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Um pouco do Ferrari, um arzinho da tasca, mas ninguém saiu a rir do Benfica-Sporting

Tribuna Expresso, Pedro Barata

Leão Zargo, em 07.12.25

FOTO MIGUEL A. LOPES.webp

Não foram duas partes diferentes, não é bem essa a frase feita do futebolês a correta. Foram mais dois blocos de 20 ou 25 minutos diferentes, seguidos de incapacidade mútua, quase acordo tácito que ditava que ninguém era capaz de muito melhor.

O dérbi deu 1-1. Os primeiros 25' não pareciam encontro de empate, tal a superioridade do Sporting. Algures na segunda parte, quando Ríos foi o melhor Ríos em Portugal, quando o Benfica era agressivo e acumulava remates, não parecia partida de empate. Mas, olhando à globalidade, foi contenda de empate.

A impressão global foi entre o quero e não posso e o posso e não quero. O Sporting não matou quando cheirou sangue, o Benfica não teve embalo para virar. Agradece o FC Porto, que pode ficar com cinco pontos à frente dos leões e oito adiante das águias.

Dentro dos pequenos ciclos de domínio, arrancou a mandar quem tem um padrão de jogo mais reconhecível e reconhecido. Haviam passados meros três minutos e já o Sporting mostrava ao que vinha. Suárez roubou, perto da área do Benfica, a bola a Aursnes, conseguindo trabalhar até chegar perto de Trubin, que defendeu o remate do colombiano.

Estava dado o mote para os primeiros 25'. Os visitantes conseguiram constantes recuperações de bola perto da área das águias, que olhavam para o relvado como um aluno sem talento para a matemática aborda uma equação de segundo grau: sem saber por onde começar, que rumo tomar, quais são os passos necessários para atingir o resultado final. António Silva estava especialmente errático no passe, contrastando com a calma dos defesas leoninos, que arejavam a circulação verde e branca.

Seria, justamente, num roubo em zona subida que chegaria o 1-0. Trubin tocou em Enzo, que estava de costas para o jogo e, portanto, de frente para o perigo. Hjulmand, astuto, entendeu o que o médio ia fazer, antecipando-se. O capitão serviu Pote, que aproveitou as mãos pouco seguras de Trubin para dar vantagem aos bicampeões nacionais.

O golo surgiu aos 13'. Logo a seguir, no recomeço do desafio, Pavlidis, o ponta de lança do Benfica, tocou pela primeira vez na bola. A equipa de José Mourinho não chegava ao ataque e a Luz mostrava o seu descontentamento com a passividade encarnada.

Maxi Araujo demorou 10 segundos para ter a primeira picardia, no caso com Dedic. Mas o uruguaio de sangue quente está feito um lateral que defende com agressividade e ataca com critério. Por duas vezes ficou perto do 2-0, no melhor momento do tiki-tasca à Rui Borges. José Mourinho apelava à calma, mas o Benfica regressaria ao jogo, contra todos os prognósticos, logo a seguir.

O 1-1 foi como uma lotaria que caiu para os da casa. Sem qualquer aproximação com perigo até ali, com Barreiro a correr pelo campo como um homem que não sabe bem a que repartição pública se deve dirigir, vagueando de departamento em departamento sem resolver o seu problema, o golo veio da energia de Dedic, da clarividência de Ríos, da insistência de Sudakov e da falta de coordenação defensiva do Sporting. O ucraniano festejou-o com assinalável alívio.

A Luz, que começava a perder a paciência de cada vez que o rival reciclava o jogo, reiniciando a circulação, ganhou alma. Rugiu, festejou, empurrou os seus. Principiou outro jogo, de mais choque, mais dividido, já não um exercício de superioridade, mas um verdadeiro combate.

O recomeço consolidou o ascendente de quem marcou depois. Não foi o Ferrari que José Mourinho querará apresentar, mas houve umas acelerações vigorosas, um pouco de velocidade de ponta. O Sporting secou ofensivamente, tanto que, após Maxi roçar o 2-0 aos 26', não mais rematou. O Benfica, com mais urgência e agressividade atacante, teve três disparos quase seguidos, com Pavlidis, Aursnes e Sudakov a proporcionarem defesas atentas a Rui Silva.

Para procurar reencontrar o melhor Sporting, Rui Borges tirou Pote e Morita e colocou João Simões e Quenda, dois adolescentes para trazer energia e talento e deixar os visitantes com sete canhotos entre os 11 em campo. José Mourinho, como em todos os encontros de exigência máxima desde que regressou a Portugal, mostrou pouco confiar no banco, só fazendo a primeira substituição aos 81', lançando Prestianni. O jovem argentino duraria pouco em campo, já que viu o vermelho 10 minutos depois.

A certa altura do segundo tempo, chegou a parecer que as águias iam empurrar os leões para trás e forçar a reviravolta. Ríos, o colombiano que fala português com sotaque do Brasil fez, possivelmente, o seu melhor encontro desde que foi contratado, sendo o médio que se imagina há alguns meses, físico, levando a equipa para a frente, abarcando muito campo, chegando perto da baliza. Aos 73', Suárez evitou que o colombiano assistisse Barreiro e, pouco depois, foi o próprio Richard, de fora da área, a atirar perto da baliza de Rui Silva.

Quando o Benfica estava melhor, uma série de picardias, sempre com Maxi Araujo como protagonista, quebraram o ritmo do jogo. Seria o ocaso daquela equipa mais viva, mais à procura do 2-1. A expulsão de Prestianni, no arranque dos sete minutos de descontos, levou Mourinho a aceitar o empate como mal menor. O Sporting, sem argumentos, nada mais criou. E assim, entre o querer e o não poder, firmou-se o acordo tácito de aceitação do ponto para cada um.

publicado às 03:05

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9 comentários

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De Leão do Norte a 07.12.2025 às 12:16

"A impressão global foi entre o quero e não posso e o posso e não quero"

Amigo Leão Zargo, esta frase resume, com particular acuidade, o sentimento principal saído do dérbi. E penso que é por ele que muitos sportinguistas ficaram com "amargo de boca" em relação ao resultado.
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De Leão Zargo a 07.12.2025 às 15:30

Amigo Leão do Norte

Ficou um sério amargo de boca. A vitória na Luz esteve ali ao virar da esquina, por incidências do jogo misturadas com pouca sorte, trouxemos para casa um empate. Vai ficar atravessado na garganta durante muito tempo.
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De António Pinto a 07.12.2025 às 16:09

Caro Leão do Norte,
Pois eu sou um dos que...
Que oportunidade se perdeu para se ganhar no galinheiro, e bem mais me custa, quando tendo visto praticamente todos os jogos de um e outro, estar convencido, que o Sporting tem equipa e qualidade de jogo bem superior aos vermelhuscos. Isto além de os colocar praticamente fora da discussão do título e com muitas probabilidades de ficarem no lugar que estão, em 3º.
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De RCL a 07.12.2025 às 16:33

Houve poupanças para Munique
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De Leão Zargo a 07.12.2025 às 20:19

RCL
Talvez, talvez...
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De Fala verdades a 07.12.2025 às 19:16

O problema não é ter empatado na luz, na luz é sempre difícil seja em que circunstâncias for, o maior problema é o porto tarda em perder pontos, é um caso de atípico ,digo isto porque em doze jornadas perde só dois pontos, foi com o Benfica, também tem tido muita sorte, e uma equipa praticamente toda nova sem rotinas de jogo, mas parece que as tem á muito tempo, mas acho que a sorte não dura sempre vamos a ver para sonhar com o tri não podemos perder mais pontos se não hipotecados o campeonato, se o porto não perder pontos em princípio ganham hoje ao Tondela aumentam sobre a gente cinco pontos torna se complicado mas não impossível acho que o porto até ao fim do campeonato vai perder mais que cinco pontos ninguém diria , o Sporting tem o melhor equipa e plantel do campeonato, mas as coisas as vezes não se ganha pensava que o Sporting ia passear o campeonato ou seja o tri
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De Leão Zargo a 07.12.2025 às 20:42

Fala verdades

É melhor estar no 1º lugar, candeia que vai à frente ilumina duas vezes. Ainda falta boa parte do campeonato, mas concordo que o empate na Luz compromete algumas expectativas.
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De Fala verdades a 08.12.2025 às 00:17

Zé largo é verdade este ano vai ser muito difícil qualquer ponto perdido agora adeus campeonato o porto ganhou em Tondela está tudo facilitado para o porto tem um calendário mais acessível, tem tido muita sorte, em alguns jogos , nós apesar de termos melhor plantel e jogadores, não é líquido que se ganhe a prova este ano não é o nosso ano, apesar de ter alguma esperança
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De Leão XXV a 07.12.2025 às 20:59

Um empate na Luz não é um mau resultado. A desilusão resulta de se esperar mais do Sporting por ter melhor equipa do que o Benfica, por ter marcado primeiro e devido ao atraso pontual para o Porto, que pode ser aumentado nesta jornada.

Em teoria, o Porto pode perfeitamente ser campeão com um plantel com menos soluções do que Sporting e Benfica. Os andrades foram três vezes campeões com Sérgio Conceição, com um futebol mais físico do que de qualidade e sob a vigilância da UEFA por incumprimento do Fair-play Financeiro, por isso o que estão a fazer agora não é nada de novo.

Enquanto que no ano passado o Sporting beneficiou do mau arranque de campeonato dos rivais e teve um início de temporada excelente, que depois lhe permitiu aguentar-se na liderança no fio da navalha, este ano temos de fazer mais, porque partimos de trás. Por isso é importante começar já a mentalizar os jogadores que as contas do nosso título passam por uma vitória no Dragão. Aliás já devíamos de ter vencido lá na época passada, mas infelizmente continua a faltar à equipa aquele instituto impiedoso, para fazer aquilo que o Presidente Frederico Varandas disse há dois anos antes da final da Taça de Portugal com os andrades: temos de rebentar com eles!

Na altura usaram isso contra o Presidente, como se não soubéssemos que os outros dizem e fazem muito pior contra o Sporting. Mas é assim que as coisas são. Temos de rebentar com eles, porque se eles ganharam em Alvalade, o Sporting tem de ser capaz de ganhar no Dragão e limpar a má imagem deixada nos confrontos com os rivais na primeira volta. Senão, o título vai para os andrades, mesmo que não joguem nada e ganhem à rasca, porque isto é o tugão.

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