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Dormir com o inimigo

Naçao Valente, em 14.12.18

 

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Escrevi aqui, recentemente, um texto sobre este assunto, mas face aos desenvolvimentos subsequentes e à enorme importâcia que tem para a vida do Sporting, parece-me oportuno abordar de novo o  tema.

 

Realiza-se amanhã a reunião magna com o intuito de decidir se se dever manter ou não a suspensão aplicada ao destituído ex-presidente e elementos da anterior Direcção. A Mesa da Assembleia Geral decidiu, ao arrepio dos Estatutos, e numa operação que foi delineada em política de bastidores, pouco transparente, levantar a suspensão transitoriamente aos suspensos, para poderem participar na referida reunião.

 

Parece-me uma decisão aberrante e perigosa. Aberrante pela forma antidemocrática como foi decidida, ironicamente em nome da democracia. Perigosa porque abre uma porta que estava fechada, a quem demonstrou claramente à sociedade, que lhe interessa mais o seu poder pessoal, que os interesses do Sporting. 

 

Nunca é de mais lembrar que a democracia tem regras, que nenhum verdadeiro democrata deve ultrapassar e é sempre conveniente acentuar, que o presidente destituído, apenas tem um único objectivo: restabelecer o seu poder ditatorial no Sporting. Basta ver o seu último post de Facebook.

 

Transigir com quem tentou tomar de assalto o Clube, criando órgãos paralelos e ilegais, é um acto de falta de coragem em assumir funções sem tibiezas. Querer deitar na cama com o inimigo é correr sério risco de vida. O ex-presidente já mostrou para quem tem olhos de ver, que se está borrifando para a democracia, e que depois de levar cartão vermelho de uma percentagem muito elevada de associados, continuou a querer manter-se em jogo a qualquer preço.

 

A esta mais que  incompreensível benesse que a Mesa da Assembleia Geral deu, creio que com o beneplácito do Conselho Directivo, os sócios devem responder com firmeza. Devem comparecer em força, como na Assembleia Destitutiva, porque o que está em jogo não é uma questão menor. É um processo que deve caminhar no sentido de encerrar de vez uma página negra do Sporting. O anterior presidente não pode ter a oportunidade de voltar. A unidade não se faz com quem continua a assombrar o Sporting.

 

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publicado às 16:00

Tolerância zero

Naçao Valente, em 11.12.18

 

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O lugar onde os associados exercem o seu poder é nas Assembleias Gerais. Aí aprovam ou não orçamentos, elegem ou destituem direcções, ou tomam outras decisões previstas nos Estatutos. Mas nem sempre os sócios comparecem em grande número a estas reuniões, fundamentais, para a vida do Clube. Nas instituições cuja dimensão extravasa o local geográfico da sede, é perfeitamente compreensível que aqueles que vivem a distâncias de centenas de quilómetros, tenham motivos para a sua ausência.

 

No entanto, há momentos extraordinários na vida do Clube, como foi o caso da última Assembleia Destituitiva, que exigem uma muito maior mobilização,. Cabe nessa situação aos Órgãos Sociais incentivarem a presença de todos os que tiverem disponibilidade. A Assembleia Geral do dia 15 de Dezembro, tem pelo sua ordem de trabalhos uma relevância fora do comum. Está em jogo a continuação ou levantamento de castigos aplicados pelo Conselho Fiscal a sócios que desrespeitaram os Estatutos e que apresentaram recurso dessa decisão.

 

Esses associados que foram suspensos, principalmente o presidente da Direcção deposta, já mostraram que pretendem continuar a assombrar a vida do Clube, colocando à frente do interesse colectivo as suas ambições pessoais. E dispõem ainda de um grupo de apoio, reduzido, mas que se mobiliza em benefício de uma personalidade que adoram acima do próprio Clube. Esse apoio esteve presente na última reunião magna e viu-se a sua força na diferença de votação, entre o orçamento da Direcção anterior e da actual.

 

Quem desejar afastar do dia a dia esses elementos perniciosos e desestabilizadores, tem o dever de estar presente nesta Assembleia Geral para que não aconteça uma surpresa. O levantamento da sua suspensão será um sério revés para a estabilidade do Sporting e que esta Direcção com discrição e bom senso está a conseguir. Deixar que um grupo pequeno mas ruidoso e agressivo, possa reverter uma decisão justa, é um passo atrás na pacificação do clube e um desrespeito pela Assembleia de  Julho.

 

Ao contrário dos aqui e ali agora clamam por complacência para quem nunca a teve, entendo que é imperativo que haja TOLERÂNCIA ZERO. Permitir o regresso dos que, em beneficio pessoal, quase destruíram uma colectividade centenária, é um acto cujas consequências são imprevisíveis. Por essa razão é necessária uma forte mobilização para mostrar, democraticamente, a essa gente, que já é, efectivamente,  passado.

 

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publicado às 04:03

Unir o Sporting

Naçao Valente, em 27.11.18

 

A união, seja do que for, não se faz através de decreto, excepto nos regimes totolitários, onde todos têm de seguir o mesmo pensamento. O slogan "Unir o Sporting" foi usado em campanha pela lista que foi eleita. Em democracia, o cumprimento desse desiderato não é fácil de concretizar, pela liberdade, que permite a existência de naturais divergências.

 

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Num clube dedicado ao futebol só existe uma fórmula segura de conseguir a unidade; através dos resultados desportivos. Se estes forem positivos e viabilizarem a conquista de títulos a unidade acontece naturalmente. Ora no Sporting, por razões que merecem análise específica, isso não sucede há muito tempo.

 

A anterior Direcção teve um dos maiores períodos de graça, de que me lembro em tempos recentes, mas, apesar disso, não conseguiu conquistar o almejado e principal título. E eu que fui forte crítico da sua estratégia e da sua acção, admito que não começou mal. Com controle de custos, com algumas boas decisões na contratação de técnicos, parecia estar no caminho certo. Mas o ego e a falta de bom senso do presidente, trocando o essencial pelo acessório, acabou por, usando uma expressão ligava aos velhos westerns, "cavar a sua própria sepultura" enquanto "cowboy" sempre de dedo no gatilho.

 

A união de um Sporting dividido é uma tarefa ciclópica para esta Direcção. Os seguidores do notório "brunismo" continuam a andar por aí, sob a irrisória esperança de aparecer uma oportunidade para o seu ídolo. Recusam unidade e torcem para que as coisas corram mal. Os derrotados nas eleições, dividem-se entre os expectantes e os ressabiados pela derrota e já mostraram resistência no apoio a Varandas, nomeadamente na operação Obrigações. Não querem unidade. Desejam que tudo corra mal. Um grupo que julgo muito minoritário gostaria de ver o Clube nas mãos de um grande capitalista, com outro modelo de gestão.

 

Neste contexto, Varandas e a sua equipa, precisam para além de competência de alguma sorte. Depois de resolver dossiês financeiros urgentes, necessitam que a equipa de futebol profissional faça uma boa campanha, consiga bons resultados e ganhe, pelo menos, um título. Não é tarefa fácil. É que se assim não for, a sua margem de manobra começa a diminuir, e a desejada unidade a estar cada vez mais distante.

 

Que os adeptos percebam bem que até agora esta Direcção está a fazer os possíveis para estabilizar o Clube, que precisa de tempo, e que não se pode exigir, em meses, o que não e exigiu em anos. Que a maioria entenda que a desestabilização que antes partia de dentro, está agora fora e à espreita de uma pequena brecha. Que a paixão dê lugar ao bom senso, se não nunca mais saímos do ciclo vicioso.

 

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publicado às 16:30

Quem exerce o poder no Sporting ?

Naçao Valente, em 19.11.18

 

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Todo o Mundo é feito de mudança. A frase que visa representar a evolução da humanidade deve-se a Camões. A mudança, no sentido do progresso, é muitas vezes feita com boas intenções, isto é, com o intuito de tentar tornar melhor a vida das pessoas. Mas mesmo feita com sentido positivo, houve sempre quem se servisse de boas intenções em sentido negativo.

 

A introdução vem a propósito do aparecimento das claques no futebol. Não é seguramente um assunto dos mais prioritários, neste momento, na vida do Sporting, mas não deixa, por isso, de ser relevante.

 

A claque, como grupo organizado, em sentido restrito, teve a sua origem na presidência de João Rocha, e trazia consigo o objectivo de constituir um grupo que animasse as bancadas, o décimo segundo jogador "dentro do campo". O bom princípio evoluiu paralelamente à evolução da sociedade, que nalguns aspectos, relacionados com certos valores, regrediu.

 

Quando vivia em Lisboa e era presença habitual no estádio demolido, os adeptos estavam presentes em grande número e não regateavam apoio às equipas, desde o princípio ao fim do jogo. Nunca senti a necessidade de qualquer grupo específico para animar as bancadas. Por isso, assumo-me com anti-claquista, em qualquer clube.

 

Hoje, as claques dispõem de regalias que não são atribuídas a outros associados, mas não podem ser todas colocadas no mesmo saco. Quero aqui distinguir a Juve Leo, pela gente que atrai, pelas regalias especiais de que dispõe, e pelo poder que foi ganhando dentro do Clube, sobretudo desde a presidência anterior. Foi transformada pelo ex-presidente numa guarda pretoriana, que garantia o seu poder. O poder que a sustentava caiu, no entanto, esta continua a exercer a mesma influência, e de certo modo a mesma arrogância.

 

O novo presidente, se quer ter independência, tem de se impor a esta situação. A Juve Leo não pode ser um poder e/ou contra-poder, conforme as conveniências, na estrutura do Sporting. Frederico Varandas se diz ter coragem, tem de a mostrar nos dossiês difíceis, e encontrar uma solução.

 

Para mim, que não quero ser politicamente correcto, era extinta, mas admito que possa haver outras soluções. Não se pode dissociar o comportamento das claques da vontade do dirigismo, sobretudo do mau dirigismo. Tem que se definir, claramente, quem exerce o poder legítimo no Sporting.

 

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publicado às 04:49

Ter ou não ter coragem, eis a questão

Naçao Valente, em 06.11.18

 

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Rei morto, rei posto, ou quase. O Presidente do Sporting, recentemente eleito, tem todo o direito de despedir treinadores, de acordo com as normas laborais. Entendo que foi um despedimento precoce, embora tivesse vindo a ser anunciado. A gratidão não é um acto unânime entre os humanos, mas é completamente desconhecido pela tribo do futebol. O que se passou com Peseiro é disso exemplo claro.

 

Pouco falador, o que nem sempre é mau, o Dr. Varandas vai mandando uns "bitaites" aqui e ali, mas de concreto de objectivo não diz nada. Sobre o despedimento, fixei duas frases: Peseiro "é um bom homem" e "tenho coragem". Nem uma, nem outra afirmação colam com a realidade.

 

Das duas uma, ou é um bom homem, e é tratado com respeito, ou é um biltre, e leva um pontapé no rabo, durante um sonho nocturno que se tornou real. Como Sousa Cintra, que despediu Robson, um treinador que poderia ter sido campeão,  numa viagem de avião, o Dr. Varandas despediu Peseiro, após um mau resultado numa taça de baixo gabarito. Pior, mandou-o despedir através de um mero director de serviço. E isso leva-nos à questão da coragem.

 

Será o Dr. Varandas um Homem corajoso? Se o é, e se pelo que consta, Peseiro nunca foi o seu treinador, porque não o disse na campanha eleitoral? Isso foi coragem ou estratégia eleitoral? 

 

Se Peseiro não era o seu técnico, porque não o despediu  após ter ganho as eleições? Estava a ver por onde paravam as modas, nomeadamente à espera que crescesse a vaga de fundo, na qual se respaldasse?

 

Se o Dr. Varandas queria despedir José Peseiro porque só o fez quando teve as costas bem quentes pelo ambiente irracional das bancadas?

 

A coragem demonstra-se em actos frontais. Decidir um despedimento, numa noite de um pesadelo tornado realidade, não é coragem. Pior, mandar despedir o treinador por um subordinado, não é coragem, tem outro nome, e faz lembrar tempos idos de má memória.. Coragem teve Peseiro, quando pegou num barco à deriva e o pôs a navegar mesmo com com altos e baixos. A frontalidade dificilmente vence a manhosice.

 

José Peseiro cometeu um erro capital. Cometeu o erro de colocar uma equipa com atletas de menor valia, sem competição, sem rotinas e sem entrosamento, como é natural, nos jogos de competições de segundo plano, para ter sempre, em boas condições, a equipa principal nos jogos importantes que se estão a disputar. Ao tomar esta opção, "entregou o ouro ao bandido", prejudicou-se a si próprio, mas favoreceu o Clube.

 

Passaram pelo Sporting depois da conquista do último campeonato dezoito treinadores. Caramba,  são todos maus? Parece-me que o problema está mais acima, umas vezes na falta de coragem, outras na coragem de fazer disparate, ou por decisão própria, ou por pressão de quem não pensa com a cabeça.

 

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publicado às 04:02

A primeira derrota: Claques 1-Varandas 0

Naçao Valente, em 01.11.18

 

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Nunca disse que Peseiro era o melhor treinador para o Sporting. Sempre tive a consciência que era um técnico transitório. O que foi possível encontrar numa situação bastante difícil. Assumiu o cargo sabendo que era uma missão de muito risco. Quis assumir esse risco com a percepção que poderia dar volta à situação, e provar os seus méritos técnicos. Ao que me informaram, terá prescindido de um contrato nas "arábias", possivelmente bem mais interessante financeiramente.

 

Sabia que tinha um plantel desfalcado e muito inferior ao dos adversários mais directos. No entanto, arrumou a casa e conseguiu manter a equipa na luta em todas as competições, estando a dois pontos da liderança. Nunca se desculpou com a evidente falta de qualidade do plantel, com a agravante de não ter podido contar com jogadores insubstituíveis, como Mathieu, Bas Dost e Raphinha.

 

Com um plantel de segundas linhas, que quando chamadas a intervir não mostraram competência, foi mantendo a equipa na luta nas provas secundárias. A equipa que jogou contra o Estoril, possivelmente, não se aguentava na Segunda Liga. A decisão, tomada a quente, depois de uma derrota numa prova secundária, que ainda não está perdida, não abona em favor da postura racional que se exige a um Presidente. O presidente Varandas, no aspecto desportivo, mostrou ser mais do mesmo. Mostrou estar ao nível do mau dirigismo português. Um Presidente, tipo "pato bravo". 

 

Mostrou que está refém das claques, das bancadas. Os adeptos pensam (ou não pensam)  o Clube na base da irracionalidade. O Presidente não o pode fazer. As claques venceram. O Presidente foi derrotado. Se considera que é esse o caminho começa muito mal. A irracionalidade venceu o bom senso. Seja qual for o treinador que substitua Peseiro, mesmo que seja Mourinho ou Guardiola, ou até os dois, não será campeão com este plantel. Ao que parece, os adeptos ficam satisfeitos com boas exibições. Eu, sou do contra, prefiro comemorar títulos.

 

Mas o problema do Sporting não é apenas de plantel ou de equipa técnica. O problema é de estrutura e de organização. A construção de uma equipa vencedora, não se faz de um dia para o outro. A anterior Direcção, mau grado, a situação em que deixou o Sporting, até esteve no bom caminho, desportivamente, nos dois primeiros anos. Depois começaram as loucuras do Presidente destituído e deu no que deu. Este Presidente que viveu o Sporting por dentro parece que não aprendeu nada. E de uma outra forma quer seguir as mesmas "pisadas".

 

Esta má decisão, pode ser o pronúncio de uma caminhada que levará ao insucesso. E poderão ser mais 16 anos sem títulos. Na campanha eleitoral afastei-me de Varandas, pelo seu posicionamento de querer agradar a gregos e troianos. Nos debates surpreendeu-me pela negativa, nomeadamente pelos ataques de personalidade que fez a alguns adversários. Foi o escolhido pelos sócios, como o anterior. Começo a duvidar que tenha sido uma boa escolha. Rendeu-se às claques. Estas hoje rejubilam, como se vê por aqui. Amanhã quem estará na linha da frente, será o próprio Varandas.

 

E se no final do campeonato, a manter-se este plantel, a equipa ficar a mais de dois pontos do primeiro lugar e afastada de todas as competições, quero ver como vai justificar este despedimento, decidido numa noite mal dormida. Afinal, Frederico Varandas vem para unir ou desestabilizar?

 

P. S. : Achei alguma graça, sem a ter, aos obsessivos anti-Peseiro, que hoje voltaram em força, ausentes depois da exibição razoável e da vitória clara sobre o Boavista. Tiveram uma vitória que pode ser de Pirro, mas não sei se para o Sporting não terá sido uma derrota.

 ADENDA : Um leitor defendeu nos comentários, que Peseiro não foi despedido por pressão das claques. Talvez faça sentido. Segundo os ultimos desenvolvimentos na Comunicação Social, sempre foi intenção de Varandas despedi-lo. E não o fez, no imediato, porque a equipa estava invencível e no primeiro lugar. Diz-se que até já teria treinador "apalavrado". Apenas esperou que se criasse o ambiente propício. A ser assim, e digo-o com todas as reservas, ainda me parece mais grave. E leva-me a questionar o carácter do cidadão Varandas.

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publicado às 15:30

A sina do treinador e a natureza do adepto

Naçao Valente, em 22.10.18

 

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A profissão de treinador é das mais precárias. Vive e sempre viveu de resultados. Poucos, muito poucos, fizeram a carreira sem serem dispensados. E esses poucos, para além da sua qualidade, foram os que tiveram a sorte de estar em clubes, onde não vencer é a excepção.

 

Os adeptos querem que a sua equipa ganhe sempre. É a natureza do adepto. Mas o adepto do Sporting é especial: ganhar não chega, é preciso muito mais, dar espectáculo. Mas se a equipa der espectáculo e acumular derrotas, o treinador, vai  também de vela. Ou seja, preso por ter cão e preso por não ter. É muito difícil contentar a tribo do futebol.

 

Um dos responsáveis por esta situação, é Sousa Cintra, que apesar dos bons serviços que prestou ao Sporting, criou altas expectativas, quando não havia condições para tal. Dizer que com os retalhos de uma equipa destroçada ,iríamos ser campeões, colocou pressão desnecessária na estrutura, e ilusões na mente dos adeptos, que reagem pela emoção e não pela racionalidade, e muito menos pela razoabilidade.

 

José Peseiro, que na passagem anterior pelo Sporting, tinha uma equipa que jogava bom futebol, e perdeu tudo por uma unha negra, construiu uma equipa mais preocupada com o resultado do que com a exibição. E enquanto teve à sua disposição todo o plantel, foi conseguindo esse objectivo. Jogar sem Mathieu e sem Bas Dost é jogar sem a mesma consistência na defesa e sem presença na área. Não se pode dissociar as más exibições da qualidade individual. E quando se colocam as segundas linhas, o problema amplia-se.

 

Portanto, na minha perspectiva, o problema de José Peseiro, para além das limitações do actual plantel, é estar amarrado à obsessão do resultado. Isso reflecte-se na estratégia, na alteração do onze, na ousadia de arriscar. Isto tem-se vindo a verificar de jogo para jogo. Uma vez conseguido o resultado positivo, procura-se defendê-lo, dando oportunidade ao adversário de crescer. Quando jogou sem medo, como na visita ao Estádio da Luz, esteve quase a ganhar.

 

Voltando aos adeptos, estão a demonstrar uma falta de paciência preocupante e a revelar uma memória muito curta. Ainda na época anterior, uma equipa, bem mais apetrechada de valor, perdeu com o Estoril (desceu de divisão) e para ganhar a final da Taça da Liga ao Vitória de Setúbal, viu-se obrigada a ir a penáltis. E outros exemplos poderia dar. Essa falta de memória alarga-se aos acontecimentos do final da época e das suas consequências, que ainda se reflectem no que se passa neste momento, nomeadamente no plantel.

 

Esta equipa tem jogado mal? Tem. Está afastada de alguma competição? Não. Vai estar no futuro, como aqui auguram profetas da desgraça? Não sei. Vivo de realidades, não de especulações. Alguns adeptos têm estado mal, neste contexto? Têm. Se não querem ajudar, que não ajudem, mas deixem a equipa jogar e ganhar. Com a contestação, porque sim e porque não, só estão a contribuir para piorar.

 

P.S: Os meus fervorosos parabéns a Rui Patrício, que mostrou a sua gratidão, ao Sporting, prescindindo de muitos milhões, para facilitar o acordo da sua saída. Uma bofetada de luva branca a quem a merece. Duvido que os que o crucificaram, fizessem tal acto na sua vida privada.

 

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publicado às 03:33

Apoiem o Sporting !

Naçao Valente, em 10.10.18

 

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Os sócios votantes escolheram, por maioria, Frederico Varandas para dirigir o Sporting. Se foi a melhor escolha entre as disponíveis só o tempo o dirá. O Presidente Varandas está no exercício das suas funções há cerca de trinta dias. Ainda nem teve tempo para conhecer os cantos à casa, de estudar os complicados dossiês que tem que resolver, e já andam no ar poeiras de contestação.

 

O Presidente e a Direcção têm nas mãos, entre outros dossiês urgentes, o problema das rescisões, o lançamento do empréstimo obrigacionista, e a necessidade de conseguir meios financeiros para gerir o dia a dia. A importante questão da resolução das rescisões é, no imediato, a melhor forma de conseguir dinheiro para satisfazer compromissos. O pior que pode acontecer, é deixar arrastar, por anos, os processos nos tribunais, sem ter a certeza de os poder ganhar.

 

A situação financeira do Sporting é muito difícil. Exige medidas imediatas. Contudo, os adeptos concentram-se num mar de discussões - com todo o respeito - de "lana caprina", com questiúnculas à volta da prestação da equipa principal de futebol, que apesar da situação existente, vai fazendo o seu percurso. Compreendo a ansiedade do adepto por títulos, mas não se pode ignorar a situação real em que se encontra o Clube.

 

O ex-candidato Ricciardi, passado um mês, sublinhe-se, veio a terreiro pôr mais achas na fogueira. A sua intervenção tem duas faces. Uma em que descreve a situação financeira do clube, que tem o condão de alertar os associados para as sérias dificuldades que existem, e que parecem ignorar, outra, onde ataca o Presidente eleito, quase o responsabilizando pela situação de que não é responsável. Como sportinguista, melhor faria, em se disponibilizar, para ajudar esta Direcção, com o fez em relação a anteriores. Mas o espírito de vingança prevalece. Mesquinho. E digo-o com toda a propriedade, pois cheguei a ter simpatia pela sua candidatura.

 

O Sporting é um Clube mesmo muito grande. Só assim se explica que vá resistindo, a este permanente espírito de "harakiri".

 

Muitíssimo pior do que os nossos adversários, são os amigos internos, que consciente e inconscientemente, se degladiam em lutas fratricidas. Não é hora de dissensões, é hora de união para recuperar o Clube. Não há bons resultados no plano desportivo, sem finanças sólidas e sem unidade na acção. Era aí que se deviam concentrar as energias. O sucesso desportivo é uma consequência.

 

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publicado às 17:30

Respeitem o Sporting !

Naçao Valente, em 09.10.18

 

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Uma derrota, e cai-nos o céu em cima da cabeça. Até parece que o Mundo vai acabar. E sem considerar quaisquer circunstâncias relevantes, só há um culpado. O treinador. Está encontrado o proverbial cordeiro do sacrifício. É um frouxo , vale zero e outros epítetos, sem consistência, que tenho pudor em reproduzir. Compreendo que a vida seja difícil, que se acumulem frustrações, mas não descarreguem no elo mais fraco. Usem-nas no sentido positivo.

 

Para as memórias curtas relembro: estamos a quatro pontos dos primeiros, e a dois do campeão em título, no início do campeonato, começámos bem a Taça da Liga, estamos, praticamente apurados para a fase seguinte da Liga Europa. Empatámos na Luz, perdemos em Braga. Quero ver se outros grandes vão lá ganhar. No entanto, primeiro de fininho, agora, após a esta derrota, em crescendo, pede-se a imolação do técnico. Quero crer que a amostra, que passa neste blogue, e de forma mais activa nas redes sociais, não passe de uma minoria ruidosa. Para bem do Sporting.

 

Observo, ouço, leio, leigos da bola, e analistas profissionais de futebol, imparciais, e tiro das suas palavras a seguinte conclusão: Peseiro foi corajoso ao pegar na equipa, e está a fazer um bom trabalho, com a sua reconstrução, paulatinamente. Precisa de tempo e não lho querem dar.

 

Para as memórias mais curtas volto a relembrar. No pós Alcochete, saíram nove jogadores, sendo uma maioria, titulares. Dessas saídas, foram recuperados apenas três. Na actual equipa, do plantel titular da época anterior sobram: Coates, Mathieu (lesionado), Bruno Fernandes, (em baixa de forma), Acuña, Battaglia, Bas Dost (lesionado). Destes, os que jogam, contam-se pelos dedos de uma mão.

 

Dos que foram contratados esta época jogam Gudelj, Nani, Raphinha e, aos soluços, Diaby. Ainda sobra um dedo de outra mão. A maioria são segundas linhas, que não jogavam na equipa anterior. É com esta equipa de segunda linha que querem milagres? A culpa de piores prestações é só do treinador?

 

A equipa joga com um defesa central de qualidade, e dois laterais fracos. Tem um meio campo que vai defendendo, mas que tem medo de ter a bola e não tem apetência para atacar. Na frente, salva-se Nani pela experiência, Raphinha pela qualidade, Jovane pelas potencialidades, mas em aprendizagem. Ponta de lança zero. Montero não desempenha essa função. E querem milagres?

 

Perdemos com o último classificado? Foi um mau jogo, e numa prova longa, outros haverá, para todas as equipas.Sugiro que acompanhem esta equipa do Portimonense. É das equipas ditas pequenas, a que joga melhor futebol. Tem jogadores de boa qualidade no ataque. O lugar onde está é mentira. Está a melhorar dia a dia. E estou curioso para ver os outros, ditos grandes, quando jogarem em Portimão.

 

A crítica a uma equipa de futebol, deve ser feita num todo coerente. Não depende apenas de quem a treina, de quem a dirige, depende da sua qualidade, das circunstâncias que envolveram a sua constituição, do tempo que teve para assimilar processos e rotinas, dos adversários que defronta, das condições físicas de cada momento e por aí fora. Atribuir responsabilidades apenas ao treinador., é como analisar a floresta a partir de uma única árvore. 

 

Esta perseguição cega ao actual treinador não é crítica, séria e honesta. É maldizer, bota-abaixismo, preconceitos em relação a uma pessoa que se chama Peseiro. Como disse um comentador televisivo, deve ter sido o único treinador que não teve estado de graça. Não merece este julgamento.

 

Aceitou pegar numa "não equipa", e com o que lhe foram facultando, aos bochechos, foi-a construindo, e muito pragmaticamente.  Sabendo do que dispunha, foi  jogando para os resultados. Não merece a sanha dos catedráticos de futebol que por aqui pululam, e que espremida toda a sua sapiência futebolística, apresentam uma mão cheia de nada, e outra de coisa nenhuma.

 

O treinador merece, destes adeptos, mais respeito, até porque, ao contrário do que pensam nas suas convicções persecutórias, com fundamento duvidoso, também não respeitam o Sporting.

 

P.S.: Na página de Facebook do Clube, a máquina de propaganda brunista continua activa, dominando o debate. Está a fazer trabalho de sapa para o regresso do destituído, como já tinha feito antes. E o que fazem os nossos adeptos? Concentram-se nas guerras de alecrim e manjerona, e embarcam na propaganda pré-programada. Na minha modesta opinião, o destituído não é carta fora do baralho. Estou a ficar preocupado. Pelo Sporting.

 

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publicado às 05:17

Tolerância zero

Naçao Valente, em 27.09.18

 

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No mundo do futebol depressa se passa de bestial a besta. Manuel José dixit, com toda a propriedade. No caso do treinador José Peseiro a regra nem se aplica, pela simples razão que nunca teve período de graça. Desconfiança e descrença marcam a sua contratação. Nem o facto de o Sporting estar num estado quase catatónico, sem dinheiro, sem equipa, e com recusas de outros técnicos, deu para admirar a sua coragem, assinando um contrato muito precário.

 

Para Peseiro a tolerância é zero, pelo menos por parte de alguns sportinguistas. Ontem, num texto aqui transcrito de outro blog, foi apresentada uma análise correcta, na minha perspectiva, da saga contra o treinador, desvalorizando a sua competência e criticando (acriticamente) as suas opções tácticas. A palavra chave para alguns mais radicais, é RUA... já. Tenho assistido a muita crítica absurda, mas como esta não me lembro de ter visto.

 

Desde que assumiu as suas funções, José Peseiro teve que correr contra o tempo, com um plantel amputado de jogadores fundamentais. A pouco e pouco, discretamente, com trabalho e humildade, foi construindo uma equipa, que foi recebendo alguns "reforços" a conta-gotas. Sete jogos depois foi somando pontinhos, uma vezes com mérito, outras com alguma sorte. Havia quem augurasse uma hecatombe na Luz. Não aconteceu. Em Braga o mínimo exigível era a vitória, como se o treinador dispussesse de um plantel excepcional.

 

Dezasseis anos sem ganhar um título e não assisti a uma tamanha rejeição em relação a qualquer técnico. Nos últimos três anos, investiu-se como poucas vezes, em jogadores de gabarito. Pagou-se um ordenado milionário a um treinador, e os resultados foram uma mão cheia de nada e outra de quase coisa nenhuma. No entanto, os adeptos assanhados contra Peseiro, tiveram então uma paciência de santo.

 

Com a "matéria-prima" de que dispõe, Peseiro construiu a equipa possível, uma equipa lutadora e empenhada. Não joga com nota artística, nem pode, pois faltam-lhe artistas. Mas joga na eficácia e só graças a isso se vai mantendo perto dos primeiros lugares. Em Braga perdeu, mas tivesse havido mais eficácia na finalização e poderia ter ganho.

 

Considero, porém, que a equipa pode melhorar com mais entrosamento, e quando puder dispor de jogadores que têm estado indisponíveis. Considero que pode melhorar com o apoio de todos os sportinguistas. O que menos precisa é do "bota-abaixismo" que aqui e ali vai aflorando, por profetas da desgraça, há muito à espera de uma derrota.

 

O que não se exigiu, com melhores condições, ao longo dos anos, a vários treinadores, exige-se agora à nova equipa técnica. Se não quiserem ajudar, não compliquem. Deixem trabalhar o Peseiro. As contas fazem-se no fim. E quem sabe se não terão uma surpresa.

 

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publicado às 03:19

Chutar para canto...!

Naçao Valente, em 19.09.18

 

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O problema fundamental é que os clubes de futebol, sobretudo os que têm mais adeptos, têm gozado de quase total impunidade, no que concerne ao cumprimento das normas estabelecidas quer ao nível desportivo, quer ao nível das leis da República.

De facto, os poderes instituídos evitam meter-se no vespeiro do futebol deixando-o em roda livre. O que em certo sentido se explica, pelo receio que os clubes utilizem como arma de arremesso, os milhares de adeptos/votantes, sempre reactivos à partidarize clubística.

Para além disso, usando a predisposição emocional dos mesmos adeptos, tecem uma teia de interesses que mina toda a sociedade. E sabendo da quase impunidade de que dispõem, colocam-se acima da lei e agem como um estado dentro do estado.

Alguém viu algum adepto do FC Porto revoltar-se, com honrosas excepções, com o Apito Dourado? Alguém espera ver um adepto benfiquista, revoltar-se com o e-Toupeira? Com honrosas excepções, todos chutam para canto. Para o adepto o clube é como uma religião, não se pode pôr em causa. O que o adepto quer é comemorar títulos, independentemente, de ser ou não com resultados viciados.

Não deixa de ser engraçado, sem ter graça alguma, ver os adeptos que criticaram, com propriedade, o Apito Dourado, fazerem agora de peixe morto, com o caso e-Toupeira. É por estas e outras que o futebol português não sai do proverbial lamaçal. E não sairá, enquanto estiver na mão de dirigentes sem escrúpulos, e enquanto a Justiça não usar, sem tibiezas, de mão pesada.

 

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publicado às 03:18

E depois do adeus

Naçao Valente, em 11.09.18

 

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"E depois do adeus" foi a canção escolhida para servir de senha ao arranque do movimento militar que iria derrubar, em 25 de Abril de 1974, o regime totalitário que governava Portugal. Começou então uma nova era com repercussões profundas no nosso país. No entanto o mundo do futebol resistiu a essa mudança positiva.

 

A eleição da nova direcção do Sporting, depois de um processo que pretendia a ocupação totalitária do Clube, não é um "25 de Abril a nível clubístico", embora ele seja necessário para o todo do futebol nacional. Não deixa apesar disso de representar uma mudança significativa, num caminho que conduziria à destruição da instituição SCP.

 

A primeira conclusão a tirar desta mudança é que os sportinguistas deram uma exemplar lição de civismo, ao mesmo tempo que recusaram o aventureirismo brunista. Ficou claro que a anterior Direcção, no meio de constantes ilegalidades, foi derrotada duas vezes. Uma na AG destitutiva e outra, pela larga participação, neste acto eleitoral.

 

Não sendo partidário de qualquer forma de vingança, acho de elementar justiça a expulsão do anterior Presidente, que mesmo depois de afastado pelos sócios, de forma democrática, continuou a ensombrar o clube, colocando em primeiro lugar os seus interesses pessoais, E se não lhe for retirada a condição de sócio pode continuar a fazê-lo.

 

Os sócios votantes escolheram para Presidente o candidato Frederico Varandas. É, a partir de agora o Presidente de todos os sportinguistas, independentemente das opções que antes tomaram. Depois de anos de desunião fomentada  pela Direcção anterior, chegou o momento de nos unirmos em prol dos interesses do nosso clube. Sem essa unidade não é possível reerguer o Sporting da situação em que se encontra.

 

A tarefa desta Direcção é quase ciclópica. Resolver problemas financeiros imediatos, criar as condições económicas para manter as equipas competitivas, exige grande rigor. Confio na competência dos elementos que constituem a Direcção, mas a recuperação será tanto mais fácil, quanto os adeptos mostrarem a capacidade de compreender que é preciso dar tempo a quem tem que resolver problemas complexos.

 

E depois do adeus a um período que nem deve ser lembrado a não ser como lição do que não pode acontecer, é fundamental ter confiança na equipa escolhida pelos associados. Mas lamento dizer que quando o andor ainda nem saiu da igreja já se notam alguns sinais de "bota-abaixismo", uns mais, outros menos velados, como por exemplo, à menor capacidade oratória do eleito. O que é necessário é acção.

 

Bem precisa esta Direcção, para além de trabalho, de muita sorte para conseguir levar o barco a bom porto, para que as vozes dissonantes não consigam sair da surdina. As vitórias apenas se tornarão uma constante, quando todos remarmos no mesmo sentido.

 

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publicado às 05:05

Hoje é dia de escolher

Naçao Valente, em 08.09.18

 

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Depois de um período de turbulência interna o Sporting vai hoje a eleições. E não se pode dizer que não há candidatos para vários gostos. Mas exceptuando três, os outros, na minha opinião, servem apenas para compor o proverbial ramalhete. Isso não significa desprimor, pois trouxeram ideias para enriquecer o debate e que o vencedor poderá aproveitar.

 

Tudo aponta para que a disputa final se dê, por ordem de intenção de candidatura, entre Varandas, Benedito e Ricciardi. Já aqui manifestei, em comentário, a apreciação para cada um deles. Não assumi, nem assumirei. publicamente, qualquer opção pessoal. Sei que, por razões diversas, a opção não é fácil e vai haver indecisão, por parte de alguns votantes, até ao acto de votar.

 

Ganhe quem ganhar será o presidente de todos os sportinguistas e enquanto exercer as suas funções com elevação, correcção e respeito, fazendo o seu melhor em prol do clube, deve merecer o apoio de todos.

 

Em termos genéricos, o perfil de um presidente de uma instituição como o Sporting CP, deve enquadrar-se em alguns princípios básicos: estabilidade e inteligência emocional, carácter, competência social, honestidade, criatividade, e capacidade de liderança e de decisão.

 

Quem corresponder a este leque de princípios tem, à partida, condições para vir a ser um bom presidente, para além de outros atributos específicos, que possa possuir.

 

A campanha eleitoral, onde aconteceram, como é natural, algumas picardias, acabou. Hoje é o dia de escolher uma equipa digna de dirigir o Sporting durante quatro anos. Que cada votante exerça o seu voto em consciência, sem preconceitos, pensando apenas no que será melhor para o Clube.

 

Amanhã será um novo dia, em que a disputa desportiva tem de ser apenas com os nossos adversários.

 

P.S.: Não posso deixar de expressar o meu agradecimento aos órgãos sociais que durante dois meses dirigiram e estabilizaram o Sporting. Obrigado pelo excelente trabalho.

 

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publicado às 10:59

Formação e fidelidades

Naçao Valente, em 27.07.18

 

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Tem sido assunto de muita polémica as rescisões de nove jogadores do Sporting, no fim desta época desportiva. É ,no entanto, um caso tão insólito quanto raro, e que só foi possível na sequência do delírio "tremendus" que atingiu o presidente destituído a partir do mês de Março. Não tivesse acontecido esse desvario, o Sporting teria todo o seu plantel, e estaria a negociar, normalmente, as vendas de alguns desses activos.

 

Comentadores do Camarote põem todo o ónus de culpa nos jogadores, esquecendo a origem principal desses acontecimentos. Os jogadores foram acusados de ingratos, quiçá de traidores. Ídolos que passaram num abrir e fechar de olhos de bestiais a bestas.

 

Compreende-se na perspectiva da irracionalidade do adepto, mas não tem cabimento algum numa análise racional, onde se devem considerar razões objectivas. Decerto que terá havido motivações variadas, e admito que alguns se tivessem atrelado ao carro das rescisões sem reais motivos que o justificassem.

 

Esta situação levanta, porém, uma discussão que tem a ver com os direitos de formação, por terem aqui sido usados como argumentação para condenar os atletas em causa, a um grave crime de "lesa pátria". Os direitos de formação estão regulamentados, os formandos têm contratos assinados com o clube formador, seja ele qual for, e dele constam direitos e deveres. Nenhum desses contratos implica uma espécie de fidelidade, tipo feudal, em que o formando, se obrigue a nunca poder denunciar o contrato, estando amarrado por direitos de formação. Afinal vivemos ou não numa sociedade livre?

 

Mas a questão dos direitos de formação merece outra reflexão. Diz-se que o Clube gastou imenso dinheiro com essa formação  e que deve ser ressarcido. Não passa de uma meia verdade. Eu gostaria de saber quantos dos milhares de formandos que passam pelos clubes dão em termos financeiros qualquer contrapartida. Certamente uma pequena minoria. A maior parte destes formandos vai-se perdendo pelo caminho, e apenas um número muito reduzido chega a profissional, e um número ainda mais reduzido garante retorno financeiro. Podem-se contar pelos dedos das mãos, os que deram retorno assinalável. Com todos os outros, tirando a sua participação em provas dos escalões em que actuaram, só constituíram despesas.

 

E quando futebolistas como Gelson, Rui Patrício, William, Podence, Leão ,apenas para referir os que estão envolvidos nestas rescisões, têm valor de mercado considerável, pela sua qualidade, nós adeptos devíamos estar-lhe gratos, pois são a tal e reduzida minoria que irá realmente "pagar" e bem o dinheiro gasto. E volto a repetir, se chegaram a este patamar, não foi somente pela formação em si, mas pela sua qualidade. E quando partem para outras paragens, independentemente da mais valia que geraram, já acrescentaram muito valor ao clube que os formou, e neste caso específico à marca Sporting.

 

Foi o que aconteceu com os referidos atletas, que embora tenham apresentado rescisão, pelas razões conhecidas, têm estado abertos a negociações, entre o seu clube formador e o que os pretende contratar. Como estas correm para o clube é uma situação que já os ultrapassa, mas estou convicto que ficarão satisfeitos, se este fizer um bom negócio. Claro que, numa outra vertente, procuram melhorar a sua condição profissional, mas isso é inerente à ambição de qual quer trabalhador. É verdade, que pelo meio, há os empresários que gerem a sua carreira, e que também tiram bons proventos. É a realidade que existe e existirá, enquanto o dinheiro, comandar o mundo.

 

Em conclusão, parece-me uma injustiça gritante para estes atletas, a forma como foram tratados pela irracionalidade de alguns adeptos, que vivem fora do tempo, e ainda confundem relações livres de trabalho, com relações de tipo feudal, para mais assentes na falácia da formação, e num tipo de fidelidade que não existe, noutros tipos de actividade. 

 

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publicado às 04:18

Assombração III (um pouco de pudor)

Naçao Valente, em 21.07.18

 

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As fidelidades podem ser um acto nobre. Mas há fidelidades, levadas ao absurdo, e difíceis de entender. Eu apenas as compreendo num espírito de fundamentalismo religioso. Este intróito serve para me referir aos fanáticos, que aqui no Camarote Leonino, continuam a aparecer para defender o presidente destituído por volta de setenta por cento de votos expressos em AG, e depois de ter infringido os Estatutos e de ter causado um enorme prejuízo na SAD e no prestígio do clube.

 

Houve um comentador que até nos acusou de não deixarmos de nos referir à personagem. Bem gostaria de o fazer, mas o facto é ele que insiste em desestabilizar o clube que diz amar. De facto, mesmo suspenso de sócio, continua a cometer ilegalidades atrás de ilegalidades. Insiste em apresentar candidatura  quando sabe, certamente, que não pode fazê-lo, nem poderá nestas eleições, se for feita justiça, em relação ao processo a que está sujeito.Queremos virar a página, calmamente, mas a assombração não deixa.

 

Como se tem dito está "morto" mas não aceita, e persiste como fantasma, no momento em que gente séria e honesta, está a fazer tudo para limitar os danos que provocou. Que não tem um pingo de vergonha na cara e que não conhece a palavra dignidade já está mais que provado. Mas para além disso, continua a passar todos os limites. Abandonado até pelos seu fiéis acompanhantes pigmeus, rodeia-se de toda a escória a que se pode agarrar. Pessoas de duvidoso sportinguismo, dispostos a vender a alma ao diabo por trinta dinheiros. O espectáculo indecoroso que estão a dar na comunicação social, seja "correios da manhã" ou outros, trocando mimos e acusações, só desprestigiam o clube e a sua grande valia, a marca Sporting. Quem ama o clube, sujeita-o a este lavar de "roupa mal.cheirosa" apenas por causa de eventuais lugares à mesa do seu orçamento?

 

Consta que mesmo não tendo condições para se candidatar, se apresentam nos núcleos para fazer campanha eleitoral. E como é possível que haja alguns que ainda recebem esta gente fora da lei? Não tiveram conhecimento do que aconteceu no dia vinte e três de Junho? Não sabem da situação dos destituídos? Embarcam na mesma ilegalidade? 

 

No meio desta "prostituição" não poderá haver,ao menos, um pouco de pudor? Um pouco de respeito pelo Sporting?

 

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publicado às 11:00

Assombração II

Naçao Valente, em 13.07.18

 

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...Os sócios votaram esclarecidamente e disseram que querem o fim do pesadelo. Mas a assombração não quer deixar os corpos gerentes recuperarem o Sporting e instalarem a normalidade. Deste modo, é difícil reverter a perda de activos ou o seu valor e é difícil lançar a época com tranquilidade.

 

Post de 26/6/2018 

 

Depois de vários anos de um caminho que aurava que ia acabar mesmo mal, aconteceu o desfecho trágico que colocou o Sporting num desvario que o bom senso de uma maioria conseguiu travar. Os sócios mobilizaram-se como nunca tinha acontecido, de Norte a Sul do país, e disseram claramente não ao populismo e à deriva ditatorial. Respirou-se de alívio. Mas ainda a destituição estava quente e já o destituído tinha deixado de ser adepto sportinguista e tinha voltado a ser, em menos de meia dúzia de horas. Escrevi então que o Clube estava sob o domínio de uma assombração.

 

Contra a vontade dos profetas da desgraça começaram a viver-se tempo de tranquilidade. A Comissão de Gestão, composta por gente séria, e com serenidade, começou a arrumar a casa e a preparar a nova época, para entregar o clube estabilizado à nova direcção. Passo a passo, foi resolvendo dossiers difíceis, ao mesmo tempo que se entrava num período de normalidade.Pensei então que o lamentável passado tinha acabado e que o Sporting, como grande instituição tinha virado a página. Perante os últimos desenvolvimentos não sei se assim será.

 

A grande assombração voltou, e voltou em duplicado. Dividiu-se para assim tornar ainda mais extensa a nuvem negra que assola o Clube. A pretensa e dupla candidatura de dois reconhecidos golpistas unidos e destituídos, pode não passar de uma tentativa de causar confusão e medo, mas contribuirá para desestabilizar e complicar a vida a quem está a fazer todos os esforços, para recuperar o Clube do fosso onde o meteram.

 

Possivelmente não passam de meros fantasmas, que ainda não perceberam que não têm existência real. No entanto, insistem em  pairar,com o seu cortejo de fanáticos de duvidoso sportinguismo, sobre a vida do clube, ao qual não são leais, se não, depois de terem ouvido um não rotundo na AG, ter-se-iam afastado.

 

Outras assombrações de reconhecido menor impacto estão porém a complicar todo o processo eleitoral. No meio de algumas candidaturas com seriedade, proliferam outras fantasmas, umas já anunciadas, outras em vias de o ser. Não trazem nada de novo, e não consigo perceber ao que vêm. As hipóteses de ganhar são iguais a zero.

 

Alguns exemplos: O que move Dias Ferreira, que prestou bons serviços ao Sporting, mas cujo tempo já passou? O que move  Zeferino Boal, um fala barato, sem conteúdo e sem perfil para a função? O que move um empresário do interior, com uma vaga intenção de coordenar os núcleos?

 

Bom gosto e bom senso é o mínimo que se exige nesta fase. Porque raio de sportinguismo se pauta esta gente, numa fase difícil, sabendo que só vêm para gerar confusão? O melhor serviço que podemos fazer ao clube, neste momento, é estar disponíveis para ajudar quem se apresenta com credibilidade.Já chega de assombrações.

 

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publicado às 03:44

Eleições: que projectos ?

Naçao Valente, em 07.07.18

 

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Rodrigo Roquette, num texto, transcrito aqui no Camarote Leonino, faz uma apreciação negativa, devido à falta de ideias claras e objectivas pelas candidaturas, que até agora se apresentaram a eleições, e enumera uma série de sugestões, que  poderiam fazer parte de um programa a apresentar aos sócios.

 

Num post que aqui escrevi, a propósito da candidatura de Francisco Varandas, intitulado Candidatura: A montanha pariu um rato? escrevi: "Na forma, pareceu-me haver uma grande preocupação com os efeitos visuais, o que talvez fosse dispensável. Mas isso é o menos relevante. Já quanto ao conteúdo, o achei algo vazio. Para uma candidatura que tem sido anunciada com pompa e circunstancia, vejo apenas no campo das ideias uma muito vaga enumeração de linhas gerais, inteiramente expectáveis, e de qualquer candidato".

 

Indo um pouco ao encontro das críticas de Rodrigo Roquette, que subscrevo, o que disse sobre a candidatura do Dr. Varandas, aplica-se aos outros candidatos, com o mesmo show-off e o vazio de ideias, ou dizendo de outro modo, com a inexistência de um projecto objectivo.Até este momento, procura-se captar o voto do eleitor, com a parafernália de apoios sonantes, ou com a apresentação de nomes de treinadores, como o às de ouros de um baralho de cartas.

 

Esse tipo de trunfos eleitorais, pode convencer alguns eleitores, mas parece-me que não é a principal razão para motivar o voto em qualquer candidatura. Não passa de fogo fátuo. Como escrevi no post Não é tempo de aventureirismos, quem quiser ganhar as eleições "tem de ter um projecto consistente e credível" . O que me parece, até este momento, é que os candidatos se limitam a mostrar desejo e ambição de ocupar o lugar da presidência, com muito foguetório e pouca substância. E desculpem-me a comparação: passa a ideia de putos pequenos a dizer, a minha é maior que a tua. Mas, salvo melhor opinião, isto é um assunto de homens.

 

Sem me debruçar especificamente sobre as medidas apresentadas, como ponto de partida, para elaboração de um projecto coerente e realista, admito que muitas delas fazem sentido, precisando de ser estruturadas e adequadas à verdadeira situação do Clube. Constituem um bom ponto de partida, para uma reflexão séria sobre o que queremos para o Clube, e como o queremos ver dirigido. Haverá outras que não passam de demonstração de meras utopias, sem pôr em causa a boa intenção.

 

Deixo, para terminar, algumas interrogações. O que pretende Rodrigo Roquette, cujo currículo desconheço, com esta reflexão? Contribuir apenas para um debate, até agora muito pobre? Ou não haverá outros objectivos que estejam inclusive a ser lançados, como uma semente, para o aparecimento de uma eventual candidatura?

 

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publicado às 03:48

Não é tempo de aventureirismos

Naçao Valente, em 05.07.18

 

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O Sporting CP, como qualquer grande clube, é para muitos dignos desconhecidos um trampolim para a visibilidade pública e para a vã glória de mandar, com muito dinheiro à mistura. Isso explica o aparecimento de tantas candidaturas. . Segundo a previsão do director do Record, podem chegar a dez. A maioria das candidaturas, espremidas, como se diz na linguagem popular, não deitam sumo nenhum. Não é que não tenham legitimidade. Não têm ,porém, condições objectivas para lidar com a complexidade da gestão de uma grande instituição.

 

Em linhas gerais, uma candidatura para ser levada a sério, tem, em primeiro lugar de demonstrar, inequivocamente, que está em missão de serviço ao clube, com total desapego ao poder e às suas mordomias. Depois, tem de ter um projecto consistente e credível e uma equipa que mereça credibilidade, venham de onde vierem os seus elementos. Por fim, tem de ser independente de lóbis, de grupos de pressão, reger-se por princípios e valores, onde pontuem o bom senso, a tolerância, a honestidade e o respeito pelas naturais diferenças, e muito importante, que não caia na tentação do populismo.

 

Mesmo que o desvairado Bruno de Carvalho não se possa candidatar, o "brunismo" está a tentar sobreviver, e penso que irá a votos com um testa de ferro.Se assim for e ganhar, foi em vão todo o trabalho feito, para colocar o Sporting no caminho que iniciou há mais de um século. Não é com soberba que o digo, mas costumo ter razão antes de tempo. Oxalá que desta vez me engane.A proliferação de candidaturas, a trouxe-mouxe, pode abrir portas ao regresso do populismo, que tanto custou a erradicar.

 

Com todo o respeito pelo direito democrático, entendo que este não o momento de uma multitude de candidatos que só servirão para dividir e para fazer ruído. Corre-se sério risco de termos um presidente eleito com uma grande minoria de votos, o que é perigoso, para a estabilidade que é preciso continuar.

 

Apelo ao bom senso e sportinguismo de todos e cada um dos concorrentes, para porem o interesse do clube acima das ambições e vaidades pessoais. Apelo aos eleitores para analisarem com realismo as candidaturas, e na medida de possível, concentrarem votos, numa lista que possa pacificar o Sporting,

 

Este, muito em especial, não é tempo de aventureirismos, nem de experimentalismos. Já bebemos desse veneno.

 

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publicado às 18:30

Candidatura: a montanha pariu um rato?

Naçao Valente, em 27.06.18

 

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O Ricardo Leão já manifestou, em post, a sua opinião sobre a apresentação da candidatura de Frederico Varandas. Apesar disso, e à margem da discussão que o tema já gerou, quero, enquanto redactor do Camarote Leonino, apresentar também a minha análise, numa fase ainda muito embrionária deste processo.

 

Como ponto prévio deixo claro, que senti alguma simpatia pelo agora candidato, a partir do momento em decidiu cortar a ligação que mantinha com uma direcção, que se colocou na ilegalidade. Tenho porém de dizer que, numa primeira leitura, esta apresentação me desiludiu em alguns aspectos, pela forma e pelo conteúdo.

 

Na forma pareceu-me haver uma grande preocupação com os efeitos visuais, o que talvez fosse dispensável. Mas isso é o menos relevante. Já quanto ao conteúdo, o achei algo vazio. Para uma candidatura que tem sido anunciada com pompa e circunstancia, vejo apenas no campo das ideias uma muito vaga enumeração de linhas gerais, inteiramente expectáveis de qualquer candidato.

 

É certo que a procissão ainda vai no adro, e de certo que o projecto ainda aparecerá, assim como a equipa que também não foi apresentada. Pareceu-me haver nesta candidatura alguma precipitação no arranque, para conseguir ser a primeira. Se assim foi, considero ser um erro, porque a vitória só se consegue quando se cortar a meta. Admito porém, que a estratégia passe por vários capítulos, para manter o foco dos votantes sempre activo. Se assim for será uma estratégia, muito assente em marketing comercial.

 

Há dois ou três aspectos que me merecem alguma reserva. A assunção de uma espécie de evolução na continuidade, com a atribuição de louros a Bruno como o obreiro exclusivo do Pavilhão, sabendo-se que este resultou de um processo que passou por outras direcções e já estava em andamento. Talvez para ganhar votos na área brunista, mas há alturas, em que é preciso fazer algumas rupturas. E isso é normal em disputas eleitorais. A questão da unidade interna começa quando o presidente assumir funções. Até lá tem que haver um rumo e opções claras, de acordo com as alternativas. É assim a democracia.

 

O aparecimento de apoiantes incondicionais do brunismo, na Comissão de Honra, como Barroso,(um dos criadores do Monstro) também responsáveis morais pelo que aconteceu ao Sporting, no mínimo não era aconselhável. E não tem nada a ver com a sua condição de adeptos ou sócios, que são de pleno direito, nem com qualquer perseguição. 

 

Em conclusão e porque muita água ainda vai correr por debaixo das pontes, não vou, à partida, diabolizar esta sua primeira candidatura, embora não tenha arrancado da melhor maneira, podendo até comparar-se, nesta fase preliminar, à montanha que pariu um rato.Vamos esperar para ver o leque completo. Para além de divergências, o que de pior pode acontecer é a campanha transformar-se numa guerra fratricida. Haja lucidez e bom senso.

 

P.S.: Um pouco à margem das candidaturas, penso que tinha sido mais razoável dar mais tempo à Comissão de Gestão, composta por gente séria e competente, para arrumar a casa. Se havia a possibilidade de utilizar seis meses, porque se dão apenas dois? Considero que houve mais uma precipitação.

 

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publicado às 04:33

A assombração

Naçao Valente, em 25.06.18

 

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As primeiras declarações no Facebook, onde insultou os sócios que votaram pela sua destituição, 71% de Viscondes, e considerou que até à sua presidência, cento e sete anos, o Sporting, não existiu, afirmando que ia deixar de ser Sportinguista, soaram totalmente a falso. Aí está o volte face. Impugnação da Assembleia Geral e candidatura a eleições. Uma formulação contraditória já que as duas coisas não se conjugam.

 

Depois do momento em que os sócios o demitiram de forma clara, só há uma conclusão: este indivíduo não é uma pessoa, é uma assombração. O Sporting não precisa de tribunais, precisa de um exorcista. Não vejo outra forma de nos vermos livre deste espírito maligno.

 

Os sócios votaram esclarecidamente e disseram que querem o fim do pesadelo. Mas a assombração não quer deixar. Não quer deixar os corpos gerentes recuperarem o Sporting e instalarem a normalidade. Deste modo, é difícil reverter a perda de activos ou o seu valor e é difícil lançar a época com tranquilidade.

 

Esta coisa ruim não pode ser deste mundo. Veio para destruir o Sporting e não sei como se pode parar. Vai de retro Satanás.

 

P.S.: O Sporting teve cerca de quinze horas de paz. Eu, e creio a grande maioria de Sportinguistas, sentimos que o execrável pesadelo já tinha terminado. Eis senão quando, repentinamente, ele volta. Esta assombração tem de ser expulsa de sócio. É o mínimo.

  

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publicado às 04:04

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