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Presente e futuro

Naçao Valente, em 09.04.21

Estamos a viver um momento que não vivíamos há muito tempo; estarmos no primeiro lugar da principal prova nacional, com um avanço pontual significativo. Creio que muito pouca gente, nas suas melhores previsões, imaginaria esta situação, tendo em conta o ponto de partida, e muitas outras condicionantes.

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Tenho vindo, tal como muitos outros sportiguistas, a usar a sensatez, evitando entrar em deslumbramentos. É extremamente positivo ter mantido durante um tempo considerável dez pontos de avanço, mas este avanço, numa prova tão longa, e em que a contabilização assenta em três pontos por jogo, não é uma margem assim tão grande, quando ainda estão muitos pontos em disputa.

Portanto, moderação tem de ser a palavra de ordem, sem deixar de ter total confiança na equipa que nos tem surpreendido pela positiva. Pelo que já fez e pelo que precisa de fazer, precisa do nosso apoio incondicional. E estou convencido que este grupo unido e solidário está a fazer tudo, para ganhar este campeonato, e para dar essa alegria aos adeptos.

Pode-se pedir esforço, entrega, empenho. Não se pode é exigir que sejam perfeitos, e que não possam ter, melhores ou piores momentos. Nenhuma equipa consegue manter o seu máximo nível durante uma prova longa. Além disso, é preciso ter consciência que não temos um conjunto de galácticos. É um grupo com cerca de metade de atletas razoáveis e experientes, e de outra metade de jovens, alguns até com a idade de júnior, e com grande potencial, mas que não são jogadores feitos.

Por isso, custa-me ler análises que por aqui aparecem, a criticar a equipa e a sua direcção, após um jogo com um empate que foi injusto, e onde se pode dizer que não imperou a verdade desportiva. Todos nós temos a tendência para botar “faladura”, sobre tudo e mais umas botas, sobre qualquer assunto, sobre o qual geralmente até somos ignorantes. No futebol esse desiderato atinge o expoente máximo. Porque falar é fácil, para quem não tem que fazer. Porque quando tiver que fazer, pia mais fino.

Este grupo de 'leões' que nos espicaça as emoções e nos põe os nervos em franja, está a dar o seu melhor. Não devemos esquecer que quando entram em campo têm do outro lado onze adversários. E pode-se argumentar que têm que ganhar porque os outros são mais fracos. Mas não é bem assim. Os outros também sabem jogar, com uma agravante, quando jogam contra a nossa equipa, contra o primeiro classificado, fazem o jogo das suas vidas. E os nossos têm que o fazer em todos os jogos. E convém não esquecer que são humanos, e não máquinas. Há alturas que o muito querer, pode não significar poder.

Quando entramos na recta final, a nossa equipa, que vale como grupo, irá lutar jogo a jogo com todo o empenho. Haverá coisas a corrigir, há sempre. Mas uma equipa que ainda não perdeu nesta prova, merece não só o nosso apoio, mas também o nosso respeito. Não vai haver nenhum jogo fácil. Temos de confiar nesta equipa, ainda em crescimento. Não pode ser uma equipa só para o imediato, mas para o futuro. Se falhasse e todo o projecto podia ficar em causa. Vi, neste blogue, críticas despropositadas, mas vi ainda pior nas redes sociais; muitas facas afiadas. Os sportinguistas têm de continuar alerta e unidos.

publicado às 04:19

O Sporting das "estrelinhas"

Naçao Valente, em 08.03.21

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O Sporting CP está no primeiro lugar da I Liga, com , pelo menos, nove pontos de avanço, sobre o segundo classificado, quando acabar esta jornada. Mas esta situação, impensável no início da época, deve-se ao facto do clube  ter o melhor plantel? Considero que não. Qualquer um dos nossos adversários mais directos, tem plantéis de grande qualidade. Então porque conseguiu o Sporting este avanço pontual?

Tenho assistido às mais variadas e até contraditórias explicações sobre esta questão, por parte de jornalistas especializados e de comentadores ex-jogadores ou ex-treinadores. E se há alguns que aceitam o indubitável mérito da equipa sem “mas”, há outros que admitindo cinicamente o mérito, vão esgrimindo argumentos, como desculpas, onde predomina a dita "estrelinha", o facto de fazer menos jogos ou o demérito dos adversários.

A verdade, na minha perspectiva, é que o predomínio do Sporting CP tem sido conseguido com muito mérito e competência, por uma equipa que funciona no campo e fora dele, com verdadeira união, com uma estratégia humilde, plasmada no jogo a jogo,e com uma táctica assumida e interpretada com rigor por todos os jogadores. Mérito da equipa técnica, sob o valoroso comando de Rúben Amorim, que conseguiu com o plantel disponível, tirar o maior rendimento de todos os atletas.

Para aqueles que procuram minimizar o que esta equipa tem feito, para serem honestos na análise, deviam colocar na discussão a evidência do muito dinheiro investido pelos dois rivais principais, e por outro lado, a construção da nossa equipa onde pontuam muitos jovens, alguns com idade de júnior. Deviam considerar a competência, a solidariedade entre sectores e jogadores, a raça, a entrega, e a eficácia, numa equipa sem “estrelas”, onde todos são iguais.

Ainda estamos longe do fim deste campeonato. É preciso ter a consciência que não está ganho, como alguns ousam assumir, ou por euforia, ou para desviar o foco do grupo. É necessário manter a mesma estratégia, e rever e alterar, pontualmente, aspectos técnico-tácticos, que surpreendam os  adversários. Acredito que a estrutura técnica estará atenta. Do exterior, críticas isoladas que vejo (poucas) de “supostos” adeptos, que consideram por exemplo o último jogo “uma vergonha”, espero que, como vozes de burro, não cheguem ao céu.

No último desafio - já extensivamente debatido - houve de facto alguma apatia, alguns jogadores algo acomodados, outros inadaptados às posições, e ainda um ou outro fora da melhor forma. Isso conjugado com a pressão alta do adversário, o que já tinha acontecido frente ao FC Porto, condicionou a equipa. Por outro lado, pareceu-me que esta, depois de marcar o primeiro golo, talvez inconscientemente, prioritizou defendê-lo. E o facto é que até à marcação do seu único tento, o adversário não tinha feito um remate à nossa baliza. Demonstra confiança, sem dúvida, mas não deixa de ser algo arriscado. Nesse aspecto tem haver outra atitude.

No debate sobre o interessante texto “Um olhar prognóstico sobre o que falta disputar", o Leão do Norte, escreveu, com toda a propriedade, que  “o facto (de o Sporting)  chegar a este ponto e estar nesta situação não foi obra do acaso”. As “estrelinhas” que são atribuídas a vitórias que pareciam impossíveis, como a sorte que protege os audazes, são fruto da crença, do trabalho e da vontade. Apesar disso, deve haver a pretensão, como tem sido dito, de disputar cada jogo como se fosse mais uma final, para ser vencida, mantendo a intensidade do primeiro ao último minuto. Acredito que o grupo quer manter a distância conseguida e tudo fará nesse sentido.

publicado às 03:04

Mais um passo

Naçao Valente, em 02.03.21

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Na minha maneira de ver o futebol, não existem jogos fáceis, embora saibamos que há uns mais fáceis que outros. Compete à nossa equipa, no caso o Sporting, reduzir as dificuldade não os complicando. É esse o caminho que é preciso fazer para chegar em primeiro lugar. Caminho longo, para o qual demos mais um passo seguro.

O último jogo que disputámos, considerado o jogo do título, nas análises dos especialistas e até nas discussões dos adeptos, foi apenas mais um, independentemente das dificuldades implícitas. De uma maneira deveras simplista podemos concluir que a equipa cumpriu os objectivos mínimos: não perder pontos, em relação ao adversário mais próximo, nesse jogo.

Passo a passo, como estratégia delineada, e bem, estamos já a uma distância considerável dos adversários directos. Como uma equipa construída quase a partir do zero, o Sporting está a surpreender, até mesmo os mais optimistas. Como não acontecia há muito tempo, a equipa, bem dirigida, joga com muita personalidade, com confiança, com empenho, com determinação, com humildade. Enquanto adepto, confio na sua competência, e acredito na sua eficácia.

Por outro lado, observo a reacção dos adeptos, e vejo, algum deslumbramento,(legítimo) presente em diversas manifestações, em que parece que se está a comemorar um título que ainda está longe de ser conquistado. A diferença pontual, significativa, para adversários mais próximos, não garante neste momento essa euforia. Três derrotas e cinco empates podem deitar tudo a perder, embora os concorrentes também possam perder pontos. Não nos devemos esquecer que estão quase quarenta pontos em jogo.

Bem hajam aqueles, que neste espaço, apelam à prudência: Rui Gomes, Leão Zargo, Leão do Norte, entre muitos outros. Mas não posso deixar de fazer um elogio muito especial ao Julius, como grande conhecedor do futebol, que de uma forma pedagógica, tem chamado a atenção para o excesso de optimismo, com uma paciência de catequista, salvo seja.

Estou convicto que esta equipa leonina, se continuar a manter a mesma competência, não perderá toda essa vantagem, e até poderá aumentá-la. Mas temos de ter a consciência que no futebol se pode passar de bestial a besta. Podem acontecer imprevistos, como castigos ou lesões, que impliquem alterações significativas no onze titular. E não podemos esquecer que há, pelo menos, dois ou três jogadores fundamentais que não têm substituto à sua altura.

Demos mais um passo. Outro virá a seguir. É nele que a equipa se vai concentrar. É nele que nós adeptos nos devemos concentrar, para não se dar um passo em falso. Como diz o poeta, o sonho comanda a vida, e devemos sonhar, mas com a consciência que o sonho não passa disso até se transformar em realidade. E que essa realidade, estando cada vez mais próxima, ainda depende, para se concretizar, de mais alguns passos.

publicado às 05:33

Bom gosto e bom senso

Naçao Valente, em 11.02.21

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O Sporting, contra ventos e marés, e contra as previsões mais optimistas, está em primeiro lugar no campeonato nacional, com algum avanço, e já tem no seu vasto currículo mais um troféu. É tempo de viver o momento com humildade e com a esperança que se prolongue. Mas este não é o tempo de manifestações de superioridade, de euforia e de arrogância. No futebol tudo muda muito rapidamente, e grandes euforias que se vão manifestando aqui e além, deixam-me preocupado, e leva-me a fazer esta reflexão.

Louvável e inteligente tem sido a estratégia comunicacional do nosso treinador, mantendo o seu objectivo exclusivo no jogo a jogo. Muito bem tem estado o presidente, mantendo-se basicamente em silêncio e não fazendo ruído. Tem falado pouco e deixado a mensagem aos protagonistas. Mas anteontem falou e borrou um pouco a pintura. Indo contra a corrente, considero que não esteve bem. Compreendo que pretendesse alertar, enquanto presidente, os adeptos, para não caírem em excessos de euforia, mas não resistiu a dar uma “bicada” nos adversários, com alguma, na minha interpretação, arrogância, mesmo disfarçada de ironia. E que fique claro que apoio e sempre apoiei o presidente, que foi a escolha livre dos associados.

Ainda me lembro do presidente anterior dizer, em 2015, que os adversários precisavam de jogar muito mais para ombrear connosco, quando íamos à frente da tabela. Todos sabem como acabou. Não gostei nada de ouvir o este presidente dizer que somos um “gigante”. De outra forma, está a cair na esparrela do anterior. Esta comunicação do líder, não me pareceu oportuna no timing, no local e no modo. O Sporting CP tinha acabado de ganhar um jogo difícil, com muito querer e muito empenho. Ganhou, mas poderia não ter ganho. Fiquei com a sensação que quis pôr-se nos bicos dos pés, de algum modo inebriado com os elogios justos que tem recebido. Humildade era comemorar a vitória. Ponto.

O lema do Sporting tem sido, até agora, e espero que continue: trabalho, vontade, entrega e humildade. A comunicação, exceptuando casos pontuais, como o caso Palhinha, deve ser para dentro e não para fora, para manter as hostes unidas. Começar a desviar o foco para os adversários  pode permitir que estes se galvanizem.

Eu percebo que Frederico Varandas queira acentuar, que estamos a ganhar com mérito, contra adversários poderosos “dentro e fora do campo”. Eu, um simples adepto, já o tenho dito e continuo a dizê-lo, mas só me represento a mim mesmo. O presidente representa milhões de adeptos. Todos sabemos que existe o “sistema” mas não é esta a hora, a forma, nem o modo de o combater. Tocar a  fera com vara curta pode dar mais resultado. Cada coisa no seu tempo e no seu lugar. A guerra contra o sistema é longa e não se faz com 'sound bites', faz-se  com perseverança, paciência e inteligência.

O Sporting não deve seguir esse caminho. Deve continuar unido e competente a vencer dentro do campo. Para mais, para ser diferente, não pode entrar pelo comportamento dos adversários , porque corre o risco de abrir a porta  para  se unirem, criticarem e ganharem motivação, e perder credibilidade. Até agora a comunicação, feita por quem sabe, está a ser eficaz. Não a estraguemos, com o jogo falado, o que se está a ganhar com o jogo jogado. Que alguém tenha o bom senso de dizer ao presidente, que não estrague o que de bom se está a fazer, com a sua colaboração. Bom gosto e bom senso, precisa-se.

publicado às 12:30

Ditadura ou democracia, no futebol?

Naçao Valente, em 03.02.21

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Quem não viveu numa ditadura, pode imaginá-la mas nunca vai conhecê-la. A experiência é a mãe de todas as coisas. Vivi numa ditadura e sei bem o que é. Por isso, quando em 25 de Abril de 1974, se iniciou o processo que levaria à construção de uma democracia em Portugal, pude ver qual a real diferença.

Ao fim de quarenta anos, temos um país melhor, mais desenvolvido, mais justo e livre. Mas os resquícios do poder ditatorial continuam a viver na mente de muita gente. No seu dia a dia, nos seus comportamentos, vêm muitas à superfície tiques ditatoriais. Digamos que a ditadura não está na Lei, mas continua nas mentalidades.

No desporto em geral, e no futebol muito em particular, os tiques de poder totalitário são constantes. Atrevo-me até a dizer, que as diversas formas de poder ditatorial ainda se encontram plasmadas na própria lei que rege o sector desportivo. Pergunto: haverá algum clube desportivo, onde se pratica, em pleno, uma verdadeira democracia?

Mas muito do que se passa nos diversos órgãos que regem o futebol, leva a questionar se ali se pratica autêntica democracia. Qual o processo que leva à composição desses órgãos? Arranjinhos, compadrios, pressões, influências? 

Vem isto a propósito, mais especificamente, dos órgãos que dirigem a arbitragem. Não se parecem com corporações próprias de um poder totalitário? E os árbitros na sua actuação, que limites têm eles ao poder discricionário? Não será mais um sector onde o erro não tem consequências? Ou faz de conta que tem?

Os árbitros são necessários, como juízes, claro, para a realização do jogo. Mas será que não confundem arbitrar com tornar-se os artistas do espectáculo? Os artistas não têm que ser exclusivamente os atletas no campo? Será que sem estes, os homens do apito teriam razão para existir? Pergunta retórica.

No entanto, analisando o problema por outra perspectiva, não terão os clubes também responsabilidade, por muito do que acontece, ao aprovarem os regulamentos, que o sector da arbitragem aplica, a seu belo prazer? Ou de uma forma dogmática? Não serão os clubes que lhes dão o excesso de poder de que se queixam?  

Em jeito de conclusão, pergunto simplesmente: não estará o mundo do futebol a precisar de uma revolução? Não estará o sector da arbitragem a precisar do 25 de Abril que nunca teve?

publicado às 03:34

Nem oito, nem oitenta

Naçao Valente, em 17.01.21

Rúben Amorim chegou ao Sporting CP há cerca de um ano. Encontrou uma equipa que se arrastava em campo, de treinador em treinador. Contou com a interrupção dos jogos de futebol para começar a reformular o plantel. Quando se reiniciaram os jogos, já tinha feito uma pequena revolução com jogadores vindos escalões inferiores, e afastando os que não lhe garantiam um mínimo de confiança. Após a retoma, a “nova” equipa fez um resto de campeonato positivo, apenas perdendo o terceiro lugar por detalhes.

Foi uma equipa renovada, com reforços pontuais, que se mostraram ser mais-valias, que iniciou esta temporada. Ao contrário do que estávamos habituados, e contra muitas más perspectivas, a equipa até surpreendeu bastante, chegando quase ao meio do campeonato sem derrotas e isolada no primeiro lugar. Não foi um percurso fácil, com jogos ganhos com brilhantismo mas também com algumas vitórias arrancadas a ferros e até com alguma “estrelinha”, mas esta também dá trabalho.

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Este percurso levou os adeptos a acreditar numa época de grande sucesso. Também tenho acreditado, embora de forma mais realista. Não me deslumbrei, e nunca entrei em euforias como aconteceu com muitos sportinguistas. Sempre considerei que temos uma equipa em formação, com muitos jovens, alguns juniores, que estão longe de serem jogadores feitos. Por outro lado, notam-se desequilíbrios entre sectores. Na defesa para além dos que são titulares, não se vislumbram substitutos à altura. Há posições onde não há suplentes que garantam segurança.Os suplentes com uma ou outra excepção, não asseguram o mesmo desempenho, dos que são titulares.

O muito que se conseguiu fazer até agora, resultou de uma grande unidade do grupo, de muita garra, de muita entrega e também de alguma qualidade. Sejamos realistas: o nosso plantel não está ao mesmo nível dos adversários. E, por isso, devemos estar orgulhosos do que têm feito. E ainda devemos perceber que são pessoas, não são máquinas e que, como tal, estão sujeitos a falhar. O campeonato é uma maratona. Vai haver jogadores castigados, jogadores lesionados, jogadores infectados, e jogadores que vão apresentar cansaço.

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O que não deve acontecer é passar-se de oito para oitenta. Nunca estive no oitenta, nem estou agora no oito. Continuo a acreditar muito na equipa, e na estratégia de jogo a jogo, retirando de cima desta, uma pressão algo exagerada. É o caminho para começar a falhar. Tenho consciência, que em função das circunstâncias, é muito difícil chegar no fim em primeiro. Mas sem deixar de crer nessa possibilidade, seria importante um lugar europeu. E isso consegue-se com confiança na equipa, independentemente de melhores ou piores jogos.

No imediato, o plantel precisa de alguns reforços pontuais. Mas reconheço que nesta fase do mercado não os há em abundância, e os de qualidade que estão disponíveis, são caros. Não me parece que o Clube disponha de meios para os contratar. Para contratar “reforços” que não façam a diferença nada adianta. Concordo inteiramente com o Rúben Amorim quando diz que quem vier que seja para acrescentar, hoje e amanhã. Porque para além do imediato, é nisso que tem que se apostar.

publicado às 03:19

"Só Deus é perfeito..."

Naçao Valente, em 29.12.20

O seu a seu dono. A frase do título foi proferida por um membro do júri de avaliação de uma tese de mestrado, em defesa da mesma tese. A frase completa foi: “só Deus é perfeito, mas não escreve teses”.

Aplicando este pensamento ao futebol, com a devida vénia, seria: "só Deus é perfeito, mas não joga à bola".

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Não há nenhum clube de futebol, tanto aqui ou na Cochinchina, que jogue sempre bem, e até que ganhe sempre. O futebol é, pode ser, um espectáculo. Mas é esse o seu principal objectivo? Não me parece. O principal objectivo é só ganhar. O que fica de um jogo, de um campeonato, depois de assentar toda a poeira, é o resultado. O êxito no futebol mede-se por perder e ganhar.

Qualquer adepto que não esteja de má-fé sabe bem isso. Claro que os adeptos preferem ver bons espectáculos dentro do campo e com nota artística. Mas jogar bem e acabar a perder, não entusiasma nada o adepto do clube que perde. Faz parte do ADN da natureza humana, festejar vitórias e não derrotas.

Por outro lado, os executantes do jogo chamado futebol, são pessoas como todos nós, com virtudes e defeitos. É verdade que têm uma apetência especial para essa tarefa, e são pagos acima da média, mas naturalmente não deixam de cometer erros. Têm dias em que tudo corre bem, e outros nem por isso. Na disputa de um jogo há sempre imponderáveis.

O Sporting partiu para esta temporada com uma equipa constituída por jovens vindos da formação, e por algumas aquisições, com potencial, mas sem o rótulo de craques. A equipa técnica afina pela mesma diapasão. Em comparação com os adversários mais directos, não está no mesmo patamar, em função do dinheiro investido no plantel.

E no entanto, está no primeiro lugar. Quem se atreveria a dizê-lo no início da campanha? Creio que nem o adepto mais optimista! E de tal modo surpreendeu tudo e todos, que a opinião especializada inventa justificações à dúzia, para aquilo que consideram uma quase impossibilidade.

O que não se deve é pedir a esta equipa a perfeição que não se exige a outras, que possuem condições para serem mais competentes. O que não se pode é exigir o céu, quando vivemos na terra. O que é totalmente inadmissível é arrasar estes jovens por, apesar de ganharem, fazerem um jogo menos conseguido. O que me parece ainda mais suicida é serem “ditos” sportinguistas a fazê-lo. O que se pode exigir é trabalho, empenho, determinação. O que se deve dar, é apoio, serenidade, compreensão.

Esta equipa, surpreendentemente, está no primeiro lugar. Não podemos saber como estará no fim de uma prova longa, e que ainda está no início. O que sabemos é que esta equipa deve bater-se para ganhar cada jogo que disputa. Por sua vontade, com humildade, creio que o tentará fazer. Se o vai conseguir ou não, o tempo dirá.

Aconteça o que acontecer, estou convicto que estes jovens darão tudo o que podem e sabem para honrar a camisola de leão ao peito que envergam. Mas são humanos, não são deuses. Estes, dado que não jogam à bola, o que podem fazer é protegê-los, porque, como se costuma dizer... protegem os audazes.

publicado às 05:04

"O lugar dos amantes"(1)

Naçao Valente, em 14.12.20

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(1) Expressão do título, "roubada" ao Leão do Norte.

(...) Quando se apaixona um apaixonam-se (quase) todos”... escreveu o Leão do Norte, a propósito da relação dos adeptos com o treinador Rúben Amorim. Concordando com a sua análise, quero, um pouco por antítese, sublinhar o quase.

Mas antes de dar mais corpo a esse sublinhado, quero fazer um pouco de história, porque a memória é muito curta. Quando o presidente Varandas foi buscar Amorim, o Sporting estava a bater no fundo, no que diz respeito ao estado do futebol profissional, De treinador em treinador, de plantel em plantel, de contestação em contestação, e afins, não se via uma luzinha sequer, mesmo ténue, ao fundo do túnel. O espaço de manobra da Direcção estava a encurtar, mesmo entre os mais pacientes.

A contratação de Amorim teve de imediato a crítica acrítica dos contestatários habituais. Nada que não fosse esperado. Mas mesmo os mais moderados, criticavam o elevado preço pago para o trazer para o Sporting. E alegavam que era muito dinheiro por um técnico pouco experiente e sem as devidas qualificações. Tive oportunidade de escrever, na altura, que a contratação de Amorim era arriscada, mas de risco calculado. Tinha mostrado, no pouco tempo que treinou o Braga, que estava ali em potência um grande técnico. E ou se contratava pelo valor exigido ou se perdia, como aconteceu com outros.

Hoje, comprova-se, que depois de um leque de erros, Varandas estava certo. Amorim está a fazer uma revolução no Sporting, ousando promover jovens quase desconhecidos, e que já se valorizaram. Além disso, estou certo que teve “dedo” nas contratações cirúrgicas que reforçaram o actual plantel. Estou até convicto que aquando da sua contratação, Amorim aceitou-a, perante condições previamente acordadas. Por outro lado, aplicou a receita que sempre defendi como fundamental. E independentemente do resultado final, é uma aposta ganha, embora esteja um pouco preocupado com o excesso de euforia que por aí campeia. Temos de ter a consciência, que neste momento, somos a melhor equipa, mas não temos o melhor plantel.

Ainda bem que Amorim conseguiu dar início ao processo de unir a nação sportinguista com excepção dos tais “quase”. Os “quase”, para além das bases brunistas em negação para a eternidade, é composta por gentalha que tem abertas as portas da Comunicação Social. Aproveitando a base de cultores da personalidade, continuam com um objectivo: tomar conta do Sporting. Esses “quase” não apreciam Amorim. Está a estragar-lhes os planos.

Quero falar de um  “quase”  em particular, mas que simboliza todos os outros. Refiro-me ao treinador Augusto Inácio. Numa recém-entrevista, onde se assumiu como candidato à presidência do Sporting CP, aproveitou por criticar Varandas, a propósito deste ter dito, durante a campanha eleitoral, que revelaria informações sobre um jogo com o Benfica que contribuiu para a perda de campeonato. Esta crítica não é nova, é uma espécie de cartilha que circula por aí, à falta de outro argumento contestatário.

Ora a minha questão é: que poderia saber Frederico Varandas, um simples médico, que não soubessem membros da Direcção demitida, incluindo o próprio Augusto Inácio. E se assim era, porque nunca apresentaram a suposta “bomba” durante três anos? Porque vão repescar agora essa afirmação, que foi dita em contexto eleitoral, e que não me lembro de ser utilizada antes? A minha primeira conclusão é simples. Estão a sentir fugir-lhes o chão debaixo dos pés. A outra conclusão é que se estão lixando para o Sporting CP.

Termino com um muito simples conselho: se gostam do Sporting, deixem de ser “quase” apaixonados, e juntem-se de corpo e alma ao Clube, porque todos somos necessários. É esse o lugar dos amantes. Quando houver eleições apareçam com as suas propostas, e até com as habituais lavandarias de “roupa suja”. Faz parte. Mas até lá, não levem os adeptos a duvidar que sejam sportinguistas. É pouco inteligente.

publicado às 04:19

Do jogo falado, ao pote de Amorim

Naçao Valente, em 01.12.20

A partir do momento em que a televisão se tornou num grande estádio, que a realidade futebolística se democratizou. Os adeptos da modalidade que estão dispersos por todo e território e arredores, tiveram acesso aos jogos através de um ecrã. Nesse aspecto deu-se um avanço positivo.

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Mas como em tudo, existe o verso e o reverso da proverbial medalha.  Com essa realidade virtuosa, vieram muitos aspectos perniciosos. Aos comentadores das peripécias dos jogos, com apreciações pautadas de modo grosseiro pela subjectividade, foram acrescentados comentadores profissionais, ao serviço dos vários clubes, cuja função principal é fazer pressão sobre as instâncias com influência no futebol, com o intuito de tirar dividendos para os clubes que defendem. Estamos perante o jogo falado, quase tão importante como o jogo jogado.

Estes pontas de lança da opinião assertiva, andam mais assanhados do que nunca. A razão é simples. O Sporting CP, está, ao contrário das previsões, a bater-se “taco a taco” com os que há anos se consideram donos e senhores dos títulos em disputa, e cujos orçamentos e plantéis estão muito acima da média. Daí que se sirvam de  erros de arbitragem, incluindo, os polémicos, para considerar que os homens do apito protegem o Sporting CP. A verdade é que o percurso do Clube, é “limpinho limpinho”. Todos os pontos foram conquistados, com suor, trabalho, e sofrimento, e às vezes com brilhantismo, dentro das quatro linhas.

Comentadeiros” avençados começam a estar assustados com o pote de Rúben Amorim onde pontificam meninos irreverentes, confiantes e competentes. O 'Pote' de Amorim, não é apenas Pedro Gonçalves. São também Nuno Santos, Porro Nuno Mendes, Mateus Nunes, Palhinha, João Mário, Jovane, Tomás, e vários outros que estão na rampa de lançamento. Uns adquiridos, outros produtos da formação, trabalhados e mentalizados por Amorim, que estão a responder acima das expectativas. E incomodam muita gente.

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Outra lição que está a ser dada é que o valor de um treinador, não se mede pelos “níveis” que possui, mas pela capacidade e competência que demonstra. Tenho dúvidas que outro treinador, por mais currículo que apresentasse, estivesse a fazer este tipo de trabalho, visando o presente, mas também o futuro. Este é o caminho que sempre defendi, que deve continuar, sem  criar desalento ao primeiro percalço.

O campeonato é uma muito fatigante maratona. O esforço tem que ser bem gerido. Haverá momentos melhores e outros piores. Mesmo com a máxima competência no jogo jogado, será difícil chegar ao fim em primeiro. O jogo falado tudo fará para que não aconteça. Por isso, nunca é demais denunciá-lo, como bem o fez o Leão do Norte. E com apoio firme, e a estrelinha que também é importante, quem sabe se não podemos ganhar a maratona, sem triunfalismos e sem arrogância. Se assim for será uma estalado de luva branca, no atoleiro do futebol falado.E talvez o início de uma mudança, que urge.

P.S.: Pedro Gonçalves, sem deixar de ser o que foi, já é muito diferente. Joga numa outra posição e assume-se como goleador que não era. Trabalho, sem dúvida, do treinador.

publicado às 03:19

Cada macaco no seu galho

Naçao Valente, em 14.11.20

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A propósito da guerra da guerra interna que mina o Sporting CP, embora mais atenuada, até ver, ouço da parte de contestatários a expressão, “os sócios são os donos do Sporting”, com a intenção de justificar actos que lesam o Clube, e fazer toda a bagunça. A expressão não passa de uma falácia, porque o Sporting, não tem nem nunca teve donos. Nem o seu fundador, sem o qual não existiria, assim se considerou.

O Sporting CP, é uma instituição de utilidade pública, que pertence a todos os associados, do ponto de vista formal, e a todos os adeptos do ponto de vista afectivo. O papel dos associados está plasmado na letra dos Estatutos, na secção II, e delimitado por direitos e deveres. Saliento alguns aspectos fundamentais.

No que concerne os direitos... "participar nas Assembleias Gerais do Clube, apresentar propostas, intervir na discussão e votar; ser eleito para órgãos sociais; requerer a convocação de Assembleias Gerais extraordinárias, nos termos dos presentes estatutos” (artigo 20). Corresponde aos deveres, “honrar o Clube e defender o seu nome e prestígio; cumprir pontualmente as disposições dos estatutos e regulamentos do Clube e acatar as deliberações dos órgãos sociais e as decisões dos dirigentes; zelar pela coesão interna do Clube;”(artigo 21)

Através de eleições, os sócios exercem o direito de escolher os Órgãos Sociais, de acordo com os Estatutos. Estes têm toda a legitimidade de exercer, as suas funções. Quando os sócios não acatam as deliberações dos Órgãos Sociais, desrespeitam o Estatutos, e não cumprem os deveres implícitos. Quando promovem a divisão de forma deliberada, estão infringir o dever de manter a coesão interna.

O que se passa há muito no Sporting CP, mas assumiu nos dois últimos anos, o cúmulo da desestabilização, mostra uma de duas coisas, ou talvez as duas: os sócios, não conhecem os Estatutos, ou se os conhecem não os respeitam. Fazer manifestações selvagens, insultar dirigentes, pedir a sua demissão à margem da legalidade, ou da melhor ou pior, gestão desportiva, não se enquadra, em nenhum artigo dos Estatutos.

É como se não vivêssemos num “estado de direito”, mas numa república de bananas. Esta forma ilícita de actuar tem prejudicado o Clube (recorde-se o caso Mourinho) e continua a prejudicá-lo. Cabe aos órgãos dirigentes, (estes ou outros) defenderem o Sporting CP, contra estas derivas antidemocráticas, sem tibiezas. Cabe aos sócios não ultrapassar os seus direitos. “Cada macaco no seu galho”.

Em conclusão, as funções dos sócios, incluindo aqueles que exercem funções directivas, está claramente definido, e devem manifestar-se dentro dos limites da lei, tendo em vista os superiores interesses do Clube. A coesão interna tem que estar acima do interesse de grupelhos avulsos, e de elites com projectos pessoais. Não devia ser preciso fazer apelos à unidade. Esta é uma obrigação e não uma mera opção. Quem não aceita, deve seguir o seu caminho. A luta pela gestão do Clube, tem de ser restringida aos períodos eleitorais. Para  além disso, somos apenas Sporting.

publicado às 03:33

O céu é o limite

Naçao Valente, em 04.11.20

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A prestação da equipa do Sporting CP, na primeira Liga, está a surpreender os optimistas, os cépticos, e os derrotistas. Um plantel onde predominam jovens, alguns até de grande potencial, a dar os primeiros passos numa prova de dificuldade máxima, não estaria nas melhores previsões. É certo que os adversários enfrentados, até agora, não são dos mais conceituados, com excepção do campeão nacional, mas com o qual fizemos um bom jogo, que até poderia ter sido ganho.

Esta equipa, pautada pela juventude, e na qual ainda há muita margem para progressão, pode sonhar e voar alto. O céu, na sua ambição, tem de ser o limite. Uma ambição assente em trabalho, assente em confiança, assente em irreverência, assente na união, e assente na crença da vitória. Mas o voo para atingir o limite, tem de ser seguro, e prudente para não queimar as asas, como aconteceu no mito de ícaro.

O sonho comanda a vida, e é a sonhar que esta equipa poderá chegar ao topo, não é mero delírio. O que lhe falta em experiência, sobra-lhe em qualidade, e sobretudo em querer e crer. Tem debilidades no sector defensivo, mas que podem e devem ser melhoradas. O optimismo é legítimo, mas cuidado com o maior inimigo do sucesso, a euforia.

À partida, temos adversários directos com plantéis, pelo menos, teoricamente, mais fortes e muito mais experientes. Temos um candidato que se considera estratosférico, mas que já mostrou debilidades. O campeonato é uma maratona, e não uma corrida rápida. O facto de no arranque irmos na frente, significa apenas isso. É positivo, é agradável, mas só se ganha no fim. A prova é longa, e há imprevistos, dentro e fora das quatro linhas.

Como muito bem já disse o timoneiro Rúben Amorim, a meta do Sporting é jogo a jogo.  É, na minha perspectiva, a estratégia correcta... No fim fazem-se as contas. Estes primeiros jogos indiciam, no mínimo, que a catástrofe anunciada pelos “falsos” sportinguistas, não se deve concretizar, pelo menos num futuro próximo. Também indiciam que, da mesma forma, temos um treinador competente, que, até ver, está a calar os que criticaram o valor pago pela sua contratação. E como tudo na vida é relativo, até pode acontecer, que ainda fique barato.

Por fim, a esperança que esta equipa traz ao universo sportinguista, deu à sua Direcção e ao presidente, uma nova vida. E uma coisa é justa: se na época anterior cometeu erros desportivos, nesta época, o que está a acontecer, deve-se a ter tomado boas medidas, e isso deve ser elogiado. Ao mesmo tempo, a não existência de espectadores nos estádios está a favorecer em muito o crescimento destes jovens. Sim, porque com a presença daqueles que apareciam só para fazer “chicana política” não se vai a lado nenhum. Neste momento, é preciso acreditar e apoiar a equipa, com a certeza que não é invencível. Se não se afirmar, plenamente, no presente, será, sem dúvida, uma equipa de futuro.

publicado às 03:19

Do jogo falado, ao pote de Amorim

Naçao Valente, em 01.11.20

Desde que a televisão se tornou num grande estádio, que a realidade futebolística se democratizou-. Os adeptos de clubes que estão dispersos por todo e território e arredores, tiveram acesso aos jogos através de um ecrã televisivo. Nesse aspecto deu-se um avanço positivo.

Mas como em tudo existe o verso e o reverso da medalha.  Com essa realidade virtuosa, vieram muitos aspectos perniciosos. Aos comentadores das peripécias dos jogos, com apreciações pautadas pela subjectividade, foram acrescentados comentadores profissionais, ao serviço dos clubes, cuja função  principal, é fazer pressão sobre as instâncias com influência no futebol, com o intuito de tirar dividendos para os clubes que defendem. Estamos perante o jogo falado, quase tão importante como o jogo jogado.

Estes pontas de lança da opinião assertiva, andam mais assanhados do que nunca. A razão é simples. O Sporting CP, está, ao contrário das previsões, a bater-se “taco a taco” com os que há anos se consideram donos e senhores dos títulos em disputa, e cujos orçamentos e plantéis estão muito acima da média. Daí que se sirvam de  erros de arbitragem, incluindo, os polémicos, para considerar que os homens do apito protegem o Sporting CP. A verdade é que o percurso do Clube, é “limpinho limpinho”. Todos os pontos foram conquistados, com suor, trabalho, e sofrimento, e às vezes com brilhantismo, dentro das quatro linhas.

“Comentadeiros” avençados começam a estar assustados com o pote de Amorim onde pontificam meninos irreverentes, confiantes, competentes. O Pote de Amorim, não á apenas Pedro Gonçalves. São Nuno Santos, Porro Nuno Mendes, Mateus Nunes, Palhinha, João Mário, Jovane, Tomás, e outros que estão na rampa de lançamento. Uns adquiridos, outros produtos da formação, trabalhados e mentalizados por Amorim, que estão a responder acima das expectativas. E incomodam muita gente.

Outra lição que está a ser dada é que o valor de um treinador, não se mede pelos “níveis” que possui, mas pela capacidade e competência que demonstra. Tenho dúvidas que outro treinador, por mais currículo que apresentasse, estivesse a fazer este tipo de trabalho, visando o presente, mas também o futuro. Este é o caminho que sempre defendi, que deve continuar, sem  criar desalento ao primeiro percalço.

O campeonato é uma maratona. O esforço tem que ser bem gerido. Haverá momentos melhores e piores. Mesmo com a máxima competência no jogo jogado, será difícil chegar ao fim em primeiro. O jogo falado tudo fará para que não aconteça. Por isso, nunca é demais denunciá-lo, como bem o fez o Leão do Norte. E com apoio firme, e a estrelinha que também é importante, quem sabe se não podemos ganhar a maratona, sem triunfalismos e sem arrogância. Se assim for será uma estalado de luva branca, no atoleiro do futebol falado.E talvez o início de uma mudança, que urge.

publicado às 18:06

Gastaram-se litros de tinta, usaram-se uns quantos quilos de palavras, passe o exagero, com interpretações, tão ou mais subjectivas, que o lance de penálti revertido no jogo Sporting-FC Porto. Do que foi dito e escrito, resulta um denominador comum: o homem do apito, esteve certo na sua decisão em função do que observou directamente, mas, ao mesmo tempo, esteve errado, de acordo com as imagens televisionadas, que lhe foram apresentadas pelo VAR. Assim sendo, a reversão acabou por ser correcta, ou por outras palavras, "escreveu-se direito por linhas tortas". Quando o assunto cair no esquecimento, a banda continua a tocar.

Imagens televisionadas? Começam aqui as contradições. Porque razão o VAR meteu o "bedelho" onde não devia. Sobre tudo o que li e ouvi, há uma posição unânime: o lance em causa não constituía um erro grosseiro do árbitro. E mesmo perante as imagens que têm aparecido, a intervenção do defesa portista na acção do avançado é susceptível de diversas interpretações. Também não se nega o contacto, o que se discute, fundamentalmente, é se teve ou não influência no seguimento da jogada.

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Para não acrescentar mais litros ou quilos à polémica, coloco algumas interrogações: o que se passou na comunicação, que não devia ter existido, entre o VAR e árbitro? O que viu este nas imagens televisivas que o levou a mudar a sua anterior decisão? Não viu contacto? Se viu, calculou então a sua intensidade? Com que certezas mudou a decisão? Será que não os tem no sítio? Tem medo de quê ou de quem?

Em conclusão, o homem do apito foi célere na marcação da infracção, mas depois de uma conversa de "pé de orelha", mudou de agulha. Acredito que quando foi ver as imagens já tivesse a reversão decidida.

Vimos vários comentadores encartados a dizer que não era caso para VAR, mas que a sua intervenção repôs a verdade, a partir da dita conversa, que não podia ter existido. Que raio de coerência é esta? A verdade é que é fácil bater num clube sério como o Sporting CP, ainda por cima com o acordo de certas facções internas. Na realidade, não me lembro de ver estes comentadores mexer uma palha, contra as falcatruas que beneficiam outros clubes. A verdade é que não se "escreveu direito por linhas tortas" mas escreveu-se "torto por linhas direitas". 

publicado às 03:49

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A derrota frente ao LASK Linz, já foi debatida até à exaustão, com as mais desvairadas análises. Não é esse aspecto que quero abordar. Não acrescentaria nada de novo. Quero antes escalpelizar o evidente aproveitamento que se encontra por detrás dessas análises. O aproveitamento oportunista dos cobardes brunistas, que aproveitam qualquer desaire para desestabilizar o Sporting, e desaparecem quando o resultado é positivo, e que nunca é demais desmascarar. De tão recorrente não merece mais uma linha. Mas o aproveitamento dos profissionais da análise desportiva na comunicação social, merece alguma reflexão.

 O desporto surgiu como uma componente deveras essencial da formação do ser humano. O desporto, e especificamente o futebol, transformou-se num espectáculo/negócio, que vive, que explora a componente lúdica da vida, dando aos seus espectadores a ilusão que os distrai das agruras do dia a dia. 

Nada a dizer, se isso não se tivesse tornado numa alienação, que muitas vezes é colocadao como a grande prioridade da vida, coisa que não deve ser. Tudo é relativo. Em última instância podemos viver sem futebol, mas não conseguimos sobreviver sem "pão".  Muitas vezes não mexemos uma palha para melhorar as condições de vida , mas gastamos energia e tempo com resultados de futebol, como se fosse a coisa mais importante do universo. 

Vem isto a propósito da monumental discussão que se gerou à volta do resultado do Sporting vs LASK Linz como se fosse um caso de vida ou de morte. Relativizando as coisas é apenas um jogo de futebol. Neste jogo como noutros, há um vencedor e um vencido. É essa a sua essência. E não há equipas cem por cento vencedoras. E não há humilhação de quem perde, e vangloriação de quem ganha. Se fosse esse o princípio já não teria razão para existir.

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Quem segue as análises que se fazem a seguir aos jogos, vê muitas vezes, ditos jornalistas - que considero "abutres" da comunicação - criando um espectáculo fora do espectáculo, dramatizando-o. Estes "abutres" do jogo falado, vivem à custa do futebol. Televisões, rádios, jornais dedicam horas e horas a discussões inúteis, que não acrescentam nada de positivo. O que produzem de concreto para bem da humanidade é zero. 

Sobre o resultado do dito jogo, usaram até à exaustão a palavra humilhação. É, na minha opinião, um termo desapropriado. Humilhar é "rebaixar ou tratar desdenhosamente, abater ou submeter". Num jogo de futebol, ganha-se ou perde-se, e tanto se ganha ou perde pela diferença de um, como de cinco.

Todas as equipas, e os seus adeptos, querem ganhar, mas outras tantas têm que perder. Num jogo de futebol ganha-se para marcar pontos, para conquistar provas, não se joga para humilhar. Quem quer humilhar são estes "abutres". Não costumo entrar em teorias da conspiração, mas parece que essa essa palavra não é utilizada de forma inocente. O FCP, por exemplo, perdeu em casa com um adversário, teoricamente muito mais fraco, e não vi na comunicação social, qualquer análise com idêntico significado.Conclui-se que no Sporting é fácil bater. O exemplo parte de dentro. 

P.S.: O que modestamente considero jornalista é o que relata o que se passa em campo, mesmo com a natural subjectividade. Esse jornalismo desportivo dos velhos tempos, adaptou-se aos tempos actuais, comportando-se como "catedráticos" e donos da verdade.

publicado às 04:18

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O nível de isenção e objectividade do ser humano, em geral, é limitada. Muito para além da herança genética que molda a nossa personalidade, esta é ainda condicionada por múltiplos factores ligados à nossa formação e a diversas outras influências. A partir daí assumimos determinados posicionamentos ideológicos, que pautam as nossas vidas e as nossas reacções perante a realidade, política, religiosa e clubística.

No mundo do futebol, esse posicionamento ideológico atinge extremos que dispensam mínimos de racionalidade. Quando aderimos a um clube estabelecemos com ele uma relação onde a paixão é dominante. Desse modo, vivemo-lo quase sempre de uma forma emotiva. Os adversários, pessoas como nós, passam muitas vezes a inimigos. Temos a enorme capacidade de o ver argueiro no olho do outro, mas não o vemos no nosso, nem num espelho de aumentar.

Mas o que mais me perturba é quando mandamos às urtigas o espírito de grupo clubístico, tantas vezes deveras exagerado, e decidimos, algo inconscientemente, digladiarmo-nos entre pares. E voltando ao princípio, não por razões objectivas e concretas, mas com base em especulações, pautadas por posicionamento ideológico.

Essa luta fratricida que vem sendo habitual no Sporting CP, e que está a atingir níveis alarmantes, deixa-me perplexo e triste. Sobretudo tendo em conta que não existe motivo para que tal aconteça. A contestação à actual Direcção, na razão inversa da adoração à anterior, é a prova provada da insustentável leveza do ser. Flutua e cai na inconsistência de comportamento, num abrir e fechar de olhos.

Ao ver, ouvir e ler a discussão pública sobre a dívida do Sporting Clube de Portugal, ao Sporting de Braga, pasmo. Que nos debates televisivos, jornalistas/ comentadores malhem no Sporting, sem saberem da missa a metade, eu compreendo. Precisam de ganhar a vida, nem que seja a encher chouriços. Que adeptos do nosso Clube o façam nas redes sociais, mete-me asco. E não me refiro aos brunistas que apelidam Varandas de caloteiro, porque isso faz parte da sua estratégia de regresso ao poder. É curioso verificar como não tiveram essa preocupação, quanto às dívidas da anterior Direcção, e que tiveram que ser pagas por esta, para o Clube não cair na insolvência.

Aqui no Camarote Leonino vejo comentários a roçar a ignorância e o ridículo. Começa logo pela ênfase da expressão “calote”. Em qualquer dicionário, em rigor, pode ver-se que o termo se refere a dívida não paga, e não a dívida por pagar. Esta badalada dívida e outras, que o Sporting e todos os clubes têm, serão calotes se não forem pagas. O Sporting sempre pagou as suas dívidas, e também pagará esta, sem esquecer que também é credor e nesse sentido tem dinheiro a receber.

Um outro aspecto que brada deveras aos céus nestes comentadores, é que assentam as suas afirmações/acusações, em pura matéria especulativa. Não conhecem os contornos do negócio, não sabem porque razão ainda não foi pago, mas metem-se a adivinhos, para fazerem então condenações na praça pública. Condenações estas que se baseiam no tal posicionamento ideológico em relação à actual Direcção. Ao partir desta base a discussão está inquinada, e não tem nenhum rigor.

Em conclusão, o Sporting é mesmo diferente, e caso de estudo. É o clube português onde nem o “sentido de tribo”, no que diz respeito à defesa dos interesses de grupo, impera. Tem tanta leveza, que não reflecte, não pondera, não separa o trigo do joio. Anda ao sabor do vento das “vozes” supostamente tão honestas, tão honestas, que nem têm substância. E vai descarregando a sua ira. E se não fossem tão sem substância, atrever-me-ia a dizer que não merecem ser sportinguistas, quando dizem ter vergonha do Sporting, e não a tiveram quando a poderiam ter com maior razão. Tanta leveza...

ADENDA

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Sporting CP e SC Braga emitiram um comunicado conjunto através do qual é anunciado um acordo entre as partes sobre o pagamento de Rúben Amorim:

"A Sporting Clube de Braga - Futebol, SAD e a Sporting Clube de Portugal - Futebol, SAD informam que chegaram hoje a acordo sobre a forma de regularização de todos os montantes devidos em função da contratação do treinador Rúben Amorim."

publicado às 04:19

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Os sportinguistas gostam de dar tiros nos pés. De alguns anos a esta parte é prática corrente. E quanto mais tiros dão, mais coxos vão ficando. São como um exército que cada vez que perde uma batalha, substitui o general. Já saíram generais competentes, à primeira falha. Já saíram generais, menos competentes, sem tempo para planear a estratégia. Já saíram generais populistas, pela sua arrogância. O problema é o exército estar nas mãos dos soldados rasos. E quanto mais tempo passa mais fragilizado se encontra.

Quem esfrega as mãos de contente são os exércitos adversários. São comandados por generais incontestados. Um deles já com galões de marechal, foi constituindo o seu exército paulatinamente, enquanto os adversários dormiam na forma. Quando acordaram desse torpor já o dito general tinha infiltrado os seus oficiais, em todas as estruturas, numa estratégia parecida com a teia da aranha. A partir daí foi fácil enredar os adversários na sua teia, e ganhar batalhas atrás de batalhas.

Como reagiram os adversários? Tarde e a más horas. Contudo, um deles, começou a reagir, quando entregou o comando ao gémeo do general do Norte. Com o mesmo ADN aproveitou-se dalguma lassidão do velho general, para começar a aplicar a mesma receita: minar os campos de batalha, copiando a mesma estratégia. São dois irmão separados, à nascença, ou não. Preparam os seus exércitos segundo o lema "na guerra vale tudo", porque não há guerra limpa.

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Mas, para além disso, não há exército que ganhe batalhas, sejam limpas ou sujas, se não houver unidade e disciplina. Sem estas duas, não há estratégia que funcione. O “exército leonino” tem esse handicap no seu “modus vivendi”. Em vez de lutar para fora, luta para dentro. Consome a sua energia nesta “guerrilha”. E quando tem de lutar para fora está sem força. É uma presa fraca, cada vez mais fraca, para os adversários, que aliás já pouca importância lhe dão.

A guerra genericamente falando é um acto de estupidez. Mas quando é entre pares, é um acto de estupidez absoluta. Constrange ver os nossos “soldados” colocarem-se ao lado dos adversários, para daí tirarem benefícios para a sua facção. Veja-se, como exemplo, a campanha de pasquins informativos. Veja-se, concretamente, a campanha de uma bola quadrada, a deturpar de modo grosseiro, em vez de informar. Veja-se a reacção das facções leoninas, aproveitando esse facto, para derrubarem o “comando” e abrirem caminho para o seu “general”. Alguns nem general têm, mas pouco interessa.

Não há, nunca houve, nem haverá jamais qualquer vitória, enquanto existir falta de unidade e disciplina. Venha que general vier... E os tiros nos pés vão continuar, até deixarem de existir pés.

P.S.: Não percebo que essa batalha fraticida se trave, por exemplo, na página de Facebook do Sporting, inundada de brunistas de muito baixo nível, sem qualquer moderação, e/ou restrição de comentários que se pautam pela ordinarice. Um ponto muito negativo da comunicação do Sporting, que precisa de ser pedagógica.

publicado às 16:30

A propósito de uma bota

Naçao Valente, em 29.07.20

Já aqui no blogue se discutiu a polémica questão da bota que tirou o terceiro lugar da Liga ao Sporting, a escassos minutos do final do jogo, com todas as consequências. Concordo que o SCP podia e devia ter arrumado este assunto, antes do último jogo da época. Teve essa grande oportunidade, mesmo descontando erros graves de arbitragem. Não concordo, porém,  com alguns sportinguistas que aqui defenderam veementemente que a decisão do árbitro/VAR foi totalmente correcta.

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Pode concluir-se, que de acordo com as imagens e a colocação das malfadadas linhas, determinadas em cada momento pelo VAR, se descobriu que havia uma nesga de bota a pôr o marcador do golo em jogo. Mas também se pode questionar se a colocação da câmara utilizada  que dá azo ao traçamento da linha, era a mais correcta, de acordo com a realidade, como também aqui foi defendido. E muito mais se pode questionar se a decisão seria a mesma, noutro contexto.

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Mas quero, a partir deste caso concreto, que prejudicou o Sporting, ir um pouco mais além nesta questão da marcação ou não, de foras-de-jogo ao milímetro. É um preciosismo de pretenso rigor, que prejudica as equipas em jogo e o próprio futebol. Na lei do fora de jogo beneficia-se quase sempre o infractor que é precisamente quem procura tirar alguma vantagem do adiantamento. E tem evidentes reflexos no posicionamento das defesas, que se organizam com base nesse pressuposto. No fundo, o que se perde é a fluidez de jogo.

Na minha perspectiva, esta medição falível dos fora-de-jogo, a partir de linhas virtuais só por si susceptíveis de erro, que decide  por uma unha do pé ou da mão, é uma aberração. A perfeição nunca existiu , nem existirá. Por isso, seria de bom senso alterar a lei de fora-de-jogo, no sentido de criar uma margem de segurança, que não deixe dúvidas, como por exemplo o corpo ou parte dele, na totalidade. Ganharia a dinâmica do jogo e a verdade desportiva. Isto para não pôr em causa a própria regra, o que talvez merecesse profunda reflexão.

Numa última nota, parece-me não merecer qualquer discussão, que em caso de dúvida se decide sempre contra o Sporting CP. Ou por um pé, ou por uma pretensa falta ofensiva, ou por um qualquer derrube na área considerado normal. Eu não sou de assumir atitudes de “calimero”, mas o histórico das arbitragens nos jogos do Clube, tem um saldo fortemente negativo em casos menos claros. E se nalguns pode não ter efeitos graves, noutros já tem custado títulos.

E faço esta pergunta: que raio de influência tem uns centímetros de um pé, na sequência de uma jogada?

publicado às 02:50

Sporting: um saco de gatos

Naçao Valente, em 23.07.20

Uma pergunta recorrente no universo do Sporting é qual a razão por que estamos tantos anos sem ganhar a principal prova do nosso calendário nacional, o campeonato. Após uma consulta rápida, verifiquei que a partir de 1960 o clube tem o seguinte palmarés: anos sessenta 3 campeonatos, anos setenta, 2 campeonatos, anos oitenta 1 campeonato, anos noventa, 1 campeonato,  na primeira década do século XXI,  1 campeonato e na segunda zero campeonatos.

Decerto que esta curva descendente não se deve a uma única razão. Há diversos factores que explicam esta evolução. Depois do desaparecimento progressivo da equipa conhecida como os cinco violinos, não houve competência e capacidade para a renovar, com a mesma qualidade. Pelo contrário, o SLB conseguiu nos anos sessenta reunir um plantel, onde jogavam os melhores atletas que existiam em Portugal. Deste modo, hegemonizou os anos sessenta e setenta. A partir dos anos oitenta começou o domínio do FCP.

Apenas uma análise bastante aprofundada, pode explicar esta contínua perda de plantéis com capacidade para lutar de igual para igual com os rivais. Mas de uma forma geral, com a profissionalização do futebol como indústria, que movimenta muito dinheiro, os êxitos desportivos são sinónimo de mais receitas e vice-versa. Nesse sentido, o Sporting entrou num ciclo vicioso negativo recorrente, onde a conquista regular de títulos, não permitiu alavancar meios financeiros, para lutar com as armas dos adversários. Por outro lado, também não é despiciendo considerar, as influências no comportamento das arbitragens pelos rivais.

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Mas queria nesta abordagem focar-me num aspecto que considero importante: a divisão entre adeptos. E se nos anos sessenta ela não é assim muito visível, até porque ainda se conseguiram três títulos em dez possíveis, a partir das décadas seguintes, o divisionismo foi aumentando. E se com João Rocha e Sousa Cintra ainda se notou alguma tolerância, com os outros presidentes, começou a tolerância zero, e começaram a cair como baralhos de cartas.

O aumento de poder dos adeptos, especialmente concentrado no poder das claques, foi responsável pela constante boicote de decisões que prejudicaram a estabilidade do Clube. Este poder exagerado atingiu o seu zénite na presidência populista de Bruno de Carvalho. A grande divisão entre adeptos provocada pela Direcção, ostracizando todos os críticos, atingiu níveis deveras inimagináveis, e instalou um ambiente que continuou para além do brunismo, muito por culpa dos seus apaniguados.

O divisionismo interno tornou-se endémico. Não é possível, seja em que clube for, ganhar campeonatos com uma guerra fratricida permanente, que se transfere das bancadas para dentro do campo. Sem unidade e apoio aos nossos atletas não se vão ganhar campeonatos. A condição financeira ajuda mas não é determinante. Veja o que aconteceu no período do brunismo. Alto investimento no futebol, com o treinador português mais caro, e que se traduzia apenas a conquista de uma Taça da Liga. Não refiro a conquista  de uma Taça de Portugal, porque aconteceu antes do período de deslumbramento.

Em suma, para se efectuar a transformação de um Clube perdedor, no futebol profissional, a um clube vencedor, tem de deixar de ser um saco de gatos. Tem de se canalizar a luta para os adversários, com determinação e humildade. Para além das muitas razões que se possam associar aos fracassos, a da falta da unidade interna é fundamental. No entanto, nesta fase, estou seriamente pessimista. Basta seguir as redes sociais quando o Sporting não ganha para tirar esta conclusão.

P.S.: Envergonha ler a página de Facebook do Sporting CP, com adeptos a insultar-se. Os brunistas desaparecidos enquanto o Sporting ganha, saem da sua clausura aos milhares, sempre que há um resultado desfavorável.

publicado às 03:04

A "ala dos namorados"

Naçao Valente, em 03.07.20

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A batalha de Aljubarrota, onde um muito pequeno exército português, sem a sua cavalaria tradicional que se passou para o inimigo, venceu o gigante castelhano, tem sido objecto de estudo. Em linhas gerais, a vitória de Aljubarrota é resultado de uma táctica de guerra inovadora, conhecida como o “quadrado” e por alguma displicência do inimigo, que convencido da sua superioridade, julgava que “eram favas contadas”. Mas explica-se também pela determinação de um exército, bem mentalizado e dirigido, pelo jovem Nuno Álvares Pereira. À sua fiel imagem havia muitos jovens naquele exército, muitos deles agregados numa ala que ficou conhecida pela “ala dos namorados”, tendo em conta a sua juventude.

Mas não é dessa batalha que garantiu a independência nacional que pretendemos falar neste contexto. Queremos falar de futebol e do nosso “novo Sporting”. A introdução do texto vem a propósito de se encontrar alguma similitude, com as devidas distâncias, com a actual equipa principal do Clube.

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Nesse sentido, pode-se considerar que temos também uma equipa guerreira, motivada e determinada, que vai ganhando batalhas, conseguindo vitórias, nas quais muitos não acreditavam e que outros “castelhanos” não desejavam. Dessas vitórias fazem parte um comandante jovem, ambicioso e sem medo algum de arriscar. Dessas vitórias fazem muitos jovens imberbes que podemos classificar como uma “ala dos namoradas”. Dessas vitórias fazem parte as tácticas adequadas a cada situação.

A questão que se coloca é: vão-se ganhando batalhas, mas pode-se ganhar a guerra com a “ala dos namorados”? Pode-se desde que a equipa seja composta também por veteranos com experiência. O que acontece, na minha perspectiva, é que não existem em qualidade e quantidade. Em campo temos Coates, Ristovski, Battaglia. Fora dele (lesionados) Vietto, Acûna e alguns jovens com mais experiência, como Jovane e Francisco Geraldes, para além de alguns emprestados.

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Na preparação da próxima época deve seguir-se esta estratégia, mantendo em campo a “ala dos namorados”, mas enquadrada com atletas de boa qualidade e mais experiência, necessários para ganhar uma guerra. Neste momento, creio que não existem, e portanto é preciso ir ao mercado providenciar esses meios. E estou convicto que o timoneiro, com a sua competência, estará atento à situação.

Na simbiose entre juventude aguerrida e experiência competente estará a solução. E para poder dar passos neste caminho a formação é vital. Pena foi ter sido descurada, sobretudo na fase de aproveitamento dos novos talentos., aos quais não foram concedidas todas as oportunidades. Por outro lado. para que esta tarefa tenha total êxito, precisamos de um Sporting unido e ao lado da equipa, nos bons e nos maus momentos. Aljubarrota também é consequência da vontade de toda a nação.

publicado às 04:19

A montanha pariu um rato

Naçao Valente, em 30.05.20

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Este assunto, o desfecho do caso "Alcochete", já aqui foi debatido ontem, especificamente sobre o ponto de vista jurídico. Não é propriamente nesse aspecto que o vou abordar. Nem vou pronunciar-me, em relação ao caso concreto, sobre as decisões específicas tomadas pelo tribunal. Sabemos que a justiça é aplicada por pessoas com formação adequadas, que agem de acordo com as provas que forem reunidas e com as normas jurídicas. Deste modo, num processo colectivo, e algo complexo, é normal que tenham sido condenados os que foram apanhados a cometer os actos conhecidos, ou seja os  que designamos como arraia miúda, ou soldados rasos.

Mas em qualquer batalha existe sempre uma cadeia de comando, que começa nos generais e acaba nos cabos. Neste processo, da linha de comando apenas um cabo foi condenado, porque se sabe que dirigiu as tropas na acção directa. Toda a restante cadeia de comando ficou oculta na penumbra. Nem sargentos, nem capitães, nem generais deram a cara. Mas meus amigos, se quisermos ser sérios, temos que admitir que uma operação com estas características, não se podia fazer, de improviso, e sem conhecimento e consentimento de altos comandos. O histórico de este tipo de acções também nos mostra que elas, sem a mesma gravidade, aconteceram após autorização de cúpulas dirigentes.

O certo é que tais comandos não assumiram a operação, especialmente depois de ter tido repercussões que não seriam esperadas. Mas tenho a convicção, que sem saberem que a acção resultaria em actos violentos, tiveram amplo conhecimento que se realizaria. Há vários indícios que apontam nesse sentido e que são bem conhecidos, nomeadamente a facilidade com que os operacionais entraram e agiram em instalações privadas. E mesmo que assim não tivesse sido, deviam ser responsabilizados por negligência na segurança de bens e pessoas.

Ao longo dos anos da história judiciária houve sempre erros que incriminaram inocentes ou desculpabilizaram culpados. As provas nem sempre são fáceis de reunir. A propósito, vem-me à mente um caso que teve lugar na cidade de Lisboa na década de setenta, que ficou conhecido como "o estripador de Lisboa", sobre um indivíduo que assassinou cinco prostitutas. Embora a polícia tivesse referenciado vários suspeitos, nunca acusou nenhum por não ter encontrado quaisquer provas no local do crime. Mas o facto é que estes crimes aconteceram.Inteligência do criminoso ou incompetência da polícia?

No evento de Alcochete, a polícia também não conseguiu reunir provas claras e palpáveis. Apenas um ou outro indício, insuficiente para fazer acusação. Está claro que a autorização para que o ataque se realizasse só poderá ter passado de boca em boca, sem qualquer outro registo. Depois bastou protegerem-se uns aos outros, sem ninguém a dar com a língua nos dentes. E até me presto a admitir que os intervenientes directos, que receberam o plano da baixa patente, desconhecessem quem deliberou, ao mais alto nível, que aquilo acontecesse.

Dois anos depois, o veredicto final condenou os executantes, mas não conseguiu condenar, por acção ou inacção, os mandantes. E em termos de aplicação de justiça a montanha pariu um rato.

Isto foi bom para o Sporting... como já vi defender? Não me parece. Bruno de Carvalho, do alto da sua "inocência", já começou a apresentar a factura. Que foi uma mera vítima... que fez muito pelo Clube, que quer uma AG para ser readmitido como sócio, e eventualmente voltar a candidatar-se à presidência. Não me parece que essa pretensão tenha viabilidade, mas acredito que continuará a assombrar o Sporting CP com o grupo, ainda numeroso, de fanáticos que o seguem, e que cada vez fala mais alto. 

A actual Direcção não pode fazer nada uma vez que não  foi ela que o incriminou... nem lhe competia. Quer que o caso se encerre de vez para conseguir alguma paz e estabilidade. Mas na minha perspectiva, que desejava errada, não vai ter da parte do "brunismo" qualquer trégua. Para mal do Sporting.

P.S.: Para os que consideram que a destituição de Bruno de Carvalho foi injusta, quero aqui lembrar que ela não decorreu directamente do ataque à Academia. Resultou de actos ilegítimos, como não respeitar a marcação de uma AG, e consequentemente ter criado órgãos ilícitos paralelos, à revelia dos Estatutos.

publicado às 04:04

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