De Luis Carvalho a 29.11.2024 às 11:17
Ortega y Gasset, um filósofo espanhol disse um dia, “ eu sou eu e as minhas circunstâncias”, a frase aplica-se que nem uma luva à situação de João Pereira. Capacidade de liderança, de comunicação, até conhecimento técnico, à parte, que não se vêem para já em João Pereira, em comparação com Rúben Amorim, as circunstâncias de chegada de um e outro à equipa principal do Sporting são totalmente diferentes. Se por um lado João Pereira herda uma equipa campeã nacional, com 11 vitórias em 11 jogos da Liga, com 10 pontos em 12 possíveis na Champions( agora com 10 em 15), Amorim herdou uma equipa desequilibrada, amorfa, algo perdida, fazer melhor, muito melhor era expectável. Poder-se-à dizer que JP teve sorte, não creio, o peso que Amorim lhe deixou em cima, a confiança que a SAD depositou nele, poderão funcionar como bloqueadores do seu crescimento e toldar-lhe o espírito e promover falta de confiança nas suas decisões. Creio que terá apoio dos Sportinguistas, quem poderá ser alvo de crítica severa será Frederico Varandas, o responsável pela sua promoção. Aguardemos e confiemos na equipa, apoiando sem reservas.
Caro Luís Carvalho,
É interessante a referência que fez ao pensamento de Ortega y Gasset. Amiúdes vezes eu, na minha actividade profissional, faço uso desse pensamento, expressando-o a quem comigo trabalha. E faço-o no sentido de individualizar a actividade de cada um, ao mesmo tempo que os responsabilizo por essa individualidade.
Anteriormente escrevi que o João Pereira nunca será um Rúben Amorim 2.0 e que qualquer comparação será nefasta.
Tenho a convicção que a tarefa de João Pereira é de um grau de dificuldade bem superior à de Rúben Amorim quando entrou no Sporting. Qual é o nível de exigência que se espera dele?
Nada menos que a excelência exibicional e de resultados que o anterior técnico deixou!
Convenhamos que é uma tarefa hercúlea, mesmo que o treinador fosse experiente e com um histórico de sucesso. E a teoria do "basta não mexer" é falaciosa e prejudicial. Uma equipa de futebol não se move em piloto automático.
Neste momento o importante é minimizar os riscos de erro, nomeadamente pela instabilidade e turbulência que se possam externamente criar. Com a estabilidade surge a confiança e, esperemos nós, a qualidade do João Pereira aparecerá.
De Joël Bettencourt a 29.11.2024 às 12:44
Caro Leão do Norte,
O que o leva a crer que João Pereira tem qualidade?
É uma pergunta sem malícia. Tão simplesmente porque, eu, não tenho qualquer referência para poder considerar que João Pereira tem, ou não, qualidade para treinar a equipa campeã do Sporting Clube de Portugal.
Caro Joël Bettencourt,
Pessoalmente não tenho referências, positivas ou negativas, sobre a qualidade do João Pereira como treinador. O seu percurso de treinador no Sporting fez-se em equipas secundárias cuja volatilidade do "plantel" impedia uma correcta e consciente avaliação.
No entanto, tenho a confiança, não crença, que terá qualidade. Tal facto advém da confiança que deposito na actual estrutura directiva do Sporting.
A opção por João Pereira não foi definida nesta urgência. Pelo divulgado era uma opção que estava previamente definida, assente numa perspectiva de continuidade. Ao longo dos últimos meses/ano, as manifestações públicas dos dirigentes do Sporting, e até do Rúben Amorim, demonstravam apreço pelas qualidades e capacidades do João Pereira como treinador.
Neste contexto, parto com a confiança que o diagnóstico foi bem feito e que o João Pereira tem a qualidade para ser a escolha acertada.
E não é com esta escassa amostra que vou por em causa tal raciocínio.
De Joël Bettencourt a 30.11.2024 às 11:51
Com todo o respeito, caro Leão do Norte, não há nada que o caro possa pôr em causa porque o João é uma toral e absoluta incógnita. Poderia, quanto muito, pôr em causa a qualidade do praticante de futebol...
De Luis Carvalho a 29.11.2024 às 15:00
Estamos basicamente de acordo com tudo, JP não é Amorim, nem tão pouco uma versão 2.0, JP precisa de muito apoio, externo e interno, e nós temos que saber digerir alguns insucessos como o da passada terça-feira. Sabemos contudo como se comporta o universo Sportinguista, muito dado a passar do 80 para o 8 e vice-versa. Uma boa vitória amanhã trará bom ambiente, algo( vade retro Satanás) diferente será um problema com repercussões importantes.
De Joël Bettencourt a 30.11.2024 às 11:56
Passar de candidato a um bi-campeonato para (voltar a) andar uns anos a ver se a experiência João Pereira funciona é passar do 80 ao 8, indubitavelmente...
Se me meter a mim no banco, pode passar os 90 minutos a gritar "força mister" e ir todos os dias esperar-me à saída de casa que, garanto-lhe, nunca darei um treinador de futebol...
De Luís carvalho a 30.11.2024 às 15:12
Meu Caro, se acompanha aquilo que aqui escrevo, saberá, ou saberia, que não perdoo a saída de Amorim, considero-o um traidor, só isso! Conforme aqui escrevi e utilizando e ajeitando a velha expressão romana, “ Luís Carvalho não perdoa a traidores”! JP aguenta o barco? Veremos.
De Joël Bettencourt a 30.11.2024 às 16:20
Luís,
Como eu nunca idolatrei Rúben Amorim, como a maioria, o que me valeu alguns comentários inflamados e imbecis, não experimento, neste momento, esse sentimento de abandono.
E nunca idolatrei porquê? Porque não o faço em relação a ninguém que recebe um salário pornografico (quando comparado com o que aufere o português comum que sustenta a economia nacional) para tepresentar o Sportinguista Clube de Portugal. Para mim, representar o Sporting é um privilégio para qualquer mortal.
Dito isto, assim que aceitou a proposta do Man United, Rúben Amorim passou a pertencer ao passado.
Em conclusão, repito o óbvio: nada podia Frederico Varandas fazer em relação à saída de Rúben Amorim. Já a contratação do sucessor é da sua inteira responsabilidade.
Mesmo que João Pereira tenha o sucesso que todos desejamos, isso não vai alterar o cariz desta decisão que é uma posta feita totalmente às cegas e de uma irresponsabilidade difícil de entender. Continuo convencido que o sucesso da contratação de Rúben Amorim subiu à cabeça do presidente e lhe deu a percepção de ser um génio da gestão desportiva.
De Luis Carvalho a 30.11.2024 às 17:19
Estamos em concordância sobre a apreciação sobre Amorim, idolatrar, nem pensar, até levei aqui muita “ pancada” por o criticar. Mas entender que o que fez é uma traição, que escrevi desde a primeira hora, como muito anteriormente aqui escrevi, que ele, Amorim, tinha uma agenda muito própria, não se trata de qualquer idolatria, bem pelo contrário. Em relação a João Pereira, também sou claro, não tem para já arcaboiço para a função, mostra no pouco que vi muitas dificuldades de comunicação e falta saber se tem capacidades de liderança e “ olho” para entender o seu entorno, o jogo.