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Fotografia com história dentro (109)

Leão Zargo, em 12.08.18

Sporting 1907-08 Revista Tiro e Sport nº 378 30.3

 

A primeira vez…

 

O Sporting Clube de Portugal foi fundado em 1 de Julho de 1906, mas, de um ponto de vista competitivo, a primeira época a sério foi a de 1907-08. Antes, uma equipa leonina participou em Fevereiro e Março de 1907 num torneio organizado pelo Internacional (CIF), realizando três desafios frente ao Cruz Negra, em Alcântara. São os primeiros jogos de futebol documentados historicamente que foram disputados pelo Clube. Apesar de ter sido um dos fundadores da Liga de Football Association, o Sporting não se inscreveu no Campeonato de Lisboa de 1906-07.

 

Em Julho de 1907 foi inaugurado o campo de futebol do Sporting no Sítio das Mouras, na Alameda do Lumiar, num terreno cedido pelo Visconde Alvalade. Era o melhor recinto desportivo do país, possuindo campos de futebol e de ténis, pista de atletismo, vestiários com chuveiros e banhos de imersão, cozinha e sala de convívio. O equipamento começou por ser todo branco, inspirado no Campo Grande FC, mas no início de 1908 foi adoptada a camisola verde e branca bipartida. Há fotografias de uma partida com o Carcavelos, em 29 de Março desse ano, em que os jogadores sportinguistas vestem o equipamento que mais tarde seria chamado Stromp. O emblema, o leão rampante com as iniciais SCP em fundo verde, surgiu em 1907.

 

O Campeonato de Lisboa de 1907-08, organizado pela Liga de Football Association, foi a primeira competição oficial em que o Sporting participou, com mais cinco clubes filiados na Liga: Carcavelos, Sport Lisboa, Lisbon Cricket, CIF e Cruz Negra. A prova disputou-se no sistema de todos contra todos a duas voltas, e os leões ficaram classificados em segundo lugar, logo atrás dos invencíveis ingleses do Cabo Submarino. A inaugurar o Campeonato, em 1 de Dezembro de 1907, houve um Sport Lisboa 1 - Sporting 2, na Campo da Quinta Nova, em Carcavelos, que é considerado o primeiro dérbi oficial entre os dois clubes rivais.

 

Na fotografia, o primeiro grupo (a equipa principal ou de honra) do Sporting. Também havia o segundo e o terceiro grupo. Fotografia retirada da revista Tiro e Sport, nº 378, de 30 de Março de 1908.

 

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publicado às 12:56

Fotografia com história dentro (108)

Leão Zargo, em 05.08.18

 

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O Presidente Brás Medeiros, o homem e a sua circunstância”

 

Guilherme Brás Medeiros foi presidente do Sporting Clube de Portugal em dois momentos que se revelaram determinantes para o futuro da instituição.  O primeiro, entre Janeiro de 1959 e Maio de 1961, numa altura em que o Clube atravessava graves dificuldades financeiras resultantes da construção do Estádio José de Alvalade e num contexto de institucionalização do futebol profissional. A segunda presidência aconteceu entre Julho de 1965 e Abril de 1973, quando o Sporting já não era a grande força do futebol português, a época de 1964-65 tinha sido catastrófica e a crise financeira assumira um carácter estrutural.

 

Quando Guilherme Brás Medeiros voltou à presidência em 1965 apresentou um plano de reorganização administrativa, financeira e desportiva do Sporting. Para além da execução de um programa de cariz financeiro, fundou as escolas de futebol que estão na origem da matriz formativa do Clube, realizou o 2º Congresso Leonino, consolidou o património imobiliário e negociou com a Câmara Municipal de Lisboa a urbanização dos terrenos destinados à construção da Cidade Desportiva e da Sede Social. O Sporting foi campeão nacional em 1965-66 e em 1969-70, para além de vencer a Taça de Portugal em 1971. Contribuiu indiscutivelmente para nova vitória da Taça de Portugal, em Junho de 1973, e para a dobradinha em 1974, com João Rocha na presidência.

 

Brás Medeiros reorganizou e estabilizou o Sporting, mas não conseguiu impedir que o Benfica mantivesse a liderança, e abandonou o cargo de Presidente em Abril de 1973. “O homem é o homem e a sua circunstância”, escreveu Ortega y Gasset. Decorrido tanto tempo, o Clube está de novo confrontado com a urgência de um Programa de carácter estruturante que respeite a sua matriz identitária, promova o sucesso desportivo, mobilize as sinergias internas e percepcione toda a realidade institucional envolvente. Agora, com outros homens e noutras circunstâncias, como sempre acontece, é urgente que surja entre os candidatos à presidência quem suscite de novo a confiança e a esperança, a emoção dos sportinguistas, e que entenda as prioridades estratégicas e organizacionais do Sporting na actualidade.

 

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publicado às 13:39

Fotografia com história dentro (107)

Leão Zargo, em 29.07.18

 

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Uma equipa perfeita

 

O Sporting teve grandes equipas ao longo da sua história, mas provavelmente a da época de 1947-48 foi a melhor de todas elas. Era uma equipa perfeita, orientada por Cândido de Oliveira, um dos mais carismáticos treinadores portugueses de sempre, que começou a ser “construída” por Joseph Szabo no início da década de 1940. Os jogadores Azevedo, Álvaro Cardoso, Manecas, Octávio Barrosa, Canário, Peyroteo e Albano trabalharam com ambos os técnicos.

 

Cândido de Oliveira foi muito mais do que um treinador. Sendo um estudioso do futebol, considerava que a geometria estava presente nos sistemas tácticos, e reflectiu sobre a relação existente entre os triângulos e as diagonais, por exemplo, e os movimentos dos jogadores em campo. Com ele, durante o jogo, a equipa leonina alternava um futebol de passes longos para os extremos com um outro mais rendilhado, mais apoiado, pelo menos na perspectiva da época. À organização e disciplina de Szabo, Cândido acrescentou o estudo e o método.

 

O Sporting conquistou em 1947-48 tudo o que havia para disputar: Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Campeonato de Lisboa. Foi a época do “Campeonato do Pirolito”, vencido por um golo de diferença, e da final da Taça de Portugal com o Belenenses em que Azevedo jogou mais de uma hora com um pé partido. A resiliência e o espírito de sacrifício foram outras heranças que vieram do treinador húngaro. À segurança na defesa, a equipa aliava um ataque demolidor: 92 golos no Campeonato (em 26 jogos) e 23 golos na Taça (em 5 jogos). Por ter sido o Campeão Nacional, o Sporting ficou na posse da Taça O Século.

 

Na fotografia, a equipa do Sporting que defrontou o Lusitano de VRSA na última jornada do Campeonato Nacional de 1947-48:

 

De pé - Álvaro Cardoso, Cândido de Oliveira, Canário, Manecas, Juvenal, Veríssimo, Manuel Marques e Azevedo;

Em baixo - Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano.

 

(Fotografia de Manique, revista Stadium, nº 287, 1 de Junho de 1948)

 

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publicado às 12:32

Fotografia com história dentro (106)

Leão Zargo, em 22.07.18

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Azevedo e a titularidade nas Salésias

 

João Azevedo foi contratado pelo Sporting ao Luso do Barreiro no Verão de 1935 e estreou-se num jogo com o Boavista disputado em 16 de Fevereiro de 1936. Mas, nessa altura ainda era o terceiro na hierarquia da baliza leonina. No entanto, Artur Dyson lesionou-se gravemente pouco tempo depois numa partida com o FC Porto no campo do Ameal, o brasileiro Jaguaré não conseguia confirmar a fama de que vinha precedido e o treinador romeno Wilhelm Possak optou pelo jovem barreirense num “clássico” frente ao Belenenses para o Campeonato da Liga em 12 de Abril de 1936.

 

Foi nesse “clássico” nas Salésias que Azevedo revelou definitivamente a sua excepcional categoria. Com uma exibição portentosa garantiu a vitória verde e branca por 2-1 e agarrou a sua oportunidade. Tornou-se o guarda-redes titular até um longínquo jogo com a Académica mais de quinze anos depois, sendo ainda hoje o jogador leonino com maior número de títulos conquistados. “Futebol é isto mesmo, a sorte premeia o génio de alguns”, garantiu Ottmar Hitzfiel no rescaldo da viragem conseguida pelo Manchester United na final da Liga dos Campeões, em 1999. Exactamente !

 

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publicado às 14:25

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O site oficial do Sporting Clube de Portugal informou que entraram em vigor as alterações estatutárias aprovadas na Assembleia Geral realizada em 17 de Fevereiro de 2018. Mesmo considerando que ainda não houve publicação no Diário da República, a participação dos sócios na vida do nosso Clube ficou menos plural, menos democrática, em consequência dessas alterações. Refiro-me em concreto às seguintes:

 

- o Presidente do Conselho Directivo passou a ser um órgão social do Sporting;

- o Conselho Fiscal e Disciplinar passa a integrar apenas os membros da lista mais votada;

- o Conselho Leonino foi extinto.

 

Bruno de Carvalho pretendeu reforçar o seu poder através de uma significativa alteração estatutária na Assembleia Geral de 17 de Fevereiro. A proposta de tornar o Presidente do Conselho Directivo, ele próprio, num órgão social do Sporting está muito para além de uma alteração meramente simbólica, pois revelou um projecto de poder unipessoal ao constituir-se uma entidade à parte do órgão no qual foi eleito. Interessa recordar que o Conselho Directivo tem um carácter colegial segundo os Estatutos do Clube. Nestes o Presidente do Conselho Directivo é invocado por razões que decorrem do funcionamento do órgão, porque as competências residem no colégio do executivo. Aliás, tem de existir quórum para se efectuarem reuniões e as deliberações são tomadas por maioria.

 

A alteração estatutária que determinou que o Conselho Fiscal e Disciplinar passa a integrar apenas os membros da lista mais votada, acabando com a representação proporcional segundo o método de Hondt, é de extrema gravidade. Agora, esse órgão social passa a ser constituído apenas por membros da lista vencedora, perdendo-se capacidade arbitral da actuação do executivo. Quando o Conselho Fiscal e Disciplinar foi eleito pela primeira vez pelo método de Hondt em 2013 foi consensual que isso constituía um grande progresso na democraticidade do Clube. 

 

A extinção do Conselho Leonino, cuja proporcionalidade na composição decorria da votação dos sócios, e a sua substituição por um Conselho Estratégico cujos membros são designados pelo Presidente, constitui uma grave limitação a uma participação mais plural na vida do Sporting. Quem pretendia a extinção deste órgão social apresentou-o como “uma feira de vaidades”, e dessa forma impediu o debate sobre o seu carácter e virtualidades. De facto, o Conselho Leonino possuía o extraordinário mérito de trazer para dentro do Clube as diferentes correntes de opinião e constituir um espaço de liberdade de expressão pública.

 

Com estas alterações estatutárias, o Sporting tornou-se mais igual aos outros clubes, desaparecendo elementos constitutivos que lhe eram específicos. Os sportinguistas gostam de dizer que fazem parte de um clube diferente, mas tornaram-no mais semelhante aos outros. Perdeu-se em democraticidade interna, na mira de ter também presidente centralizador, que tudo decide, como se verifica nos nossos rivais. Um modelo presidencial implica uma revisão dos Estatutos e a criação de mecanismos de controlo mais precisos sobre a actuação do Presidente que neste momento não existem.

 

Desde a sua fundação, por ser uma instituição plural, a história leonina nunca foi linear, houve sempre divergências quanto ao rumo a seguir. Isso nunca impediu que o Clube crescesse e se engrandecesse. O Sporting foi sempre mais forte quando cada direcção foi capaz de respeitar e integrar as opiniões divergentes, quando uniu muito mais do que dividiu. Os falsos consensos rasgam-se mais cedo do que mais tarde. Oxalá que um dia, no futuro próximo, haja capacidade e coragem para rever o que foi alterado estatutariamente na Assembleia Geral de Fevereiro de 2018.

 

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publicado às 14:15

Fotografia com história dentro (105)

Leão Zargo, em 15.07.18

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Jesualdo Ferreira e o Sporting

 

Jesualdo Ferreira foi dispensado das suas funções de treinador do Sporting poucas horas após a vitória em Aveiro sobre o Beira-Mar (4-1), na última jornada do Campeonato Nacional disputada em 19 de Maio de 2013. Apesar do contrato com os leões expirar apenas a 30 de Junho, Virgílio Lopes informou-o de que estava dispensado de realizar o seu trabalho como técnico. O manager-treinador já estava à espera dessa decisão, e ele próprio não queria continuar em funções pois, tendo sido contratado por Godinho Lopes, Bruno de Carvalho era o novo presidente. Não desejava continuar porque percebeu que não havia lugar para ele na nova estrutura do futebol sportinguista.

 

O professor assumiu o comando técnico da equipa num jogo em Olhão em 13 de Janeiro, que terminou com a vitória leonina por 2-0. O Sporting estava num aflitivo 12º lugar na classificação do Campeonato, apenas um ponto acima da linha de despromoção, e terminou no 7º lugar. Quando foi “despachado” já não teve a possibilidade de estabelecer contacto com os jogadores no interior da Academia de Alcochete, por não ter acesso à zona do balneário. Aliás, circulou a informação de que o técnico teria sido impedido de aceder ao local para se despedir do plantel. Na altura, fonte do Clube citada pela Lusa, revelou que a decisão da saída de Jesualdo foi comunicada aos jogadores por Virgílio Lopes.

 

Jesualdo saiu com dignidade e de cabeça bem levantada, não se queixando, mas, antes, felicitando-se por ter trabalhado em Alvalade. “Era fundamental ter um entendimento total sobre os meios e o tempo que tínhamos para concretizar o projecto. Ao tomar esta decisão, tomo-a com tristeza, mas é um acto de honestidade para o Sporting e para comigo. Aprendi a gostar do Sporting. Foi uma bênção de Deus ter conhecido o único clube grande que ainda não conhecia e foi um prazer trabalhar com os jogadores”, afirmou numa última declaração aos jornalistas sem direito a perguntas.

 

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publicado às 12:51

O Presidente João Rocha !

Leão Zargo, em 09.07.18

 

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João António dos Anjos Rocha foi presidente do Sporting entre 1973 e 1986. Para muito sportinguistas terá sido um dos melhores presidentes (senão mesmo o melhor) da história do Clube. Empresário de sucesso e visionário no projeto da Sociedade de Construções e Planeamento e da transformação do Sporting na grande potência desportiva nacional, faz parte do imaginário dos adeptos leoninos e tem o seu nome eternizado no novo Pavilhão.

 

Durante a presidência de João Rocha, o Sporting atingiu os 130 000 sócios e conquistou mais de 1 200 títulos nacionais e internacionais. Distinguiu-se na dimensão e no sucesso desportivo do Clube, mas deixou obra feita, nomeadamente a bancada nova do Estádio de Alvalade, a pista de tartan, o Pavilhão, a Nave e as salas do Bingo.

 

Foi distinguido com o Prémio Stromp por três vezes, a primeira em 1973, na categoria sócio, e as outras duas já como dirigente, e com o Leão de Ouro com Palma em 1987. Foi também considerado Sócio de Mérito do Sporting.

 

João Rocha nasceu em Setúbal em 9 de Julho de 1930, completam-se hoje oitenta e oito anos. Em tempo de campanha eleitoral no Clube, é importante recordar o seu legado e a sua dedicação como presidente do Sporting Clube de Portugal.

 

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publicado às 11:43

Fotografia com história dentro (104)

Leão Zargo, em 08.07.18

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Quando Peyroteo vestiu a camisola do Benfica!

 

Fernando Peyroteo é uma figura incontornável do futebol português pela qualidade e eficácia do seu desempenho como avançado de centro, pela honestidade e galhardia com que se batia contra os adversários e pela ética e sentido de honra que revelou sempre como praticante desportivo. Ficou conhecido o cavalheirismo com que se relacionava com os jogadores dos clubes rivais.

 

No início dos anos 40 vigorava o semiprofissionalismo no futebol, recebendo os jogadores apenas uma pequena remuneração que podia ser melhorada através da “caixa dos carolas”. Não havia sistema de previdência ou segurança social, obviamente. Por essa razão, a Festa de Despedida (ou de Homenagem) dos jogadores constituía um momento importante para eles conseguirem algum dinheiro suplementar.

 

A 1 de Dezembro de 1944 realizou-se a Festa de Despedida do benfiquista Alfredo Valadas que convidou alguns dos melhores jogadores do seu tempo. Naturalmente, Peyroteo participou no jogo de Homenagem, integrando uma equipa mista de atletas de clubes de Lisboa que se equipou com camisolas de cor branca do Benfica. O bombardeiro leonino pôde ser visto nesse dia de águia ao peito… por causa do seu amigo Valadas!

 

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publicado às 13:32

O dia do Sporting: 1 de Julho!

Leão Zargo, em 01.07.18

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O Sporting Clube de Portugal nasceu de uma dissidência no Campo Grande Futebol, durante uma Assembleia Geral que se realizou em 13 de Abril de 1906. Nesse dia, José Gavazzo criticou que o clube se dedicasse exclusivamente a festas e piqueniques e pediu a demissão em seu nome e do seu irmão.

 

Poucos meses depois, em 8 de Maio, os dois irmãos, José de Alvalade e outros dissidentes fundaram um novo clube, ainda sem nome, sendo eleito como presidente e sócio protector o Visconde de Alvalade. No dia 26 de Maio desse mesmo mês foi adoptado o nome de Campo Grande Sporting Clube.

 

No dia 1 de Julho o nome do clube foi alterado para Sporting Clube de Portugal. Durante algum tempo, até 1919, o Sporting festejou o seu aniversário em 8 de Maio. No entanto, em Assembleia Geral decidiu-se alterar o dia da fundação para 1 de Julho de 1906, ficando a ser a data oficial.

 

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publicado às 13:45

Fotografia com história dentro (103)

Leão Zargo, em 01.07.18

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A última vez…

 

Disputou-se em 2 de Maio de 1981 o último dérbi em que Benfica e Sporting entraram em campo apenas com jogadores portugueses como titulares. Provavelmente, isso não se voltará a repetir no futebol português. Foi, também, o derradeiro jogo arbitrado por Inácio de Almeida, que nesse dia conseguiu tomar várias decisões erradas sempre a favor do mesmo lado. Assinalou um penálti duvidoso contra o Sporting, que mandou repetir depois de Nené ter falhado. Mais tarde, virou as costas quando Pietra rasteirou Manuel Fernandes dentro da grande área, mandou seguir o jogo e Bento, com o árbitro de costas e a pressa de afastar conversas e protestos, atrapalhou-se, largou a bola e permitiu que Jordão marcasse golo. ‘Pé em riste’, decretou o apitador. Foi a cereja em cima do bolo.

 

Os erros de Inácio de Almeida foram reconhecidos pelos intervenientes. Manuel Fernandes descreveu da seguinte maneira: “Eu ia com a bola desde o meio-campo, entrei na área e o Pietra deu-me um toque por trás. O árbitro não assinalou penálti. Entretanto, naquela 'fossanguice' de recolocar a bola em jogo, o Bento atrapalhou-se e deixou a bola fugir para o Jordão, que a tocou suavemente para dentro da baliza”. João Alves, do Benfica, foi claro: “Quando se gerou a confusão, eu e o Humberto apertámos com o árbitro e com o fiscal de linha. Alegámos que o Jordão tinha pontapeado as mãos do Bento, que devia estar com azeite nas luvas”. Bento, o tal do azeite nas luvas, garantiu que “sobre mim não houve falta. Terá visto uma infracção anterior”.

 

Inácio de Almeida, com 49 anos e perto do final da carreira na arbitragem, foi punido com 60 dias de suspensão e não voltou a actuar. Mais tarde, em 2003, deu uma entrevista ao jornal Record onde reconheceu publicamente o fatídico erro: “virar as costas à bola foi o meu pecado fatal”. O antigo árbitro lamentou o que se passou, garantindo que “sempre que se desenterra a polémica, fico duas noites sem dormir”.

 

Aquele jogo no Estádio da Luz teve uma simbologia triste: tratou-se do último dérbi em que Benfica e Sporting entraram em campo apenas com jogadores portugueses como titulares e foi o derradeiro jogo arbitrado pelo internacional Joaquim Inácio de Almeida.

 

Ficha de jogo:

 

Campeonato Nacional (27ª jornada)

Benfica 1 - Sporting 1

Estádio da Luz, 2 de Maio de 1981 

Árbitro - Inácio de Almeida (Setúbal)

 

Benfica - Bento (capitão), Veloso, Bastos Lopes, Humberto Coelho, Pietra, Shéu, João Alves, Carlos Manuel (José Luís), Chalana, Nené e Reinaldo (César)

 

Treinador - Lajos Baroti

 

Marcador - Nené (43m)

 

Sporting - Vaz, José Eduardo, Bastos, Eurico, Augusto Inácio, Fraguito, Ademar, Manuel Fernandes (capitão), Marinho, Freire (Lito) e Jordão

 

Treinador - Srecko Radisic 

 

Marcador - Jordão (65m)

 

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publicado às 13:13

O Sporting e o Futuro

Leão Zargo, em 30.06.18

 

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“Não se pode acreditar em coisas impossíveis, disse Alice.

Isso é falta de treino, disse a Rainha.”

(Lewis Carroll, em Alice no País das Maravilhas)

 

 

Miguel Cal e Ricardo Farinha escreveram um documento programático que pretende “contribuir para um debate construtivo e livre em que todos os Sportinguistas se possam envolver”. Na verdade, é um trabalho muito válido que propõe uma reflexão sobre o nosso Clube e os caminhos que pode (deve) seguir no curto e no médio e longo prazo. Trata-se de uma análise da realidade leonina que, em simultâneo, consegue ser global e específica e estabelece uma estratégia, identificando caminhos para a superação e o sucesso. De facto, há no documento “uma visão estratégica e a identificação das prioridades”. Para além de reflexivo, é operativo.

 

O documento designa-se “O futuro do Sporting começa por todos nós”, e nele distinguem-se as prioridades para o curto prazo (“Desafios imediatos”) e para o médio e longo prazo (“Batalhas de Leão”). Nos “Desafios imediatos” estipulam-se três linhas orientadoras:

 

- O processo de rescisão de jogadores;

- O processo jurídico de corrupção movido contra o Sporting;

- O descontrolo das claques do nosso clube.

 

É talvez o ponto mais frágil do documento. Simplista e linear no que refere ao processo de rescisões, desconhecedor da dimensão sociológica da “cultura ultra” no que refere às claques de futebol. Pela urgência daquilo que constitui o curto prazo, aquilo que está já a acontecer, para muitos leitores pode existir o risco desta fragilidade analítica colocar em causa o mérito da globalidade do trabalho.

 

A parte referente às “Batalhas de Leão” é em geral lúcida, flexível e competente. Reconhece que o futebol pelo seu carácter simbólico e financeiro constitui um combate de primeira grandeza. Define as seguintes directrizes:

 

- Potenciar performance da equipa principal de futebol;

- Maximizar a experiência “Ser Sporting”;

- Ajustar comunicação de forma a valorizar activos do clube;

- Participar no desenvolvimento ético do futebol nacional.

 

Na vida há as contingências inevitáveis, mas que se podem prever e controlar através de um quadro de intervenção adequado às circunstâncias. No caso do futebol existem variantes que poderão condicionar o comportamento dos adeptos, como os resultados que a equipa de futebol está a conseguir. Pela importância dessas variáveis, que se podem tornar muito pouco controláveis, os autores estabeleceram três orientações de acção que visam minimizar factores imponderáveis e “potenciar a performance da equipa principal de futebol”.

 

É interessante o valor que é concedido à condição de “Ser Sporting”. Muito bem. O poeta Herberto Helder recordou que os gregos antigos não escreviam necrológios. Quando alguém morria perguntavam apenas: “Tinha paixão?” Na verdade, “para eles, tudo devia estar provido de paixão e tudo aquilo que não estivesse era censurável”. O que contribua para o aprofundamento da paixão sportinguista é um investimento no futuro.

 

Outro eixo de intervenção proposto pelos autores reside na forma como a comunicação pode contribuir para a valorização de jogadores e do próprio Clube. Deve haver um modelo de comunicação consistente que beneficie do facto do Sporting ser socialmente transversal com implantação em todo o país, nas comunidades nacionais no estrangeiro e nas antigas colónias portuguesas. A Academia de Alcochete constitui um elemento de referência e o ecletismo integra a matriz original leonina.

 

Finalmente, o Clube tem de estar na vanguarda do desenvolvimento ético do futebol português. Sabe-se que há interesses e jogos poderosos financeiros que tentam sempre controlar as competições desportivas, que originam esquemas fraudulentos e corrupção. O futebol distanciou-se da “arété” dos gregos e ficou prisioneiro da “civilização do espectáculo”, mas o Sporting é um dos clubes fundadores do futebol nacional enquanto grande fenómeno social e cultural de massas. Por essa razão, deve cuidar daquilo que também é seu, assumindo de forma activa uma acção construtiva para o desenvolvimento ético do desporto-rei.

 

No seu trabalho, Miguel Cal e Ricardo Farinha referem-se a questões estratégicas e estruturais em coerência com aspectos de carácter ocasional e conjuntural. Num Clube como o nosso cruzam-se com grande intensidade o planeamento estratégico e o instante temporal. O projecto de uma época pode ser pulverizado por uma derrota com uma equipa secundária, como uma vitória na Champions pode optimizar um ano desportivo. A defesa permanente da identidade do Sporting constitui o elemento aglutinador, integrador e mobilizador dos sportinguistas. O universo leonino é antagónico do medo e do ostracismo, tem de ser sempre um espaço de liberdade e de coragem na procura crítica dos melhores procedimentos para superar os obstáculos e as limitações com que nos confrontamos.

 

***O documento estratégico de Miguel Cal e Ricardo Farinha pode ser lido aqui.

 

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publicado às 16:34

Fotografia com história dentro (102)

Leão Zargo, em 24.06.18

 

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O Sporting!

 

O Sporting Clube de Portugal nasceu em 1906 com origem social aristocrática e burguesa e de uma divergência no Campo Grande Football Club. Essa matriz social era comum a todos os clubes portugueses que foram fundados nessa madrugada já distante do nosso futebol, e que se tornariam grandes na segunda década do século XX. No entanto, em breve, o Sporting adquiriu um carácter interclassista, onde a lealdade e a identificação com os valores do Clube implicam um fortíssimo sentimento de pertença, de solidariedade e de sociabilidade.

 

A fotografia é de Junho de 1928 e foi feita durante a paragem no Funchal do paquete “Atlântico”, da Mala Real Inglesa, no decurso da viagem para a digressão brasileira onde seriam utilizadas as camisolas com riscas verdes e brancas. Nela estão os jogadores que compunham a linha defensiva leonina. Em primeiro lugar, o defesa direito, António Penafiel, o 4º Marquês de Penafiel, cujo estatuto social os companheiros de equipa só conheceram depois da sua morte. No meio, Cipriano dos Santos, talvez o primeiro grande guarda-redes do Sporting, marinheiro no Arsenal do Alfeite. Finalmente, Jorge Vieira, o “capitão perfeito” e defesa esquerdo, operário nas oficinas da Imprensa Nacional.

 

Trata-se de uma fotografia verdadeiramente singular, de três extraordinários atletas que em 1928 personificavam a matriz original do Sporting: a grandeza no carácter, a nobreza na atitude e o brio no desporto. É também um documento revelador do interclassismo social do Clube, a “casa comum” de todos os sportinguistas.

 

A fotografia foi retirada do livro “Jorge Vieira e o futebol do seu tempo”, da autoria de Romeu Correia.

 

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publicado às 13:14

Sinal de confiança !

Leão Zargo, em 23.06.18

 

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O Sporting é um Clube diferente de todos os outros. Pela sua matriz original e pelo seu percurso histórico, pelos ídolos desportivos e pelos dirigentes, pelas grandes vitórias que fizeram vibrar a emoção e pelas derrotas que sangraram a alma. A paixão dos adeptos, a fidelidade e a esperança, o desejo de vitória e o cavalheirismo desportivo. O percurso desportivo centenário é motivo de respeito, de honra e de orgulho. Trata-se de um dos clubes fundadores do futebol português.

 

Hoje é dia de Assembleia Geral e de esperança para o Sporting. A esperança ensina que tudo o que foi possível, ainda que espezinhado num determinado momento, voltará a ser possível, de outra forma, ainda outra vez. A esperança de que o Sporting Clube de Portugal vai manter a sua identidade histórica, que voltará a ser um Clube vencedor e a “casa” de todos os sportinguistas.

 

Sinal de confiança !

 

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publicado às 10:43

Uma deriva insensata e penosa

Leão Zargo, em 20.06.18

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Para Bruno de Carvalho, em comunicação o que importa é a versão e não o facto. Por isso, ele próprio, ou através de agências especializadas como a YoungNetwork Group e a WL Partners, apregoa massivamente a sua versão ficcional dos acontecimentos, confundindo a veracidade do que se passou, sempre com a finalidade de fazer duvidar dos factos, mesmo verificáveis, que lhe são inconvenientes.

 

Depois, a divulgação e amplificação propagandista através das redes sociais possibilitam que as suas “fake news” façam o seu caminho. Como diria Sun-Tzu, “toda a guerra é baseada no engano”.

 

Agora, o seu discurso casuístico, propagandístico e autocentrado perdeu eficácia, pois em Bruno de Carvalho tudo é táctico e a prazo, e o caos que gerou no Sporting trouxe-lhe grande descrédito.

 

Quando ele se queixa e recorre a expressões como “golpada” e “putativa comissão de gestão”, chama “ratos e cobardes” e “vendilhões do templo” a antigos membros do Conselho Directivo ou garante que “se eu quiser não há Assembleia Geral nenhuma” já não é amplificado como anteriormente se verificava. Se afirma que “vivem todos à nossa custa, até na Áustria”, a propósito de uma contratação falhada, o melhor que ele consegue é um olhar de comiseração. A sua linguagem básica e ordinária tornou-se cansativa e intolerável.

 

No sábado, 23 de Junho, realiza-se a Assembleia Geral de destituição e é essencial que os sportinguistas acorram em elevado número. Na verdade, ele fará tudo e mais alguma coisa que lhe permitirem, sem qualquer outra finalidade que não seja a sua preservação pessoal.

 

Numa carta entregue à Comissão Fiscalizadora nomeada por Jaime Marta Soares, o Conselho Directivo declarou que “não reconhece a V. Exas. nenhuma legitimidade para o exercício das funções de que se arrogam estar investidos (…)”. Há palavras que possuem um significado antigo para que sejam entendidas por todos: Bruno de Carvalho fechou-se num “bunker” e só sai de lá quando for expulso.

 

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publicado às 14:00

Fotografia com história dentro (101)

Leão Zargo, em 17.06.18

 

thumbnail_Museu Sporting Rui Patrício.jpg

 

Uma história de espanto e de revolta

 

Rui Patrício era o jogador mais importante do Sporting. Depois dele, William de Carvalho e Bruno Fernandes eram os melhores jogadores da equipa. Gelson Martins era o jogador mais promissor. Bas Dost era o goleador. Podence e Rafael Leão eram duas das maiores esperanças leoninas. Battaglia era sempre de grande utilidade. Ruben Ribeiro era de outro “campeonato”. Agora já não são jogadores do Sporting e o sentimento dominante é de espanto e de revolta.

 

De espanto pela forma como o assédio moral praticado sobre os jogadores pôde avançar até um ponto tal que estes apresentaram a rescisão laboral com justa causa. Na verdade, verificou-se no Sporting o que na lei é tipificado como assédio moral. Essa conduta decorreu publicamente, perante o aplauso de uns e o repúdio de outros. Agora, é evidente para quase todos os sportinguistas que se tratou de gestão danosa.

 

De revolta porque não voltarão a jogar com a camisola leonina. Isso é quase certo. Mas, a revolta é ainda maior porque alguns deles “cresceram” na Academia leonina. Não aceito a razão para a rescisão afectiva, apesar de compreender o motivo para a rescisão laboral. Não aceito que tenham quebrado o sentimento de “pertença”, um sentimento que implica formas de sociabilidade e de solidariedade específicas.

 

O futebol, como grande fenómeno social, cultural e desportivo, possui a qualidade de fazer guardar na memória dos seus adeptos um núcleo de sinais de glória e de afirmação clubística. No Sporting, que possui uma fortíssima identidade, esses sinais integram a sua própria História. Ainda que tenham razão jurídica, os jogadores que rescindiram com o Clube, renunciaram à possibilidade de integrar a restrita plêiade dos grandes ídolos dos sportinguistas. Entre todos eles, o nome de Rui Patrício é o que ocorre em primeiro lugar.

 

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publicado às 14:30

SCP portal de publicações Min. Justiça.jpg

 

Na Assembleia-Geral realizada em 17 de Fevereiro de 2018 foram aprovadas determinadas alterações aos Estatutos do Sporting Clube de Portugal. Nomeadamente, foi extinto o Conselho Leonino, sendo substituído por um Conselho Estratégico composto no máximo por quinze elementos escolhidos pelo presidente do Conselho Directivo, e introduzidas mudanças no Regulamento Disciplinar. No final dessa Assembleia-Geral, Bruno de Carvalho fez o discurso da vitória, tendo proclamado que “a partir de hoje não há grupos nem grupinhos”.

 

Ao contrário do que se ouve dizer entre muitos sportinguistas, Jaime Marta Soares, o presidente da Mesa da Assembleia-Geral, promoveu o registo das alterações estatutárias no Ministério da Justiça. A consulta do portal de publicações desse Ministério permite concluir que isso se verificou no passado dia 29 de Maio.

 

Na imagem, o portal de publicações do Ministério da Justiça.

 

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publicado às 03:48

 

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O Conselho Directivo (CD) do Sporting Clube de Portugal tem um carácter colegial. No Artigo 56º (Competências do Conselho Directivo) dos seus Estatutos estabelece-se que:

 

“1- O Conselho Directivo é o órgão colegial de administração do SPORTING CLUBE DE PORTUGAL e tem a função geral de promover e dirigir as actividades associativas, praticando os actos de gestão, representação, disposição e execução de deliberações de outros órgãos, que se mostrem adequados para a realização dos fins do SPORTING CLUBE DE PORTUGAL ou para a aplicação do estabelecido nestes estatutos.”

 

Na realidade, no Artigo 55º (Composição do Conselho Directivo) e em todas as alíneas do ponto 2 do Artigo 56º especifica-se aquilo que compete ao CD, enquanto órgão social colegial de administração. O Presidente do CD é invocado por razões que decorrem do funcionamento do órgão, porque as competências residem no colégio do CD. No Artigo 57° (Funcionamento do Conselho Directivo) estabelece-se que “não pode reunir sem que esteja presente a maioria dos seus membros em efectividade de funções e as suas deliberações são tomadas pela maioria dos votos dos membros presentes”. Portanto, tem de existir quórum para se efectuar a reunião e as deliberações são tomadas por maioria.

 

No entanto, uma das propostas de alteração que Bruno de Carvalho pretende fazer aprovar na suposta Assembleia Geral de 17 de Junho consiste precisamente em ser-lhe atribuído o poder de “indicar para o preenchimento de vagas outros sócios efectivos A (...)”. Como já foi referido anteriormente, de acordo com a filosofia dos Estatutos do Sporting, esse poder pessoal de nomeação seria uma anomalia, contraditória com os princípios vigentes. Transportando a situação para o nível do nosso país, dir-se-ia que seria inconstitucional.

 

Por alguma razão os legisladores sportinguistas optaram por estabelecer um “órgão colegial de administração”. Na sua sapiente cautela pretenderam evitar que candidatos a ditadores se apoderassem dos destinos do Clube. Esta questão é absolutamente relevante, pois do seu rigoroso cumprimento decorre a democraticidade do Sporting.

  

Notas:

 

1 - Trata-se de uma ideia peregrina. Os sócios votam numa determinada lista de nomes para o CD mas, ao fim de algum tempo, o presidente pode escolher outras pessoas para o integrarem porque os suplentes já não chegam para manter o quórum.  

  

2 - Ontem ao fim da tarde quando comecei a escrever o texto deste post estava convicto de que Bruno de Carvalho iria forçar a realização de uma Assembleia Geral em 17 de Junho. Quando o terminei de escrever, cerca de duas horas depois, perante a vertiginosa sucessão de acontecimentos, ocorreu-me de que essa AG não acontecerá. Mesmo assim, este post mantém a sua validade. Na verdade, Bruno de Carvalho possui o mérito de ter mostrado aos sportinguistas a importância de existirem mecanismos estatutários que defendam a democraticidade no nosso Clube. 

 

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publicado às 13:02

Fotografia com história dentro (100)

Leão Zargo, em 10.06.18

 

thumbnail_Estádio José Alvalade 1956.jpg

 

“O amor é louco…”

 

A construção do Estádio José Alvalade em 1956 constituiu uma invulgar história de amor. As peripécias relacionadas com a construção, o envolvimento dos sportinguistas e a festa da sua inauguração fazem-me sempre trautear um conhecido fado que o Carlos Ramos cantava por aqueles dias: “O amor é louco / não façam pouco / desta loucura”!

 

A construção do nosso Estádio foi um caso sério próprio de loucos apaixonados. Houve quem pagasse cinco escudos (ou dez, ou vinte, conforme cada um) para pegar numa picareta e ajudar a demolir o antigo Campo do Lumiar e, em contrapartida, receber o emblema “Leão com picareta”. Muitos sócios entregaram um dia de salário ao clube. A “Campanha do Cimento” valeu muitas e muitas toneladas. Organizaram-se festas, excursões e uma Grande Gala no Coliseu dos Recreios em Lisboa. O Plano Financeiro das Obras do Estádio José Alvalade propôs aos sportinguistas a aquisição de títulos de subscrição, os “lagartos”. Nos dias em que o Clube jogava, nas proximidades do campo de futebol, ouvia-se gritar a plenos pulmões “comprem o lagarto” e “olhó lagartinho”. Um conhecido arquitecto sportinguista, Anselmo Fernández, não aceitou ser remunerado pelo projecto de construção. O amor é louco, obviamente.

 

A construção do nosso Estádio revelou o carácter interclassista do Sporting Clube de Portugal, que para conseguir erigir a obra que sonhava teve de socorrer-se dos seus associados para que contribuíssem financeiramente de acordo com as possibilidades de cada um. Apesar do esforço e dedicação, constituiu um tremendo encargo financeiro que viria a reflectir-se nas contas do clube nos anos seguintes.

 

O novo Estádio foi construído sobre o Campo do Lumiar, designado José Alvalade desde 1947, e foi projectado pelos arquitectos Anselmo Fernández e António Sá da Costa e pelo engenheiro Ruy José Gomes. Uma frota de motorizadas Vespa trouxe terra de Olímpia, na Grécia, que foi simbolicamente incorporada na pista de atletismo. A inauguração verificou-se no dia 10 de Junho de 1956 com um grande espectáculo desportivo revelador do ecletismo e universalidade do Sporting e um jogo de futebol com os brasileiros do Vasco da Gama.

 

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publicado às 13:00

Uma Assembleia Geral ilegítima e nula

Leão Zargo, em 09.06.18

 

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Bruno de Carvalho através da Comissão Transitória da Mesa da Assembleia Geral (CMTAG), por si constituída e empossada, convocou uma Assembleia Geral Ordinária (AG) para 17 de Junho de 2018. Convém recordar que esta CMTAG não está prevista estatutariamente e que o tribunal considerou que Jaime Marta Soares “é, efectivamente, o Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal em pleno exercício de funções”. Portanto, apenas ele tem competência para convocar uma AG. Como é sabido, existe uma providência cautelar com a finalidade de evitar a prática de uma gravíssima ilegalidade. Estou convicto de que o tribunal vai decidir em tempo útil sobre o carácter ilegítimo e nulo desta AG, ainda que Bruno de Carvalho procure impor a sua realização, como afirmou ontem no noticiário da TVI24. 

 

Na realidade, à margem dos princípios estatutários, Bruno de Carvalho pretende reforçar o seu poder enquanto presidente do Conselho Directivo, ao mesmo tempo que procura limitar o poder dos sócios do Clube. Para isso, apesar de não possuir capacidade para tal, desconvocou a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de 23 de Junho e impediu o reconhecimento das assinaturas dos subscritores. Mesmo perante uma decisão do tribunal que lhe é adversa, continua a afirmar que a AGE destitutiva não se realizará.

 

A Assembleia Geral de 17 de Junho constitui um momento importante da estratégia de Bruno de Carvalho para a subversão da democracia sportinguista. No terceiro ponto da ordem de trabalhos propõe a revisão de determinados artigos dos estatutos do Clube, mas não revela no que consistem essas alterações. Verifica-se que os artigos sujeitos a revisão tratam de cessações de mandato e renúncias de membros de corpos sociais eleitos, das competências do presidente do Conselho Directivo e da dissolução do Sporting. Isto é, sem olhar a meios, Bruno de Carvalho procura adaptar as disposições estatutárias aos seus interesses estratégicos de reforço do seu poder unipessoal. Mas isso nunca lhe será permitido, pelos sportinguistas e pelos tribunais.

 

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publicado às 11:37

Fotografia com história dentro (99)

Leão Zargo, em 03.06.18

Sporting 12 Lusitano 0 15 Fev 1948.jpg

 

Quando os “Cinco Violinos” marcaram 12 golos ao Lusitano VRSA

 

O Sporting dos “Cinco Violinos” era uma máquina de fazer golos. Na época de 1947-48 os leões marcaram 92 golos em 26 jogos. No Campeonato, houve um jogo com o Lusitano de Vila Real de Santo António, que nem era das equipas mais fracas, que ficou na memória de todos que o viram. Foi em 15 de Fevereiro de 1948 e os leões marcaram 12 golos, com a particularidade de todos os “Cinco Violinos” terem molhado a sopa. Jesus Correia iniciou a contagem logo no primeiro minuto, foi reincidente aos 19 e 29 minutos, Peyroteo registou aos 7, 54, 66, 71 e 76 minutos, Albano marcou aos 28 e 83 minutos, Travassos aos 46 minutos e Vasques imitou-o aos 57 minutos. O resultado final ficou em Sporting 12 - Lusitano VRSA 0.

 

O jornalista Tavares da Silva, na revista Stadium em 18 de Fevereiro, comparou a equipa leonina a um rolo compressor, elogiou a qualidade técnica dos jogadores e o trabalho do treinador Cândido de Oliveira. Esta partida para a 13ª jornada revelou-se fácil, mas o Campeonato Nacional fiou mais fino. Foi a época do “Campeonato do Pirolito” que o Sporting conquistou em virtude de um golo a mais no conjunto dos dois jogos que disputou com o Benfica (perdeu por 3-1 em Alvalade e foi ganhar por 4-1 na Estância de Madeira).

 

Na fotografia, Jesus Correia marca um dos seus três golos (foto de Amadeu Ferrari).

 

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publicado às 13:47

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