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Terra de gente doida...

Drake Wilson, em 14.12.17

 

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Uma palavra.

 

Antes de abordar a preocupação que sinto pelo Futebol no geral ou pela demência dos discursos do Presidente do Sporting em particular, – e porque resistem coisas mais importantes do que as duas referidas, como a dignidade a exemplo – irei utilizar este meio para manifestar uma palavra de apreço e de consideração a alguém que merece. Existe no seio da família verde-e-branca uma pequena facção pretensiosamente dependente dos honorários do Clube, que tem procurado ao longo da semana denegrir a imagem de dois sportinguistas cuja excelência da sua obra em diferentes espectros, causa incómodo à corrente de solidariedade que a referida facção pretende que se crie em redor de si própria.

 

Entre o que foi tornado público e o que ainda permanece em privado, existe uma espécie de repulsa por parte desta facção de divas, tanto em relação ao nosso estimável Rui Gomes e à sua obra de pluralidade – a dedicação como gere o Camarote Leonino – como em relação ao meu prezado amigo Dr. Soares Oliveira e à sua obra de talento – a responsabilidade pelo redimensionamento internacional da instituição para a qual trabalha. Ambos têm a sua vida, ambos são sportinguistas, e felizmente não dependem do Sporting para nada. O ingerenciamento desta facção em relação a ambos, prende-se por ambos deterem o que a própria facção nunca terá. Rigor, princípios, disciplina, integridade e seriedade. Para além da excelência da sua obra ser visível, mesmo que debaixo de uma opinião diferente dos demais. Talvez este Futebol não esteja à vossa altura. Mas isso serão os Adeptos a decidir, e nunca a facção.

 

Futebol português = Porno-chachada.

 

Em Inglaterra nos anos 80, o comportamento dos adeptos de Futebol seria uma coisa de fugir, com desagradáveis consequências visíveis por toda a Europa. Até ao dia em que a senhora Tatcher se fartou de selvajaria. A “Dama de Ferro” interveio com uma série de medidas, algumas bastante polémicas e outras provavelmente desenquadradas com a realidade, mas hoje consideradas fundamentais para o alicerçamento daquela que é tida como a mais bem desenvolvida competição de Futebol ao nível dos clubes – a Premier League. Medidas fundamentais que trouxeram paz, organização, profissionalização, publicidade, globalização e dinheiro para todos. Não há melhor exemplo do que este, mas parece que em Portugal ninguém o vê.

 

Em terras lusitanas, é notório o afastamento de Adeptos nas bancadas desde os anos 80, levando estádios como o Alvalade XXI a perder cerca de 20 mil lugares (Luz perdeu 12 mil e Dragão 5 mil). Redimensionaram-se estádios em prol de maior segurança e comodidade, de facto, mas nunca se constatou o óbvio – muita gente perdeu o interesse em acompanhar uma competição progressivamente nociva à própria integridade física como intelectual. A Primeira Liga portuguesa precisa, a exemplo do que sucedeu em Inglaterra, de uma intervenção do Governo. Apenas este detém os meios para pôr cobro a um manicómio onde coabitam Árbitros, Liga, Sistemas, Directores de Comunicação, Mails e Presidentes. Não há pior exemplo do que este, mas parece que ninguém vê.

 

No Sporting dispensamos porno-chachadas.

 

No sentido inverso de um mandato presidencial que aproxime o Sporting aos melhores agentes desta indústria – atrair mais patrocinadores e parceiros, por exemplo –, Bruno de Carvalho teima em comportar-se compulsivamente como uma espécie de Justiceiro Social que de tão repetitivo, invariavelmente torna a sua causa vulgar. Existem aspectos positivos à sua responsabilidade, como reavivar sportinguismo aos Adeptos, a construção de um Pavilhão ou uma equipa de Futebol competitiva. Outros, de questionável utilidade – Fruta Conquerors? Traffic? Panamá? São Tomé e Principe? Existe muito mais ainda a fazer pelo Sporting. É impossível encarnar dois papéis na perfeição: ou se comporta como um fanático desenquadrado com as prioridades, ou se faz um homem e se dedica a causas maiores. Isto de fazer discursos de união a múmias, sabe-me a pouco.

 

A Direcção de Bruno de Carvalho, não obstante de alguns feitos, não tem dimensão para o futuro do Sporting. Trata-se de uma liderança frágil que insiste em apelar à união e solidariedade dos Adeptos, revelando a sua fatídica incapacidade em tornar o Sporting imune às próprias cartadas. É uma Direcção previsível que reage como uma folha de papel em conformidade com os ventos do Norte, sem capacidade de agir de modo eficaz quando solicitada – a exemplo, o modo surreal e vulgar como se expôs o caso “Dossier Eusébio”. É inclusivamente difícil reconhecer a idoneidade ao cargo, quando o expoente máximo de representação do nosso Clube – este Presidente – reage com esquizofrenia a qualquer cachecol ou por exemplo, quando coloca o Director de Comunicação como moço de recados para lançar ameaças ao colunista (?) Claudio Ramos. O próximo passo é ordenar à Juve Leo a execução astral da Maya?

 

Nuno Saraiva, nem a propósito, é outro caso de recursos mal aproveitados pelo Clube. Profissional editorial habituado a artigos de natureza socio-política cor-de-salmão, é um caso claro de competência questionável. Portador de uma agenda telefónica repleta de fontes influentes da nossa praça política (que dissabores judiciais lhe trouxe no passado!), deveria utilizar tais meios para mais do que preparar discursos para o Presidente ou eleger as virtudes do mesmo via Facebook. Que tal estreitar relações com os principais jornais portugueses e estabelecer terrenos neutros ou regalias que evitem a nossa exposição mediática terceiro-mundista? Se não sabe fazer melhor do que guiões teatrais, demita-se.

 

Em conclusão.

 

O Futebol português perde a sua credibilidade quando se coloca na mão de um agente desportivo a apresentação e gestão de provas de corrupção (activa ou tentada) na praça pública, assunto sério que deveria ser exclusivamente tratado pela Administração Pública, Ministério Público e Tribunais, naturalmente. Os Presidentes de clubes portugueses demonstram incapacidade em liderar reformas estruturais, quando são ultrapassados pela intenção de um jornalista (Rui Santos) em promover pelos próprios meios uma petição junto da Assembleia da República, afim de serem introduzidas novas tecnologias. Os clubes em Portugal correm sérios riscos de perder parte significativa das suas receitas clássicas (bilheteira, sponsors) e por consequência as extraordinárias (transferências de atletas), em virtude deste lamaçal.

 

A acção concertada na praça pública da coligação Sporting-FCPorto esconde algo mais do que a clarificação do Futebol português – é intencional na descredibilização do SLBenfica a todos os níveis, nomeadamente nas suas relações comerciais. Ambos sabem o que anda Luís Filipe Vieira a fazer na China, e o que foi ele lá vender. Mas o que as Direcções de Sporting e FCPorto desconhecem, é a consequência de um êxodo da alemã Adidas ou da operadora Fly Emirates do equipamento encarnado. No dia em que estes saírem de Portugal, todos os contratos de Sponsorship serão revistos por baixo nas suas negociações, com as poucas Marcas globais que por cá ficarem. Quem ganha com isso?

 

publicado às 09:15

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1 comentário

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De R.Ribeiro a 14.12.2017 às 13:39

Tenho a discordar, com todo o respeito, no texto em apreço, numa questão que muito temos criticado outros de o fazer e o autor defende que deveríamos fazer o mesmo:
"Que tal estreitar relações com os principais jornais portugueses e estabelecer terrenos neutros ou regalias que evitem a nossa exposição mediática terceiro-mundista? Se não sabe fazer melhor do que guiões teatrais, demita-se."
Não defendo que devamos estreitar relações com nenhum agente da comunicação social. Eles têm as suas funções, que são a de noticiar os assuntos que a comunicação social do Sporting emite sobre qualquer questão. Não têm que tecer qualquer julgamento sobre esses assuntos, mas tão só a de "transportar" do emissor para o receptor. É essa a função de um jornalista, seja ele de criminal, desportivo, político ou de qualquer outra área de interesse. Andamos a lutar, de forma imaculada, contra as influências que foram estabelecidas anteriormente por outros clubes e agora querem que façamos o mesmo??? Vamos tirar os dos outros para lá colocar os nossos? Que moral temos nós, como clube que somos e que defendemos ser? Mais, andamos a lutar para que se terminem as regalias que outros clubes andam a esbanjar pelos favorecimentos, implícitos ou não, e agora devemos mandar os nossos espalhar essas mesmas regalias? Desculpem, mas não compactuo com essas práticas. O desporto quer-se virgem, onde o melhor ganha por esforço, dedicação e abnegação dos seus próprios interesses. Temos que lutar não só contra os órgãos dos clubes que têm tido esta prática já a vários anos, mas também contra todos os agentes que degradam este belo desporto em causa própria. Por mim, acabam-se os presentes aos árbitros. Eles têm uma função de suma importância, a de ajuízar um encontro entre duas equipas que se degladiam em pleno relvado durante 90 minutos de muito esforço. Têm que ser totalmente isentos nas suas decisões e qualquer tipo de oferta, até mesmo de baixo valor, pode pender mais para um lado do que para o outro. Não há galhardetes, não há almoços nem jantares, não há bilhetes ou boxs. São funcionários pagos, que podem adquirir tudo isso na loja, se realmente os quiserem. Um árbitro está ali, naquele campo, com um único propósito e deve saber cumprir o seu dever sem esperar qualquer tipo de compensação para além do seu vencimento. O mesmo se diga de um jornalista, ou de um agente desportivo, ou de um qualquer outro agente ou cargo, público ou privado. Defender a instalação de influencias, interesses ou regalias é compactuar com o que está a estragar este desporto.

Se, hodiernamente, e cada vez mais, os adeptos deixaram de ir à bola, sendo um estádio constituídos maioritariamente por claques organizadas; se cada vez mais deixa de existir a tradição de um avô ou um pai de levar o neto ou o filho à bola num belo clássico, acreditem que não é só porque não existe a possibilidade financeira. Urge uma mudança de atitude neste desporto.
Disse.

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