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Fotografia com história dentro (117)

Leão Zargo, em 14.10.18

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Manuel Marques, o Manuel do Lenço

 

Cada um de nós tem o tamanho dos seus sonhos e Manuel Marques acalentou desde muito jovem o ideal de brilhar com a camisola do leão rampante. Chegou ao Sporting em 1932, com quinze anos de idade, para jogar nos principiantes. Em 1934 foi campeão de Lisboa em segundas categorias e estreou-se na equipa principal em Março de 1936, jogando a extremo-direito num jogo com o Belenenses. Depois, jogaria como médio e como defesa.

 

Para além de Manecas, chamaram-lhe Manuel do Lenço. A mãe cansada de o ver chegar a casa ferido pelos campos pelados, ofereceu-lhe um lenço branco para limpar o sangue dos ferimentos. Usou-o sempre preso à cintura imaculadamente branco. No final do Jogo de Despedida, em 5 de Outubro de 1950, Manuel do Lenço explicou a origem desse hábito:

 

“Quando comecei a dar os primeiros pontapés, a velhota, como aparecia muitas vezes com os joelhos esfolados, deu-me um lenço branco para limpar os ferimentos. Devo, no entanto, acrescentar que até hoje nunca me servi dele, conservando-o sempre como talismã. Todos os anos, no começo da época, recebia um lenço novo, branco como a neve, que a minha mãe me enviava.”

 

Manecas é um dos grandes capitães da História do Sporting, jogou ao lado dos Cinco Violinos e é o segundo jogador do Clube com maior número de títulos conquistados (19), só ultrapassado por Azevedo. Venceu o Campeonato de Portugal (2 vezes), o Campeonato Nacional (5), a Taça de Portugal (4) e o Campeonato de Lisboa (8). Permaneceu no Clube até 1950 e envergou a camisola leonina em 351 jogos (equipa principal). Apenas Hilário, Damas, Manuel Fernandes, Azevedo e Oceano vestiram mais vezes do que ele.

 

Manuel Marques disse adeus da sua longa e brilhante carreira desportiva no Jogo de Despedida, no Lumiar, que colocou o Sporting e o Benfica frente a frente. O Sporting venceu por 8-1 e, nesse dia, utilizou o lenço branco que a mãe lhe oferecera. Foi para limpar as lágrimas quando explicou a origem do seu talismã.

 

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publicado às 13:17

Fotografia com história dentro (116)

Leão Zargo, em 07.10.18

 

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Com o fim da 2ª Guerra Mundial voltaram a disputar-se os jogos de futebol internacionais que envolviam os clubes europeus e sul americanos. Os meses de Junho e de Julho era a altura em que normalmente se disputavam esses encontros. Os brasileiros do Vasco da Gama realizaram uma digressão à Europa em Junho de 1947, e em Portugal defrontaram o Sporting, o campeão nacional, e uma selecção que se chamou "B.S.B." por ser constituída só por jogadores do Benfica, Sporting e Belenenses. Os leões estavam em larga maioria na convocatória.

 

Os vascaínos venceram por 4-3 o jogo com a selecção B.S.B. e, segundo Tavares da Silva, fizeram recordar os argentinos do S. Lorenzo de Almagro, que estiveram em Portugal pouco tempo antes, pela grande qualidade técnica dos jogadores e pela forma como se movimentaram no campo.

 

Numa crónica na revista Stadium (nº 237, 18 de Junho de 1947), realçou as mudanças de velocidade na execução das jogadas, como os interiores recuavam para fugir às marcações dos adversários, o exímio jogo de cabeça dos avançados ou como os defesas evitavam os chutos para a frente, procurando sair com a bola dominada em contra-ataque.

 

No entanto, deve-se salientar que o Campeonato Nacional tinha terminado dois dias antes e os jogadores portugueses revelaram grande fadiga na segunda parte. Aliás, uma equipa do Sporting venceu a do Vasco do Gama por 3-2 alguns dias mais tarde.

 

Na fotografia a selecção "B.S.B." que defrontou o Vasco da Gama em 1947, com a inscrição no galhardete de "Selecção Benfica, Sporting e Belenenses":

 

Em cima - Amaro, Moreira, Vasco, Feliciano, Serafim e Azevedo;

Em baixo - Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano.

 

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publicado às 13:05

 

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A equipa sub 23 do Sporting viajou até Vila do Conde para defrontar a do Rio Ave em jogo da Liga Revelação (8ª jornada). Se vencesse, o Sporting ascenderia ao segundo lugar da classificação.

 

O jogo foi equilibrado até aos 66 minutos quando, com o resultado em 2-2, Kiki derrubou Jaime Pinto que se isolava e o árbitro mostrou-lhe o cartão vermelho. Na marcação do livre directo, os vilacondenses passaram para a frente do marcador, exploraram com eficácia o facto de terem mais um jogador em campo e voltaram a marcar dez minutos depois.

 

Com a entrada de Pedro Marques, Mees de Witt e Euclides a equipa leonina passou a jogar mais no meio campo adversário, no entanto Tiago Djaló fez penalti nos últimos instantes da partida, também viu a cartolina vermelha e o Rio Ave marcou mais um golo.

 

O resultado de 5-2 é demasiado pesado para os jogadores leoninos e não corresponde ao que se passou durante o jogo. Mas, revela que a equipa não foi capaz de se organizar e posicionar no terreno de forma a minimizar o facto de ter menos uma unidade em campo.

 

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Pelo Sporting alinharam os seguintes jogadores: Vladimir Stojkovic, Thierry Correia, Tiago Djaló, Kiki Kouyaté, Abdu Conté, Daniel Bragança, Tomás Silva, Dimitar Mitrovski, Paulinho, Marco Túlio e Diogo Brás. No decurso do jogo entraram João Silva, Pedro Marques, Mees de Witt e Euclides.

 

Os golos leoninos foram marcados por Dimitar Mitrovski (17 minutos) e Daniel Bragança (54 minutos).

 

Com esta derrota, o Sporting continua com 13 pontos e está classificado no 6º lugar. Na próxima jornada, o Estoril Praia joga na Academia de Alcochete.

 

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publicado às 18:32

Fotografia com história dentro (115)

Leão Zargo, em 30.09.18

 

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Libânio Avelar

 

Libânio Avelar chegou ao Sporting no Verão de 1961 com 31 anos de idade. Octávio de Sá tinha regressado a Moçambique, o brasileiro Aníbal Saraiva não convencera, e os leões procuravam um guarda-redes muito mais experiente e seguro para disputar a baliza ao jovem Carvalho. Era um guardião com muita tarimba, com longa carreira na CUF (oito anos e Campeão Nacional da 2ª Divisão) e no Vitória de Setúbal (quatro anos).

 

Libânio Avelar permaneceu quatro épocas em Alvalade e assumiu-se sempre como uma alternativa válida a Carvalho, a quem nunca deu descanso. De tal forma que o treinador Juca deu-lhe a titularidade nas três últimas jornadas do Campeonato Nacional quando Sporting e FC Porto estavam com os mesmos pontos no topo da classificação. No último jogo da competição, decisivo para a atribuição do título, houve dérbi com o Benfica bicampeão europeu, Libânio é que defendeu a baliza sportinguista, os leões venceram por 3-1 e foram os campeões nacionais. Foi o primeiro jogo de Eusébio em Alvalade.


O futebol não é uma ciência exacta, mas existem coisas exactas no futebol. Na fase crucial do Campeonato, Juca confiou num guarda-redes imperturbável, mesmo nas situações de maior pressão ofensiva dos jogadores adversários, que transmitia grande confiança aos companheiros de equipa. Apesar de ser “baixote” (tinha 1,78 de altura), Libânio era seguro entre os postes e eficaz nas saídas destemidas da baliza. Na verdade, foi um bom guarda-redes do nosso futebol nas décadas de 1950 e 1960, um dos melhores numa segunda linha logo a seguir aos habituais titulares dos principais clubes portugueses.

 

No futebol as grandes vitórias também se alcançam com jogadores que parecem normais, que não são considerados excepcionais. Ao treinador compete impor uma visão comum, colectiva, que faça com que cada jogador se supere, que se torne indispensável. Foi o que se passou em 1961-62 com um plantel sobre o qual Otto Glória chegou a dizer, antes de ser demitido pela direcção sportinguista, que “sem ovos não se fazem omeletas”. Essa visão comum é também o combustível que conduz ao sucesso.

 

Na fotografia, Libânio está rodeado por adeptos leoninos que festejam o título no final do jogo com o Benfica em 27 de Maio de 1962.

 

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publicado às 13:30

Marco Túlio em destaque nos Sub 23

Leão Zargo, em 28.09.18

 

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O Sporting - Portimonense disputado na terça-feira para a 7ª jornada da Liga Revelação correu muito bem aos leões (vitória por 4-1) e, em particular, ao brasileiro Marco Túlio que marcou dois golos e foi um dos dinamizadores do bom jogo ofensivo da equipa verde e branca. O seu futebol tecnicista, apoiado, envolvente, normalmente a partir da esquerda, possibilitou grande controlo de bola no meio campo algarvio e um número crescente de jogadas perigosas perto da grande área adversária.

 

Marco Túlio nasceu em 1998 e foi contratado pelo Sporting ao Atlético Mineiro em 2018. O passe desportivo custou 900 mil euros, tendo sido deduzido na dívida de 1,5 milhões de euros do clube brasileiro ao Sporting em virtude da contratação em 2017 do então sportinguista Elias. É internacional sub 17 (participou em cinco jogos na vitória do Brasil no Sudamericano Sub 17 em 2015) e conquistou o título de Campeão Mineiro em 2017. Realizou oito jogos na equipa principal do Atlético.

 

Marco Túlio chegou a Portugal em Abril de 2018, ainda a tempo de participar na vitória (7-1) do Sporting B sobre a Selecção de Macau, na digressão à China, e marcar um golo e fazer uma assistência para outro. O treinador José Lima reconhece-lhe qualidades importantes pois esteve presente nas sete jornadas da Liga Revelação, cinco vezes como titular e duas como suplente utilizado, como ala ou médio ofensivo. É um dos executantes dos lances de bola parada, nomeadamente livres directos. Marcou três golos, um ao Vitória de Setúbal e dois ao Portimonense. 

 

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publicado às 12:55

 

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Agostinho Cá fez parte importante da sua formação na Academia de Alcochete (entre os 16 e os 19 anos), mas no Verão de 2012 transferiu-se para o Barcelona B, juntamente com Edgar Ié. O clube catalão superou a concorrência do Inter de Milão e pagou 2,5 milhões de euros pela contratação dos dois jovens jogadores.

 

Em 2012, Agostinho Cá era um médio muito promissor, internacional sub 17 e sub 19, e que se tinha destacado no torneio NextGen Series, que seria substituído pela prova UEFA Youth League. Jogava a médio defensivo, exímio recuperador de bolas e com grande inteligência posicional, foi alcunhado de “Deschamps” e comparado a Makelelé. No Sporting foi campeão nacional em 2011-12 e fez parte de uma das melhores gerações de futebolistas formados em Alcochete, juntamente com João Mário, Bruma, Iuri Medeiros, Carlos Mané, Ricardo Esgaio, Rúben Semedo, Tiago Ilori, Tobias Figueiredo e Alexandre Guedes, entre outros.

 

O contrato de Agostinho Cá terminava em 2013 e não quis renovar com o Sporting. Paulo Rodrigues, o seu empresário, andava numa roda viva anunciando clubes interessados no jogador. Falava, como se fosse a coisa mais natural do mundo, em Barcelona, Juventus, AC Milan, Inter e Atlético Madrid. O futuro era dourado, de certeza. No entanto, no Barcelona B em 2012-13 realizou apenas quatro jogos incompletos, foi emprestado ao Girona para jogar onze minutos e na época seguinte voltou a ser cedido, desta vez ao Lleida Esportiu, mas nunca jogou. Esteve sem clube durante alguns meses, chegou a fazer testes no Parma, em 2017 foi para o Stumbras, da Lituânia, e em 2018 para o Cova da Piedade. No sábado reparei no nome dele na ficha de jogo com o Sporting sub 23.

 

Agostinho Cá tem 25 de idade e ainda está a tempo de conseguir algum destaque como futebolista. Mas, se nos recordarmos do tempo em que o nome dele era associado ao de Deschamps e de Makelelé, percebe-se o que pode acontecer a jovens jogadores e a pais com as cabeças cheias de promessas aliciantes de carreiras de sonho e camiões carregados de dinheiro. É que eles eram apenas jovens promessas do futebol, e esqueceram-se disso.

 

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publicado às 18:14

Fotografia com história dentro (114)

Leão Zargo, em 23.09.18

 

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O escultor e futebolista Francisco dos Santos

 

Francisco dos Santos (nasceu em 1878) jogou futebol na linha avançada do Grupo da Casa Pia de Lisboa e do Sport Lisboa, e terá sido o primeiro português a integrar o plantel de um grande clube no estrangeiro. Estudou nas escolas de Belas Artes de Lisboa e de Paris, e prosseguiu em Roma os estudos de Escultura, com uma bolsa “Visconde de Valmor”. Foi nesta altura que, como médio, alinhou na equipa principal da Lazio entre 1906 e 1908.

 

Em Dezembro de 1908 Francisco dos Santos regressou a Portugal para jogar no Sporting e dedicar-se à escultura e à pintura. Alinhou primeiro a avançado e depois a médio, ao lado de Francisco e António Stromp, de António Couto, de João Bentes e dos irmãos Catatau, entre outros. Como artista destacou-se na escultura, e, entre muitas obras, é o autor do busto feminino oficial da República portuguesa e foi o escultor principal do monumento ao Marquês de Pombal, em Lisboa. Está representado no Museu do Chiado, em Lisboa, com as esculturas “Crepúsculo” e “Salomé”.

 

No livro “Sporting Clube de Portugal: Uma história diferente”, Marina Tavares Dias escreveu o seguinte sobre Francisco dos Santos: “O monumento ao Marquês de Pombal, por ele concebido, vai ficar também, e para sempre, ligado ao clube do seu coração. Porque em ambos o leão representa a coragem, a serenidade e a força. No estilo dos grandes campeões.” O arquitecto António Couto, companheiro de equipa de Francisco Santos, e Adães Bermudes também foram autores do projecto do monumento ao Marquês de Pombal.

 

´´´A fotografia apresenta Francisco dos Santos no seu ateliê junto da cabeça da estátua do Marquês de Pombal. Atrás, numa prateleira, está uma réplica do busto feminino oficial da República portuguesa.

 

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publicado às 13:00

Fotografia com história dentro (113)

Leão Zargo, em 16.09.18

 

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Os últimos golos de Peyroteo

 

A dimensão mítica de Fernando Peyroteo no imaginário dos sportinguistas não se compara com mais nenhum jogador de futebol. Essa dimensão mítica decorre do seu currículo excepcional, dos títulos conquistados, do número de jogos realizados, dos golos marcados, das internacionalizações conseguidas e dos admiráveis feitos desportivos. E pelo facto dos seus méritos terem sido obtidos nos campos de futebol, verdadeiro arquivo da memória de muitos milhões de adeptos, um reflexo da imagem do espaço social e cenário da existência individual e colectiva.

 

De forma algo inesperada, Peyroteo decidiu abandonar o futebol de competição e marcou a sua Festa de Despedida para 5 de Outubro de 1949. No entanto, ainda participou nos jogos da Taça de Preparação, organizada pela Associação de Futebol de Lisboa, que se realizaram no mês anterior. Foi nesse torneio que marcou os seus últimos golos com a camisola leonina, e logo um “póquer” num 4-0 ao Belenenses (4 de Setembro) e um “hat-trick” numa significativa vitória por 8-0 frente ao Oriental (11 de Setembro). No comentário ao jogo nas Salésias, o jornalista Manuel Mota escreveu na revista Stadium (nº 353, de 7 de Setembro) que “Peyroteo, como que a preparar a sua festa de homenagem, marcou os quatro golos. Proeza de vulto, mesmo num jogador que já nos habituou a feitos idênticos”. E concluiu afirmando que “Peyroteo faz falta”.

 

Peyroteo participou em quatro jogos da Taça de Preparação, apenas não alinhou no último com o Estoril Praia disputado em 2 de Outubro. O Sporting tinha vencido as quatro partidas, já era o detentor virtual do troféu, e Rola é que alinhou no lugar de avançado-centro no Campo da Amoreira. Como a Taça de Preparação não era considerada uma competição oficial, a época de 1949-50 não está incluída na carreira do “bombardeiro” com a camisola verde e branca.

 

***A fotografia refere-se ao jogo do “hat-trick” com o Oriental e foi capa da Stadium (nº 354, de 14 de Setembro).

 

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publicado às 14:18

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As recentes eleições para os Órgãos Sociais do Sporting Clube de Portugal trouxeram de novo para o debate o número de votos que é atribuído a cada associado. A eleição de Frederico Varandas foi reconhecida como legítima e inquestionável, mas logo algumas vozes se fizeram ouvir garantindo que foram os “velhos” que lhe deram a vitória. Nada mais errado. Basta consultar os cadernos eleitorais para concluir que o sector de votantes que tem um peso decisivo no resultado eleitoral é aquele que possui entre quinze anos e quarenta e quatro anos de sócio. Por outro lado, pela lei da vida, é incomparavelmente superior o total do número de votos dos associados com cinco a treze anos de pagamento de quotas do que dos que são chamados eufemisticamente de “velhos” (com sessenta ou mais anos de pagamento de quotas).

 

Até 1947 os dirigentes leoninos eram eleitos em Assembleia Geral, correspondendo um voto a cada sócio. Na revisão estatutária de 1947 foi criado um Conselho Geral que passou a ter a competência de indigitar os presidentes da Assembleia Geral, da Direcção e do Conselho de Fiscalização, Contencioso e Sindicância, que depois seriam ratificados pelos sócios em Assembleia Geral. No essencial, até 1981, mesmo com a substituição do Conselho Geral pelo Conselho Leonino em 1968, foi esse o regime eleitoral que vigorou. Nos Estatutos de 1968 ficou consagrado o princípio de diferenciação entre os sócios de acordo com a antiguidade e o tipo de quota.

 

O presidente João Rocha fez aprovar na Assembleia Geral de 11 de Setembro de 1981 uma importante alteração aos Estatutos do Clube, determinando que para além dos candidatos à Presidência dos Órgãos Sociais do Clube, indigitados pelo Conselho Leonino, todos os outros membros propostos para integrarem esses Órgãos seriam sujeitos à aprovação dos associados. Na Assembleia Geral eleitoral de 29 de Junho de 1984 participaram mais de dez mil sócios, com as urnas a encerrarem já de madrugada. Durante a presidência de Jorge Gonçalves o Conselho Leonino passou a possuir funções meramente consultivas, terminando a sua competência de indigitação dos candidatos aos Órgãos Sociais. Nas eleições de 23 de Junho de 1989 apresentaram-se quatro listas, tendo vencido a que era liderada por Sousa Cintra.

 

A revisão estatutária de 2011 tornou mais equitativa a diferença do número de votos no acto eleitoral, mas manteve o benefício da antiguidade associativa. Na generalidade, os principais clubes portugueses aplicam um princípio diferenciador no momento do voto, conforme o tempo de associado. O FC Porto constitui a excepção mais relevante. Os clubes consideram-se associações com legitimidade para se organizar e prevenir eventuais infiltrações ou chapeladas eleitorais, definindo que os sócios com maior antiguidade têm uma maior capacidade eleitoral activa. A realidade associativa de um clube desportivo é distinta da realidade cívica de um país, que estabelece justamente que a cada cidadão corresponde um voto eleitoral.

 

Pessoalmente, no que refere ao Sporting, concordo com o princípio que reconhece que os associados mais antigos são os maiores depositários dos valores do Clube. No momento adequado pode (e deve) ser debatida uma eventual revisão estatutária, que abranja este e outros aspectos, talvez ainda mais pertinentes. Refiro-me, em particular, à existência de uma segunda volta eleitoral quando nenhuma das listas candidatas obtenha uma votação superior a 50%, à eleição do Conselho Fiscal e Disciplinar pelo método de Hondt e à votação em listas separadas para os Órgãos Sociais. Mas, no curto prazo, todos sabemos, são outras as prioridades dos sportinguistas. Isso é certo.

 

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publicado às 12:50

 

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Frederico Varandas obteve 42,32% dos votos e foi eleito presidente do Sporting Clube de Portugal nas eleições mais concorridas de sempre. Participaram 22 400 sócios, sendo a percentagem de brancos e nulos praticamente insignificante (2,52%). Segundo Luís Paixão Martins, o novo presidente leonino deve a sua vitória ao apoio que conseguiu entre os associados “Efectivo A” com direito a entre 5 a 10 votos, e que constituem 55% do universo eleitoral. Isto é, aqueles que têm entre quinze anos e quarenta e quatro anos de pagamento de quotas.

 

Frederico Varandas beneficiou do facto de ter apresentado mais cedo a sua candidatura, rompendo desde logo com o poder vigente na altura. Gerou uma expectativa positiva inicialmente, foi cuidadoso na abordagem da questão do treinador e comprometeu-se com a estabilidade no Clube. No entanto, caiu na armadilha de constituir uma “Comissão de Honra” que nada acrescentou e principalmente foi desastroso nos debates ou intervenções públicas. Valeu-lhe o facto de a campanha eleitoral ter sido fraca em geral, com muitos lugares comuns, pouca imaginação e sobranceria excessiva nuns ou agressividade a mais noutros. Todas as candidaturas tinham virtudes e defeitos, mas Varandas conseguiu colocar-se no “centro” e levar o seu discurso racional aos que têm uma maior capacidade de decidir as eleições.

 

Agora, depois de tomar posse como o 43º Presidente do Sporting, Frederico Varandas terá os olhos dos sportinguistas fixados nele e é certo que não vai ter um prolongado estado de graça. Os adeptos de Bruno de Carvalho que se lhe referem como “traidor” e “fivelas” não lhe darão descanso e o facto de João Bendito ter obtido cerca de 1 100 votantes a mais do que ele estará sempre presente na memória de muitos. Na vida nada é permanente e no futebol pouco é previsível.

 

De certa forma, os novos órgãos sociais leoninos dependem do sucesso, mesmo que relativo, da equipa principal de futebol. É sempre assim. O Conselho Directivo precisa de tempo para pôr em prática um plano de acção que convença a maioria dos adeptos. Um modelo de governo do Clube com práticas efectivas de transparência e de exigência, a organização competente e eficaz do futebol, a continuação do sucesso nas modalidades, uma gestão financeira e fontes de financiamento adequadas às necessidades a curto e médio prazo, um relacionamento institucional inteligente e um estilo de comunicação abrangente para todos os sportinguistas. E, evidentemente, aquilo que está em cima da mesa: os processos de rescisão litigiosos de jogadores.

 

Apesar do sentido único para a sua governação, Frederico Varandas pode encarar o futuro com uma nesga de optimismo.  Os sportinguistas estão mais convictos do que nunca de que unanimismos e caudilhismos não permitem que, permanentemente, se descortinem as melhores soluções para o Clube. Nem um subliminar providencialismo, próprio de quem se considera o salvador, irá resgatar o Sporting dos seus males e insucessos desportivos. Por isso, muitos estarão mais atentos à qualidade do modelo de governo do que aos aspectos acessórios e mediáticos que fizeram história no passado recente.

 

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publicado às 17:27

 

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João António dos Anjos Rocha foi eleito presidente do Sporting em 7 de Setembro de 1973. O Clube vivia uma crise directiva na sequência da demissão do presidente Brás Medeiros. O Conselho Leonino elegeu Valadão Chagas em 29 de Março de 1973, mas no dia seguinte foi convidado por Marcello Caetano, presidente do Conselho de Ministros, para Secretário de Estado da Juventude e Desportos. Aceitou o cargo no governo e foi substituído provisoriamente por Manuel Nazareth até nova eleição.

 

João Rocha exerceu o mais longo mandato presidêncial da história do Clube, durante treze anos, e conquistou três campeonatos nacionais, três taças de Portugal e uma Supertaça. Foi visionário, frontal e polémico, reforçou o ecletismo leonino, conquistando, nas várias modalidades, mais de mil e duzentos títulos nacionais, cinquenta e duas Taças de Portugal, oito Taças dos Campeões Europeus de Corta-Mato, uma Taça dos Campeões Europeus de Hóquei em Patins, modalidade na qual o clube também ganhou, durante a sua gerência, mais duas Taças das Taças e uma Taça CERS. Em 1984 promoveu as primeiras eleições em que o presidente do Sporting foi eleito pelos associados, e não pelo Conselho Leonino.

 

Foi distinguido com o Prémio Stromp por três vezes, a primeira em 1973, na categoria sócio, e as outras duas já como dirigente, e com o Leão de Ouro com Palma em 1987. Foi também considerado Sócio de Mérito do Sporting.

 

As vicissitudes do nosso Clube determinaram que amanhã, quarenta e cinco anos e um dia depois da primeira eleição de João Rocha, se realize outro acto eleitoral igualmente histórico. Depois de um longo e desgastante processo que teve o momento crucial em 23 de Junho com a destituição de Bruno de Carvalho, o Sporting tem de ser capaz de se reconstruir, inspirando-se nos seus princípios fundadores e nas suas figuras históricas. A modernização do presente e os desafios do futuro terão maior sucesso conhecendo-se o passado e respeitando-se os grandes protagonistas da história leonina. Oxalá que amanhã seja o primeiro dia do resto da nossa vida.

 

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publicado às 13:31

Jogar bem é meio caminho…

Leão Zargo, em 02.09.18

 

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A equipa sub-23 do Sporting deslocou-se a Coimbra para vencer a Académica por 5-1, em partida da 4.ª jornada da Liga Revelação. Os estudantes abriram o marcador aos 23 minutos de penálti, mas pouco depois Mitrovski chegou à igualdade. Antes do intervalo, Daniel Bragança e Paulinho puseram os leões a vencer por 3-1.

 

Na segunda parte, Pedro Mendes e Pedro Marques fixaram o resultado em 5-1. Com esta vitória, o Sporting sub-23 soma 9 pontos, menos um do que o Benfica, que é o primeiro classificado. Os leões têm a equipa mais goleadora da competição (13 golos). Na próxima jornada, no dia 15 de Setembro, o Vitória de Guimarães sub-23 joga na Academia de Alcochete.

 

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Árbitro: João Almeida
Árbitros assistentes: Bruno Nascimento e Hugo Marques

 

ACADÉMICA: Júlio Neiva, João Simões, Nuno Esgueirão, Hugo Ribeiro, Yuri Matis, Paulo Matos, Landry Nkolo, Stephano, Diogo Ribeiro (cap.), Pedro Lagoa e Sandro Cordavias


Suplentes: Diogo Jesus, Samir Banjai, Iuri Alves, Vasco Ferreira, Xiu Cheng, Rui Macedo, Ivan Alves, Nuno André e Diogo Silva


Treinador: Dário Monteiro

SPORTING: Diogo Sousa, Pedro Mendes, Paulinho, João Oliveira, Kiki Kouyate, Pedro Empis, Tiago Djaló, Daniel Bragança (cap.), Elves Baldé, Dimitar Mistrovski e Marco Túlio

 

Suplentes: Vladimir Stojkivic, Pedro Marques, Bruno Paz, Tomás Silva, Mees de Wit, Thierry Correia e João Queirós


Treinador: José Lima

 

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publicado às 13:23

Fotografia com história dentro (112)

Leão Zargo, em 02.09.18

 

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Coisas de leões!

 

Num tempo já distante era habitual o Sporting Clube de Portugal visitar as suas filiais com uma das suas equipas seniores. À hora do jogo era grande a romaria, um mar de gente derramava-se por todos os lados em direcção ao campo de futebol. Frequentemente havia gaitas a tocar, foguetes rebentavam no ar e a Banda Recreativa lá da terra exibia os seus dotes musicais. Os craques do clube-sede apresentavam-se com galhardia e sentiam a obrigação de vencer o jogo e dignificar a festa. Muito do prestígio e do sentimento leonino obteve-se nesses jogos disputados por vezes em pelados improváveis.

 

O Sporting possui actualmente mais de cem filiais espalhadas pelo Mundo (Europa, África, Ásia, América e Austrália), que se associaram ao espírito leonino, tendo contribuído decisivamente para a universalidade do Clube, cujo relacionamento está regulamentado nos artigos 61º e 62º dos Estatutos. A sua distribuição geográfica no Mundo decorre em grande parte da diáspora portuguesa. As filiais têm existência autónoma, algumas conservam uma ligação significativa à Casa-mãe, outras distanciaram-se por razões que serão neste momento antigas e ultrapassadas, outras ainda já desapareceram. Uma coisa é certa, também elas são depositárias da memória leonina. Apesar da sua relevância, o assunto tem sido ignorado na presente campanha eleitoral para os órgãos sociais do Sporting.

 

A fotografia, talvez de 1957 ou de 1958, refere-se a um jogo que os leões do Clube-sede foram disputar a Gouveia com aquela que era a sua filial nº 5. Travassos, o inesquecível Zé da Europa, está no centro e cumprimenta o capitão da outra equipa. Junto a eles, imagina-se, estão personalidades locais, talvez dirigentes do clube gouveense. O ambiente é muito cordial, festivo, embora algo contido, enquanto os dois jogadores se cumprimentam, curvando-se ligeiramente um para o outro.

 

***A fotografia foi retirada do site da Junta de Freguesia de Gouveia.

 

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publicado às 12:36

Fotografia com história dentro (111)

Leão Zargo, em 26.08.18

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O primeiro Presidente da República num dérbi

 

Sobre cada Benfica - Sporting (ou Sporting - Benfica) costuma-se dizer que é jogo de tripla, que os prognósticos só se fazem no final. O dérbi disputado em 13 de abril de 1924, para a última jornada do Campeonato Regional de Lisboa, teve os condimentos habituais… e ainda mais alguns.

 

O Benfica estava em 1º lugar e necessitava de vencer o jogo, pois o Casa Pia, em 2º, tinha apenas menos um ponto. Francisco Stromp orientou os leões porque Augusto Sabbo se tinha demitido algum tempo antes, enquanto que Cosme Damião se estreou num dérbi como treinador benfiquista. O Sporting apresentou-se muito forte na Estância de Madeira, onde na altura jogavam os dois clubes, e venceu com relativa facilidade por 3-0. Assistiram cerca de 9.000 espectadores. Com este resultado, o Casa Pia passou para o 1º lugar da classificação e ganhou o direito de disputar a final do Campeonato de Lisboa com o Vitória de Setúbal, que os sadinos conquistaram (1-0).

 

No entanto, a presença de Manuel Teixeira Gomes, o Presidente da República, é que constituiu o grande destaque do jogo. Foi a primeira vez que um Chefe de Estado assistiu a um dérbi. Teixeira Gomes tinha praticado desporto na juventude, era ferveroso adepto do Portimonense e frequentava assiduamente os campos de futebol, para além de ser conhecedor das regras do jogo. Dois meses depois, em 8 de Junho de 1924, esteve presente na final do Campeonato de Portugal disputada entre o FC Porto e o SC Olhanense, e entregou o troféu aos vencedores, os algarvios. Tratou-se também da estreia de um Presidente da República assistir à final de uma competição de futebol em Portugal.

 

Este Benfica - Sporting teve ainda uma outra particularidade notável, pelo menos aos olhos dos nossos dias, pois Tavares Bastos, avançado do FC Porto, é que foi o árbitro do dérbi. Por essa razão, seria bem conhecido pelas duas equipas. Mas, deve-se registar que naquele tempo era frequente haver jogadores a arbitrar jogos de futebol.

 

Ficha de jogo:

 

Campeonato Regional de Lisboa (8ª jornada)

Benfica 0 - Sporting 3

Estância de Madeira, Lisboa, 13 de Abril de 1924

Árbitro - Tavares Bastos

 

Benfica - Francisco Vieira; José Pimenta e Alberto Augusto; Fernando Jesus, Vítor Gonçalves e Manuel Crespo; Ribeiro dos Reis, José Simões, Jesus Crespo, Jorge Figueiredo e João Morais

 

Treinador - Cosme Damião

 

Sporting - Cipriano dos Santos; Joaquim Ferreira e Jorge Vieira; José Leandro, Filipe dos Santos e Henrique Portela; Torres Pereira, Jaime Gonçalves, Alfredo dos Santos, João Francisco e Emílio Ramos

 

Treinador - Francisco Stromp

 

Marcadores - João Francisco (2 golos) e Jaime Gonçalves (1 golo)

 

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publicado às 12:31

 

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Depois da vitória no Bonfim, a equipa sub-23 leonina voltou a jogar para a Liga Revelação. Aconteceu hoje, na segunda jornada da competição, frente ao Feirense, na Academia de Alcochete. Na véspera, o técnico José Lima considerou ser fundamental entrar bem na partida, até pelo equilíbrio que há nas equipas de sub-23: “os jogos (da primeira jornada) foram todos muito equilibrados e competitivos. O Feirense perdeu (com o Rio Ave), mas nem por isso podemos deixar de encarar o jogo com seriedade e dar o nosso máximo.” E apelou à presença dos adeptos sportinguistas para que “possam ver os activos que temos”.

 

No Sporting, a maior contrariedade terá sido a ausência de Leonardo Ruiz, autor de um hat-trick no jogo em Setúbal. O avançado colombiano vai jogar por empréstimo no Zorya, da Ucrânia. De facto, na primeira parte, os leões tiveram apenas uma oportunidade flagrante de golo por João Oliveira, e só depois do intervalo é que foram capazes de organizar o jogo e aproximar-se da baliza do Feirense com maior perigo.

 

Aos 61 minutos Pedro Marques fez uma boa penetração na grande área e foi rasteirado. Elves Baldé marcou o penálti, bola para um lado, guarda-redes para o outro. O mesmo Pedro Marques fez o 2-0 aos 70 minutos, a corresponder a uma excelente desmarcação de Paulinho. Finalmente, a cereja em cima do bolo, de fora da área, Elves Baldé bisou e consolidou a vitória. Até ao final, o Sporting esteve sempre mais perto de aumentar o marcador, do que o Feirense marcar o seu ponto de honra.

 

  

O Sporting começou com a seguinte equipa: Diogo Sousa, João Silva, Kiki, João Oliveira, Pedro Empis, Dimitar Mitrovski, Tomás Silva, Nuno Moreira, Bruno Paz (cap.), Elves Baldé e Pedro Marques. No decorrer do jogo entraram Paulinho (65m), Marco Túlio (65m) e Queirós (78m). Os golos foram marcados por Elves Baldé (62 e 76) e por Pedro Marques (70).

 

No dia 28 de Agosto há dérbi. Joga-se um Sporting - Benfica em Alcochete. As duas equipas, para além do Rio Ave, estão no primeiro lugar, todas com seis pontos.

 

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publicado às 16:04

Fotografia com história dentro (110)

Leão Zargo, em 19.08.18

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A Taça O Século

 

A fotografia está intimamente ligada ao tempo. Ao tempo que passou. Captura o instante, fixa um momento que ficou congelado, um fragmento da realidade. Algumas fotografias originam uma percepção invulgar da emoção, captam a atmosfera do contexto, da situação, e constituem um testemunho do acontecimento. É o caso desta imagem que a máquina de Nunes de Almeida revela e que foi capa da revista Stadium, o nº 288 de 9 de Junho de 1948.

 

A fotografia refere-se ao momento em que António Ribeiro Ferreira, Álvaro Cardoso e Fernando Peyroteo mostram ao público no Estádio do Lumiar a "Monumental Taça O Século". Três personalidades excepcionais do Sporting: o presidente que mais títulos conquistou, o capitão de equipa por excelência e o goleador dos goleadores. Por sua vez, a cerimónia da posse definitiva dessa Taça simbolizou a hegemonia sportinguista no futebol nacional naquela época. Aconteceu no dia 6 de Junho de 1948, antes de um jogo com o Vitória de Guimarães para a Taça de Portugal, que os leões venceram por 5-1.

 

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publicado às 13:00

Começar bem é sempre bom…

Leão Zargo, em 18.08.18

 

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O Vitória de Setúbal - Sporting para a primeira jornada da Liga Revelação (sub-23), disputado hoje no Bonfim a partir das 11h00, abriu um dia em cheio de jogos entre sportinguistas e sadinos. Às 17h00 realiza-se no Campo da Várzea a jornada inaugural da 1.ª Divisão Nacional de Juniores (Zona Sul) e às 21h00, no Estádio José de Alvalade, defrontam-se as equipas principais. Os leões venceram por 5-4 e espera-se que tenham inspirado os restantes companheiros.

 

José Couceiro, o Director Técnico Nacional, acredita que “a Liga Revelação poderá dar espaço para dezenas de jovens portugueses”. À época de 2018-19 chamou “uma espécie de ano zero”. Oxalá. A verdade é que os sub-23 leoninos, orientados por Francisco Barão e José Lima, começaram dispostos a conquistar um lugar ao sol.

 

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Num jogo disputado com bastante entusiasmo, mas com muitas ingenuidades defensivas (a jogada do penálti que permitiu que os da casa fizessem o empate a 3-3 foi de bradar aos céus), o triunfo leonino afigura-se absolutamente justo. E é sabido que em Setúbal moram sempre equipas muito fortes provenientes da área da Formação. No final do desafio, os espectadores no Bonfim aplaudiram os jogadores das duas equipas.

 

Alinharam os seguintes jogadores leoninos: Diogo Sousa, Thierry Correia, Kiki Kouyaté Tiago Djaló, Pedro Empis, Daniel Bragança, Tomás Silva (Nuno Moreira, 83), Dimitar Mitrovski (Bruno Paz, 72), Marco Túlio (João Oliveira, 90+1), Elves Baldé e Leonardo Ruiz. O colombiano Leonardo Ruiz esteve em destaque ao marcar três golos, aos 10, 14 e 78 minutos do jogo. Os outros dois golos foram marcados por Mitrovski, aos 12 minutos, e Marco Túlio, aos 70 minutos.

 

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publicado às 13:24

Sporting Sub 23 2018-19.jpg

 

A primeira jornada da Liga Revelação (Campeonato Sub 23) está marcada para sábado, 18 de Agosto. A competição ficou organizada em duas fases, na primeira participam 14 equipas que jogam entre si em 26 jornadas. No final desta primeira fase, os seis primeiros classificados participam na fase de apuramento do campeão, jogando novamente todos contra todos. Os restantes disputam a fase de manutenção, jogando também todos contra todos. Na primeira jornada o Sporting desloca-se a Setúbal para defrontar o Vitória.

 

Francisco Barão, adjunto de Luís Martins na equipa B, é o treinador. Na pré-época, para além dos treinos com o plantel principal, a equipa Sub 23 realizou quatro jogos, obtendo duas vitórias (Moura 5-1 e Amora 3-0), um empate (Cova da Piedade 1-1) e uma derrota (Nacional da Madeira 3-4). Na imprensa há referências a dois jogos com o Mafra e o SL Cartaxo, mas não foi possível obter a confirmação.

 

Neste momento, o plantel leonino Sub 23 é constituído pelos seguintes jogadores:

 

Guarda-redes

 

Vladimir Stojkovic - 21 anos, no Sporting desde os Sub 13 em 2007-08

Diogo Sousa - 19 anos, no Sporting desde os Sub 16 em 2013-14

 

Defesas

 

Abdu Conté - 20 anos, no Sporting desde os Sub 14 em 2011-12

João Goulart - 18 anos, no Sporting desde os Sub 16 em 2015-16

João Ricciulli - 18 anos, no Sporting desde os Sub 17 em 2015-16

Thierry Correia - 19 anos, no Sporting desde os Sub 11 em 2009-10

Echedey Carpintier - 18 anos, no Sporting desde os Sub 19 em 2017-18 (Espanha)

João Oliveira - 19 anos, no Sporting desde os Sub 10 em 2008-09

Tiago Djaló - 18 anos, no Sporting desde os Sub 14 em 2013-14

João Queirós - 20 anos, no Sporting por empréstimo do FC Köln em 2018-19 e 2019-20 

João Silva - 19 anos, no Sporting desde os Sub 17 em 2015-16

 

Médios

 

Nuno Moreira - 19 anos, no Sporting desde os Sub 10 em 2007-08

Dimitar Mitrovski - 18 anos, no Sporting desde os Sub 19 em 2016-17 (Macedónia)

Daniel Bragança - 19 anos, no Sporting desde os Sub 10 em 2007-08

Bruno Paz - 20 anos, no Sporting desde os Sub 14 em 2011-12

Paulo Lucas “Paulinho” - 21 anos, empréstimo do Fluminense desde 2017-18 (Brasil)

Tomás Silva - 18 anos, no Sporting desde os Sub 10 em 2008-09

Miguel Luís - 18 anos, no Sporting desde os Sub 11 em 2009-10

Marco Túlio - 20 anos, contratado ao Atlético Mineiro em 2018-19 (Brasil)

Carlos Jatobá - 22 anos, contratado ao FC Dunav em 2018-19 (Brasil)

 

Avançados

 

Pedro Marques - 20 anos, no Sporting desde os Sub 19 em 2016-17

Elves Baldé - 18 anos, no Sporting desde os Sub 11 em 2009-10

Leonardo Ruiz - 22 anos, no Sporting desde a equipa B em 2016-17 (Colômbia)

Pedro Mendes - 19 anos, no Sporting desde os Sub 19 em 2017-18

Diogo Brás - 18 anos, no Sporting desde os Sub 13 em 2012-13

Mees De Wit - 20 anos, jogador livre contratado em 2018-19 (Holanda)

 

Ao contrário do que se passou com a equipa B, o plantel leonino Sub 23 é constituído essencialmente por atletas formados na Academia de Alcochete. Entre os jogadores contratados, destacam-se João Queirós (empréstimo do FC Köln com opção de compra), o brasileiro Marco Túlio e o holandês Mees De Wit, todos internacionais pelos seus países.

 

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publicado às 12:52

Fotografia com história dentro (109)

Leão Zargo, em 12.08.18

Sporting 1907-08 Revista Tiro e Sport nº 378 30.3

 

A primeira vez…

 

O Sporting Clube de Portugal foi fundado em 1 de Julho de 1906, mas, de um ponto de vista competitivo, a primeira época a sério foi a de 1907-08. Antes, uma equipa leonina participou em Fevereiro e Março de 1907 num torneio organizado pelo Internacional (CIF), realizando três desafios frente ao Cruz Negra, em Alcântara. São os primeiros jogos de futebol documentados historicamente que foram disputados pelo Clube. Apesar de ter sido um dos fundadores da Liga de Football Association, o Sporting não se inscreveu no Campeonato de Lisboa de 1906-07.

 

Em Julho de 1907 foi inaugurado o campo de futebol do Sporting no Sítio das Mouras, na Alameda do Lumiar, num terreno cedido pelo Visconde Alvalade. Era o melhor recinto desportivo do país, possuindo campos de futebol e de ténis, pista de atletismo, vestiários com chuveiros e banhos de imersão, cozinha e sala de convívio. O equipamento começou por ser todo branco, inspirado no Campo Grande FC, mas no início de 1908 foi adoptada a camisola verde e branca bipartida. Há fotografias de uma partida com o Carcavelos, em 29 de Março desse ano, em que os jogadores sportinguistas vestem o equipamento que mais tarde seria chamado Stromp. O emblema, o leão rampante com as iniciais SCP em fundo verde, surgiu em 1907.

 

O Campeonato de Lisboa de 1907-08, organizado pela Liga de Football Association, foi a primeira competição oficial em que o Sporting participou, com mais cinco clubes filiados na Liga: Carcavelos, Sport Lisboa, Lisbon Cricket, CIF e Cruz Negra. A prova disputou-se no sistema de todos contra todos a duas voltas, e os leões ficaram classificados em segundo lugar, logo atrás dos invencíveis ingleses do Cabo Submarino. A inaugurar o Campeonato, em 1 de Dezembro de 1907, houve um Sport Lisboa 1 - Sporting 2, na Campo da Quinta Nova, em Carcavelos, que é considerado o primeiro dérbi oficial entre os dois clubes rivais.

 

Na fotografia, o primeiro grupo (a equipa principal ou de honra) do Sporting. Também havia o segundo e o terceiro grupo. Fotografia retirada da revista Tiro e Sport, nº 378, de 30 de Março de 1908.

 

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publicado às 12:56

Fotografia com história dentro (108)

Leão Zargo, em 05.08.18

 

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O Presidente Brás Medeiros, o homem e a sua circunstância”

 

Guilherme Brás Medeiros foi presidente do Sporting Clube de Portugal em dois momentos que se revelaram determinantes para o futuro da instituição.  O primeiro, entre Janeiro de 1959 e Maio de 1961, numa altura em que o Clube atravessava graves dificuldades financeiras resultantes da construção do Estádio José de Alvalade e num contexto de institucionalização do futebol profissional. A segunda presidência aconteceu entre Julho de 1965 e Abril de 1973, quando o Sporting já não era a grande força do futebol português, a época de 1964-65 tinha sido catastrófica e a crise financeira assumira um carácter estrutural.

 

Quando Guilherme Brás Medeiros voltou à presidência em 1965 apresentou um plano de reorganização administrativa, financeira e desportiva do Sporting. Para além da execução de um programa de cariz financeiro, fundou as escolas de futebol que estão na origem da matriz formativa do Clube, realizou o 2º Congresso Leonino, consolidou o património imobiliário e negociou com a Câmara Municipal de Lisboa a urbanização dos terrenos destinados à construção da Cidade Desportiva e da Sede Social. O Sporting foi campeão nacional em 1965-66 e em 1969-70, para além de vencer a Taça de Portugal em 1971. Contribuiu indiscutivelmente para nova vitória da Taça de Portugal, em Junho de 1973, e para a dobradinha em 1974, com João Rocha na presidência.

 

Brás Medeiros reorganizou e estabilizou o Sporting, mas não conseguiu impedir que o Benfica mantivesse a liderança, e abandonou o cargo de Presidente em Abril de 1973. “O homem é o homem e a sua circunstância”, escreveu Ortega y Gasset. Decorrido tanto tempo, o Clube está de novo confrontado com a urgência de um Programa de carácter estruturante que respeite a sua matriz identitária, promova o sucesso desportivo, mobilize as sinergias internas e percepcione toda a realidade institucional envolvente. Agora, com outros homens e noutras circunstâncias, como sempre acontece, é urgente que surja entre os candidatos à presidência quem suscite de novo a confiança e a esperança, a emoção dos sportinguistas, e que entenda as prioridades estratégicas e organizacionais do Sporting na actualidade.

 

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publicado às 13:39

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