Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.

O Sporting começou bem, esteve por cima, teve várias oportunidades, marcou primeiro, mas perdeu intensidade de jogo e permitiu que o Benfica equilibrasse a partida. Falhas de posicionamento e de ousadia dos sportinguistas na 2ª parte determinaram o empate.

Um Benfica - Sporting é um encadeamento de histórias, de muitas histórias dentro de outras histórias, numa narrativa intemporal. Em cada dérbi encontram-se os ingredientes principais da arte dramática, sendo que o relvado é o próprio palco, o treinador faz de diretor de cena e os jogadores são os atores. O público é o coro, como numa peça de teatro grega. Ainda há um personagem que, por vezes, assume um papel que não lhe é devido: o árbitro.
Se não houver foco e cabeça fria é quase certo que não teremos sucesso. Creio que Rui Borges não fará alterações, neste momento sabe-se qual é o melhor onze. Na baliza estará Rui Silva e na defesa alinharão Diomande e Gonçalo Inácio, com Fresneda e Araújo nas laterais. É um jogo para a clarividência de Hjulmand e para a mestria de João Simões (com Morita à espreita). À frente não tenho grandes dúvidas: Quenda, Trincão e Pote no apoio a Suárez.
Como é sabido por todos, o primeiro dérbi realizou-se rigorosamente cinco minutos antes da criação do Mundo. Isso já foi há muito tempo, em Carcavelos, no Campo da Quinta Nova. De muitos dérbis há grandes fotografias, umas épicas, outras dramáticas. Vitória ou derrota. Sangue, suor e lágrimas no futebol. Mas, também há fotografias simplesmente bonitas. Como esta no Estádio Nacional em 18 de Novembro de 1951.

"Eu sou o verde! Não um verde qualquer.
Mas o que vivia no coração de Alvalade e que foi Bicampeão contigo.
A temporada passada, não fui apenas relvado. Fui chão de heróis.
Fui testemunho de uma época inteira.
Desde o primeiro ao último jogo, senti cada passe, cada remate, todas as explosões de alegria.
Fui o primeiro a tocar a chuteira antes de cada golo. O primeiro a abraçar o jogador quando se deitou no chão, exausto.
Eu ouvi o silêncio pesado antes de cada penálti e guardei as lágrimas de quem acreditava até ao fim.
Carrego em mim todas as quedas transformadas em superação.Todas as gotas de suor que agora são glória.
Quando o jogo acabava e as luzes se apagavam, eu ficava. Sozinho, a guardar cada memória, cada emoção deixada em mim.
Eu fui pisado, molhado, queimado pelo sol. Mas nunca desisti.
E quando chegou o momento de me despedir do campo, eu não morri. Transformei-me.
Virei cor, virei tinta, virei pele. Deixei de ser apenas campo para me tornar símbolo.
Já não sou apenas chão, mas história vestida no teu corpo. Sou o verde que marcou a nossa história.
Tenho o bicampeonato gravado em mim. Como aquele golo para lá dos 90.
Do campo para o corpo, transformado em tinta, neste verde único que agora te veste.
Eu sou o verde que viveu tudo.
Transformei-me.
Para agora viver contigo!"
O Sporting Clube de Portugal apresenta a Genuine Pitch Green, uma edição limitada de 1906 unidades, que nasce de uma ideia tão simbólica quanto inovadora: transformar o relvado que viveu cada momento do Bicampeonato num pigmento mineral que dá cor e cheiro à colecção.
Cada exemplar foi tingido com pigmento criado a partir do próprio relvado. Relva autêntica, trabalhada e convertida na essência daquele verde que acompanhou o Clube em cada jogo decisivo.
O presente ideal para este Natal, já disponível em lojaverde.sporting.pt nas Lojas Verde do Estádio, Colombo e Almada Forum e nos Quiosques do Ubbo, Vasco da Gama e CascaiShopping.

Segundo a imprensa, a SAD sportinguista pretende prolongar o vínculo contratual com Ousmane Diomande até 2030, mas verifica-se alguma resistência. O jogador tem contrato até 2027, e clubes como o Crystal Palace, Newcastle e Manchester United, entre outros, estarão atentos ao desenvolvimento da negociação. Diomande está no rol das prioridades para renovar contrato, com Trincão, Geny Catamo e Gonçalo Inácio.
O defesa marfinense vai completar em janeiro três anos de verde e branco e neste período já foi alvo de aumento automático, mediante o desempenho. Está no patamar dos 400 mil euros anuais limpos, 800 mil com impostos, e com a renovação veria, pelo menos, o valor duplicar, entrando noutro patamar da hierarquia salarial do plantel, mais condizente com o atual estatuto, perto do topo. A cláusula de rescisão continuaria em €80 M.

A partir da década de 20 do século passado, o crescimento do futebol impulsionado pelo enorme interesse popular ultrapassou o de todas as outras modalidades desportivas. Passou de um número restrito e elitista de praticantes para um estádio de massificação social. O decreto da Republica que instituiu o domingo como dia de descanso obrigatório permitiu que um número cada vez maior de assalariados e operários praticasse e assistisse aos jogos.
Apesar do interesse que se verificava em torno dos desafios, que tinham entradas pagas e a que assistiam milhares de espectadores, o calendário oficial limitava-se aos campeonatos regionais e ao Campeonato de Portugal. Em princípio, eram oito partidas para o Regional e, para os vencedores, pelo menos mais duas para o Campeonato de Portugal. A época preenchia-se pela disputa de taças e torneios diversos e pelos jogos amigáveis com equipas nacionais e estrangeiras.
Na época de 1923-24 o Sporting tinha provavelmente a melhor equipa portuguesa. Mas, uma derrota inesperada em casa com o Belenenses na penúltima jornada deu ao Casa Pia o triunfo na série do Campeonato de Lisboa e impossibilitou a participação sportinguista no Campeonato de Portugal. A categoria dos leões revelou-se depois em taças e torneios, numa digressão à Madeira e em jogos amigáveis, mesmo com clubes estrangeiros (Rapid de Viena, Sparta e Nuselski de Praga, Celta de Vigo e Carysfort). Num total de dezanove jogos, venceu dezasseis e empatou três.
A fotografia refere-se a um desses jogos amigáveis, no caso com o SC Olhanense, que o Sporting venceu por 3-1. As duas equipas apresentaram-se na sua máxima força, entre outros jogadores com Cipriano Santos, Jorge Vieira, Filipe dos Santos, Torres Pereira e João Francisco, de um lado, e Raul Tamanqueiro, Cassiano, José Belo, Joaquim Gralho e Montenegro, do outro. A imagem mostra-nos o campo, a Estância de Madeira, repleto de espectadores e a bravura que os jogadores puseram na disputa do jogo. O clube algarvio conquistaria o Campeonato de Portugal dois meses depois.

O Sporting e o Bayern defrontaram-se quatro vezes para a Liga dos Campeões. Na época de 2006-07 verificaram-se os resultados de 0-0, na Allianz Arena, e 0-1, em Alvalade, e em 2008-09 houve duas pesadíssimas derrotas, 7-1, em Munique, e 0-5, em Lisboa. Com o novo modelo da Champions, os alemães somam doze pontos e os portugueses dez pontos.
O Bayern é o claro favorito para este jogo. Mas, os leões podem beneficiar desse estatuto frente a um adversário que parece estar a perder algum fôlego. Depois de um arranque verdadeiramente fulgurante, com dezasseis vitórias consecutivas, os campeões germânicos acusam os primeiros sinais de cansaço com derrotas frente ao Union Berlin e Arsenal.
Rui Borges sabe a chave, sabe o caminho, e por isso, soube construir o plantel e modelo de jogo, e inspirá-lo pela tal capacidade vencedora que faz os campeões. A equipa leonina está cada vez mais confiante, assente numa defesa sólida e em movimentos ofensivos que surpreendem os adversários. O Bayern é de outra estirpe, trata-se de uma das melhores equipas do mundo, mas este facto até pode beneficiar o Sporting. Palavras não bastam, é certo, esperemos para ver.

Iván Fresneda está a atravessar um grande momento de forma, depois de ter brilhado ao serviço da seleção de sub-21 de Espanha, estreou-se agora a marcar esta temporada com a camisola sportinguista. Aconteceu na vitória por 4-0 frente ao Estrela da Amadora e o jogador aproveitou para fazer uma publicação nas redes sociais a recordar o antigo central capitão dos leões: “Agora até marco como Coates!”, escreveu.
Recorde-se que, além deste golo conseguido pelo Sporting, Fresneda já tinha faturado ao serviço da seleção sub-21 de Espanha, frente à Roménia. O jornal “As” dá conta do facto de Fresneda estar “na antecâmara” da Roja, considerando que a sua grande temporada no Sporting aproxima-o da seleção, até porque o lugar de lateral-direito deixa dúvidas devido ao facto Carvajal ter sido operado a um joelho.

O Sporting B continua a sua interessante carreira na 2ª Liga. Partilha a liderança com o Marítimo, mas tem menos um jogo. Há vários jogadores em destaque e Rafael Nel é um deles. O avançado, de 20 anos, leva onze encontros pela equipa, com seis golos marcados, um deles frente ao Farense, na última jornada, sendo que também fez uma assistência. O golo ao Farense revelou o seu sentido de oportunidade e instinto goleador. Recebeu a bola à entrada da área, num lance aparentemente inofensivo, a bola a saltitar, mas com um gesto técnico de enorme qualidade, um remate em 'vólei', obteve o 2-0.
Rafael Nel já entrou nas opções de Rui Borges, mas ainda não somou qualquer minuto esta época pela equipa principal. Ainda assim, esteve no banco na vitória do Sporting sobre o Alverca para a Taça da Liga.
Na fotografia, festeja o golo que marcou ao Union St. Gilloise na pré-época de 2024-25.

Só estavam decorridos sete minutos e, quatro minutos depois, o bom arranque leonino foi confirmado. O lance do 2-0 resume a essência da parelha Suárez-Trincão, uma dupla que se associa, que se procura, que se alimenta e retro-alimenta. O português serviu o colombiano, que não falhou.
Não houve abrandar na aposta atacante dos bicampeões nacionais. Nem se perceberam quais seriam as intenções da equipa da Reboleira, que foi apagada do relvado pela qualidade do Sporting. João Nuno, somente na quinta partida na I Liga, ia olhando para o terreno de jogo como um leigo em jazz escuta um solo da mais recente promessa norte-americana do estilo, não compreendendo qualquer nota.
A bola parada do Sporting voltou a impor-se aos 25'. Fresneda ergueu-se na área, saltando entre a variabilidade que a equipa da casa mostrava na execução dos livres e a apatia dos forasteiros. O Sporting cedo assumiu o modo gestão, exemplificado pela saída de Maxi Araújo, amarelado, ao intervalo, entrando Matheus Reis. A poucos dias do dérbi, embates mais importantes entravam na mirada.
Apesar de um certo tirar o pé do acelerador, os leões chegaram ao 4-0. Morita já assumiu que vive um momento pessoal complexo, mostrando honestidade não muito comum para um futebolista. Mas o japonês permanece um craque, médio de rara leitura de jogo. Aos 55', fez uma assistência de futebol de rua para Suárez, uma troca de pés que juntou inteligência e técnica. O golo foi do colombiano, mas as felicitações dos colegas foram para o nipónico.
Rui Borges foi mexendo na equipa, com o regresso de Pote aos terrenos de jogo. Os bicampeões não pararam de atacar, terminando com 19 remates, mas a eficácia do arranque não teve correspondência a fechar. A goleada foi garantida à boleia da mestria dos primeiros 25'.

O futebol muitas vezes recompensa quem se entrega à luta. Não é uma ciência exata, mas existem coisas exatas no futebol. Eduardo Quaresma sabe isso!

Hoje é dia de jogo e eu não sou propriamente o género de sportingista que, por isso, entra em estado de sítio. Estou sempre confiante, por vezes estupidamente confiante, que o jogo é para ganhar. Ganhar, e sem espinhas. Vencer e convencer, como diz o outro. Não sei se o Pote joga, ou se o Quenda faz de Pote. Acredito que Hujlmand vai mostrar mais uma vez ao que vem e tenho a certeza que o João Simões e o Trincão vão fazer um grande jogo. O Catamo está aí para as curvas, o Suárez anda a cheirar o golo desde o apito do árbitro e lá atrás não vamos dar abébias aos tipos da Amadora. "Não vamos ganhar sempre", diz-me o companheiro do lado, "este é para ganhar", respondo-lhe, confiante, de pronto!

A memória dos adeptos do futebol não costuma falhar. Não há esquecimento possível para um jogador que vestiu com galhardia a camisola do seu clube. No caso do Sporting, Hector Yazalde está entre os maiores que vestiram de leão ao peito. É que o craque das pampas, para além de ter sido uma excelente pessoa e um grande profissional de futebol, tinha aquele remate à baliza que deu tantas alegrias aos sportinguistas devido ao seu acerto e potência. Mas, também era jogador de grande subtileza em frente à baliza.
O “anjo com cara de índio”, como alguém lhe chamou, marcou 128 golos em 135 jogos, mas um dos mais surpreendentes terá acontecido num Sporting - Benfica em 31 de Março de 1974. Nesse derby, o inesquecível Chirola marcou um golo memorável, que de tão repentino, súbito e imprevisto impediu a reacção do Zé Gato que ficou a olhar para a bola que passou mesmo à sua frente. Uma bola que parecia perdida na pequena área, um salto de peixe, a subtileza de um toque de cabeça e o primeiro golo do desafio estava feito. Tudo com aparente simplicidade. É que Yazalde era portador de uma “triunfante fatalidade” (Dinis Machado) perante o guarda-redes adversário!

Que o Sporting pretende contratar um extremo destro para a jogar a partir da esquerda é algo muito badalado nos jornais. Ao que parece há uma lista de jogadores referenciados, uns mais destacados do que outros, entre eles Yeremay Hernádez que joga no Deportivo da Corunha. Outro, menos referido, é do Club Brugge e defrontou os leões na passada 4ª feira. Trata-se de Christos Tzolis que, tal como o espanhol, custará mais de 30 milhões de euros.
Tzolis, de 23 anos, esta época leva já oito golos marcados e nove assistências em 24 jogos pelo clube belga, com quem tem contrato até 2029.

O Sporting Cube de Portugal apresentou uma nova camisola inspirada na magia do Natal. União, tradição e o sentimento de pertença. Inspirado nesse espírito, o Christmas Kit pretende homenagear simultaneamente a quadra natalícia e a identidade única do Clube leonino. Uma edição especial criada para celebrar uma das épocas mais especiais do ano.

O Sporting regressou às vitórias na Liga dos Campeões de andebol, ao vencer no Pavilhão João Rocha os noruegueses do Kolstad, por 44-31, em jogo da nona jornada do Grupo A. Os bicampeões nacionais, que já venciam ao intervalo por 22-15, somaram o quinto triunfo na competição e igualaram os húngaros do Veszprem, o próximo adversário dos leões, no terceiro lugar com 10 pontos.
Os dois primeiros classificados de cada grupo apuram-se diretamente para os quartos, enquanto as equipas posicionadas entre os terceiro e sexto lugares vão disputar um play-off de acesso àquela fase a eliminar.

A entrega dos prémios Stromp é um dos eventos mais importantes da vida do Sporting Clube de Portugal. Estes prémios são atribuídos anualmente pelo Grupo Stromp, em dezembro, aos dirigentes, técnicos, atletas ou sócios do Clube, que mais se destacaram no decorrer do ano, sendo que os membros do Grupo não podem receber esta distinção.
A primeira cerimónia de entrega dos prémios decorreu durante um jantar de gala em dezembro de 1963, e desde aí teve lugar ininterruptamente, ganhando um lugar de destaque na vida do Clube, onde estes prémios são considerados como uma espécie de "oscares" leoninos.
O Sporting anunciou as 41 personalidades que serão distinguidas com galardão na 63.ª edição dos Prémios Stromp, que vai realizar-se no próximo dia 15 de dezembro, no Hotel Sheraton, em Lisboa, a partir das 20 horas.
Lista dos premiados:
Prémios por Escolha
Atleta do Ano: Gonzalo ‘Nolito’ Romero (Hóquei em Patins)
Atleta do Ano: Patrícia Silva (Atletismo)
Equipas do Ano: Equipa masculina de futebol, Equipa masculina de andebol, Equipa masculina de ténis de mesa e Equipas feminina e masculina de atletismo
Revelação do Ano - Futebol: João Simões
Revelação do Ano - Modalidades: Matilde Pinto (Ténis Mesa)
Futebolista do Ano: Morten Hjulmand
Técnicos do Ano: Rui Borges (Futebol) e João Coelho (Voleibol)
Coordenador do Ano: Paulo Gomes (Academia Cristiano Ronaldo)
Dirigente do Ano: Frederico Varandas (Presidente do Sporting e da Sporting SAD)
Academia: Eduardo Felicíssimo (Futebol)
Sócio do Ano: António Magalhães (Presidente do Solar do Norte)
Saudade: Viana Rodrigues, Aurélio Pereira e Júlio Rendeiro (Grupo Stromp)
Especial Carreira: Ângelo Girão (Hóquei em Patins)
Especial Funcionário: Vítor Costa (Departamento Futebol)
Especial Núcleos: Núcleo do Sporting de Minde.
Prémios por Inerência
Europeu: Guilherme Henriques e Lara Fernandes (Ginástica Acrobática)
Europeu: Alice Santos, Leonor Carreira e Ema Fernandes (Ginástica Acrobática)
Europeu: Filipe Marques (Paratriatlo)
Europeu: João Costa (Tiro)
Europeu: Rafael Bessa e Xano Edo (Hóquei em Patins)
Europeu: Vicente Pereira (Natação Adaptada)
Europeu: André Almeida (Natação Adaptada)
Europeu: Diogo Matos (Natação Adaptada)
Mundial: Diogo Abreu e Pedro Ferreira (Ginástica Trampolim Individual)
Mundial: João Soldado (Ténis de Mesa Adaptado)
Mundial: Carina Paim (Atletismo Paralímpico)
Mundial: Igor Oliveira (Atletismo Paralímpico)
Mundial: Tiago Santos (Kickboxing)
Mundial: Equipa masculina de Hóquei em Patins.

Na Champions, estar preparado é meio caminho andado. E o Sporting de Rui Borges estava mais do que preparado para o que seria, certamente, o jogo-chave para a qualificação. Não está garantida ainda a ida ao playoff, mas está encaminhada: a vitória por 3-0 deixa o Sporting muito perto de repetir o feito da época passada, num encontro adulto dos leões, que souberam afastar as primeiras dificuldades para logo ferir os belgas com uma admirável leitura dos acontecimentos, eficácia, simplicidade e esmero no futebol jogado, com pormenores técnicos de nota alta.
Lidando com uma equipa com argumentos para jogar tanto em ataque posicional como na expectativa, o Sporting aguentou os primeiros minutos de forte pressão ao dono da bola. A equipa pareceu, sempre, avisada, adaptando-se rapidamente, avançado com poucos toques na tentativa de se desenvencilhar do adversário. Onyedika era uma lapa agarrada a Quenda, Siquet seguia Luis Suárez para todo o lado. A marcação individualizada, tão pouco em voga por estes dias, seria, mais tarde, bem aproveitada pelo Sporting.
O susto do vermelho depois revertido a Hjulmand, ainda dentro dos primeiros 10 minutos, foi o início de um raro período de intromissão no estado zen leonino. Pouco depois, Inácio errou, permitindo a Carlos Forbs um cruzamento ao qual Tzolis respondeu com um remate contra Diomande, num momento de perigo que o Club Brugge não repetiria na 1ª parte.
O Sporting jogou então com o embalo que os belgas julgaram ter: deu-lhes a bola e para o Brugge foi como receber kriptonita nos pés. As marcações começaram a falhar, os espaços a surgir. Atrás, o Sporting estava sólido, tapando os caminhos para Vanaken, desaparecido no relvado de Alvalade. Aos 23’, Luis Suárez deu o primeiro sinal, à entrada da área, um minuto depois, num lance rápido, os leões abriam o marcador: Inácio, recuperado do erro, matou linhas com um passe de longo alcance, que Trincão deixou passar a meio-campo com uma simulação que desequilibrou a resposta do Brugge. A bola chegou ao outro lado, a Geny Catamo, que partiu para cima do adversário antes de rematar. Jackers defendeu, mas Quenda estava para a recarga.
Equipa com soluções variadas, o Club Brugge perdeu-se em campo, fosse na pressão que o Sporting soube quase sempre ludibriar, fosse na transição defensiva ou no posicionamento. Abriram-se avenidas a meio-campo, onde o Sporting viajou. Aos 31’, mais uma vez foi Inácio no início da jogada a lançar Geny que, vendo pelo espelho retrovisor Luis Suárez sem marcação, ofereceu um espectacular passe à meia volta que estilhaçou definitivamente uma defesa do Club Brugge que já estava em apuros sérios. O colombiano, com classe, picou por cima de Jackers.
Não deixou de ser o Sporting a equipa mais perigosa, face a um adversário com dificuldades em saber o que fazer com bola e mais ainda sem ela. Com grande mobilidade, o jogo do Sporting tornou-se um terror para a abordagem conservadora do adversário. Trincão esteve perto do terceiro aos 39’ e a 1.ª parte terminou com uma sensação inesperada de superioridade, num jogo que se antevia equilibrado e desafiante para Rui Borges, obrigado a preparar vários momentos de jogo.
Soube prepará-los quase todos bem. Só o início da 2.ª parte trouxe algumas fissuras na coesão leonina: em organização defensiva, o Sporting sofreu, talvez ainda abananado com o 3-0 que Suárez teve nos pés corria o minuto 49’, recreando-se em demasia quando estava isolado frente à baliza dos belgas. Tresoldi, de quem se esperava a titularidade, teve aos 64’ oportunidade de ouro para reabrir o jogo, mas Rui Silva fez bem a mancha e a bola saiu ao lado. A partir daí, o Sporting acusou o toque, organizou-se, tornou-se mais agressivo na recuperação, afastando o Brugge da área. E não tardou a marcar.
Faltando 20 minutos para jogar, uma boa combinação na esquerda entre Maxi e Quenda - excelente no papel de Pote - permitiu cruzamento atrasado que Trincão transformou num golo que já buscava no primeiro tempo. Terminava aí a reação belga, deu até para Rui Borges lançar Salvador Blopa para a estreia na Champions. Errou aqui e ali o jovem, com atrasos perigosos, mas não foi mau dia para errar: o Sporting foi a equipa mais inteligente e coesa em campo, teve até momentos de interessante nota artística, soube matar o jogo no momento certo e ainda mostrou solidariedade na hora de limpar os pequenos nervosismos de quem se via pela primeira vez a jogar na liga milionária.

No início da década de 1950, o futebol português preparava-se para a profissionalização. O Sporting acompanhou esse processo de transformação, organizando-se e construindo as infraestruturas necessárias. O Estádio de Alvalade e o Lar do Jogador integraram-se nessa finalidade. O Estatuto do Jogador, redigido por Salazar Carreira, definia e estabelecia a ética do cidadão e do desportista inerente à instituição leonina.
Antes dos grandes jogos, os atletas do Sporting realizavam os estágios no Pêro Pinheiro. Na fotografia, vêem-se os quatro “violinos” que ainda vestiam a camisola verde e branca, Travassos, Jesus Correia e Manuel Vasques, que jogam ao dominó, e Albano que assiste. Reconhecem-se, também, os defesas Passos e Canário.

Os jovens leões derrotaram o Club Brugge por 2-1, terminando com a invencibilidade dos belgas, e garantindo a passagem à fase a eliminar da Youth League. Com esta vitória, o Sporting aspira ao top-6 da prova. Manuel Kissanga e Sandro Ferreira marcaram os dois golos leoninos aos 51 e 79 minutos. O Brugge diminuiu a derrota aos 90+2 minutos.
O Sporting apresentou de início os seguintes jogadores: Miguel Gouveia, Lucas Taibo, Eduardo Felicíssimo, Rafael Mota, Daniel Costa, Manuel Kissanga, Zaïd Bafdili, Paulo Simão, Ivanildo Mendes, Gabriel Silva e Duarte Tomás. Durante a partida entraram Sérgio Siza, Daniel Lopes, Simão Soares, Sandro Ferreira e Miguel Almeida.

Por vocação, ou por força do destino, o avançado-centro e o guarda-redes vivem no fio da navalha. É que ambos são o barómetro emocional de um coletivo e de um jogo de paixões. Movem-se numa linha ténue, frágil e tripartida entre o ignorado, o herói e o vilão. Eles são os primeiros e muitas vezes acabam sendo os últimos. Por estranho que pareça, a solidão é companheira de ambos.
Na fotografia, não identificada, Fernando Peyroteo cumprimenta um dos guarda-redes. O outro parece usar o emblema do Atlético e os jogadores de campo a camisola da seleção de Lisboa. Talvez um jogo benemérito a favor de um jogador. O ambiente é de companheiros do mesmo ofício.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.