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Ser Sportinguista

Naçao Valente, em 21.06.22

O que mais e melhor caracteriza o adepto de futebol é a irracionalidade. É uma verdade, pallisseana, que de tão corriqueira, nem merece qualquer desenvolvimento. Nós adeptos, de qualquer clube, somos capazes de nos indignar com uma má arbitragem, e “pintar a manta” mas ficamos de todo impávidos perante a diminuição de direitos, nomeadamente monetários, na nossa condição de cidadãos. Estranhos estes terráqueos diria um ET vindo do espaço.

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Ser sportinguista ou de qualquer outro clube, uma vez assumido, é como ter uma pele que não sai nem com benzina. Pelo nosso clube perdemos as estribeiras e somos capazes de dizer e fazer muitas coisas que não fazemos normalmente. Se me perguntarem porque sou sportinguista só tenho uma resposta: sou.

Tenho assistido a discussões entre sportinguistas que me deixam perplexo e estarrecido. Pessoalmente não aceito que alguém se considere melhor sportinguista que outro. Nem sequer acredito que haja bons e maus sportinguistas. À nossa maneira todos somos iguais, embora apareçam alguns “melros” sempre prontos para nos dividir. Podemos divergir em aspectos clubísticos, fazer críticas, tanto a atletas como a dirigentes, mas sempre com o foco no máximo denominador comum.

Vem isto, também, muito a propósito da discussão bizantina que se gerou com a questão da contagem  de títulos, que começou com a atribuição, completamente desnecessária,  de quatro títulos  dos anos 30, considerados campeonatos nacionais, ao SLB. Muito depois, alguém do SCP, com alguma razão em função do sucedido, lembrou-se de reivindicar mais quatro campeonatos nacionais. Assunto que como era de esperar ia dar azo a diversas interpretações e discussões, que vão para além do âmbito clubístico.

Reconheço que isto é um assunto bastante polémico, mas como livre-pensador, não abdico da minha apreciação pessoal, mesmo contra a corrente maioritária. Em resumo, foi errado atribuir esse títulos ditos experimentais, ao Benfica, como está a ser errado atribuir os mesmos conquistados nos anos 20 e 30 ao Sporting. Em boa verdade, e depois de uma pesquisa simples sobre o assunto concluí que o actual campeonato teve origem em 1938 e só a partir daí devem ser contabilizados os títulos.

"Por virtude da reforma a que se procedeu no Estatuto e Regulamentos da Federação, os Campeonatos das Ligas e de Portugal passaram a designar-se, respectivamente, Campeonatos Nacionais e Taça de Portugal".

— Federação Portuguesa de Futebol Relatório de Actividades 1938 (FPF)

 "acabar com os Campeonatos das Ligas e substituir o Campeonato de Portugal das jornadas em sucessiva eliminações, por um campeonato de maior rigor e regularidade, pelo sistema de "poule" em duas voltas"

— Acta FPF

1938

Ir para além disto é entrarmos no campo da especulação avulsa. O que na minha análise é correcto, consensual, e que deveria sobrepor-se a todos os jogos de interesses, é o seguinte:

“O Sporting Clube de Portugal nunca quis ter mais títulos do que aqueles que realmente ganhou e assim pode proclamar sem que ninguém o possa contrariar, que em termos de competições oficiais de futebol de âmbito nacional e na categoria principal, é detentor de 4 Campeonatos de Portugal, 19 Campeonatos Nacionais, 17 Taças de Portugal, 9 Supertaças, 4 Taças da Liga e 1 Taça Império.”

Wikisporting.com

É esta a realidade, e é esta realidade que deveria ser aplicada a todos os clubes. E é esta a luta que deveria ser travada. Esta e outras que vão ficando perdidas nos subterrâneos da memória e que se arrestam com as vigarices dos chicos espertos, que nos anos mais recentes têm dominado o nosso futebol.

O que vejo sobre isso é uma apatia sem limites, entre os sportinguistas. Como tal, não me considero nem mais nem menos que qualquer outro, seja ele sportinguista ou não. Gente desonesta, corrupta existe entre os adeptos de todos os clubes, mas ser sportinguista devia implicar, fazer um esforço de racionalidade para separar as águas e guardar energias para as lutas realmente importantes.

Ser sportinguista não é roubar, porque outros roubam, nem é distorcer porque outros distorcem. Ser sportinguista é discutir, serenamente, sem facciosismos. Se nalguma coisa somos diferentes, que seja nisso.

NOTA: O parecer do Sporting CP relativo à questão dos títulos foi admitido à votação na assembleia geral da FPF, que terá lugar no próximo dia 29 de Junho. O documento não fazia parte da Ordem de Trabalhos mas foi incluído a pedido de Francisco Salgado Zenha e Miguel Nogueira Leite, delegados da AG da FPF e elementos do Conselho Directivo do Sporting. O parecer leonino é subscrito por Diogo Ramada Curto e Bernardo Pinto da Cruz.

À margem

Sem prejuízo do que aqui debatemos e da sua importância, é preciso não esquecer que  há vida para além do desporto. A falta de leitura é um défice da nossa sociedade. Por isso aqui deixo uma modesta sugestão: INQUIETAÇÕES,  vendido pela Poesiafaclube, ou através do email: jmateus7@gmail.com.

publicado às 04:33

Religião, futebol, e política

Naçao Valente, em 08.06.22

O futebol é para os adeptos como uma religião. Não se discute na sua essência, não se contesta na sua utilidade. Aceita-se e segue-se. Como a religião, serve de refúgio a medos e frustrações. E tem, nesse aspecto, a sua função salvadora das agruras do dia-a-dia. Daí que exerça a sua influência no mundo da irracionalidade.

Como a religião tem os seus dogmas, os seus ritos, os seus cânticos, os seus santos e os seus demónios, os seus mártires. Para o adepto mais radical ,o clube que apoia é sagrado. As religiões, historicamente, têm estado na origem de grandes conflitos. O futebol dos tempos contemporâneos, e numa sociedade mais ateísta, assume esse papel.

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Num campo de futebol, o histerismo atinge o seu zénite. O espectáculo vive-se no “altar” do jogo, e nas bancadas, nas hossanas, expressas na comunhão do golo. Mas por detrás das aparências, e como a religião, é hoje um negócio muito grande. O “clero” que o domina movimenta milhões, os fiéis, directa e indirectamente, pagam.

O poder político, supostamente anti-clerical, venera o futebol. Reconhece-lhe o poder que exerce sobre as mentalidades e os comportamentos, e concede-lhe um lugar especial na estrutura do poder. Nesse sentido reconhece-lhe a sua própria hierarquia, os seus órgãos independentes, as suas leis “privadas”, a sua autonomia, que apresenta semelhanças com o feudalismo.

Teoricamente o poder político tem competências para intervir no mundo do futebol, mas na realidade não as exerce. Conhece o poder dos clubes, escudado em milhões de fiéis, que são, ao mesmo tempo eleitores. Nos regimes democráticos, os políticos sabem que o seu poder está dependente do voto, e que este pode ser influenciado por interesses clubísticos. Daí que procurem gerir com pinças, tudo o que se relaciona com futebol. Deste modo, esconde-se atrás da autonomia do desporto –rei, para não agir, ou pior, quando age, é para apoiar o sistema, como se viu na atitude do Secretário de Estado do Desporto, que merece ser designado como “persona non grata”.

Se vivêssemos num mundo perfeito, até poderia ser positiva a autonomia no desporto. A verdade é que vivemos num “mundo cão” onde impera o chico-espertismo. Assim sendo, é este que domina os órgãos do mundo da bola, estabelecendo as regras que lhes permitem governar a seu bel-prazer. 

Podem novos profetas pregar contra a situação. De imediato são acusados de hereges, e ficam a pregar no deserto. Os fiéis, mesmo quando prejudicados, acomodam-se à situação. Vomitam impropérios inconsequentes, ou aceitam-na resignados e passivos. Por isso não admira que apitos de todas as cores, tenham acontecido, e continuem a acontecer. Por isso não admira nada que os “papas” continuem a pavonear-se, alegremente, nas suas vestes douradas.

Para quando uma indignação a sério?  Para quando o fim da apatia?  O mundo feudal do futebol, necessita de uma revolução.

À margem

Sem prejuízo do que aqui debatemos e da sua importância, é preciso não esquecer que  há vida para além do desporto. A falta de leitura é um défice da nossa sociedade. Por isso aqui deixo uma modesta sugestão: INQUIETAÇÕES,  vendido pela Poesiafaclube, ou através do email, jmateus7@gmail.com.

publicado às 03:03

Do crime sem castigo à paz podre

Naçao Valente, em 04.06.22

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Na sua habitual participação semanal no programa de debate do CM, a  sportinguista Rita Garcia Pereira puxou dos seus galões de jurista, e explicou com rigor o que aconteceu em relação às escutas do apito dourado.

                "As escutas foram determinadas pelo Ministério Público mas não foram validadas pelo juiz. O processo cai por causa das escutas e, além das escutas, a grande testemunha do Ministério Público era uma senhora que o senhor Pinto da Costa conhecia bem e de perto mas cuja idoneidade não era propriamente a melhor. E foi assim que o processo caiu", afirmou na CMTV.

Quem tem seguido os debates sobre a acusação de corruptor activo, por Varandas,  a Pinto da Costa, através da comunicação social, depara-se com a seguinte situação: a maioria dos comentadores, cartilheiros ou jornaleiros, que vivem à conta do futebol, consideram as declarações de Frederico Varandas despropositadas e fautoras de guerrilhas que deveriam ser evitadas. Os que vão mais longe, acusam Varandas de promotor de violência. Mas será que o que presidente leonino afirmou é uma falsidade? Diz mais RGP.

            "Estive a ouvir coisas porque recordar é viver. Estive a ouvir escutas que são surreais e não são só surreais porque metem meninas. Essa nem é a parte mais surreal. Há outras designadamente pagamentos a árbitros e um dos árbitros a dizer isso. São bem mais surreais. Isto num país a sério o FC Porto não tinha ficado no campeonato".

O que esta afirmação baseada em factos significa, é que o crime existiu e ficou sem castigo. E significa também que o corruptor activo exerceu influência nos meios judiciais, para que interviessem no sentido de alterar o curso legítimo da justiça. O que na minha opinião, que não sou jurista, implica crime de obstrução à justiça por responsáveis da mesma. Mais crimes sem castigo. E Rita conclui:

"O que é que Frederico Varandas disse que não esteja nas escutas? Aquilo não foi dito? Aquilo não aconteceu? Não se pagaram aquelas viagens? Não se levaram aquelas meninas? Nada disto aconteceu? Pinto da Costa não foi passear até à Galiza? É que eu lembro-me perfeitamente de tudo isso. Não estava lá? Não voltou escoltado por uma espécie de guarda de honra? Não assistimos todos a isto? Eu assisti".

Todos nós que estamos de boa fé, independentemente de simpatias clubísticas, temos de admitir que houve indiscutível corrupção e que não foi castigada. E também sabemos que juridicamente este é um processo encerrado. No entanto, isso não invalida que Varandas, enquanto presidente de um clube lesado, não o relembre, e que nós cidadãos não nos indignemos. Esquecer as injustiças dá azo a mais injustiças. O que traz esta discussão ao presente, pergunta  toda a corja?

Ao contrário dos 'opinion makers', notórios defensores hipócritas de uma paz podre no nosso futebol, ainda bem que o presidente Varandas fez renascer o assunto. Pode e deve ser mais um passo no caminho da vital moralização do nosso desporto.

Como na martirizada Ucrânia, não é entregando o território a Putin sem defesa, que se consegue a paz e a justiça, como até defendem alguns. E não nos podemos esquecer que o clube das Antas, com novos processos, continua a actuar à margem da verdade desportiva. Não é por se esconder o lixo que este deixa de existir, hoje e sempre. Não queremos a paz podre. Queremos lutar por um futebol digno. Não temos medo!

NOTA ESPECIAL

E como a nossa vida é feita de pequenos nadas, como diz o poeta, aproveito a boleia para divulgar a minha contribuição para a poesia. Indignações... livro e e-book editado por Poesiafaclube, com página no Facebook. No entanto, para algum eventual interessado, tenho alguns exemplares que posso enviar com assinatura, a um preço especial (10 euros) para  frequentadores do blog. Contacto por Messenger, José Mateus Gonçalves. Obrigado.

publicado às 03:03

Saber ganhar e saber perder

Naçao Valente, em 18.05.22

"Fiz aquilo que tinha de fazer como treinador da instituição que sou, dei os parabéns ao campeão, coisa que não aconteceu em relação a nós”.

                               Rúben Amorim

O clube das Antas tem uma boa equipa de futebol profissional, temos de o admitir para sermos justos. Mas para além disso, todos sabemos que esse clube, para ganhar, não hesita em usar métodos que saem do âmbito da verdade desportiva, assentes no princípio do “vale tudo”, nas palavras de um antigo dirigente.

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Fazer 91 pontos na I Liga, batendo um recorde, não é tarefa fácil. Atrevo-me até a afirmar que é possível com a utilização da norma do “vale tudo”. Explicitando, essa norma inclui ganhar sempre. Significa, do ponto de vista estratégico, conseguir “inclinar o campo” a seu favor, através do controle de arbitragens, ou quando isso não acontece, usar estratagemas para as enganar, por exemplo, com os habituais “mergulhos”. É verdade que acontecem em todas as equipas, mas creio que no FC das Antas fazem parte da metodologia do treino.

Na opinião de Amorim, citada no início, demonstra-se outra característica da equipa das Antas, as atitudes ditatoriais, expressas na arrogância que demonstram, sobretudo quando perdem. Todos queremos ganhar sempre, com a ressalva que ganhar e perder faz parte do desporto. Mas essa faceta não é considerada pelo Antas, pois quando perde não sabe reconhecer a derrota e a maior valia do adversário, o que fica bem expresso na afirmação citada de Rúben Amorim.

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Esta atitude, já cimentada ao longo de várias décadas de “vale tudo”, está cada vez mais desmascarada na opinião pública, mau grado a cobertura que tem na comunicação social, que faz vista grossa, às vigarices do corruptor, ou o aplaude como um grande dirigente. Isto é possível num país de brandos costumes, onde as altas estruturas desportivas e judiciais se foram acomodando a esta realidade, e onde o poder político, de qualquer matiz, se acobarda perante o poder do futebol, enquanto controlador de consciências.

Em conclusão, saber ganhar e saber perder está na real essência do desporto. E quem não segue este princípio não o valoriza, apenas o descredibiliza, com o seu princípio do “vale tudo”.

Até quando?

publicado às 04:04

Cortar os tentáculos do polvo

Naçao Valente, em 12.05.22

Sem ser politicamente correcto, do ponto de vista do sectarismo clubístico, manda o bom senso que não se atribua as conquistas do clube das Antas apenas à utilização de métodos irregulares. Em nome da verdade, o FC das Antas tem uma boa equipa que não é inferior à do Sporting, quer do ponto de vista colectivo, quer em valores individuais. Mas, por outro lado, é também lícito considerar que quando se torna necessário, aparecem para o Antas as “ajudazinhas” que podem fazer diferenças.

Também não se pode ignorar a rede montada a partir dos anos 80, pelo clube das Antas para mexer os cordelinhos do futebol tuga, a seu favor, sob a batuta de uma figura para quem os valores éticos, são letra morta. Todos sabemos e lamentamos, mas é evidente que isso aconteceu perante a passividade de outros clubes, incluindo o nosso. Cortar com essa passividade e agir é o caminho.

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Ao analisarmos este campeonato, podemos pôr a tónica na inclinação dos campos a favor do Antas, mas não podemos esquecer os nossos próprios erros. Reconheço que fizemos uma boa prova, mas tivemos algumas distracções, nomeadamente no início da segunda metade da época, perdendo seis pontos por culpa própria. E nem podemos justificar esses desaires com equívocos de arbitragem. Tivemos uma ligeira quebra que pode acontecer a qualquer equipa, e isso foi fatal.

Esta época mostrou que se quisermos vencer temos de estar preparados para lutar contra tudo e contra todos. A luta pela abolição do sistema, denunciado por Dias da Cunha, e mais recentemente por Frederico Varandas, não se pode limitar a palavras, a protestos, a denúncias. Com isso, lidam bem os corruptos. É preciso agir com inteligência e com uma estratégia bem definida e melhor executada. Qual será então a melhor estratégia?

Sem menosprezar outras opiniões, essa estratégia insere-se na política desportiva iniciada à cerca de dois anos. Começa pela constituição de uma equipa competente e motivada capaz de disputar todas as provas sem medo. A luta passa, em grande parte, por mostrar eficácia dentro do campo, como já se viu, e com muito bons resultados. Passa pela unidade de toda a estrutura, e pelo apoio dos adeptos, em todos os momentos.

Dividir para reinar foi também a fórmula utilizada pelo adversário, e na qual nos deixámos envolver. Para além disso, a derrota do sistema corrupto não se faz de um dia para o outro. Temos de manter serenidade e paciência para conseguir que a estratégia dê resultados. Cada passo em falso é recuar à estaca zero, como aconteceu nos últimos quarenta anos. Mais do que lamentos, e proclamações, agir significa fortalecer financeiramente o Clube, para que a equipa possa estar devidamente preparada física e mentalmente para vencer e paulatinamente cortar os tentáculos do polvo.

publicado às 07:04

Até ao lavar dos cestos é vindima

Naçao Valente, em 04.05.22

A expressão “até ao lavar dos cestos é vindima” aplica-se à questão da disputa do título de campeão nacional. Sendo verdade que, matematicamente, o título não está atribuído, também é verdade que é muito improvável, sem ser impossível, o clube das Antas perder seis pontos. Aliás o nosso treinador até já concluiu que isso será uma impossibilidade.

Seja como for, o que a nossa equipa tem obrigação de fazer, é lutar por todos os pontos até ao fim. Se o conseguir além de ir pondo pressão no adversário, mantém acesa uma luzinha de esperança. Haverá uns sportinguistas que seguem esta linha de pensamento, e haverá outros, muitos mais, ditos realistas, que dirão, porventura, que os cestos já estão pré-lavados. Continuemos pois a ter a esperança que os improváveis acontecem.

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Se não acontecerem, o que se pode afirmar com certeza absoluta é que teremos entrada directa na Liga dos Campeões, o que não deixa de ser um feito importante, durante duas épocas seguidas. E parece-me ser muito mais relevante, embora seja discutível, a ida à liga milionária do que, em alternativa,  conquistar a Taça de Portugal. E digo-o pelo prestígio que acarreta, e pelos milhões arrecadados, fundamentais para o reforço da equipa e para a consolidação das finanças do Clube.

Por fim, considero que foi uma época bastante positiva, pelo segundo ano consecutivo, e pelas perspectivas que abre para a consolidação do projecto desportivo em curso. Permite-nos adquirir reforços pontuais de qualidade reconhecida e manter por mais uma época, jogadores importantes, como por exemplo Matheus Nunes, ao que consta, um desejo do treinador. Há agora tempo para preparar a próxima época com rigor e criar condições para a começar com uma equipa ainda mais forte.

A consolidação através de vitórias regulares deste projecto leonino, é o caminho para a moralização do futebol português, e para o fim da trafulhice que o dominou durante as últimas décadas. As vitórias dentro do campo têm de passar a ser a regra e não a excepção. Por isso, e não só, este projecto não pode falhar.

publicado às 03:04

E se correr bem?

Naçao Valente, em 23.04.22

"Posso arriscar o meu trabalho, a eliminatória (…) será assim até deixar de ser treinador" (Rúben Amorim)

Palavras leva-os o vento... é hábito dizer-se na sabedoria popular. Nesse sentido, o que aqui escrevemos tem apenas a duração do momento. Sabemos que mais ou menos lidas ou comentadas, as palavras são efémeras na sua volatilidade. O tema que hoje abordamos já tem sido objecto de análise e discussão. Mas voltamos ao assunto porque, normalmente, a memória é curta.

Rúben Amorim foi contratado pelo SCP há cerca de dois anos. Era então um treinador ainda sem curso adequado, e com uma breve experiência na primeira Liga. Foi uma aposta de risco assumida pelo presidente Varandas. As críticas e a contestações foram gerais. Na altura, Rúben Amorim comentou: dizem que pode correr mal… e se correr bem?

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Dois anos passados, os resultados globais são muito positivos. Cinco títulos conquistados, incluindo um campeonato nacional, quase vinte anos depois. Uma entrada directa na liga europeia milionária, a constituição de uma equipa aguerrida e competitiva com a “prata da casa” e algumas aquisições cirúrgicas de sucesso. A valorização do plantel  já pagou  o investimento inicial feito no treinador, e tão criticado na opinião pública.

A consolidação da equipa está a ser feita com passos bem seguros. O caminho traçado a ser percorrido com destacada segurança. No entanto, não há nenhum processo que não sofra contrariedades, com mais acuidade no mundo bem pantanoso do futebol, sujeito a muitas interferências internas e externas. Todas as equipas têm altos e baixos, e as do Sporting CP não fogem a regra. Uma época longa em todas as frentes está a deixar marcas num plantel, que não é o melhor do mundo, e nem sequer de Portugal.

O adepto de uma forma geral descarrega no futebol as frustrações do seu dia a dia. Passa rapidamente da euforia à depressão. Em momentos menos bons da sua equipa, arvora-se no técnico do que não é e arrasa tudo como um terramoto incontrolável, esquecendo-se que destruir é fácil e que construir é muito mais difícil.

Após dois desaires com equipas superiores em termos de plantel, é curioso verificar que tudo se põe em causa, como se antes desta equipa técnica o Clube tivesse um rasto regular de sucessos. E chega-se ao ponto de pôr em causa a própria equipa técnica, o que significa a de um projecto abundante de potencialidades. Os nossos adversários directos ganharam avanço durante largos anos. Precisamos de encurtar distâncias, sem descurar o imediato, mas com a consciência que não se pode passar de oito para oitenta.

Amorim comentou “garanto que não voltará o ambiente que encontrei quando cheguei”. Aqueles que ao primeiro desaire põem todo o trabalho de dois anos em causa, ou estão de má-fé, ou como aqui no blogue escreveu um leitor (omito a sua expressão para não ferir susceptibilidades) não aprendem nada.Amorim não é infalível, comete erros pontuais, (quem não os comete na sua vida que atire a primeira pedra), mas o seu projecto merece continuar a ser apoiado. Mostra que está de alma e coração com ele e que quer concretizá-lo. Os que põem em causa o projecto e o seu mentor, não percebem que o Sporting precisa mais de Amorim, que este precisa do Sporting.

P.S.: Slimani respondeu a Amorim nas redes sociais. Parece-me um assunto a precisar de resolução imediata, para não minar a unidade do grupo.

publicado às 03:04

Interregno

Naçao Valente, em 29.03.22

Durante mais uma interrupção do campeonato, talvez seja pertinente fazer uma reflexão sobre o comportamento da equipa de futebol profissional. Concluído este apuramento da Selecção Nacional, que espero seja vitorioso, e que podia ter sido evitado, regressamos às provas caseiras. Para ser integralmente rigoroso, Portugal até já estava apurado, não fosse o escamoteamento de um golo 'limpo', no primeiro jogo com a Sérvia, pelos homens do apito, os únicos que têm margem para errar.

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Vamos entrar na recta final da maratona que é o campeonato nacional de futebol, embora com outra designação. A comparação com a maratona justifica-se porque é uma prova de regularidade. O Sporting CP, conseguiu manter-se na frente desde o início, mas teve uma quebra natural a meio da prova, o que costuma acontecer nas provas mais longas. Nesta competição, apenas o clube das Antas ainda não quebrou, ou melhor, quando quebrou teve os “santos” do apito dourado, a darem um empurrãozinho. Seja como for, já tenho visto recuperações com a meta à vista, e por isso é preciso manter o foco.

Não sou adepto de entrar em ladainhas de lamentações, chorando sobre o leite derramado. A verdade é que o deixámos derramar num momento de menor concentração. Quando isso acontece, em provas que continuam viciadas, pode muito bem ser a queda do artista. Não nos podemos esquecer de modo algum que ainda não chegámos (se chegarmos) à fase do jogo limpo. Nesse sentido, temos de jogar contra adversários, e contra o que se chama o “sistema”, que tem tremido, mas que continua bem de pé. Para dar um mero exemplo, e há muito outros, o “sistema” resolveu no último jogo nas Antas, que estávamos a dominar com clara vantagem, inventar uma expulsão, para jogarmos com menos um. Prática aliás extensiva a adversários desse clube, noutros jogos.

Que este interregno sirva para recuperarmos forças para lutas imediatas, pois ainda nada está fechado, e para começar a preparar a próxima época, dando corpo e consistência ao projecto que foi iniciado com a contratação de Amorim. Sem pôr em causa o lançamento dos nossos talentos da formação, a equipa precisa de ser reforçada, cirurgicamente, com critério, para nos podermos bater contra tudo e contra todos. O acréscimo da capacidade competitiva tem que subir quer dentro, quer fora do país, porque só assim conseguiremos derrotar o sistema, que com adaptações e nuances, domina o nosso futebol desde os anos oitenta, e que já se está a preparar para continuar, com novo “papa”.

Independentemente do que acontecer até final desta época, o balanço não pode deixar de ser positivo. Para mais o aparecimento de mais-valias desportivas, rentabilizáveis, permite encaixar no final da época muitos milhões que contribuirão para a consistência financeira do Clube, aspecto fundamental para a consolidação do projecto desportivo.

publicado às 03:19

O Sistema continua - "jogar à Porto"

Naçao Valente, em 14.02.22

Na propaganda do clube que o senhor Pinto da Costa dirige como um feudo há quarenta anos, instituiu-se a frase “jogar à Porto” Afinal do que se trata? Se a expressão significasse jogar com empenho e agressividade, nada haveria a apontar. A questão é que, na minha perspectiva, significa ganhar a qualquer preço. Mais do que empenho é manhosice, mais do que agressividade é violência.

Todo o país sabe, incluindo os adeptos desse clube, que o senhor Pinto da Costa, imaginou e montou um sistema, que à margem do jogo jogado, tinha como objectivo fulcral garantir sempre as vitórias. Esse sistema consistia no controle dos organismos que governavam a área do futebol, através os seus homens de mão. Um dos sectores fundamentais e com influência directa dentro de campo e nos resultados foi o sector da arbitragem. Depois foi só colher os frutos.

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O Apito Dourado que caiu como uma bomba no panorama desportivo, pôs a nu essa teia de corrupção dirigida pelo corrupto-mor. No entanto, este escapuliu-se pelos buracos da lei, e apenas alguma arraia-miúda, pagou a factura. Apesar do sistema ter sido abalado, conseguiu a pouco e pouco renascer das cinzas, em certo sentido com o apoio do rival do Sul, sob o comando do senhor Vieira, com quem estabeleceu uma aliança estratégica para dividir o controle.

Vieira com menos influência nos meios jurídicos, que o “senhor do Norte”, como se viu por desenvolvimentos recentes,  caiu como mosca tonta, nas malhas da justiça. Esta mudança permitiu que o controle voltasse exclusivamente para as mãos do "velho senhor". Exerce-se agora de uma forma muito mais sofisticada, usando outros meios e outras formas de influência. E num país de brandos costumes como o nosso, o senhor reina, e continua a rir-se cinicamente.

A ascensão do Sporting CP com uma nova estratégia desportiva, que não era esperada, surpreendeu tudo e todos. Com pezinhos de lã e um discurso despretensioso, o SCP foi levando a água ao seu moinho. E... quando o “sistema” se apercebeu já era tarde. Era esperado que este entrasse em alerta máximo, e que, na nova época, fizesse marcação cerrada. É certo que o nosso Clube perdeu pontos por culpa própria. Mas a verdade é que no actual contexto, isso não podia ter acontecido. Foi como entregar o ouro ao bandido, antes de este o exigir.

Continuo a dizer que estamos no bom caminho, e temos que manter esse rumo. O nosso lema tem de ser “jogar à Sporting”, com entrega, com competência, com lealdade, com confiança nos méritos da equipa dentro das quatro linhas. Os tempos que se avizinham não vão ser fáceis, mas se não conseguirmos trazer honestidade para o futebol, o “sistema” continuará, com o actual protagonista, ou com os que já se perfilam no horizonte. O pior que se pode fazer é entrar no seu jogo. Com serenidade e firmeza a luta tem que continuar.

P.S.: Esta semana vamos jogar com um colosso europeu. Desejo que a nossa equipa jogue sem medo e faça o que melhor sabe: jogar o seu futebol de bom recorte técnico.

publicado às 03:34

Realidades e Perspectivas

Naçao Valente, em 01.02.22

Os sportinguistas, tirando um ou outro desaire, só podem estar bastante satisfeitos com a prestação da sua equipa de futebol profissional. Desde que Rúben Amorim, em boa hora, foi incumbido de dirigir o futebol do Clube, há cerca de dois anos, que se conquistaram quatro títulos, incluindo um campeonato nacional. Acresce a importante participação na Liga dos Campeões, onde ainda continuamos. É um registo bem assinalável, considerando o ponto de partida.

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No entanto, não podemos esquecer, que este é um processo de renovação, que está a dar os primeiros passos. Assim sendo, é preciso continuá-lo com firmeza e com a consciência que não passamos de bestas a bestiais, num ápice. Há ainda quem defenda que agora temos obrigação de ganhar tudo. Com realismo, tenho vindo a dizer, que devemos lutar por todas as provas, que poderemos ganhar ou não. O objectivo imediato é ganhar mais do que era habitual

Nesse sentido, ainda estamos a disputar a conquista do campeonato, a conquista da Taça de Portugal e ainda a improvável conquista da Liga dos Campeões. Está tudo em aberto. É bem verdade que no nosso campeonato demos dois passos atrás e que complicámos a sua conquista face a um adversário que está à nossa frente que tem uma grande equipa, muito motivada e concentrada. Mas é igualmente verdade, que numa prova longa, há sempre momentos menos bons. Não dependemos apenas de nós, mas no jogo das probabilidades temos  que continuar a acreditar.

Seja como for, precisamos, no mínimo, de assegurar o plano B, ou seja, a manutenção do segundo lugar, fundamental para entrarmos na Liga milionária. E estou convencido que a equipa vai dar tudo para ganhar a Taça de Portugal, troféu que ainda falta a estes jovens. Vai ser fácil? Seguramente não, até pela competência do adversário. Mas se tivermos querer e confiança, podemos conseguir.

Partindo das realidades, as perspectivas são muitíssimo melhores do que já foram. E não devemos ficar pelo curto prazo. Construir uma equipa vencedora, de forma sistemática, é o objectivo. Ainda não a temos, mas estamos nesse caminho. Assim haja determinação para o seguir, sem vacilar, perante uma ou outra adversidade.

publicado às 03:04

O leão mostra a sua raça

Naçao Valente, em 03.01.22

O ano de 2021 ficará como um capítulo altamente positivo na história do Sporting CP e do desporto nacional. Arrasámos nas modalidades, inclusive a nível europeu, e conquistámos três títulos em quatro no futebol profissional, com a proeza de ganharmos a Primeira Liga, feito que não se verificava desde 2002. Penso estar certo, ao afirmar, que nem em sonhos esperávamos tamanhos êxitos.

Desportivamente brilhante, portanto, deve-se, prioritariamente, à competência e empenho de todos os nossos atletas e dos seus técnicos, mas também às condições proporcionadas pelas estruturas de apoio, à frente das quais se encontra o presidente Frederico Varandas.

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A revolução feita no futebol profissional, sob a batuta do técnico Rúben Amorim, em boa hora contratado, apesar de muito contestado pelos catedráticos em tudo o que mexe, e que auguravam o pior, pelos motivos mais irracionais. Mas para além da sua competência, o nosso “míster” encaixou como uma luva no projecto que lhe terá sido apresentado pela “estrutura” dirigida por Hugo Viana, com o beneplácito da Direcção.

Este projecto, predominantemente assente em jovens com potencial, muitos deles vindos da nossa formação, tem de ter continuidade, para que as vitórias sejam uma constante e não apenas um mero episódio passageiro. Nesse sentido, tudo deve ser feito para manter a equipa que lhe dá corpo, nomeadamente o técnico. A percepção que tenho é que Rúben Amorim está empenhado em cimentá-lo, até atingir patamares bem mais elevados, e antes de, eventualmente, partir para outros voos.

Para além de quem trabalha directa e exclusivamente no terreno, é imperativo que haja estabilidade. Nesse sentido, parece-me importante que se mantenham os actuais órgãos sociais, que iniciaram o projecto, e que em condições muito difíceis recuperaram o Clube do buraco negro, onde tinha caído. 

Além de terem aberto as portas ao êxito desportivo, estão a fazer um trabalho exemplar (que precisava de ser muito mais divulgado) na recuperação financeira do Clube, sem a qual a componente desportiva não pode de modo algum ter sucesso. A decisão cabe aos associados, que em momentos decisivos, costumam ter bom senso.

O Leão, meio anestesiado durante muito tempo, está, de novo, a mostrar a sua raça. O que se pretende é que a mostre feroz e permanentemente, e não apenas em “fogachos”, com a consciência que haverá muitas dificuldades, e que não pode voltar a adormecer.

publicado às 03:34

No absurdo reino da estupidez

Naçao Valente, em 23.10.21

O que dá mais e maior visibilidade a qualquer colectividade desportiva, são as actividades por si desenvolvidas e os êxitos que lhe estão associados. A parte, mais obscura, da gestão financeira, por norma, não merece dos adeptos a mesma atenção. São assuntos que devem ser entregues a técnicos competentes, sob as orientações do órgão directivo.  Daí que a votação de orçamentos, construídos com rigor, passa ao lado de muitos associados.

O que se passa nesta altura no Sporting CP, em relação à votação dos R&C, não é vulgar, nem corresponde a uma apreciação técnica dos documentos. Não passa de uma opção política abusiva, de um segmento de associados, que se colocou à margem do Clube, como atitude revanchista para com os Órgãos Sociais vigentes, desde que perderam o poder e os privilégios.

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A propósito do absurdo reino da estupidez, isto, no Twitter, autoria de

um qualquer bandalho que se intitula "Barão Verde (Brunista 1906)".

O que se está a passar, na sequência da marcação de uma Assembleia Geral para aprovar os R&C,  é um absurdo, ao querer meter na Ordem de Trabalhos, anunciada, assuntos não previstos. Os sócios podem pedir a realização de AGs, dentro do estabelecido nas regras, assim como indicar os temas a tratar. Agora alterar a Ordem de Trabalhos de uma reunião marcada, é um aberração.

O que pretendem os signatários com as manobras de registo? Mostrar-se, desestabilizar, fazer ruído. Quem prejudicam, principalmente, não são os Órgãos Sociais transitórios, mas sim o Clube, em nome de um projecto há anos derrotado. Na ânsia de voltar ao poder, não medem a incongruência da sua acção.

Mostram, esclarecidamente, que não percebem o que se passou com a queda do brunismo, rejeitado pelos sportinguistas. Mostram pouca inteligência, ao enveredar pela arruaça. Mostram estupidez funcional ao insultar os associados que não os apoiam. Não percebem que por esse caminho, para além do núcleo duro, não ganham nem um voto.

O que me preocupa é que provoquem distúrbios, e com isso, arrastem o nome do Sporting, para o seu absurdo reino da estupidez.

publicado às 02:35

A pesada herança

Naçao Valente, em 08.10.21

O presidente Frederico Varandas foi eleito em 2018 num acto ao qual concorreram vários candidatos. Um processo eleitoral realizado de acordo as normas Estatutárias, assumindo assim, legitimamente, a presidência do Sporting Clube de Portugal, por quatro anos.

Tendo em consideração a situação em que se encontrava o Clube, na sequência do ataque à Academia de Alcochete, previa-se que a nova Direcção não teria uma tarefa fácil. A pesada herança que recebeu do 'brunismo', exigia competência, coragem e determinação, para colocar o Clube na via da recuperação.

O Sporting que recebeu então, estava numa situação financeira muito preocupante. Com problemas imediatos de tesouraria, teve que organizar em tempo recorde o lançamento de um empréstimo obrigacionista, que permitisse pagar o que não tinha sido pago em tempo útil. Com o clima deveras hostil e desconfiado, dos meios financeiros, mas com o apoio dos sportinguistas que por norma põem o Clube acima de interesses particulares, o presidente e a sua direcção, levaram a tarefa a bom porto.

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Mas a direcção anterior, demitida na sequência de grave desrespeito aos Estatutos, deixou também uma situação desportiva bastante complicada, em consequência das rescisões que foram apresentadas pelos activos mais valiosos da equipa de futebol profissional. Houve que correr atrás do prejuízo, procurando resgatar alguns desses activos, ou em alternativa, negociar com os clubes que os contrataram para minimizar os estragos. Essas negociações, facilitadas pelos jogadores em causa, e pelos novos clubes a que pertenciam, permitiram recuperar uma boa parte do valor in limbo, com reflexos positivos nas contas do Clube. Porém, nunca se saberá o que se perdeu nessa sangria.

No entanto, a pior herança recebida por esta Direcção, a cereja em cima do bolo, foi o desrespeito pelos resultados eleitorais, por parte de um grupo, cada vez mais minoritário de apoiantes do anterior presidente. Como se verificou em todas as Assembleias Gerais após as eleições e também nas redes sociais e na rua, a contestação atingiu dimensões de extremo cariz antidemocrático, como nunca tinha acontecido no Clube. Esse grupo, de sportinguismo duvidoso, atacou os Órgãos Sociais eleitos, especialmente o presidente, recorrendo ao insulto e à arruaça, com o intuito de conseguir a sua demissão.

Passaram cerca de três anos. Depois de alguns erros no percurso, entrou-se num caminho de esperança e de construção de um Sporting competitivo. Ganharam-se todas as provas nacionais, com relevo para um campeonato que se tinha tornado numa mera miragem. Nas restantes modalidades conseguiram-se muitos êxitos, não só no panorama nacional, mas também no plano internacional, Apesar de uma situação pandémica, com reflexo nas receitas, a situação financeira ficou controlada.

Indiferente à situação descrita, esse grupo, alheio aos interesses do Clube, não desiste do seu projecto de má fé e desestabilização. Aproveitando alguma apatia dos associados, na participação em assembleias gerais, e de alguma ausência de mobilização, conseguiu numa atitude meramente destrutiva, boicotar instrumentos de gestão. Como diz Miguel Braga, não lhes chega ganhar votações, legitimamente, por falta de comparência de muitos sócios. Fazem questão de,  como um grupo antidemocrático, insultar quem deles discorda.

O presidente Varandas pediu mais uma AG, na qual pretende que se clarifique a situação. Das duas uma: ou os associados comparecem como a maioria que são e põem no seu lugar este grupo minoritário e arruaceiro alienado, ou então deixam que eles voltem a assumir o protagonismo que tiveram outrora, com as inevitáveis consequências de mau grado. Os Sócios sempre souberam dizer presente em momentos fundamentais. Acreditemos que o voltem a fazer!

P.S.: Um antigo atleta e treinador de kickboxing do Sporting, de quem não me lembro o nome, manifestou recém-interesse em concorrer a presidente do Sporting. Nada a dizer sobre esse direito, se reunir as condições exigidas. O que causa perplexidade, é o facto de ele ter considerado o mandato desta direcção o pior de sempre. Ou muito me engano ou os testas de ferro do brunismo, já estão a posicionar-se.

publicado às 03:19

O caminho faz-se caminhando

Naçao Valente, em 30.09.21

A até agora prestação negativa na Liga dos Campeões, do Sporting CP,  deu azo a um coro de ladainhas. Umas vindas daqueles adeptos que esperam mesmo que elas aconteçam, e de que precisam como de pão para a boca, outras, de adeptos que tomam a nuvem por Juno, e consideram que por o Clube ter feito uma boa época já é uma super equipa.

Nos jogos europeus com adversários superiores, financeira e desportivamente, perder, não me surpreende. O que mais me surpreendeu foi a derrota por números elevados, num jogo, claramente atípico. No entanto, perder com estas equipas, não é nenhuma desonra. Desonra seria sim se não nos batêssemos desde o primeiro ao último minuto. A equipa de futebol profissional evoluiu e cresceu na última temporada, mas quem tem os pés assentes na terra, sabe que o Sporting, não está no mesmo patamar dos colossos europeus.

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Para o futebol caseiro, temos equipa para lutarmos pelas provas nacionais, com os nossos adversários mais directos. Apesar disso, é preciso ter a noção que os dois rivais, com os quais disputamos os primeiros lugares, ainda são, quer em investimento desportivo, quer, e como consequência, em qualidade de plantel, superiores. O Sporting, iniciou na época transacta, um caminho que visa colocá-lo ao mais alto nível. Mas nesse caminho, apenas se deu um primeiro passo.

O projecto da actual estrutura, passa por construir uma equipa competitiva, com jovens jogadores, dando preferência à “prata da casa” que vem da nossa Academia. Antes deste processo começar, já o defendia, como forma de alavancar o futebol do Clube. No entanto, este projecto, precisa de tempo para ser implementado. E para isso, os adeptos, precisam de ter plena consciência que vão existir avanços e recuos. O imediatismo, é o seu maior inimigo.

Como tem dito, e ontem voltou a reafirmar, Rúben Amorim, a consolidação deste caminho faz-se caminhando e ainda faltam uns “aninhos” para estar ao mais alto nível. Daí a sua estratégia patente, para dentro e para fora, do “jogo a jogo”. Não gerando o Clube grandes recursos ordinários, faz parte do projecto formar e lançar jovens de alto potencial (veja-se Nuno Mendes, como exemplo) para o suportar desportiva e financeiramente...

Na minha análise, é mesmo este o caminho que o Sporting tem de fazer, para atingir uma bitola verdadeiramente europeia. Contudo, os comentários que leio nas novas conversas de café, as redes sociais, muito mais mediáticas, levam-me a admitir algum pessimismo. Basta um resultado menos positivo, mesmo perante os ditos “tubarões”, para pôr tudo em causa, começando pelo treinador que dirige e projecto, e que tem mostrado competência, para o executar. Isto não significa que não se possa criticar com moderação e positivismo. O que não tolero é bota-abaixismo, sem qualquer consistência "científica".

O meu receio, é que este projecto, que reafirmo, vejo como o único para tirar o Sporting da “vil tristeza” não esteja a ser verdadeiramente compreendido por muitos sportinguistas, e se possa deitar fora, o ainda menino, com a água do banho. E se isso acontecer, prevejo mais e mais anos tanto de instabilidade desportiva como financeira. Se este caminho for interrompido, pela vincada irracionalidade ligada ao futebol, a culpa não será de quem o quer executar, mas daqueles que por razões diversas, mas convergentes, o destruírem. Vou manter a esperança que isso não aconteça, e que vença o bom senso.

publicado às 13:00

Tem vindo a ser justamente elogiada a operação da qual resultou a transferência de Nuno Mendes para o PSG. Operação que surpreendeu, pelos complexos contornos do negócio, e pela segredo da sua concretização. Ou seja, quando a informação chegou à comunicação social, já o negócio estava efectuado. E embora os detalhes possam ter sido ultimados, no dia em que foram conhecidos, é normal que, dada a sua complexidade, estivesse a ser preparado já há algum tempo. Significa que a estrutura ligada ao futebol, está a trabalhar com grande profissionalismo, de forma discreta e eficiente. Esta transferência, com outras menores, permite ao Clube ter um saldo positivo, entre compras e vendas.

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O sucesso deste negócio, que reuniu quase total unanimidade, entre os adeptos, é apenas a ponta de iceberg de uma série de operações, não tão mediáticas, mas mesmo assim muito importantes, e que não têm sido valorizadas como merecem. Trata-se da saída de vários excedentários através de venda, de empréstimo, ou de rescisão de contrato. O resultado mais imediato consiste na poupança de muitos milhões na folha salarial da SAD.

O outro benefício é que permite aos jogadores dispensados, continuarem em actividade, podendo, nalguns casos, evoluir enquanto atletas. Noutros casos, pode acontecer que seja accionada a opção de compra no fim da época, ficando assim a situação resolvida, em definitivo. A excepção deveras frustrante é Renan Ribeiro que resiste a colaborar, mesmo tendo sido apresentadas alternativas. Parece-me uma situação estranha ou até absurda. Não entendo que benefício tira dessa teimosia, nomeadamente para a sua carreira. Ou haverá alguma coisa que nos escapa? 

Em conclusão, todo este trabalho de secretaria, realizado com muita eficiência, durante a abertura do mercado, além de resolver problemas, foi feito com a maior discrição, sendo conhecido na altura em que se concretizou. E se podemos criticar esta Direcção por alguns maus negócios, como outras, a verdade é que implantou uma fórmula de gestão de activos, eficaz. E uma das suas componentes, entre outras, é muita antiga: o segredo é a alma do negócio... até no futebol.

publicado às 03:03

Vou sair da minha zona de conforto, para abordar um assunto, que desde o início desta época desportiva, tem sido recorrente, aqui no Camarote e nas redes sociais. Sabendo que estou a ser politicamente correcto, considero que se trata de “perseguição” a Paulinho, que se tem vindo a tornar numa espécie de bode expiatório, que tem que pagar por ter sido, nessas abordagens, muito caro. Fosse ou não, foi comprado, e é um activo do Clube.

Que fique claro. Paulinho foi um desejo de Rúben Amorim, desde que foi para o Sporting. Quando a equipa estava na senda das vitórias, muito graças ao trabalho de Amorim, a Direcção fez um esforço significativo, para lhe fazer a vontade. O jogador chegou durante a época anterior e exceptuando um período em que esteve aleijado, foi titular da equipa, colaborando para a conquista do campeonato. Convém lembrar, que foi o autor do golo que confirmou a celebração do mesmo.

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Paulinho não é um Messi, nem um Ronaldo, que curiosamente marcam muitos golos, e nem são pontas de lança, de acordo com as novas dinâmicas de futebol. Mas é, um bom jogador, e com algum historial de marcação de golos. Por outro lado, tem demonstrado que sua a camisola e que lhe é exigida uma missão que vai para além de um mero ponta de lança, transportando jogo e tabelando. Tem falhado golos? E para além dos que falha, a razão porque não marca mais, merece de per si, uma análise. Por outro lado, quem não os  tem falhado? Pedro Gonçalves? Jovane? Nuno Santos? 

Vamos excluir Paulinho? Quem joga naquela posição... Tiago Tomás? Sporar que teve as suas chances e não convenceu, nem sequer em Braga, e não é aposta do treinador. Pedro Marques, está a fazer o seu crescimento e foi emprestado. Quem resta... Luiz Phillipe? Onde está outro ponta de lança? No mercado? Ouço falar de Slimani, como o salvador da pátria. O facto é que depois de sair do Sporting, não tem historial de relevo. E para além de custar muito em salários, não interessa ao Rúben Amorim. Será que os treinadores de bancada, sabem mais que os especialistas?

Com toda a sinceridade, não consigo ver nestes ataques continuados a Paulinho, qualquer racionalidade.Vejo reacções deveras emotivas, muitas pautadas por análises distorcidas, e ideológicas. Paulinho nunca foi bem aceite por certos adeptos. O facto de não ter marcado muitos golos, deu motivação aos contestatários. Paulinho deve marcar mais golos? Não há dúvida. Então, em vez de contestação, precisa de apoio. Parafraseando uma frase aplicada a um outro jogador, “deixem jogar o Paulinho”.

publicado às 03:19

Presente e futuro

Naçao Valente, em 09.04.21

Estamos a viver um momento que não vivíamos há muito tempo; estarmos no primeiro lugar da principal prova nacional, com um avanço pontual significativo. Creio que muito pouca gente, nas suas melhores previsões, imaginaria esta situação, tendo em conta o ponto de partida, e muitas outras condicionantes.

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Tenho vindo, tal como muitos outros sportiguistas, a usar a sensatez, evitando entrar em deslumbramentos. É extremamente positivo ter mantido durante um tempo considerável dez pontos de avanço, mas este avanço, numa prova tão longa, e em que a contabilização assenta em três pontos por jogo, não é uma margem assim tão grande, quando ainda estão muitos pontos em disputa.

Portanto, moderação tem de ser a palavra de ordem, sem deixar de ter total confiança na equipa que nos tem surpreendido pela positiva. Pelo que já fez e pelo que precisa de fazer, precisa do nosso apoio incondicional. E estou convencido que este grupo unido e solidário está a fazer tudo, para ganhar este campeonato, e para dar essa alegria aos adeptos.

Pode-se pedir esforço, entrega, empenho. Não se pode é exigir que sejam perfeitos, e que não possam ter, melhores ou piores momentos. Nenhuma equipa consegue manter o seu máximo nível durante uma prova longa. Além disso, é preciso ter consciência que não temos um conjunto de galácticos. É um grupo com cerca de metade de atletas razoáveis e experientes, e de outra metade de jovens, alguns até com a idade de júnior, e com grande potencial, mas que não são jogadores feitos.

Por isso, custa-me ler análises que por aqui aparecem, a criticar a equipa e a sua direcção, após um jogo com um empate que foi injusto, e onde se pode dizer que não imperou a verdade desportiva. Todos nós temos a tendência para botar “faladura”, sobre tudo e mais umas botas, sobre qualquer assunto, sobre o qual geralmente até somos ignorantes. No futebol esse desiderato atinge o expoente máximo. Porque falar é fácil, para quem não tem que fazer. Porque quando tiver que fazer, pia mais fino.

Este grupo de 'leões' que nos espicaça as emoções e nos põe os nervos em franja, está a dar o seu melhor. Não devemos esquecer que quando entram em campo têm do outro lado onze adversários. E pode-se argumentar que têm que ganhar porque os outros são mais fracos. Mas não é bem assim. Os outros também sabem jogar, com uma agravante, quando jogam contra a nossa equipa, contra o primeiro classificado, fazem o jogo das suas vidas. E os nossos têm que o fazer em todos os jogos. E convém não esquecer que são humanos, e não máquinas. Há alturas que o muito querer, pode não significar poder.

Quando entramos na recta final, a nossa equipa, que vale como grupo, irá lutar jogo a jogo com todo o empenho. Haverá coisas a corrigir, há sempre. Mas uma equipa que ainda não perdeu nesta prova, merece não só o nosso apoio, mas também o nosso respeito. Não vai haver nenhum jogo fácil. Temos de confiar nesta equipa, ainda em crescimento. Não pode ser uma equipa só para o imediato, mas para o futuro. Se falhasse e todo o projecto podia ficar em causa. Vi, neste blogue, críticas despropositadas, mas vi ainda pior nas redes sociais; muitas facas afiadas. Os sportinguistas têm de continuar alerta e unidos.

publicado às 04:19

O Sporting das "estrelinhas"

Naçao Valente, em 08.03.21

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O Sporting CP está no primeiro lugar da I Liga, com , pelo menos, nove pontos de avanço, sobre o segundo classificado, quando acabar esta jornada. Mas esta situação, impensável no início da época, deve-se ao facto do clube  ter o melhor plantel? Considero que não. Qualquer um dos nossos adversários mais directos, tem plantéis de grande qualidade. Então porque conseguiu o Sporting este avanço pontual?

Tenho assistido às mais variadas e até contraditórias explicações sobre esta questão, por parte de jornalistas especializados e de comentadores ex-jogadores ou ex-treinadores. E se há alguns que aceitam o indubitável mérito da equipa sem “mas”, há outros que admitindo cinicamente o mérito, vão esgrimindo argumentos, como desculpas, onde predomina a dita "estrelinha", o facto de fazer menos jogos ou o demérito dos adversários.

A verdade, na minha perspectiva, é que o predomínio do Sporting CP tem sido conseguido com muito mérito e competência, por uma equipa que funciona no campo e fora dele, com verdadeira união, com uma estratégia humilde, plasmada no jogo a jogo,e com uma táctica assumida e interpretada com rigor por todos os jogadores. Mérito da equipa técnica, sob o valoroso comando de Rúben Amorim, que conseguiu com o plantel disponível, tirar o maior rendimento de todos os atletas.

Para aqueles que procuram minimizar o que esta equipa tem feito, para serem honestos na análise, deviam colocar na discussão a evidência do muito dinheiro investido pelos dois rivais principais, e por outro lado, a construção da nossa equipa onde pontuam muitos jovens, alguns com idade de júnior. Deviam considerar a competência, a solidariedade entre sectores e jogadores, a raça, a entrega, e a eficácia, numa equipa sem “estrelas”, onde todos são iguais.

Ainda estamos longe do fim deste campeonato. É preciso ter a consciência que não está ganho, como alguns ousam assumir, ou por euforia, ou para desviar o foco do grupo. É necessário manter a mesma estratégia, e rever e alterar, pontualmente, aspectos técnico-tácticos, que surpreendam os  adversários. Acredito que a estrutura técnica estará atenta. Do exterior, críticas isoladas que vejo (poucas) de “supostos” adeptos, que consideram por exemplo o último jogo “uma vergonha”, espero que, como vozes de burro, não cheguem ao céu.

No último desafio - já extensivamente debatido - houve de facto alguma apatia, alguns jogadores algo acomodados, outros inadaptados às posições, e ainda um ou outro fora da melhor forma. Isso conjugado com a pressão alta do adversário, o que já tinha acontecido frente ao FC Porto, condicionou a equipa. Por outro lado, pareceu-me que esta, depois de marcar o primeiro golo, talvez inconscientemente, prioritizou defendê-lo. E o facto é que até à marcação do seu único tento, o adversário não tinha feito um remate à nossa baliza. Demonstra confiança, sem dúvida, mas não deixa de ser algo arriscado. Nesse aspecto tem haver outra atitude.

No debate sobre o interessante texto “Um olhar prognóstico sobre o que falta disputar", o Leão do Norte, escreveu, com toda a propriedade, que  “o facto (de o Sporting)  chegar a este ponto e estar nesta situação não foi obra do acaso”. As “estrelinhas” que são atribuídas a vitórias que pareciam impossíveis, como a sorte que protege os audazes, são fruto da crença, do trabalho e da vontade. Apesar disso, deve haver a pretensão, como tem sido dito, de disputar cada jogo como se fosse mais uma final, para ser vencida, mantendo a intensidade do primeiro ao último minuto. Acredito que o grupo quer manter a distância conseguida e tudo fará nesse sentido.

publicado às 03:04

Mais um passo

Naçao Valente, em 02.03.21

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Na minha maneira de ver o futebol, não existem jogos fáceis, embora saibamos que há uns mais fáceis que outros. Compete à nossa equipa, no caso o Sporting, reduzir as dificuldade não os complicando. É esse o caminho que é preciso fazer para chegar em primeiro lugar. Caminho longo, para o qual demos mais um passo seguro.

O último jogo que disputámos, considerado o jogo do título, nas análises dos especialistas e até nas discussões dos adeptos, foi apenas mais um, independentemente das dificuldades implícitas. De uma maneira deveras simplista podemos concluir que a equipa cumpriu os objectivos mínimos: não perder pontos, em relação ao adversário mais próximo, nesse jogo.

Passo a passo, como estratégia delineada, e bem, estamos já a uma distância considerável dos adversários directos. Como uma equipa construída quase a partir do zero, o Sporting está a surpreender, até mesmo os mais optimistas. Como não acontecia há muito tempo, a equipa, bem dirigida, joga com muita personalidade, com confiança, com empenho, com determinação, com humildade. Enquanto adepto, confio na sua competência, e acredito na sua eficácia.

Por outro lado, observo a reacção dos adeptos, e vejo, algum deslumbramento,(legítimo) presente em diversas manifestações, em que parece que se está a comemorar um título que ainda está longe de ser conquistado. A diferença pontual, significativa, para adversários mais próximos, não garante neste momento essa euforia. Três derrotas e cinco empates podem deitar tudo a perder, embora os concorrentes também possam perder pontos. Não nos devemos esquecer que estão quase quarenta pontos em jogo.

Bem hajam aqueles, que neste espaço, apelam à prudência: Rui Gomes, Leão Zargo, Leão do Norte, entre muitos outros. Mas não posso deixar de fazer um elogio muito especial ao Julius, como grande conhecedor do futebol, que de uma forma pedagógica, tem chamado a atenção para o excesso de optimismo, com uma paciência de catequista, salvo seja.

Estou convicto que esta equipa leonina, se continuar a manter a mesma competência, não perderá toda essa vantagem, e até poderá aumentá-la. Mas temos de ter a consciência que no futebol se pode passar de bestial a besta. Podem acontecer imprevistos, como castigos ou lesões, que impliquem alterações significativas no onze titular. E não podemos esquecer que há, pelo menos, dois ou três jogadores fundamentais que não têm substituto à sua altura.

Demos mais um passo. Outro virá a seguir. É nele que a equipa se vai concentrar. É nele que nós adeptos nos devemos concentrar, para não se dar um passo em falso. Como diz o poeta, o sonho comanda a vida, e devemos sonhar, mas com a consciência que o sonho não passa disso até se transformar em realidade. E que essa realidade, estando cada vez mais próxima, ainda depende, para se concretizar, de mais alguns passos.

publicado às 05:33

Bom gosto e bom senso

Naçao Valente, em 11.02.21

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O Sporting, contra ventos e marés, e contra as previsões mais optimistas, está em primeiro lugar no campeonato nacional, com algum avanço, e já tem no seu vasto currículo mais um troféu. É tempo de viver o momento com humildade e com a esperança que se prolongue. Mas este não é o tempo de manifestações de superioridade, de euforia e de arrogância. No futebol tudo muda muito rapidamente, e grandes euforias que se vão manifestando aqui e além, deixam-me preocupado, e leva-me a fazer esta reflexão.

Louvável e inteligente tem sido a estratégia comunicacional do nosso treinador, mantendo o seu objectivo exclusivo no jogo a jogo. Muito bem tem estado o presidente, mantendo-se basicamente em silêncio e não fazendo ruído. Tem falado pouco e deixado a mensagem aos protagonistas. Mas anteontem falou e borrou um pouco a pintura. Indo contra a corrente, considero que não esteve bem. Compreendo que pretendesse alertar, enquanto presidente, os adeptos, para não caírem em excessos de euforia, mas não resistiu a dar uma “bicada” nos adversários, com alguma, na minha interpretação, arrogância, mesmo disfarçada de ironia. E que fique claro que apoio e sempre apoiei o presidente, que foi a escolha livre dos associados.

Ainda me lembro do presidente anterior dizer, em 2015, que os adversários precisavam de jogar muito mais para ombrear connosco, quando íamos à frente da tabela. Todos sabem como acabou. Não gostei nada de ouvir o este presidente dizer que somos um “gigante”. De outra forma, está a cair na esparrela do anterior. Esta comunicação do líder, não me pareceu oportuna no timing, no local e no modo. O Sporting CP tinha acabado de ganhar um jogo difícil, com muito querer e muito empenho. Ganhou, mas poderia não ter ganho. Fiquei com a sensação que quis pôr-se nos bicos dos pés, de algum modo inebriado com os elogios justos que tem recebido. Humildade era comemorar a vitória. Ponto.

O lema do Sporting tem sido, até agora, e espero que continue: trabalho, vontade, entrega e humildade. A comunicação, exceptuando casos pontuais, como o caso Palhinha, deve ser para dentro e não para fora, para manter as hostes unidas. Começar a desviar o foco para os adversários  pode permitir que estes se galvanizem.

Eu percebo que Frederico Varandas queira acentuar, que estamos a ganhar com mérito, contra adversários poderosos “dentro e fora do campo”. Eu, um simples adepto, já o tenho dito e continuo a dizê-lo, mas só me represento a mim mesmo. O presidente representa milhões de adeptos. Todos sabemos que existe o “sistema” mas não é esta a hora, a forma, nem o modo de o combater. Tocar a  fera com vara curta pode dar mais resultado. Cada coisa no seu tempo e no seu lugar. A guerra contra o sistema é longa e não se faz com 'sound bites', faz-se  com perseverança, paciência e inteligência.

O Sporting não deve seguir esse caminho. Deve continuar unido e competente a vencer dentro do campo. Para mais, para ser diferente, não pode entrar pelo comportamento dos adversários , porque corre o risco de abrir a porta  para  se unirem, criticarem e ganharem motivação, e perder credibilidade. Até agora a comunicação, feita por quem sabe, está a ser eficaz. Não a estraguemos, com o jogo falado, o que se está a ganhar com o jogo jogado. Que alguém tenha o bom senso de dizer ao presidente, que não estrague o que de bom se está a fazer, com a sua colaboração. Bom gosto e bom senso, precisa-se.

publicado às 12:30

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