Caro Luís Carvalho,
É interessante a referência que fez ao pensamento de Ortega y Gasset. Amiúdes vezes eu, na minha actividade profissional, faço uso desse pensamento, expressando-o a quem comigo trabalha. E faço-o no sentido de individualizar a actividade de cada um, ao mesmo tempo que os responsabilizo por essa individualidade.
Anteriormente escrevi que o João Pereira nunca será um Rúben Amorim 2.0 e que qualquer comparação será nefasta.
Tenho a convicção que a tarefa de João Pereira é de um grau de dificuldade bem superior à de Rúben Amorim quando entrou no Sporting. Qual é o nível de exigência que se espera dele?
Nada menos que a excelência exibicional e de resultados que o anterior técnico deixou!
Convenhamos que é uma tarefa hercúlea, mesmo que o treinador fosse experiente e com um histórico de sucesso. E a teoria do "basta não mexer" é falaciosa e prejudicial. Uma equipa de futebol não se move em piloto automático.
Neste momento o importante é minimizar os riscos de erro, nomeadamente pela instabilidade e turbulência que se possam externamente criar. Com a estabilidade surge a confiança e, esperemos nós, a qualidade do João Pereira aparecerá.
De Joël Bettencourt a 29.11.2024 às 12:44
Caro Leão do Norte,
O que o leva a crer que João Pereira tem qualidade?
É uma pergunta sem malícia. Tão simplesmente porque, eu, não tenho qualquer referência para poder considerar que João Pereira tem, ou não, qualidade para treinar a equipa campeã do Sporting Clube de Portugal.
Caro Joël Bettencourt,
Pessoalmente não tenho referências, positivas ou negativas, sobre a qualidade do João Pereira como treinador. O seu percurso de treinador no Sporting fez-se em equipas secundárias cuja volatilidade do "plantel" impedia uma correcta e consciente avaliação.
No entanto, tenho a confiança, não crença, que terá qualidade. Tal facto advém da confiança que deposito na actual estrutura directiva do Sporting.
A opção por João Pereira não foi definida nesta urgência. Pelo divulgado era uma opção que estava previamente definida, assente numa perspectiva de continuidade. Ao longo dos últimos meses/ano, as manifestações públicas dos dirigentes do Sporting, e até do Rúben Amorim, demonstravam apreço pelas qualidades e capacidades do João Pereira como treinador.
Neste contexto, parto com a confiança que o diagnóstico foi bem feito e que o João Pereira tem a qualidade para ser a escolha acertada.
E não é com esta escassa amostra que vou por em causa tal raciocínio.
De Joël Bettencourt a 30.11.2024 às 11:51
Com todo o respeito, caro Leão do Norte, não há nada que o caro possa pôr em causa porque o João é uma toral e absoluta incógnita. Poderia, quanto muito, pôr em causa a qualidade do praticante de futebol...
De Luis Carvalho a 29.11.2024 às 15:00
Estamos basicamente de acordo com tudo, JP não é Amorim, nem tão pouco uma versão 2.0, JP precisa de muito apoio, externo e interno, e nós temos que saber digerir alguns insucessos como o da passada terça-feira. Sabemos contudo como se comporta o universo Sportinguista, muito dado a passar do 80 para o 8 e vice-versa. Uma boa vitória amanhã trará bom ambiente, algo( vade retro Satanás) diferente será um problema com repercussões importantes.
De Joël Bettencourt a 30.11.2024 às 11:56
Passar de candidato a um bi-campeonato para (voltar a) andar uns anos a ver se a experiência João Pereira funciona é passar do 80 ao 8, indubitavelmente...
Se me meter a mim no banco, pode passar os 90 minutos a gritar "força mister" e ir todos os dias esperar-me à saída de casa que, garanto-lhe, nunca darei um treinador de futebol...
De Luís carvalho a 30.11.2024 às 15:12
Meu Caro, se acompanha aquilo que aqui escrevo, saberá, ou saberia, que não perdoo a saída de Amorim, considero-o um traidor, só isso! Conforme aqui escrevi e utilizando e ajeitando a velha expressão romana, “ Luís Carvalho não perdoa a traidores”! JP aguenta o barco? Veremos.
De Joël Bettencourt a 30.11.2024 às 16:20
Luís,
Como eu nunca idolatrei Rúben Amorim, como a maioria, o que me valeu alguns comentários inflamados e imbecis, não experimento, neste momento, esse sentimento de abandono.
E nunca idolatrei porquê? Porque não o faço em relação a ninguém que recebe um salário pornografico (quando comparado com o que aufere o português comum que sustenta a economia nacional) para tepresentar o Sportinguista Clube de Portugal. Para mim, representar o Sporting é um privilégio para qualquer mortal.
Dito isto, assim que aceitou a proposta do Man United, Rúben Amorim passou a pertencer ao passado.
Em conclusão, repito o óbvio: nada podia Frederico Varandas fazer em relação à saída de Rúben Amorim. Já a contratação do sucessor é da sua inteira responsabilidade.
Mesmo que João Pereira tenha o sucesso que todos desejamos, isso não vai alterar o cariz desta decisão que é uma posta feita totalmente às cegas e de uma irresponsabilidade difícil de entender. Continuo convencido que o sucesso da contratação de Rúben Amorim subiu à cabeça do presidente e lhe deu a percepção de ser um génio da gestão desportiva.
De Luis Carvalho a 30.11.2024 às 17:19
Estamos em concordância sobre a apreciação sobre Amorim, idolatrar, nem pensar, até levei aqui muita “ pancada” por o criticar. Mas entender que o que fez é uma traição, que escrevi desde a primeira hora, como muito anteriormente aqui escrevi, que ele, Amorim, tinha uma agenda muito própria, não se trata de qualquer idolatria, bem pelo contrário. Em relação a João Pereira, também sou claro, não tem para já arcaboiço para a função, mostra no pouco que vi muitas dificuldades de comunicação e falta saber se tem capacidades de liderança e “ olho” para entender o seu entorno, o jogo.