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Através das plataformas oficiais, o Sporting informou que vai prestar homenagem a glórias da equipa de futebol do clube, baptizando seis das sete portas do Estádio José Alvalade com o nome de um jogador e uma outra com a designação de «Cinco Violinos», num tributo ao quinteto formado por Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano.

«A número 1 é a do eterno n.º 1 do Sporting, Vítor Damas, num trabalho que ficará completo nos próximos dias. Brevemente, esta e as outras seis portas de Alvalade serão baptizadas com os nomes de antigas Lendas do Clube. 1 - Damas, 2 - Hilário, 3 - Stromp, 4 - Jordão, 5 - Cinco Violinos, 6 - Yazalde e 7 - Manuel Fernandes», informa a direcção do Clube.

No futebol moderno há a absoluta necessidade de recorrer a símbolos que funcionam como a ligação do passado com o presente, como elo aglutinador das diferentes gerações de adeptos e de projecção de um futuro vitorioso. Por essa razão, independentemente de outros nomes que se afigurassem mais adequados, trata-se de uma excelente decisão. A cerimónia simbólica de inauguração será realizada quando for possível voltar a ter público no Estádio.

publicado às 16:30

Salgueiros 0 - Sporting 4 1999-00 CN 34ª jornada 14.5.2000

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 11.09.20

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Um grande jogo de futebol é como que uma representação da vida de cada um de nós. Como na vida, nele há vitória e derrota, amor e ódio, alegria e tristeza, aplauso e assobio, bravura e cobardia, esforço e desistência. Quando o golo acontece, quando a nossa equipa vence, o mundo agrada-nos tal como é e tudo nos parece perfeito tal como existe. Na vida, pelo menos por um momento, naquele instante, tudo se aquieta e fica de acordo com a nossa ilusão.

Depois da desolada derrota com o rival Benfica na jornada anterior, houve uma semana de enorme pressão e ansiedade. Os primeiros trinta minutos do jogo foram desoladores, com a equipa muito nervosa, mas de súbito ficou mais confiante e a bola passou a circular com precisão e criatividade. Um golo de André Cruz de livre directo soltou os jogadores. Logo a seguir marcou Ayew. A vitória já não escapava e era o fim de dezoito anos de jejum. A viagem de regresso a Lisboa foi vertiginosa, numa euforia indescritível, com o autocarro escoltado por centenas de automóveis e motas e a transmissão em directo nas televisões. A comitiva chegou ao Estádio de Alvalade depois das três horas da madrugada, aguardada por mais de 70 mil sportinguistas. Um delírio absoluto. Fantástico!

O Sporting alinhou com Schmeichel, Saber, Beto, André Cruz, Rui Jorge, Vidigal, Duscher, Pedro Barbosa - capitão (Bino, 81’), De Franceschi (Mbo Mpenza, 66’), Ayew (Toñito, 73’) e Beto Acosta. Os golos leoninos foram marcados por André Cruz (47’ e 88’), Ayew (51’) e Duscher (75’).

publicado às 15:30

Fotografia com história dentro (213)

Um novo paradigma no futebol português na década de 1940

Leão Zargo, em 06.09.20

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O pensamento estratégico faz parte da natureza humana e surgiu no futebol praticamente desde o seu início. Em Portugal, entre os anos 20 e 50 do século passado, Augusto Sabbo, Joseph Szabo, Cândido de Oliveira, Ribeiro dos Reis, Ricardo Ornellas, Adriano Peixoto, Severiano Correia e Fernando Vaz, entre outros, contribuíram para o desenvolvimento desse pensamento estratégico. A reflexão escrita sobre futebol em jornais e revistas, por exemplo em “Os Sports”, “Sporting” (jornal portuense), “Stadium” e “A Bola”, também teve um papel importante.

O futebol português alcançou um novo paradigma no que refere ao treino e à táctica no decurso da segunda metade da década de 1940. Foi então que se verificou a publicação de um conjunto de obras de grande qualidade técnica e científica, nomeadamente “Estratégia e Método Base do Futebol Associativo Científico”, de Augusto Sabbo, “Os Segredos do Futebol: Técnica de Ensino, Aprendizagem e Treino, Tática de Jogo”, de Cândido de Oliveira, e “O futebol português e o sistema de Herbert Chapman”, de Adriano Peixoto.

Havendo um “olhar” menos empírico e mais científico sobre o futebol, os treinadores adquiriram um outro protagonismo. Exigia-se-lhes liderança, mas também conhecimento e dialéctica para conseguirem triunfar. Progressivamente, os treinadores tornaram-se um elemento estratégico essencial na estrutura do futebol pois as suas decisões passaram a ultrapassar as circunstâncias específicas de um jogo de futebol, exigindo agora a análise, planeamento e organização de um conjunto de factores desportivos e comportamentais cada mais dinâmicos e complexos.

Na fotografia, um Sporting - Benfica nos anos 40.

publicado às 14:30

Marítimo 0 - Sporting 2 1999-00 CN 32ª jornada 30.4.2000

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 04.09.20

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Os treinadores lideram com ideias, mais do que com palavras. Augusto Inácio organizou o Sporting numa linha em todo o campo de baliza a baliza: Schmeichel, André Cruz, Vidigal, Pedro Barbosa e Beto Acosta. Comando, estabilidade, segurança, criatividade e eficácia é o contributo específico de cada um. Com eles em condições, jogamos alto no terreno. O jogo no Funchal foi exemplar.

Inácio percebeu o poder dessa linha e organizou o modelo de jogo em função dela, e acrescentou-lhe brio, coesão, solidariedade e disciplina. O Sporting pode não ter melhores jogadores, mas tem a melhor equipa. Nunca lhe falta coração pela grande condição física. E está preparada para vencer. É que não basta querer vencer. O Porto empatou em Faro e os leões passaram a ter quatro pontos de vantagem na classificação.

O Sporting alinhou com Schmeichel, Saber, Beto, André Cruz, Rui Jorge, Vidigal, Duscher, Pedro Barbosa - capitão (Toñito, 68’), De Franceschi (Bino, 76’), Ayew (Mbo Mpenza, 86’) e Acosta. Os golos leoninos foram marcados por Acosta (48’ e 81’). Desde a vitória sobre o Porto em Alvalade, o nosso “matador” marcou oito vezes em sete jogos.

publicado às 12:00

Rio Ave 1 - Sporting 2 1999-00 CN 31ª jornada 21.4.2000

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 02.09.20

RA SCP 1999-00 1-2 31ª jornada 21-4-2000 final do

Ser adepto do Sporting nem sempre é sinal de boas notícias. Normalmente, é sinal de sofrer muito. Entre uma época e outra, muito do que os adeptos desejam está nesse breve intervalo em que é permitido sonhar. O triunfo que desejamos sobrevive a esse intervalo e a esperança renasce sempre. Este jogo em Vila do Conde e a reviravolta no marcador, à esperança de sempre, acrescentaram confiança. Vai ser grande a festa…

A equipa leonina alcançou o seu melhor momento. Troca bem a bola, que vai passando de pé para pé, está preparada para a perda dela, há grande solidariedade entre os jogadores, com a linha defensiva mais próxima do meio campo organiza com grande eficácia os lances de ataque. Processos simples, futebol intenso. Controlo, disciplina e esforço físico. Temos dois pontos de vantagem sobre o Porto. Na próxima jornada jogamos no Funchal.

Leões em campo: Schmeichel, Bino, Beto, André Cruz, Rui Jorge, Vidigal, Duscher, Pedro Barbosa - capitão (Toñito, 65’), De Franceschi, (Mpenza, 65’), Ayew e Acosta (Robaina, 89’). O golo do Rio Ave foi marcado por Alércio (36’). Pelo Sporting marcaram Ayew (44’) e Acosta (62‘).

publicado às 16:30

Fotografia com história dentro (212)

“Por cada leão que cair outro se levantará!”

Leão Zargo, em 30.08.20

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Há determinadas frases que ficam na nossa memória por terem sido pronunciadas por alguém icónico num determinado momento histórico. É o caso da célebre afirmação “Por cada leão que cair outro se levantará!” feita por António Oliveira dias depois de se ter lesionado no Bessa em vésperas de um jogo crucial com o Benfica no Estádio de Alvalade. O campeonato podia ficar decidido nesse dérbi.

No Boavista - Sporting disputado em 20 de Março de 1982, para a 22ª jornada, as coisas correram da pior maneira para a equipa leonina. Perdeu o jogo e o concurso de Oliveira, um dos “imprescindíveis” na estratégia delineada por Malcolm Allison, e que só voltaria a jogar no final da época. Esteve presente nas partidas com o Amora e o Estoril-Praia, nunca fazendo os 90 minutos completos.

Durante a semana o ambiente não era o melhor em Alvalade, onde Oliveira se apresentou com a perna direita engessada. A vantagem de cinco pontos sobre o Benfica permitia alguma “folga”, mas o empate e a derrota nas duas jornadas anteriores constituíam motivo de preocupação. Foi então, em 22 de Março, que numa entrevista ao repórter Francisco Rosa de “A Gazeta dos Desportos” o jogador sportinguista afirmou que “eu caí, mas outros vão levantar-se”. E concluiu garantindo que “se eu não jogar outro jogará tão bem ou melhor do que eu”.

Estas terão sido as palavras exactas de Oliveira segundo o jornalista Daniel Reis, então subchefe da redacção da Gazeta. De acordo com a sua versão, no jornal alteraram a frase original por outra ainda mais incisiva e que ficou imortalizada na memória de todos os sportinguistas e numa placa de mármore colocada no antigo Estádio: “Por cada leão que cair outro se levantará!”. Na placa consta a data de 16 de Maio de 1982, dia da vitória no jogo com o Rio Ave, na penúltima jornada, quando o Sporting garantiu a conquista do título de campeão nacional.

Na fotografia, Oliveira lesionado no Boavista - Sporting em 20 de Março de 1982.

publicado às 12:30

Fotografia com história dentro (211)

A “Pirâmide” (o 2-3-5)

Leão Zargo, em 23.08.20

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Inspirados no râguebi, em meados do século XIX foram criados no futebol dois sistemas táticos, o 1-2-7, na Inglaterra, e o 2-2-6, na Escócia. Pelas características, não permitiam adequações à evolução do marcador. Principalmente o modelo inglês, com sete jogadores na linha avançada, consistia no remate para a frente e em correrias em direcção à baliza adversária. Quem tinha a bola corria com ela até perdê-la ou marcar um golo. Era como se se jogasse râguebi, mas substituindo as mãos pelos pés. O “kick and run” (chuta e corre) baseado na força e na velocidade.

Pela constatação de que o futebol é um desporto eminentemente colectivo e táctico, a partir do 2-2-6 foi criado o 2-3-5 (a “Pirâmide”) através do recuo de um avançado-centro para o meio campo, tornando-se o médio-centro um jogador estratégico fundamental. Era o organizador do jogo da sua equipa e aquele que fazia a ligação entre a defesa e o ataque. Na “Pirâmide” os três jogadores da linha média tinham a função de ocupar a parte central do terreno e municiar os avançados, criando opções para linhas de passe.

O sistema escocês (2-2-6) é que evoluiu, pois possuía um estilo de jogo diferente do inglês graças ao seu “close and quickly-passing” (“fecha e passa rápido”). Era assim que jogava o Queens Park, o clube mais antigo da Escócia. Introduzido na Áustria e na Hungria (a “Escola do Danúbio”) privilegiou a aproximação dos jogadores que progrediam no campo abrindo espaços com passes rápidos e curtos. Aplicado no Uruguai e na Argentina adquiriu prestígio pelo drible e improviso em que se baseava. Foi o esquema predominou no futebol até ao Mundial de 1938.

Na fotografia, equipa do Sporting, em 1910-11, apresentada de acordo com o sistema 2-3-5.

publicado às 14:30

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O choro “Um a Zero”, de Pixinguinha e Benedito Lacerda, foi composto em 1919, para comemorar a vitória historica do Brasil sobre o Uruguai por 1-0, na final do Campeonato Sul-Americano, em 29 de Maio desse ano. É considerada a primeira música brasileira dedicada ao futebol. O jogo foi disputadíssimo, sendo decidido apenas no segundo tempo do prolongamento com um golo de Arthur Friedenreich, o “Tigre”.

A final decorreu no Estádio das Laranjeiras, e praticamente fez parar o Rio de Janeiro. As chuteiras do “Tigre” foram expostas durante vários dias no centro do Rio e houve uma extraordinária emoção pela conquista do título. O entusiasmo popular foi de tal maneira que Pixinguinha e Benedito Lacerda, dois monstros sagrados da música brasileira, não ficaram indiferentes e criaram uma peça que se tornou imortal.

Mais tarde, em 1993, Nelson Ângelo escreveu uma letra para o choro de Pixinguinha e Benedito Lacerda. Faz parte do disco “A vida leva”, que cantou juntamente com Chico Buarque.

“(…)

Mas, numa jogada genial
Aproveitando o lateral
Um cruzamento que veio de trás
Foi quando alguém chegou
Meteu a bola na gaveta
E comemorou”

(Nelson Ângelo)

publicado às 15:40

Sporting 1 - Vitória de Guimarães 0 1999-00 CN 30ª jornada 16.4.2000

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 20.08.20

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Belo espectáculo desportivo entre duas grandes equipas. O Sporting joga bom futebol, é capaz de aliar espírito de sacrifício à qualidade técnica dos jogadores. A segurança defensiva e a boa circulação de bola pelo centro e pelas alas constituem a sua maior arma. Os leões venceram os dois jogos com o Vitória, fora pela capacidade de luta, em casa pela capacidade técnica, sempre com notável organização colectiva.        

Vidigal consegue empolgar mesmo o adepto mais frio, faz recordar Oceano que era o seu ídolo. Um verdadeiro “artista” na função de médio defensivo, de quem não se esperam virtuosismos técnicos, mas a entrega ao jogo e o posicionamento em campo proporcionam estabilidade e eficácia à manobra da equipa. E ainda, sobe no terreno com qualidade e faz assistências e marca golos como já se verificou esta época.

O Sporting alinhou com Schmeichel, César Prates, Beto, André Cruz, Rui Jorge, Vidigal, Pedro Barbosa - capitão (Toñito, 71’), Bino, Edmilson (De Franceschi, 87’), Ayew e Acosta (Robaina, 89’). O golo leonino foi marcado por Acosta (11’), o “matador” de serviço.

publicado às 14:30

União de Leiria 1 - Sporting 1 1999-00 CN 29ª jornada 7.4.2000

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 18.08.20

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O Sporting fez a quadratura do círculo. Dominou o jogo, derrubou a muralha leiriense, inaugurou o marcador, perdeu oportunidades de golo feito, perto do fim receou que a vitória escapasse, Manuel José percebeu e mandou entrar Paulo Alves que fez o empate no último minuto. Nunca se fala antes do árbitro apitar para terminar. Antes de terminado não está ainda completo. Um jogo de futebol e os alcatruzes da nora.

Actualmente, os jogadores leoninos estão mais fortes, mais coesos e mais confiantes do que há alguns meses atrás. Mas, o futebol é um jogo e a imprevisibilidade continua a ser uma das suas virtudes. Com este empate, a vantagem sobre o Porto passou a ser de dois pontos. A próxima jornada é com o Guimarães que está muito forte em 4º lugar.

O Sporting alinhou com Schmeichel, César Prates, Beto, André Cruz, Rui Jorge, Vidigal, Duscher, Pedro Barbosa - capitão (Bino, 65’), Mbo Mpenza (De Franceschi, 84’), Edmilson (Toñito, 76’) e Acosta. O golo leonino foi marcado por André Cruz (56’) e o dos leirienses por Paulo Alves (89’).

publicado às 16:00

Fotografia com história dentro (210)

Travassos, o “Zé da Europa”

Leão Zargo, em 16.08.20

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No dia 13 de Agosto de 1955 o “violino” José Travassos tornou-se no primeiro futebolista português a actuar numa Seleção da Europa. Foi num jogo com a Inglaterra comemorativo dos 75 anos da Federação Irlandesa disputado em Belfast, na Irlanda do Norte. Por essa razão deram-lhe a alcunha de “Zé da Europa”.

Travassos recebeu a convocatória para esta partida quando já se encontrava de férias na Costa de Caparica, e por isso teve de voltar a treinar sozinho assumindo a honrosa chamada com o maior empenho. A secção europeia derrotou a inglesa por 3-1, o jogador sportinguista foi considerado um dos melhores em campo, pelo que jogou e pela influência directa num dos golos que deu origem à vitória. No final do desafio, muitos consideraram-no o estratega da selecção europeia e destacaram a sua visão de jogo, a capacidade de remate, os dribles estonteantes, os passes milimétricosa e a rapidez da corrida. Um jornalista inglês escreveu que “com um penteado impecável, é tão brilhante com os pés como o seu inalterável penteado de brilhantina”.

Pela sua participação, José Travassos mereceu um agradecimento especial por parte da UEFA à Federação Portuguesa de Futebol e foi galardoado pelo Presidente da República com a Ordem de Mérito Desportivo. Recebeu, ainda, 25 libras e uma placa comemorativa. A camisola que ele utilizou no jogo está exposta no Museu do Sporting.

A Selecção da Europa alinhou com os seguintes jogadores: Lorenzo Buffon (Itália); Bengt Gustavsson (Suécia) e Alfons Van Brandt (Bélgica); Ernst Ocwrik (Áustria), Robert Jonquet (França) e Vujadin Boskov (Jugoslávia); Leschly Sörensen (Dinamarca), José Travassos (Portugal), Ferenc Puskas (Hungria), Raymond Kopa (França) e Jean Vincent (França).

Na fotografia (separata do Mundo de Aventuras), Travassos mostra ao filho a camisola da Selecção da Europa.

publicado às 14:30

Sporting 1 - Belenenses 0 1999-00 CN 28ª jornada 2.4.2000

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 14.08.20

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Os leões entraram em campo conhecendo a derrota na véspera dos portistas na Luz e não desperdiçaram uma oportunidade soberana de aumentar a diferença na classificação. Com esta vitória, quatro pontos de vantagem sobre o FC Porto e sete sobre o Benfica permitem respirar muito melhor. Notável o passe de cabeça de Vidigal para Acosta oportuno marcar o único golo da partida.

Duscher encheu, como habitualmente, o campo. Na transição ou em organização, ele foi essencial na manobra leonina. Jogando com intensidade, mais do que agressividade, é pela velocidade que transforma as situações a seu favor. Com bola, a jogar pelo centro e em apoio frontal, definiu os posicionamentos e movimentações que contribuíram para o controlo do jogo.

O Sporting alinhou com Schmeichel, César Prates, Beto, André Cruz, Rui Jorge, Vidigal (Bino, 56’), Duscher, Pedro Barbosa - capitão (Ayew, 56’), Mbo Mpenza (Toñito, 74’), Edmilson e Acosta. O golo foi marcado pelo “matador” Acosta aos 56 minutos.

publicado às 14:30

SC Campomaiorense 0 - Sporting 2 1999-00 CN 27ª jornada 24.3.2000

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 11.08.20

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O Sporting entrou em campo em 1º lugar na classificação do Campeonato. Um ponto de vantagem sobre o Porto e quatro sobre o Benfica. Vê-se melhor a montanha quando se caminha à frente. A equipa leonina está muito mais confiante do que na 1ª volta, o modelo de jogo beneficia os jogadores e tornou-se mais fácil eles fazerem aquilo que os faz parecer melhores. A sorte, quase sempre, ampara os que jogam com confiança.

A memória dos adeptos do futebol não costuma falhar. Não há esquecimento possível para os jogadores que vestem com galhardia a camisola do seu clube. No caso do Sporting, Beto Acosta está entre os que honram o leão ao peito. Joga, faz jogar e marca golos. O primeiro golo foi espectacular. Num gesto mágico, feito de improviso, feito de imprevisto, e a bola feita bala foi disparada na direcção da baliza. “Chapeau”!

O Sporting jogou com Schmeichel, César Prates, Beto, André Cruz, Rui Jorge, Duscher, Pedro Barbosa - capitão (Toñito, 69’), Bino, Mbo Mpenza (De Franceschi, 73’), Edmilson (Marco Almeida, 87’) e Acosta. Os dois golos foram marcados pelo inevitável Acosta, aos 42 e 63 minutos, este de grande penalidade.

publicado às 14:30

Fotografia com história dentro (209)

Atrás dos dias outros dias virão…

Leão Zargo, em 09.08.20

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O ouro foi extraído nas minas de Jales desde o século I d. C até 1992, as últimas minas onde esse minério foi extraído em Portugal. No auge da exploração mineira em Jales chegaram a trabalhar entre quinhentas a seiscentas pessoas. Depois do fecho veio o desemprego, muitos deixaram a região, emigraram, outros regressaram às terras de origem. E ficaram problemas ambientais, com as escombreiras a céu aberto, finalmente requalificadas em 2005.

O desporto é parte da vida social e económica e cada clube reflecte a dinâmica da comunidade onde se insere. Nos anos 30 o Sporting era um clube com grande projecção nacional, nomeadamente em virtude dos sucessos das suas equipas de futebol e de ciclismo. O Sporting Clube das Minas de Jales foi fundado em 1938 por adeptos leoninos e o futebol era a sua modalidade principal. Os jogadores eram quase todos mineiros, e o seu espírito comunitário e o trabalho duro no fundo da mina revelavam-se no comportamento aguerrido em bravas disputas nos campos pelados transmontanos.

Na década de 1960 verificaram-se grandes alterações demográficas e progressivamente diminuiu a actividade mineira em Vreia de Jales, em virtude de problemas no preço internacional do ouro, terminando a exploração em 1992. Em 1964 tomou a designação de Clube Desportivo do Pessoal das Minas de Jales e desde 1982 de Associação Desportiva Recreativa e Cultural de Campo de Jales. Agora com outras finalidades, mais abrangentes de carácter social e cultural, mas com a memória do “tempo das minas” e dos futebolistas mineiros ainda bem presente.

publicado às 14:30

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Há mais de dois mil anos, na China Imperial, o “cuju” era um dos desportos mais populares. Tinha grandes semelhanças com o futebol dos nossos dias: jogava-se com uma bola redonda de couro, não podiam ser utilizados as mãos e os braços, o campo era quadrado e o objectivo era rematar para balizas sinalizadas com dois postes. Chegou a ser disputado profissionalmente por equipas com doze jogadores. Era visto como um meio dos soldados manterem a destreza e a boa forma física. “Cuju” significa “chutar a bola”.

Um documento do tempo da Dinastia Han (206 aC-220 dC) estabeleceu as regras do jogo e os seus princípios éticos. A bola redonda e o campo quadrado simbolizavam os conceitos taoístas tradicionais de yin e yang. As duas equipas escolhiam um árbitro que mediava a resolução das peripécias da partida. O “cuju” é referido na literatura chinesa, por exemplo em “Os fora da lei do Pântano”, um romance clássico, mas entrou em declínio, tendo desaparecido durante a dinastia Ming (1368-1644).

Na imagem, pintura de Du Jin, “Damas Chinesas Jogando Cuju” (século XV).

publicado às 14:30

Sporting 2 - FC Porto 0 1999-00 CN 26ª jornada 18.3.2000

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 07.08.20

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Um grande jogo de futebol é como que uma metáfora da vida de cada um de nós. Nele há vitória e derrota, aplauso e assobio, generosidade e mesquinhez, amor e ódio numa tal ordem que originam a sua natureza ficcional insólita e excepcional. Os grandes jogos de futebol são formas de arte dramática comparáveis às peças de teatro de Shakespeare, às óperas de Wagner ou aos bailados de Stravinsky. Num Estádio o ser humano liberta-se do seu labirinto vivencial e assume a condição inicial e primária de crente em mitos e heróis.

Num jogo emocionante, o Sporting foi um justo vencedor. O futebol leonino muito lutador e pressionante, de grande garra e empenho, venceu um adversário que terá mais talento técnico. Dois golos perfeitos, de André Cruz na marcação de um livre directo e de Acosta no aproveitamento de um mau passe de Secretário. A 2ª parte foi bastante disputada pelas duas equipas, e não se verificou alteração no marcador. Com a vitória, os leões passaram para a frente da classificação com um ponto de vantagem sobre os portistas.

Leões em campo: Schmeichel, César Prates, Beto, André Cruz, Rui Jorge, Vidigal, Duscher, Pedro Barbosa - capitão (Toñito, 67’), Mbo Mpenza (De Franceschi, 72’), Edmilson (Bino, 84’) e Beto Acosta. Golos por André Cruz (16’) e Acosta (37’). Nos festejos, os jogadores do Sporting levantaram a camisola de jogo que por baixo dizia “Golos para Moçambique”.

publicado às 14:30

SC Braga 0 - Sporting 2 1999-00 CN 25ª jornada 10.3.2000

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 05.08.20

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O futebol é um jogo e a sua dinâmica desportiva associada à estética atlética, acrescidas de imprevisibilidade no resultado, é que o torna num extraordinário espectáculo de massas. Em Braga houve essa imprevisibilidade, apesar do Sporting ter sido algo superior desde o início. Na verdade, só houve vencedor certo com o golo de César Prates a dois minutos do fim do jogo.

Os leões venceram dominando todo o meio campo, Vidigal, Duscher e Pedro Barbosa jogaram nessa zona decisiva parecendo sempre estar em superioridade numérica. Depois, os movimentos frontais de Edmilson e de Mbo Mpenza no apoio a Acosta levaram grande perigo à baliza bracarense. Ayew e Toñito entraram bem no jogo, e o ganês até inaugurou o marcador.

Leões em campo: Schmeichel, César Prates, Beto, André Cruz, Rui Jorge, Vidigal, Duscher, Pedro Barbosa - capitão (Toñito, 72’), Edmilson (Bino, 86’), Acosta e Mbo Mpenza (Ayew, 63’). Golos por Ayew (76’) e César Prates (88’).

publicado às 12:30

Fotografia com história dentro (208)

O treinador Di Stéfano em Alvalade

Leão Zargo, em 02.08.20

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Alfredo Di Stéfano teve uma brevíssima passagem, quase esquecida, pelo Sporting como treinador. Com a época de 1974-75 à porta, o presidente João Rocha e o avançado Hector Yazalde foram a Benidorme e convenceram-no a treinar os leões. Antes, já tinha treinado o Elche, o Boca Juniors e o Valência, com sucesso, e a sua vinda gerou grande expectativa.

Apesar do entusiasmo, quase nada correu como se esperava, e tudo ficou comprometido logo na pré-temporada. Derrotas com o Bétis (3-1) e o Sevilha (4-1) no Troféu Cidade de Sevilha e uma fracassada digressão ao Brasil com um empate com o Atlético Mineiro (2-2) e derrotas frente ao Vasco da Gama (1-0) e Cruzeiro (6-0). A equipa leonina apresentou-se mal preparada e a desmotivação instalou-se.

Carlos Pereira descreveu ao jornalista Luís Castro Martins (“Mais Futebol”, 12.11.2016) um episódio que se verificou após o jogo com o Vasco da Gama em 30 de Agosto de 1974:

“Os tempos eram difíceis e não seguiu um roupeiro na viagem para ser substituído pelo Osvaldo Silva. Nós, jogadores, prescindimos que fosse o roupeiro e assumimos a parte dos equipamentos. Estávamos no Estádio do Vasco da Gama, começámos a arrumar a roupa e o João Rocha por uma questão de colaboração também estava a pôr a roupa e as toalhas nos sacos. O Di Stéfano estava mais à parte e disse para o Yazalde, houve jogadores que ouviram: ‘Este é o único clube do mundo em que o presidente também é roupeiro’. Foi caricato e a nós não nos caiu bem porque tínhamos feito aquilo de uma forma singular porque gostávamos muito do Osvaldo Silva. Isto não veio nos jornais, é verídico.”

Di Stéfano não terá ficado satisfeito com a qualidade do plantel. Fernando Tomé contou ao jornal O Jogo que “Di Stéfano queria um bom guarda-redes - tínhamos o Damas - e um avançado - havia o Yazalde. E as coisas degradaram-se”. A 1ª jornada do Campeonato ditou um Olhanense - Sporting, em 8 de Setembro, mas Di Stéfano, que nem almoçou com os jogadores, não foi para o banco porque o seu contrato ainda não tinha sido assinado, estava só apalavrado. O Sporting perdeu por um 1-0, o argentino já não assinou e três dias depois o Diário de Lisboa escreveu que “a velha ‘saeta rubia’ diz adeus a Lisboa e vai-se embora”. Osvaldo Silva assumiu o comando da equipa até à chegada de Fernando Riera.

publicado às 14:30

Sporting 1 - Alverca 1 1999-00 CN 24ª jornada 4.3.2000

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 30.07.20

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Um jogo de futebol não envolve o dramatismo e o sofrimento de uma batalha. Nada que se pareça, felizmente. Mas, ele há jogos em que no final fica-se com uma azia insuportável. Foi o caso deste Sporting - Alverca. Talvez pelo entusiasmo e optimismo dos adeptos num Estádio quase cheio, pelas oportunidades falhadas e, pior ainda, pelo empate frente a uma equipa que se limitou a jogar de forma muito organizada no seu meio campo.

Os três médios do Sporting seguraram bem o jogo, táctica e psicologicamente. Apoiaram a defesa (Vidigal e Duscher) e ainda foram lá à frente (Pedro Barbosa e Duscher, e depois Toñito) a aparecer nos espaços vazios deixados pelos avançados. Procuraram sempre criar desequilíbrios na defesa e no meio campo defensivo do adversário. Um empate desolador. O que vale é que não perdemos desde o jogo nas Antas (9ª jornada em 30 de Outubro).

O Sporting jogou com Peter Schmeichel, César Prates, Quiroga, André Cruz, Rui Jorge, Vidigal, Duscher (Toñito, 55’), Pedro Barbosa - capitão (Ayew, 64’), Mbo Mpenza, Acosta e Edmilson. Golos por Edmilson para o Sporting (34’) e Hugo Costa para o Alverca (57’).

publicado às 12:10

Boavista 0 - Sporting 1 1999-00 CN 23ª jornada 28.2.2000

Diário de um título 1999-00

Leão Zargo, em 28.07.20

Pedro Barbosa 1999-00.jpg

O futebol é um desporto colectivo, cada equipa tem de atacar com bola e defender sem bola. Apenas os futebolistas completos conseguem fazer ambas as coisas bem. Entre eles, há ainda os que colocam o talento individual ao serviço da equipa. O Sporting venceu no Bessa porque tem grandes jogadores que foram verdadeiros leões, que defenderam de forma organizada, nomeadamente quando na 2ª parte o Boavista dominou e pressionou.

Pedro Barbosa, Vidigal e Duscher organizaram o jogo e distribuíram-no. De Franceschi e Mbo Mpenza esticaram o “campo”. Acosta correspondeu quando foi servido em condições e procurou sempre criar perigo para a baliza de William. Lá atrás estiveram todos bem, mas Schmeichel e André Cruz foram excepcionais. Pedro Barbosa marcou aos 28 segundos de jogo. “Um ‘foguete’ que arrebentou cedo”, escreveu o Record no dia seguinte.

Alinhámos assim: Schmeichel, César Prates, Quiroga, André Cruz, Rui Jorge, Vidigal, Duscher (Toñito, 80’), Pedro Barbosa - capitão, Mbo Mpenza, De Franceschi (Edmilson, 48’) e Acosta (Ayew, 89’). Pedro Barbosa marcou um golo de antologia e os companheiros “engraxaram-lhe” as botas. Com toda a razão!

publicado às 14:30

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