ira dos portistas.»

 
 
«A Polícia de Segurança deteve 101 adeptos envolvidos nos incidentes anteriores ao clássico e, segundo esta, pela impossibilidade física de manter os prevaricadores detidos até ao momento em que seriam apresentados a um juiz - o que costuma suceder no dia seguinte - decidiu libertá-los. Assim sendo, os 101 detidos - já identificados - serão convocados para mais tarde comparecerem em tribunal.»
 
Um breve vídeo dos incidentes pode ser visto aqui.
 

publicado às 13:50

Ver Braga por um canudo

Rui Gomes, em 18.03.13

 

A recorrência de incidentes de violência gratuita na cidade minhota, dá azo à expressão que será melhor ver jogos de futebol em Braga...por um canudo. Os adeptos leoninos que se dirigiram ao Estádio 1.º de Maio para assistir ao embate entres as equipa B dos dois clubes, foram alvo de arremesso de pedras de dentro para fora do estádio logo à chegada. Pela imediata intervenção da PSP, a situação não atingiu maiores e mais graves proporções. O jogo acabou por terminar sem golos. Regista-se este eloquente comentário de um adepto sportinguista:

 

«Tenho boas recordações de Braga e das suas gentes que sabiam receber. Os tempos mudaram e as pessoas também. Já começam a ser agressões a mais. Não acredito que esta linda cidade tenha virado um acampamento de selvagens e arruaceiros.»

 

publicado às 01:23

Desordem e incivilidade

Rui Gomes, em 12.02.13

 

O SC Braga - Paços de Ferreira de segunda-feira, foi palco para mais uma deplorável cena de desordem e incivilidade no futebol português. Pela celebração do segundo golo do seu clube, os adeptos pacences viram-se atacados por algumas dezenas de energúmenos bracarenses, que arremassaram cadeiras e chegando mesmo a perpretar agressões. A polícia e as forças de segurança viram-se obrigadas a intervir para proteger os «refugiados». Uma acção que se condena veemente e que merece a identificação dos principais intervenientes para punição exemplar, numa sociedade democrática que não pode tolerar violência gratuita nos recintos desportivos, em qualquer parte do País.

 

publicado às 02:28

Violência no futebol

Rui Gomes, em 03.12.12

Mais dois incidentes deploráveis de violência no futebol, um em Portugal e o outro na Holanda, este último a acabar em tragédia. Todos aqueles que insistem neste tipo de conduta, têm de ser chamados à justiça e punidos severamente, de modo a servir de exemplo, de uma vez por todas. É absolutamente inadmissível que estas ocorrências tenham lugar em sociedades supostas civilizadas, em geral, e em recintos desportivos, em particular:

 

* O encontro de futebol de juniores C entre o Desportivo Candal e o Lusitano de Vildeminhos, em Vila Nova de Gaia, terminou em confrontos entre pais dos atletas das duas equipas, registando-se, pelo menos, um ferido. Segundo o que foi noticiado, assim que árbitro deu o jogo por terminado, começaram a «chover» placas de alumínio dos camarotes, resultando num ferido mais grave que teve perda de consciência quando levou com uma das placas na cabeça.

 

* Um assistente que dirigia um jogo de camadas jovens na Holanda, faleceu depois de ter sido violentemente agredido por jogadores. A vítima, Richard Nieuwenhuizen, faleceu no hospital depois de ter sido espancado - com murros e pontapés na cabeça - por jogadores do Nieuw Sloten, após o final do encontro com o Buitenboys. Três jogadores, entre os 15 e 16 anos, foram detidos pelas autoridades por alegado envolvimento nas agressões.

 

publicado às 23:49

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