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Tondela e Sporting

Rui Gomes, em 21.11.18

Os leitores que generosamente se interessam por esta coluna, perguntarão qual o racional deste, aparentemente, estranho título.
 
Explico.
 

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O Tondela tornou público há dias, que vendeu a maioria do capital (80%) da sua SAD, a um grupo internacional, já proprietário do Granada e do Parma.

 
As razões são por de mais cristalinas: o Tondela não tem músculo financeiro para aguentar um projecto sustentável na primeira divisão e, assim sendo, vende as suas acções a quem, alegadamente, o tem.
 
Este é, pragmaticamente, o destino escrito de muitos clubes em Portugal; já aconteceu com o Famalicão, Belenenses e o Estoril, e, muitos outros, na minha opinião, se seguirão.
 
A alienação não é um caminho necessariamente mau, tem é de ser regulamentado.
 
Por duas razões: em primeiro lugar, porque o fenómeno desportivo, atrai capital ligado a actividades ilícitas, desde o branqueamento de capital ao match fixing, e faz-me impressão que, em Portugal, qualquer pessoa possa ser dona de uma SAD.
 
Em segundo lugar, porque já houve clubes que foram no canto da sereia e se entregaram a vendedores de ilusões, com desfechos catastróficos, como foram os casos do Olhanense, do Beira-Mar e do Atlético.
 
Defendo, por isso, que em sede de auto-regulação, se justifica haver uma verificação de idoneidade prévia, de qualquer entidade, que queira investir no futebol profissional.
 
O que tem isto a ver com o Sporting? Muito simples; os sócios do Sporting têm defendido e bem, que o Clube deve manter a maioria do capital da SAD.
 
Só que este legítimo desiderato, comporta uma obrigação: se se veda a outrem o apport de capital à SAD, terão de ser os seus accionistas e, em última análise, os sócios e adeptos do Sporting, quem tem de providenciar pela sua sustentabilidade financeira. Já disse e repito, acabaram os bancos, as entidades públicas e os salvadores da pátria.
 
Trocando por miúdos: o Sporting tem dois desafios financeiros pela frente, a subscrição do empréstimo obrigacionista e a recompra das VMOC; sem os resolver, entrará num ciclo de fragilidade, que pode culminar, com a maior das fragilidades, na perda da maioria da SAD. 
 
O sportinguismo de cada um de nós está à prova. A não ser que queiramos acabar como o Tondela, sem desprimor, claro está.
 
Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record
 
*** O autor, devoto sportinguista, também participou na reunião realizada em Alvalade na segunda-feira, referenciada neste nosso post.
 

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publicado às 03:48

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3 comentários

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De Greenlight a 21.11.2018 às 08:52

Parece-me que o caminho da Sporting/SAD e a das SAD dos outros grandes clubes portugueses deveria ser o da detenção das acções por empresários com capital para investirem na "indústria do futebol". O que temos hoje, exceptuando o Sporting, neste momento, são as SAD geridas por empresários especializados na falência das suas próprias empresas e que têm usado os clubes para se servirem (do ponto de vista financeiro) ou se manterem afastado das grades que é onde eles deviam estar pelos desmandos dentro e fora dos clubes.
Como diz o ilustre jurista, o caminho teria que ser devidamente regulamentado e digo eu, para evitar que os pequenos ou médio marginais fossem substituidos por grandes criminosos.

Dito isto e por via das dúvidas já subscrevi as obrigações 2018/21 para ajudar o "Meu Sporting"!
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De Schmeichel a 21.11.2018 às 10:04

É de facto preocupante este regresso a esta ideia de que o Sporting deveria perder a maioria do capital…..nada disto é novo, é apenas o regresso daqueles que sempre defenderam a perda da maioria do capital da SAD ao poder.

Porque razão o Sporting tem dificuldades financeiras?! Voltamos aos problemas de sempre, que são a falta de controlo das despesas…. fizemos uma reestruturação financeira e depois de estabilizámos um pouco as finanças do clube, mas logo a seguir contratámos p.ex o JJ a ganhar 6M/ano, são estas decisões que não fazem sentido a quem está em reestruturação financeira.

Eu sou sócio do Sporting Clube de Portugal, não quero um clube vendido a brasileiros ou chineses, acho uma vergonha esta comercialização do futebol, onde desvirtuamos a essência da fundação dos clubes, que era ser uma espécie de representação de um determinado bairro ou cidade, tendo sido transformado numa empresa cujo objetivo é dar lucro a grupos financeiros.

O nosso futebol da I Liga vai ser ocupado por clubes sem adeptos mas com grupos capitalistas por detrás, ao género do Tondela, aliás cada vez é mais recorrente em Portugal não valorizar os adeptos com jogos à 2ªfeira e muito tarde, carrega-los com impostos uma vez que foi a única actividade fora da redução do Iva….. isto é, o caminho é acabar com os clubes populares e transformar em clubes em entrepostos de jogadores, porque os empresários têm de continuar a mamar comissões, enquanto os adeptos não valem nada, só servem para sacar impostos e pagar as quotas.
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De Indiana Julio a 21.11.2018 às 12:38

É minha opiniao que é so uma questao de tempo a resistencia dos grandes clubes portugueses nao perderem a maioria das suas sads.
No futuro acabarao por perder essa maioria.

A logica de quem investe forte quer depois defender e gerir por maioria o seu investimento .
Por mim nao me choca se devidamente regulamentado para nao cair nas maos erradas.
Grandes clubes europeus perderam a maioria das suas sads e nao deixaram de ser grandes por isso,alguns até ainda se tornaram mais competitivos.

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