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A crise artificial

Naçao Valente, em 08.11.19

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A actual crise do Sporting é uma inventona. Afirmação polémica mas sustentável. A dita "crise", mau grado alguns erros de registo na gestão desportiva, não passa de uma ficção da comunicação social, com relevo para o jornalismo de tele-lixo, que estações televisivas propagam, sem vergonha e sem ética, e em função de audiências, que significam entrada de dinheiro. Dinheiro sujo, digo-o sem pejo. No entanto, estes órgãos de comunicação, não ateiam o fogo, limitam-se a expandi-lo, com ajuda de pirómanos que o alimentam.

As razões da crise

A propalada crise do Sporting tem a sua origem nos graves acontecimentos em muitos aspectos surreais, ligadas ao pré e ao pós ataque de Alcochete, já bastante conhecidos e escalpelizados. Desses acontecimentos resultou a demissão de órgãos sociais, o golpe de "estado" directivo, que colocou os náufragos da Direcção à margem da lei e da revolta da maioria dos associados, despertos de um sonho de fantasia, que, ao fim e ao cabo, não passava de um pesadelo.

Contudo, a consequência mais grave foi sofrida pelo Clube, que perdeu os melhores dos seus activos, o que significou perdas de milhões de euros, para além do desmantelamento da sua equipa principal de futebol. No rescaldo desta tragédia, uma Comissão de Gestão de curto prazo, conseguiu limitar alguns danos, e abrir a porta a da recuperação de valores para a futura Direcção.

A recuperação do valor parcial de alguns activos, através de negociações feitas em situação desvantajosa, foi a acção mais prioritária dos novos dirigentes para minimizar as perdas. Ao mesmo tempo, e de forma bem discreta, revolveram os graves problemas de tesouraria, pagando as dívidas mais urgentes ou vencidas, sem o qual o Sporting teria dificuldade em desenvolver as suas actividades. Lembro que o Clube chegou a ser ameaçado de penhora.

Durante o primeiro ano da Direcção eleita, estancou-se a situação financeira, e conseguiu-se que o futebol profissional ganhasse os dois títulos nacionais de registo, o que afastou, transitoriamente, os espectros que se recusaram a aceitar a  demissão do elenco directivo, por uma grande maioria de sócios.

No segundo ano, a nova Direcção deu continuade ao seu trabalho no sentido de assegurar estabilização económica, com a redução de custos, e a conclusão de uma reestruturação fundamental para o futuro. A resolução das principais lacunas apontadas condicionou a gestão do futebol, com desinvestimento, além de uma ou outra medida precipitada, o que se reflectiu nos maus resultados da equipa principal. Situação que não é inédita e faz parte da história do Sporting (1)e  de outros grandes Clubes.

É isto, resultados de futebol, sempre transitórios, razão suficiente para se decretar uma crise?... Não me parece correcto, nem sério. Então... se em função do descrito não existe crise real, qual a razão de esta ser artificialmente mantida na pantalha comunicacional? Claramente pelas razões apontadas no início desta reflexão. Mas outra questão se coloca. De onde se alimentam as estações de tele-lixo?

Não é dos resultados de per si. É dos espectros que recusam o lugar do esquecimento onde deviam estar, para persistirem em assombrar a vida do Sporting Clube de Portugal. "Meia dúzia" de energúmenos que insultam os dirigentes eleitos, fazem esperas nas garagens a atletas e boicotam assembleias, e ainda de alguns "abutres" sem escrúpulos.

É deste espectáculo por de mais degradante que se alimenta o tele-lixo, decretando a crise. O mais grave é que o faz com a "preciosa" ajuda dos seus tele-evangelistas, trasvestidos de sportinguistas, que fazem o mal e a caramunha. Horas e horas, dias e dias de discussões balofas. A situação financeira controlada mas não resolvida, passa ao lado. Prestam um mau serviço, ao Sporting, ao futebol, e ao desporto em geral. Merecem o meu desprezo. Deviam merecer o desprezo de todos os que vêem o espectáculo desportivo com seriedade.

(1) A título de exemplo, algumas das piores classificações do Sporting, entre os anos 1950 e 1990. acrescem poucos primeiros lugares, alguns segundos e muitos terceiros. 1958/59 -4º; 1964/65 - 5º; 1966/67 - 4º; 1968/69 - 5º; 1972/73 - 5º; 1975/76 - 5º; 1977/78 - 4º; 1987/88 -4º; 1988/89 - 4º; 1991/92 - 4º.

publicado às 04:03

Dos "pecados" de Varandas à Guerra Suja

Naçao Valente, em 22.10.19

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Antes de mais, quero deixar claro que não apoio a demissão da actual Direcção. Foi eleita legitimamente, mediante as normas vigentes, por uma das maiores Assembleias Eleitorais. Está a exercer o seu mandato dentro dos limites previstos nos Estatutos.

A contestação a que tem vindo a ser sistematicamente sujeita, em função dos resultados do futebol profissional, por grupos que perderam privilégios e por uma oposição que ainda não reconheceu a decisão maioritária dos sócios, na mais concorrida Assembleia que destituiu a Direcção, na sequência do ataque a Alcochete, ultrapassou todos os limites.

Estes grupos constituídos por desordeiros, ao não respeitarem os Órgãos Sociais eleitos, também não respeitam o Sporting. O reprovável ataque a Alcochete que custou milhões de euros ao Clube continua com outros contornos, agora com ataques à Direcção. Num jogo de futsal o presidente teve de ser escoltado perante a ameaça destes arruaceiros, ao sair do Pavilhão João Rocha. Mas que é isto? O presidente não pode assistir aos jogos do Clube a que preside? Quem manda afinal? A Direcção eleita ou grupos de perturbadores? Quem governa? A estupidez ou a inteligência?

A livre crítica não deve ser confundida de modo algum com sentido cívico. O pluralismo também não é sinónimo de anarquia. Mas estará esta Direcção (e o seu presidente) isenta de erros?... Apesar de ter encontrado uma situação financeira deveras caótica, que tem estado a resolver, a Direcção cometeu o que eu apelido de "pecados capitais" na gestão do futebol profissional, num misto de inexperiência e "governança" dirigida pelas bancadas.

O primeiro pecado

Durante a última campanha eleitoral, o então candidato Frederico Varandas assumiu que manteria em função o treinador contratado pela Comissão de Gestão, José Peseiro, uma vez que quando tomasse posse, a época futebolística já estaria em andamento. Prometeu e não cumpriu, por uma razão muito fundamental: a desmedida pressão das bancadas hostis ao referido técnico, desde a sua contratação. A qualidade do futebol praticado, mais do que os resultados, serviram de argumento para a sua dispensa, apesar de ter reconstruído, uma equipa destroçada. O que é mais conforme a norma no despedimento de técnicos são os maus resultados. Neste aspecto, não havia razões objectivas para o fazer. E aí cometeu, o presidente, o primeiro "pecado capital", que está na origem de todos os outros.

O segundo pecado

A contratação apressada de um novo treinador, o holandês Marcel Keizer, desconhecedor do futebol português e sem currículo que o habilitasse como a pessoa certa, no rescaldo de crise gerada pelo ataque a Alcochete, foi um tiro no escuro. Foi, sem dúvida, pior a emenda que o soneto, mesmo depois da continuação de resultados positivos, um pouco à boleia do trabalho que herdou, da equipa técnica anterior. Este foi o segundo "pecado".

A manutenção da equipa no terceiro lugar e a conquista de duas provas nacionais, embora meritoriamente, mas também com alguma dose de sorte, constituiu um balão de oxigénio para treinador e Direcção. Os grupos contestatários que já então existiam, tiveram-se que se remeter a algum silêncio e aguardar outras oportunidades. Mas a capacidade de Marcel Keizer, apesar dos ditos triunfos, não ficou, no aspecto geral, comprovada, e havia indícios que continuava a ser uma aposta de risco.

O terceiro pecado 

O começo atribulado da presente época, com uma espécie de navegação à vista, sem um plantel devidamente definido, não augurava um bom começo. Mesmo com a atenuante das dificuldades financeiras, a falta de uma planificação rigorosa, em função dos caprichos do mercado, hipotecou a possibilidade de um trabalho bem organizado.

A insistência em segurar Bruno Fernandes, recusando vender de acordo com o valor que o mercado estabeleceu, manteve uma constante inabilidade de constituir um plantel sólido. As vendas de recurso à última da hora, para prover receitas de tesouraria, e a negociação apressada de empréstimos de atletas de duvidoso valor, constituem o terceiro "pecado".

Embora compreenda a referida insistência, na minha perspectiva, teria sido mais realista vender Bruno Fernandes, que terá até ficado algo contrariado, e manter o restante plantel. O encaixe teria permitido adquirir mais dois ou três reforços de comprovada qualidade. Como disse Silas recentemente, o Sporting precisa de uma equipa e não de "heróis" Para além da qualidade individual dos atletas, não há sucesso desportivo se estes não actuarem como equipa. E essa é uma das razões dos maus resultados desportivos.

São estes os erros apontados como a razão para a actual contestação organizada e que se manifesta nas redes sociais e pela arruaça?... Atrevo-me a dizer que não. Os protestos são consequência de uma mera estratégia oposicionista, que sempre existiu, mas que esteve algo adormecida, e  que desejava estes maus resultados, para puderem concretizar a queda da Direcção.

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A guerra suja

A guerra da claques, reafirmo, à boleia dos resultados, não é inocente.Tem na sua génese a orfandade de um líder, que a transformou numa força de choque ao seu serviço, agravada com a perda de poder e rendimentos neste mandato directivo, e criou o caldo de cultura para o que está a acontecer.

Ao mesmo tempo, alguns dos derrotados nas eleições, com pressa de dominar o Sporting, aproveitaram o clima de guerrilha, aceitando-o tacticamente, para se apresentarem como salvadores. Nunca se verificou da parte desta oposição de gabinete, com pontas de lança na comunicação social, uma condenação clara e não hipócrita dos distúrbios violentos. Por sua vez, os 'brunistas' continuam a acreditar que podem voltar ao poder, e desejam o caos para dele emergirem como  almas inocentes e puras. 

A decisão frontal e corajosa da Direcção em cortar relações com duas claques, não é para já uma vitória. Estes grupos desordeiros, de forma subterrânea ou visível, vão continuar a sua guerra suja. Apenas a inversão de resultados num sentido positivo, pode travar a curto prazo a cruzada de interesses que não são os do Clube. 

Esta Direcção está a cumprir o seu mandato, legitimamente. Deve reflectir e aprender com os erros. Deve corrigir o que não está correcto, definir estratégias precisas, e continuar o seu trabalho em prol do Clube. Deve ouvir as críticas com ponderação, mas sem ceder a pressões inadmissíveis. Deve dialogar com quem quer o diálogo, ouvir opiniões, informar com objectividade, e decidir consensualmente. Deve enfrentar, com coragem a guerrilha dos grupos arruaceiros, que põem os seus interesses pessoais, acima dos do Clube. 

O Sporting para ganhar esta guerra suja precisa de contar com o "adepto comum" sempre disposto a contribuir para o engrandecimento do Clube. A luta pacífica contra a violência interna, pode servir de exemplo, para a luta mais vasta pela pacificação do desporto.

Quem com telhados de vidro sacudir a água do capote e não fizer a sua parte, não se pode queixar, quando esta mesma violência lhe bater à porta. Banir do futebol quem não o serve e dele se serve, é um imperativo cívico e geral.

publicado às 04:03

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Ponto prévio: não fui apoiante de Varandas, mas tendo sido o escolhido em acto eleitoral, tem o meu apoio, enquanto gerir o Clube no âmbito dos limites impostos pelos Estatutos. Apoio este presidente, como apoiaria qualquer outro que tivesse sido eleito, porque acima de tudo sou sportinguista.

A situação presente

A nova Direcção assumiu funções há pouco mais de um ano. Encontrou o Clube numa situação extremamente difícil, insolvente e quase à beira da falência. Teve, em condições muito adversas, que lançar um empréstimo obrigacionista que já tinha vencido. Teve que hipotecar fundos do contrato com a NOS para pagar dívidas urgentes, para que o Sporting pudesse continuar a sua actividade. Está agora em andamento uma reestruturação que visa mantê-lo acima da linha de água. Veremos se serão necessárias outras operações de injecção de capital.

Em conclusão, parece-me que ninguém no seu perfeito juízo e com boa fé, possa vir a considerar que esta Direcção, no aspecto descrito, não esteja a fazer um bom trabalho. Mesmo na área desportiva o balanço no primeiro ano da Direcção, pode considerar-se positivo. Conquistaram-se dois títulos no futebol profissional, e ainda títulos nacionais e europeus nas modalidades ditas amadoras, que continuam a mostrar a sua pujança. E mau grado alguns maus resultados no início desta época, no futebol, ninguém pode afirmar com seriedade que algum objectivo está já perdido. Qual então a razão ou as razões da contestação instalada desde o início deste mandato directivo?

Responsáveis pela crise

A responsabilidade da crise, algo artificial, deve-se a todos os sportinguistas. Aos que que a geram e alimentam e aos que se deixam enredar nos seus meandros. Para clarificar a ideia passo a especificar:

A Direcção

A Direcção sujeita a uma permanente pressão desde a sua tomada de posse, sem o normal estado de graça,  actuando em função das circunstâncias encontradas, cometeu alguns erros, e por isso pôs-se a jeito. E se tem estado a arrumar a casa na área financeira, cometeu alguns pecados ,principalmente na gestão desportiva do futebol profissional. Sem ser capaz de mostrar firmeza, e de ir a reboque do som da bancada, tomou algumas decisões precipitadas, que culminaram na ausência de preparação desta época. Para quem, imitando os abutres com fome, lhe interessa acima de tudo que haja alimento, os erros apontados caíram "como sopa no mel".

As claques

As claques têm, em crescendo, vindo a receber múltiplos apoios financeiros, funcionando como grupos pagos e instrumentalizados por quem lhe dá os benefícios. Quando me refiro a claques, saliento a Juventude Leonina que viu durante o mandato da Direcção cessante aumentar os seus rendimentos e a sua influência, tornando-se num poder violento ao serviço de quem lhe deu os privilégios, e um contra-poder em relação a quem lhos tirou.

Varandas, apesar de outras tibiezas, teve a coragem de retirar benefícios financeiros à Juve Leo, e abriu a partir daí uma guerra com um grupo, que à margem dos Estatutos, tinha uma certa importância na gestão do Clube. Enquanto existir com a mesma orgânica, esta claque,composta por gente sem princípios e sem valores será um constante factor de instabilidade.

Os brunistas

Se Bruno de Carvalho saiu de cena por plena vontade da maioria dos associados, os seus seguidores apaniguados, que o vêem como um líder insubstituível, continuam activos, mais como uma seita religiosa, do que como adeptos sportinguistas. Acreditam na sua ressurreição tal e qual como o restaurador do paraíso perdido. Não é fácil tipificá-los mas distribuem-se por várias faixas etárias, com relevo para os que militam como guerreiros na Juve Leo. Vão desestabilizar até ao absurdo.

Os perdedores

A luta pelo domínio do poder no Sporting não terminou com o acto eleitoral. Logo no dia seguinte, levantaram-se várias vozes de despeito para com a Direcção eleita. É um grupo heterogéneo, com pessoas e interesses diversos, que não têm pudor em contribuir para que as coisas corram mesmo mal. José Maria Ricciardi, e os seus apoiantes, mostraram essa determinação aquando do lançamento do empréstimo obrigacionista, não abrindo portas, antes procurando fechá-las. No meio deste ninho de vespas salva-se João Benedito, que tem continuado, inteligentemente, ausente e discreto.

A comunicação social

A comunicação especialmente a televisiva, com relevo para o CMTV, utilizam o Sporting como o bombo da festa. Na CMTV, onde impera o tele-lixo, porque é o que dá maiores audiências, o Sporting ganha a primazia como tema recorrente, onde comentadores ditos sportinguistas ajudam à festa.

Nas estações de televisão em geral, a crise do Sporting é potenciada muito para além da realidade. O que se vive nesses programas supostamente desportivos, é uma realidade paralela. Salientam-se meia dúzia de tarjas, meia dúzia de "adeptos" a protestar, como em Vila das Aves, arruaceiros aos berros, os beijos do Presidente. Apesar de ser um 'fait divers' gostaria de perguntar se não há ninguém na estrutura do Sporting, que aconselhe o presidente sobre o que deve ou não dizer ou fazer em público. É que estes 'sound bites', alimentam os abutres internos e os da comunicação. 

Os adeptos 

Creio que os adeptos, tirando o desastre comunicacional e alguns erros desportivos, estão com a Direcção. Haverá um ou outro, descontente com os resultados, que se junta à oposição golpista, mas sem muito relevo. E que a oposição golpista não tome a nuvem por Juno e não embandeire em arco, insistindo, neste momento na demissão da Direcção. Quanto mais barulho fizer de forma insultuosa, mais se descredibiliza. Por este caminho não levará a água ao seu moinho. Nesta estratégia, o que falta em inteligência, sobra em estupidez.

O presente e o futuro

Esta Direcção, eleita por quatro anos, precisa de tempo. Arrumada a casa, o que está a acontecer, é preciso começar a preparar o futuro. Os sócios querem que o Clube continue a ter a maioria da SAD. Mas para que isso aconteça todos temos de remar para o mesmo lado, temos que semear para colher. Precisamente o contrário do que tem sido feito há muitos anos. Se isso não acontecer, o recurso a um investidor será uma inevitabilidade. Uma "ameaça" que paira sobre a cabeça dos grandes clubes portugueses. Mas esse é assunto para outra discussão.

publicado às 03:34

"Claques e afins" out!

Naçao Valente, em 12.10.19

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A colocação de "claques" entre aspas não é por acaso. Considero ser necessário distinguir entre claques e claques e estabelecer diferenças dentro das próprias claques.

Deste modo, neste meu texto, centro a análise no comportamento das claques e afins na Assembleia Geral Ordinária realizada no dia 10 de Outubro. E se no estádio, no contexto dos jogos, ainda se compreende determinadas atitudes menos respeitosas, que não deixam de ser condenáveis, no âmbito de uma Assembleia Geral com uma agenda determinada, as atitudes destes grupos organizados não podem ser admissíveis.

A verdade nua e crua é que estes grupos, provenientes sobretudo da Juve Leo, coligados com 'brunistas' e um ou outro adepto que vai na onda, não vão para a AG para discutir o que está na Ordem de Trabalhos, mas propositadamente para insultar o presidente e os Órgãos Sociais. O que os move singularmente é uma campanha organizada com o intuito de derrubar a actual Direcção, na esperança de conseguir fazer regressar o status quo anterior, assuma ele a forma que assumir.

A estes grupos de contestação selvagem pouco interessa o Sporting Clube de Portugal. A estes grupos interessa uma política de terra queimada, para que o passado recente renasça das cinzas. O que não é admissível, seja qual for a circunstância, é que estejam numa AG a boicotá-la, desrespeitando não apenas a Direcção, mas os restantes associados e o próprio Clube. O que não é admissível é que os deixem actuar dessa forma durante horas seguidas, não deixando que se discuta livre e criticamente, os assuntos do Sporting.

Por isso, aqui uso a mesma expressão que eles utilizam contra a Direcção. Claques e afins 'out'. Não peço a sua imediata extinção, porque isso levanta várias questões legais. Estou a sugerir à Mesa da Assembleia Geral que exerça a sua legítima autoridade e que ponha na ordem, no limite com expulsão imediata da sala, todos os arruaceiros que não respeitem as regras de urbanidade, necessárias para que estas reuniões de associados possa realizar-se.

Em último caso, se isso de facto não for possível, por a MAG não querer tomar posições consideradas drásticas, tem ao seu dispor a faculdade de cancelar a Assembleia Geral, por natural falta de condições minimamente aceitáveis para que aconteça. Ao condescender com a indisciplina organizada à vista, está a ser cúmplice de um crime de transformação da reunião numa 'bagunça'. Esta forma pusilânime de dirigir uma reunião descredibiliza não só quem a dirige, mas o próprio Clube. A crítica é legitima, a discussão necessária, mas a anarquia tem que ser proibida.

Por outro lado, é possível identificar os grupos de energúmenos, a quem a educação das nossas escolas não conseguiu transmitir quaisquer valores e princípios condizentes com uma cidadania responsável. Essa identificação permitirá levantar processos disciplinares no âmbito dos Estatutos por obstrução à realização de uma AG. Seja qual for a solução, uma coisa é certa: estes comportamentos não podem ser permitidos num Clube centenário e apoiado maioritariamente por gente séria, honesta e civilizada. Firmeza contra a arruaça exige-se.

P.S.: Lamentáveis as declarações de Sousa Cintra - cuja presidência não foi nada brilhante - que procuraram incendiar ainda mais os ânimos. Lamentáveis opiniões de comentadores sportinguistas nas estações de televisão a deitar gasolina na fogueira. Ainda durante a AG assisti a análises de um deles na CMTV, dando cobertura a campanhas de desestabilização que esta estação promove, usando a situação do Sporting, para captar audiências.

publicado às 03:03

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Apesar de já ter abordado este tema no post "A alma do Sporting" onde contestava que essa alma residisse nas claques, a abertura de uma nova discussão leva-me a acrescentar o seguinte:

Vi neste debate muitos leitores pedir a extinção dos grupos organizados. Do ponto de vista legal não sei se isso será fácil, uma vez que estes existem como fazendo parte da estrutura orgânica  do Clube.

O facto é que têm vindo, desde há  alguns anos a ganhar poder, arrogando-se o direito de intervir, de forma paralela, na gestão do Sporting. Durante a anterior Direcção esse poder foi amplificado, como forma de se criar um grupo que funcionasse como um extensão do poder legal, visando sobretudo aproveitá-lo como uma força de mão do presidente, que atingiu a sua plenitude no processo que terminaria com o caso "Alcochete".

As regalias que esta Direcção lhes retirou, serviram de motivação para voltarem a assumir-se como um grupo de bloqueio ao serviço da Direcção destituída, o que nunca deixaram de ser de uma forma velada.

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Os resultados da época anterior que ficaram acima das expectativas, calaram estes grupos que mantiveram alguma descrição forçada. A forma como começou esta época, deu-lhes oportunidade de aparecerem como pontas de lança da oposição brunista, que continua a acreditar que pode regressar a breve prazo ao Sporting.

Neste momento, o seu objectivo é derrubar a Direcção em funções, e provocar eleições onde aparecerá um novo salvador. O advogado golpista Trindade Barros já anda a dizer, com todas as letras, que esse salvador será o destituído.

Por isso, tudo indica, por parte das claques, sobretudo da Juve Leo, a contestação será contínua, mesmo que a prestação da equipa seja melhor. Deste modo, a questão neste momento não é nada fácil de resolver. Penso que caberá aos adeptos que são a maioria, "silenciá-los", dentro e também fora de campo. A liberdade de expressão não pode significar libertinagem, que parece já estar a prejudicar o Clube com sanções.

O Sporting não pode estar refém de arruaceiros.

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publicado às 03:32

A alma do Sporting

Naçao Valente, em 02.10.19

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"As claques são a alma do Sporting"

Fernando Mendes (ex-jogador e comentador)

As claques entraram no Sporting com a constituição da Juve Leo, fundada pelos filhos do Presidente João Rocha, nos anos de 1976. Mais tarde foram surgindo outras claques como a Torcida Verde, os Directivo  Ultra XXI e a Brigada Ultras Sporting. 

Alma deriva do termo latim 'anima', com significado literal do que anima. A um nível mais abrangente também significa o espírito das coisas. Por isso, quando se fala da alma do Sporting estamos a falar do que está para lá do que é mensurável, do que está entranhado na sua história secular, que não está apenas nos aspectos materiais, mas num conjunto de simbologias pautadas muitas vezes por aspectos com contornos quase religiosos.

Atribuir às claques, que entraram na vida do Clube setenta anos depois da sua fundação é de uma grande ligeireza e nem ao diabo deve lembrar. A alma do Sporting, a sua mística, é paralela ao seu nascimento e é-lhe dada pela matriz fundadora, aprofundada pelos adeptos (fiéis  clubísticos) que o vivem como uma componente importante das suas vidas. E esta adoração atingiu o seu zénite nos anos de 1930, 1940 e 1950, com os rituais abrilhantados pelo som dos violinos. 

Muito mal servido estaria o Sporting CP quanto à questão da alma, se esta residisse nas claques. Estas, não são mais do que pequenos grupos organizados, uma minoria que não representa os milhões de adeptos atribuídos ao Clube, estes sim a sua verdadeira alma. São eles, com a sua fidelidade muitas vezes até silenciosa, que mantiveram e mantêm o Sporting vivo, independentemente de melhores ou piores resultados desportivos.

Mas convém fazermos uma distinção entre estes grupos designados como claques. Alguns desempenham a sua missão de apoio com determinação e alegria, e por aí se ficam. Outros, dos quais salienta-se a actual Juve Leo, que se afastou dos princípios dos seus fundadores, e se transformou num grupo composto por indivíduos sem formação cívica, e sem quaisquer valores éticos. Não fazem parte seguramente da alma do Sporting.

A Juve Leo, com os privilégios que foram recebendo de vários dirigentes, constituíram-se como uma força poderosa, apesar de minoritária. A sua capacidade de influenciar o poder, governando de fora para dentro, teve um percurso cada vez mais decisivo. Fizeram cair treinadores e presidentes ao longo dos anos, com a sua influência a ser ainda muito mais reforçada pela Direcção cessante, que a arregimentou, pondo-a ao seu serviço, como uma tropa de choque. Tendo-lhe sido retirado privilégios pela Direcção actual, não espanta a sua oposição cada vez mais agressiva, à nova Direcção.

A questão do papel das claques tem que merecer reflexão. Não podem ter mais privilégios que os restantes associados. Se querem estar nos jogos juntos como apoiantes das equipas, com os seus rituais que estejam. Não podem é continuar a ser  uma força de bloqueio a Direcções legitimamente eleitas pelos sócios. Estas recebem mandato para exercer o poder legitimamente, e devem exercê-lo sem pressão da rua. O poder paralelo não está previsto nos Estatutos, e isso tem que ficar claro, custe o que custar.

Ao contrário do que diz o comentador Fernando Mendes, a alma do Sporting são todos os sportinguistas, os que estão no estádio e os que vivem o Clube por todo o Mundo. Quando a alma do Sporting residir nas claques, é sinal que o Sporting deu a alma ao criador. Apenas restam almas penadas.

publicado às 02:18

O poço e o pêndulo

Naçao Valente, em 29.09.19

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"O poço e o pêndulo" é o titulo de um conto de Edgar Allan Poe, que deu origem a um filme de terror, passado no contexto da Inquisição, e que foi  interpretado por Vicente Price, um mestre nesta área da interpretação. O filme em questão, um clássico dos tempos em que o género terror tinha uma matriz muito marcada na cinematografia, conta a história de um louco, filho de um torcionário da Inquisição. No climax final, este coloca a sua vítima preso numa mesa colocada num fosso, fazendo descer lentamente um pêndulo com uma lâmina (ou serra) que a mataria.

Lembrei-me do título e do filme a propósito da situação que se vive no Sporting. Já não estamos no tempo institucional do Tribunal da Inquisição, mas não deixamos de viver tempos inquisitoriais. Usando o filme enquanto simbologia, o Sporting e a sua Direcção eleita há um ano, sempre teve sobre a cabeça, um cutelo bem afiado e que vai descendo a cada desaire da equipa de futebol, que é a face mais visível e mais apropriada para se fazer contestação. 

O Sporting e a sua Direcção eleita há um ano, está dentro de um fosso que não contruiu e no qual entrou para tirar de lá o Clube. E com muito esforço tem escalado o fosso, mas quando olha para cima não vê apoio, mas o pêndulo afiado a descer, movido por "loucos" assombrados por fantasmas.

Os que contestam a Direcção eleita, praticamente desde o dia da sua eleição, são na sua maioria despeitados pela demissão de uma pessoa, que continuam a adorar como um salvador (e de quem gostam mais do que do Sporting) , mesmo perante as evidência das suas malfeitorias. Os que no estádio, grupos organizados, vulgo claques, que insultam o presidente eleito do Clube, apenas são movidos pelos seus interesses, as mordomias que perderam. 

Podemos e devemos acompanhar a acção da Direcção no seu exercício. É lícito usar o direito de crítica com intuitos construtivos. Do que observo concluo, que o Presidente cometeu alguns erros, sobretudo na área do futebol profissional, onde me parece existir uma estrutura frágil e pouco experiente. A falta de uma comunicação clara, objectiva e frontal sobre a vida do Clube, não tem contribuido para um conhecimento da realidade presente e futura.

Esta situação criticável, nada tem a ver com a campanha organizada de oposição de terra queimada, por um grupo que mais do que o Sporting, lhe interessa que o caos se instale para disso tirar dividendos, e numa situção limite, ressuscitar um passado que destruiu a identidade secular do Clube. Mesmo considerando que a época foi mal preparada, e que é preciso fazer mudanças, o Sporting precisa de tranquilidade e de estabilidade.

Uma coisa é certa. Enquanto o Sporting não sair do fosso e não deixar de ter o pêndulo sobre si, não vai ganhar nenhum campeonato, nem agora nem daqui a mais dezassete anos. E os que pensam que estamos em situação de andar a brincar aos presidentes, estão totalmente errados. Esta contestação concertada e revanchista e vou dizê-lo com todas as letras, não passa de uma criancisse de gente sem dois dedos de testa.

Espero que haja adeptos (e tudo me leva a crer que há) com tutano e bom senso, que percebam e contrariem esta campanha orquestrada para fazer regressar o passado que foi largamente rejeitado, para bem do Sporting. Espero que como na história de "O poço e o pêndulo", as pessoas sérias, honestas e lúcidas, parem o pêndulo e acabem com a loucura que pretende destruir o Sporting.

PS: Depois de escrever este texto tenho assistido a cenas lamentáveis no estádio e fora dele, que não podem fazer parte da matriz do Clube. Eventuais erros de má preparação da época, não podem servir de arma de aremesso. O que se tem visto no estádio com grupos de arruaceiros organizados, não para ver futebol, mas para insultar órgão sociais e atletas não se pode admitir. Quem exerce de direito o poder tem que agir. A nossa equipa precisa, mais do que nunca, de apoio para levantar o seu ânimo.

publicado às 03:05

Pobre Sporting...

Naçao Valente, em 02.09.19

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Costumo apreciar o futebol pelo jogo jogado, e não pela perspectiva dos homem do apito, e agora também dos audiovisuais. Mas face ao que aconteceu no último jogo acho que tenho de me indignar. A análise desse jogo já foi feita, por especialistas e simples curiosos. Em conclusão, todos concordamos que o Sporting jogou mal. Defende pessimamente, o meio campo tem pouca dinâmica, as tácticas parece que não ajudam.

Mas sem erros grosseiros de arbitragem teríamos ganho este jogo, entre penálti duvidoso e penálti que ficou por marcar a nosso favor. É sempre desagradável perder, mas sempre perdemos jogos considerados fáceis e continuaremos a perder. Faz parte da essência do futebol, e acontece com todos os clubes. Um resultado menos positivo não é razão para se pôr tudo em causa. Até admito que se possa contestar o treinador, e que se continuar a mostrar uma estranha apatia, uma incapacidade  para decidir bem, em tempo oportuno, tenha de ser substituído.

O que não consigo mesmo compreender é como a partir de um jogo se põe em causa uma Direcção, que ainda nem sequer fez um ano de mandato. E o trabalho da mesma tem de ser avaliado globalmente, e não a partir de um ou outro acto, mesmo que seja discutível. Esta constante autofagia será um caso de estudo num clube que se vai destruindo por dentro. Depois estranham estar tanto tempo sem ser campeão.

Entalado entre a guerrilha interna e aquilo a que Dias da Cunha chamou de "sistema", o Sporting continuará a distanciar-se dos seus rivais mais directos. Entalado entre os que acreditam em 'messias' e arbitragens tendenciosas, será difícil recuperar o seu lugar na luta pelos títulos mais importantes.

Quem perde com isso?... O Sporting em primeiro lugar, mas todo o futebol português em geral. E se há quem possa pensar que mexendo os cordelinhos a seu favor se torna cada vez maior, está enganado. Pode ganhar a curto prazo, mas perderá a longo e a médio.

Sem um Sporting CP forte, sem uma rivalidade dura mas leal, o futebol nacional perderá prestigio. Foi a grande rivalidade entre os dois grandes clubes de Lisboa, que catapultou o futebol como um desporto de massas, acompanhado à distância em todos os recantos de Portugal. E foi essa rivalidade competitiva que os levou a ultrapassar fronteiras. 

Como tenho escrito, as principais causas da situação do Sporting, são mais internas que externas. A marginalidade para onde o "sistema" nos empurra não nos permite estarmos em pé de igualdade com os grandes rivais, mas com a falta de unidade na acção, como um exército indisciplinado, não se ganham batalhas. Têm que se respeitar as hierarquias, apoiar o comando, embora sem deixar de acrescentar opiniões construtivas.

O brunismo descarado ou envergonhado, (ligado, recentemente, ao ricchiardismo e outros ismos), que arrastou o Sporting ainda mais para o fundo, e que, tardiamente, foi travado, persiste em continuar a desestabilizar a vida do Clube, aproveitando qualquer desaire, que, curiosamente, no seu tempo era mascarado, por uma eficiente máquina de propaganda.

Com tudo isto, não consigo deixar de ser sportinguista. Mas sinto-me envergonhado com o comportamento dos que se dizem sportinguistas, mas que, talvez inconscientemente, não o são. Continuam fiéis e saudosos de um tempo que não foi de progresso, mas antes de retrocesso. Desejam o quanto pior melhor para regressar a esse passado. Pobre Sporting...

publicado às 04:49

O bota-abaixismo: inteligência ou estupidez?

Naçao Valente, em 22.08.19

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"Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta".

Einstein (cientista)

"Nunca o ser humano foi tão estúpido como agora"

Perez-Reverte (escritor)

Duas frases que se complementam. Uma pronunciada há algum tempo por um cientista, e outra dita por um escritor, muito recentemente. Não passa de uma actualização adequada aos tempos que correm.A estupidez é a qualidade ou condição de ser estúpido, ou a falta de inteligência, ao contrário de ser meramente ignorante ou inculto.Contrariamente, indivíduos inteligentes também podem ter um comportamento estúpido, quando o seu pensamento racional é subsistituido por opiniões fortes ou crenças rígidas.

Estabelecida a definição genérica, outras variantes se podem encontrar nas atitudes e nos comportamentos humanos. Actos definidos como estupidez acontecem todos os dias cada vez com maior frequência. A título de exemplo pode referir-se o aumento da violência doméstica, expressa em crimes passionais. São fruto da emotividade, em contraste com a racionalidade/razoabilidade.

Se há mundo onde a emoção supera largamente a razão é o do futebol. O cidadão na qualidade de adepto transfigura-se, e pensa e age condicionado pela paixão clubística. Este comportamento não é específico de qualquer cor, mas abrange o adepto em geral, salvaguardadas as devidas excepções.

Mas esta reflexão tem como motivo imediato a discussão que se trava no mundo leonino, em blogues e redes sociais sobre a vida do Sporting, que tenho seguido no início desta época desportiva. E vou tentar deixar de fora as opiniões da viuvez brunista, por demais condicionadas por uma cegueira idólatra, uma das formas mais evidentes de estupidez, assentes na ressuscitação de um passado,  como única forma de redenção.

Em geral,o adepto, talvez inconscientemente, apresenta-se como um catedrático da arte da bola, que não é. Sabe tudo, tem solução sempre preparada para todos os problemas, sejam financeiros, sejam da área desportiva. Não conhece como funciona uma estrutura desportiva, nem tem conhecimento, da razão específica de cada decisão. Mas o catedrático fala porque só tem que falar, porque não tem que decidir em concreto.

Pronuncia-se sobre as tácticas, as estratégias, os plantéis, as substituições, como dono da verdade absoluta. Não considera, porque desconhece, a personalidade de cada atleta, o seu estado anímico e físico, em cada um dos momentos da sua actuação. Não avalia a qualidade ou falta dela dos activos. Não considera a razão, porque desconhece, da constituição  da equipa de uma forma, e não de outra, da utilização ou não do jogador A ou B. Mas dá palpites sem conhecimento concreto do motivo da decisão. 

Considera o treinador uma besta desde que tenha um ou outro mau resultado. E porque o catedrático da bola  julga saber tudo, a partir de uma avaliação subjectiva, pautada pela emoção, propõe soluções que não tem que tomar, que passam sempre pela substituição de equipas técnicas, ao mais pequeno desaire.

O catedrático da bola sofre de dois vícios extremados: a euforia e a depressão. Apoia a equipa enquanto esta ganha, reprova quando perde. Expressa-se então, não pelo incentivo, mas pela contestação  expressa, em campo, pelo assobio. Será isto um acto inteligente? Será batendo em alguém caído que ele se levanta?  Será um acto inteligente, assobiar um atleta que deu o que tem e o que pode dar,  porque cometeu erros na sua acção? Será que estes adeptos não os cometem, enquanto cidadãos e profissionais no seu dia a dia?

O adepto, enquanto tal, confunde crítica ponderada e objectiva com bota-abaixismo. Todo o debate é lícito e necessário desde que procure ser positivo e assente em factos e não em conjecturas. A discussão séria, baseada em dados concretos, e em honestidade intelectual,  é precisa e pode ajudar.

Para ser mais concreto, e para me cingir, em conclusão, ao que se passa no Sporting, entristece-me o bota-abaixismo à equipa e aos seus técnicos, ao fim de dois jogos oficiais; entristece-me o aproveitamento de um desaire para pôr tudo em causa, incluindo a direcção eleita, isolando as críticas do contexto dos acontecimentos, que muitas vezes desconhecem.

Vê-se em certos comentários, ausentes em situações de êxito, que há um aproveitamento revanchista propositado. Estamos perante actos que não favorecem a estabilidade imprescindível à recuperação do clube. Entre o bota-abaixismo inconsciente e o bota-abaixismo deliberado, venha o diabo e escolha. Nenhum deles favorece o clube. O Sporting por este caminho não precisa de inimigos externos.

publicado às 03:49

Fair play no futebol ?

Naçao Valente, em 16.07.19

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"O coronel Silva Leão, num Volkswagen oficial, passou a porta de armas da sede da unidade às onze da manhã como todos os dias, depois de ter estado em Alvalade, para despachar expediente no Clube que presidia. Tão absorto no desaparecimento de um jogador moçambicano de nome Eusébio, que tinha contratado há uma semana, que não se apercebeu da triste e amarrotada figura que o esperava à porta do gabinete. Foi o seu ordenança que o informou que tinha à espera um paisano, que teimava em falar-lhe com urgência.

Quando entrou no gabinete do comandante, Judas Tadeu, estava tão perturbado que nem reparou no homem fardado, de óculos graduados, sentado atrás de uma secretária ornamentada com galhardetes militares. Na parede as armas da unidade estavam encimadas pelos dizeres: Artilharia 14, DISCIPLINA HONRA GLÓRIA e mais abaixo, outra frase: “ESFORÇO DEDICAÇÃO E GLÓRIA EIS O SPORTING”. Uma voz fortemente metálica acordou-o da sua letargia:

-Senhor comandante, venho fazer queixa do sargento Sancho. Manchou a minha honra, usou a minha mulher e destruiu a minha vida...

-Ó Sancho, o que é que você andou a fazer com a fêmea dum tal Judas?

Bem, meu coronel, eu de facto envolvi-me com a senhora de um amigo, mas sabe como é... um homem não é de pau...

-Pois, mas a mim é que me caiu o menino nos braços. Já não me bastava o rapto do craque moçambicano, possivelmente por aqueles filhos da (som de corneta) do outro lado da segunda circular, e vem agora você a meter-me em mais uma enrascada. "

Excertos de Flagrante Fatal (Os Bons Velhacos-estórias de caserna)

Este excerto vem a lume a propósito da selva que é o aliciamento de jogadores jovens, já desde os tempos em que estávamos longe  do "mercantilismo" desregrado. O conto que mistura dois factos, o envolvimento extra conjugal de um sargento e a contratação de Eusébio pelo SL Benfica, são a base real. Tudo o resto é mera ficção. Embora na época o comandante do Regimento de Artilharia de Costa, fosse um conhecido sportinguista, onde cumpriam serviço jogadores do Sporting, em condições especiais, (exemplo: um promissor médio de nome Dani) o presidente real era Brás Medeiros.

O caso Eusébio exemplifica claramente o que hoje em dia, exponenciado pela ganância, é o mundo de contratações no futebol. Em linhas gerais, o jogador evidenciou-se no Sporting de Lourenço Marques, uma filial do Sporting, que negociava a sua vinda para Portugal. Segundo a versão de Hilário da Conceição, algumas discrepâncias nas verbas a pagar ao atleta arrastaram o assunto. O Benfica, numa acção surpresa, foi a Moçambique, avançou dinheiro e trouxe-o para Lisboa, em 16 de Dezembro de 1960.

Hilário ainda o convenceu, entretanto, a vir para o Sporting a troco de mais dinheiro, mas mais uma vez, o Benfica, avisado,"escondeu" o Eusébio algures no Algarve. O caso meteu a Federação Portuguesa de Futebol que não avalizou a transferência, e o caso arrastou-se por vários meses, até haver um acordo entre os dois clubes a 10 de Maio de 1961, tendo-se  estreado a 23 de Maio e marcado três golos.

A negociação feita com o jogador e a família, à margem do clube onde jogava, é o exemplo de que a falta de regras, de fair play, no mundo do futebol, não são novidade. A integração de Eusébio, um fora de série,  no plantel do Benfica fez toda a diferença. Apesar do bom plantel que possuía não teria sido a mesma equipa sem este jogador. Como se tivesse feito parte do plantel leonino a história do Sporting não teria sido a mesma. 

Nestes tempos, a multiplicação destes casos é a regra. Ao contrário dos anos sessenta, onde ainda pesavam as óbvias vantagens desportivas, hoje pesa principalmente o cifrão. E se mesmo após a assinatura de contratos de formação existem jogadas de bastidores, na fase anterior, a selva é total. Vence quem tiver mais dinheiro para "untar" as mãos dos pequenos atletas, que prometem ser estrelas, e dos seus progenitores que sonham formas rápida de enriquecimento.

E porque a natureza humana é , com as devidas excepções, cega pelo brilho do "ouro", não se pode esperar dos principais protagonistas outro comportamento. Esta forma de aliciar jovens, a bem dizer crianças, com menos de dezasseis anos de idade, com dinheiro, pelo seu desempenho futebolístico, indicia crime de utilização de trabalho infantil. A formação nessa faixa etária, não pode ser paga através de contratos onde as altas verbas circulam clandestinamente.

Este é um assunto grave e importante que deveria merecer atenção de quem tem poder nas estruturas desportivas, e a nível governamental. Por este caminho, o mundo do futebol, mais do que ausência de fair play, é cada vez mais, um mundo paralelo, bem real, onde predomina o poder de uma máfia do século XXI.

publicado às 03:03

Acabou a erva daninha?

Naçao Valente, em 08.07.19

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Admite-se que Godinho Lopes pode ter sido um mau presidente. Pode ter gerido mal, financeira e desportivamente, o nosso Clube. Não foi o primeiro nem o único responsável. Quando chegou este já estava como se sabe. Mas de uma coisa não o podem acusar: de ter cometido ilícitos relacionados com o cumprimento dos Estatutos. Antes pelo contrário, quando estava para ser marcada uma Assembleia destitutiva, decidiu demitir-se, para dar voz aos sócios na escolha de outra direcção, sem perda de tempo.

Godinho Lopes não foi expulso de sócio, pela sua incompetência governativa. Aliás, com base nesse critério, muitos presidentes deveriam ter sido expulsos. Godinho Lopes foi expulso por revanchismo, por uma Direcção que logo aí deu os primeiros sinais de fumo da sua natureza, mostrando ao que vinha. Quem vivia num mundo de ilusão paralelo é que não percebeu. É curioso constatar que essa expulsão fosse aceite como uma coisa natural sem significado, sem protesto, sem indignação

Godinho Lopes que até tinha  dinheiro seu  no Sporting, aceitou a decisão e retirou-se para a sua vida privada, porque a tinha, sem qualquer alarido. Deixou de ser sócio, mas não deixou de ser sportinguista, nem andou pela comunicação social a fazer-se de vítima, que na minha perspectiva e em certo sentido, até foi.

O presidente que agora foi expulso e os seus fanáticos apoiantes, são (serão)  um caso de estudo na história do Sporting. Com ilusionismo mascarou a realidade e pintou-a com as cores do arco-íris. Após um processo de destituição, durante o qual violou os Estatutos, procurou inviabilizar uma AG legalmente marcada, e criou órgãos paralelos. Já depois de destituído, recusou sair de Alvalade, boicotou contas e procurou impedir a entrada da Comissão de Gestão. Quando saiu não deixou um Clube mais sólido, antes pelo contrário.

O presidente que agora foi expulso, continuou e continua a assombrar a vida do Clube. Depois de ter  decidido de tarde que já não era sportinguista e de manhã que voltava a ser, depois de  querer ser candidato à presidência quando já não podia, depois de  insultar os associados que votaram a sua destituição, depois de continuar a insultar os que o iam expulsar, ainda tem o apoio de uma minoria ruidosa.

Esta gente que demonstra estar refém do culto a uma pessoa como um salvador, não pode ser verdadeiramente sportinguista. E se o for, tem de optar entre a adoração fanática a uma personalidade, ou o apoio incondicional a uma Instituição com 113 anos de história e dezenas de presidentes. Esta Instituição continuará, e a actual Direcção e as que vierem a seguir, cumpridos os seus mandatos, não passarão de meras notas de rodapé. Porque o que continuará a persistir é o Sporting Clube de Portugal, obra de milhões de anónimos, passados e vindouros.

Este Clube urge estabilidade e união. Sem elas nunca se conseguirão grandes vitórias. Mas a estabilidade e a união não podem ser construidas em constante confronto. E para isso há momentos em que é imprescindível fazer rupturas. Nenhuma planta cresce no meio de ervas daninhas. Receio que este corte, necessário,  ainda não tenha eliminado a raiz.

Entretanto, a nova época está à porta. O Sporting, que em condições difíceis, conquistou mais títulos na campanha que terminou, que nas cinco anteriores, vê a sua Direcção vaiada por uma minoria deveras fanatizada. Os nossos dirigentes e atletas merecem respeito. Se a cegueira não deixa alguns ver isso, os que põem o Sporting acima de líderes transitórios, devem mobilizar-se no apoio ao Clube.

publicado às 03:35

A injustiça da justiça

Naçao Valente, em 20.06.19

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A justiça é representada de olhos vendados. Simbolicamente pretende manifestar a sua isenção. Mas a verdade é que a justiça tem os olhos bem abertos. O facto é que esta é feita por homens com virtudes e defeitos, como todos nós.

E na aplicação da justiça não existe um padrão constante. Varia de acordo com o perfil de cada pessoa que a aplica, isto é, mediante as suas vivências, as sua convicções políticas e religiosas, com as suas origens sociais. E exceptuando os corruptos e os corruptíveis, quem pretende praticar a isenção, nem sempre o faz mesmo que seja inconscientemente.

A ser verdade esta breve apreciação do sistema judicial, não podemos esperar que a justiça seja sempre justa. Uma coisa é certa; a maioria dos processos passa-se no recôndito dos tribunais. Só chegam ao conhecimento público os mais mediáticos, que têm sempre dois julgamentos: os da opinião pública, rápidos e assertivos, e o dos tribunais, lentos e tantas vezes contrários aos da opinião pública.

Por outro lado, os que dispõem de meios económicos superiores, têm à partida melhores hipóteses de defesa. E isto leva-nos à questão que está na ordem do dia, a legitimidade da prova.

As novas tecnologias são uma arma de dois gumes: tanto são utilizadas como meio prova, como razão para que esta seja invalidada. A prova nem sempre é fácil, e os investigadores passam a sentir cada vez mais dificuldades em apresentar provas consistentes, em função dos subterfúgios existentes.

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Isso é evidente tanto nos casos políticos, como nos do âmbito desportivo, desde o 'face oculta' até ao 'e-toupeira'. O que agora está a tornar moda é condenar o mensageiro e não a mensagem. Será que um pirata informático que viola correspondência é um criminoso? De acordo com a lei sim. Mas será que a denúncia que lhe está subjacente sobre actos ilícitos, deixa por isso de ser crime? Qual será mais criminoso? O que descobre o crime por meios ilícitos, ou o que os cometeu procurando escondê-los?

Vejamos um caso concreto, o dos emails. Para justificar eventuais actos ilícitos usa-se e "desusa-se" como argumento a forma como foram descobertos. Depois como subterfúgio mais manhoso, usam-se testas de ferro, que deixam de fora os verdadeiros mandantes.

É o caso do FC Porto que lava as mãos da alteração de conteúdo dos emails, como se o seu "homem" actuasse por sua alta recreação. É o caso do funcionário do SLB "agarrado pela justiça", como se actuasse por vontade própria, pagando do seu bolso, aludidas prebendas.

Os verdadeiros mandantes, encontraram maneira de praticar malfeitorias, lavando sempre as suas mãos impolutas. Depois contam com o apoio de seguidores que, pela fidelidade clubística, aceitam a verdade que lhes é contada pelos seus canais oficiais. E neste caldo de cultura é difícil que não vingue a injustiça da justiça no mundo dos poderosos.

P.S.: Na França foi preso Michel Platini por actos de corrupção desportiva. E já houve outros. Quando chega a Portugal a justiça da justiça?

publicado às 12:00

Os maus velhacos

Naçao Valente, em 12.06.19

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Velhaco é sinónimo de maroto, finório, matreiro, mas também de patife ou trapaceiro.

Na "estória" com esta denominação que dá título ao livro que vou apresentar, é contada a saga de dois contrabandistas que passavam a nado o Guadiana, quando o contrabando fronteiriço era prática comum, com artigos comprados em Espanha com o dinheiro ganho na viagem de ida.

Surgiu então um guarda-fiscal numa lancha, que nem sequer estava de serviço, e que navegava em águas espanholas sem autorização. Os contrabandistas foram obrigados a abandonar a carga para salvar a 'santa' pele. Na ficção, esses, outros contrabandistas e mais população, decidiram pregar uma partida inocente ao referido guarda-fiscal que também vivia na comunidade, o que não lhes permitiu recuperar os fracos proventos que colheriam, mas lhes permitiu lavar a alma.

A propósito veio-me à memória a situação do futebol nacional. Na população portuguesa, com reflexos no mundo do futebol, há velhacos no bom e no mau sentido. Há  marotos, e há patifes. A maioria dos adeptos situa-se na categoria dos "bons". Gostam do seu clube, vivem os jogos com paixão, alguns são grandes sofredores, outros nem tanto, mas vivem o espectáculo com civismo e como uma forma de lazer.

Mas no futebol, como na sociedade, em geral, existem os velhacos patifes e trapaceiros que transformam a natural rivalidade num clima de absoluto ódio e intolerância. Estão neste enquadramento um nicho de adeptos radicais que exulta, por exemplo, com a morte de adversários e com comportamentos públicos de belicismo, idiota, contra os da outra cor.

No entanto, o mais preocupante é quando os maus velhacos chegam às altas estruturas deste desporto, quer em órgãos institucionais, quer na direcção de clubes. Para estes, a patifaria e a trafulhice são actos normais e fazem parte da sua prática e das suas decisões. Invariavelmente, não olham a meios para atingir a fins, convictos, pela experiência, que ficarão como sempre impunes, fazem o mal e a caramunha, furtando-se, manhosamente, à responsabilidade.

O desporto em geral, e o futebol em particular, não pode ter credibilidade enquanto alguns dos que actualmente o dirigem continuarem à sombra do poder que a função lhes confere, a actuar impunemente. Estes maus velhacos mereciam uma única partida. A expulsão do dirigismo desportivo. Mas não a terão enquanto a isenção e a coragem não fizerem parte da justiça em geral. A verdade é que dos bons velhacos não reza a história, mas os maus deixam a sua marca.

publicado às 05:33

Revolução tranquila

Naçao Valente, em 28.05.19

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Ponto prévio: não fui apoiante do candidato Varandas aquando das eleições. Mas foi eleito pela maioria dos votos expressos e é o presidente dos Sportinguistas. Depois da sua posse, critiquei pontualmente, algumas decisões como a contratação de um treinador sem grande currículo. Estou portanto completamente à vontade para fazer, com alguma equidistância, a análise dos primeiros meses do seu mandato.

Varandas e a sua equipa encontraram o Clube numa situação muito difícil. Tiveram de resolver, em tempo recorde, um pagamento obrigacionista, sem apoio de personalidades com influência na área bancária e com alguma hostilidade dos meios financeiros. Ousou e conseguiu com o apoio de alguns grandes investidores e de muitos adeptos, que  colocam o Sporting acima de qualquer personalidade, concretizar essa operação.

De forma discreta e em certo sentido sigilosa, como convém, resolveu os graves problemas de tesouraria e começou a saldar dívidas cujo pagamento já estava atrasado. No aspecto financeiro foi arrumando o todo da casa sem alardes e sem "foguetório". Melhor, nunca fez nenhum alarde, nem pretendeu colher louros, do relativo êxito da operação.

No plano desportivo encontrou uma equipa de futebol profissional que estava destruída. Depois de um período em que o novo treinador parecia perdido e sem soluções, começou a notar-se o seu cunho pessoal, e com um plantel com poucos "craques" deu uma nova alma a um grupo que se uniu, e com humildade e trabalho recuperou terreno, e conseguiu a proeza de conquistar dois títulos.

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No mesmo estilo sereno, Frederico Varandas e a sua equipa,  reformaram toda a estrutura, com ênfase na aposta da Academia, entregue ao desmazelo e à incompetência, durante anos. Nos oito meses de mandato, tempo demasiado curto para uma avaliação profunda e segura, podemos concluir, contudo, que o presidente está a fazer uma revolução muito tranquila, longe do "show off" inútil a que estávamos expostos.

Até  este momento parece-me certo e adequado o caminho seguido, mas muito falta fazer. O Sporting não pode querer, como os seus homólogos dos chamados grandes, dominar o "sistema", através de procedimentos ilícitos e condenáveis. 

Ao Sporting Clube de Portugal, como clube histórico e, sim, diferente, compete-lhe lutar pela libertação do "sistema", para que a justiça e a verdade possam voltar a imperar. De uma forma tranquila, mas com passos bem firmes, é o único Clube que, com mãos limpas, pode moralizar o futebol português.

A impunidade pode parecer natural e até eterna, mas um dia terá o seu fim, como outras iniquidades. Compete agora aos Sportinguistas unirem-se à volta da sua Direcção e sem divisionismos, remarem todos no mesmo sentido.

P.S.: Ontem, no seu discurso na Câmara , o dr. Varandas, deixou uma ideia que transcrevo, sem total rigor, de memória: "nós somos diferentes e mostrámos que se pode vencer sem abandonar os valores". Comprova o que escrevi e penso. Que não fique na nossa história nenhuma conquista que não seja legítima.

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Para quem gosta da minha escrita venho informar, que numa vertente ficcional, estarei a autografar, no próximo domingo, na Feira do Livro de Lisboa, entre as 16h00 e as 17h30, o meu livro "Os bons Velhacos", no pavilhão dos pequenos editores (Mosaico de Palavras), sem pseudónimo e com o nome José Mateus Gonçalves. Estão convidados. Obrigado ao Rui por me permitir a inclusão deste convite.

publicado às 02:49

O Papa e o Cardeal - sem moral

Naçao Valente, em 15.05.19

 

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A nossa memória é muitas vezes demasiado curta e outras tantas demasiado selectiva. Isso explica que do passado, até de um passado muito recente, já não haja memória. Ou tem-na apenas do que lhe interessa, a dos títulos conquistados, seja como for.

 

O sr. Pinto da Costa é muito mau exemplo do apagão selectivo. Até terá alguma razão em relação aos erros de arbitragem que têm beneficiado, nesta recta final do campeonato, o Benfica. Tem seguramente, mas esquece que o seu clube também os tem tido. E se perder o campeonato, deve lamentar o facto da sua equipa ter adormecido na forma, quando não devia. Se assim não tivesse sido, seria campeão, por mais padres e rezas que houvesse.

 

Seja como for, o sr. Pinto da Costa é a última pessoa a ter o mínimo de moral para falar de padres e missas, quando se sabe que teceu uma ardilosa teia, com acólitos bem ordenados, para controlar o futebol em Portugal. E não fosse a nossa justiça o que é, forte com os fracos e fraca com os poderosos, não estaria ainda o sr. Pinto da Costa no lugar que ocupa. Assim continua com a sua verborreia irónica a fazer homilias para os seus fiéis.

 

No outro prato da balança, está o seu admirador/seguidor, que se limitou a doutrina do  mestre, com o desejo ardente de o ultrapassar. O sr. Luís Filipe Vieira não lhe fica atrás na ambição de dominar o mundo do futebol. Não fez uma teia porque dava muito nas vistas, e optou por criar labirintos no mundo subterrâneo. Os processos podem ser diferentes, mas os fins acabam por ser idênticos. Personalidades distintas mas iguais num aspecto: a falta de seriedade.

 

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A falta de seriedade domina o mundo. E todos os que teimam em ser sérios são, como dizia alguém, "comidos de cebolada". Como a religião fez em tempos idos no mundo ocidental, e ainda faz em certas regiões, o segredo, mal guardado, está em fanatizar os fiéis, e controlar o sistema, para disso tirar proveito. 

 

Nos tempos que correm, o futebol assemelha-se, nos seus princípios, a uma nova religião. A fanatização dos adeptos, incutindo o ódio ao diferente e a submissão total aos dogmas, é prática corrente, e em escala menor ainda leva a guerras e mortes. 

 

Em análise final, temos dois grandes "cardeais" com o seu oculto cortejo de "padres". Um mais velho, mais matreiro e que perdeu um pouco o controle da nova "religião" e outro que lhe disputa o terreno, viajando arrojadamente pelos esgotos da esperteza saloia, para emergir no lugar certo na altura mais adequada. Estão bem um para o outro. Nenhum tem moral para exigir o mínimo de moralidade. Enquanto estas "igrejas" dominarem, o futebol português não será uma coisa séria.

 

publicado às 05:04

Utopias

Naçao Valente, em 13.05.19

 

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Bastou o Sporting empatar um jogo que naturamente devia ter ganho (é futebol, acontece com todas as equipas) para voltarem à luz do dia os brunistas (quase desaparecidos) e outros ressabiados com esta Direcção, para atacarem o treinador e os jogadores. Não vale a pena perder tempo com essa gente, que espera ansiosamente que haja maus resultados, para criarem intabilidade com a esperança que volte um passado de má memória.

 

Numa outra vertente, também a comunicação social, de uma forma geral, focou os seus títulos no falso facto de que o Sporting perdeu o segundo lutar. Não o perdeu porque só se perde o que se tem e o Sporting nunca o teve. Não o teve e vir a tê-lo a dois jogos do fim, com seis pontos de atraso, para um adversário que luta pelo título, nunca passou de uma utopia.

 

Utopia inventado pela imprensa local, aludindo que a estrutura do futebol leonino ainda acreditava. Não sei até que ponto isso é real, mas estou convencido que na estrutura existe gente com os pés bem assentes na terra. Vejamos... no mundo do jogo da bola redonda têm acontecido coisas que parecem deveras improváveis, mas que não passam de excepções, em cujo contexto existe alguma possibilidade.

 

Como se pode acreditar que o FC Porto fosse perder três pontos com o Nacional uma das piores equipas da Liga?... E se é verdade que podíamos ter esperança de ganhar no Dragão no jogo de tripla, o certo é que não dependíamos apenas de nós. E quem anda atento ao mundo do futebol, percebe que aquele empate com o Rio Ave, nos últimos cinco minutos, aconteceu porque o FC Porto foi para o balneário antes do apito final. Uma coisa dessas não voltaria a acontecer.

 

O segundo lugar estava perdido há muito tempo. E como não gosto de viver da construção de castelos no ar, conquistar o terceiro lugar depois das condições de partida, tem que ser valorizado. Conseguiu-se graças à vontade de um colectivo unido, com somente meia dúzia de jogadores de classe superior, e também com a quebra do nosso adversário directo pela conquista desse lugar.

 

Portanto toda essa conversa que perdemos o segundo lugar não passa de uma lenga lenga de jornais e comentadores, alguns adeptos por ingenuidade e outros por oportunismo.

 

O que devemos salientar é ter-se conseguido chegar ao terceiro lugar, quando havia quem não acreditasse, e até quem rezasse, para que não acontecesse. Deve-se muito ao trabalho de um colectivo, onde militam meia dúzia de futebolistas, se tanto, de classe superior, e em certa medida à quebra da equipa adversária que lutava pelo mesmo lugar. 

 

O que devemos elogiar é a conquista de um troféu e a possibilidade de conquistar outro, apesar da valia do adversário que ainda nada conquistou. Com confiança, concentração e humildade vamos lutar com total fervor até ao fim para vencer o que pode ser vencido. Realismo sim. Utopias não.

 

P.S.: Mais uma grande vitória europeia no hóquei em patins. Com profissionalismo e sem arrogância. Parabéns. É esse o caminho.

 

publicado às 14:00

 

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Diz um ditado: "quem não tem nada para fazer, faz colheres". Assenta que nem uma luva à discussão que em tons, às vezes "melodramáticos" está na ordem do dia no universo leonino, como se não houvesse assuntos mais relevantes.

 

Trata-se da histeria que se está verificar à volta da "malfadada" Auditoria dita forense. Não pretendo pronunciar-me sobre aspectos técnicos, aliás aqui muito bem abordados pelo Rampante, mas reflectir sobre o ruído que se estabeleceu em redor da sua divulgação.

 

A Auditoria pedida pela Comissão de Gestão decorreu durante meses, tendo como intuito saber da situação financeira do Clube. Enquanto decorre, esta ou qualquer outra, é apenas do conhecimento da auditora que a está a executar. Uma vez concluída, a não ser que seja considerada secreta, ou só acessível a um grupo muito restrito, torna-se, naturalmente pública. 

 

A questão que se pode colocar é a sua abrangência, isto é, no âmbito do que foi auditado. E isso foi considerado necessário nos seus pressupostos. O que também se pode questionar é a forma da sua eventual divulgação. E isso escapa à vasta maioria senão à totalidade dos que emitem opinião, criticando o modo e o conteúdo.

 

Considerando que durante a execução é do conhecimento de várias pessoas, é impossível garantir total confidencialidade, mesmo que fosse esse o objectivo. Veja-se o que se passa com o segredo de justiça.

 

Ao contrário de alguma corrente de opinião não percebo que o seu conteúdo esteja ou venha a prejudicar o Sporting. O conhecimento da situação financeira, incluindo despesas com pessoal, não pode nem deve ser segredo de "Estado". No âmbito da minha actividade profissional o meu vencimento é público, sem que isso me prejudique ou prejudique a empresa. Conhecimento de salários, por exemplo, são no fundo, segredos de Polichinelo.

 

Sejamos claros: ou somos ou não somos pela transparência; isto é, não podemos ser de manhã e não ser à tarde. Se neste contexto concreto os nossos adversários são opacos, não somos nós que estamos errados mas eles. A transparência num clube como na sociedade é uma virtude e não um defeito. Se ela existisse, talvez não tivéssemos casos "BES", com todo o seu cortejo de desgraças.

 

Há gente a cavalgar a onda de que o facto do conhecimento dos resultados da Auditoria terem sido tornados públicos prejudica o Sporting. Com todo o respeito, não percebo como. Os problemas do Sporting CP  deixam de existir se forem públicos?  Que vantagens é que os nossos adversários estão a tirar disso? Os assuntos sigilosos, como a questão dos empréstimos, estão no segredo dos deuses.

 

O que eu vejo nas discussões de lana caprina, é um aproveitamento da oposição à actual Direcção por parte de brunistas, ricciardistas, outros 'istas', surfistas e até alguns 'enhas'. Não fosse esta oposição ressabiada, reforçada alguns sportinguistas que vão na onda por ingenuidade,  esta discussão nem sequer existia.

 

A questão central nisto não é uma luta com os nossos adversários, que do caso não tiram qualquer vantagem, mas uma luta interna pelo poder, à pala de um assunto usado como arma de arremesso. Trata-se de uma luta autofágica, essa sim, que não une mas divide o Clube. É a essa luta fratricida que os nossos adversários estão a assistir de camarote ,com algum prazer, e da qual podem vir a ter benefícios.

 

Em conclusão, este debate à volta da Auditoria, criada artificialmente, não é inocente. E quem a desencadeou e quem a alimenta, tem uma agenda de interesses que não são os do Sporting. Não fosse este Carnaval em tempo de Páscoa, e já a questão da Auditoria estava esquecida, independentemente do seu conteúdo, das lições e das consequências que lhe estão inerentes, mas que não se resolvem na praça pública. 

 

O que os sportinguistas sérios devem fazer, nesta fase, é apoiar as nossas equipas para que consigam atingir os objectivos que estão em aberto.

 

publicado às 04:04

Temos um grande da Europa

Naçao Valente, em 11.04.19

 

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"Já estou num grande da Europa"... A frase é proferida genericamente e usada e banalizada por muitos futebolistas em discursos de ocasião. Mas estou absolutamente convicto que proferida por Bruno Fernandes, para além de encaixar no mesmo protótipo, merece ser levada a sério. 

 

O atleta profissional Bruno Fernandes tem mostrado, pelo seu historial, ser um homem de elevado gabarito que se pauta por valores e princípios, o que não é despiciendo enquanto cidadão e futebolista de alta competição, nos dias que correm e no meio onde actua.

 

Levado na avalanche que se gerou no pós Alcochete, foi dos poucos que após a queda da Direcção anterior se mostrou disponível para desistir do pedido de rescisão e negociar o seu regresso. Atitude digna de todo o louvor se tivermos em conta que não foi formado no Sporting e que tinha sido o melhor futebolista da época anterior.

 

Com uma carreira em grande parte feita em Itália e com portas abertas no mercado do futebol europeu, preferiu voltar ao clube com o qual tinha contrato, embora com condições salariais inferiores às que poderia conseguir noutros horizontes. 

 

Pelo seu percurso de vida, pelas suas atitudes, Bruno Fernandes é sincero quando diz que está num grande da Europa, com plena consciência, no entanto, que no panorama europeu existem emblemas de outra dimensão, graças aos meios financeiros de que dispõem. Mas o Sporting Clube de Portugal é de facto um "grande", pela sua história e pela participação nas provas em que participa, seja no futebol ou em outras modalidades.

 

Os sportinguistas só têm que se orgulhar em ter no Clube um atleta desta estatura, não apenas profissional, mas sobretudo humana. E seja qual for o seu futuro, deverão ficar-lhe para sempre gratos. E o Sporting, um grande da Europa, pode dizer, com todas as letras, que possui no seu plantel, como jogador, um grande da Europa. 

 

É este o tributo modesto que quero hoje prestar ao atleta, mas sobretudo ao homem, cuja grandeza deve estar acima das contingências de qualquer profissão.

 

publicado às 05:04

 

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Não tenho por hábito escrever sobre jogos de futebol ou outras modalidades, em concreto. Raramente comento, porque reservo a minha análise pessoal de técnico de bancada para conversas de café. Esse assunto é abordado, e bem,  pelo Rui Gomes, e faz parte da função do Camarote Leonino. Por isso, também quero deixar claro que a minha posição não pode e não deve ser interpretada como crítica a quem gosta de dar opinião, legitimamente,  sobre as "peripécias" dos Jogos.

 

Mas hoje, excepcionalmente, quero expressar-me sobre o último derby, não sobre aspectos técnico/tácticos que já foram aqui abordados, mas sobre a importância desta vitória para a estabilização de que o Sporting precisa. Foi uma vitória limpa e quase "épica" sobre um adversário directo e que vinha de uma situação de equipa quase "galáctica".

 

O Sporting precisava desta vitória como de pão para a boca. Ultrapassou um obstáculo que para muitos, incluindo até sportinguistas, era quase impossível, e conseguiu emudecer a caterva de adeptos, que rezam a todos os santos, para que o Clube tenha maus resultados. Fiquei feliz, pelo Sporting, por ver que nas redes sociais os fiéis de um passado recente, e os ressabiados da derrota eleitoral, perderam o pio.

 

Deste modo, a noite das "facas longas" e das "línguas afiadas" está muito mais distante. O Sporting irá disputar a final com um adversário considerado superior, mas tem, como teve neste jogo, possibilidades de vencer, pela crença, pela vontade, pela dinâmica. E se se conquistar esta Taça de Portugal, esta Direcção consegue mais títulos em seis meses, que a anterior em seis anos, apesar das condições em que encontrou o Clube.

 

A tarefa não vai ser fácil e precisa da unidade dos que põem o Sporting acima de agendas pessoais. E é preciso ser pragmático para perceber, que mesmo que a Taça seja nossa, há muito trabalho a fazer para continuar a reestruturação do Clube, com passos firmes e consistentes.

 

Esta vitória foi um importante balão de oxigénio para uma Direcção que ainda não pode ter um só momento de algum descanso e paz. Mais do que necessário é absolutamente fundamental que as vitórias continuem, porque só assim é que os contestatários, saudosos de um triste passado, sejam eles os moderados que por aqui intervêm, ou os radicais e mal-educados que andam pelas redes sociais, se calem de vez, moderem a "língua afiada" e percam a esperança de sonhar com uma escura noite de "facas longas". Para bem do Sporting !

 

publicado às 17:00

Feudos modernos

Naçao Valente, em 26.03.19

 

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No tempo da ditadura Salazarista, o poder do estado impunha-se aos diversos interesses privados. Mas a centralização do poder político, subordinando ao interesse geral o poder privado da nobreza, aconteceu muito antes. O fim do poder feudal e dos seus privilégios vivia apenas nas páginas da história no mundo ocidental quando o futebol se instalou como um desporto de massas.

 

O desenvolvimento da modalidade desportiva mais popular foi bem recebido pelo poder político instalado, e em Portugal, usado, discretamente, pelo Estado Novo, como forma de reforço do nacionalismo. Durante esse período, as instituições desportivas possuíam já a sua autonomia, no entanto, estava integrada na orgânica institucional do Estado.

 

Os presidentes dos clubes, por sua vez, eram recrutados entre as elites, pelo sua maior competência, relacionada com o acesso ao conhecimento, vedado à maioria da população. Exerciam de um modo geral as funções por amor à causa e agiam estritamente de acordo com as leis da República.

 

 O advento da democracia, pelo qual me bati, trouxe mudanças profundas na sociedade, e consequentemente também no futebol. A democracia significa liberdade, mais igualdade em termos políticos e sociais, mas como todos os regimes não está isenta de defeitos. Se por um lado abriu a hipótese de acesso ao poder de cidadãos, independentemente da sua origem social, aumentou as possibilidades de práticas de corrupção, pela emergência do "chico-espertismo".

 

No que aqui interessa abordar, as mudanças no futebol, constata-se que este acompanhou a evolução social, profissionalizou-se, democratizou-se e abriu portas a pessoas oriundas de extractos sociais populares, que  conseguiram, à pala de valores democráticos, ascender a altos cargos no futebol.

 

Ao contrário dos antigos dirigentes há gente sem cultura, sem princípios, que aplicam a ideia de que os fins justificam os meios. O poder que lhes advém de milhões de adeptos, e do poder do dinheiro que movimentam,  dá azo a corrupção,  alimentada como forma de se perpetuarem, conseguindo satisfação dos adeptos a qualquer preço.

 

Foi neste contexto que o futebol português se cristalizou como um "feudo" moderno, um autêntico poder dentro do Estado, desde as mais altas instâncias até à sua base, os clubes. Os dirigentes escudados pelas massas que os defendem, começaram a agir à margem das leis, como senhores que se consideram impunes.

 

O primeiro exemplo veio do Norte, de um clube com abrangência, sobretudo regional. O senhor presidente Pinto da Costa, é o dirigente que vem dos meios populares e que faz do dirigismo carreira profissional. Como "bom político", percebeu prontamente que como noutras áreas da sociedade, para prevalecer, precisava de montar uma rede de fidelidades "feudais" que, subtilmente, controlasse os órgãos federativos, e disso tirar as vantagens desportivas. Dias da Cunha, dirigente com sentido ético, chamou-lhe o "sistema".

 

No Sul, mais tarde, e depois de se ter percebido que a corrupção não era punida, surgiu um seguidor. Vieira é uma espécie de aprendiz de feiticeiro, mas que para sermos justos, nem sequer lhe chega aos calcanhares na arte de bem corromper. É oriundo também dos meios populares, fez-se à vida, e entrou no dirigismo já mais tarde. 

 

Chegou a presidente Benfica, apenas porque foi o clube que em função de circunstâncias diversas , lhe abriu as portas. Podia ter sido outro. Como os neo-democratas profissionais da política, agarrou-se aos meios que permitiam chegar ao poder. 

 

Seguindo as pisadas do mestre, foi tecendo a sua teia. Desde influência nas instituições desportivas,  até às instâncias judiciais, rodeou-se de pessoas pouco recomendáveis, e que não têm pudor de "chafurdar" em lamaçais. A novidade é que a responsabilidade começa e acaba aí. Nunca chega ao topo.

 

Este feudo é muito poderoso e como feudo que é, julga-se acima da Lei e do Estado, onde proliferam políticos e juízes que estão disponíveis para colocar interesses clubísticos acima dos interesses da Nação. 

 

O futebol português está num pântano. A Norte, depois do Apito Dourado, sacudiu-se a água do capote, como se nada tivesse acontecido. A Sul assobia-se para o lado,  como se nada de nada estivesse a acontecer. Pouco importa se o futebol deve ser um desporto onde a verdade e a igualdade competitiva existam. O que interessa é contentar as massas com resultados. A forma como são conseguidos é secundário e irrelevante.

 

O meu Clube, é com orgulho que o digo, tem um caminho limpo, pelo menos até à última Direcção. E mesmo em relação a esta, não há evidencia de qualquer esquema do que aqui estamos a abordar. Pelo contrário, a sua acção altamente desabrida apenas prejudicou o Clube. Podemos até somar menos títulos na corrupção que é o futebol, mas conseguimos andar de cabeça erguida. Os títulos que conquistámos são, como dizia alguém: "limpinhos, limpinhos".

 

O futebol em Portugal precisa de mão firme para se regenerar. E não acredito que essa regeneração parta dos órgãos desportivos. Estão corrompidos e dominados por dentro pelas forças dominantes.  São a real cúpula dos "feudos". Cabe ao poder político intervir e acabar com este feudalismo. Mas falta-lhe coragem e determinação. Tem medo de perder apoio de adeptos/eleitores.

 

P.S.: Comparações, como já é habitual, com os casos PPC ou Cashball,  que mesmo sendo reprováveis, é  como comparar a beira da estrada, com a estrada da Beira.

 

publicado às 04:54

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