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Uma história de sobrevivência

Leão Zargo, em 16.06.21

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Apesar de ter apenas 22 anos, Dorian Keletela já tem uma história de sobrevivência para contar. Constitui um exemplo de resiliência. Nascido no Congo, perdeu os pais em idade juvenil, viveu com familiares que foram perseguidos por razões políticas, o que o levou a pedir ajuda ao Conselho Português para os Refugiados, que seria concedido.

Com o exílio em Portugal, o passado traumático de perseguição e violência ficou para trás e Keletela pôde finalmente encarar o futuro com confiança. No Sporting desenvolveu as suas capacidades de velocista e é um dos 29 atletas integrantes da equipa olímpica de refugiados nos Jogos Olímpicos Tóquio'2020. No âmbito do Programa Viver o Desporto - Abraçar o Futuro, vai disputar a prova de 100 metros, orientado por Francis Obikwelu.

Dorian Keletela tem revelado um percurso desportivo de constante crescimento. Este ano bateu o seu recorde pessoal dos 60 m em pista coberta (6'' 79), sendo expectável que a época ao ar livre traga um novo mínimo também nos 100 m. Agora, Keletela pretende melhorar as suas capacidades de velocista e acalenta o sonho de uma qualificação olímpica no futuro.

publicado às 16:30

Fotografia com história dentro (251)

Sporting 1965-66

Leão Zargo, em 13.06.21

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A conquista pelo Sporting do Campeonato Nacional em 1965-66 constitui um caso de estudo do que resulta de uma equipa competitiva que integra atletas sportinguistas ou que “sentem” o leão ao peito. Muitos dos jogadores estiveram no Clube durante sete ou oito anos, ou até mais. Desde então, Carvalho, Pedro Gomes, Mário Lino, Alexandre Batista, José Carlos, Hilário, João Morais, Caló, Dani, Fernando Mendes, Osvaldo Silva, Lourenço, Figueiredo e Oliveira Duarte constituem, para mim, o valor referencial daquilo que deve ser o “atleta sportinguista”.

Foi o “meu” primeiro título de campeão nacional, e talvez por isso, ou por ser ainda uma criança, ficou indelével na minha memória. Depois, o Sporting teve as melhores equipas que conheci, as de 1973-74, 1981-82, 2006-07 e 2020-21, cujo fascínio nunca esquecerei, mas houve também épocas sucessivas em que tive de engolir em seco por mais outro ano frustrante. Umas vezes por causa de “campos inclinados” que nos impediram de triunfar, outras vezes por incapacidade própria, por desorganização ou incompetência. Ou porque outras equipas foram mais fortes.

Não estando “agarrado” ao passado, recordo-o apenas por uma questão de identidade e de “lição de vida”, vivo virado para o futuro, para a frente, sempre num misto de confiança e de esperança no sucesso. No entanto, quando o Sporting alcança um grande triunfo, como aconteceu esta época, decorrido o momento da emoção e do prazer da vitória, lembro-me sempre da equipa de 1965-66. A minha equipa leonina!

publicado às 14:30

Adeus ou até logo?

Leão Zargo, em 11.06.21

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A direcção leonina entendeu prescindir dos serviços de Nuno Moreira. Nascido em 1999, estava ligado ao Clube desde os oito anos de idade e joga a médio ofensivo, mas faz com facilidade as duas alas, nomeadamente a esquerda.  Na última época jogou pela equipa B, na qual somou 25 jogos e marcou seis golos, depois de nas anteriores também ter brilhado na equipa de sub-23. A oportunidade de jogar na equipa principal nunca surgiu, embora Marcel Keizer o tenha chamado para treinar com a equipa principal.

Nuno Moreira deixou uma sentida mensagem de despedida ao Sporting nas redes sociais reveladora do seu sentimento. Numa longa publicação, o jogador assume a tristeza por sair e revela satisfação por se ter empenhado em todas as circunstâncias. Finalmente, deixou ainda um agradecimento pelos catorze anos na Academia que, no seu entender, fizeram de si o homem que é hoje.

“Chegou a hora de dizer o adeus ...

Existem sentimentos que por vezes não conseguimos explicar...tristeza pela partida, mas contente por ter dado sempre tudo por este clube.

OBRIGADO meu Sporting Clube de Portugal pelos catorze anos vividos nesta grande instituição que fez de mim o Homem que sou hoje.

Este singelo agradecimento nunca irá chegar por todos os momentos inesquecíveis que me proporcionaste.
Obrigado a todas as pessoas que contribuíram a cada passo para a minha evolução. Não posso individualizar, pois todos na sua cota parte foram importantes.

Que continues a ser  o grande Clube que és e a formar jogadores de top e acima de tudo grandes Homens.

Nunca será um adeus.

#ondevaiumvãotodos #raçadeleão”

Nuno Moreira sai triste, mas de consciência tranquila e de cabeça erguida. Tem talento, carácter e personalidade. Albert Camus escreveu que “a verdadeira grandeza consiste em tentar ser grande”. Agora, é esse o objectivo do antigo jogador leonino, assinou pelo Vizela, vai procurar ser grande e, quem sabe, um dia voltar a jogar de leão ao peito. Por vezes há histórias com um final feliz!

publicado às 14:30

Fotografia com história dentro (250)

Manuel Fernandes, o grande “capitão”

Leão Zargo, em 06.06.21

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Manuel Fernandes, que completou ontem 70 anos, faz parte de uma restrita plêiade de grandes capitães de equipa do Sporting CP. No campo, ele parecia que jogava a um ritmo superior ao que os seus pulmões e músculos permitiam e transmitia-nos aquilo que é intrínseco ao futebol: a ilusão. A ilusão de que com ele a vitória seria possível, de que havia alguém que determinava o jogo, que não receava ter a bola e procurar o golo redentor.

No Estádio, suspendíamos a respiração quando, com o seu olhar de coragem e de orgulho, galgava metros e metros no relvado e se esgueirava dentro da grande área por entre os adversários. Ou, quando, de súbito, a bola cruzada morria-lhe no peito e ele a parava num movimento por nós já bem conhecido e, num improviso, disparava a esfera feita fera. No campo escrevia poesia.

Perante os adeptos, num jogo de futebol, Manuel Fernandes exprimia vigorosamente o sentimento leonino mais forte. Ficou inesquecível quando no final do jogo com a União de Leiria, num gesto insólito de loucura e de paixão, correu sozinho de braços abertos direito à multidão que invadira o relvado, desaparecendo no meio do entusiasmo sem limites da festa da conquista do título de campeão nacional em 1979-80.

publicado às 14:30

Fotografia com história dentro (249)

Figueiredo e a “Bola de Prata” 1965-66

Leão Zargo, em 30.05.21

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Ernesto Figueiredo é o 10º melhor goleador da história do Sporting. Jogou de leão ao peito entre 1960 e 1970 e marcou 152 golos em 239 jogos oficiais. Era um avançado bastante combativo, oportuno, de grande eficácia em frente à baliza graças ao seu remate forte e colocado. Nessas oito épocas, no sistema 4x2x4, as suas características completaram-se com as de Diego, Fernando, Osvaldo Silva ou Lourenço que eram jogadores tecnicistas e inteligentes na movimentação na grande área, com quem fez dupla na linha avançada.

Era um avançado que nunca se intimidava nos grandes jogos. Foi decisivo na Taça dos Vencedores da Taças, em 1963-64, e normalmente estava inspirado nos dérbis frente ao Benfica. Marcou 9 golos em 20 jogos. Ganhou a alcunha de “Altafini de Cernache” porque marcou duas vezes aos encarnados um mês depois de Altafini, do Milão, ter feito o mesmo numa final da Taça dos Campeões Europeus. Foi o melhor marcador do Sporting em 1960-61, 1963-64 e 1965-66.

A época de 1965-66 foi uma das melhores da sua carreira. Conquistou o título de Campeão Nacional e marcou 26 golos no Campeonato. Apesar da generalidade da imprensa lhe ter atribuído um golo num jogo em Alvalade com o Lusitano de Évora (5-0), o jornal A Bola considerou autogolo de Vital. Na verdade, perante a força do remate do sportinguista, o guarda-redes eborense tocou na bola, mas não conseguiu impedir que entrasse na baliza. Figueiredo e Eusébio ficaram ambos com 25 golos, e o benfiquista recebeu o troféu por ter menos jogos.

Perante a injustiça do jornal, os adeptos leoninos do Minho organizaram-se e mandaram fazer uma réplica da “Bola de Prata” que entregaram a Figueiredo quando o Sporting jogou em Braga para o Campeonato na época seguinte. A fotografia refere-se ao momento em que o avançado sportinguista recebeu o símbolo do melhor marcador de 1965-66.

publicado às 14:30

Fotografia com história dentro (248)

“O Tomé do Setúbal”

Leão Zargo, em 23.05.21

Lusitânia - Sporting Agosto 1970 estreia de F. To

O Sporting treinado por Fernando Vaz conquistou o título de campeão nacional em 1969-70 e, para a época seguinte, só fez duas contratações para posições específicas: Fernando Tomé, um dos melhores médios do futebol português, para o lugar de José Morais e Jaime Mosquera que tinha sido o melhor marcador da Primeira Liga Peruana.

A fotografia documenta a estreia de Fernando Tomé e o seu primeiro golo com a camisola sportinguista num jogo da pré-epoca frente ao SC Lusitânia (Delegação nº 14 do Sporting), em Agosto de 1970. Os leões de Portugal e dos Açores disputaram dois jogos que a casa-mãe venceu por 6-0 e 5-1. Tomé marcou quatro golos, dois em cada jogo, e o jornal A Bola considerou que ele teve “estreia auspiciosa” e previu que “corresponderá amplamente às esperanças dos dirigentes e adeptos leoninos”. O treinador-adjunto Mário Lino alinhou pelo seu antigo clube açoriano no primeiro jogo e Damas defendeu a baliza do Lusitânia no segundo jogo.

Fernando Tomé representou o Sporting em 139 jogos oficiais entre 1970 e 1976, tendo marcado 17 golos. Apesar de ser bem conhecido o seu sentimento vitoriano e considerado por todos uma das maiores referências do Vitória de Setúbal, o antigo jogador refere com orgulho o tempo que alinhou de leão ao peito, sendo assíduo participante nas redes sociais leoninas (por exemplo, Museu Sporting) ou de antigos companheiros de equipa.

Para além da sua componente competitiva, um clube de futebol constitui também um espaço vital de identificação social e cultural que é depositário da sua memória desportiva. Torna-se muito gratificante verificar como antigos jogadores encaram com genuíno apreço terem representado o Sporting, independentemente das suas preferências clubísticas. Esse facto também contribui para que o nosso Clube “seja tão grande como os maiores da Europa”!

publicado às 14:30

O Sporting joga amanhã…

Sporting - Marítimo, 19 de Maio de 2021, às 21h45

Leão Zargo, em 18.05.21

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Sporting e Marítimo defrontam-se amanhã para a 34ª jornada da 1ª Liga. No jogo entre as duas equipas na época passada, em Alvalade, os adeptos leoninos desesperaram perante o falhanço sucessivo de golos “feitos” e mais outros dois que o VAR anulou. Valeu Cristián Borja aos 76 minutos que aproveitou uma assistência de Jovane Cabral. Foi o jogo em que Luiz Phellype se lesionou gravemente, em 27 de Janeiro de 2020.

Não se pode ter tudo, mas devemos trabalhar para ter tudo, foi o pensamento que me ocorreu quando percebi a opção de Rúben Amorim para o jogo na Luz. Lançou Matheus Nunes e Daniel Bragança às feras, quis testá-los em alta voltagem, mas não correu bem. O treinador terá deixado uma mensagem clara para a estrutura leonina, ficaram à vista debilidades da equipa. Há que mudar o paradigma de conquistar o título esporadicamente e quando se analisam os pontos fortes e fracos do plantel sabe-se onde se deve e não deve mexer.

No entanto, isso da mensagem para a estrutura é uma parte da história e até pode não ser a mais importante, pois Rúben Amorim é assim mesmo. Considera que o medo da derrota come a confiança dos jogadores e ele não receia escolher quem treina com seriedade. Disse sempre que, num jogo, se os seus jogadores não fizeram mais o treinador é que tinha a culpa e que os deveria ajudar a melhorar. Dessa forma, procura libertar os seus atletas da pressão externa. E ganha a confiança deles, um líder assume sempre as responsabilidades.

Amanhã vamos fechar a época com chave de ouro. Depois, porque o passado já é bastante, avançamos para o futuro.

Na fotografia, Luiz Phellype em acção no Sporting - Marítimo em 2019-20. Infelizmente, lesionar-se-ia alguns minutos depois.

publicado às 03:49

Fotografia com história dentro (247)

O presidente, o tempo e a circunstância

Leão Zargo, em 16.05.21

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Frederico Varandas obteve 42,32% dos votos e foi eleito presidente do Sporting em 9 de Setembro de 2018 nas eleições mais concorridas de sempre com a participação de 22 400 sócios. Não teve o habitual “estado de graça”. Os apoiantes de Bruno de Carvalho nunca lhe deram descanso e o facto de João Benedito ter alcançado cerca de 1 100 votantes a mais ficou na memória de muitos. O Sporting é um clube autofágico, depois de Ribeiro Ferreira (1946 a 1953) não teve um presidente consensual para os adeptos.

Frederico Varandas foi posto em causa em diversos momentos. Perante o fracasso dos treinadores que contratou não conseguia ser claro, oportuno e convincente. Nos jogos em Alvalade foram frequentes as manifestações de contestação. Num clube como o Sporting o presidente não decide tudo, constitui equipas multidisciplinares nas diferentes estruturas nas quais delega competências e que respondem perante ele. O segredo da liderança está na escolha das pessoas certas para as diversas áreas.

Foi o que aconteceu, finalmente, com o triângulo Varandas - Viana - Amorim. Apesar de ser muito activo e sempre presente nos bastidores, o presidente deu todo o protagonismo a quem devia, mantendo-se longe dos holofotes. Esta fotografia pode constituir uma síntese extraordinária do grau de sucesso que alcança um modelo de governo do Sporting com práticas efectivas de exigência, organização e partilha de responsabilidades.

publicado às 14:30

Cumprimentos do título (1982-83)

Leão Zargo, em 15.05.21

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Os jogadores do Sporting cumprimentaram os do Benfica pela conquista do título de campeão nacional em 1982-83. Antes do início do jogo, no centro do relvado, o capitão Manuel Fernandes homenageou a equipa benfiquista e fez o elogio do desportivismo.

Aconteceu num dérbi lisboeta disputado em 29 de Maio de 1983, na penúltima jornada do campeonato. A situação repete-se agora em 15 de Maio de 2021, alterando-se apenas o clube que conquistou o título de campeão nacional. Como é que vai ser?

publicado às 12:30

O Sporting joga amanhã…

Benfica - Sporting, 15 de Maio de 2021, 18h00

Leão Zargo, em 14.05.21

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O Sporting e o Benfica defrontam-se amanhã para a 33ª jornada da 1ª Liga. Em 2019-20, na Luz, os encarnados venceram por 2-1 graças a um golo de Carlos Vinícius perto do fim. Foi um jogo de grande intensidade competitiva com domínio sportinguista na 2ª parte, e alguns momentos mais quentes de ambos os lados, que relegou os leões para o 4º lugar da classificação por troca com o SC Braga que nessa jornada venceu o FC Porto.

O Sporting regressa à Luz numa situação que nem o mais optimista dos seus adeptos imaginaria no princípio da época: como o campeão nacional. Por terem uma equipa em construção, os leões apresentaram-se como um “outsider” e tiveram sucesso graças a ingredientes teoricamente fáceis, mas de complexa execução: foco em cada jogo, encarado com paixão e responsabilidade, sempre com mentalidade competitiva, e um futebol com intensidade e movimentação definida, organização defensiva e ofensiva numa dinâmica viva e eficiente, em que cada jogador sabe o que tem de fazer lá dentro. Johan Cruyff dizia que “o futebol é um jogo simples, mas é difícil jogá-lo de forma simples”. O Sporting de Rúben Amorim alcançou, em várias jornadas da prova, esse patamar.

Um Benfica-Sporting é como um encadeamento de histórias, de muitas histórias dentro de outras histórias, numa narrativa intemporal. É sempre um jogo especial, em que há muito a ganhar por cada um dos contendores. O jogo de amanhã não foge a essa regra. Os nossos adversários têm dois grandes objectivos, o dérbi e a final da Taça de Portugal, e disso vai depender muito a avaliação da época que realizaram. No nosso caso, há a responsabilidade própria de quem veste de leão ao peito e porque pretendemos continuar invencíveis e conquistar o feito inédito da invencibilidade num campeonato com dezoito clubes.

Na fotografia, imagem do Benfica - Sporting disputado em 2019-20.

publicado às 13:25

O Sporting joga amanhã…

Sporting - Boavista, 11 de Maio de 2021, 20h30

Leão Zargo, em 10.05.21

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O Sporting defronta amanhã o Boavista para a 32ª jornada da 1ª Liga. Na época passada, no Estádio de Alvalade, os leões venceram por 2-0, com golos de Andraž Šporar e Gonzalo Plata. O jovem equatoriano esteve em grande destaque com uma assistência e um golo antes da viagem da equipa sportinguista para uma eliminatória de má memória com o Istambul Başakşehir. A última vez que o Boavista venceu para o campeonato em Alvalade foi em 4 de Janeiro de 1976.

No futebol, como em quase tudo na vida, é demorado construir, mas também se destrói rapidamente. A actual equipa sportinguista começou a ser burilada por Rúben Amorim em Março de 2020. Ou melhor, laboriosamente burilada, com conta, peso e medida. Dizia Nelson Rodrigues que “no futebol o pior cego é aquele que só vê a bola”. O treinador não pode ver só a bola. O futebol é mais, muito mais, do que o momento do jogo. Exige estudo, planeamento, intuição e intervenção. E conhecimento associado à inteligência, saber como agir em determinação situação por mais adversa que seja. 

Todos conseguimos prever como é que a nossa equipa se vai apresentar frente ao Boavista. Na verdade, possui uma qualidade insuperável que se chama identidade que decorre de uma ideia de jogo muito forte assente em boas dinâmicas defensivas e ofensivas. Esta época, no campeonato, nunca se viu a equipa leonina sem organização, perdida em campo. O futebol é um desporto colectivo, por isso é um jogo de rotinas, a rotina é essencial. Ter identidade colectiva revela a excelência do trabalho feito por Rúben Amorim e constitui um princípio básico para alcançarmos amanhã a vitória que abrirá as Portas da Alegria.

Na fotografia, Plata em acção no Sporting 2 - Boavista 0 disputado em 2019-20.

publicado às 03:34

Fotografia com história dentro (246)

SCB - SCP, 2020-21, minuto 81!

Leão Zargo, em 09.05.21

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Um tempo é todos os tempos. Não antecipa só o futuro. Recicla todos os passados.” Eduardo Lourenço

Num jogo do Sporting, na decisão audaz do futebolista ou na trajectória inimaginável da bola, para além de toda a perícia técnica, para além do génio artístico, há sempre algo do real que pulsa e que permanecerá indelével no nosso imaginário sportinguista. Foi assim no Braga - Sporting, em 25 de Abril de 2021, ao minuto 81, quando, assistido por Pedro Porro, Matheus Nunes desenhou numa folha de papel A4 um remate certeiro e redentor.

A imagem captada pela máquina fotográfica revela o lugar do acontecimento e origina uma percepção invulgar da emoção pois cativa toda a atmosfera do momento. Mais do que um instante ou um fragmento da realidade, aquele é um fio invisível que reúne as diversas gerações leoninas. No gesto de Matheus Nunes condensa-se grande parte da identidade sportinguista porque nele imagina-se o futuro. Uma imagem, um século de História!

publicado às 14:30

Espaço Memória Albano Narciso Pereira

Leão Zargo, em 08.05.21

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O Espaço Memória Albano Narciso Pereira, no Seixal, que será inaugurado hoje às 16h00, constitui uma invulgar história de amor. As peripécias relacionadas com a construção, o envolvimento dos sportinguistas, a colaboração da Câmara Municipal do Seixal e a festa da sua inauguração revelam-se como um caso sério próprio de loucos apaixonados.

Tendo como referência o “violino” Albano, que nasceu no Seixal, será a sede do Núcleo sportinguista local e pode ser utilizado para exposições, iniciativas e eventos de âmbito desportivo, cultural e social. Terá uma área de esplanada na frente ribeirinha. O projecto inclui um Museu com um espólio que visa pesquisar, salvar e guardar documentos de vária ordem sobre o Sporting Clube de Portugal e os seus atletas, dirigentes e adeptos.

Trata-se de uma obra de elevado valor simbólico e histórico que não seria possível sem a colaboração do Município que cedeu um edifício na zona antiga da cidade e que implicou importantes trabalhos de remodelação. O investimento total da autarquia foi de 629 mil euros. O Espaço Memória Albano Narciso Pereira, na Rua Paiva Coelho nº 32, pode ser visitado e fica numa localização privilegiada em frente à bela baía do Seixal.

publicado às 14:30

O Sporting joga amanhã…

Rio Ave - Sporting, 5 de Maio de 2021, 21h15

Leão Zargo, em 04.05.21

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O Sporting defronta amanhã o Rio Ave para a 31ª jornada da 1ª Liga. Na época passada, em Vila do Conde, verificou-se um empate (1-1) no desafio entre os dois clubes. Os leões fizeram um jogo sofrível, uma das piores exibições da época, encaixaram um golo logo aos 2 minutos e o melhor que conseguiram foi uma igualdade através de Jovane Cabral de grande penalidade aos 84 minutos. Estava-se a meio do mês de Fevereiro e aproximava-se o fim do tempo de Jorge Silas como treinador sportinguista.

Amanhã, a partida em Vila do Conde é aguardada com grande expectativa pelos adeptos leoninos. Vencendo, o Sporting pode aguardar de forma privilegiada pelo Benfica - Porto, mesmo sabendo que o título de campeão ainda não ficará decidido. Mas poderá clarificar muita coisa. Entre nós, o protagonismo tem de ser para atletas, treinadores e restantes profissionais ligados à estrutura do futebol. Até porque o jogo será difícil, o Rio Ave vai procurar explorar a ansiedade sportinguista, e possui jogadores para isso, tecnicistas e rápidos nas transições.

Apesar da significativa vantagem pontual, é grande a pressão sobre os leões. Nada está ganho, o momento é de ir à luta e de conquistar o título de campeão nacional que nos foge há tanto tempo. Chegados aqui, as dificuldades são motivações, os desafios oportunidades e a superação física e emocional o passaporte para a vitória. Sendo imprevisível, o futebol é um jogo em que a sorte pode constituir um factor determinante. Nada pode ser deixado ao acaso, o momento é de abdicar das conquistas individuais em benefício dos objectivos da equipa. Como Rúben Amorim sublinhou “agora falta tão pouco, mas ainda falta muito”

Na fotografia, Jovane Cabral marca a grande penalidade no Rio Ave - Sporting disputado em 2019-20.

publicado às 16:00

Fotografia com história dentro (245)

Uma equipa (quase) perfeita

Leão Zargo, em 02.05.21

SCP 1981-82 jogo com Red Boys foto Alfredo Cunha.j

A equipa leonina de 1981-82 é uma das melhores de sempre do Sporting. A época anterior tinha sido desastrosa, e o presidente João Rocha considerou que para o cargo de treinador teria de haver uma decisão inesperada e ousada. Tendo falhado a intenção de contratar José Maria Pedroto, seguiu uma sugestão de John Mortimore e foi buscar Malcolm Allison. O plantel era muito forte, a Manuel Fernandes, Jordão, Eurico, Carlos Xavier, Mário Jorge, Inácio, Ademar, Freire e Nogueira, acrescentou António Oliveira e Mészáros.

Os métodos de treino, a filosofia de jogo e a cultura desportiva de Allison deram “asas” ao triângulo ofensivo formado por Oliveira, Manuel Fernandes e Jordão. Atrás deles havia um meio campo operário e uma defesa de betão. Do treinador contaram-se inúmeras histórias, fascinantes, umas, inverosímeis, outras. Houve quem falasse de conflitos de egos entre as três estrelas da equipa, mas o Sporting conquistou o Campeonato e a Taça. Em Alvalade, o ambiente era vibrante. O Estádio estava sempre cheio.

Na pré-época de 1982-83, João Rocha cometeu talvez o maior erro da sua gestão ao despedir “Big Mal” durante o estágio na Bulgária. Um caso nunca esclarecido que originou grande instabilidade na equipa de futebol. O presidente suspendeu o técnico, despediu-o pouco depois, e António Oliveira foi escolhido para treinador-jogador. Depois de ter conquistado a sua quinta “dobradinha”, o Sporting iniciou a fase que o conduziria a um longo jejum de títulos no Campeonato Nacional.

Na fotografia, a equipa leonina que venceu o Red Boys (Luxemburgo) por 4-0 em Alvalade para a Taça UEFA.

publicado às 14:30

O Sporting joga amanhã…

Sporting - Nacional, 1 de Maio de 2021, às 20h30

Leão Zargo, em 30.04.21

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O Sporting e o Nacional defrontam-se amanhã para a 30ª jornada da 1ª Liga. No jogo entre os dois clubes na época de 2018-19, em Alvalade, os leões venceram por 5-2, mas o resultado, assim tão expressivo, não revela o que se passou no relvado. Os madeirenses chegaram a estar a ganhar por 2-0, Bas Dost reduziu aos 35 minutos, Bruno Fernandes fez o 2-2 aos 70 minutos e Mathieu, finalmente, “virou” o marcador aos 75 minutos. Os outros dois golos leoninos, de novo por Bas Dost e Bruno Fernandes, aconteceram nos instantes finais da partida.

Na primeira meia hora do jogo com o Nacional na época de 2018-19, o Sporting foi menos assertivo e chegou a passar um mau bocado. Valeu o vendaval de bom futebol ofensivo que depois varreu Alvalade e que culminou num triunfo robusto. Amanhã, logo de início, os sportinguistas esperam que se verifique a intensidade e a inspiração da 2ª parte. Max vai jogar e acredito que conseguirá lidar bem com a pressão. A vida exige uma aprendizagem constante e um guarda-redes tem de aproveitar cada oportunidade como se fosse a última. Faz parte do seu crescimento. Com ele na baliza vamos ter a segurança defensiva habitual.

Superado com galhardia e honra o obstáculo na Pedreira, o Sporting continua a depender apenas de si. Com o Nacional trata-se de outra final, depois ainda ficam a faltar quatro finais. Os jogadores leoninos sabem que não existem “poções mágicas” e que no campo, dentro das quatro linhas, só vencem se forem audazes e se deixarem lá o corpo e a alma. Séneca afirmou que “a coragem conduz às estrelas, o medo à morte”. Mais do que uma simples virtude, a coragem é a atitude de quem tem consciência do seu próprio valor, é ela que conduz à vitória.

Na fotografia, Mathieu remata para o golo no Sporting - Nacional disputado em 2018-19.

publicado às 15:00

Fotografia com história dentro (244)

Jesus Correia a avançado-centro

Leão Zargo, em 25.04.21

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Sándor Peics ingressou no Sporting na temporada de 1949-50, herdando de Cândido de Oliveira uma equipa campeã nacional, mas sem Peyroteo que abandonou o futebol no início da época. O treinador húngaro utilizava um sistema táctico muito em voga naquela altura, conhecido por WM, onde o avançado-centro estava sujeito a uma marcação cerrada pelo defesa central.

Considerando a importância do avançado-centro, o seu maior desafio foi encontrar um substituto para Peyroteo, e começou por experimentar Rola (substituiu o “Bombardeiro” no jogo de despedida) e Mário Wilson que possuíam o perfil clássico do nº 9: muito fortes fisicamente e com um remate fácil e potente. No entanto, Peics pretendia para o lugar um jogador tecnicista e versátil que confundisse as marcações duras e impiedosas.

Jesus Correia era uma dor de cabeça para os defesas adversários. Com uma velocidade e técnica estonteantes, uma imaginação constante, um remate forte e colocado e um invulgar instinto para o golo, jogava normalmente na posição de extremo-direito. Peics deslocou-o para o eixo do ataque na fase final do Campeonato Nacional, tendo participado em quatro jogos (Benfica, Académica, O Elvas e Vitória de Guimarães).  

Nesses jogos, Jesus Correia correspondeu às expectativas do seu treinador, marcou 9 golos e os leões venceram sempre. Randolph Galloway, na época seguinte, voltou a utilizá-lo como avançado-centro, mas seria João Martins a afirmar-se nessa posição. “Necas” voltou ao lugar de extremo direito, mas os 159 golos que marcou em 208 jogos oficiais revelam bem a sua veia goleadora.

Na fotografia, a equipa do Sporting que defrontou o Vitória de Guimarães no Estádio do Lumiar em 7 de Maio de 1950. Jesus Correia jogou a avançado-centro.

Em cima - Manuel Marques (enfermeiro-massagista), Octávio Barrosa, Manuel Passos, Juca, Veríssimo, Sándor Peics (treinador), Canário, Fernando Vaz (adjunto) e Azevedo;

Em baixo - João Martins, Vasques, Jesus Correia, Travassos e Albano.

publicado às 15:30

O Sporting joga amanhã…

Braga - Sporting, 25 de Abril de 2021, 20h00

Leão Zargo, em 24.04.21

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O Sporting e o Braga defrontam-se amanhã para a 29ª jornada da 1ª Liga. Em 2019-20, na Pedreira, os bracarenses venceram por 1-0 com um golo de Francisco Trincão que tinha entrado em campo poucos minutos antes. Com esta vitória, a equipa treinada por Rúben Amorim ascendeu ao terceiro lugar da classificação. O Sporting, pela primeira sem Bruno Fernandes por se ter transferido para o M. United, não teve arte e engenho frente à baliza adversária. Foi um jogo de grande intensidade competitiva e com alguns momentos mais quentes de ambos os lados.

Amanhã na Pedreira, não é para jogar bonito, mas o nosso futebol tem de ser positivo e jogado com paixão, energia e inspiração. O resultado está por decidir, a imprevisibilidade torna o futebol excitante e faz com que cada jogo seja um acontecimento irrepetível. A pressão, a vontade de ganhar e a angústia de perder é igual para todos. Ninguém nasce ensinado, o trabalho vem de trás, desde a pré-época, deu frutos, e agora há que terminá-lo da melhor maneira. Até ver, somos os melhores da Liga. E queremos continuar a ser os melhores. Confiança e união.

O campeonato está na sua fase decisiva para todas as equipas e cada ponto a mais ou a menos é precioso. No caso do Sporting, para além da juventude do plantel, temos os nossos fantasmas, mas os outros também os têm. Como escreveu o Julius Coelho “não existe nenhuma equipa que não tenha os seus momentos de quebra e é precisamente nesses momentos que os campeonatos do futebol português se decidem”. Na hora da verdade, é obrigatório olhar em frente mais do que lamentar o passado, de ter galhardia, de fazer as correcções necessárias. Depois de corrigido o que falhou, não conseguirá vencer quem ficar preso aos erros passados.

Na fotografia, imagem do Braga - Sporting disputado em 2019-20.

publicado às 15:00

O Sporting joga amanhã…

Sporting - B-SAD, 21 de Abril de 2021, 21h15

Leão Zargo, em 20.04.21

Sporting - B-SAD 1ª liga 2019-20.jpg

O Sporting defronta amanhã o B-SAD para a 28ª jornada da 1ª Liga. Na época passada, em Alvalade, os leões venceram por 2-0 com dois golos de Vietto. A equipa sportinguista passou por grandes dificuldades, Jorge Silas no decurso do jogo substituiu Neto por Rafael Camacho e transformou o 3x4x3 em 4x3x3, mas o futebol leonino não melhorou por aí além, valendo o engenho do avançado argentino. Nas bancadas ouviu-se contestação ao presidente Frederico Varandas. O resultado foi melhor do que a exibição no dia da estreia de Rodrigo Fernandes.

Esta época voltámos a sentir orgulho e gosto de ver a equipa de leão ao peito a entrar em campo. Mas, apesar da confiança nos nossos jogadores e da vantagem de seis pontos na classificação, tantos anos de falta de liderança, de contratações duvidosas e de exibições miseráveis tornaram os sportinguistas descrentes e receosos. Como S. Tomé, ver para crer. O Sporting possui muito mais do que uma equipa bem organizada e talentosa, mas não pensamos qualquer coisa em qualquer sítio. O sítio em que estamos determina aquilo que pensamos. É o caso de Alvalade.

O jogo com o B-SAD constitui mais um teste difícil para o Sporting. Petit consegue que a sua equipa vá somando pontos e tenha uma posição relativamente confortável na tabela da classificação à custa de um futebol superdefensivo com marcações individuais bastante agressivas. É a equipa que marcou menos golos (17) na prova, mas também sofre poucos (24), apenas Sporting e Benfica é que consentiram menos. É fácil imaginar a disposição táctica dos nossos adversários, mas nós lideramos a competição e temos argumentos para vencer e convencer.

Na fotografia, Vietto já rematou para o primeiro dos seus dois golos no Sporting - B-SAD disputado em 2019-20.

publicado às 13:15

Fotografia com história dentro (243)

O último jogo de Hilário!

Leão Zargo, em 18.04.21

SCP VFC Final da Taça de Portugal 1973.jpg

Hilário da Conceição terminou a sua carreira de leão peito com chave de ouro no Jamor no dia 17 de Junho de 1973. Entrou para o lugar de Dinis a dez minutos do fim do jogo da final da Taça de Portugal, em que o Sporting derrotou o Vitória de Setúbal por 3-2. No momento da entrega da troféu, juntou-se aos dois capitães de equipa, Vítor Damas e José Mendes, e foi ele que exibiu a taça aos espectadores presentes no Estádio. Tratou-se do reconhecimento público do jogador que interpretou de forma perfeita o jogo de posição e de marcação e de posse da bola.

No futebol está tudo delimitado pelo tempo e pelo espaço. Hilário pertence a um grupo restrito de jogadores excepcionais que representaram o Sporting Clube de Portugal. Vestiu a camisola leonina durante quinze temporadas (de 1958 até 1973), participou em quase quinhentos jogos oficiais e conquistou por três vezes o Campeonato Nacional e a Taça de Portugal, para além da Taça dos Vencedores das Taças. Em 1965 recebeu o prémio Stromp na categoria Atleta Profissional.

publicado às 14:30

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