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Fotografia com história dentro (160)

Leão Zargo, em 25.08.19

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Manuel Vasques, o “Malhoa”

Manuel Vasques foi um dos “Cinco Violinos” e, apesar de ser o mais novo, talvez pela sua invulgar capacidade técnica entendia-se de olhos fechados com os companheiros. “Tinha bola dos pés à cabeça (…) dentro do campo era ele quem jogava ao meu lado e fazíamos umas combinações fantásticas”, recordou Jesus Correia. A excepcionalidade do quinteto também decorria da complementaridade entre eles. É o terceiro maior goleador da história do Sporting, com 227 golos em 348 jogos, tendo jogado de 1946 até 1959 de leão ao peito.

O jornalista Tavares da Silva chamou-lhe “Malhoa”. Tal como o pintor impressionista encarava o quadro como a obra em si mesma captando as múltiplas cores da natureza, o jogador leonino revelava o seu lirismo no rectângulo de jogo e na corrida em direcção à baliza através da magia com a bola nos pés ou da insuperável trajectória da bola. Um campo de futebol era como que uma folha A4 em branco onde ele iria pintar jogadas carregadas de génio e de epopeia.

Nunca foi consensual como os outros companheiros da linha avançada, pois não mostrava o mesmo vigor bélico. Maravilhou os adeptos sportinguistas pela componente artística, como os desesperou pela inconstância. Vasques possuía a consciência mítica do seu destino. Em entrevista ao jornal Norte Desportivo, em 1963, proferiu uma reflexão lapidar: "Como futebolista, senti que cumpri um destino ao qual não podia fugir, uma espécie de fado... não triste como é hábito ser cantado ou pintado, mas ao jeito corrido, alegre. Este foi o meu fado."

No futebol tudo é paixão e drama, sorte e azar, vitória e derrota. A memória de jogadores como ele mostra como num jogo de futebol, e a propósito dos seus grandes praticantes, é possível reflectir sobre as virtudes e as imperfeições da condição humana e, de igual modo, sobre o génio e a persistência ou o efémero e o circunstancial.

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publicado às 13:30

Fotografia com história dentro (159)

Leão Zargo, em 18.08.19

José Carlos SCP3 SLB1 Taça Emigrante 12.4.1971.j

Sporting 3 - Benfica 1 (Taça Emigrante, Paris - 1971)

Um Sporting-Benfica implica sempre um encadeamento de histórias, e de muitas histórias dentro de outras histórias, numa narrativa que vem desde o princípio do século XX. Cada um de nós, quando assiste a um dérbie, recorda outros jogos entre os eternos rivais e há peripécias que estão guardadas na memória como se tivessem acontecido no dia anterior. Por essa razão é sempre motivo de entusiasmo e é aguardado com enorme expectativa, como aconteceu na disputa da Taça Emigrante, em 12 de Abril de 1971, em Paris.

O Campeonato Nacional sofreu uma interrupção de três semanas na Páscoa de 1971 e combinou-se a realização de um dérbie no Estádio de Colombes, que se encheu com emigrantes portugueses e parisienses. Era muito grande o entusiasmo, até porque as duas equipas alinhariam com todos os seus craques, e para o efeito foi criada a Taça Emigrante. O desafio foi bastante equilibrado, mas a equipa leonina acabou por se superiorizar graças à segurança defensiva e à arte de Peres, Chico Faria e Dinis. A fotografia é do final do jogo, quando o capitão José Carlos, com a taça, comemorou a vitória junto dos portugueses no Estádio.

Ficha de jogo:

Taça Emigrante (Páscoa de 1971)

Sporting 3 - Benfica 1

Estádio de Colombes, Paris, 12 de Abril de 1971

Árbitro - M. Branca (França)

Sporting - Damas Caló, José Carlos, Laranjeira, Hilário (Celestino 75'), Tomé (Manaca 67'), Nelson, Peres, Lourenço, Chico Faria e Dinis

Treinador - Fernando Vaz

Benfica - José Henrique, Malta da Silva, Humberto, Zeca, Adolfo, Vítor Martins (Messias 87'), Diamantino (Jaime Graça 67'), Nené, Eusébio, Artur Jorge e Simões

Treinador - Jimmy Hagan

Golos - Tomé (47'), Jaime Graça (73'), Chico Faria (82') e Dinis (90')

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publicado às 13:15

Vitória justa pela margem mínima

Leão Zargo, em 12.08.19

Sporting CP 1 - SC Braga 0  Liga Revelação 2019-

Começou a Liga Revelação (sub 23). O plantel do Sporting, treinado por Leonel Pontes, é constituído essencialmente por jogadores da Academia que na época anterior alinharam nos sub 23, sub 19, sub 18 e até sub 17, ou que regressaram de empréstimos. Isto revela uma alteração estratégica importante, pois baixou a média de idades. Segundo o treinador “a ideia é tentar que os jogadores revelem maturidade, capacidade e prontidão para poderem jogar num nível mais acima e que todos tenham oportunidade de jogar num campeonato mais adaptado às suas características e ao seu potencial”. Recorde-se que em 2018-19 o Sporting ficou em 2º lugar a um ponto do campeão, o Desportivo das Aves.

Em Alcochete, os leões defrontaram o SC Braga, na partida da 1ª jornada, e venceram por 1-0. Gonzalo Plata, Nuno Mendes e Eduardo Quaresma, que integram o plantel principal, alinharam a titulares. O Sporting começou bem, num 4-3-3 com Gonzalo Plata, Pedro Mendes e Joelson Fernandes à frente, com um futebol esclarecido e ofensivo. Aos 20 minutos, na sequência de um canto bem marcado por Joelson Fernandes, o bracarense Samuel fez um autogolo. A partir daí, o jogo passou a ser repartido pelas duas equipas, mas a vitória leonina não merece contestação. Na baliza, Diogo Sousa esteve muito seguro.

Com uma boa moldura de espectadores, Bruno Fernandes, Luís Neto, Thierry Correia e Luís Maximiano assistiram ao jogo. Na próxima jornada, o Sporting desloca-se à Vila das Aves para defrontar o Desportivo local.

Ficha de jogo: 

Liga Revelação - 1.ª jornada (12.8.2019)

Sporting CP 1 - SC Braga 0

CGD Stadium Aurélio Pereira, Alcochete

Árbitro: Gonçalo Carreira

Sporting: Diogo Sousa, Pedro Mendes (Diogo Brás, 88’), Joelson Fernandes (Bruno Tavares, 75’), Gonzalo Plata (Tiago Tomás, 88’), Nuno Mendes (Echedey Verde, 45’), João Silva, João Oliveira, Eduardo Quaresma, Matheus Nunes, Nuno Moreira (Bernardo Sousa, 45’) e Tomás Silva (cap.)

Treinador: Leonel Pontes

SC Braga: Rogério, Bernardo, Anthony, Baldé, Pedro Martins (Pedro Santos, 65’), Veiga, Eynel (Xico, 80’) Samuel Costa (Nuno Cunha, 80’), Vítor, Xavier (cap.) (Eduardo Ribeiro, 86’) e Sanca (Willian, 65’)

Treinador: José Carvalho Araújo

Golo: 1-0 Samuel (p.b. 20‘)

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publicado às 19:15

Fotografia com história dentro (158)

Leão Zargo, em 11.08.19

Hino do Sporting 1956.jpg

O Hino do Sporting Clube de Portugal

Ao contrário do que muitos pensam, o Hino oficial do Sporting não costuma ser ouvido no Estádio de Alvalade. A popular e vibrante marcha Viva o Sporting”, cantada por Maria José Valério, ou o extraordinário e emocionante “O Mundo Sabe Que”, com letra de Miguel Pacheco e inspirado em “Comme d’habitude”, de Claude François, e “My Way”, de Sinatra, não são os hinos do Clube. Para o conhecermos teremos de recorrer ao inevitável youtube ou estar presente em alguma cerimónia ou gala leonina.

Na verdade, o Maestro Flaviano Rodrigues (música) e Ramiro Guedes de Campos (letra) compuseram em 1956 um hino épico, com recurso à simbologia sportinguista, no qual atletas e adeptos se deveriam inspirar na devoção e no esforço pelo seu Clube. A letra é reveladora do ambiente estético e político daquela época. O Hino do Sporting foi ouvido publicamente pela primeira vez em 10 de Junho de 1956 no contexto da inauguração do Estádio José Alvalade.

Apesar do seu carácter épico e motivacional, o Hino quase que deixou de ser cantado em público a partir da década de 1970, ouvindo-se apenas em algumas comemorações festivas. No Estádio de Alvalade, em virtude da harmonização coral mais apropriada para um sarau numa sala ou num recinto fechado, viu o seu lugar ocupado pela vibrante marcha cantada por Maria José Valério, que, entretanto, tinha sido gravada num disco de 78 rotações da Columbia.

 

Hino do Sporting Clube de Portugal

 

Marchando ao Sol, entre vivas e palmas,

E verdes ondas, bandeiras - mais e mais!

O Sporting surge! E cinquenta mil almas

No Estádio bradam ovações triunfais!

 

É verde a Esperança! É assim o Emblema

Que o povo tem sobre o peito, a palpitar!

Ser leão rampante é a honra suprema

Em Portugal d’Aquém e d’Além-Mar!

 

Lutai! Lutai! Lutai como leões!

Erguei-vos como fachos a arder!

Fazei vibrar os nossos corações!

A Esperança nos diz: - «Vencer! Vencer!»

 

«Leões»! «Leões»! Fazei que em vós assome

A Glória num clarão imortal!

Lembrai que tendes no nome

Este nome - PORTUGAL!!!

 

Música: Maestro Flaviano Rodrigues

Letra: Ramiro Guedes de Campos

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publicado às 12:45

O presidente e a sua circunstância

Leão Zargo, em 08.08.19

Frederico Varandas.jpg

Em breve conheceremos com maior rigor as consequências da derrota imposta pelo Benfica na final da Supertaça. O primeiro jogo da Liga, de súbito, tornou-se decisivo. Ou quase. Se correr mal, tudo pode correr mal. Até porque logo a seguir virá outra “final”. No Sporting, o futebol é o barómetro. Sinal de partida e de chegada.

O Clube apenas pode contar consigo próprio. A coesão da Direcção, a competência da equipa técnica, o profissionalismo dos jogadores e a motivação dos adeptos. Não haverá varinhas mágicas nem movimentos por baixo da mesa que resolvam a crise que se instalou. Nem vale a pena insistir a propósito da parcialidade da comunicação social.

O Sporting é um clube autofágico, mas isso já se sabe há muito. Trata-se de um caso de estudo, depois de António Ribeiro Ferreira (1946 a 1953) não voltou a ter um presidente vencedor e reconhecido pelos adeptos. Mesmo homens que perceberam a realidade do futebol do seu tempo, como Brás Medeiros e João Rocha. Ou presidentes campeões como José Roquette e Dias da Cunha.

Uma coisa é certa, verdadeiramente, Frederico Varandas está perante o seu primeiro teste de fogo. Não decide sobre tudo, mas num clube como o Sporting o presidente constitui equipas multidisciplinares nas diferentes estruturas nas quais delega o exercício de funções e que respondem perante ele. Um dos segredos da liderança está na escolha das pessoas certas para as diversas áreas.

Agora, será mais difícil controlar a ocasião e as circunstâncias. O tempo é desfavorável e não será permitido um deslize. Mas é nestas ocasiões que os líderes se afirmam. Nos próximos dias, o presidente Frederico Varandas tem de ser claro, oportuno, objectivo e convincente, e revelar conhecimento de causa e de controlo dos acontecimentos. E que não repita que não está preocupado, ao contrário da generalidade dos sportinguistas. 

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publicado às 12:50

Fotografia com história dentro (157)

Leão Zargo, em 04.08.19

P. Polainas, A. Raposo, J. Calquinhas e A. Rodrigu

Américo Raposo, tricampeão nacional de velocidade

O ciclismo contribuiu imenso para que o Sporting se tornasse num clube verdadeiramente nacional. Muitos portugueses que nunca viram jogar os grandes futebolistas de leão ao peito, vibraram na beira das estradas com os ciclistas de verde e branco. Admiravam o seu carácter e a força indómita para vencer as subidas intermináveis na montanha ou a temeridade e a velocidade dos “sprinters” na proximidade da meta. Em Lisboa, na pista do Estádio de Alvalade (no Lumiar e no inaugurado em 1956), realizaram-se festivais em que participaram ciclistas estrangeiros ou a chegada de etapas da Volta a Portugal.

O ciclismo leonino deu as suas primeiras pedaladas em 1911 por acção de António Soares Júnior e chegou a ser a segunda modalidade mais importante do Clube. Alfredo de Sousa, Alfredo Trindade, José Albuquerque “Faísca”, Francisco Inácio, Américo Raposo, João Roque, Leonel Miranda, Firmino Bernardino, Joaquim Agostinho e Marco Chagas, entre outros, levaram o nome do Sporting a todo o lado. “Lembro-me de ver as professoras com os alunos junto às estradas, tudo parava para nos ver”, recordou Leonel Miranda.

O ciclista Américo Raposo é considerado um dos maiores “sprinters” e “pistards” de sempre em Portugal. O seu forte não eram as provas por etapas, como a Volta a Portugal, mas corridas de apenas de um dia onde fazia valer as suas características. Mesmo assim, venceu doze etapas da Volta. A camisola do Sporting foi a única que envergou em toda a sua carreira entre 1949 e 1960, desde os dezasseis anos de idade na Escola de Ciclismo do Clube. Necessitou de uma autorização especial para que pudesse competir oficialmente e de imediato sagrou-se Campeão Regional de Velocidade em 1950.

Promovido à categoria de Independentes, Américo Raposo foi Tricampeão Nacional de Velocidade em 1951, 1952 e 1953. Ficaram célebres as suas disputas com outros grandes especialistas, como o sportinguista Pedro Polainas e o portista Onofre Tavares. Estreou-se na Volta a Portugal em 1952 e vestiu logo a Camisola Amarela ao vencer o Circuito da Pista do Lima, no Porto. Participou no Campeonato de Mundo de Pista em 1952, em Milão, e defrontou vedetas como Anquetil, Bobet, Bahamontes, Kubler e Poblet. Conquistou vinte e oito títulos de Campeão de Velocidade e de Fundo.

Na fotografia, Américo Raposo com Pedro Polainas, José Calquinhas e o Capitão da Secção Armando Rodrigues no Circuito da Figueira da Foz (retirado da página no Facebook de Américo Raposo).

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publicado às 13:25

Começou a Volta a Portugal 2019

Leão Zargo, em 31.07.19

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A Volta a Portugal de 2019 já está na estrada. Trata-se da 81ª edição que se disputa entre 31 de Julho e 11 de Agosto, com um prólogo e dez etapas ao longo de 1.518 quilómetros. Será meia-volta a Portugal (o Alentejo e o Algarve ficam de fora), mas a Volta é sempre a Volta. O Sporting-Tavira, dirigido por Vidal Fitas, apresenta-se com a ambição de alcançar melhor do que no ano passado, quando ficou em 2º lugar na classificação geral, através de Joni Brandão, e por equipas.

O esquadrão verde e branco aprenta-se com sete ciclistas: Tiago Machado, Frederico Figueiredo, Alejandro Marque, José Mendes, Alexsander Grigoriev, Alvaro Trueba e David Livramento. Tiago Machado, que correu pela Radioshack de Lance Armstrong e pela Katusha/Alpecin sob o comando de José Azevedo, é um dos grandes favoritos. Mas, José Mendes (Campeão Nacional de Fundo) e Frederico Figueiredo (5º lugar na Volta em 2018) também ambicionam um lugar no pódio.

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Hoje decorreu o prólogo em Viseu, um contra-relógio individual durante 6 quilómetros. Samuel Caldeira (W52-FC Porto) é o primeiro Camisola Amarela. Alejandro Marque, a 11 segundos, é o melhor sportinguista. Amanhã corre-se a 1ª Etapa, entre Miranda do Corvo e Leiria (174,7 quilómetros), com a subida à Serra da Lousã, onde está um Prémio de Montanha de 1ª categoria.

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publicado às 18:30

Fotografia com história dentro (156)

Leão Zargo, em 28.07.19

Jornal Sporting nº 1858 1983.jpg

A bola já salta

Em Julho de 1983 o jornal Sporting (nº 1.858) exclamava com entusiasmo que “a bola já salta”. Pudera, havia razões para acreditar no sucesso da equipa com Manuel Fernandes e Jordão na linha avançada, Oliveira e Kostov como médios e Carlos Xavier e Venâncio na defesa. O defeso tinha sido “quente”, os leões foram às Antas contratar Gabriel, formado na escola azul e branca, para além de Romeu. Para a baliza veio o internacional húngaro Bela Katzirz, e como é habitual havia vários jogadores oriundos da Formação: Venâncio, Morato, Zezinho, Mário Jorge e Futre, entre outros. O técnico era o checo Josef Venglos.

A época de 1983-84 não foi feliz, mas o futebol possibilita todos os anos a renovação da esperança e em Alvalade sabe-se que a conquista do título de campeão nacional permitirá iniciar um novo ciclo vitorioso. A confiança revela que o que foi possível num determinado momento, voltará a ser possível, de outra forma, outra vez. A confiança de que o Sporting voltará a ser um Clube vencedor e que vai manter a sua identidade histórica. Acreditamos que Marcel Keizer será capaz de estar à altura das circunstâncias e das responsabilidades e que os jogadores leoninos saberão potenciar as suas forças e minimizar as fraquezas.

Sinal de confiança! 

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publicado às 13:25

Fotografia com história dentro (155)

Leão Zargo, em 21.07.19

FCP SCP 1981-82 última jornada do Campeonato.jpg

 “O tempora, o mores”

“No tempo em que os animais falavam nem calculam a confusão que era. Os lobos imitavam a voz dos homens, os homens imitavam a voz dos lobos, os cães imitavam a voz dos donos, os gatos imitavam a voz dos cães, os ratos imitavam a voz dos gatos e a raposa, do lado de fora das redes da capoeira, imitava a voz das galinhas…” (António Torrado)

… e no futebol, nesse tempo, também se verificavam coisas verdadeiramente invulgares e de espantar: nas Antas, no último jogo do Campeonato de 1981-82, os jogadores do Porto cumprimentam desportivamente os do Sporting que tinham conquistado o título de campeão nacional na jornada anterior. Por também terem vencido a Taça de Portugal (4-0 ao SC Braga), os leões conseguiram a “dobradinha” nessa época. O treinador era Malcolm Allison.

(“O tempora, o mores”, frase latina que significa “oh tempos, oh costumes”.)

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publicado às 12:48

42º Troféu Joaquim Agostinho

Leão Zargo, em 14.07.19

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Realizou-se hoje a última etapa do 42.º Troféu Joaquim Agostinho. Também designado Grande Prémio Internacional de Torres Vedras, é a prova portuguesa de ciclismo que há mais anos consecutivos está inscrita no calendário internacional e homenageia o antigo ciclista, que era natural de Torres Vedras. Este ano a Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM) dedicou-lhe uma moeda na coleção de “Ídolos do Desporto”.

A edição de 2019 realizou-se entre 11 de Julho e 14 de Julho, com um prólogo em Turcifal (8 kms) e três etapas (Ventosa -  Sobral de Monte Agraço, 156,8 kms, Atouguia da Baleia - Torres Vedras, 152,7 kms, e Foz do Arelho - Alto de Montejunto, 179,3 kms. Competiram vinte e três equipas e quase centena e meia de ciclistas de dezasseis nacionalidades. O Sporting-Tavira esteve presente com seis corredores e teve uma participação discreta.

Frederico Figueiredo foi o leão em maior destaque, ficando em 4º lugar na classificação geral a 1 minuto e 4 segundos do vencedor Henrique Casimiro (Efapel), em 5º na geral por pontos e em 3º na geral da montanha. Marco Chagas afirmou recentemente ao jornal O Jogo que o ciclista leonino “devia arriscar mais”. Frederico Figueiredo, um trepador que ficou em 5º lugar na Volta a Portugal em 2018, procurou estar à altura do aviso e andou sempre com os melhores.

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publicado às 21:20

Fotografia com história dentro (154)

Leão Zargo, em 14.07.19

SCP SLB 1943-44 3-2 Taça Império 10.6.1944.jpg

A primeira Supertaça

No dia 10 de Junho de 1944, na inauguração do Estádio Nacional, o Sporting, por ser o vencedor do Campeonato, e o Benfica, o vencedor da Taça de Portugal, disputaram a primeira Supertaça… ainda antes dela ter sido criada. Na verdade, foi a primeira vez que os dois clubes que tinham conquistado o Campeonato e a Taça se defrontaram com esse estatuto, disputando a Taça Império instituída pela Federação Portuguesa de Futebol. Apesar de estar prevista a continuidade da competição, ela apenas seria retomada em 1979 com a designação Supertaça Cândido de Oliveira.

A equipa leonina venceu o jogo por 3-2 (1-1 no tempo regulamentar) com inteira justiça. Adaptou-se melhor à forte ventania e, com grande segurança defensiva, através do seu futebol ofensivo rectílineo manteve a defensiva benfiquista sob pressão constante. Peyroteo fez uma grande exibição e foi o autor do primeiro golo no Jamor. João da Cruz, em choque com Álvaro Cardoso, teve o azar de fracturar uma costela, mas manteve-se em campo até ao final do jogo. Nos respectivos bancos, sentaram-se dois treinadores húngaros com nome feito: Joseph Szabó e János Biri.

Ficha de jogo:

Taça Império, 10 de Junho de 1944

Sporting 3 - Benfica 2

Arbitro - Vieira da Costa (Porto)

Sporting - João Azevedo; Álvaro Cardoso e Manuel Marques “Manecas”; Canário, Octávio Barrosa e Eliseu; Mourão, João da Cruz, Peyroteo, António Marques e Albano

Treinador - Joseph Szabó

Benfica - Martins; César Ferreira e Carvalho; Jacinto, Albino e Francisco Ferreira; Espírito Santo, Arsénio, Julinho, Joaquim Teixeira e Rogério “Pipi”

Treinador - János Biri

Golos - Peyroteo (60’ e 92’), Espírito Santo (77’), Eliseu (107’) e Julinho (115’)

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publicado às 13:30

Fotografia com história dentro (154)

Leão Zargo, em 07.07.19

EP SCP 1948-49 2-4 9.1.1949 CN.jpg

Linha verde para o tricampeonato (1948-49)

O olhar do guarda-redes estorilista Sebastião revela que já nada pode fazer. A bola feita seta beijou as redes da sua baliza. Em 9 de Janeiro de 1949 o Campo da Amoreira encheu-se para assistir a um emocionante Estoril Praia - Sporting.  Os leões venceram por 4-2, mas os jogadores das duas equipas nunca tiraram o pé do acelerador até ao final do jogo. Nos respectivos bancos sentaram-se dois treinadores com nome feito: János Biri pelos da casa e Cândido de Oliveira pelos visitantes.

É bom que se diga que o Sporting liderava a classificação do Campeonato Nacional com três pontos de avanço sobre o Estoril-Praia, na altura o segundo classificado. Com este resultado passou para cinco pontos. Belenenses, Benfica e FC Porto vinham logo a seguir na tabela. Com a vitória consolidou-se a vantagem sportinguista e o jornalista Rodrigues Teles escreveu que “deve ter desaparecido a última esperança dos adversários do Sporting” (revista Stadium, nº 319, 12 de Janeiro de 1949).

Rodrigues Teles tinha razão, pois foi nesse jogo que os leões abriram uma linha verde para o título, tornando-se num inédito tricampeão nacional, o primeiro desde a criação do Campeonato português em 1938. Foi a última época em que Peyroteo vestiu a camisola verde e branca.

(Fotografia de Nunes de Almeida para a revista Stadium).

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publicado às 14:27

José Mendes.jpg

José Mendes, ciclista da equipa Sporting-Tavira, sagrou-se campeão nacional de fundo na categoria de elite, vencendo Ricardo Mestre e António Carvalho, ambos do W52-FC Porto, nos últimos mil metros da prova. Trata-se do primeiro título conquistado por um ciclista leonino desde o regresso do clube à modalidade.

A competição decorreu numa prova de 197 quilómetros, com partida em Castro Laboreiro e chegada a Melgaço, disputada a alta velocidade, apesar da extraordinária exigência do percurso. Na corrida sucederam-se as fugas depois dos primeiros 60 quilómetros, mas todas foram infrutíferas. Na fase de aproximação à meta, Ricardo Mestre conseguiu isolar-se, no entanto José Mendes respondeu nos últimos mil metros e foi mais forte, derrotando também António Carvalho.

O ciclista é natural de Guimarães, e saboreou o triunfo com grande emoção, para o próprio e para os muitos apoiantes que o vitoriaram. No final da prova afirmou que “é sempre uma corrida especial, nunca se sabe o que vai acontecer. Proporcionou-se estar na frente na fase final e fui buscar forças a todos aqueles que estavam a apoiar-me e a gritar por mim. As últimas pedaladas foram graças a eles. A corrida foi dura, disputada a grande velocidade. Ainda tenho de digerir este resultado”.

José Mendes foi contratado pelo Sporting-Tavira em Novembro de 2018, quando corria pela equipa de Burgos-BH. Foi campeão nacional de juniores em contrarrelógio, em 2003, e campeão nacional de fundo de elite, em 2016, título que voltou a conquistar agora. Trata-se de um ciclista bastante completo, experiente e com vivência internacional, muito forte em provas por etapas e no contrarrelógio.

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publicado às 17:59

Fotografia com história dentro (153)

Leão Zargo, em 30.06.19

SCP 1944-45 Festa de Homenagem João Jurado.jpg

Imagem social dos futebolistas em Portugal nos anos 30 e 40

Em Portugal, nas décadas de 1930 e 1940, o Estado Novo ainda mantinha com o futebol uma relação de notável ambiguidade. É que o regime político não considerava o futebol como a modalidade desportiva capaz de regenerar a condição física e moldar o carácter dos portugueses. A ginástica, a vela, o remo ou o atletismo desempenhariam muito melhor esse papel. Isso reflectiu-se na imagem social e no estatuto remuneratório dos futebolistas e no semiprofissionalismo que vigorava.

Ser futebolista não era considerado uma profissão, pois essa actividade não se enquadrava no conceito de sociedade do Estado Novo, essencialmente normalizada e organizada. Cada um no seu próprio lugar, e o lugar de futebolista não estava previsto. Obrigatoriamente os jogadores declaravam outra profissão oficial, que era a que constava no Bilhete de Identidade. Depois da 2ª Guerra Mundial, a crescente popularidade do futebol e a sua importância social e económica, o crescimento urbano, a cultura de massas e a mudança das mentalidades introduziram progressivas alterações.

No Sporting na segunda metade dos anos 30 vigorava um salário mensal de 700$00, que era fixo para todos os jogadores principais. A isso podia acrescer uma determinada quantia proveniente da “caixa dos leões” (ou “cotização dos carolas”) que reforçava de forma diferente os ordenados de alguns atletas. Fernando Peyroteo refere no seu livro “Memórias de Peyroteo” (página 68) que “aos que mereciam, o senhor Francisco Franco, dava, por fora, 200$00 ou 300$00 mensais. Felizmente, nunca me faltou com o subsídio extraordinário”.

Havia, ainda, as “festas de homenagem” ou “festas de despedida” quando os futebolistas terminavam as suas carreiras, cuja receita era muito importante para eles. Tratava-se de uma significativa forma de solidariedade entre jogadores. De acordo com o estatuto pessoal e desportivo de cada um, organizavam-se jogos nas quais participavam colegas de outros clubes. No caso dos jogadores do Sporting era normal participarem do Benfica ou do Belenenses, entre outros, ou organizarem-se equipas mistas. Em casos excepcionais, como o de Peyroteo, recorria-se a equipas estrangeiras.

Na fotografia, a equipa do Sporting que defrontou um misto de Almada na “festa de homenagem” a João Jurado em 6 de Junho de 1945. Jurado foi um dos mais destacados futebolistas leoninos entre 1926 e 1940. Não prescindiu da sua “festa”, apesar de ter a vida bem organizada por ser proprietário de um táxi.

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publicado às 15:20

Fotografia com história dentro (152)

Leão Zargo, em 23.06.19

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Uma vitória efémera!

Ralph Meade, Manuel Fernandes e Mário Jorge festejam um golo, perante o desalento de Dito, Oliveira e Silvino. Foi no célebre Sporting 7 - Benfica 1, em 14 de Dezembro de 1986, a tarde em que os “leões devoraram gulosamente as águias” (Aurélio Márcio, no jornal A Bola) e o último dia em que Silvino equipou de azul.

Este jogo, memorável para os leões e desastroso para os encarnados, encerra várias lições. A primeira é de que uma vitória pode ser apenas uma vitória. Mesmo um triunfo assim invulgarmente volumoso. No final, o Benfica foi o campeão nacional com vinte vitórias, nove empates e somente uma derrota. Essa, a do 7-1, precisamente. O Sporting ficou em 4º lugar, com menos onze pontos do que o rival de sempre.

Outra grande lição decorre da inconstância dos adeptos. Muitos benfiquistas presentes na bancada Superior Norte entenderam que aquela seria a melhor ocasião para fazer uma fogueira onde queimaram bandeiras e cachecóis do seu clube. Há quem garanta que houve cartões de sócio que foram à vida. Palpita-me é que que poucos meses depois tiveram de ir a correr à “Loja” para comprar à pressa os apetrechos para a festa do título.

Há ainda uma outra lição, mas essa bem amarga para o treinador Manuel José. Em 14 de Dezembro dirigiu os leões no celebrado 7-1, mas não aqueceu o lugar durante muito mais tempo. Naquela tarde em Alvalade houve abraços entre todos, menos de um mês depois, em 11 de Janeiro, recebeu a guia de marcha depois de um empate com o Rio Ave (0-0). Depois da euforia, a solidão. Mistérios que o futebol tece.

Ficha de jogo:

Campeonato Nacional, 14ª jornada

Sporting 7 - Benfica 1

Estádio de Alvalade, 14 de Dezembro de 1986

Árbitro: Vítor Correia (Lisboa)

Sporting - Damas, Gabriel, Venâncio, Virgílio, Fernando Mendes (Duílio, 78), Oceano, Zinho, Litos (Silvinho, 78), Mário Jorge, Manuel Fernandes e Ralph Meade

Treinador - Manuel José

Benfica - Silvino, Veloso, Dito, Oliveira, Álvaro, Shéu (Nunes, 58), Diamantino (César Brito, 72), Carlos Manuel, Vando, Chiquinho e Rui Águas

Treinador - John Mortimore

Golos: 1-0, Mário Jorge (15), 2-0, Manuel Fernandes (50), 2-1, Vando (59), 3-1, Ralph Meade (65), 4-1, Mário Jorge (68), 5-1, Manuel Fernandes (71), 6-1, Manuel Fernandes (83) e 7-1, Manuel Fernandes (86)

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publicado às 12:59

Fotografia com história dentro (151)

Leão Zargo, em 16.06.19

Tirsense Sporting 1948-49 2-1 1ª elim. TP.jpg

Tirsense 2 - Sporting 1: uma eliminação que deu brado

O Tirsense eliminou o Sporting da Taça de Portugal por 2-1 em 17 de Abril de 1949. Os jesuítas jogavam na 3ª Divisão e eram treinados por “Pinga”, o célebre jogador do Porto. Os leões tinham conquistado o Campeonato Nacional que terminara uma semana antes, mas as derradeiras cinco jornadas foram penosas, com duas derrotas e um empate.  O pior foi a grave lesão de Peyroteo no final do mês de Março na Covilhã. Mas também Veríssimo, Jesus Correia e Travassos, entre outros, estavam com problemas físicos.

Cândido de Oliveira sonhava com a Taça Latina que se disputaria na segunda quinzena de Junho e na última jornada do Campeonato em Guimarães, em 10 de Abril, dos “Cinco Violinos” apenas fez alinhar Vasques. Uma semana depois, para a Taça de Portugal em Santo Tirso, o treinador voltou a poupar alguns dos habituais titulares, entre eles, Veríssimo, Jesus Correia e Travassos, para além de Peyroteo que continuava lesionado. O nº 9 leonino só voltaria a jogar num particular com o Deportivo da Coruña em 29 de Maio.

No Tirsense - Sporting correu mal tudo o que podia correr mal. Um campo sem condições para a prática do futebol, o jovem Sérgio Soares acusou a responsabilidade de substituir Peyroteo, um golo mal invalidado, bolas na trave e no poste e Azevedo, que se lesionara, cometeu aos 83 minutos um lapso que permitiu que Mendes fizesse o 2-1 que vigorou até ao final do jogo. O tricampeão nacional que tinha conquistado a Taça de Portugal nas últimas três edições ficou pelo caminho na primeira eliminatória da prova em 1948-49.

Ficha de jogo:

Taça de Portugal (1ª eliminatória)

Tirsense 2 - Sporting 1

Campo Abel Alves de Figueiredo, 17 de Abril de 1949

Árbitro - Augusto Pacheco (Aveiro) 

Tirsense - Daniel, Joaquim, Chelas, Cruz, Álvaro, Prazeres, Zeca, Falcão, Mendes, Catolino e Mota

Treinador - Artur Sousa “Pinga”

Sporting - João Azevedo, Octávio Barrosa, Juvenal, Canário, Manecas, Mateus, Armando Ferreira, Vasques, Sérgio Soares, João Martins e Albano

Treinador - Cândido de Oliveira

Golos - 0-1 Armando Ferreira (12m), 1-1 Catolino (20m) e 2-1 Mendes (83m) 

(Fotografia na revista Stadium, 2ª série nº 333 de 20 de Abril de 1949)

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publicado às 13:03

Fotografia com história dentro (150)

Leão Zargo, em 09.06.19

SCP juniores 1955-56 Campeão Nacional.jpg

Os juniores leoninos em 1955-56

A maioria dos sportinguistas considera que a Formação leonina no futebol faz parte do ADN do Clube. Essa convicção está associada ao histórico de jogadores que se iniciaram nas camadas jovens e a uma tradição de décadas que permitiu que muitos desses atletas tivessem alinhado na equipa principal. O Sporting conquistou a primeira edição do Campeonato Nacional de Juniores, em 1938-39.

Todos conhecemos os nomes de Octávio Barrosa, Manecas, Morato (pai e filho), Fernando Mendes (médio), Pedro Gomes, Alexandre Baptista, Damas, Zezinho, Bastos, Aurélio e Carlos Pereira, Laranjeira, Caló, Barão, Inácio, Freire, Ademar, Virgílio, Carlos Xavier, Venâncio, Futre, Litos, Lima, Mário Jorge, Fernando Mendes (defesa), Paulo Torres, Cadete, Beto, Peixe, Figo, Cristiano Ronaldo, Rui Patrício e Adrien, entre muitos outros. Integraram os escalões jovens e o plantel sénior.

A equipa de juniores da época de 1955-56 terá sido uma das mais fortes sempre no que refere à qualidade colectiva, e começou a ser construída nos principiantes dois anos atrás. Nessa época venceu as duas competições em que participou, o Campeonato Regional e o Campeonato Nacional. Em trinta e dois jogos consentiu três empates e uma derrota, marcou cento e quarenta e três golos e sofreu nove golos. O treinador era o argentino Anselmo Pisa, que orientava também o plantel principal.

***A fotografia refere-se à final do Campeonato Nacional com a Académica de Coimbra, nas Salésias em 6 de Maio de 1956, que os leões venceram por 7-1:

De pé - Anselmo Pisa, António João Azevedo, Serra Coelho, Brito Lobato, Fernando Mendes, Emanuel Carvalho, António Morato, Nelito Fernandes e Valente;

Em baixo -  Mário Couto, Carlos Coutinho, Jorge Mendonça, José Sampaio, Elísio Bispo e Carlos Santos.

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publicado às 12:38

Fotografia com história dentro (149)

Leão Zargo, em 02.06.19

SCP 1953-54 tetra e dobradinha.jpg

Galaz, o “pêndulo da equipa”

O algarvio João Galaz jogou no Sporting entre 1953 e 1960. Apesar de não possuir o currículo desportivo de outros atletas leoninos, estrelas no Clube e na Selecção, foi um dos jogadores nucleares do seu tempo. O brio que colocava na disputa do jogo e a confiança que transmitia tornaram-no quase imprescindível. Manteve com Caldeira e Pacheco uma luta acérrima pela titularidade na defesa. A polivalência permitia-lhe ocupar um lugar na linha média.

Galaz realizou grandes épocas no Sporting, sendo em algumas delas um dos atletas que participou em maior número de jogos. Aconteceu, por exemplo, no ano do tetra e da dobradinha, em 1953-54, e na conquista do título de Campeão Nacional, em 1957-58. Jogando, na defesa ou no meio campo, foi considerado o “pêndulo da equipa”. Por modéstia, costumava afirmar que isso se devia apenas à sua concentração em cada partida que disputava.

Participou em 137 jogos oficiais com o leão ao peito e esteve em 4 de Setembro de 1955 na histórica abertura da Taça dos Clubes Campeões Europeus frente ao Partizan de Belgrado. Uma das maiores desilusões da sua carreira de futebolista decorreu de nunca ter sido internacional A, embora tivesse vestido as camisolas das selecções B e Militar. Recebeu em 2009 o Prémio Stromp na categoria “Saudade”. Faleceu em 1 de Junho de 2016.

Na fotografia, uma equipa leonina na época do tetra e da dobradinha (1953-54):

De pé - Janos Hrotko, José Rita, Carlos Gomes, Passos, Galaz, Caldeira e Juca;

Em baixo - Hugo, Vasques, João Martins, Travassos e Fernando Mendonça.

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publicado às 13:49

Fotografia com história dentro (148)

Leão Zargo, em 25.05.19

SCP FCP 1977-78 2-1 finalíssima da TP.jpg

A primeira finalíssima da Taça de Portugal

O Sporting e o FC Porto já se defrontaram em quatro finais da Taça de Portugal, com dois triunfos para cada um dos contendores. Hoje à tarde no Jamor haverá inevitavelmente desempate. Nas quatro finais anteriores nunca houve um vencedor nos noventa minutos do jogo, sendo sempre necessário o prolongamento e até três finalíssimas.

A primeira final entre os dois clubes aconteceu apenas na época de 1977-78 e disputou-se em 17 de Junho. Os portistas tinham conquistado o título nacional uma semana antes e quebrado um jejum de dezanove anos, e apresentaram-se como favoritos. O jogo foi muito duro, conflituoso, e terminou empatado a 1-1, mesmo depois do prolongamento.

Por essa razão, de acordo com o regulamento em vigor, jogou-se na semana seguinte, em 24 de Junho, a primeira finalíssima da Taça de Portugal. Houve de novo emoção no Estádio Nacional, o FC Porto apresentou-se bastante defensivo e o Sporting superiorizou-se na segunda parte com Vítor Gomes e Ademar mais adiantados no terreno no apoio ao trio ofensivo (Manuel Fernandes, Keita e Manoel).

Apesar de desfalcado de Jordão, Fraguito, Manaca, Da Costa, Baltazar e Barão, o Sporting foi um justo vencedor. Na finalíssima, Botelho, Artur, Vítor Gomes e Manuel Fernandes exibiram-se a grande altura. Depois de uma época muito irregular e de um frustrante terceiro lugar no Campeonato, a conquista da histórica Taça de Portugal constituiu um poderoso bálsamo para os sportinguistas. Na final de hoje desejamos que os jogadores leoninos sejam fortes e audazes, que sejam mesmo leões.

Ficha de jogo:

Finalíssima da Taça de Portugal

Sporting 2 - FC Porto 1

Estádio Nacional, 24 de Junho 1978

Árbitro - Mário Luís 

Sporting - Botelho, Artur Correia, Laranjeira, Meneses, Inácio, Aílton, Ademar, Vítor Gomes (Cerdeira, 81m), Manuel Fernandes, Keita e Manoel

Treinador: Rodrigues Dias

FC Porto - Fonseca, Gabriel, Simões, Teixeirinha, Taí, Adelino Teixeira, Brandão, Octávio Machado, Duda, Fernando Gomes e Seninho

Treinador - José Maria Pedroto

Golos: 1-0 Vítor Gomes (55m), 2-0 Manuel Fernandes (62m) e 2-1 Seninho (80m) 

*Na fotografia: Inácio, Artur, Manuel Fernandes, Vítor Gomes e Cerdeira com a Taça de Portugal de 1977-78.

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publicado às 12:59

thumbnail_Sporting sub 23 2018-19.jpg

O Desportivo das Aves foi o vencedor da primeira edição da Liga Revelação (sub 23), somando mais um ponto que o Sporting e mais dois que o Rio Ave, respectivamente segundo e terceiro classificados. Na fase de apuramento de campeão, em dez jogos, os leões obtiveram cinco vitórias, dois empates e três derrotas. A equipa leonina inviabilizou a conquista do título na penúltima jornada quando foi derrotada nos descontos pelo Estoril Praia. 

O Sporting também participou na Taça Revelação. Eliminou o Vitória de Setúbal nos quartos de final (3-1), mas perdeu nas meias finais com o Rio Ave (4-2).

O campeonato da Liga Revelação tem como matriz a Premier League sub-23 e assume como finalidade favorecer a transição da formação para as camadas seniores dos jovens futebolistas. Apesar do campeonato sub 23 ter sido fervorosamente disputado até à última jornada, permanecem sérias dúvidas quanto à real competitividade da prova e em que medida substitui realmente a 2ª Liga.

Houve grande instabilidade desde o início da época no que refere à orientação técnica da equipa. José Lima substituiu Luís Martins por razões de saúde no final do mês de Julho e foi o treinador até à 14ª jornada. Depois, Tiago Fernandes sentou-se no banco em dois jogos, Francisco Barão apenas num jogo e Alexandre Santos a partir da 18ª jornada.

Essa instabilidade teve naturalmente consequências no desempenho desportivo, mesmo considerando que neste escalão os jogadores possuem ciclos específicos de crescimento e afirmação.

Foram utilizados trinta e cinco jogadores nas dezanove jornadas da Liga Revelação (dois não chegaram a sair do banco):

Guarda-redes

Diogo Sousa - 15 jogos 2º ano

Luís Maximiano - 18 jogos 1º ano

Vladimir Stojković - 6 jogos 4º ano

Defesas

Thierry Correia - 26 jogos 1 golo 1º ano

João Oliveira - 15 jogos 1º ano

Euclides Cabral - 1 jogo 1º ano (até Janeiro)

Kiki Kouyaté - 18 jogos 3º ano (até Janeiro)

João Queirós - 14 jogos 2º ano

João Silva - 27 jogos 1 golo 1º ano

João Ricciulli - 11 jogos 1 golo 1º ano

Ronaldo de Souza - 6 jogos 1 golo 2º ano (desde Janeiro)

Tiago Djaló - 7 jogos júnior (até Janeiro)

Pedro Empis - 23 jogos 3º ano

Abdu Conté - 27 jogos 2º ano

Médios

Bruno Paz - 26 jogos 1 golo 2º ano

Daniel Bragança - 20 jogos 5 golos 1º ano (até Janeiro)

Bubacar Djaló - 7 jogos 2º ano

Tomás Silva - 36 jogos 2 golos 1º ano

Nuno Moreira - 25 jogos 3 golos 1º ano

Miguel Luís - 10 jogos 1 golo 1º ano

Paulinho Lucas - 34 jogos 4 golos 3º ano

Matheus Nunes - 10 jogos 2º ano (desde Janeiro)

Francisco Geraldes - 1 jogo 5º ano (desde Janeiro)

Carlos Jatobá - não jogou 5º ano (até Janeiro)

Avançados

Dimitar Mitrovski - 31 jogos 5 golos 1º ano

Marco Túlio - 28 jogos 8 golos 2º ano

Mees de Wit - 21 jogos 1 golo 2º ano

Jovane Cabral - 2 jogos 2º ano

Elves Baldé - 16 jogos 5 golos 1º ano (até Dezembro)

Gonzalo Plata - 4 jogos Júnior (desde Janeiro)

Diogo Brás - 3 jogos Júnior

Pedro Mendes - 34 jogos 18 golos 1º ano

Pedro Marques - 23 jogos 7 golos 2º ano

Leonardo Ruiz - 1 jogo 3 golos 4º ano (até Agosto)

David Wang - não jogou Júnior

(Dados da Wiki Sporting)

img_2793.jpg

O melhor momento da época para a equipa verificou-se entre meados de Novembro e o início de Janeiro de 2019, período em que alcançou seis vitórias e um empate nos jogos que disputou. Então, parecia ter consolidado processos e filosofia de jogo, com um bom o equilíbrio entre o jogo defensivo e um futebol rápido que envolvia sempre vários jogadores no processo ofensivo. Mas, seguiu-se acentuada instabilidade competitiva como já de tinha verificado no início da época quando nunca conseguiu três vitórias consecutivas.

Dos jogadores que integraram o plantel sub 23, apenas quatro foram chamados a alinhar pela equipa principal esta época: Jovane Cabral participou em trinta e um jogos (Liga Portuguesa, Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga Europa), Miguel Luís em catorze jogos (Liga Portuguesa, Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga Europa), Thierry Correia dois jogos (Liga Europa) e Bruno Paz um jogo (Liga Europa). Abdu Conté e Pedro Marques foram convocados, mas não chegaram a sair do banco.

Houve jogadores que se destacaram pela qualidade desportiva e espírito competitivo. Os guarda-redes Diogo Sousa e Luís Maximiano, os defesas laterais Thierry Thierry, João Oliveira e Abdu Conté, os centrais rápidos Kiki Kouyaté, João Queirós e João Silva, os médios Bruno Paz, Tomás Silva, Nuno Moreira e Paulinho Lucas, o médio ofensivo Marco Túlio e os avançados Pedro Marques e Pedro Mendes, o goleador da equipa.

Elves Baldé e Daniel Bragança, emprestados ao Paços de Ferreira e ao Farense, justificam uma observação muito atenta. Gonzalo Plata, Matheus Nunes e Ronaldo de Souza foram contratados em Janeiro e revelaram-se jogadores interessantes.

Este escalão (sub 23 ou equipa B) constitui uma fase competitiva essencial na transição entre os juniores e os seniores. Muitos observadores consideram que a Liga Revelação tem uma competitividade inferior à 2ª Liga e que responde essencialmente às necessidades dos clubes que não possuem equipas B. Assinalam que Benfica, FC Porto, Braga e Vitória de Guimarães continuam a competir na 2ª Liga. Tem constado que a Direcção do Sporting está a analisar a possibilidade de voltar a haver uma equipa B.

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publicado às 13:26

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