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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

Quem advoga ser perseguido por recordes rende-se à lei dos números, é uma necessidade inevitável e ainda Ronaldo tinha as aptidões físicas impecáveis, nos seus vintes, quando essa rendição insuflou que nem barriga a rebentar com os botões de camisa: deixou 450 golos no Real Madrid, onde ficou como o melhor marcador da história do clube, enquanto colecionou cinco Bolas de Ouro e chegou aos 141 golos na Liga dos Campeões, registo em que o píncaro também é dele. O português, com o tempo, virou um acumulador nato de feitos binários, tão obesos nas estatísticas que se passou a observar Cristiano sob as lunetas de quais seriam as próximas fasquias concretas que ultrapassaria e por onde conseguiria esticar mais a corda.
Esta recolecção de alguns feitos de Ronaldo constitui o tipo de louvo de que o português não precisa, o rasto que tem no futebol dispensa-o, os números podem ser enviesados se interpretados sem contexto, mas são o recheio mais sustentável dos factos e suportam um dos inquestionáveis que existe em Cristiano: ele é o melhor, mais importante, mais decisivo e influente futebolista que Portugal já teve e provavelmente terá na sua história.
E reconhecer esse óbvio, que é bem inatacável, não deveria equivaler a ser um sacrilégio defender outra clareza, cada vez mais límpida, em relação ao maior futebolista português de sempre.
Que aos 39 anos, o esculpido e por demais cuidado físico de Cristiano Ronaldo limita-lhe as capacidades, o alcance que consegue ter no campo e a abrangência da sua influência num jogo que seja jogado nos níveis mais exigentes do futebol, como é o caso deste Campeonato da Europa. E que a sua preponderância na selecção nacional, à semelhança de qualquer outro futebolista, deveria ser afinada consoante o rendimento que apresente agora, em vez da deveras sublime prestação que outrora era capaz de suster consistentemente.
Excerto da crónica de Diogo Pombo, em Tribuna Expresso
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