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O mais ecléctico dos clubes portugueses

Naçao Valente, em 18.02.20

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*Título extraído de um comentário de Leão Zargo, num post sobre Joaquim Agostinho

O Sporting Clube de Portugal foi fundado por homens que gostavam de jogar futebol, uma modalidade, importada da Inglaterra, mas com muita aceitação no início do século XX. Mas quem consultar a história do Clube encontra logo no período da sua fundação várias outras modalidades, como ténis, atletismo e ginástica. Igualmente curioso é constatar que houve, desde sempre, grande participação de mulheres atletas na vida do Clube, como por exemplo Hortense Roquette.

O Sporting CP é um clube ecléctico, o campeão do eclectismo em Portugal. É e sempre foi. Sendo o futebol como modalidade popular, menos exigente em meios, e portanto acessível a todos os que o quisessem praticar,  depressa se popularizou. Bastava uma bola, às vezes feita de trapos para se reunirem interessados, num espaço mais ou menos amplo, e para se organizar um jogo.

No entanto, outras modalidades foram gradualmente ganhando o seu lugar, captando atletas e competindo ao mais alto nível interno e externo. Não foi por acaso que o Clube ganhou desde muito cedo títulos nacionais e europeus. É uma pena que esta rica história desportiva, não seja mais divulgada, porque é pouco conhecida da gerações mais recentes. Refere-se o ciclismo, que levou ao clube até ao país mais recôndito, o atletismo  com mais de sessenta medalhas internacionais, o hóquei em patins, com oito medalhas de ouro europeias, só para dar alguns exemplos.

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Quando se aprecia a grandeza de um clube, tem que se ter em consideração o papel que desempenhou, não apenas no desenvolvimento e divulgação do futebol, mas no trabalho que foi feito noutras modalidades. Esta herança que vem do passado, mas que continua a estar presente, devia orgulhar todos os sportinguistas, e, diga-se, até os portugueses que apoiam outros clubes.

No Camarote Leonino, ao contrário de outros espaços, dá-se grande relevo a todas as modalidades. Um serviço de evidente valor que se presta ao Sporting e que merece ser devidamente reconhecido. Pena é que muitos dos seus leitores passem ao lado dessa divulgação. Pena é que os adeptos sportinguistas, e de todos os clubes, só vivam focados no futebol, com uma cegueira que não permite ir mais além. Deste modo, o chamado desporto rei, que também sigo com paixão, aliena mais do que liberta, como devia ser a função do desporto.

Os sportinguistas precisam de olhar para o Clube de uma forma mais ampla, valorizando o seu historial, passado e presente, unindo-se à sua volta com a convicção que não somos, de nenhum modo, inferiores aos nossos adversários. E  devemos mostrar que como adeptos de um clube ecléctico, apoiamos o eclectismo.

Isto é o verdadeiro Sporting e não o que hoje pulula nas redes sociais!

publicado às 03:33

Calado é um poeta

Naçao Valente, em 15.02.20

Já aqui escrevi que Frederico Varandas está sozinho nesta luta para resgatar o Sporting do domínio de energúmenos que não representam o Clube e que são a antítese do que deve ser o desporto.

Varandas não conta com o apoio de outros clubes, que têm as suas claques controladas e que utilizam na luta externa. Não tem o apoio do poder político que assobia para o lado. Nem sequer tem o apoio de órgãos do mundo do futebol, que se refugiam numa estranha passividade.

Os chamados notáveis do Sporting com uma ou outra excepção, incluindo ex-candidatos, estão mudos e quedos. E os que se pronunciam é para deitar mais achas na fogueira. Refiro, concretamente, Sousa Cintra, que depois de estar no Tribunal como testemunha arrolada pelo advogado do assaltante Francisco Marques, prestou declarações onde fez feroz ataque à actual Direcção.

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Criticou a precipitada substituição de José Peseiro, e nesse aspecto dou-lhe alguma razão, porque aqui me bati contra a pressão dos adeptos para que isso acontecesse. Foi um erro, mas ao qual associo adeptos e mais uma vez as claques.

Mas agora pergunto: que autoridade moral tem Sousa Cintra para criticar neste aspecto Varandas, quando despediu Robson com a equipa a liderar o campeonato? Que autoridade tem, quando durante a sua presidência de seis anos não ganhou um único campeonato? Que autoridade tem, tendo presente que durante a presidência da SAD aumentou despesa, com conhecimento da grave situação financeira?

Mas o que considero ainda muito mais grave foi a sua obnóxia defesa das claques, depois dos graves acontecimentos que se têm sucedido. Sobre os ataques a pessoas e interesses do Sporting, nada disse. Nem uma mera ténue condenação. Porque é que este personagem de opereta bufa não se cala. Calado é um poeta.

Com amigos destes o Sporting não precisa de inimigos.

publicado às 02:33

Calado é um poeta

Naçao Valente, em 14.02.20

Já aqui escrevi que Varandas está sozinho nesta luta para resgatar o Sporting do domínio de energúmenos que não representam o clube, e que são a antítese do que deve ser o desporto.

Varandas não conta com o apoio de outros clubes, que têm as suas claques controladas e que utilizam na luta externa. Não tem o apoio do poder político que assobia para o lado. Não tem o apoio de órgãos do mundo do futebol, que se refugiam numa estranha passividade.

Os notáveis do Sporting com uma ou outra excepção, incluindo ex-candidatos, estão mudos e quedos. E os que se pronunciam é para deitar mais achas na fogueira. Refiro, concretamente Sousa Cintra, que depois de estar no tribunal como testemunha arrolada pelo advogado de assaltantes, Francisco Marques, prestou declarações onde fez feroz ataque à actual Direcção.

Criticou a precipitada substituição de Peseiro, e nesse aspecto dou-lhe alguma razão, porque aqui me bati contra a pressão dos adeptos para que isso acontecesse. Foi um erro mas ao qual associo adeptos e mais uma vez as claques. Mas agora pergunto: que autoridade tem Cintra para criticar, neste aspecto Varandas, quando despediu Robson com a equipa isolada no campeonato? Que autoridade tem quando durante a sua Presidência não ganhou um campeonato? Que autoridade tem quem durante a presidência da SAD aumentou despesa, com conhecimento da grave situação financeira?

Mas o que considero mais grave foi a sua defesa das claques, depois dos graves acontecimentos que se têm sucedido. O que considero lamentável é que sobre os ataques a pessoas e interesses do Sporting, nada tenha dito. Nem uma ténue condenação. Porque é que esta personagem de opereta bufa não se cala. Calado é um poeta.

Com estes amigos o Sporting não precisa de inimigos.

publicado às 00:55

Golpismo - "Alcochete" continua

Naçao Valente, em 11.02.20

"Trabalhar e vencer no manicómio que é o estádio de Alvalade é obra. Chapeau."

                                                   Alexandre Pais, a propósito do jogo Portimonense/SportinCP

                                                                                                                   Record

"Isto é uma tentativa de homicidio ao Sporting"

                 Rui Santos

Quem pensava que quase dois anos depois do assalto a Alcochete que este episódio estava arrumado, enganou-se redondamente. Alcochete continua bem vivo e presente na vida do Clube. Já é e continuará a ser um infame caso de estudo. Como é que uma minoria de associados/adeptos continua a perturbar o funcionamento normal do Sporting Clube de Portugal? Alguém já lhe chamou um clube de malucos. Pelo menos em relação a alguns a designação parece correcta. O facto é que utilizando outras formas o ataque ao Sporting vai tendo novos episódios.

O que se verificou na recém-manifestação de "antis" com violência gratuita à mistura, é apenas e tão só mais um desses episódios recorrentes. Quem são eles e o que pretendem? Numa aliança oportunista, distingo três grupos que se entrecruzam: as claques Juve Leo e Directivo XXI, os brunistas radicais com alguns descontentes ocasionais, os "abutres" sedentos de poder que na sombra manejam os seus fantoches, sem dar a cara.

Estão unidos num único objectivo em comum... derrubar a Direcção eleita há ano e meio. Mas têm objectivos próprios que os distinguem. As referidas claques com privilégios especiais há anos, que foram reforçados pela Direcção anterior, não se conformam com a sua perda. Lutam pelas regalias que possuíam em relação aos outros sócios, e que para alguns constituía um modo de vida. Lutam pelo poder de "governar" o Sporting CP,  sem mandato legal. Muito para além do apoio ao Clube são antros de vícios, onde se inclui a droga.

A droga, como substância alucinogénia para produzir uma realidade omniparalela, pode assumir outras formas, a que se chamaria de droga psicológica, e que está presente desde os alvores da humanidade na forma de religiões radicais e alienantes. É responsável por ódios e guerras trágicas. Condiciona mentes humanas fracas, criando fantasias que as façam viver numa euforia permanente.

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Um analista televisivo inseriu este comportamento recorrente dos brunistas nesse estado de felicidade artificial, criado pelos seu lider, durante o seu consolado. De facto, Bruno de Carvalho, recorrendo a um veículo viperino de populismo e demagogia, criou um ambiente eufórico, como uma religião, mantendo os seus seguidores constantemente "embriagados" numa felicidade sem correspondência com o dia a dia, e sempre dependente de um paraíso futuro. Embora como psicólogo de bancada a tese parece fazer sentido.

E sendo assim, o que acontece quando se tira a droga a quem dela depende?... Entra-se em período de carência e procura-se readquirir a droga perdida. Daí esta golpada permanente para restituir ao poder quem o faça, assuma a forma que assumir. Para isso, está provado, recorre-se a todos os meios incluindo a violência, inerente a estados de espírito alienados.

O que é que isto tem a ver com o Sporting e os seus interesses? Nada. O que é que tem a ver com resultados? Nada. O que é que tem a ver com o presidente se chamar Varandas ou outra coisa qualquer? Absolutamente nada. Apenas tem a ver com a recuperação da droga perdida, metaforicamente falando. O vício da droga sendo uma doença não se cura com paliativos.

Na sombra encontra-se, cinicamente, o grupo de oportunistas que apostam na degradação do ambiente do Clube, esperando que o poder caia na rua para o apanharem. Que é que isto tem a ver com a recuperação do Sporting? Nada. Tem haver com os seus interesses, e tudo têm feito para desestabilizar, como se provou aquando do lançamento do empréstimo obrigacionista.

É esta oblíqua convergência de interesses que gera o 'caldo de cultura' que alimenta este golpismo. O golpismo tem de ser combatido com muita coragem, mas só isso não chega. É preciso desmacará-lo, com verdade, com transparência, com provas irrefutáveis. É preciso agir com firmeza. Se não for assim é difícil ganhar esta batalha. E quem perde não é a Direcção eleita e com mandato legítimo por quatro anos. Quem perde é o Sporting CP e o futebol em geral. Como no antigo PREC está em causa a democracia. Por ela todos os sportinguistas de boa fé devem lutar.

P.S. : Nos últimos 25 anos o Sporting teve sete presidentes, cinco que não completaram o mandato, e 30 treinadores. Caso para reflexão. Será que o Sporting aguenta muito mais este percurso destrutivo?

publicado às 04:33

O poder da rua (entrevista - 2ª parte)

Naçao Valente, em 09.02.20

Nesta parte da entrevista concedida ao Record, Frederico Varandas abordou vários temas: a contestação, o ataque a Alcochete, as arbitragens, as claques, a bomba dos ilícitos fiscais e os casos judiciais, entre outros. Saliento a ideia expressa de que se o Sporting enveredar por eleições todos os anos, não conseguirá sobreviver. Compreendo a afirmação, no actual contexto, e na sua relatividade, mas não acredito que o Sporting não venha a sobreviver. É uma importante e centenária Instituição com milhões de adeptos, e enquanto assim for, continuará. Mas continuará na degradação que tem vindo a viver.

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Compreendo, assim, esta dramatização do presidente. Nem o Sporting, nem nenhum clube terá futuro numa instabilidade permanente. Nenhum clube será credível num negócio em que tem de mostrar consistência directiva, e garantir a confiança dos meios financeiros. Querer derrubar um presidente do Conselho Directivo apenas porque em determinadas e pontuais circunstâncias, a bola bate no poste ou na trave e não entra, é um disparate, uma irresponsabilidade, um crime de lesa Clube, que precisa de ser travado.

Desde há uns anos que grupos e movimentos minoritários foram ganhando poder, sendo pontualmente responsáveis por quedas de Direcções a fazer bom trabalho, ou até a queda de treinadores com potencial. Estes ditos elementos têm-se sobreposto a direcções eleitas democraticamente, procurando a governância de uma forma paralela o Clube. Um atrás de outro, presidentes eleitos vão caindo, sem terem tempo de implementar um projecto de futuro. Ou se põe um travão a esta deriva populista e demagógica, ou o Sporting irá de derrota em derrota.

Não é democrático nem sequer justo que três ou quatro centenas de sócios, como refere o presidente, possam marcar assembleias gerais com total leviandade. É absurdo que 0,5% de associados consiga paralizar o Clube por este processo. Tem de haver uma revisão dos Estatutos que ponha fim a este patente desvario. O Sporting é dos sócios e dos adeptos, não de uma minoria ruidosa, mas insignificante.

A alteração dos Estatutos que é prevista por esta Direcção há muito que já devia estar em andamento. A requisição de assembleias gerais por dá cá aquela palha, por um número reduzidíssimo de votos, pode tornar o Sporting CP ingovernável, por grupos minoritários, alguns alienados, que o que menos lhes interessa é a sua sustentabilidade. A introdução do voto electrónico que permita a todos os sócios poder votar, era para ontem. Urge mudar os Estatutos.

No meio da podridão que é de facto o futebol português, o Sporting e os sportinguistas, os que realmente o são, devem ter bastante orgulho de não ter as mãos sujas por processos judiciais de corrupção, incluindo os que estão na ordem do dia, relacionados com fugas ao fisco. Neste panorama, o Sporting CP é um Clube exemplar. Não é como disse alguém um Clube de malucos. Mas corre o risco de o ser se não travar os malucos que andam à solta a conspurcar a sua imagem.

O Sporting sobreviverá porque é muitíssimo grande, em todos os sentidos. Mas é preciso assumir que o deveras infame recém-passado apenas deve subsistir como má memória e ensinamento para o presente e para o futuro. A minoria ruidosa que confunde o Sporting como uma mera quinta de uma qualquer "religião" com o seu deus, não pode ter nas suas mãos o poder de destabilizar quando lhes apetece. Pela sobrevivência, pela recuperação do prestígio, dentro e fora dos relvados.

publicado às 03:35

Cair na real - "Vendi para sobreviver"

Naçao Valente, em 08.02.20

A recém-entrevista concedida ao jornal Record, dividida em duas partes, aborda de forma pormenorizada a situação actual do Sporting CP, descrevendo e justificando o caminho seguido. Na primeira parte, desenvolve a situação financeira, e os seus reflexos na vertente desportiva. Na segunda parte serão analisados assuntos como ataque a Alcochete, claques, contestação. Dada a extensão desta entrevista, com muitos pormenores, a análise que aqui deixo para reflexão dos leitores, focar-se-á em aspectos que considero estruturantes. Para uma percepção mais precisa da entrevista, aconselho a fazerem a sua leitura na íntegra.

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Na primeira parte da entrevista, o presidente do Sporting abordou de forma objectiva a situação real do Clube. Focou-se no seu mandato e explicou a razão das medidas tomadas, que sempre foram condicionadas pela área financeira. Deste modo, afirmou que havia uma necessidade de tesouraria de 215 milhões de euros. Conseguiu com a venda de activos receber 115 milhões que permitiram colmatar os pagamentos mais urgentes. Desta verba foram gastos 25 milhões (12 no inverno e mais 13 no verão) na aquisição de jogadores. A negociação com os bancos aos quais deve 118 milhões, continua.

No final da época anterior, a Direcção percebeu que a preparação da próxima estava muito dependente da transferência de Bruno Fernandes. Acontece que a proposta que chegou ao Sporting era de 45 milhões de euros mais 25 em resultados variáveis. Na altura foi decido não a aceitar, por ser considerada insuficiente. A decisão implicou falta de qualquer verba para aquisições, algumas das quais estavam previstas, como a de Robertone, entre outras. Assim, houve a necessidade de recorrer a empréstimos possíveis, que nas circunstâncias não correram bem. Frederico Varandas admite que essa decisão foi um erro, assim como outras  referidas nas suas respostas. 

Numa descrição detalhada sobre a estratégia, afirma que esta se centrou, prioritariamente, em garantir a sustentabilidade financeira. Hoje, afirma, esse problema está ultrapassado, embora ainda exista um défice de cerca de 25 milhões que precisa de ser compensado com aumento de receitas. Conclui que o Sporting como Clube sustentável está muito melhor.  Acrescentou ainda que não referiu esta situação há mais tempo por razões que se prendem a reacção dos mercados, quando a credibilidade do Sporting estava de rastos.

Como já tive ocasião de escrever aqui, a situação geral do futebol, mesmo admitindo erros, esteve muito condicionada pelos recursos financeiros. Sempre afirmei que o dinheiro das vendas inicialmente efectuadas, como as de Bas Dost e Raphinha, por exemplo, foi usado para pagamentos urgentes de tesouraria. O pouco dinheiro disponível tem sido utilizado na recuperação da Academia, que deixou de fornecer activos para o Clube como devia ser a sua função. Nessa linha já foram foram efectuados contratos em todos os escalões com atletas prometedores, que os clubes europeus cobiçavam.

Em conclusão, saliento a prioridade apresentada por esta Direcção: recuperação financeira para que o lube possa funcionar e continuar a ser dos sócios; a reactivação da Academia como motor da criação de activos/mais valias que garantam autonomia e sustentabilidade; aposta em jovens como Camacho ou Plaza; preparação atempada da próxima época com parte dos cerca de 35 milhões da venda de Bruno Fernandes, para compra de jogadores credenciados, e fazer  regressar atletas emprestados, como João Palhinha. Nota-se, porém, alguma imprecisão sobre a próxima época.

A verdade nua e crua é a melhor forma de esclarecer devidamente os adeptos, e de os fazer sair da fantasia em que viveram ainda há poucos anos, e na qual têm vivido há muitos mais. Ou os sócios "caem na real" ou a agonia do Sporting, que não é recente, continuará.

A avaliação da Direcção de um clube deve fazer-se em relação ao seu trabalho global.  Os sócios/adeptos que teimam em concentrar a sua análise apenas nos resultados desportivos transitórios, cometem um erro, e não estão a ajudar o Sporting a reerguer-se. No entanto, quero justamente distinguir os adeptos que reagem de forma meramente emotiva, dos que propositadamente agem de má fé, em função de interesses que não são os do Sporting.

Numa nota final considero que poderá haver uma ou outra afirmação contestável, e que há em certos aspectos algum "dourar da pílula". É preciso dar esperança às hostes mas de forma puramente realista. 

Por fim, numa opinião pessoal, que tenho vindo a defender, a avaliação de uma Direcção também não pode depender da performance de uma modalidade, por mais importante que esta seja, mas pelo trabalho global que está a efectuar, para garantir um rumo coerente e consistente para o Sporting CP, sustentado na saúde financeira, e que permita dar passos seguros numa competetividade constante.

publicado às 03:05

O estado do Sporting

Naçao Valente, em 31.01.20

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Tenho seguido o grande debate sobre o estado do Sporting na comunicação social e nas redes sociais. Depois de tudo espremido chego a uma conclusão pessoal que admito possa ser polémica: o que vejo discutir-se são minudências. Procurando ser mais explícito o que é que se discute? Se perdemos um ou outro jogo, com os rivais directos ou não, se estamos ou não a dezanove pontos do primeiro lugar, se não ganhamos nenhum título, se temos uma equipa fraca, se nos faltam defesas ou médios, se compramos mal, se o treinador tem ou não tem competência, se a Direcção deve ou não cumprir o mandato, se a estrutura do futebol actua bem ou mal. Em conclusão pequenos assuntos apenas relacionados com o futebol profissional.

Na minha perspectiva é uma discussão irrelevante no que ao Sporting Clube de Portugal diz respeito, porque a Instituição é muito mais que uma equipa de futebol de profissional, embora este seja fundamental, porque a sua existência está ligada a um glorioso e ecléctico percurso. No ciclismo, que mobilizava o povo de Norte a Sul do país e fez crescer o número de adeptos, no hóquei em patins, que colava o mundo leonino à rádio, nos seus tempos dominantes, e no atletismo, que fornecia campeões internacionais a Portugal,  apenas para dar alguns exemplos.

O passado é história, eu sei, mas foi nela que se caldeou o grande Clube que hoje temos. E, precisamente por isso, recorro a essa história para sublinhar que a grandeza do Sporting CP não pode estar dependente de minudências. Durante mais de um século aconteceram vitórias e derrotas, títulos perdidos ou ganhos, por pequenos pormenores, com grandes ou pequenas distâncias pontuais. Há nessa história fases boas e menos boas, grandes e menos grandes equipas, assim como períodos de maior ou de menor domínio. Com o orgulho de, como já tenho escrito, terem as nossas conquistas sido feitas dentro do que consideramos a verdade desportiva.

O desporto, em geral, e o futebol, em particular, evoluíram, acompanhando a evolução da sociedade. A passagem épica do amadorismo para o profissionalismo tornou o desporto e o futebol numa gigantesca indústria que hoje move muitos milhões. A transparência foi sendo substituída pela opacidade. O Sporting CP, na sua genuinidade/ingenuidade, não se adaptou bem a essa mudança, mas não deixou de ser o grande Clube graças à sua massa adepta, que se perpetua como uma grande família. Se o Sporting dependesse somente de resultados mais ou menos pontuais do futebol, para ser uma Instituição de referência,  já não existiria. Portanto, repito,  colocar a discussão no patamar de resultados transitórios é uma perda de tempo inconsequente.

O que o Sporting CP precisa de discutir, para além da espuma dos dias, é um projecto que alavanque o presente e que garanta o futuro. Com ideias, com elevação, longe do ruído dos estádios, à margem da bola que entra ou não, e da conversa de café que deve servir apenas para o adepto "lavar a alma" como sempre aconteceu, mas não mais do que isso.

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II

Um projecto estruturado não pode estar apenas dependente dos títulos a curto prazo. Tem de apontar em primeiro lugar para a construção de uma estrutura financeira sólida. Passa por tirar de imediato o Sporting do estrangulamento financeiro em que vive há muito, sempre à beira da insolvência em primeiro lugar e da falência logo a seguir. 

Em primeiro lugar, os adeptos têm que ser devidamente informados da situação real. As despesas não podem continuar a ser superiores às receitas, nomeadamente os gastos com o futebol profissional, que arrastam a parte de leão. Isso implica constituir uma equipa de futebol condizente com os recursos, que represente o Clube com total dignidade e lute pelos melhores lugares, sem estar sujeita à pressão dos títulos, independentemente de os conquistar.

A aposta continuada e consistente na formação, muito abandonada nos últimos anos, tem de ser (já devia ser)... o alfa e o ómega do Clube, gerando activos tanto na área desportiva como na financeira.  A abordagem ao mercado precisa de ser muito mais criteriosa, com a constituição de uma equipa de pesquisa competente, que avalie possíveis activos, seguidos e observados durante um tempo conveniente. Este tem de ser um trabalho de fundo, que produza mais "nozes que vozes".

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III

Este pode ser o bom caminho se os adeptos quiserem e acreditarem que é possível. Mas há outros. Eu não sou, em teoria, favorável à venda da maioria da SAD. Mas vivo na realidade e não costumo meter a cabeça na areia. Assim sendo, e se outra solução não resultar, não vejo qual seja a alternativa, e não apenas para o Sporting. Apesar de ser uma questão que não está em cima da mesa, não será inoportuno começar a fazer sobre ela uma reflexão sem tabus.

A ideia recorrente que o Sporting CP, ou qualquer outro clube, é dos sócios, parece-me uma ilusão. O Sporting é e será de quem tiver capacidade para gerar o capital que permite o funcionamento do Clube. A contribuição financeira dos associados é uma gota de água no cômputo geral das despesas. Os seus direitos, expressos nos Estatutos, consistem em eleger ou demitir os Órgãos Sociais, aprovar orçamentos, e regalias no acesso a recintos desportivos, como contrapartida de pagamento das quotizações. E não é coisa pouca.

Daí a considerarem-se donos do Clube vai uma enormíssima distância. Comparativamente e para explicitar com absoluta clareza o que pretendo dizer, todos nós temos por hábito afirmar, enquanto portugueses, que o País é nosso. É verdade que escolhemos os nossos representantes, produzimos riqueza, pagamos impostos, no fundo financiamos o Estado para cumprir as suas funções. Mas é deste modo que funcionam os clubes desportivos?... De maneira nenhuma. A realidade é que a contribuição financeira dos adeptos não garante a sua sustentabilidade. Esta vem da publicidade, da venda de activos, da participação em provas, e desinvestimentos feitos por accionistas. Se os sócios querem que o Clube tenha "ad eternum" a maioria da SAD, têm de garantir, "de persi" a respectiva sustentabilidade, mas nem sequer vejo sócios endinheirados a avançar com o seu dinheiro.

Se se conseguir encontrar o equilíbrio financeiro, o Sporting continuará a ter a maioria da SAD, e será um grande clube nacional, mas tendo em conta a dimensão do país e do nosso mercado, será sempre uma equipa de futebol mediana no contexto europeu. Assim como qualquer outro clube português. Não vejo que nenhum passe desta mediania, sem que primeiro se disponha a vender a maioria do capital a um investidor que aumente bastante o acometimento. É uma questão de opção, e de realismo.

P.S.: Enquanto há quem trabalhe para tornar o Clube mais sustentável, há outros, que sem qualquer responsabilidade e sem qualquer solução viável, teimam em desestabilizar, brincando às demissões, sem razões plausíveis. Lamentável.

publicado às 04:33

Varandas está só

Naçao Valente, em 10.01.20

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As claques como grupos organizados, e constituídos por jovens, têm a sua origem nos anos sessenta. O seu objectivo era apoiar as equipas, dando-lhes motivação na sua acção em campo. Agiam por amor ao clube e nada recebiam para além da satisfação de participar e receber bons resultados desportivos.

As claques evoluíram acompanhando os tempos, mas evoluíram no pior sentido. Passaram de grupos de adeptos que davam, com generosidade, o seu apoio, para grupos subsidiados, como uma espécie de animadores profissionais, que começaram a extravasar o motivo para que foram criadas. São hoje um contra-poder que se arroga  a intervir na gestão do próprio clube, pressionando decisões dos dirigentes. 

Enfeudadas no Sporting Clube de Portugal à Direcção que foi destituída, tornaram-se na sua guarda pretoriana. Com a queda dessa Direcção, assumiram-se como oposição aos novos dirigentes eleitos, ao ponto de irem para os jogos criticar e insultar o Presidente, à boleia de maus resultados negativos. A situação atingiu tal dimensão, que Varandas teve de agir com firmeza, tomando as medidas, impopulares, que se exigiam.

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Passados meses,Varandas mantém a mesma firmeza mas está só. Os presidentes de outros clubes, que de forma clara ou até encapotada, se servem das claques, nas quais se apoiam, como um grupo que utilizam para a luta contra os adversários, assobiam para o lado. E enquanto estas não se virarem contra a sua autoridade não irão mexer uma palha. Deste lado, não pode esperar Varandas qualquer solidariedade.

O poder político foge do mundo do futebol e da sua irracionalidade como o diabo da cruz. Tem medo de meter-se com gente que se apoia em milhões de adeptos, que enquanto tal, consideram os dirigentes do seu clube, como cidadãos acima da lei, inatacáveis e dispostos a guerrear em seu nome. Deste lado, tirando umas promessas vãs de alguns governantes de segunda linha, Varandas dificilmente terá qualquer apoio.

Os vários acontecimentos de comportamento selvagem de adeptos, utilizando artefactos pirotécnicos proibidos num jogo de futebol, trouxe para a actualidade, um assunto que é transversal a todos os clubes. Esta violência gratuita não tem a ver com rivalidade, e devia preocupar a sociedade. O poder político ao mais alto nível, devia ser pressionado para agir de forma drástica. A escumalha, para usar as palavras de Varandas, não pode continuar impune a espalhar o medo pelos recintos desportivos. 

Como é possível que os dirigentes desportivos vejam os seus adeptos a causar distúrbios num jogo que devia acontecer dentro das quatro linhas e não tome nenhuma medida, para além de algumas lágrimas de crocodilo? No combate a esta situação Varandas está só, mas está no bom caminho. A indústria do futebol agradece num país que se quer civilizado.

Nota: título utilizado na coluna de opinião do Director de Record

publicado às 04:34

Paroles, paroles, paroles

Naçao Valente, em 07.01.20

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Quando ainda na infância tomei contacto com a língua francesa havia um texto no livro oficial que me atraía quer pela sonoridade, quer pelo conteúdo. Tinha o título "Paroles, paroles, paroles".

Este texto veio-me à lembrança a propósito de certo "lupemproletariado do futebol". Isto é toda essa gente que come das muitas migalhas que caem da sua farta mesa, ora como comentadores profissionais de clubes, ora como jornalistas pretensamente isentos. Eles vivem de palavras, respiram palavras, com as quais rendilham opiniões, fazem juízos, destilam sabedoria, arriscam previsões, especulam. No fundo arrotam "postas de pescada" numa expressão mais brejeira.

Os comentários que se ouviu após o Sporting-FC Porto, para além das peripécias do jogo, bem espremidos, trazem pouco sumo, ou seja conteúdo irrelevante. Palavras, palavras, palavras. Eis alguns exemplos: quererão os melhores activos do Sporting, dizem, continuar no Clube quando já não há nenhuma motivação para jogar, por já estar afastado de títulos? E a resposta é indubitavelmente, não. E na mesma linha de raciocínio decretam que foi-se o campeonato, foi-se o segundo lugar, foi-se a Taça de Portugal, a Taça da Liga enfim, e a Liga Europa há-de ir.

Para não cair no mesmo erro e porque não gosto de discutir questões de "lana caprina" apenas me interrogo a quem interessa este destilar de verborreia futurista. Ao desporto, ao futebol, aos clubes ? Se neste país ou noutro há dois ou três títulos para ganhar, por três ou menos clubes, porque e para que jogam todos os outros? Os jogadores de grande qualidade que jogam nos clubes que não ganham títulos, andam todos desmotivados?

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Outro aspecto que me parece irrelevante e até ridículo tem a ver com previsões baseadas numa determinada lógica. Ora se há actividade onde a lógica é deveras  falível é no futebol. Lembro-me destes encartados da "ciência futebolística" terem posto "de caras" fora da final da Taça da Liga o Sporting, exactamente pela mesma lógica discursiva.Enganaram-se redondamente, engoliram o sapo, mas continuaram no mesmo registo.

Crucificam-se jogadores porque erram, treinadores porque perdem, dirigentes porque se enganam, mas estes "entertainers" são intocáveis. Inventam, erram como ninguém, mas nunca caem do pedestal comunicativo. Talvez porque nada produzem. São, por exemplo, como os notórios críticos literários que nunca escreveram um livro, nem o sabem escrever, mas arrasam quem o faz.

E as discussões sobre as arbitragens, senhores? Dão vontade de rir para não chorar. São sempre moldadas pelas bitolas do clubismo. E a apreciação dos penáltis? Os expert, os ex-árbitros, são grandes contorcionistas, na justificação do que querem provar. Dou como exemplo a última jornada. Nos lances "duvidosos" nos jogos do Benfica e Porto, tanto podiam ser como não ser, concluíram. É questão de critério pessoal. Pois, à conveniência...

E a continuação da selvajaria levada para os estádios pelas claques organizadas ou "não organizadas"? Repúdio e mais repúdio. Mais conversa fiada. Acção zero. Uma vergonha sem limites, com a inércia dos clubes, com a apatia dos órgãos oficiais e do Governo. 

Diz um ditado: "quem não tem mais nada para fazer, faz colheres". Entendo o sentido, mas as colheres ainda servem para alguma coisa. Agora este "lupem" que gravita à volta do futebol que ocupa horas e horas de debates "inúteis" para que serve?  Circo, sem pão?

publicado às 11:30

Guerra suja

Naçao Valente, em 04.01.20

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Nota introdutória:

Um texto aqui publicado sobre o poder da maçonaria com base nas afirmações de um político,  levou-me a fazer esta reflexão sobre a natureza do poder na sociedade, no desporto e no futebol profissional.

A natureza do poder

O poder é desde os primórdios da humanidade exercido por grupos restritos de homens, no sentido genérico. Acontece que o homem, independentemente da sua evolução, é um ser imperfeito. É constituído por algumas virtudes, mas também por muitos defeitos. Destaco o egoísmo, a inveja, a prepotência, a desonestidade, entre outros.

Deste modo, o exercício do poder sempre constituiu uma forma de opressão de grupos minoritários sobre grandes maiorias, nomeadamente quando demagogos, portadores de utopias igualitárias o conquistaram, como nos regimes comunistas. E não podia ser de outro modo porque, voltando à proposição inicial, isso está de acordo com a natureza humana, mesmo depois de milhares de anos de algum aperfeiçoamento.

Está provado, no registo histórico, que todo o poder corrompe, seja em que nível for. Corrompe desde os pequenos poderes até ao poder total. Assim sendo,  o mundo do desporto em geral e do futebol em particular não foge, antes pelo contrário, à tendência geral.

Poder e futebol em Portugal

Durante o período que podemos considerar o da inocência o nosso futebol, constituído por atletas que competiam por prazer e amor à camisola, este manteve  alguma integridade na forma como encarava a competição, na maneira como a disputava, no "desportivismo" como aceitava vitórias e derrotas.

O Sporting, foi o primeiro clube,  graças à reunião de um grupo de atletas do melhor que havia em Portugal, a conseguir vitórias constantes e consecutivas, conseguidas no espaço das quatro linhas. Quando estes atletas foram saindo de cena, e porque não existia formação organizada, e não os conseguiu substituir por outros de igual valia, foi perdendo capacidade de conseguir os mesmos resultados.

A transformação do futebol numa indústria, que gera e movimenta muitos milhões, trouxe para o futebol os malefícios do capitalismo. Dinheiro e poder são duas faces da mesma moeda. Quem tiver mais dinheiro consegue mais poder, e consequentemente mais dinheiro. Dinheiro e poder são sinónimo de corrupção seja de forma descarada ou subtil.

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A guerra suja

Nuno Pinto da Costa, com tanto de inteligência quanto de capacidade de agir sem olhar a meios para atingir os fins, foi o primeiro a instalar, com o seu pequeno e fiel grupo, um esquema para dominar o mundo do futebol, infiltrando os seus homens de mão, em todas as instâncias ligadas ao controle desse novo mundo de poder. 

Durante anos, com a passividade e ingenuidade de outros clubes, montou a sua teia de modo a que quando não se conseguia ganhar apenas com as armas que actuavam dentro do campo, de fora viesse o devido empurrãozinho. Este domínio a que Dias da Cunha denominou de "sistema" acabou por ser denunciado, levando ao seu desmoronamento, mas onde apenas o "peixe miúdo" caiu na rede e serviu de bode expiatório.

Nos anos sessenta o Benfica, devido à constituição de uma equipa de grande valor que foi a base de um terceiro lugar no campeonato do mundo de selecções, dominou o futebol em Portugal e teve êxitos em provas europeias. Com o fim desta equipa voltou a cair na vulgaridade, quando os "homens do Norte" já tinham em marcha o seu programa de hegemonia.

A queda do "sistema do Norte" e depois de anos à deriva, em que o desespero levou o Benfica a embarcar na aventura de demagogos populistas, tal com o Sporting mais recentemente, acordou para a realidade e percebeu que o êxito desportivo, nestes novos tempos, era indissociável do controle das instâncias que superintendem esta indústria. Ocupar o vazio deixado exigia tempo e paciência.

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Luís Filipe Vieira, um 'self made man', um expert em "chico espertismo" , que bebeu da experiência dos "homens do Norte" em curva descendente, propôs-se ocupar esse vazio. Respaldado nos milhões de adeptos de todas as classes sociais, transversais a toda a sociedade, iniciou o processo de domínio, lento mas seguro, e com a paciência que estes demonstraram durante anos de reduzidos êxitos desportivos, levou a água ao seu moinho.

Montado o "novo sistema" começaram a colher-se os frutos. Hoje o poder dos "homens da Luz" está entranhado, nas diversas estruturas desportivas e políticas. Contando com a influência de adeptos em todas as instâncias, principalmente no poder judicial, dão-se ao luxo de passarem à margem das malfeitorias cometidas.

Dizer como o político referido que têm mais poder que a maçonaria não passa de uma "graçola". Têm mais poder que o próprio poder que os venera e os receia, assim como ao seu "exército" de milhões de adeptos, sempre prontos, com as devidas excepções, a dar cobertura a todas as ilegalidades cometidas, desde que elas representam a hegemonia no futebol nacional.

O Sporting impreparado para entrar nesta guerra de domínio, desde o seu início, nos anos sessenta e setenta, tem ficado fora do "sistema". João Rocha um dirigente íntegro e fundamentalmente honesto, apesar de um ou outro êxito desportivo, deixou-se ultrapassar pelos acontecimentos. Sousa Cintra, um expert do "chico espertismo" mas muito ingénuo, continuou na mesma linha.  Roquete e Dias da Cunha, que quiseram trazer dignidade para o clube e para o futebol, foram derrotados pela "hidra de sete cabeças" e pela impaciência dos adeptos. A demagogia brunista baseada mais no espalhafato do que na inteligência, foi uma pêra doce para o "sistema" acabando por afundar mais o clube.

Reflexão conclusiva

O poder é de quem o conquista. Na sua conquista não há princípios, nem valores, nem se olha a meios. Com o poder, com a sua conquista, está desonestidade e corrupção. Acredito que muitos sportinguistas, porque não fogem à natureza humana, não se importariam de ver o nosso Clube usar as mesmas armas para conseguir o domínio. Pela minha parte interrogo-me se vale a pena vencer sem olhar a meios. Sei que este é o mundo que temos. Mas sem  pretensão de qualquer tipo de superioridade, enoja-me, e gosto de ver o meu Clube fora desta guerra suja.

P.S.: Costumo ler comentários a dizer que o Sporting, nos seus tempos áureos, era o clube do regime. Discordo. Todos os clubes tiveram nas suas direcções gente do regime. Nunca vi nenhum ser, nessa altura contra-poder. Todos foram clubes do regime, de acordo com as conveniências desse poder. O que não foram foi um poder dentro do poder, até porque este não precisava deles para o exercer. Neste momento se há clube que se possa considerar do regime é o Benfica.

publicado às 04:33

A luta continua...

Naçao Valente, em 19.12.19

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A evolução é uma constante, mas não é linear. Faz-se de avanços e recuos, de progressos e de retrocessos. Um clube de futebol sendo o mesmo que foi criado, é outro, no contexto em que se insere, no presente. O Sporting que conhecemos há cinquenta, anos ou mais, é hoje outro Sporting.

Os grupos de adeptos organizados (GOA) com o intuito de apoiar o Clube,  no contexto de competição nasceram durante a presidência de João Rocha. Criados por pessoas jovens que pretendiam, em conjunto, levar alegria  para o estádio e estimular a motivação dos atletas. Um princípio louvável.

Esses grupos conhecidos, como claques, já não existem, com as características com que foram organizados. Tal como o futebol, que passou de um espectáculo desportivo, no qual os jogadores inicialmente nem sequer eram totalmente profissionais, para uma indústria profissionalizada e geradora de muito dinheiro, as claques transformaram-se em grupos quase profissionalizados e financiados pelos clubes.

Esta mudança atraiu para esses grupos o oportunismo que faz parte da sociedade. Logo chegaram jovens, muito mais pelas benesses do que pela paixão clubística. Começaram a institucionalizar-se como uma forma de poder marginal, interferindo nas decisões das instituições oficiais, sem que para isso tivessem competência ou legitimidade. 

No Sporting, estes notórios grupos ganharam bastante mais relevância, sobretudo durante o consulado da anterior Direcção, de quem receberam mais apoios financeiros, a troco da fidelidade a quem lhes distribuía as suas regalias. 

Com a eleição da actual Direcção em 2018 e através de um novo protocolo, foram-lhes reduzidos alguns privilégios. Foi como entrar dentro de um vespeiro. A partir do momento em que os resultados do futebol começaram a ser negativos, voltaram-se contra quem lhes tinha retirado poder.

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A declaração de guerra aos órgãos eleitos, tomou proporções inimagináveis. Convencidos que através deste caminho a derrubariam, não olharam a meios para o conseguir. Saiu-lhes o tiro pela culatra. A Direcção, após ter lidado com a situação com punhos de renda, percebeu com o que estava a lidar e não hesitou em tomar decisões drásticas.

A Direcção assumiu essa luta sem tibiezas. E houve (e há) quem dissesse que era uma boa oportunidade para se olhar com total realismo, para a influência negativa desses grupos, de uma forma geral. Mas quem pensava que outros grandes clubes apoiariam essa luta enganou-se redondamente.

As direcções tanto do Benfica como do FC Porto assobiaram para o lado. As suas claques estão controladas e, neste momento, ao serviço, dos seus dirigentes. Não sei se têm essa consciência, mas fizeram mal. Embora controlados, estes grupos, são como uma bomba que num momento adequado podem rebentar-lhes nas mãos.

O Sporting, neste âmbito está sozinho. Mas ainda havia a esperança que o poder político aproveitasse a situação para intervir, como lhe compete. Quem está atento à realidade que nos rodeia sabia que os políticos nem assobiariam para lado nenhum. Ficariam calados como ratos. A última coisa que querem é meter-se no atoleiro que é o futebol profissional, e muito menos enfrentar esse Estado dentro do Estado que são os grandes clubes desportivos. Também nesta área o Sporting está sozinho.

Em tempos idos, erradicar o sistema feudal com os seus privilégios não foi fácil, mas houve quem tivesse coragem para o fazer. Creio que no mundo do futebol isso ainda é mais difícil. Os clubes controlam através das paixões que o desporto gera, as consciências de muitos milhões de pessoas, podendo usá-las como tropa de choque contra os poderes instituídos. Por outro lado... minam com os seus agentes as próprias instituições, num comportamento de corrupção difícil de erradicar. É preciso muita coragem.

O Sporting está sozinho na luta quanto a esse poder paralelo, que são as claques, e que trazem para o desporto violência. Está sozinho mas está no caminho certo, nele deverá continuar, porque a pior derrota é a que resulta de quem desiste de lutar.

P.S.: Com "Alcochete" ainda por enterrar, brada aos céus, como continuam a surgir "minis alcochetes", como se tem vindo a verificar. A evolução da humanidade no capítulo da estupidez, vai de vento em poupa.

publicado às 03:34

O que é o Sporting?

Naçao Valente, em 11.12.19

O Sporting Clube de Portugal é um clube desportivo, não é uma religião. O seu estádio é lugar para competir, não é uma igreja, muito menos uma catedral. Os seus simpatizantes são adeptos, não são fiéis religiosos.

Este é o Sporting que conheço, sempre conheci, e que corresponde à intenção dos seus fundadores. Mas há meia dúzia de anos, houve uma tentativa travada de transformar o Clube numa seita religiosa com o seu "deus", os seus santos, os seus altares, as suas rezas, os seus dogmas, os seus fiéis e os respectivos infiéis.

Todos se lembram da adoração ao suposto "deus" nas suas voltas dentro do "templo" para receber a adoração dos sempre fiéis. Todos se lembram das suas homilías, da excomunhão dos contestatários, da pregação da guerra. Todos, os que têm memória, se lembram da utilização dos ecrans do estádio para se glorificar, sobrepondo a vida privada ao próprio Clube. 

A transformação do Sporting numa religião falhou. O falso "deus" voltou à sua condição de mero humano, da qual nunca devia ter saído. Mas os seus seguidores continuam a adorá-lo, não obstante a clara evidência da sua condição humana. Estão presentes na contestação permanente à actual Direcção. Manifestam-se na rua, no estádio, nas redes sociais,com a mesma fé na "divindade" do seu ídolo.

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E mesmo que não tenha feito o milagre de ganhar um grande título, acham que fez tudo bem, porque os deuses são perfeitos e incontestáveis. Ouço-os e pasmo... Dizem: 'não ganhávamos, mas jogávamos bom futebol. O estádio estava sempre cheio. Os adeptos estavam felizes. Os infiéis derrotados. Títulos para quê? Isso é coisa de vida terrena. A nossa glória está no além'.

Há quem diga que o futebol aliena... Alienará. Mas a religião assumida de uma forma fundamentalista, aliena completamente. Os seguidores incondicionais de falsos deuses, perdem a capacidade cognitiva para distinguir o real do imaginário. E vão continuar presos na sua alienação.

É o que faz um grupo de associados que recolhe assinaturas para demitir a Direcção, sem se conhecer, pela parte desta, qualquer infracção aos Estatutos. O objectivo é claro: repor a situação vigente durante o período de desvio da essência do Clube. Se assim não fosse esperavam pelo próximo acto eleitoral para se apresentar a sufrágio.

Estas e várias outras iniciativas podem não passar de fogo fátuo. No entanto, causam perturbação e desgaste. Minam a unidade. Complicam a recuperação. Não pretendem que o Sporting seja vivido como um clube desportivo, e tudo farão para que volte a ser uma religião.

Cabe aos sócios não alienados, ou que se libertaram da alienação, não dar espaço a mais desvios. O Sporting tem de ser o que sempre foi, um clube desportivo, com altos e baixos, mas com potencialidades para continuar a ser uma referência no desporto português e internacional.

publicado às 03:49

A crise artificial

Naçao Valente, em 08.11.19

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A actual crise do Sporting é uma inventona. Afirmação polémica mas sustentável. A dita "crise", mau grado alguns erros de registo na gestão desportiva, não passa de uma ficção da comunicação social, com relevo para o jornalismo de tele-lixo, que estações televisivas propagam, sem vergonha e sem ética, e em função de audiências, que significam entrada de dinheiro. Dinheiro sujo, digo-o sem pejo. No entanto, estes órgãos de comunicação, não ateiam o fogo, limitam-se a expandi-lo, com ajuda de pirómanos que o alimentam.

As razões da crise

A propalada crise do Sporting tem a sua origem nos graves acontecimentos em muitos aspectos surreais, ligadas ao pré e ao pós ataque de Alcochete, já bastante conhecidos e escalpelizados. Desses acontecimentos resultou a demissão de órgãos sociais, o golpe de "estado" directivo, que colocou os náufragos da Direcção à margem da lei e da revolta da maioria dos associados, despertos de um sonho de fantasia, que, ao fim e ao cabo, não passava de um pesadelo.

Contudo, a consequência mais grave foi sofrida pelo Clube, que perdeu os melhores dos seus activos, o que significou perdas de milhões de euros, para além do desmantelamento da sua equipa principal de futebol. No rescaldo desta tragédia, uma Comissão de Gestão de curto prazo, conseguiu limitar alguns danos, e abrir a porta a da recuperação de valores para a futura Direcção.

A recuperação do valor parcial de alguns activos, através de negociações feitas em situação desvantajosa, foi a acção mais prioritária dos novos dirigentes para minimizar as perdas. Ao mesmo tempo, e de forma bem discreta, revolveram os graves problemas de tesouraria, pagando as dívidas mais urgentes ou vencidas, sem o qual o Sporting teria dificuldade em desenvolver as suas actividades. Lembro que o Clube chegou a ser ameaçado de penhora.

Durante o primeiro ano da Direcção eleita, estancou-se a situação financeira, e conseguiu-se que o futebol profissional ganhasse os dois títulos nacionais de registo, o que afastou, transitoriamente, os espectros que se recusaram a aceitar a  demissão do elenco directivo, por uma grande maioria de sócios.

No segundo ano, a nova Direcção deu continuade ao seu trabalho no sentido de assegurar estabilização económica, com a redução de custos, e a conclusão de uma reestruturação fundamental para o futuro. A resolução das principais lacunas apontadas condicionou a gestão do futebol, com desinvestimento, além de uma ou outra medida precipitada, o que se reflectiu nos maus resultados da equipa principal. Situação que não é inédita e faz parte da história do Sporting (1)e  de outros grandes Clubes.

É isto, resultados de futebol, sempre transitórios, razão suficiente para se decretar uma crise?... Não me parece correcto, nem sério. Então... se em função do descrito não existe crise real, qual a razão de esta ser artificialmente mantida na pantalha comunicacional? Claramente pelas razões apontadas no início desta reflexão. Mas outra questão se coloca. De onde se alimentam as estações de tele-lixo?

Não é dos resultados de per si. É dos espectros que recusam o lugar do esquecimento onde deviam estar, para persistirem em assombrar a vida do Sporting Clube de Portugal. "Meia dúzia" de energúmenos que insultam os dirigentes eleitos, fazem esperas nas garagens a atletas e boicotam assembleias, e ainda de alguns "abutres" sem escrúpulos.

É deste espectáculo por de mais degradante que se alimenta o tele-lixo, decretando a crise. O mais grave é que o faz com a "preciosa" ajuda dos seus tele-evangelistas, trasvestidos de sportinguistas, que fazem o mal e a caramunha. Horas e horas, dias e dias de discussões balofas. A situação financeira controlada mas não resolvida, passa ao lado. Prestam um mau serviço, ao Sporting, ao futebol, e ao desporto em geral. Merecem o meu desprezo. Deviam merecer o desprezo de todos os que vêem o espectáculo desportivo com seriedade.

(1) A título de exemplo, algumas das piores classificações do Sporting, entre os anos 1950 e 1990. acrescem poucos primeiros lugares, alguns segundos e muitos terceiros. 1958/59 -4º; 1964/65 - 5º; 1966/67 - 4º; 1968/69 - 5º; 1972/73 - 5º; 1975/76 - 5º; 1977/78 - 4º; 1987/88 -4º; 1988/89 - 4º; 1991/92 - 4º.

publicado às 04:03

Dos "pecados" de Varandas à Guerra Suja

Naçao Valente, em 22.10.19

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Antes de mais, quero deixar claro que não apoio a demissão da actual Direcção. Foi eleita legitimamente, mediante as normas vigentes, por uma das maiores Assembleias Eleitorais. Está a exercer o seu mandato dentro dos limites previstos nos Estatutos.

A contestação a que tem vindo a ser sistematicamente sujeita, em função dos resultados do futebol profissional, por grupos que perderam privilégios e por uma oposição que ainda não reconheceu a decisão maioritária dos sócios, na mais concorrida Assembleia que destituiu a Direcção, na sequência do ataque a Alcochete, ultrapassou todos os limites.

Estes grupos constituídos por desordeiros, ao não respeitarem os Órgãos Sociais eleitos, também não respeitam o Sporting. O reprovável ataque a Alcochete que custou milhões de euros ao Clube continua com outros contornos, agora com ataques à Direcção. Num jogo de futsal o presidente teve de ser escoltado perante a ameaça destes arruaceiros, ao sair do Pavilhão João Rocha. Mas que é isto? O presidente não pode assistir aos jogos do Clube a que preside? Quem manda afinal? A Direcção eleita ou grupos de perturbadores? Quem governa? A estupidez ou a inteligência?

A livre crítica não deve ser confundida de modo algum com sentido cívico. O pluralismo também não é sinónimo de anarquia. Mas estará esta Direcção (e o seu presidente) isenta de erros?... Apesar de ter encontrado uma situação financeira deveras caótica, que tem estado a resolver, a Direcção cometeu o que eu apelido de "pecados capitais" na gestão do futebol profissional, num misto de inexperiência e "governança" dirigida pelas bancadas.

O primeiro pecado

Durante a última campanha eleitoral, o então candidato Frederico Varandas assumiu que manteria em função o treinador contratado pela Comissão de Gestão, José Peseiro, uma vez que quando tomasse posse, a época futebolística já estaria em andamento. Prometeu e não cumpriu, por uma razão muito fundamental: a desmedida pressão das bancadas hostis ao referido técnico, desde a sua contratação. A qualidade do futebol praticado, mais do que os resultados, serviram de argumento para a sua dispensa, apesar de ter reconstruído, uma equipa destroçada. O que é mais conforme a norma no despedimento de técnicos são os maus resultados. Neste aspecto, não havia razões objectivas para o fazer. E aí cometeu, o presidente, o primeiro "pecado capital", que está na origem de todos os outros.

O segundo pecado

A contratação apressada de um novo treinador, o holandês Marcel Keizer, desconhecedor do futebol português e sem currículo que o habilitasse como a pessoa certa, no rescaldo de crise gerada pelo ataque a Alcochete, foi um tiro no escuro. Foi, sem dúvida, pior a emenda que o soneto, mesmo depois da continuação de resultados positivos, um pouco à boleia do trabalho que herdou, da equipa técnica anterior. Este foi o segundo "pecado".

A manutenção da equipa no terceiro lugar e a conquista de duas provas nacionais, embora meritoriamente, mas também com alguma dose de sorte, constituiu um balão de oxigénio para treinador e Direcção. Os grupos contestatários que já então existiam, tiveram-se que se remeter a algum silêncio e aguardar outras oportunidades. Mas a capacidade de Marcel Keizer, apesar dos ditos triunfos, não ficou, no aspecto geral, comprovada, e havia indícios que continuava a ser uma aposta de risco.

O terceiro pecado 

O começo atribulado da presente época, com uma espécie de navegação à vista, sem um plantel devidamente definido, não augurava um bom começo. Mesmo com a atenuante das dificuldades financeiras, a falta de uma planificação rigorosa, em função dos caprichos do mercado, hipotecou a possibilidade de um trabalho bem organizado.

A insistência em segurar Bruno Fernandes, recusando vender de acordo com o valor que o mercado estabeleceu, manteve uma constante inabilidade de constituir um plantel sólido. As vendas de recurso à última da hora, para prover receitas de tesouraria, e a negociação apressada de empréstimos de atletas de duvidoso valor, constituem o terceiro "pecado".

Embora compreenda a referida insistência, na minha perspectiva, teria sido mais realista vender Bruno Fernandes, que terá até ficado algo contrariado, e manter o restante plantel. O encaixe teria permitido adquirir mais dois ou três reforços de comprovada qualidade. Como disse Silas recentemente, o Sporting precisa de uma equipa e não de "heróis" Para além da qualidade individual dos atletas, não há sucesso desportivo se estes não actuarem como equipa. E essa é uma das razões dos maus resultados desportivos.

São estes os erros apontados como a razão para a actual contestação organizada e que se manifesta nas redes sociais e pela arruaça?... Atrevo-me a dizer que não. Os protestos são consequência de uma mera estratégia oposicionista, que sempre existiu, mas que esteve algo adormecida, e  que desejava estes maus resultados, para puderem concretizar a queda da Direcção.

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A guerra suja

A guerra da claques, reafirmo, à boleia dos resultados, não é inocente.Tem na sua génese a orfandade de um líder, que a transformou numa força de choque ao seu serviço, agravada com a perda de poder e rendimentos neste mandato directivo, e criou o caldo de cultura para o que está a acontecer.

Ao mesmo tempo, alguns dos derrotados nas eleições, com pressa de dominar o Sporting, aproveitaram o clima de guerrilha, aceitando-o tacticamente, para se apresentarem como salvadores. Nunca se verificou da parte desta oposição de gabinete, com pontas de lança na comunicação social, uma condenação clara e não hipócrita dos distúrbios violentos. Por sua vez, os 'brunistas' continuam a acreditar que podem voltar ao poder, e desejam o caos para dele emergirem como  almas inocentes e puras. 

A decisão frontal e corajosa da Direcção em cortar relações com duas claques, não é para já uma vitória. Estes grupos desordeiros, de forma subterrânea ou visível, vão continuar a sua guerra suja. Apenas a inversão de resultados num sentido positivo, pode travar a curto prazo a cruzada de interesses que não são os do Clube. 

Esta Direcção está a cumprir o seu mandato, legitimamente. Deve reflectir e aprender com os erros. Deve corrigir o que não está correcto, definir estratégias precisas, e continuar o seu trabalho em prol do Clube. Deve ouvir as críticas com ponderação, mas sem ceder a pressões inadmissíveis. Deve dialogar com quem quer o diálogo, ouvir opiniões, informar com objectividade, e decidir consensualmente. Deve enfrentar, com coragem a guerrilha dos grupos arruaceiros, que põem os seus interesses pessoais, acima dos do Clube. 

O Sporting para ganhar esta guerra suja precisa de contar com o "adepto comum" sempre disposto a contribuir para o engrandecimento do Clube. A luta pacífica contra a violência interna, pode servir de exemplo, para a luta mais vasta pela pacificação do desporto.

Quem com telhados de vidro sacudir a água do capote e não fizer a sua parte, não se pode queixar, quando esta mesma violência lhe bater à porta. Banir do futebol quem não o serve e dele se serve, é um imperativo cívico e geral.

publicado às 04:03

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Ponto prévio: não fui apoiante de Varandas, mas tendo sido o escolhido em acto eleitoral, tem o meu apoio, enquanto gerir o Clube no âmbito dos limites impostos pelos Estatutos. Apoio este presidente, como apoiaria qualquer outro que tivesse sido eleito, porque acima de tudo sou sportinguista.

A situação presente

A nova Direcção assumiu funções há pouco mais de um ano. Encontrou o Clube numa situação extremamente difícil, insolvente e quase à beira da falência. Teve, em condições muito adversas, que lançar um empréstimo obrigacionista que já tinha vencido. Teve que hipotecar fundos do contrato com a NOS para pagar dívidas urgentes, para que o Sporting pudesse continuar a sua actividade. Está agora em andamento uma reestruturação que visa mantê-lo acima da linha de água. Veremos se serão necessárias outras operações de injecção de capital.

Em conclusão, parece-me que ninguém no seu perfeito juízo e com boa fé, possa vir a considerar que esta Direcção, no aspecto descrito, não esteja a fazer um bom trabalho. Mesmo na área desportiva o balanço no primeiro ano da Direcção, pode considerar-se positivo. Conquistaram-se dois títulos no futebol profissional, e ainda títulos nacionais e europeus nas modalidades ditas amadoras, que continuam a mostrar a sua pujança. E mau grado alguns maus resultados no início desta época, no futebol, ninguém pode afirmar com seriedade que algum objectivo está já perdido. Qual então a razão ou as razões da contestação instalada desde o início deste mandato directivo?

Responsáveis pela crise

A responsabilidade da crise, algo artificial, deve-se a todos os sportinguistas. Aos que que a geram e alimentam e aos que se deixam enredar nos seus meandros. Para clarificar a ideia passo a especificar:

A Direcção

A Direcção sujeita a uma permanente pressão desde a sua tomada de posse, sem o normal estado de graça,  actuando em função das circunstâncias encontradas, cometeu alguns erros, e por isso pôs-se a jeito. E se tem estado a arrumar a casa na área financeira, cometeu alguns pecados ,principalmente na gestão desportiva do futebol profissional. Sem ser capaz de mostrar firmeza, e de ir a reboque do som da bancada, tomou algumas decisões precipitadas, que culminaram na ausência de preparação desta época. Para quem, imitando os abutres com fome, lhe interessa acima de tudo que haja alimento, os erros apontados caíram "como sopa no mel".

As claques

As claques têm, em crescendo, vindo a receber múltiplos apoios financeiros, funcionando como grupos pagos e instrumentalizados por quem lhe dá os benefícios. Quando me refiro a claques, saliento a Juventude Leonina que viu durante o mandato da Direcção cessante aumentar os seus rendimentos e a sua influência, tornando-se num poder violento ao serviço de quem lhe deu os privilégios, e um contra-poder em relação a quem lhos tirou.

Varandas, apesar de outras tibiezas, teve a coragem de retirar benefícios financeiros à Juve Leo, e abriu a partir daí uma guerra com um grupo, que à margem dos Estatutos, tinha uma certa importância na gestão do Clube. Enquanto existir com a mesma orgânica, esta claque,composta por gente sem princípios e sem valores será um constante factor de instabilidade.

Os brunistas

Se Bruno de Carvalho saiu de cena por plena vontade da maioria dos associados, os seus seguidores apaniguados, que o vêem como um líder insubstituível, continuam activos, mais como uma seita religiosa, do que como adeptos sportinguistas. Acreditam na sua ressurreição tal e qual como o restaurador do paraíso perdido. Não é fácil tipificá-los mas distribuem-se por várias faixas etárias, com relevo para os que militam como guerreiros na Juve Leo. Vão desestabilizar até ao absurdo.

Os perdedores

A luta pelo domínio do poder no Sporting não terminou com o acto eleitoral. Logo no dia seguinte, levantaram-se várias vozes de despeito para com a Direcção eleita. É um grupo heterogéneo, com pessoas e interesses diversos, que não têm pudor em contribuir para que as coisas corram mesmo mal. José Maria Ricciardi, e os seus apoiantes, mostraram essa determinação aquando do lançamento do empréstimo obrigacionista, não abrindo portas, antes procurando fechá-las. No meio deste ninho de vespas salva-se João Benedito, que tem continuado, inteligentemente, ausente e discreto.

A comunicação social

A comunicação especialmente a televisiva, com relevo para o CMTV, utilizam o Sporting como o bombo da festa. Na CMTV, onde impera o tele-lixo, porque é o que dá maiores audiências, o Sporting ganha a primazia como tema recorrente, onde comentadores ditos sportinguistas ajudam à festa.

Nas estações de televisão em geral, a crise do Sporting é potenciada muito para além da realidade. O que se vive nesses programas supostamente desportivos, é uma realidade paralela. Salientam-se meia dúzia de tarjas, meia dúzia de "adeptos" a protestar, como em Vila das Aves, arruaceiros aos berros, os beijos do Presidente. Apesar de ser um 'fait divers' gostaria de perguntar se não há ninguém na estrutura do Sporting, que aconselhe o presidente sobre o que deve ou não dizer ou fazer em público. É que estes 'sound bites', alimentam os abutres internos e os da comunicação. 

Os adeptos 

Creio que os adeptos, tirando o desastre comunicacional e alguns erros desportivos, estão com a Direcção. Haverá um ou outro, descontente com os resultados, que se junta à oposição golpista, mas sem muito relevo. E que a oposição golpista não tome a nuvem por Juno e não embandeire em arco, insistindo, neste momento na demissão da Direcção. Quanto mais barulho fizer de forma insultuosa, mais se descredibiliza. Por este caminho não levará a água ao seu moinho. Nesta estratégia, o que falta em inteligência, sobra em estupidez.

O presente e o futuro

Esta Direcção, eleita por quatro anos, precisa de tempo. Arrumada a casa, o que está a acontecer, é preciso começar a preparar o futuro. Os sócios querem que o Clube continue a ter a maioria da SAD. Mas para que isso aconteça todos temos de remar para o mesmo lado, temos que semear para colher. Precisamente o contrário do que tem sido feito há muitos anos. Se isso não acontecer, o recurso a um investidor será uma inevitabilidade. Uma "ameaça" que paira sobre a cabeça dos grandes clubes portugueses. Mas esse é assunto para outra discussão.

publicado às 03:34

"Claques e afins" out!

Naçao Valente, em 12.10.19

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A colocação de "claques" entre aspas não é por acaso. Considero ser necessário distinguir entre claques e claques e estabelecer diferenças dentro das próprias claques.

Deste modo, neste meu texto, centro a análise no comportamento das claques e afins na Assembleia Geral Ordinária realizada no dia 10 de Outubro. E se no estádio, no contexto dos jogos, ainda se compreende determinadas atitudes menos respeitosas, que não deixam de ser condenáveis, no âmbito de uma Assembleia Geral com uma agenda determinada, as atitudes destes grupos organizados não podem ser admissíveis.

A verdade nua e crua é que estes grupos, provenientes sobretudo da Juve Leo, coligados com 'brunistas' e um ou outro adepto que vai na onda, não vão para a AG para discutir o que está na Ordem de Trabalhos, mas propositadamente para insultar o presidente e os Órgãos Sociais. O que os move singularmente é uma campanha organizada com o intuito de derrubar a actual Direcção, na esperança de conseguir fazer regressar o status quo anterior, assuma ele a forma que assumir.

A estes grupos de contestação selvagem pouco interessa o Sporting Clube de Portugal. A estes grupos interessa uma política de terra queimada, para que o passado recente renasça das cinzas. O que não é admissível, seja qual for a circunstância, é que estejam numa AG a boicotá-la, desrespeitando não apenas a Direcção, mas os restantes associados e o próprio Clube. O que não é admissível é que os deixem actuar dessa forma durante horas seguidas, não deixando que se discuta livre e criticamente, os assuntos do Sporting.

Por isso, aqui uso a mesma expressão que eles utilizam contra a Direcção. Claques e afins 'out'. Não peço a sua imediata extinção, porque isso levanta várias questões legais. Estou a sugerir à Mesa da Assembleia Geral que exerça a sua legítima autoridade e que ponha na ordem, no limite com expulsão imediata da sala, todos os arruaceiros que não respeitem as regras de urbanidade, necessárias para que estas reuniões de associados possa realizar-se.

Em último caso, se isso de facto não for possível, por a MAG não querer tomar posições consideradas drásticas, tem ao seu dispor a faculdade de cancelar a Assembleia Geral, por natural falta de condições minimamente aceitáveis para que aconteça. Ao condescender com a indisciplina organizada à vista, está a ser cúmplice de um crime de transformação da reunião numa 'bagunça'. Esta forma pusilânime de dirigir uma reunião descredibiliza não só quem a dirige, mas o próprio Clube. A crítica é legitima, a discussão necessária, mas a anarquia tem que ser proibida.

Por outro lado, é possível identificar os grupos de energúmenos, a quem a educação das nossas escolas não conseguiu transmitir quaisquer valores e princípios condizentes com uma cidadania responsável. Essa identificação permitirá levantar processos disciplinares no âmbito dos Estatutos por obstrução à realização de uma AG. Seja qual for a solução, uma coisa é certa: estes comportamentos não podem ser permitidos num Clube centenário e apoiado maioritariamente por gente séria, honesta e civilizada. Firmeza contra a arruaça exige-se.

P.S.: Lamentáveis as declarações de Sousa Cintra - cuja presidência não foi nada brilhante - que procuraram incendiar ainda mais os ânimos. Lamentáveis opiniões de comentadores sportinguistas nas estações de televisão a deitar gasolina na fogueira. Ainda durante a AG assisti a análises de um deles na CMTV, dando cobertura a campanhas de desestabilização que esta estação promove, usando a situação do Sporting, para captar audiências.

publicado às 03:03

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Apesar de já ter abordado este tema no post "A alma do Sporting" onde contestava que essa alma residisse nas claques, a abertura de uma nova discussão leva-me a acrescentar o seguinte:

Vi neste debate muitos leitores pedir a extinção dos grupos organizados. Do ponto de vista legal não sei se isso será fácil, uma vez que estes existem como fazendo parte da estrutura orgânica  do Clube.

O facto é que têm vindo, desde há  alguns anos a ganhar poder, arrogando-se o direito de intervir, de forma paralela, na gestão do Sporting. Durante a anterior Direcção esse poder foi amplificado, como forma de se criar um grupo que funcionasse como um extensão do poder legal, visando sobretudo aproveitá-lo como uma força de mão do presidente, que atingiu a sua plenitude no processo que terminaria com o caso "Alcochete".

As regalias que esta Direcção lhes retirou, serviram de motivação para voltarem a assumir-se como um grupo de bloqueio ao serviço da Direcção destituída, o que nunca deixaram de ser de uma forma velada.

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Os resultados da época anterior que ficaram acima das expectativas, calaram estes grupos que mantiveram alguma descrição forçada. A forma como começou esta época, deu-lhes oportunidade de aparecerem como pontas de lança da oposição brunista, que continua a acreditar que pode regressar a breve prazo ao Sporting.

Neste momento, o seu objectivo é derrubar a Direcção em funções, e provocar eleições onde aparecerá um novo salvador. O advogado golpista Trindade Barros já anda a dizer, com todas as letras, que esse salvador será o destituído.

Por isso, tudo indica, por parte das claques, sobretudo da Juve Leo, a contestação será contínua, mesmo que a prestação da equipa seja melhor. Deste modo, a questão neste momento não é nada fácil de resolver. Penso que caberá aos adeptos que são a maioria, "silenciá-los", dentro e também fora de campo. A liberdade de expressão não pode significar libertinagem, que parece já estar a prejudicar o Clube com sanções.

O Sporting não pode estar refém de arruaceiros.

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publicado às 03:32

A alma do Sporting

Naçao Valente, em 02.10.19

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"As claques são a alma do Sporting"

Fernando Mendes (ex-jogador e comentador)

As claques entraram no Sporting com a constituição da Juve Leo, fundada pelos filhos do Presidente João Rocha, nos anos de 1976. Mais tarde foram surgindo outras claques como a Torcida Verde, os Directivo  Ultra XXI e a Brigada Ultras Sporting. 

Alma deriva do termo latim 'anima', com significado literal do que anima. A um nível mais abrangente também significa o espírito das coisas. Por isso, quando se fala da alma do Sporting estamos a falar do que está para lá do que é mensurável, do que está entranhado na sua história secular, que não está apenas nos aspectos materiais, mas num conjunto de simbologias pautadas muitas vezes por aspectos com contornos quase religiosos.

Atribuir às claques, que entraram na vida do Clube setenta anos depois da sua fundação é de uma grande ligeireza e nem ao diabo deve lembrar. A alma do Sporting, a sua mística, é paralela ao seu nascimento e é-lhe dada pela matriz fundadora, aprofundada pelos adeptos (fiéis  clubísticos) que o vivem como uma componente importante das suas vidas. E esta adoração atingiu o seu zénite nos anos de 1930, 1940 e 1950, com os rituais abrilhantados pelo som dos violinos. 

Muito mal servido estaria o Sporting CP quanto à questão da alma, se esta residisse nas claques. Estas, não são mais do que pequenos grupos organizados, uma minoria que não representa os milhões de adeptos atribuídos ao Clube, estes sim a sua verdadeira alma. São eles, com a sua fidelidade muitas vezes até silenciosa, que mantiveram e mantêm o Sporting vivo, independentemente de melhores ou piores resultados desportivos.

Mas convém fazermos uma distinção entre estes grupos designados como claques. Alguns desempenham a sua missão de apoio com determinação e alegria, e por aí se ficam. Outros, dos quais salienta-se a actual Juve Leo, que se afastou dos princípios dos seus fundadores, e se transformou num grupo composto por indivíduos sem formação cívica, e sem quaisquer valores éticos. Não fazem parte seguramente da alma do Sporting.

A Juve Leo, com os privilégios que foram recebendo de vários dirigentes, constituíram-se como uma força poderosa, apesar de minoritária. A sua capacidade de influenciar o poder, governando de fora para dentro, teve um percurso cada vez mais decisivo. Fizeram cair treinadores e presidentes ao longo dos anos, com a sua influência a ser ainda muito mais reforçada pela Direcção cessante, que a arregimentou, pondo-a ao seu serviço, como uma tropa de choque. Tendo-lhe sido retirado privilégios pela Direcção actual, não espanta a sua oposição cada vez mais agressiva, à nova Direcção.

A questão do papel das claques tem que merecer reflexão. Não podem ter mais privilégios que os restantes associados. Se querem estar nos jogos juntos como apoiantes das equipas, com os seus rituais que estejam. Não podem é continuar a ser  uma força de bloqueio a Direcções legitimamente eleitas pelos sócios. Estas recebem mandato para exercer o poder legitimamente, e devem exercê-lo sem pressão da rua. O poder paralelo não está previsto nos Estatutos, e isso tem que ficar claro, custe o que custar.

Ao contrário do que diz o comentador Fernando Mendes, a alma do Sporting são todos os sportinguistas, os que estão no estádio e os que vivem o Clube por todo o Mundo. Quando a alma do Sporting residir nas claques, é sinal que o Sporting deu a alma ao criador. Apenas restam almas penadas.

publicado às 02:18

O poço e o pêndulo

Naçao Valente, em 29.09.19

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"O poço e o pêndulo" é o titulo de um conto de Edgar Allan Poe, que deu origem a um filme de terror, passado no contexto da Inquisição, e que foi  interpretado por Vicente Price, um mestre nesta área da interpretação. O filme em questão, um clássico dos tempos em que o género terror tinha uma matriz muito marcada na cinematografia, conta a história de um louco, filho de um torcionário da Inquisição. No climax final, este coloca a sua vítima preso numa mesa colocada num fosso, fazendo descer lentamente um pêndulo com uma lâmina (ou serra) que a mataria.

Lembrei-me do título e do filme a propósito da situação que se vive no Sporting. Já não estamos no tempo institucional do Tribunal da Inquisição, mas não deixamos de viver tempos inquisitoriais. Usando o filme enquanto simbologia, o Sporting e a sua Direcção eleita há um ano, sempre teve sobre a cabeça, um cutelo bem afiado e que vai descendo a cada desaire da equipa de futebol, que é a face mais visível e mais apropriada para se fazer contestação. 

O Sporting e a sua Direcção eleita há um ano, está dentro de um fosso que não contruiu e no qual entrou para tirar de lá o Clube. E com muito esforço tem escalado o fosso, mas quando olha para cima não vê apoio, mas o pêndulo afiado a descer, movido por "loucos" assombrados por fantasmas.

Os que contestam a Direcção eleita, praticamente desde o dia da sua eleição, são na sua maioria despeitados pela demissão de uma pessoa, que continuam a adorar como um salvador (e de quem gostam mais do que do Sporting) , mesmo perante as evidência das suas malfeitorias. Os que no estádio, grupos organizados, vulgo claques, que insultam o presidente eleito do Clube, apenas são movidos pelos seus interesses, as mordomias que perderam. 

Podemos e devemos acompanhar a acção da Direcção no seu exercício. É lícito usar o direito de crítica com intuitos construtivos. Do que observo concluo, que o Presidente cometeu alguns erros, sobretudo na área do futebol profissional, onde me parece existir uma estrutura frágil e pouco experiente. A falta de uma comunicação clara, objectiva e frontal sobre a vida do Clube, não tem contribuido para um conhecimento da realidade presente e futura.

Esta situação criticável, nada tem a ver com a campanha organizada de oposição de terra queimada, por um grupo que mais do que o Sporting, lhe interessa que o caos se instale para disso tirar dividendos, e numa situção limite, ressuscitar um passado que destruiu a identidade secular do Clube. Mesmo considerando que a época foi mal preparada, e que é preciso fazer mudanças, o Sporting precisa de tranquilidade e de estabilidade.

Uma coisa é certa. Enquanto o Sporting não sair do fosso e não deixar de ter o pêndulo sobre si, não vai ganhar nenhum campeonato, nem agora nem daqui a mais dezassete anos. E os que pensam que estamos em situação de andar a brincar aos presidentes, estão totalmente errados. Esta contestação concertada e revanchista e vou dizê-lo com todas as letras, não passa de uma criancisse de gente sem dois dedos de testa.

Espero que haja adeptos (e tudo me leva a crer que há) com tutano e bom senso, que percebam e contrariem esta campanha orquestrada para fazer regressar o passado que foi largamente rejeitado, para bem do Sporting. Espero que como na história de "O poço e o pêndulo", as pessoas sérias, honestas e lúcidas, parem o pêndulo e acabem com a loucura que pretende destruir o Sporting.

PS: Depois de escrever este texto tenho assistido a cenas lamentáveis no estádio e fora dele, que não podem fazer parte da matriz do Clube. Eventuais erros de má preparação da época, não podem servir de arma de aremesso. O que se tem visto no estádio com grupos de arruaceiros organizados, não para ver futebol, mas para insultar órgão sociais e atletas não se pode admitir. Quem exerce de direito o poder tem que agir. A nossa equipa precisa, mais do que nunca, de apoio para levantar o seu ânimo.

publicado às 03:05

Pobre Sporting...

Naçao Valente, em 02.09.19

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Costumo apreciar o futebol pelo jogo jogado, e não pela perspectiva dos homem do apito, e agora também dos audiovisuais. Mas face ao que aconteceu no último jogo acho que tenho de me indignar. A análise desse jogo já foi feita, por especialistas e simples curiosos. Em conclusão, todos concordamos que o Sporting jogou mal. Defende pessimamente, o meio campo tem pouca dinâmica, as tácticas parece que não ajudam.

Mas sem erros grosseiros de arbitragem teríamos ganho este jogo, entre penálti duvidoso e penálti que ficou por marcar a nosso favor. É sempre desagradável perder, mas sempre perdemos jogos considerados fáceis e continuaremos a perder. Faz parte da essência do futebol, e acontece com todos os clubes. Um resultado menos positivo não é razão para se pôr tudo em causa. Até admito que se possa contestar o treinador, e que se continuar a mostrar uma estranha apatia, uma incapacidade  para decidir bem, em tempo oportuno, tenha de ser substituído.

O que não consigo mesmo compreender é como a partir de um jogo se põe em causa uma Direcção, que ainda nem sequer fez um ano de mandato. E o trabalho da mesma tem de ser avaliado globalmente, e não a partir de um ou outro acto, mesmo que seja discutível. Esta constante autofagia será um caso de estudo num clube que se vai destruindo por dentro. Depois estranham estar tanto tempo sem ser campeão.

Entalado entre a guerrilha interna e aquilo a que Dias da Cunha chamou de "sistema", o Sporting continuará a distanciar-se dos seus rivais mais directos. Entalado entre os que acreditam em 'messias' e arbitragens tendenciosas, será difícil recuperar o seu lugar na luta pelos títulos mais importantes.

Quem perde com isso?... O Sporting em primeiro lugar, mas todo o futebol português em geral. E se há quem possa pensar que mexendo os cordelinhos a seu favor se torna cada vez maior, está enganado. Pode ganhar a curto prazo, mas perderá a longo e a médio.

Sem um Sporting CP forte, sem uma rivalidade dura mas leal, o futebol nacional perderá prestigio. Foi a grande rivalidade entre os dois grandes clubes de Lisboa, que catapultou o futebol como um desporto de massas, acompanhado à distância em todos os recantos de Portugal. E foi essa rivalidade competitiva que os levou a ultrapassar fronteiras. 

Como tenho escrito, as principais causas da situação do Sporting, são mais internas que externas. A marginalidade para onde o "sistema" nos empurra não nos permite estarmos em pé de igualdade com os grandes rivais, mas com a falta de unidade na acção, como um exército indisciplinado, não se ganham batalhas. Têm que se respeitar as hierarquias, apoiar o comando, embora sem deixar de acrescentar opiniões construtivas.

O brunismo descarado ou envergonhado, (ligado, recentemente, ao ricchiardismo e outros ismos), que arrastou o Sporting ainda mais para o fundo, e que, tardiamente, foi travado, persiste em continuar a desestabilizar a vida do Clube, aproveitando qualquer desaire, que, curiosamente, no seu tempo era mascarado, por uma eficiente máquina de propaganda.

Com tudo isto, não consigo deixar de ser sportinguista. Mas sinto-me envergonhado com o comportamento dos que se dizem sportinguistas, mas que, talvez inconscientemente, não o são. Continuam fiéis e saudosos de um tempo que não foi de progresso, mas antes de retrocesso. Desejam o quanto pior melhor para regressar a esse passado. Pobre Sporting...

publicado às 04:49

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