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Os maus velhacos

Naçao Valente, em 12.06.19

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Velhaco é sinónimo de maroto, finório, matreiro, mas também de patife ou trapaceiro.

Na "estória" com esta denominação que dá título ao livro que vou apresentar, é contada a saga de dois contrabandistas que passavam a nado o Guadiana, quando o contrabando fronteiriço era prática comum, com artigos comprados em Espanha com o dinheiro ganho na viagem de ida.

Surgiu então um guarda-fiscal numa lancha, que nem sequer estava de serviço, e que navegava em águas espanholas sem autorização. Os contrabandistas foram obrigados a abandonar a carga para salvar a 'santa' pele. Na ficção, esses, outros contrabandistas e mais população, decidiram pregar uma partida inocente ao referido guarda-fiscal que também vivia na comunidade, o que não lhes permitiu recuperar os fracos proventos que colheriam, mas lhes permitiu lavar a alma.

A propósito veio-me à memória a situação do futebol nacional. Na população portuguesa, com reflexos no mundo do futebol, há velhacos no bom e no mau sentido. Há  marotos, e há patifes. A maioria dos adeptos situa-se na categoria dos "bons". Gostam do seu clube, vivem os jogos com paixão, alguns são grandes sofredores, outros nem tanto, mas vivem o espectáculo com civismo e como uma forma de lazer.

Mas no futebol, como na sociedade, em geral, existem os velhacos patifes e trapaceiros que transformam a natural rivalidade num clima de absoluto ódio e intolerância. Estão neste enquadramento um nicho de adeptos radicais que exulta, por exemplo, com a morte de adversários e com comportamentos públicos de belicismo, idiota, contra os da outra cor.

No entanto, o mais preocupante é quando os maus velhacos chegam às altas estruturas deste desporto, quer em órgãos institucionais, quer na direcção de clubes. Para estes, a patifaria e a trafulhice são actos normais e fazem parte da sua prática e das suas decisões. Invariavelmente, não olham a meios para atingir a fins, convictos, pela experiência, que ficarão como sempre impunes, fazem o mal e a caramunha, furtando-se, manhosamente, à responsabilidade.

O desporto em geral, e o futebol em particular, não pode ter credibilidade enquanto alguns dos que actualmente o dirigem continuarem à sombra do poder que a função lhes confere, a actuar impunemente. Estes maus velhacos mereciam uma única partida. A expulsão do dirigismo desportivo. Mas não a terão enquanto a isenção e a coragem não fizerem parte da justiça em geral. A verdade é que dos bons velhacos não reza a história, mas os maus deixam a sua marca.

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publicado às 05:33

Revolução tranquila

Naçao Valente, em 28.05.19

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Ponto prévio: não fui apoiante do candidato Varandas aquando das eleições. Mas foi eleito pela maioria dos votos expressos e é o presidente dos Sportinguistas. Depois da sua posse, critiquei pontualmente, algumas decisões como a contratação de um treinador sem grande currículo. Estou portanto completamente à vontade para fazer, com alguma equidistância, a análise dos primeiros meses do seu mandato.

Varandas e a sua equipa encontraram o Clube numa situação muito difícil. Tiveram de resolver, em tempo recorde, um pagamento obrigacionista, sem apoio de personalidades com influência na área bancária e com alguma hostilidade dos meios financeiros. Ousou e conseguiu com o apoio de alguns grandes investidores e de muitos adeptos, que  colocam o Sporting acima de qualquer personalidade, concretizar essa operação.

De forma discreta e em certo sentido sigilosa, como convém, resolveu os graves problemas de tesouraria e começou a saldar dívidas cujo pagamento já estava atrasado. No aspecto financeiro foi arrumando o todo da casa sem alardes e sem "foguetório". Melhor, nunca fez nenhum alarde, nem pretendeu colher louros, do relativo êxito da operação.

No plano desportivo encontrou uma equipa de futebol profissional que estava destruída. Depois de um período em que o novo treinador parecia perdido e sem soluções, começou a notar-se o seu cunho pessoal, e com um plantel com poucos "craques" deu uma nova alma a um grupo que se uniu, e com humildade e trabalho recuperou terreno, e conseguiu a proeza de conquistar dois títulos.

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No mesmo estilo sereno, Frederico Varandas e a sua equipa,  reformaram toda a estrutura, com ênfase na aposta da Academia, entregue ao desmazelo e à incompetência, durante anos. Nos oito meses de mandato, tempo demasiado curto para uma avaliação profunda e segura, podemos concluir, contudo, que o presidente está a fazer uma revolução muito tranquila, longe do "show off" inútil a que estávamos expostos.

Até  este momento parece-me certo e adequado o caminho seguido, mas muito falta fazer. O Sporting não pode querer, como os seus homólogos dos chamados grandes, dominar o "sistema", através de procedimentos ilícitos e condenáveis. 

Ao Sporting Clube de Portugal, como clube histórico e, sim, diferente, compete-lhe lutar pela libertação do "sistema", para que a justiça e a verdade possam voltar a imperar. De uma forma tranquila, mas com passos bem firmes, é o único Clube que, com mãos limpas, pode moralizar o futebol português.

A impunidade pode parecer natural e até eterna, mas um dia terá o seu fim, como outras iniquidades. Compete agora aos Sportinguistas unirem-se à volta da sua Direcção e sem divisionismos, remarem todos no mesmo sentido.

P.S.: Ontem, no seu discurso na Câmara , o dr. Varandas, deixou uma ideia que transcrevo, sem total rigor, de memória: "nós somos diferentes e mostrámos que se pode vencer sem abandonar os valores". Comprova o que escrevi e penso. Que não fique na nossa história nenhuma conquista que não seja legítima.

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Para quem gosta da minha escrita venho informar, que numa vertente ficcional, estarei a autografar, no próximo domingo, na Feira do Livro de Lisboa, entre as 16h00 e as 17h30, o meu livro "Os bons Velhacos", no pavilhão dos pequenos editores (Mosaico de Palavras), sem pseudónimo e com o nome José Mateus Gonçalves. Estão convidados. Obrigado ao Rui por me permitir a inclusão deste convite.

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publicado às 02:49

O Papa e o Cardeal - sem moral

Naçao Valente, em 15.05.19

 

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A nossa memória é muitas vezes demasiado curta e outras tantas demasiado selectiva. Isso explica que do passado, até de um passado muito recente, já não haja memória. Ou tem-na apenas do que lhe interessa, a dos títulos conquistados, seja como for.

 

O sr. Pinto da Costa é muito mau exemplo do apagão selectivo. Até terá alguma razão em relação aos erros de arbitragem que têm beneficiado, nesta recta final do campeonato, o Benfica. Tem seguramente, mas esquece que o seu clube também os tem tido. E se perder o campeonato, deve lamentar o facto da sua equipa ter adormecido na forma, quando não devia. Se assim não tivesse sido, seria campeão, por mais padres e rezas que houvesse.

 

Seja como for, o sr. Pinto da Costa é a última pessoa a ter o mínimo de moral para falar de padres e missas, quando se sabe que teceu uma ardilosa teia, com acólitos bem ordenados, para controlar o futebol em Portugal. E não fosse a nossa justiça o que é, forte com os fracos e fraca com os poderosos, não estaria ainda o sr. Pinto da Costa no lugar que ocupa. Assim continua com a sua verborreia irónica a fazer homilias para os seus fiéis.

 

No outro prato da balança, está o seu admirador/seguidor, que se limitou a doutrina do  mestre, com o desejo ardente de o ultrapassar. O sr. Luís Filipe Vieira não lhe fica atrás na ambição de dominar o mundo do futebol. Não fez uma teia porque dava muito nas vistas, e optou por criar labirintos no mundo subterrâneo. Os processos podem ser diferentes, mas os fins acabam por ser idênticos. Personalidades distintas mas iguais num aspecto: a falta de seriedade.

 

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A falta de seriedade domina o mundo. E todos os que teimam em ser sérios são, como dizia alguém, "comidos de cebolada". Como a religião fez em tempos idos no mundo ocidental, e ainda faz em certas regiões, o segredo, mal guardado, está em fanatizar os fiéis, e controlar o sistema, para disso tirar proveito. 

 

Nos tempos que correm, o futebol assemelha-se, nos seus princípios, a uma nova religião. A fanatização dos adeptos, incutindo o ódio ao diferente e a submissão total aos dogmas, é prática corrente, e em escala menor ainda leva a guerras e mortes. 

 

Em análise final, temos dois grandes "cardeais" com o seu oculto cortejo de "padres". Um mais velho, mais matreiro e que perdeu um pouco o controle da nova "religião" e outro que lhe disputa o terreno, viajando arrojadamente pelos esgotos da esperteza saloia, para emergir no lugar certo na altura mais adequada. Estão bem um para o outro. Nenhum tem moral para exigir o mínimo de moralidade. Enquanto estas "igrejas" dominarem, o futebol português não será uma coisa séria.

 

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publicado às 05:04

Utopias

Naçao Valente, em 13.05.19

 

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Bastou o Sporting empatar um jogo que naturamente devia ter ganho (é futebol, acontece com todas as equipas) para voltarem à luz do dia os brunistas (quase desaparecidos) e outros ressabiados com esta Direcção, para atacarem o treinador e os jogadores. Não vale a pena perder tempo com essa gente, que espera ansiosamente que haja maus resultados, para criarem intabilidade com a esperança que volte um passado de má memória.

 

Numa outra vertente, também a comunicação social, de uma forma geral, focou os seus títulos no falso facto de que o Sporting perdeu o segundo lutar. Não o perdeu porque só se perde o que se tem e o Sporting nunca o teve. Não o teve e vir a tê-lo a dois jogos do fim, com seis pontos de atraso, para um adversário que luta pelo título, nunca passou de uma utopia.

 

Utopia inventado pela imprensa local, aludindo que a estrutura do futebol leonino ainda acreditava. Não sei até que ponto isso é real, mas estou convencido que na estrutura existe gente com os pés bem assentes na terra. Vejamos... no mundo do jogo da bola redonda têm acontecido coisas que parecem deveras improváveis, mas que não passam de excepções, em cujo contexto existe alguma possibilidade.

 

Como se pode acreditar que o FC Porto fosse perder três pontos com o Nacional uma das piores equipas da Liga?... E se é verdade que podíamos ter esperança de ganhar no Dragão no jogo de tripla, o certo é que não dependíamos apenas de nós. E quem anda atento ao mundo do futebol, percebe que aquele empate com o Rio Ave, nos últimos cinco minutos, aconteceu porque o FC Porto foi para o balneário antes do apito final. Uma coisa dessas não voltaria a acontecer.

 

O segundo lugar estava perdido há muito tempo. E como não gosto de viver da construção de castelos no ar, conquistar o terceiro lugar depois das condições de partida, tem que ser valorizado. Conseguiu-se graças à vontade de um colectivo unido, com somente meia dúzia de jogadores de classe superior, e também com a quebra do nosso adversário directo pela conquista desse lugar.

 

Portanto toda essa conversa que perdemos o segundo lugar não passa de uma lenga lenga de jornais e comentadores, alguns adeptos por ingenuidade e outros por oportunismo.

 

O que devemos salientar é ter-se conseguido chegar ao terceiro lugar, quando havia quem não acreditasse, e até quem rezasse, para que não acontecesse. Deve-se muito ao trabalho de um colectivo, onde militam meia dúzia de futebolistas, se tanto, de classe superior, e em certa medida à quebra da equipa adversária que lutava pelo mesmo lugar. 

 

O que devemos elogiar é a conquista de um troféu e a possibilidade de conquistar outro, apesar da valia do adversário que ainda nada conquistou. Com confiança, concentração e humildade vamos lutar com total fervor até ao fim para vencer o que pode ser vencido. Realismo sim. Utopias não.

 

P.S.: Mais uma grande vitória europeia no hóquei em patins. Com profissionalismo e sem arrogância. Parabéns. É esse o caminho.

 

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publicado às 14:00

 

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Diz um ditado: "quem não tem nada para fazer, faz colheres". Assenta que nem uma luva à discussão que em tons, às vezes "melodramáticos" está na ordem do dia no universo leonino, como se não houvesse assuntos mais relevantes.

 

Trata-se da histeria que se está verificar à volta da "malfadada" Auditoria dita forense. Não pretendo pronunciar-me sobre aspectos técnicos, aliás aqui muito bem abordados pelo Rampante, mas reflectir sobre o ruído que se estabeleceu em redor da sua divulgação.

 

A Auditoria pedida pela Comissão de Gestão decorreu durante meses, tendo como intuito saber da situação financeira do Clube. Enquanto decorre, esta ou qualquer outra, é apenas do conhecimento da auditora que a está a executar. Uma vez concluída, a não ser que seja considerada secreta, ou só acessível a um grupo muito restrito, torna-se, naturalmente pública. 

 

A questão que se pode colocar é a sua abrangência, isto é, no âmbito do que foi auditado. E isso foi considerado necessário nos seus pressupostos. O que também se pode questionar é a forma da sua eventual divulgação. E isso escapa à vasta maioria senão à totalidade dos que emitem opinião, criticando o modo e o conteúdo.

 

Considerando que durante a execução é do conhecimento de várias pessoas, é impossível garantir total confidencialidade, mesmo que fosse esse o objectivo. Veja-se o que se passa com o segredo de justiça.

 

Ao contrário de alguma corrente de opinião não percebo que o seu conteúdo esteja ou venha a prejudicar o Sporting. O conhecimento da situação financeira, incluindo despesas com pessoal, não pode nem deve ser segredo de "Estado". No âmbito da minha actividade profissional o meu vencimento é público, sem que isso me prejudique ou prejudique a empresa. Conhecimento de salários, por exemplo, são no fundo, segredos de Polichinelo.

 

Sejamos claros: ou somos ou não somos pela transparência; isto é, não podemos ser de manhã e não ser à tarde. Se neste contexto concreto os nossos adversários são opacos, não somos nós que estamos errados mas eles. A transparência num clube como na sociedade é uma virtude e não um defeito. Se ela existisse, talvez não tivéssemos casos "BES", com todo o seu cortejo de desgraças.

 

Há gente a cavalgar a onda de que o facto do conhecimento dos resultados da Auditoria terem sido tornados públicos prejudica o Sporting. Com todo o respeito, não percebo como. Os problemas do Sporting CP  deixam de existir se forem públicos?  Que vantagens é que os nossos adversários estão a tirar disso? Os assuntos sigilosos, como a questão dos empréstimos, estão no segredo dos deuses.

 

O que eu vejo nas discussões de lana caprina, é um aproveitamento da oposição à actual Direcção por parte de brunistas, ricciardistas, outros 'istas', surfistas e até alguns 'enhas'. Não fosse esta oposição ressabiada, reforçada alguns sportinguistas que vão na onda por ingenuidade,  esta discussão nem sequer existia.

 

A questão central nisto não é uma luta com os nossos adversários, que do caso não tiram qualquer vantagem, mas uma luta interna pelo poder, à pala de um assunto usado como arma de arremesso. Trata-se de uma luta autofágica, essa sim, que não une mas divide o Clube. É a essa luta fratricida que os nossos adversários estão a assistir de camarote ,com algum prazer, e da qual podem vir a ter benefícios.

 

Em conclusão, este debate à volta da Auditoria, criada artificialmente, não é inocente. E quem a desencadeou e quem a alimenta, tem uma agenda de interesses que não são os do Sporting. Não fosse este Carnaval em tempo de Páscoa, e já a questão da Auditoria estava esquecida, independentemente do seu conteúdo, das lições e das consequências que lhe estão inerentes, mas que não se resolvem na praça pública. 

 

O que os sportinguistas sérios devem fazer, nesta fase, é apoiar as nossas equipas para que consigam atingir os objectivos que estão em aberto.

 

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publicado às 04:04

Temos um grande da Europa

Naçao Valente, em 11.04.19

 

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"Já estou num grande da Europa"... A frase é proferida genericamente e usada e banalizada por muitos futebolistas em discursos de ocasião. Mas estou absolutamente convicto que proferida por Bruno Fernandes, para além de encaixar no mesmo protótipo, merece ser levada a sério. 

 

O atleta profissional Bruno Fernandes tem mostrado, pelo seu historial, ser um homem de elevado gabarito que se pauta por valores e princípios, o que não é despiciendo enquanto cidadão e futebolista de alta competição, nos dias que correm e no meio onde actua.

 

Levado na avalanche que se gerou no pós Alcochete, foi dos poucos que após a queda da Direcção anterior se mostrou disponível para desistir do pedido de rescisão e negociar o seu regresso. Atitude digna de todo o louvor se tivermos em conta que não foi formado no Sporting e que tinha sido o melhor futebolista da época anterior.

 

Com uma carreira em grande parte feita em Itália e com portas abertas no mercado do futebol europeu, preferiu voltar ao clube com o qual tinha contrato, embora com condições salariais inferiores às que poderia conseguir noutros horizontes. 

 

Pelo seu percurso de vida, pelas suas atitudes, Bruno Fernandes é sincero quando diz que está num grande da Europa, com plena consciência, no entanto, que no panorama europeu existem emblemas de outra dimensão, graças aos meios financeiros de que dispõem. Mas o Sporting Clube de Portugal é de facto um "grande", pela sua história e pela participação nas provas em que participa, seja no futebol ou em outras modalidades.

 

Os sportinguistas só têm que se orgulhar em ter no Clube um atleta desta estatura, não apenas profissional, mas sobretudo humana. E seja qual for o seu futuro, deverão ficar-lhe para sempre gratos. E o Sporting, um grande da Europa, pode dizer, com todas as letras, que possui no seu plantel, como jogador, um grande da Europa. 

 

É este o tributo modesto que quero hoje prestar ao atleta, mas sobretudo ao homem, cuja grandeza deve estar acima das contingências de qualquer profissão.

 

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publicado às 05:04

 

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Não tenho por hábito escrever sobre jogos de futebol ou outras modalidades, em concreto. Raramente comento, porque reservo a minha análise pessoal de técnico de bancada para conversas de café. Esse assunto é abordado, e bem,  pelo Rui Gomes, e faz parte da função do Camarote Leonino. Por isso, também quero deixar claro que a minha posição não pode e não deve ser interpretada como crítica a quem gosta de dar opinião, legitimamente,  sobre as "peripécias" dos Jogos.

 

Mas hoje, excepcionalmente, quero expressar-me sobre o último derby, não sobre aspectos técnico/tácticos que já foram aqui abordados, mas sobre a importância desta vitória para a estabilização de que o Sporting precisa. Foi uma vitória limpa e quase "épica" sobre um adversário directo e que vinha de uma situação de equipa quase "galáctica".

 

O Sporting precisava desta vitória como de pão para a boca. Ultrapassou um obstáculo que para muitos, incluindo até sportinguistas, era quase impossível, e conseguiu emudecer a caterva de adeptos, que rezam a todos os santos, para que o Clube tenha maus resultados. Fiquei feliz, pelo Sporting, por ver que nas redes sociais os fiéis de um passado recente, e os ressabiados da derrota eleitoral, perderam o pio.

 

Deste modo, a noite das "facas longas" e das "línguas afiadas" está muito mais distante. O Sporting irá disputar a final com um adversário considerado superior, mas tem, como teve neste jogo, possibilidades de vencer, pela crença, pela vontade, pela dinâmica. E se se conquistar esta Taça de Portugal, esta Direcção consegue mais títulos em seis meses, que a anterior em seis anos, apesar das condições em que encontrou o Clube.

 

A tarefa não vai ser fácil e precisa da unidade dos que põem o Sporting acima de agendas pessoais. E é preciso ser pragmático para perceber, que mesmo que a Taça seja nossa, há muito trabalho a fazer para continuar a reestruturação do Clube, com passos firmes e consistentes.

 

Esta vitória foi um importante balão de oxigénio para uma Direcção que ainda não pode ter um só momento de algum descanso e paz. Mais do que necessário é absolutamente fundamental que as vitórias continuem, porque só assim é que os contestatários, saudosos de um triste passado, sejam eles os moderados que por aqui intervêm, ou os radicais e mal-educados que andam pelas redes sociais, se calem de vez, moderem a "língua afiada" e percam a esperança de sonhar com uma escura noite de "facas longas". Para bem do Sporting !

 

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publicado às 17:00

Feudos modernos

Naçao Valente, em 26.03.19

 

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No tempo da ditadura Salazarista, o poder do estado impunha-se aos diversos interesses privados. Mas a centralização do poder político, subordinando ao interesse geral o poder privado da nobreza, aconteceu muito antes. O fim do poder feudal e dos seus privilégios vivia apenas nas páginas da história no mundo ocidental quando o futebol se instalou como um desporto de massas.

 

O desenvolvimento da modalidade desportiva mais popular foi bem recebido pelo poder político instalado, e em Portugal, usado, discretamente, pelo Estado Novo, como forma de reforço do nacionalismo. Durante esse período, as instituições desportivas possuíam já a sua autonomia, no entanto, estava integrada na orgânica institucional do Estado.

 

Os presidentes dos clubes, por sua vez, eram recrutados entre as elites, pelo sua maior competência, relacionada com o acesso ao conhecimento, vedado à maioria da população. Exerciam de um modo geral as funções por amor à causa e agiam estritamente de acordo com as leis da República.

 

 O advento da democracia, pelo qual me bati, trouxe mudanças profundas na sociedade, e consequentemente também no futebol. A democracia significa liberdade, mais igualdade em termos políticos e sociais, mas como todos os regimes não está isenta de defeitos. Se por um lado abriu a hipótese de acesso ao poder de cidadãos, independentemente da sua origem social, aumentou as possibilidades de práticas de corrupção, pela emergência do "chico-espertismo".

 

No que aqui interessa abordar, as mudanças no futebol, constata-se que este acompanhou a evolução social, profissionalizou-se, democratizou-se e abriu portas a pessoas oriundas de extractos sociais populares, que  conseguiram, à pala de valores democráticos, ascender a altos cargos no futebol.

 

Ao contrário dos antigos dirigentes há gente sem cultura, sem princípios, que aplicam a ideia de que os fins justificam os meios. O poder que lhes advém de milhões de adeptos, e do poder do dinheiro que movimentam,  dá azo a corrupção,  alimentada como forma de se perpetuarem, conseguindo satisfação dos adeptos a qualquer preço.

 

Foi neste contexto que o futebol português se cristalizou como um "feudo" moderno, um autêntico poder dentro do Estado, desde as mais altas instâncias até à sua base, os clubes. Os dirigentes escudados pelas massas que os defendem, começaram a agir à margem das leis, como senhores que se consideram impunes.

 

O primeiro exemplo veio do Norte, de um clube com abrangência, sobretudo regional. O senhor presidente Pinto da Costa, é o dirigente que vem dos meios populares e que faz do dirigismo carreira profissional. Como "bom político", percebeu prontamente que como noutras áreas da sociedade, para prevalecer, precisava de montar uma rede de fidelidades "feudais" que, subtilmente, controlasse os órgãos federativos, e disso tirar as vantagens desportivas. Dias da Cunha, dirigente com sentido ético, chamou-lhe o "sistema".

 

No Sul, mais tarde, e depois de se ter percebido que a corrupção não era punida, surgiu um seguidor. Vieira é uma espécie de aprendiz de feiticeiro, mas que para sermos justos, nem sequer lhe chega aos calcanhares na arte de bem corromper. É oriundo também dos meios populares, fez-se à vida, e entrou no dirigismo já mais tarde. 

 

Chegou a presidente Benfica, apenas porque foi o clube que em função de circunstâncias diversas , lhe abriu as portas. Podia ter sido outro. Como os neo-democratas profissionais da política, agarrou-se aos meios que permitiam chegar ao poder. 

 

Seguindo as pisadas do mestre, foi tecendo a sua teia. Desde influência nas instituições desportivas,  até às instâncias judiciais, rodeou-se de pessoas pouco recomendáveis, e que não têm pudor de "chafurdar" em lamaçais. A novidade é que a responsabilidade começa e acaba aí. Nunca chega ao topo.

 

Este feudo é muito poderoso e como feudo que é, julga-se acima da Lei e do Estado, onde proliferam políticos e juízes que estão disponíveis para colocar interesses clubísticos acima dos interesses da Nação. 

 

O futebol português está num pântano. A Norte, depois do Apito Dourado, sacudiu-se a água do capote, como se nada tivesse acontecido. A Sul assobia-se para o lado,  como se nada de nada estivesse a acontecer. Pouco importa se o futebol deve ser um desporto onde a verdade e a igualdade competitiva existam. O que interessa é contentar as massas com resultados. A forma como são conseguidos é secundário e irrelevante.

 

O meu Clube, é com orgulho que o digo, tem um caminho limpo, pelo menos até à última Direcção. E mesmo em relação a esta, não há evidencia de qualquer esquema do que aqui estamos a abordar. Pelo contrário, a sua acção altamente desabrida apenas prejudicou o Clube. Podemos até somar menos títulos na corrupção que é o futebol, mas conseguimos andar de cabeça erguida. Os títulos que conquistámos são, como dizia alguém: "limpinhos, limpinhos".

 

O futebol em Portugal precisa de mão firme para se regenerar. E não acredito que essa regeneração parta dos órgãos desportivos. Estão corrompidos e dominados por dentro pelas forças dominantes.  São a real cúpula dos "feudos". Cabe ao poder político intervir e acabar com este feudalismo. Mas falta-lhe coragem e determinação. Tem medo de perder apoio de adeptos/eleitores.

 

P.S.: Comparações, como já é habitual, com os casos PPC ou Cashball,  que mesmo sendo reprováveis, é  como comparar a beira da estrada, com a estrada da Beira.

 

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publicado às 04:54

O soldadinho (de chumbo) milhões

Naçao Valente, em 19.03.19

 

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Durante a batalha de La Lis, na Primeira Guerra Mundial, o soldado Milhais do Exército Português teve um desempenho de grande mérito, razão pela qual o seu comandante lhe disse. "tu és Milhais mas vales milhões". Passou desde então a ser condiderado um herói, conhecido como o soldado Milhões.

 

No Sporting também temos um "milhões", que quer ser herói, mas que não passa de um "soldadinho de chumbo" porque pauta o seu comportamento, não pelo heroísmo, mas pela vigançazinha, aliada à ambição de poder pessoal. Chama-se Ricciardi.

 

Ricciardi, há muito ligado ao Sporting CP, de uma forma algo obscura, quer ser presidente, com toda a legitimidade. Por essa razão concorreu às últimas eleições, tardiamente, e com uma equipa pouco recomendável, tendo sido derrotado por "goleada" em relação aos dois primeiros candidatos.

 

Foi um derrotado que nunca aceitou a derrota. De tal modo assim, que ainda o vencedor não tinha sido empossado já se considerava oposição, legitimamente. O que parece menos legítimo, é ter enveredado de imediato por uma guerrilha constante contra a Direcção eleita, movendo influências para a prejudicar, o que significa prejudicar o Sporting.

 

Varandas, desde a sua posse, não teve um minuto de paz, estando permanentemente a ser colocado entre a proverbial espada e a parede. De um lado, pressionado pelos 'brunistas' que continuam a acreditar na ressurreição do seu "salvador", e por outro, da oposição de Ricciardi, que tudo tem feito para criar condições para o derrubar. No fundo são duas faces da mesma moeda. Não será por acaso que o "soldadinho" apoiou o destituído até ao limite do razoável.

 

O "soldadinho milhões" pede a demissão da actual Direcção e, para convencer os mais distraídos, acena com paletes de dinheiro, treinador de top e jogadores de alto gabarito. Este soldadinho de chumbo, está nos antípodas do verdadeiro Milhões. Não age em função dos interesses de um colectivo, o Sporting, mas antes no interesse do seu projecto pessoal de poder, e na vingança a um ódio de estimação, gerado durante os debates da campanha.

 

Está provado que a acção dos homens providenciais quase sempre conduz ao desastre. O Sporting já teve a sua dose. Precisa mais de homens comuns, como todos nós, que agem dentro da normalidade, e algumas vezes cometem erros. Mas que devem merecer respeito e esperar-se que façam o trabalho que precisa de ser feito.

 

O Sporting está num beco difícil há muito tempo. Precisa de sair desse beco para uma rua aberta onde tenha espaço para andar e progredir. E essa rua é longa e cheia de escolhos, que é preciso ultrapassar, com tempo e segurança. Se assim não for, o Sporting, iludido por charlatães, não conseguirá sair do beco.

 

P.S.: Este texto pode não ser, aparentemente, muito oportuno, no sentido em que não se deve ligar a cantos de sereia. Mas a verdade é que há sempre quem não resista a esses cânticos. Este texto justifica-se porque a desestabilização que existe de forma constante há seis meses, não contribui para a recuperação do Clube, e os sportinguistas devem estar atentos e perceber que é impossível ter, ao mesmo tempo, sol na eira e chuva no nabal.

 

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publicado às 15:00

À beira de um ataque de nervos

Naçao Valente, em 12.03.19

 

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Na  nossa vida todos temos que fazer opções, desde as mais comezinhas do quotidiano, até às mais importantes sobre o que chamamos de destino, até as que têm influência no rumo das sociedades, como as escolhas políticas.

 

Enquanto sócios de colectividades desportivas, também temos que participar na escolha dos nossos dirigentes. No último acto eleitoral do Sporting, uma maioria de votos elegeu, de acordo com as normas em vigor, o dr. Frederico Varandas. De entre as alternativas considerei que não era a melhor. Não por falta de seriedade e de competência, mas por uma série de atitudes, na minha perspectiva criticáveis, e que já abordei noutros textos.

 

Varandas é agora o presidente eleito. Deixando de lado alguns erros desnecessários, quero salientar o contexto em que teve que actuar. Encontrou um clube numa situação caótica. Quase sem tesouraria, com dívidas a pagar a curto prazo, a amortização de empréstimo que já tinha sido adiada, uma perda de muitos milhões em activos, do que se recuperou apenas uma parte.

 

Drake Wilson, no post "O Sporting que nos escondem", afirmou que Varandas não podia resolver de um dia para o outro, problemas com trinta anos - considero que até serão mais - que ficaram por resolver pela última Direcção. Foram antes escondidos ou mascarados. Digamos que durante o referido mandato, os sócios estiveram anestesiados, com "Prozac". Viveram numa ilusão, estavam felizes e não sabiam porquê.

 

Quando o "Prozac" acabou e se caiu na verdadeira realidade, chegou a depressão. Agora os adeptos que estavam imbuídos de uma atroz falsa felicidade, estão à beira de um ataque de nervos. Qualquer insignificância,  é transformada num caso de vida ou de morte, e num motivo para auto flagelação.

 

Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Varandas no seu estilo 'low profile' tem estado a pôr a casa em ordem. E enquanto não concluir esta enorme tarefa é de uma absurdidade total fazer exigências impossíveis, nomeadamente a uma equipa de futebol que perdeu metade dos melhores titulares.

 

O adepto que deixou de estar "prozaciado" quer tudo ao mesmo tempo, porque só olha para a árvore e não para a vasta floresta. A sua árvore, o futebol profissional, só terá êxito, quando toda a floresta estiver de boa saúde. Enquanto não se perceber isto e se continuar a criar um clima de guerrilha interna permanente, com os dirigentes e entre associados, o Sporting continuará em permanente instabilidade como está há mais de trinta anos.

 

Já ficou provado que o "Prozac" não é a solução. A solução ou as soluções exigem uma grande dose de realismo e racionalidade. Exigem união em redor da Direcção, embora sem seguidismos cegos. Exige-se que a deixem fazer o seu trabalho com tempo e serenidade, e que este seja avaliado, sem demagogias e palpites inconsistentes, baseados na ignorância.

 

Que os ditos 'brunistas' lobotomizados continuem a sua campanha contra o Clube, é um assunto estritamente da psiquiatria . Que os sportinguistas o façam, é difícil de entender. Se continuarmos por este caminho, de "prozaciados" ou de adeptos à beira de um ataque de nervos, daqui a mais trinta anos continuamos a ter a mesma discussão.

 

Quem é sportinguista e gosta realmente do Sporting não pode estar permanentemente a criar instabilidade, muito menos num período muito complicado, e contra uma Direcção com meio ano de mandato. 

 

P.S.: A histeria que por aí vai a propósito dos resultados do futebol merece o seguinte esclarecimento, porque a memória é curta. Nos últimos dez anos o Sporting só disputou o primeiro lugar até ao fim apenas uma vez, em 2015/2016. No momento em que escrevo, está a oito pontos do primeiro lugar. Nas últimas épocas na 25ª jornada (com excepção da época atrás referida) estava a oito pontos ou mais, com equipas mais fortes e o dito melhor treinador. Concretamente, na época de 2016/2017 acabou a dez pontos do primeiro e em 2017/2018 a doze pontos. Que raio se passa?

 

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publicado às 02:33

No pasa nada (II)

Naçao Valente, em 01.03.19

 

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O título do texto de hoje tem direitos de autor. Pertence a nosso leitor/comentador, Julius Coelho. Mas vou utilizá-lo, porque me parece que se adequa muito bem ao assunto que vou abordar. Está na ordem do dia a situação financeira do Sporting. E já deu para perceber que é preocupante.


No entanto, esta situação não nasceu de geração espontânea. Não é de hoje nem de ontem. Tem muitos anos na sua real essência. Durante o mandato da última Direcção foi sendo mascarada, com engenharias financeiras, e falsas propagandas, como o pagamento total do Pavilhão. E se na fase inicial do mandato houve alguma contenção, depois foi um "regabofe", que ainda não está totalmente clarificado.


No último ano da Direcção destituída, a situação agravou-se e de que maneira, com os acontecimentos anteriores e posteriores a "Alcochete". Houve nove rescisões, entre elas dos activos mais valiosos. E exceptuando Patrício e William Carvalho perderam-se, de momento, muitos milhões, que podiam ser suficientes para colmatar os actuais problemas de tesouraria.


Esta situação foi herdada pela actual Direcção. Nem esta, nem o seu Presidente, tem sobre ela qualquer responsabilidade. Há seis meses que longe dos holofotes, que só prejudicam, têm estado a tentar arrumar a cada. O pagamento de trinta milhões foi conseguida com muita dificuldade, em parte devida a boicotes, que até vieram do mundo sportinguista, segundo determinadas análises, e que põem as suas vaidades pessoais à frente das do Clube.


Apesar desta pesada herança, para a qual temos chamado a atenção, o que têm feito os sportinguistas, pelo menos os que se vão manifestando? Têm andado entretidos com jogos florais, atacando a Direcção por tudo e por nada, focando o discurso, na bola que foi à barra, na táctica do treinador, nos resultados menos positivos, na retórica presidencial, na oportunidade da comunicação, no fundo em ninharias, face à gravidade da situação.


No Sporting CP o futebol profissional é fundamental, sempre o disse, mas para além disso o Sporting distingue-se desde sempre pelo seu ecletismo, que esta Direcção mantém em alta. Mas também é fundamental que uma instituição desta grandeza, precise de meios financeiros para manter em bom nível as suas prestações desportivas. Se estes meios falharem, permitam-me a expressão "não há pão para tolos". E a reunião desses meios é, neste momento, a tarefa mais premente para esta Direcção.


Perante esta grave situação o que discutem os adeptos? O sexo dos anjos. E lendo opiniões todas apresentam soluções mais ou menos milagrosas, como se o mundo da finança que, na maioria desconhecem, funcionasse ao arrepio de sentenças de leigos, e como se os dirigentes que estão a lidar com o problema e que conhecem os seus contornos, fossem uns anjinhos sem sexo, a viver fora da realidade.


Fora da actual realidade, já o escrevi, vivem os adeptos com as suas críticas centradas em questões de lana caprina, e que continuam no mesmo tom, mesmo depois da situação que já se previa, ter sido posta preto no branco.


O que eu gostaria que os adeptos percebessem, volto a referir como catequese, é que a situação é deveras grave e que deviam deixar a Direcção fazer o seu trabalho dentro das possibilidades que tem ao seu dispor. E que deviam perceber, de uma vez por todas, que a nossa equipa tem que mostrar empenho, mas que não pode ir além das suas limitações.


A nossa equipa de futebol profissional, mau grado os meios de que dispõe, está na luta pelo 3.º lugar. E precisa de apoio, não de contestação. No futebol existe muita volatilidade, e embora seja missão difícil chegar ao 2.º lugar, neste mundo de pontapé na bola não há impossíveis. Só que não se chega lá com divisionismos.


Portanto, cabe aos sportinguistas enterrarem o machado de guerra interna. A luta não é com os dirigentes, nem com os atletas, é com os nossos adversários. A autofagia, termo usado por Rita Garcia Pereira, só conduz à destruição ou pode parar o Sporting.


O ambiente interno que funciona como "no pasa nada" é totalmente descabido. Passa-se muito coisa, com mais ou menos erros, no que é essencial nesta difícil fase. E está ser feito muito trabalho, nem sempre de forma visível, algumas vezes por razões estratégicas, como se prova pelos resultados do primeiro semestre da presente temporada. Para usar uma expressão "costumeira", deixem trabalhar quem trabalha e pensem numa outra que revela alguma sabedoria : "Devagar que tenho pressa".

 

P.S.: Ao considerar a situação financeira como grave, refiro-me à falta de pagamento de 40 milhões de euros ao Novo Banco e ao Millenium, relacionados com dívidas dos tempos de Bruno de Carvalho. Estes bancos deram um prazo de pagamento destas dívidas até final de Março. A Direcção tem estado a negociar. O Sporting vai precisar no espaço de um ano de reunir 137 milhões de euros extraordinários para fazer face às despesas correntes. 

(Fonte: Mais Futebol)

 

P.S.2: "O Sporting tem uma necessidade de tesouraria brutal", Francisco Salgado Zenha, em entrevista à Lusa, garante que nunca escondeu o jogo, mas que as medidas tomadas conseguirão resolver a situação. No entanto o trabalho efectuado a curto prazo resultou, "o Sporting registou um resultado positivo de 6,4 milhões de euros no primeiro semestre da presente temporada". Segundo o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) .  

 

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publicado às 03:49

O estado da nação sportinguista

Naçao Valente, em 23.02.19

 

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Como estava programado e anunciado o presidente Frederico Varandas, acompanhado por outros membros da Conselho Directivo, fez o balanço dos primeiros seis meses da sua presidência.

 

Abordou temas como a Auditoria Forense, (ainda não concluída) e o mais importante, a situação financeira, a estratégia para o futebol e a marca Sporting. Fez um relato longo, impossível de descrever na íntegra no espaço de um post. Assim sendo optei por fazer um breve resumo da conferência, para dar espaço a alguma análise interpretativa.

 

Em relação à Auditoria referiu-se ao contrato efectuado pelo Conselho Directivo anterior com MGRA, uma sociedade de advogados, onde à data trabalhava Alexandre Godinho, vogal da Direcção e que a partir de 2018 passou a contar, como associado, com o sogro de Bruno de Carvalho, por 1,7 milhões para tratar de "assuntos da presidência".

 

De acordo com os resultados apurados, o Sporting gastou mais 50% nesta conta, em três anos, do que em todas as outras em dezasseis. O departamento jurídico do Sporting não obteve evidência sobre o trabalho que foi facturado pela MGRA.

 

Falou de um empresa de nome Chow Lda (China), à qual o Sporting pagou 60 mil euros de brindes e ofertas promocionais e 20 mil euros por serviços de “Divulgação da marca Sporting na comunidade Chinesa”. O departamento de merchandising não conhece a empresa. A empresa fechou actividade após o pagamento.

 

E ainda do chamado Batuque Futebol Clube, de Cabo Verde, com o qual foi celebrado um contrato conferindo o direito de preferência do Sporting Clube de Potugal sobre sete jogadores pré-identificados. Não existe qualquer relatório, do Clube ou de terceiros, sobre jogadores daquele Clube; Em Janeiro de 2018 foi solicitado pela Administração da SAD ao departamento jurídico uma minuta de acordo de resolução daquele contrato. Não obstante esse pedido, o valor de 330 mil euros foi liquidado em Maio de 2018 e nunca foi restituído.

 

Sobre as claques, depois de referir os privilégios que possuíam, afirmou que não concorda com o seu comportamento desestabilizador e com atitudes que revelam mais interesse por negócios do que por amor ao Clube. Acentuou a sua firmeza em não se deixar ficar refém seja de quem for.

 

No diagnóstico do futebol profissional, fez o balanço conhecido dos últimos cinco anos, e dos acontecimentos que tiveram na situação actual do Sporting, que ficou com um plantel desequilibrado. E acentuou os esforços que estão a ser feitos para o reequilibrar.

 

Quanto ao futebol da formação considerou que houve desinvestimento na Academia quer em termos humanos, quer em termos materiais, com instalações degradadas, campos sem manutenção o que se reflectiu na formação de excelência conseguida. Reverter a situação é uma tarefa premente para o futuro do Sporting, dos seus adeptos, dos seus associados, que em número de pagantes sem as quotas em dia, são um assunto preocupante.

 

Em conclusão garantiu que o Sporting tem um rumo, estão a ser implementadas reformas em várias áreas, sem alarido, sem trombetas, com trabalho discrição e eficiência. Acentuou a importância da estabilidade para o sucesso, a necessidade de ter os pés na terra, não cair no deslumbramento fácil, e trabalhar para que as vitórias surjam de forma consistente.

 

Para além das leituras que se possa fazer destas declarações quero dar relevo negativo ao oportunismo do destituído, que marcou a apresentação do seu livro para a mesma hora, criando assim as condições para fazer, de imediato, o contraditório na mesma linha a que nos habituou, mentindo ou ignorando os aspectos fundamentais. Deixa-me perplexo como uma Editora prestigiada como a Bertrand se deixou enredar nesta repugnante campanha que o destituído mantém contra o Sporting.

 

Outro facto que não pode deixar de ser passível de reflexão, prende-se com a reacção dos 'brunistas', nomeadamente nas redes sociais. Caso de estudo é ver a página de Facebook do Sporting, inundada com comentários de seguidores do destituído, atacando a actual Direcção. Como o seu guru passaram ao lado das graves ou pelo menos intrigantes indícios que são apontados na Auditoria. E se não estamos perante uma acção concertada, parece.

 

Entendo o destituído porque não tem vida fora do Sporting. É como um fantasma que não quer admitir que morreu e continua a tentar assombrar, mesmo que isso implique o fim do Clube, que felizmente não é o caso.

 

Compreendo os fanáticos com palas nos olhos que não concebem o Sporting sem Bruno. O que me custa muito a compreender é a guerra que se vê entre adeptos, críticos até do não criticável, que consciente ou inconscientemente, exigem a esta Direcção, em seis meses, o que não exigiram à anterior em cinco anos, e que estava a destruir o Sporting.

 

Esta equipa precisa de tempo, de estabilidade e do apoio de todos os sportinguistas. Sem isso não há recuperação financeira e desportiva. Sem isso não se criam as condições reais para lançar o Clube no caminho do sucesso.

 

Nota: No site oficial do Sporting, está exposto em detalhe tudo aquilo que foi referido na conferência de imprensa, ponto por ponto:

 

- Sociedade advogados MGRA
- Chow Lda (China)
- Batuque Futebol Clube (Cabo Verde)
- Claques
- Sócios
- Compras de jogadores
- Diagnóstico e Estratégia Financeira
- Diagnóstico e Estratégia para Futebol Profissional
- Diagnóstico e Estratégia para Futebol de Formação
- Diagnóstico organizacional – o futuro do Sporting
- Infra-estrutura para além da Academia
- As pessoas
- A gestão
- Visão Marca Sporting

 

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publicado às 13:15

Futebol e alienação

Naçao Valente, em 13.02.19

 

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(Óleo sobre tela de Inos Corradin)

 

 

O resultado do jogo do Benfica com o Nacional gerou uma guerra de alecrim e manjerona. Foi apenas um jogo atípico onde uma equipa "pequena" me pareceu perdida em campo. No entanto, deu azo às mais desvairadas discussões sobre o estado do futebol, e já levou a uma queixa por parte do Nacional, por falta de respeito para com os seus profissionais.

 

Mas com este jogo não aconteceu nada de novo, nem se alterou o 'status quo' existente no meio. O que estava mal ou bem antes, continua a estar bem ou mal agora. Os chamados "grandes" vêem os ditos "pequenos"  como Clubes a quem têm que ganhar sempre e que servem para compor o ramalhete das suas conquistas.

 

Os "grandes" repartem entre si a maior parte do bolo, porque é essa a lógica do sistema. O dirigismo, com uma ou outra excepção, é recrutado entre gente sem preparação ética, porque pessoas com princípios e valores, tem mais que fazer.

 

Neste contexto, quanto mais "chico-esperto" for o dirigente, melhor. São estes que vingam e satifazem a massa adepta, com bons resultados conseguidos sem olhar a meios. Gente que não era nada como todos nós, fora do futebol, incham para além da capacidade da sua pele e julgam que têm o rei na barriga, e à frente de milhões de fiéis adeptos acabam por o ter.

 

O problema do futebol, hoje em dia, é que se substitui à religião como forma de alienação. Esse papel que as igrejas já não representam no mundo ocidental, a não ser em pequenos nichos, é quase exclusivo dos clubes de futebol. Nas doutrinas, nos rituais, no pensamento condicionado, nos dogmas, no "ódio" ao outro, no fundamentalismo nos comportamentos, na incapacidade de distinguir o bem do mal. Nas religiões, cujo suporte é a fé, existe hoje mais racionalidade que no futebol.

 

O Clube é inquestionável, o seu Presidente uma espécie de semideus. E se este pode ser contestado por não conseguir concretizar os desejos da massa fiel adepta, isto é dar-lhes o "paraíso" pela sua fidelidade, o Clube mesmo que se enrede em esquemas reprováveis e ilegais, nunca é contestado. Está sempre acima de qualquer suspeita.

 

Ao invés, o outro, de outra "igreja" é o infiel, merecedor de apupos, de insultos, e em casos extremos de violência física. É preciso ressalver, porém, que nesta forma de alienação, existem excepções, mesmo entre os adeptos.

 

A alienação do pensamento, é o inverso do espírito crítico e da lucidez, e é transversal a toda a sociedade. O futebol enquanto meio alienador vende a ilusão da felicidade eterna. O alienado acredita incondicionalmente e fica feliz por acreditar.

 

Assim se vai esquecendo deste vale de lágrimas em que vive. E se as religiões perderam importância face ao progresso científico e à evolução do humanismo, não consigo acreditar que isso possa acontecer com o futebol. Futebol e alienação, são a união perfeita.

 

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publicado às 13:15

O dia seguinte

Naçao Valente, em 04.02.19

 

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Ontem perdemos com um adversário dos ditos grandes. E perdemos porque em campo fomos inferiores. Mas não foi neste jogo que nos afastámos dos primeiros lugares. Foi noutros que devíamos ter ganho. Mais do que carpir mágoas devemos fazer uma reflexão realista, com a consciência que ainda falta meio campeonato, e todos os clubes perderão pontos. Hoje é já outro dia.

 

O realismo e a racionalidade não são apanágio da tribo futebol. Mas é nela que se vive e não em mundos imaginários. A realidade recente do Sporting não se pode dissociar dos acontecimentos de maio último. O Clube teve um início de época atribulada, quase sem equipa. Com atraso e muita dificuldade esta foi reconstruida na medida do possível. Apesar disso, teve um inicio de época em que até esteve acima das expectativas. Com um terço do campeonato estava a dois pontos do primeiro lugar, depois de dois jogos de alta dificuldade.

 

No entanto, uma análise realista do plantel mostrava que este não estava ao mesmo nível do dos nossos adversários directos, com jogadores de segunda linha nalgumas posições, e com aquisições que não acrescentaram muita qualidade. Com este plantel poderíamos jogar para o terceiro lugar ou para o segundo com alguma sorte.

 

A equipa técnica contratada no período de gestão, conhecedora das limitações, procurou com realismo jogar para os resultados, e o que estes mostram  até ser despedida, foi que conseguiu durante um terço do campeonato, cumprir esse objectivo. Mas a ansiedade e a irracionalidade do adepto com o seu poder do  lenço branco, criou as condições para que a Direcção com um mês de exercício despedisse o treinador. 

 

Esteve mal Varandas ao presidir ao sabor da voz da "rua", fosse ou não fosse o seu desejo. Uma equipa técnica que tem o Clube a lutar em todas as frentes, não se despede por perder um jogo usando uma equipa de segunda linha. Pelo menos realisticamente sempre fez a rotação de jogadores, talvez em excesso, perante a sobrecarga de jogos, deixando os melhores para os jogos mais importantes.

 

Um disparate desnecessário que em termos classificativos pode custar caro. Mudar de treinador sem ter uma alternativa credível, pode ter sido auto suicidio. De certo que com a equipa anterior não estaria pior, e talvez até estivesse melhor.

 

E Varandas estaria mais protegido por não ser o seu técnico. Trazer um treinador de fraco currículo e desconhecedor do futebol português, foi uma aposta de alto risco que pode atingir o próprio presidente, se os resultados não melhorarem.

 

Os que contribuiram para despedir Peseiro e que transitoriamente exultaram com Keizer, são os mesmos que agoram o criticam e que já começam a recorrer ao folclore dos lenços brancos. Esta forma irreflectida de agir é responsável pela instabilidade permanente, com a qual nunca se conquistará qualquer campeonato.

 

Keizer até poderá ser um erro de casting, mas agora é o nosso treinador. E deverá cumprir o seu contrato pelo menos até final da época, a não ser que haja uma hecatombe. O bom senso exige que se apoie a equipa para conseguir lutar até ao fim pelo melhor lugar. O bom senso exige que se perceba que ainda temos mais duas provas para disputar. O bom senso exige que se dê cofiança à equipa, que vai disputar já seguir a Taça de Portugal, com o adversário que hoje nos venceu, mas com a convicção que cada jogo é um jogo.

 

Nas redes sociais, os 29%, sedentos de vingança exultam a cada mau resultado. Calados pela surpresa das goleadas, voltaram agora em força. É certo que o seu mentor não pode voltar tão cedo à Presidência, mas não está descartado um testa de ferro, sempre o disse.

 

Varandas tem de continuar no seu registo discreto, falando menos e agindo mais. Não me agradou a guerra parcial que nos últimos dias começou. A luta pela transparência exige mais inteligência. E não é com declarações que possam agradar a alguns sócios que se vai ganhar a guerra. Se tem conhecimento de estratégia militar já devia ter percebido. Reflexão serena e ponderada exige-se.

 

P.S.: Depois de escrever o texto tomei conhecimento do empate do Porto em Guimarães. Como escrevi no texto, há muitos pontos em disputa, para ganhar e perder. O campeonato como os lugares seguintes não estão atribuidos. Serenidade.

 

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publicado às 04:03

A propósito do mau dirigismo

Naçao Valente, em 01.02.19

 

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O Presidente do SCP, Frederico Varandas publicou um texto onde aborda a questão do mau dirigismo do futebol português. Concordo genericamente com o que escreveu, mas peca por restringir os exemplos de mau dirigismo a um presidente e a um único clube. É verdade que LFV é um exemplo , do que é ser um mau dirigente para o futebol nacional, mas não é o primeiro, nem o único.

 

O mau dirigismo vem muito de trás. Assenta no acesso às presidências de indivíduos mal formados, sem cultura e sem valores, cuja principal característica é o "chico-espertismo". Apoiados por milhões de adeptos que apenas os avaliam pelos resultados desportivos, a qualquer preço, consideram-se um estado dentro do próprio Estado.

 

Este, por sua vez, lamentavelmente, acobarda-se e não os coloca no lugar onde deviam estar. Portanto, na minha opinião, o assunto merece uma reflexão mais abrangente, que a do Presidente Varandas.

 

No historial do futebol moderno, ou seja, desde que é um negócio que move múltiplos interesses, o primeiro grande caso de corrupção, passou-se no Norte, onde um presidente, que todos sabem quem é,  criou uma rede de interesses, à volta de diversas instituições desportivas, com o intuito e o proveito, de tirar vantagens desportivas para o seu clube. Os tentáculos desta rede estendiam-se até dentro das instituições judiciais, o que permitiu que tal personagem conseguisse fugir para Espanha para não ser preso.

 

No decorrer do processo apelidado de Apito Dourado, apenas uns peões de brega sofreram consequências penais, porque o grande mandante, conseguiu escapar pelos buracos da lei, e agora por aí anda, como se nada se tivesse passado.

 

Para os não portistas é visto como um mafioso, mas para os seus adeptos é um herói. O que interessa é que conquistou títulos. Com que meios pouco importa. No mundo da tribo da bola a honestidade não é apanágio de dirigentes e nem de adeptos, salvaguardando as devidas excepções.

 

No caso E-Toupeira, arranja-se um bode expiatório, enquanto o principal responsável, sacode a água de capote, procurando como o seu mentor do norte, escapar pelos buracos da lei. E, pasme-se, o pirata informático, que trouxe para a ribalta a marosca, é que é o principal criminoso, como se o ilícito que cometeu, só por si, apagasse a existência do ilícito que denunciou.

 

E como sempre, os adeptos são coniventes com as práticas corruptoras, assobiando para o lado, enquanto o responsável lhe garantir a conquista de títulos. A honestidade mais uma vez é letra morta, ou parafraseando, "uma treta".

 

António Dias da Cunha, um presidente exemplar, com princípios, valores e cultura, foi dos primeiros a pôr a mão na ferida do comportamento do mau dirigismo. Mas se quisermos ser sérios na análise, temos que admitir que pelo Sporting também passou mau dirigismo, com referência para a última Direcção destituída. No entanto, nunca no meu clube houve a tentação de montar um esquema como os descritos.

 

O episódio PPC, não passou de uma operação pessoal tão grosseira e tão ridícula, que morreu à nascença, e da qual o Clube não tirou, nem nunca tiraria, qualquer benesse. E se no caso Cashball , ainda em averiguação, se provarem as acusações, sou o primeiro a dizer, que apesar de cometidas pela Direcção recém-demitida, o Clube de que eram máximos representantes, deve sofrer as devidas consequências.

 

Nunca justificarei eventuais actos ilícitos no meu Clube, com os que acontecem nos outros. Porque quem não é capaz de reconhecer os erros e as ilegalidades na sua casa, não tem autoridade moral para os apontar na casa dos outros.

 

A questão do mau dirigismo não é fácil de resolver. Pois como disse, decorre dos estados de alma do adepto na sua total falta de racionalidade. E não é  gritando e ameaçando, como aqueles que não aprendem nada com o passado defendem, que se reverte a situação.

 

A cegueira clubística só deixa ver um único lado da verdade. E não consigo encontrar, pelo menos a curto prazo, uma solução, o que não implica que quem consiga pôr os valores acima dos interesses deixe de lutar. Nesta luta, a inteligência tem que estar acima da emoção e da demagogia.

 

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publicado às 03:49

A insustentável leveza do adepto (I)

Naçao Valente, em 09.01.19

 

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O adepto de futebol vive num mundo de fantasia. Sem peso nem consistência, flutua num limbo de onde foi expulsa a realidade. Num dia, está no paraíso vivendo felicidade eterna, no outro, cai no mais trágico inferno que se possa imaginar.

 

Esta dualidade de comportamento aplica-se a todos os adeptos em geral, mas ao português em particular, também em função da sua especificidade enquanto cidadão.

 

O adepto do Sporting, por mais que se diga, não é diferente. Tanto milita na euforia sem limites, como cai na depressão sem fim. Ainda há pouco tempo cantava louvores às novas lideranças, e colocava a equipa técnica e as suas tácticas nos píncaros da lua.

 

Vejam lá, tinha conseguido pôr um grupo de executantes, de entre eles, muitos com pés de chumbo, a jogar bom futebol a que alguns tiveram a ousadia de chamar o "tiki-taka". De um dia para o outro os bestiais já são apelidados de bestas. Têm grilhetas nos pés, não correm, não fintam...e o treinador, meu Deus, que "asno".

 

O futebol não se joga no mundo da fantasia, joga-se no mundo real. No mundo real são onze contra onze, e ganha  quem marcar mais golos. O adepto, na sua insustentável leveza, considera que a sua equipa, por ser um "grande" pela sua história, pelos meios de que dispõe, tem de ganhar todos os jogos.

 

Pura ilusão, porque os outros, filhos de um deus menor,  também sabem jogar, e utilizam as valências que possuem, para contrariar a fantasia dos craques. Não há vitórias por decreto ou por estatuto. Há vitórias por trabalho, por rigor e às vezes com o ápio da sorte.

 

É comum dizer-se que uma equipa joga o que a outra deixa jogar. O jogo a dois toques funciona se houver condições e espaço para o realizar. E esse espaço é ou não concedido pelo adversário. Quando este, por mérito seu,  não o concede, só a genialidade de uma equipa de "galácticos" o pode conseguir, sem que isso, no entanto, seja garantido.

 

Não acredito que qualquer jogador até para bem da sua curta carreira, não queira fazer o seu melhor. E quando joga mal é porque as circunstâncias, sejam quais elas forem,  não o permitem.

 

A frase que considero mais  ridícula, usada pelas multidões nos estádios, é "joguem à bola", quando uma equipa, por razões até muitas vezes desconhecidas pelos adeptos, não consegue jogar bem.

 

Os jogadores de futebol são homens que erram como todos nós. E quando são sujeitos a pressões negativas, reagem inconscientemente pela negativa. Se o adepto percebesse isto nunca utilizaria tal expressão.

 

O adepto, na sua leveza, julga-se jogador e treinador, quiçá presidente. Não conhece da missa a metade, nem sabe fazer, mas fala como um perito. Basta ler os comentários e as análises, que são tantas e tão diversas, quanto o número de pessoas que as emitem.

 

Se o futebol real se regesse por estas opiniões caía na maior bagunça. Felizmente, opiniões fazem apenas o seu caminho como catarse de emoções, e nisso o futebol desempenha o seu papel como escape para outras frustrações do dia a dia.

 

Em conclusão, como diria La Palice, nem tudo estava bem antes, nem tudo está mal agora. Tudo é relativo. O adepto em vez de ajudar, complica. Tantas vezes.

 

Que o adepto manifeste a sua opinião, mas sem pôr sistematicamente em causa o trabalho de uma direcção e de uma estrutura, quando uma equipa não corresponde totalmente aos seus justos anseios. Para isso já chegam os profetas, conscientes da desgraça, que desejam e esperam que tudo corra mal. 

 

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publicado às 03:49

Dormir com o inimigo

Naçao Valente, em 14.12.18

 

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Escrevi aqui, recentemente, um texto sobre este assunto, mas face aos desenvolvimentos subsequentes e à enorme importâcia que tem para a vida do Sporting, parece-me oportuno abordar de novo o  tema.

 

Realiza-se amanhã a reunião magna com o intuito de decidir se se dever manter ou não a suspensão aplicada ao destituído ex-presidente e elementos da anterior Direcção. A Mesa da Assembleia Geral decidiu, ao arrepio dos Estatutos, e numa operação que foi delineada em política de bastidores, pouco transparente, levantar a suspensão transitoriamente aos suspensos, para poderem participar na referida reunião.

 

Parece-me uma decisão aberrante e perigosa. Aberrante pela forma antidemocrática como foi decidida, ironicamente em nome da democracia. Perigosa porque abre uma porta que estava fechada, a quem demonstrou claramente à sociedade, que lhe interessa mais o seu poder pessoal, que os interesses do Sporting. 

 

Nunca é de mais lembrar que a democracia tem regras, que nenhum verdadeiro democrata deve ultrapassar e é sempre conveniente acentuar, que o presidente destituído, apenas tem um único objectivo: restabelecer o seu poder ditatorial no Sporting. Basta ver o seu último post de Facebook.

 

Transigir com quem tentou tomar de assalto o Clube, criando órgãos paralelos e ilegais, é um acto de falta de coragem em assumir funções sem tibiezas. Querer deitar na cama com o inimigo é correr sério risco de vida. O ex-presidente já mostrou para quem tem olhos de ver, que se está borrifando para a democracia, e que depois de levar cartão vermelho de uma percentagem muito elevada de associados, continuou a querer manter-se em jogo a qualquer preço.

 

A esta mais que  incompreensível benesse que a Mesa da Assembleia Geral deu, creio que com o beneplácito do Conselho Directivo, os sócios devem responder com firmeza. Devem comparecer em força, como na Assembleia Destitutiva, porque o que está em jogo não é uma questão menor. É um processo que deve caminhar no sentido de encerrar de vez uma página negra do Sporting. O anterior presidente não pode ter a oportunidade de voltar. A unidade não se faz com quem continua a assombrar o Sporting.

 

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publicado às 16:00

Tolerância zero

Naçao Valente, em 11.12.18

 

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O lugar onde os associados exercem o seu poder é nas Assembleias Gerais. Aí aprovam ou não orçamentos, elegem ou destituem direcções, ou tomam outras decisões previstas nos Estatutos. Mas nem sempre os sócios comparecem em grande número a estas reuniões, fundamentais, para a vida do Clube. Nas instituições cuja dimensão extravasa o local geográfico da sede, é perfeitamente compreensível que aqueles que vivem a distâncias de centenas de quilómetros, tenham motivos para a sua ausência.

 

No entanto, há momentos extraordinários na vida do Clube, como foi o caso da última Assembleia Destituitiva, que exigem uma muito maior mobilização,. Cabe nessa situação aos Órgãos Sociais incentivarem a presença de todos os que tiverem disponibilidade. A Assembleia Geral do dia 15 de Dezembro, tem pelo sua ordem de trabalhos uma relevância fora do comum. Está em jogo a continuação ou levantamento de castigos aplicados pelo Conselho Fiscal a sócios que desrespeitaram os Estatutos e que apresentaram recurso dessa decisão.

 

Esses associados que foram suspensos, principalmente o presidente da Direcção deposta, já mostraram que pretendem continuar a assombrar a vida do Clube, colocando à frente do interesse colectivo as suas ambições pessoais. E dispõem ainda de um grupo de apoio, reduzido, mas que se mobiliza em benefício de uma personalidade que adoram acima do próprio Clube. Esse apoio esteve presente na última reunião magna e viu-se a sua força na diferença de votação, entre o orçamento da Direcção anterior e da actual.

 

Quem desejar afastar do dia a dia esses elementos perniciosos e desestabilizadores, tem o dever de estar presente nesta Assembleia Geral para que não aconteça uma surpresa. O levantamento da sua suspensão será um sério revés para a estabilidade do Sporting e que esta Direcção com discrição e bom senso está a conseguir. Deixar que um grupo pequeno mas ruidoso e agressivo, possa reverter uma decisão justa, é um passo atrás na pacificação do clube e um desrespeito pela Assembleia de  Julho.

 

Ao contrário dos aqui e ali agora clamam por complacência para quem nunca a teve, entendo que é imperativo que haja TOLERÂNCIA ZERO. Permitir o regresso dos que, em beneficio pessoal, quase destruíram uma colectividade centenária, é um acto cujas consequências são imprevisíveis. Por essa razão é necessária uma forte mobilização para mostrar, democraticamente, a essa gente, que já é, efectivamente,  passado.

 

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publicado às 04:03

Unir o Sporting

Naçao Valente, em 27.11.18

 

A união, seja do que for, não se faz através de decreto, excepto nos regimes totolitários, onde todos têm de seguir o mesmo pensamento. O slogan "Unir o Sporting" foi usado em campanha pela lista que foi eleita. Em democracia, o cumprimento desse desiderato não é fácil de concretizar, pela liberdade, que permite a existência de naturais divergências.

 

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Num clube dedicado ao futebol só existe uma fórmula segura de conseguir a unidade; através dos resultados desportivos. Se estes forem positivos e viabilizarem a conquista de títulos a unidade acontece naturalmente. Ora no Sporting, por razões que merecem análise específica, isso não sucede há muito tempo.

 

A anterior Direcção teve um dos maiores períodos de graça, de que me lembro em tempos recentes, mas, apesar disso, não conseguiu conquistar o almejado e principal título. E eu que fui forte crítico da sua estratégia e da sua acção, admito que não começou mal. Com controle de custos, com algumas boas decisões na contratação de técnicos, parecia estar no caminho certo. Mas o ego e a falta de bom senso do presidente, trocando o essencial pelo acessório, acabou por, usando uma expressão ligava aos velhos westerns, "cavar a sua própria sepultura" enquanto "cowboy" sempre de dedo no gatilho.

 

A união de um Sporting dividido é uma tarefa ciclópica para esta Direcção. Os seguidores do notório "brunismo" continuam a andar por aí, sob a irrisória esperança de aparecer uma oportunidade para o seu ídolo. Recusam unidade e torcem para que as coisas corram mal. Os derrotados nas eleições, dividem-se entre os expectantes e os ressabiados pela derrota e já mostraram resistência no apoio a Varandas, nomeadamente na operação Obrigações. Não querem unidade. Desejam que tudo corra mal. Um grupo que julgo muito minoritário gostaria de ver o Clube nas mãos de um grande capitalista, com outro modelo de gestão.

 

Neste contexto, Varandas e a sua equipa, precisam para além de competência de alguma sorte. Depois de resolver dossiês financeiros urgentes, necessitam que a equipa de futebol profissional faça uma boa campanha, consiga bons resultados e ganhe, pelo menos, um título. Não é tarefa fácil. É que se assim não for, a sua margem de manobra começa a diminuir, e a desejada unidade a estar cada vez mais distante.

 

Que os adeptos percebam bem que até agora esta Direcção está a fazer os possíveis para estabilizar o Clube, que precisa de tempo, e que não se pode exigir, em meses, o que não e exigiu em anos. Que a maioria entenda que a desestabilização que antes partia de dentro, está agora fora e à espreita de uma pequena brecha. Que a paixão dê lugar ao bom senso, se não nunca mais saímos do ciclo vicioso.

 

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publicado às 16:30

Quem exerce o poder no Sporting ?

Naçao Valente, em 19.11.18

 

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Todo o Mundo é feito de mudança. A frase que visa representar a evolução da humanidade deve-se a Camões. A mudança, no sentido do progresso, é muitas vezes feita com boas intenções, isto é, com o intuito de tentar tornar melhor a vida das pessoas. Mas mesmo feita com sentido positivo, houve sempre quem se servisse de boas intenções em sentido negativo.

 

A introdução vem a propósito do aparecimento das claques no futebol. Não é seguramente um assunto dos mais prioritários, neste momento, na vida do Sporting, mas não deixa, por isso, de ser relevante.

 

A claque, como grupo organizado, em sentido restrito, teve a sua origem na presidência de João Rocha, e trazia consigo o objectivo de constituir um grupo que animasse as bancadas, o décimo segundo jogador "dentro do campo". O bom princípio evoluiu paralelamente à evolução da sociedade, que nalguns aspectos, relacionados com certos valores, regrediu.

 

Quando vivia em Lisboa e era presença habitual no estádio demolido, os adeptos estavam presentes em grande número e não regateavam apoio às equipas, desde o princípio ao fim do jogo. Nunca senti a necessidade de qualquer grupo específico para animar as bancadas. Por isso, assumo-me com anti-claquista, em qualquer clube.

 

Hoje, as claques dispõem de regalias que não são atribuídas a outros associados, mas não podem ser todas colocadas no mesmo saco. Quero aqui distinguir a Juve Leo, pela gente que atrai, pelas regalias especiais de que dispõe, e pelo poder que foi ganhando dentro do Clube, sobretudo desde a presidência anterior. Foi transformada pelo ex-presidente numa guarda pretoriana, que garantia o seu poder. O poder que a sustentava caiu, no entanto, esta continua a exercer a mesma influência, e de certo modo a mesma arrogância.

 

O novo presidente, se quer ter independência, tem de se impor a esta situação. A Juve Leo não pode ser um poder e/ou contra-poder, conforme as conveniências, na estrutura do Sporting. Frederico Varandas se diz ter coragem, tem de a mostrar nos dossiês difíceis, e encontrar uma solução.

 

Para mim, que não quero ser politicamente correcto, era extinta, mas admito que possa haver outras soluções. Não se pode dissociar o comportamento das claques da vontade do dirigismo, sobretudo do mau dirigismo. Tem que se definir, claramente, quem exerce o poder legítimo no Sporting.

 

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publicado às 04:49

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