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Vitória de Setúbal 1 - Sporting 2 1999-00 CN 19ª jornada 31.1.2000

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 09.07.20

VFC SCP 1999-00 1-2 CN 19ª jornada 31.1.2000.jpg

Depois da saída de Giuseppe Materazzi, chegaram Manolo Vidal e José Manuel Torcato para trabalhar com Augusto Inácio apontado como o adjunto de um consagrado técnico a contratar. Com Inácio o futebol do Sporting pode não convencer, mas há grande espírito de equipa. À excelente condição física dos jogadores (uma herança do treinador italiano), o português acrescentou crença e coesão. 

A partida no Bonfim foi igual a tantas outras. Entrada exasperante do Sporting, quase que nem uma ideia de jogo ofensivo, com poucos rasgos individuais. Os sadinos marcaram primeiro, pois claro, e os leões tiveram de regressar muito fortes do intervalo. Destaque para Mpenza que tem sido decisivo com golos e assistências. Com ele em campo ficamos mais perto de vencer.

Jogámos com Nélson, César Prates, Beto, André Cruz, Rui Jorge (Quiroga, 83’), Vidigal, Delfim, Pedro Barbosa-capitão (Toñito, 54’), De Franceschi (Iordanov, 54’) e Mbo Mpenza.  Golos por Maki (33’) para o Vitória e por Mpenza (59’) e Acosta (69’) para o Sporting.

publicado às 14:30

Inos Corradin, Gol de Placa

Leão Zargo, em 08.07.20

Inos Corradin, Gol de Placa.jpg

Inos Corradin, Gol de Placa, gravura, 911X1200 cm

Inos Corradin nasceu em Vogna, Itália, mas foi viver para o Brasil em 1950, tendo-se fixado em Jundiaí. Desde 1952 participou em mostras coletivas como o Salão Paulista de Arte Moderna e o Salão Nacional de Arte Moderna, e, entre 1954 e 1955, dedicou-se à cenografia. Expôs individualmente em vários países e cidades brasileiras. É um pintor de paisagens, figuras e naturezas-mortas, praticando uma arte sui generis, muito irónica e bem humorada.

As obras de Inos Corradin destacam-se pela paleta cromática numa amálgama de todas as cores. Induzidos pela cor, oscilamos entre o jogo da estilização e do espaço metafísico onde as formas se distribuem como detalhes de um brinquedo fantástico. A figura humana assume a forma de quase que um boneco articulado, abordando, com humor, o desacerto e a perplexidade do homem contemporâneo.

O conteúdo lúdico da gravura Gol de Placa verifica-se na pesquisa construtiva da composição, na linha geometrizada das formas, evidenciando uma equação de leveza, de luminosidade cromática e de uma abordagem cenográfica humorada da paisagem e do homem brasileiro. Coexiste em Inos Corradin, ainda, um desenhista de humor empenhado talvez numa tarefa especial de identificar o instante com um optimismo muito próprio.

publicado às 14:30

Sporting 4 - Santa Clara 1 1999-00 CN 18ª jornada 22.1.2000

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 07.07.20

SCP SC 1999-00 4-1 CN 18ª jornada 22-1-2000.jpg

O que realmente interessa é interpretar o jogo de forma perfeita. Foi o que fez Pedro Barbosa que encheu o campo todo. Mágico! Qualidade na recepção, criatividade no passe, competência no remate. A isso ainda acrescenta classe, visão de jogo, arte, irreverência e improviso como mais ninguém na equipa leonina. Perfeito! Se fosse mais consistente, mais resiliente…

O Santa Clara ainda preocupou com um golo de livre directo, mas isso durou pouco. O inevitável Acosta e depois Mbo Mpenza, por duas vezes em golos tirados a papel químico, puseram ordem no jogo. A segunda parte começou (e de certa forma terminou) com o golo de Pedro Barbosa. Saí de Alvalade a cantar “andas aí a partir corações / como quem parte um baralho de cartas”.

Leões em campo: Schmeichel, César Prates, Beto (Bino, 63’), Marcos, Rui Jorge, Vidigal, Delfim, Pedro Barbosa-capitão, De Franceschi (Edmilson, 70’), Acosta (Iordanov, 64’) e Mpenza.  Golos por Figueiredo (17’) para o Santa Clara e por Acosta (25’), Mpenza (30’ e 37’) e Pedro Barbosa (48’) para o Sporting.

publicado às 18:00

Fotografia com história dentro (205)

Tour 1971: 11º etapa Grenoble - Orcières-Merlette (8.7.1971)

Leão Zargo, em 05.07.20

Tour 1971 11º etapa Grenoble - Orcières-Merlette

A 11ª etapa da Volta a França 1971 é considerada como uma das mais espectaculares de sempre do Tour. À partida, Joop Zoetmelk vestia a camisola amarela, mas Luís Ocaña, Gösta Pettersson, Lucien van Impe, Eddy Merckx Bernard Thévenet e Joaquim Agostinho seguiam-no na classificação com pequenas diferenças de tempo. Ocaña estava numa forma fantástica, a sua equipa Bic era fortíssima, e acreditava que alcançaria o 1º lugar.

Nessa etapa, Agostinho partiu o pelotão ao lançar um ataque pouco depois da partida em Grenoble, na subida de 9 quilómetros para o “Côte de Laffrey”, quase a 1 000 metros de altitude, onde chegou isolado com 15 segundos de vantagem. Mais à frente, apenas Ocaña, Zoetemelk e van Impe é que o conseguiram alcançar. Pettersson tentou segui-los, mas sem sucesso, enquanto que Merckx ficou na expectativa.

O ciclista português impôs um ritmo muito forte ao pequeno grupo de quatro ciclistas e o pelotão atrasou-se ainda mais. Com a sua equipa esfrangalhada, Merckx andou “sozinho” durante quase 80 quilómetros, procurando desesperadamente recuperar o atraso. Na meta elogiou os adversários, considerando que “é isto o desporto. Na vida, como no desporto, assistimos a acontecimentos fantásticos. Não há mais nada a dizer. É essa a regra, saber reconhecer o mérito”.

Ocaña fez uma corrida impressionante, venceu a etapa destacado com grande vantagem sobre os principais competidores (van Impe, Merckx, Zoetmelk, Agostinho e outros) e conquistou a camisola amarela. No entanto, na 14ª etapa, numa descida nos Pirenéus, com trovoada e a estrada encharcada, Ocaña sofreu uma queda a mais de 70 kms/hora, levantou-se, foi abalroado por Zoetemelk, e teve de desistir. Merckx que estava a 7´23´´, ficou com a amarela, mas recusou-se a vesti-la antes de ir homenagear o rival ao hospital.

Na fotografia, Agostinho com Ocaña, Zoetmelk e van Impe na 11ª etapa do Tour 1971.

publicado às 14:00

George Duchesne, Course Cycliste, 1902

Leão Zargo, em 03.07.20

George Duchesne, Course Cycliste.jpg

George Duchesne, Course Cycliste, 1902

Musée national de la voiture et du tourisme, Chateau de Compiègne, France

O final da década de 1860 viu nascer, em França, uma série de actividades ligadas à prática velocipédica. A 31 de Maio de 1868, uma famosa empresa parisiense, que fabricava e distribuía velocípedes da marca Michaux, organizou a primeira corrida de bicicletas em França, no parque de Saint-Cloud.  Muitas vezes organizadas por jornais desportivos, foram disputadas novas corridas de prestígio (como o Bordeaux-Paris, em 1891, e o Tour de France, criado em 1903), tornando o ciclismo desportivo cada vez mais popular.

Os novos heróis e as suas façanhas inspiraram cada vez mais amadores que também participavam com frequência em competições pelos seus clubes. No primeiro trimestre do século XX, a corrida de ciclismo tornou-se um dos desportos mais populares, e “andar de bicicleta” passou a ser uma prática bastante enraizada nos costumes e representações, como é evidenciado na aguarela Course Cycliste, tendo proporcionado a criação de um Festival e considerada a “idade de ouro” do ciclismo. (L’histoire par l’image)

publicado às 14:00

Uma equipa de sonho

Leão Zargo, em 02.07.20

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O “tempo” que vivemos hoje resulta do que aconteceu no passado e no presente, e permite perspectivar o que será o futuro. No caso do Sporting, a mística também se aprofunda e se desenvolve a partir da evocação da memória daqueles que no passado souberam honrar a camisola e que integram o núcleo restrito de portadores de histórias míticas.

No jogo com o Gil Vicente, as camisolas leoninas tinham os nomes de grandes jogadores do passado com a finalidade de os homenagear no lugar certo: no relvado do Estádio de Alvalade. Um clube que não honra os seus nunca será um clube grande e digno. Os sinais de glória e de afirmação clubística são sempre uma reserva da identidade e do património sportinguista.

Ontem alinharam os seguintes leões: Vítor Damas (Luís Maximiano), Fernando Mendes (Ristovski), Peyroteo (Eduardo Quaresma), Francisco Stromp (Coates), Vasques (Borja), Hilário (Nuno Mendes), Figo (Rafael Camacho), Jordão (Matheus Nunes), Jesus Correia (Wendel), Balakov (Gonzalo Plata) e Manuel Fernandes (Sporar). Também estiveram em campo Morais (Doumbia), Travassos (Battaglia), Yazalde (Joelson Fernandes) e Cristiano Ronaldo (Tiago Tomás). Uma equipa de sonho!

Krassimir Balakov teve isto para dizer:

"Parabéns a todos os que amam e trabalham no Sporting desde a fundação do Clube! Estou feliz por ter passado cinco anos óptimos no Clube! Desejo-lhe sucesso e alegria em todas as vitórias! E na última partida, Gonzalo Plata mereceu a minha camisola com o golo e a assistência".

publicado às 20:00

Sporting 2 - Salgueiros 0 1999-00 17ª jornada 16.1.2000

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 02.07.20

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Estreias de César Prates e de Mbo Mpenza no Campeonato Nacional. Os dois estiveram bem, muito rápidos e objectivos na direcção da baliza adversária. Ambos pelo lado direito, Prates faz todo o corredor e Mpenza a ala, mas a aparecer em posições mais centrais na grande área. É preciso ter muito pulmão para alguém os acompanhar em corrida.

Vitória indiscutível, mas estes jogos com clubes como o Salgueiros frequentemente são uma coisa e a outra. A maior parte do tempo estão lá atrás muito organizados sempre à espreita dos contra-ataques perigosos. Uma ameaça constante. Mpenza esteve nos dois golos e numa bola ao poste. Acosta voltou a bisar e esta época já marcou por nove vezes.

Leões em campo: Schmeichel, César Prates, Beto, André Cruz, Rui Jorge, Vidigal, Delfim, Pedro Barbosa-capitão (Toñito, 71’), Mbo Mpenza (Hanuch, 71’), Acosta e De Franceschi (Iordanov, 76’).  Dois golos de Acosta aos 34 e 52 (g. p.) minutos.

publicado às 13:28

Benfica 0 - Sporting 0 1999-00 16ª jornada 9.1.2000

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 30.06.20

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Um Benfica-Sporting (ou um Sporting-Benfica) é um encadeamento de histórias, de muitas histórias dentro de outras histórias, numa narrativa intemporal. Em cada dérbie encontram-se todos os ingredientes principais da arte dramática, sendo que o relvado é o próprio palco, o treinador faz de director de cena e os jogadores são os actores. O público é o coro, tal como numa peça de teatro grega.

O Sporting não venceu este jogo, mas gostei da forma como se apresentou na Luz. Bem preparado fisicamente e com melhor organização táctica, foi superior. Com André Cruz ao lado de Beto, Vidigal jogou nas costas de Duscher e Delfim. Resultado, o controlo do meio campo. Os movimentos frontais de Acosta, De Franceschi e Ayew nunca deram descanso à defesa do Benfica. O empate soube a pouco.

Leões em campo: Peter Schmeichel, Saber, Beto, André Cruz, Rui Jorge, Vidigal, Duscher, Delfim, De Franceschi (Toñito, 80’), Acosta e Ayew.  

publicado às 12:00

Uma equipa sub-23 na 1ª Liga

Leão Zargo, em 29.06.20

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Em conferência de imprensa, em 18.6.2020, Rúben Amorim foi claro e directo: “No Sporting, desde o primeiro momento que me contactaram, para vir para cá, o objetivo primeiro era ganhar jogos e ajudar a lançar jovens, porque o momento do clube assim o exigia. A pandemia ainda acelerou mais esta situação.”  

Se no primeiro jogo em que ele orientou a equipa leonina, com o Desportivo de Aves em 8 de Março, não procedeu a grandes alterações, na fase pós interrupção em consequência da pandemia o técnico sportinguista assumiu de forma invulgar o projecto de valorização dos jovens jogadores do plantel, provenientes ou não da Academia de Alcochete.

A média de idades (22,8) da equipa que defrontou o Belenenses SAD prova isso mesmo, ao fazer alinhar Luís Maximiniano, Eduardo Quaresma, Nuno Mendes e Jovane Cabral, formados na Academia, e Wendel, Matheus Nunes e Gonzalo Plata, com 22, 21 e 19 anos respectivamente. Para além deles foram titulares Ristovski, Coates e Šporar. Na segunda parte entraram Francisco Geraldes, Tiago Ilori e Rafael Camacho, todos da formação sportinguista, para além de Idrissa Doumbia e Rodrigo Battaglia.

A verdade é que o trabalho de Rúben Amorim está a ter sucesso. A equipa leonina fez mais pontos e é a segunda que marcou mais golos e sofreu menos na fase pós-interrupção da Liga (três vitórias, um empate, oito golos marcados e três sofridos). Como escreveu o Rui Pedro Barreiro aqui no Camarote Leonino, “afinal... o treinador faz mesmo a diferença”.

publicado às 05:48

Fotografia com história dentro (204)

A primeira vitória de Agostinho numa etapa na Volta à França.

Leão Zargo, em 28.06.20

Joaquim Agostinho Tour 1969 5ª etapa Nancy - Mulh

Em 3 de Julho de 1969, Joaquim Agostinho venceu pela primeira vez uma etapa na Volta à França. Foi quando chegou isolado à meta na 5.ª etapa, entre Nancy e Mulhouse, na distância de 193,5 quilómetros. Dez dias mais tarde, o ciclista português venceu de novo, entre La Grande-Motte e Revel, com 234 quilómetros. Completam-se 51 anos sobre esta data histórica vitória na próxima 6ª feira.

O “Tour de 1969” foi o primeiro em que Agostinho participou, mas ele nunca se sentiu intimidado com a sua estreia na alta roda do ciclismo mundial. Naquele estilo um tanto anárquico, frequentemente pedalando mais com o coração do que com a cabeça, com uma força e um talento que ainda não tinham sido avaliados, nas quatro etapas iniciais dessa edição da Volta à França atacara quase todos os dias.

Finalmente ao quinto dia teve sucesso quando encetou uma fuga com Charly Grosskost. O francês teve um furo em Munster (135 kms), mas o português continuou sozinho a galgar os quilómetros. Na contagem de montanha em Firstplan passou com 2m 55s sobre um grupo de vinte ciclistas que tinha partido em sua perseguição (Merckx, Ocaña, Gimondi, Pingeon, Altig, Van Impe, Poulidor, Van Springel, De Vlaemink e Panizza, entre outros). Apesar de terem diminuído a desvantagem, não apanharam Agostinho que chegou à meta em Mulhouse com 18 segundos de avanço.

A fotografia refere-se à fase final da etapa em que Joaquim Agostinho pedala isolado, mas perseguido pelo grupo de vinte ciclistas. Podemos imaginar a solidariedade activa de uma emigrante portuguesa que incita e grita por “Tinô”.

publicado às 14:00

Jovane Cabral

Leão Zargo, em 27.06.20

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"As oportunidades multiplicam-se à medida que são agarradas." Sun-Tzu

publicado às 16:20

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Estádio bem composto. Estar lá em cima na classificação ajuda sempre a levantar o ânimo (Porto 31 pontos, Sporting e Benfica com 30). Cinco jogos consecutivos a ganhar. Grande festa quando a equipa entrou em campo. Alvalade é o ponto de encontro de diferentes gerações leoninas. A memória de cada jogo é um fio invisível que junta essas gerações.

Já se tinha visto antes, como Ayew e De Franceschi criam (e aproveitam) oportunidades pela dinâmica do seu movimento. Dois belos golos e 2-0. Depois, o que também já se tinha visto antes: menos disciplina táctica e falta de quem interprete colectivamente o jogo. De súbito, empate a 2-2. Valeu o enorme espírito de luta da equipa. Vitória justa, mas sofrida.

Jogámos com Schmeichel, Saber, Quiroga, Vidigal, Rui Jorge, Duscher, Afonso Martins (Toñito, 61’), Pedro Barbosa-capitão (Hanuch, 69’), De Franceschi (Iordanov, 76’), Beto Acosta e Ayew.  Golos de Ayew (16’), De Franceschi (24’), Duscher (78’) e Acosta (80’) para o Sporting. Toedtli (27’) e Carlos Mariano (38’) marcaram pelo Marítimo.

publicado às 12:00

René Magritte, Répresentation, 1962

Leão Zargo, em 24.06.20

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René Magritte, Répresentation, 1962

Óleo sobre tela, 81X100 cm, colecção particular

René Magritte nasceu em Hainaut na Bélgica (1898). A sua obra encontra-se representada em diversos museus, galerias de arte e colecções particulares em todo o mundo.

Na pintura Répresentation, de 1962, René Magritte utiliza o futebol apenas como pretexto, como exemplo de uma actividade banal, do quotidiano. A duplicação da cena dentro do mesmo quadro torna a pintura inesperadamente perturbadora. Esta não é uma partida vulgar de futebol. A cena decorre atrás de um parapeito, representando os jogadores num grande campo relvado, frente a uma residência. À esquerda da composição, pode-se ver a cena da partida de futebol reproduzida de forma idêntica, mas em escala inferior dentro de um balaústre. O pintor reproduz, assim, um duplicado da cena dentro do mesmo quadro, ou seja, a pintura dentro da mesma pintura.

As obras de Magritte apresentam, com frequência, uma dupla leitura entre um objeto, uma situação e a sua representação. Assim, esta pintura intitulada Répresentation apresenta de forma sóbria, jogadores de futebol que são observados de maneira diferente, dependendo de serem ou não vistos através do quadro. “O olhar é o mesmo, o que muda é a ideia do que se vê” (Julião Sarmento).

publicado às 12:30

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Chego cedo ao Estádio e um amigo fala-me das épocas em que fomos felizes. Vitórias e títulos. Tudo já tão distante, respondo. Há sempre um retorno, diz o outro. Está visto, não conseguimos os dois imaginar o passado feliz ao mesmo tempo. Um campo de futebol é um guardião de memórias onde se misturam recordações exactas com outras imaginadas.

O Sporting até começou bem, à meia hora já ganhava por 2-0. Mas, Niquinha marcou logo no início da segunda parte e acabou-se o descanso. Isto ainda dá para o torto, murmurou o das épocas felizes. Lembrei-me do último jogo do Manuel José em 1987, um Sporting - Rio Ave. O passado nunca está morto. Ainda menos num campo de futebol. Há dias assim.

Alinhámos com Schmeichel, Saber, Quiroga, Beto-capitão, Rui Jorge, Vidigal, Duscher, Afonso Martins (Toñito, 62’), De Franceschi (Hanuch, 75’), Acosta e Ayew (Iordanov, 81’).  Golos de Ayew (27’) e De Franceschi (31’). Niquinha marcou aos 47 minutos pelo Rio Ave.

publicado às 12:30

Manchester City - Sporting (2011-12)

Leão Zargo, em 22.06.20

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Joe Hart bem se esticou, mas aquele livre directo marcado por Matías era indefensável. Decorriam 33 minutos de jogo do Manchester City - Sporting (Liga Europa, 15 de Março de 2012) e os leões fizeram 0-1 no Ethiad. Melhor ainda quando Van Wolfswinkel fez o 0-2 poucos minutos depois.

Manchester City - Sporting (2011-12).jpg

Com a vitória no Estádio de Alvalade por 1-0 a eliminatória estava no bolso. O que parecia certo afinal revelou-se incerto, como acontece tantas vezes no futebol. Na 2ª parte, os ingleses marcaram aos 61, 76 e 84 minutos, passando o resultado para 3-2, e cada lance na grande área leonina era um susto. No último segundo, num canto, Rui Patrício evitou que Joe Hart marcasse e segurou a eliminatória em 3-3, valendo os golos leoninos fora de casa.

publicado às 15:51

Fotografia com história dentro (203)

Um dérbi que chegou a estar em risco

Leão Zargo, em 21.06.20

SCP SLB 1976-77 3-0 CN 1ª jornada.jpg

Em 1976-77, em Alvalade, o Sporting - Benfica para a 1ª jornada do Campeonato Nacional era aguardado com extraordinária expectativa. O carisma e a imagem de sucesso de Jimmy Hagan entusiasmaram os adeptos sportinguistas e a linha ofensiva constituída por Manoel, Manuel Fernandes e Keita possuía grande categoria. Afinal, era possível sonhar depois da frustração da temporada anterior em que o Clube pela primeira vez ficou fora das competições europeias.

O jogo realizou-se num sábado à noite no Estádio de Alvalade que estava completamente cheio. Se na bancada e no peão já não cabia nem uma agulha, nas pistas de atletismo e de ciclismo parecia haver sempre mais um lugar. À hora marcada, com inúmeros adeptos perto das linhas do relvado, o árbitro Porém Luís hesitou, chamou agentes da polícia, mas quem estava ao redor do campo não arredou pé. Na tribuna de honra, o primeiro-ministro Mário Soares e os presidentes João Rocha e Borges Coutinho observavam o desenrolar dos acontecimentos.

Perante o risco de não haver dérbi, o árbitro conferenciou com os delegados ao jogo e os capitães de equipa, e verificou-se consenso sobre as condições para se realizar a partida. Os jogadores não temiam pela sua segurança e em caso de lançamento pela linha lateral ou de pontapé de canto haveria maneira de se dar um jeito para criar o espaço necessário. Os comandos da Amadora conseguiram que o pessoal recuasse um pouco, talvez um metro, e, finalmente, iniciou-se o jogo que os leões venceram por 3-0, com golos de Camilo, Manuel Fernandes e Baltasar.

publicado às 12:00

Vitória de Guimarães 1 - Sporting 2 1999-00 CN 13ª jornada 4.12.1999

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 18.06.20

VSC SCP 1999-00 1-2 CN 13ª jornada 4-12-1999.jpg

Costuma-se dizer que hoje em dia já não existem jogos fáceis. Verdade, mas Guimarães há muitos anos que é sempre difícil. Duscher conseguiu finalmente um golo, ele já andava a ameaçar. Grande remate, um relâmpago, depois de um livre marcado pelo Rui Jorge. Ele e Delfim têm revelado extraordinária eficácia nos livres directos. Fazem parte do jogo.

Com melhor organização, o Guimarães pressionou muito, não nos deu descanso. Salvou-nos sermos uma verdadeira equipa, a coesão e solidariedade entre os jogadores. Sofreram uns pelos outros, lutaram juntos, trabalharam em equipa, partilhando sempre a vontade férrea de vencer o jogo. Assim ficamos mais perto do sucesso. Nelson esteve bem na baliza.

Jogámos com Nelson, Saber, Vidigal, Beto, Rui Jorge, Delfim, Duscher, Pedro Barbosa-capitão (Iordanov, 72’), De Franceschi (Toñito, 68’), Acosta e Hanuch (Ayew, 87’). Golos por Duscher aos 23 minutos e Evaldo na própria baliza aos 76 minutos para Sporting. Brandão marcou aos 90 minutos pelo Guimarães.

publicado às 14:00

Cândido Portinari, “Futebol”, 1958

Leão Zargo, em 17.06.20

Cândido Portinari Futebol 1958.jpg

Cândido Portinari, Futebol, 1958

Óleo sobre madeira, 35,2X26,8 cm, Casa-Museu Portinari, S. Paulo, Brasil

A pintura Futebol retrata a cena de um jogo de futebol entre meninos e tem por cenário o campo de Brodowski, terra natal de Portinari. O futebol de rua, em Brodowski, apareceu nos primeiros anos do século XX, antes mesmo de se construir o campo de jogos no antigo largo da Igreja de Santo António, onde rapazes de todas as idades jogavam com bolas de meia ou de bexiga de boi. Mais tarde, como tema da arte de Portinari, que transporta as lembranças da infância para a sua obra, a cena ficaria eternizada pelo pintor.

A Casa-Museu Portinari, em Brodowski, pratica o intercâmbio com a comunidade em que se insere, valorizando manifestações da identidade, da cultura e do património brasileiro. Também, será uma forma de revalorizar a obra através de uma leitura para os dias atuais, cultivando a presença dos “meninos” e dos cidadãos na esplanada do Museu e na Praça onde este está instalado e valorizando, assim, as manifestações culturais, a identidade e o património paulista.

O “Brodowski Futebol Clube” e o “Clube Atlético Bandeirante” fazem parte da identidade cultural desportiva da cidade de S. Paulo, tendo contribuído para a formação de campeões locais, regionais e estaduais. Também as inúmeras equipas de “várzea” (futebol amador) mobilizaram, e ainda mobilizam, atletas e adeptos fiéis e abnegados (In Enciclopédia Itaú Cultural).

publicado às 12:00

Sporting 2 - União de Leiria 0 1999-00 CN 12ª jornada 27.11.1999

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 16.06.20

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O jogo não andava nem desandava e aos 37 minutos de uma assentada o Inácio mandou sair Vinicius e Edmilson para entrarem Ayew e Hanuch. E tudo mudou. Duscher tomou conta do jogo. Defendeu e recuperou, deu equilíbrio, verticalidade e profundidade. Grande desempenho de Rui Jorge e de Beto. Nelson esteve mal. Suspiros por Schmeichel.

Acosta fez dois belíssimos golos. O primeiro devia ser de estudo obrigatório para os jovens jogadores da formação. Recepção de costas para a baliza, meia volta e a bola feita seta lá para dentro. Espectáculo. No segundo golo, Acosta com a maior calma do mundo picou sobre o guarda-redes. No final do jogo, Beto engraxou-lhe as botas. Com toda a razão.

Leões em campo: Nelson, Saber, Vidigal, Beto-capitão, Vinicius (Ayew, 37’), Delfim, Rui Jorge, Duscher, Edmilson (Hanuch, 37’), De Franceschi (Pedro Barbosa, 76’) e Acosta.  Dois belos golos de Acosta aos 49 e 59 minutos.

publicado às 12:30

Fotografia com história dentro (202)

Francisco Velasco, um sportinguista invulgar

Leão Zargo, em 14.06.20

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Francisco Velasco, falecido em 9 de Junho passado, foi um sportinguista invulgar cuja vida pareceu desenhada a golpes de audácia sempre prontos a desafiar o destino. Nascido em Goa, cresceu na cidade de Lourenço Marques (actual Maputo), onde deu as primeiras sticadas em ringues de hóquei inventados em campos de terra batida. A colecção Ídolos do Desporto (nº 31, 1958) chamou-lhe “O ‘Goês’ que chegou a campeão do Mundo”.

Começou a jogar hóquei em patins em 1948, com treze anos, e participou nos campeonatos moçambicanos com as camisolas do SNECI, Ferroviário e Sporting de Lourenço Marques. Pela Selecção Nacional foi Campeão Latino (1956 e 1957), Campeão do Mundo (1958 e 1960) e Campeão Europeu (1959), ao lado de jogadores como Vaz Guedes, Bouçós, Adrião e Moreira. Integra o grupo restrito de hoquistas com mais de cem internacionalizações. Foi treinador da Associação Portuguesa de Johannesburg, Hockey Club Monza, Sporting de Tomar e Oeiras, para além de seleccionador de Angola e do Transvaal.

Francisco Velasco foi um observador e um estudioso atento da vida e dos seus fenómenos particulares, nos quais incluiu o desporto em lugar de destaque. Considerava que o desporto e a sua evolução histórica interagem com a transformação social, económica e cultural, tendo debatido publicamente em diversas ocasiões. O seu saber teórico e prático permitiu-lhe reflectir sobre os aspectos técnicos e tácticos individuais ou colectivos e a preparação física e mental dos atletas do hóquei em patins. Sportinguista, acompanhou sempre com grande interesse e entusiasmo o nosso Clube.

Na fotografia, a Selecção Nacional que conquistou o Campeonato do Mundo de hóquei em patins disputado em Madrid em 1960. Velasco está em cima ao centro.

publicado às 14:00

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