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André Lothe, “Les footballeurs”

Leão Zargo, em 03.04.20

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André Lothe, “Les footballeurs”, 1918, óleo sobre tela, 60cm x 81cm, colecção privada

O quadro “Les footballeurs”, do pintor francês André Lothe (n. 1885 e f. 1962), inspira-se na pintura de Gauguin e de Cézanne e insere-se na corrente cubista do início do século XX. O tema, o futebol, revela o interesse pelas manifestações desportivas que tinham passado a integrar a vida urbana.

André Lothe reduz as figuras representadas aos elementos básicos geométricos (cones, cilindros, triângulos, rectângulos…), que se organizam e apresentam nos vários ângulos de visão. Objectos e personagens são pintados num mesmo plano, mas a sobreposição das figuras dá a sensação de volume.

A composição, definida por linhas diagonais e por cores, transmite a noção de velocidade, de vitalidade. O jogador que no centro conduz a bola, ao fazer um movimento diferente dos restantes jogadores, proporciona a noção de dinamicidade. A publicidade é reveladora da sociedade moderna de consumo.

publicado às 13:30

Jovane Cabral

Leão Zargo, em 02.04.20

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“Repouse bem, pequena ave... Depois siga viagem e arrisque-se como qualquer homem, pássaro ou peixe.” Ernest Hemingway, O velho e o mar 

publicado às 10:30

Os números nas camisolas de futebol

Leão Zargo, em 31.03.20

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Na época de 1948-49, as camisolas dos jogadores de futebol passaram a ser numeradas em Portugal, pelo menos nas competições principais. “Os clubes deverão apresentar os seus jogadores com as camisolas devidamente numeradas”, decidiu a Federação Portuguesa de Futebol. Ribeiro dos Reis escreveu um artigo no jornal A Bola onde sugeriu que a numeração se fizesse do 1 ao 11, de acordo com a posição no campo, do guarda-redes para os avançados e da direita para a esquerda.

A organização proposta por Ribeiro dos Reis reflectia o sistema táctico dominante na época, o célebre WM, tendo no centro o “quadrado mágico de Chapman” que garantia versatilidade e dinâmica à equipa, com dois médios e dois interiores. Depois, o modelo de jogo foi-se alterando a grande velocidade e a linguagem “futeboleira” enriqueceu-se à custa de novos protagonistas, como o quarto-defesa ou o trinco, por exemplo.

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Segundo Miguel Lourenço Pereira, no “futebolmagazine”, 24.10.2014, a primeira vez que duas equipas usaram números nas camisolas foi em 30 de Março de 1924, nos Estados Unidos da América, num jogo entre o Fall River Marksmen de Massachusets - um clube historicamente associado à comunidade portuguesa - e o St. Louis Vesper Buick. Cada um dos vinte e dois futebolistas subiu ao terreno de jogo com um número nas costas do 1 ao 11. Em Inglaterra, em 1925-26, o Arsenal e o Chelsea decidiram disputar a temporada da First Division com os seus jogadores numerados.

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Os números nas camisolas determinaram a forma simbólica como vemos o futebol, os futebolistas e o seu papel no jogo. Todos conhecemos o significado mítico da camisola 9 de Peyroteo, exigimos um 10 como o Travaços para construir o jogo ou sonhamos com um 11 como o Albano a partir os rins ao defesa direito. Há quem discuta sobre o verdadeiro papel do 4 ou do 6 ou do 8 e leve o debate para uma conversa sobre líberos, trincos e médios e os números que têm nas camisolas. Mas, o Battaglia veste o 16, o Wendel leva o 37 e o Bruno Fernandes usava o 8 e jogava como um 10. Muito complicado.

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Agora, com o marketing das camisolas personalizadas os mais puristas dizem que já não é a mesma coisa. E esses mesmos puristas sorriem com ironia quando ouvem o jornalista Joaquim Rita a falar na televisão da “posição 6” ou da “posição 8”. Afinal de contas, coisas do comércio de camisolas que até já se compram online no OLX.

Na fotografia, a equipa habitual do Sporting na época de 1948-49, que usava a numeração proposta por Ribeiro dos Reis:

Em cima - Juvenal 3, Manecas 5, Veríssimo 6, Canário 4, Octávio Barrosa 2 e Azevedo 1;

Em baixo - Jesus Correia 7, Vasques 8, Peyroteo 9, Travaços 10 e Albano 11.

publicado às 13:30

O Boletim do Sporting Club de Portugal

Leão Zargo, em 31.03.20

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Em 31 de Março de 1922 foi publicado o primeiro “Boletim do Sporting Club de Portugal”, com a periodicidade quinzenal. Inicialmente tinha oito páginas no formato de 20x28, com o pagamento facultativo de 2$00 semestrais. Trata-se do mais antigo periódico europeu de um clube desportivo. A convicção da absoluta necessidade de um órgão informativo do Clube nasceu numa tertúlia no Café Martinho, em Lisboa, onde se destacavam Mendes Leal, José Serrano e Júlio Araújo, entre outros.

O aprofundamento do espírito leonino, a defesa dos interesses do Clube e a circulação da informação seriam alguns dos objectivos iniciais e “Razão de ser” foi o sintomático título do primeiro editorial. Depois, inúmeras gerações de sportinguistas consolidaram a sua paixão e o seu querer através da leitura das narrativas escritas nas páginas do Boletim. No período inicial teve como competidor o “Sport de Lisboa”, pertença dos vizinhos e rivais de sempre, que depois se extinguiu.

Na década de 1940, o Boletim do Sporting publicava-se regularmente e já tinha alcançado invulgar difusão entre os adeptos leoninos, transformando-se em jornal a partir de Junho de 1952.

publicado às 08:51

Gonzalo Plata

Leão Zargo, em 30.03.20

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“Miando pouco, arranhando sempre e não temendo nunca". Fialho de Almeida, Os Gatos

publicado às 13:30

Fotografia com história dentro (191)

Um guineense entre as “feras” de Alvalade

Leão Zargo, em 29.03.20

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Há jogadores que, não tendo brilhado num “grande” do futebol português, parece que se transformam quando se libertam das grilhetas do peso da camisola. É o caso do guineense José Manuel Forbs, a contratação surpresa do Sporting no Verão de 1984. Tinha 20 anos de idade, jogava a avançado e levava no currículo ter alinhado nos juniores do Ténis e nos seniores da UDIB em Bissau, no Bombarralense (3ª Divisão) e no Peniche (2ª Divisão).

Forbs era um avançado muito prometedor, com elevada capacidade técnica e táctica, que fazia da intuição, criatividade e rapidez os principais atributos. Jogava numa das alas, em princípio na direita, e descaía frequentemente para o interior do terreno participando com destreza na finalização ofensiva. Jogou ao lado de avançados como Manuel Fernandes, Jordão, Lito, Eldon, Saucedo, Ralph Meade, Lima, Paulinho Cascavel e Peter Houtman.

O seu drible em linha recta para a baliza fazia miséria na defesa adversária, mas não conseguiu impor-se nas três épocas (1984-85, 1985-86 e 1988-89) em que vestiu de leão ao peito. Em 56 jogos oficiais marcou apenas 8 golos. No entanto, Forbs representou com grande nível o Portimonense, Boavista e SC Braga, normalmente sempre titular e com um bom registo como goleador. É um dos futebolistas guineenses com maior número de jogos na 1ª Divisão portuguesa.

Na fotografia, uma equipa do Sporting no início da época de 1985-86:

Em cima - Venâncio, Jordão, Morato, Gabriel, Carlos Xavier e Damas;

Em baixo - Litos, Sousa, Saucedo, Fernando Mendes e José Forbs.

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publicado às 13:30

Carlo Carrà, “Partita di cálcio”

Leão Zargo, em 27.03.20

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Carlo Carrà, “Partita di cálcio”, 1934, 69x100cm, Museo di Arte Contemporanea, Roma

Carlos Carrà é um dos grandes nomes do movimento artístico futurista italiano do século XX. Na pintura “Partita di cálcio”, Carrá pretende exprimir a dinâmica do corpo humano num jogo de futebol através da tensão entre forma e espaço, com linhas de força que se aglutinam e diagonais que parecem escapar-se do quadro. O tema é a luta na grande área pela captura e posse da bola que parece suspensa no ar. Movimento, dinamismo, energia, esforço e emoção!

A pintura é de 1934, ano da vitória da selecção italiana no Campeonato do Mundo. Talvez por isso os três jogadores que pressionam o guarda-redes vestem a camisola da “squadra azzurra”.

publicado às 13:30

Marcos Acuña

Leão Zargo, em 26.03.20

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“O meu repouso é a batalha.” Miguel de Cervantes, Dom Quixote de la Mancha

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publicado às 15:00

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O escritor Alves Redol (n. 1911, f. 1969) teve sempre grande interesse pelo desporto e pela sua divulgação. Colaborou com colectividades desportivas nos locais onde viveu, praticou futebol e basquetebol, participou na criação do Clube União Futebol Académica e foi dirigente e conselheiro técnico de futebol no Sport Lisboa e Vila Franca. Ao mesmo tempo, sendo um dos fundadores do Neo-Realismo português, publicou romances, colaborou em jornais, na rádio e no Teatro-Estádio do Salitre, escreveu peças de teatro e diálogos de um filme sobre a vida ficcionada de um futebolista (“Bola ao Centro”, 1947) e de “Vidas sem Rumo”, 1956, dedicou-se à Etnografia, organizou os “Passeios no Tejo” e trabalhou em publicidade.

Tendo jogado à bola e brincado às touradas na juventude no Largo da Aclamação da República, em Vila Franca de Xira, Alves Redol emigrou para Angola em 1927, com dezasseis anos idade. Nessa altura jogou futebol no Sporting e no Atlético de Luanda e foi um dos fundadores da equipa de basquetebol do Sporting de Luanda. No final de 1930 contraiu malária e adoeceu gravemente. Voltou para Portugal poucos meses depois, “mais para a morte do que para a vida”, ficando limitado para o resto dos seus dias e sem poder praticar desporto. 

Depois do regresso, Alves Redol foi viver para a sua terra natal, Vila Franca de Xira, onde criou e dirigiu o “Goal - semanário ribatejano de desporto, arte e literatura”. No editorial do primeiro número (11.1.1933) considerou que vinha suprir a ausência de um jornal nessa matéria, prometeu “vitalidade moça, cheia de entusiasmo, repleta de espírito moderno” e “independência crítica”. Finalmente, assumiu que no semanário “só conhecemos uma ambição e só lutamos por uma causa: o Desporto”, cuja prática considerava ter virtudes revolucionárias na formação do carácter humano. O semanário estabeleceu como desígnio “auxiliar todos os clubes ribatejanos que se dediquem à prática do desporto”.

Os clubes do Ribatejo, o futebol e as diferentes modalidades desportivas constituíram a temática dominante do novo periódico que assumiu, desde logo, a necessidade da defesa e divulgação do desporto por ser um “espectáculo sublime da força física que garante a consolidação da força moral” (18.1.1933). O “Goal” defendeu que nas escolas e nos liceus portugueses seja ministrada “uma ginástica racional e inteligente que nos dê a certeza consoladora de que o mal se afasta, dando lugar a uma nova era de rejuvenescimento” (16.3.1933). Saíram pelo menos dez exemplares, o primeiro em 11 de Janeiro de 1933 e o último em 23 de Março de 1933. Aparentemente, o nº 10 foi o derradeiro número do jornal a ser publicado pois não há registo de outro posterior a esse.

publicado às 13:30

Fotografia com história dentro (190)

O Sporting em Sevilha em Março de 1922

Leão Zargo, em 22.03.20

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Na década de 1910 e no início da de 1920 era habitual o Sporting disputar jogos de futebol com clubes espanhóis em Lisboa ou em Espanha. A primeira digressão verificou-se em 1910 quando uma equipa leonina se deslocou a Huelva reforçada com jogadores de outros clubes lisboetas. Depois, o Huelva e o Madrid FC visitaram-nos em 1912 e 1913, houve a digressão a Vigo e a recepção ao Real SC Vigo e de uma selecção galega e uma viagem a Madrid para jogos com o Madrid FC e o Atlético em 1916, com um misto madrileno em Lisboa em 1918, jogos com o Huelva e o Sevilha em ambos países em 1918, 1919 e 1920, a digressão às Astúrias (Sporting Gijon, Ovettense e Oviedo) em 1920 e a recepção de uma selecção de Vigo e do Huelva em 1921.

Na época de 1921-22 os leões tinham uma equipa muito competitiva, uma das mais fortes do nosso futebol, como se revelaria na primeira edição do Campeonato de Portugal que perderia para o FC Porto numa finalíssima épica após prolongamento no Bessa. Em 1921-22 verificou-se uma interrupção no calendário desportivo, depois de ter terminado em meados de Fevereiro a primeira fase do Campeonato de Lisboa, tendo o Sporting vencido a sua série com grande superioridade. A final com o Belenenses estava marcada apenas para 26 de Março.

Assim, para manter os jogadores em actividade, a direcção do Clube e o treinador Augusto Sabbo prepararam a realização de dois jogos em Sevilha em 5 e 6 de Março. A equipa sportinguista utilizava o sistema 2x3x5, que era muito exigente fisicamente, com base em triangulações muito rápidas e súbitas aberturas para os dois extremos. “Jogava à Sabbo”, dizia-se. Os jogos terminaram empatados (1-1 e 2-2), mas segundo as crónicas dos jornais os leões foram superiores técnica e tacticamente.

Na fotografia, a equipa leonina que empatou 2-2 em Sevilha, em 6 de Março de 1922 (pode haver algum lapso na identificação dos protagonistas):

Em cima - João Francisco, Jorge Vieira, Joaquim Ferreira, Francisco Quintela, Filipe dos Santos e Henrique Portela;

Em baixo - Torres Pereira, José Leandro, Jaime Gonçalves, Francisco Stromp e Mendes Leal.

Os acompanhantes parecem ser Manuel García Carábe, presidente do Sporting, Júlio Araújo, membro do Conselho Técnico e futuro presidente do Clube, e o treinador Augusto Sabbo.

publicado às 12:00

O benfiquista Ribeiro…

Leão Zargo, em 21.03.20

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“Hoje, no escritório, tive uma pega com o Ribeiro (...). É um tipo ordinário! Fala sempre em calão e desafiou-me para a rua. É sócio do Benfica, ainda por cima, e gente de águia na lapela não me convence. É um fanfarrão malcriado que me repugna. À saída deu-me dois estalos e prometeu repetir a façanha.”

 Alves Redol, “Anúncio”, 1945

Sempre ouvi dizer que Alves Redol foi adepto do Benfica, embora tenha jogado futebol e basquetebol no Sporting de Luanda quando viveu em Angola entre 1927 e 1930. Mas, é assim que ele descreve Ribeiro, o sócio benfiquista. Talvez o autor de “Barranco de Cegos” e “Gaibéus” tenha praticado em “Anúncio” uma liberdade de ficção romanesca...

publicado às 13:00

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Manuel Pedro Gomes (n. em 1941) foi jogador do Sporting Clube de Portugal ao longo de dezassete anos, desde 1956, nos juniores, até 1973. A camisola leonina foi a única que vestiu. Conquistou três vezes o Campeonato Nacional, três a Taça de Portugal e uma a Taça dos Vencedores das Taças. Depois de terminar a carreira de futebolista, além dos leões, treinou vários clubes, como a Académica, Oriental, Farense, Marítimo, Belenenses, União de Leiria e Rio Ave.

Até à data, Pedro Gomes publicou dois livros, “Linha de Cabeceira - Contos de Futebol”, Editor Padrões Culturais, 2011, e “Uma Taça Uma Vida”, s. l., 2014.

No seu primeiro livro, “Linha de cabeceira”, o escritor avisa que “o futebol não se aprende nos livros”… mas, na verdade, nos livros pode haver uma mensagem de paixão pelo desporto-rei, para além de demonstrar grande conhecimento dos seus meandros. São onze contos sobre futebol, ao mesmo tempo que reflecte sobre a sociedade contemporânea. São histórias críticas, didácticas e pedagógicas, por vezes com muito humor, reveladoras da honestidade, coragem, esperança e confiança que Pedro Gomes mostrou sempre nos relvados enquanto jogador.

O livro “Uma Taça Uma Vida” foi publicado no contexto da comemoração dos cinquenta anos da conquista da Taça das Taças, com várias reedições. A partir da sua memória pessoal e de um texto intimista, o autor oferece-nos uma obra que recorda e homenageia todos aqueles que contribuíram para esse magnífico triunfo. Com excepção dos jogos da 1ª eliminatória frente ao Atalanta, Pedro Gomes alinhou em todos os que se seguiram, o que lhe permitiu uma narrativa quase autobiográfica, cheia de pequenas histórias reveladoras do estado de espírito da equipa sportinguista.

publicado às 13:30

Académica 2 - Sporting 2 (1959-60)

Leão Zargo, em 17.03.20

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A Académica e o Sporting empataram 2-2 para o Campeonato Nacional em 17 de Janeiro de 1960, no Estádio Municipal de Coimbra. Nesse jogo o ânimo das duas equipas era bem diferente: desde o início de Dezembro, os leões lutavam ombro a ombro com o Benfica, ambos com os mesmos pontos no 1º lugar da classificação, enquanto que os estudantes, a meio da tabela, batiam-se com o V. Guimarães, Leixões, V. Setúbal e SC Covilhã.

No final, a alegria de uns e o desalento de outros exprimiu com rigor essa diferença. Em virtude do empate os leões cederam a liderança aos encarnados e o treinador Fernando Vaz foi substituído por Mário Imbelloni, um argentino que treinava os juniores. O Estádio estava repleto de espectadores, sendo impressionante o número de adeptos e bandeiras sportinguistas.

O filme com mais de quinze minutos, apesar de não ter som, é precioso. Mostra o futebol português do início dos anos 60 tal como era, um jogo aberto, ofensivo, com poucas marcações, algo ingénuo, quase sem faltas e muitos golos. Participaram nesta partida Maló, Mário Wilson, Mário Torres e Rocha que fizeram história na Académica e os jovens Fernando Mendes, Hilário e Morato que se destacariam em Alvalade.

Em 1959-60 decorreu a renovação da equipa leonina, depois de Travaços, Caldeira, João Martins, Joaquim Pacheco e Vasques, o último dos “cinco violinos”, terem terminado a carreira. A juventude leonina era compensada pela classe de Seminário e Fernando Puglia (que não alinhou neste jogo) e pela experiência de David Júlio e Hugo Sarmento. O capitão Fernando Mendes tinha apenas 22 anos.

Ficha de jogo:

Campeonato Nacional, 15.ª jornada

Académica 2 - Sporting 2

Estádio Municipal de Coimbra, 17 de Janeiro de 1960 

Árbitro - Costa Martins (AF Porto)

Académica - Maló, Chipenda, Mário Wilson, Mesquita, Curado, Mário Torres, Rocha, Miranda, Jorge Humberto, Araújo e José Júlio

Treinador - Óscar Montez

Sporting - Octávio de Sá, Hilário, Lúcio, Morato, David Júlio, Fernando Mendes, Hugo Sarmento, Ferreira Pinto, Vadinho, Seminário e Faustino Pinto

Treinador - Fernando Vaz

Golos - José Júlio (25m), Hugo Sarmento (41m), Faustino Pinto (51m) e Mário Wilson (87m).

publicado às 12:00

Covid-19 - a primeira morte em Portugal

Leão Zargo, em 16.03.20

 

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Mário Veríssimo, de 80 anos e antigo massagista do Estrela da Amadora, é a primeira vítima mortal em Portugal em consequência do Covid-19. Estava há vários dias internado no Hospital de Santa Maria, com uma doença pulmonar associada.

Mário Veríssimo foi referido há três dias por Jorge Jesus numa conferência de imprensa, no Brasil, que disse ter perdido um amigo devido ao Covid-19. Na altura, o técnico sabia que ele estava com uma saúde bastante precária, mas recebeu uma informação errada. A morte acabou por acontecer hoje.

Este domingo, o Estrela da Amadora já tinha publicado uma mensagem de apoio a Mário Veríssimo através da sua conta do Twitter.

publicado às 18:34

Fotografia com história dentro (189)

Um Sporting-Olhanense nos anos 20

Leão Zargo, em 15.03.20

Verifica-se que a partir dos anos 20 do século passado, o crescimento fulcral do futebol, consideravelmente impulsionado pelo grande interesse popular, ultrapassou todas as outras modalidades desportivas. Passou de um número restrito e elitista de praticantes para um estádio de massificação social. O decreto da República que instituiu em 1911 o domingo como dia de descanso obrigatório permitiu que um número cada vez maior de assalariados e operários praticasse e assistisse aos jogos.

Apesar do interesse que se verificava em torno dos desafios que tinham entradas pagas e a que assistiam milhares de espectadores, o calendário oficial limitava-se aos campeonatos regionais e ao Campeonato de Portugal. Em princípio, eram oito partidas para o Regional e, para os vencedores, mais duas para o Campeonato de Portugal. A época era preenchida pela disputa de taças e torneios diversos e pelos jogos amigáveis com equipas nacionais e estrangeiras.

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Na época de 1923-24 o Sporting tinha provavelmente a melhor equipa portuguesa. Mas, uma derrota inesperada em casa com o Belenenses na penúltima jornada deu ao Casa Pia o triunfo na série do Campeonato de Lisboa e impossibilitou a participação leonina no Campeonato de Portugal. Assim, a classe dos leões revelou-se em taças e torneios, numa digressão à Madeira e em jogos amigáveis, mesmo com clubes estrangeiros (Rapid de Viena, Sparta e Nuselski de Praga, Celta de Vigo e os irlandeses do Carysfort). Num total de dezanove jogos, venceu dezasseis e empatou três.

A fotografia refere-se a um desses jogos amigáveis, no caso com o SC Olhanense, que o Sporting venceu por 3-1. As duas equipas apresentaram-se na sua máxima força, entre outros jogadores com Cipriano, Jorge Vieira, Filipe dos Santos, Torres Pereira e João Francisco, de um lado, e Tamanqueiro, Cassiano, Montenegro, Joaquim Gralho e José Belo, do outro. A imagem mostra o campo, a Estância de Madeira, cheio de espectadores e a bravura que os jogadores puseram na disputa do jogo. O clube algarvio conquistaria o Campeonato de Portugal dois meses depois.

publicado às 13:30

Fotografia com história dentro (188)

A primeira Supertaça leonina (1982)

Leão Zargo, em 08.03.20

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Depois da conquista da dobradinha em 1982, na época seguinte o Sporting disputou com o SC Braga a Supertaça Cândido de Oliveira. Na altura a final deste troféu realizava-se a duas mãos, os bracarenses venceram em casa por 2-1 e os leões triunfaram em Alvalade por 6-1. Os dois jogos aconteceram em 9 de Outubro e 1 de Dezembro, numa fase muito complicada para os sportinguistas em virtude de três resultados negativos fora de casa (derrotas com o Varzim e o Espinho e empate com o Vitória de Setúbal).

Na verdade, depois da polémica demissão de Malcolm Allison e da nomeação de António Oliveira para treinador, a equipa leonina nunca encontrou a estabilidade indispensável para conseguir uma época triunfante. Alternou grandes momentos como aconteceu na Taça dos Campeões Europeus, onde só foi eliminada nos quartos-de-final, com derrotas confrangedoras com clubes da segunda metade da tabela classificativa. Culminaria com a substituição de Oliveira por Josef Venglos.

A vitória por 6-1 frente ao SC Braga permitiu que o Sporting conquistasse a primeira Supertaça e foi um dos grandes momentos da época de 1982-83. Apesar das divergências existentes entre Oliveira e alguns jogadores, e de Manuel Fernandes estar sujeito a um inquérito interno por ter elogiado “Big Mal” numa entrevista ao jornal A Bola, a partida da segunda mão, em Alvalade, ficou inesquecível. O capitão fez um hat-trick e Jordão bisou, num jogo em que a entrada de leão tornou fácil o que poderia ser complicado.

Ficha de jogo:

Supertaça Cândido de Oliveira (2ª mão)

Sporting CP 6 - SC Braga 1

Estádio José de Alvalade, 1 de Dezembro de 1982

Árbitro - Francisco Silva (Algarve)

Sporting CP - Mezaros, Virgílio, Carlos Xavier, Kikas (José Eduardo, 76), Mário Jorge, Marinho, Kostov, Lito, Freire (Bukovac, 69), Manuel Fernandes e Jordão

Treinador - António Oliveira

SC Braga - Valter Onofre, Dito, Paris, Guedes (Vítor Oliveira, 58), Artur, João Cardoso, Vítor Santos, Germano (Spencer, 52), Fontes, Wando e Jorge Gomes

Treinador - Júlio Cernadas Pereira (Juca)

Golos - 1-0, Manuel Fernandes (2 m); 2-0, Jordão (9 m); 3-0 Jordão (65 m); 4-0 Lito (68 m); 5-0, Manuel Fernandes (83 m); 6-0, Manuel Fernandes (85 m); 6-1, Vítor Oliveira (87 m, g.p.)

publicado às 13:30

Erros no final com preço elevado

Leão Zargo, em 07.03.20

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Hoje, em Alcochete, defrontaram-se o Sporting e o Rio Ave, os dois primeiros classificados da fase de apuramento de campeão da Liga Revelação. Os visitantes venceram por 3-0. O jogo foi sempre muito disputado, com as duas equipas procurando conciliar a segurança defensiva com o futebol ofensivo, mas os vilacondenses impuseram a maior experiência e superiorizaram-se no decorrer da segunda parte, principalmente nos últimos quinze minutos. O resultado final não exprime o que se passou no decurso da partida. O Sporting está em 2º lugar com 33 pontos.

Apesar desta derrota, e do que se passou na fase final do jogo, os leões estabilizaram o seu futebol, a má fase de Dezembro e Janeiro parece ter sido superada, até porque a oscilação dos jogadores tem sido menor. Destaque para a intensidade competitiva que agora é muito superior, com melhoria do desempenho individual e colectivo. Bruno Paz é um médio com maturidade, poder físico, segurança na posse de bola e boa capacidade de passe, e o seu regresso depois da grave lesão também contribuiu para a situação actual.

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Alinharam pelo Sporting os seguintes jogadores: Hugo Cunha, João Oliveira, João Silva, João Goulart, Echedey Verde, Bruno Paz, Tomás Silva, Miguel Luís (Loide Augusto, 56’), Matheus Nunes, Diogo Brás (Nuno Moreira, 45’) e Tiago Rodrigues. Loide Augusto, Paulo Agostinho, Babacar Fati e Dimitar Mitrovski entraram com o jogo a decorrer.

Na próxima jornada, em 11 de Março, os leões defrontam o Braga.

publicado às 13:11

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Esperamos que Rúben Amorim faça no Sporting o mesmo que conseguiu no Braga: num período de tempo curto, excessivamente curto, foi capaz de colocar os jogadores a jogar em equipa (como equipa, para a equipa). Potenciou as qualidades, minimizou as lacunas. Para isso, porque teve a confiança de quem dirige, reorganizou, inspirou e liderou. No caso do Sporting (muito diferente do Braga) isso pode parecer quase um milagre. O Clube vive uma permanente guerra civil e tudo serve para cavar ainda mais fundo a divisão entre os sportinguistas. Seja uma decisão da Direcção, seja um resultado da equipa de futebol.

Agora não é a altura para pensar tacticamente o Sporting no que refere à Direcção e a um hipotético acto eleitoral antecipado para os órgãos sociais. Agora ainda é o momento de garantir um mínimo de estabilidade e de juntar todas as sinergias leoninas no sentido de "salvar" o que resta da época. "Salvar" o que resta permitirá que Rúben Amorim prepare em condições aceitáveis a próxima época e crie e desenvolva um contexto técnico-táctico e emocional no plantel que favoreça um percurso vitorioso. Na verdade, o futuro próximo do nosso Clube começou ser jogado no treino de hoje em Alcochete.

publicado às 14:45

Fotografia com história dentro (187)

Fernando Vaz, um discípulo de Cândido de Oliveira

Leão Zargo, em 01.03.20

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Fernando Vaz (n. 1918, f. 1986) ingressou na Casa Pia com nove anos de idade, instituição onde realizou a sua formação académica, tendo concluído o Curso Comercial. Foi aí que começou a jogar futebol nos escalões jovens e mais tarde, entre 1935 e 1939, na equipa principal. Deixou de jogar por não conseguir conciliar com as suas funções no Banco Lisboa & Açores. Por essa altura começou a colaborar na imprensa, no Diário de Lisboa e na revista Stadium, e aprofundou o estudo e a reflexão sobre os aspectos técnicos e tácticos e o treino no futebol.

Em 1947-48, quando Cândido de Oliveira, orientador técnico do Sporting, o convidou para adjunto no clube do seu coração estava preparado para iniciar a nova fase na sua vida. Como treinador, Vaz revelou-se estudioso e metódico, com um conhecimento estruturado e inovador nos procedimentos. Queria que as suas equipas atacassem de forma planeada e organizada e nos treinos preparava os jogadores para o desempenho de mais do que um lugar. Valorizava a preparação física por ser a base do rendimento desportivo durante o jogo e procurava estar atento à especificidade emocional e psicológica de cada atleta.

Como o adjunto de Cândido de Oliveira em 1947-48, Fernando Vaz treinou a equipa dos “Cinco Violinos” e celebrou o seu primeiro Campeonato. Em 1949-50 coadjuvou Sandór Peics e na época seguinte Randolph Galloway, voltando a vencer o título de campeão. Saiu para o Belenenses, mas regressou a Alvalade em 1959-60, sendo demitido em Janeiro quando perdeu a liderança para o Benfica depois de um empate com a Académica em Coimbra. Voltou ao Clube em Junho de 1968, para vencer o Campeonato Nacional em 1969-70 e a Taça de Portugal em 1970-71.  Em 1970 foi distinguido com o Prémio Stromp na categoria Técnico Profissional.

Na fotografia, Fernando Vaz com o adjunto Mário Lino, o dr. Carlos Costa e os jogadores Rui Paulino, Joaquim Rocha, Manaca e Pedro Gomes no banco do Sporting em 1971-72.

publicado às 13:30

Fotografia com história dentro (186)

A festa da Taça no Porto Santo

Leão Zargo, em 23.02.20

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A época de 1986-87 foi de grande instabilidade para o Sporting. O presidente João Rocha, com problemas de saúde, preparava-se para se retirar. O plantel leonino tinha sofrido uma sangria no Verão de 1986 (saíram Jordão, Sousa, Jaime Pacheco, Romeu, Béla Katzirz, Saucedo, Eldon e Carlos Xavier, emprestado à Académica) e na pré-época nas Açoteias o plantel era constituído apenas por catorze jogadores. Depois, a conta-gotas, chegaram Vital, Silvinho, Mário, João Luís, Zinho, McDonald, Negrete, Peter Houtman e Marlon Brandão.

O sorteio da Taça de Portugal determinou um Portosantense-Sporting para os 1/64 avos de final, que se disputou em 23 de Novembro de 1986. Foi a primeira vez que os leões defrontaram uma equipa dos campeonatos distritais numa eliminatória da Taça. À hora do jogo era enorme a excitação. A bancada encheu-se, havia um mar de gente por todo o lado, automóveis estacionados em redor do campo de futebol e um entusiasmo e uma barulheira quase indescritíveis, com gritos e vivas aos jogadores das duas equipas.

O treinador Manuel José respeitou o adversário e o espírito da Taça, e lançou a jogo a equipa principal. Pelo pelado do Portosantense passaram Damas, Virgílio, Duílio, Morato, Fernando Mendes, Litos, Oceano, Negrete (substituído por Lima aos 38 minutos), Mário Jorge, Manuel Fernandes e Meade. A partida propriamente dita não teve grande história, Litos marcou cedo, depois Meade fez o 2-0, Damas praticamente não teve de fazer uma única defesa. Valeu pela festa da Taça que permitiu a visita dos craques leoninos ao Porto Santo.

Na fotografia, um defesa do Portosantense faz falta sobre Fernando Mendes. Litos, Oceano e o árbitro Bento Marques observam o lance.

publicado às 13:30

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