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Gastaram-se litros de tinta, usaram-se uns quantos quilos de palavras, passe o exagero, com interpretações, tão ou mais subjectivas, que o lance de penálti revertido no jogo Sporting-FC Porto. Do que foi dito e escrito, resulta um denominador comum: o homem do apito, esteve certo na sua decisão em função do que observou directamente, mas, ao mesmo tempo, esteve errado, de acordo com as imagens televisionadas, que lhe foram apresentadas pelo VAR. Assim sendo, a reversão acabou por ser correcta, ou por outras palavras, "escreveu-se direito por linhas tortas". Quando o assunto cair no esquecimento, a banda continua a tocar.

Imagens televisionadas? Começam aqui as contradições. Porque razão o VAR meteu o "bedelho" onde não devia. Sobre tudo o que li e ouvi, há uma posição unânime: o lance em causa não constituía um erro grosseiro do árbitro. E mesmo perante as imagens que têm aparecido, a intervenção do defesa portista na acção do avançado é susceptível de diversas interpretações. Também não se nega o contacto, o que se discute, fundamentalmente, é se teve ou não influência no seguimento da jogada.

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Para não acrescentar mais litros ou quilos à polémica, coloco algumas interrogações: o que se passou na comunicação, que não devia ter existido, entre o VAR e árbitro? O que viu este nas imagens televisivas que o levou a mudar a sua anterior decisão? Não viu contacto? Se viu, calculou então a sua intensidade? Com que certezas mudou a decisão? Será que não os tem no sítio? Tem medo de quê ou de quem?

Em conclusão, o homem do apito foi célere na marcação da infracção, mas depois de uma conversa de "pé de orelha", mudou de agulha. Acredito que quando foi ver as imagens já tivesse a reversão decidida.

Vimos vários comentadores encartados a dizer que não era caso para VAR, mas que a sua intervenção repôs a verdade, a partir da dita conversa, que não podia ter existido. Que raio de coerência é esta? A verdade é que é fácil bater num clube sério como o Sporting CP, ainda por cima com o acordo de certas facções internas. Na realidade, não me lembro de ver estes comentadores mexer uma palha, contra as falcatruas que beneficiam outros clubes. A verdade é que não se "escreveu direito por linhas tortas" mas escreveu-se "torto por linhas direitas". 

publicado às 03:49

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A derrota frente ao LASK Linz, já foi debatida até à exaustão, com as mais desvairadas análises. Não é esse aspecto que quero abordar. Não acrescentaria nada de novo. Quero antes escalpelizar o evidente aproveitamento que se encontra por detrás dessas análises. O aproveitamento oportunista dos cobardes brunistas, que aproveitam qualquer desaire para desestabilizar o Sporting, e desaparecem quando o resultado é positivo, e que nunca é demais desmascarar. De tão recorrente não merece mais uma linha. Mas o aproveitamento dos profissionais da análise desportiva na comunicação social, merece alguma reflexão.

 O desporto surgiu como uma componente deveras essencial da formação do ser humano. O desporto, e especificamente o futebol, transformou-se num espectáculo/negócio, que vive, que explora a componente lúdica da vida, dando aos seus espectadores a ilusão que os distrai das agruras do dia a dia. 

Nada a dizer, se isso não se tivesse tornado numa alienação, que muitas vezes é colocadao como a grande prioridade da vida, coisa que não deve ser. Tudo é relativo. Em última instância podemos viver sem futebol, mas não conseguimos sobreviver sem "pão".  Muitas vezes não mexemos uma palha para melhorar as condições de vida , mas gastamos energia e tempo com resultados de futebol, como se fosse a coisa mais importante do universo. 

Vem isto a propósito da monumental discussão que se gerou à volta do resultado do Sporting vs LASK Linz como se fosse um caso de vida ou de morte. Relativizando as coisas é apenas um jogo de futebol. Neste jogo como noutros, há um vencedor e um vencido. É essa a sua essência. E não há equipas cem por cento vencedoras. E não há humilhação de quem perde, e vangloriação de quem ganha. Se fosse esse o princípio já não teria razão para existir.

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Quem segue as análises que se fazem a seguir aos jogos, vê muitas vezes, ditos jornalistas - que considero "abutres" da comunicação - criando um espectáculo fora do espectáculo, dramatizando-o. Estes "abutres" do jogo falado, vivem à custa do futebol. Televisões, rádios, jornais dedicam horas e horas a discussões inúteis, que não acrescentam nada de positivo. O que produzem de concreto para bem da humanidade é zero. 

Sobre o resultado do dito jogo, usaram até à exaustão a palavra humilhação. É, na minha opinião, um termo desapropriado. Humilhar é "rebaixar ou tratar desdenhosamente, abater ou submeter". Num jogo de futebol, ganha-se ou perde-se, e tanto se ganha ou perde pela diferença de um, como de cinco.

Todas as equipas, e os seus adeptos, querem ganhar, mas outras tantas têm que perder. Num jogo de futebol ganha-se para marcar pontos, para conquistar provas, não se joga para humilhar. Quem quer humilhar são estes "abutres". Não costumo entrar em teorias da conspiração, mas parece que essa essa palavra não é utilizada de forma inocente. O FCP, por exemplo, perdeu em casa com um adversário, teoricamente muito mais fraco, e não vi na comunicação social, qualquer análise com idêntico significado.Conclui-se que no Sporting é fácil bater. O exemplo parte de dentro. 

P.S.: O que modestamente considero jornalista é o que relata o que se passa em campo, mesmo com a natural subjectividade. Esse jornalismo desportivo dos velhos tempos, adaptou-se aos tempos actuais, comportando-se como "catedráticos" e donos da verdade.

publicado às 04:18

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O nível de isenção e objectividade do ser humano, em geral, é limitada. Muito para além da herança genética que molda a nossa personalidade, esta é ainda condicionada por múltiplos factores ligados à nossa formação e a diversas outras influências. A partir daí assumimos determinados posicionamentos ideológicos, que pautam as nossas vidas e as nossas reacções perante a realidade, política, religiosa e clubística.

No mundo do futebol, esse posicionamento ideológico atinge extremos que dispensam mínimos de racionalidade. Quando aderimos a um clube estabelecemos com ele uma relação onde a paixão é dominante. Desse modo, vivemo-lo quase sempre de uma forma emotiva. Os adversários, pessoas como nós, passam muitas vezes a inimigos. Temos a enorme capacidade de o ver argueiro no olho do outro, mas não o vemos no nosso, nem num espelho de aumentar.

Mas o que mais me perturba é quando mandamos às urtigas o espírito de grupo clubístico, tantas vezes deveras exagerado, e decidimos, algo inconscientemente, digladiarmo-nos entre pares. E voltando ao princípio, não por razões objectivas e concretas, mas com base em especulações, pautadas por posicionamento ideológico.

Essa luta fratricida que vem sendo habitual no Sporting CP, e que está a atingir níveis alarmantes, deixa-me perplexo e triste. Sobretudo tendo em conta que não existe motivo para que tal aconteça. A contestação à actual Direcção, na razão inversa da adoração à anterior, é a prova provada da insustentável leveza do ser. Flutua e cai na inconsistência de comportamento, num abrir e fechar de olhos.

Ao ver, ouvir e ler a discussão pública sobre a dívida do Sporting Clube de Portugal, ao Sporting de Braga, pasmo. Que nos debates televisivos, jornalistas/ comentadores malhem no Sporting, sem saberem da missa a metade, eu compreendo. Precisam de ganhar a vida, nem que seja a encher chouriços. Que adeptos do nosso Clube o façam nas redes sociais, mete-me asco. E não me refiro aos brunistas que apelidam Varandas de caloteiro, porque isso faz parte da sua estratégia de regresso ao poder. É curioso verificar como não tiveram essa preocupação, quanto às dívidas da anterior Direcção, e que tiveram que ser pagas por esta, para o Clube não cair na insolvência.

Aqui no Camarote Leonino vejo comentários a roçar a ignorância e o ridículo. Começa logo pela ênfase da expressão “calote”. Em qualquer dicionário, em rigor, pode ver-se que o termo se refere a dívida não paga, e não a dívida por pagar. Esta badalada dívida e outras, que o Sporting e todos os clubes têm, serão calotes se não forem pagas. O Sporting sempre pagou as suas dívidas, e também pagará esta, sem esquecer que também é credor e nesse sentido tem dinheiro a receber.

Um outro aspecto que brada deveras aos céus nestes comentadores, é que assentam as suas afirmações/acusações, em pura matéria especulativa. Não conhecem os contornos do negócio, não sabem porque razão ainda não foi pago, mas metem-se a adivinhos, para fazerem então condenações na praça pública. Condenações estas que se baseiam no tal posicionamento ideológico em relação à actual Direcção. Ao partir desta base a discussão está inquinada, e não tem nenhum rigor.

Em conclusão, o Sporting é mesmo diferente, e caso de estudo. É o clube português onde nem o “sentido de tribo”, no que diz respeito à defesa dos interesses de grupo, impera. Tem tanta leveza, que não reflecte, não pondera, não separa o trigo do joio. Anda ao sabor do vento das “vozes” supostamente tão honestas, tão honestas, que nem têm substância. E vai descarregando a sua ira. E se não fossem tão sem substância, atrever-me-ia a dizer que não merecem ser sportinguistas, quando dizem ter vergonha do Sporting, e não a tiveram quando a poderiam ter com maior razão. Tanta leveza...

ADENDA

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Sporting CP e SC Braga emitiram um comunicado conjunto através do qual é anunciado um acordo entre as partes sobre o pagamento de Rúben Amorim:

"A Sporting Clube de Braga - Futebol, SAD e a Sporting Clube de Portugal - Futebol, SAD informam que chegaram hoje a acordo sobre a forma de regularização de todos os montantes devidos em função da contratação do treinador Rúben Amorim."

publicado às 04:19

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Os sportinguistas gostam de dar tiros nos pés. De alguns anos a esta parte é prática corrente. E quanto mais tiros dão, mais coxos vão ficando. São como um exército que cada vez que perde uma batalha, substitui o general. Já saíram generais competentes, à primeira falha. Já saíram generais, menos competentes, sem tempo para planear a estratégia. Já saíram generais populistas, pela sua arrogância. O problema é o exército estar nas mãos dos soldados rasos. E quanto mais tempo passa mais fragilizado se encontra.

Quem esfrega as mãos de contente são os exércitos adversários. São comandados por generais incontestados. Um deles já com galões de marechal, foi constituindo o seu exército paulatinamente, enquanto os adversários dormiam na forma. Quando acordaram desse torpor já o dito general tinha infiltrado os seus oficiais, em todas as estruturas, numa estratégia parecida com a teia da aranha. A partir daí foi fácil enredar os adversários na sua teia, e ganhar batalhas atrás de batalhas.

Como reagiram os adversários? Tarde e a más horas. Contudo, um deles, começou a reagir, quando entregou o comando ao gémeo do general do Norte. Com o mesmo ADN aproveitou-se dalguma lassidão do velho general, para começar a aplicar a mesma receita: minar os campos de batalha, copiando a mesma estratégia. São dois irmão separados, à nascença, ou não. Preparam os seus exércitos segundo o lema "na guerra vale tudo", porque não há guerra limpa.

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Mas, para além disso, não há exército que ganhe batalhas, sejam limpas ou sujas, se não houver unidade e disciplina. Sem estas duas, não há estratégia que funcione. O “exército leonino” tem esse handicap no seu “modus vivendi”. Em vez de lutar para fora, luta para dentro. Consome a sua energia nesta “guerrilha”. E quando tem de lutar para fora está sem força. É uma presa fraca, cada vez mais fraca, para os adversários, que aliás já pouca importância lhe dão.

A guerra genericamente falando é um acto de estupidez. Mas quando é entre pares, é um acto de estupidez absoluta. Constrange ver os nossos “soldados” colocarem-se ao lado dos adversários, para daí tirarem benefícios para a sua facção. Veja-se, como exemplo, a campanha de pasquins informativos. Veja-se, concretamente, a campanha de uma bola quadrada, a deturpar de modo grosseiro, em vez de informar. Veja-se a reacção das facções leoninas, aproveitando esse facto, para derrubarem o “comando” e abrirem caminho para o seu “general”. Alguns nem general têm, mas pouco interessa.

Não há, nunca houve, nem haverá jamais qualquer vitória, enquanto existir falta de unidade e disciplina. Venha que general vier... E os tiros nos pés vão continuar, até deixarem de existir pés.

P.S.: Não percebo que essa batalha fraticida se trave, por exemplo, na página de Facebook do Sporting, inundada de brunistas de muito baixo nível, sem qualquer moderação, e/ou restrição de comentários que se pautam pela ordinarice. Um ponto muito negativo da comunicação do Sporting, que precisa de ser pedagógica.

publicado às 16:30

A propósito de uma bota

Naçao Valente, em 29.07.20

Já aqui no blogue se discutiu a polémica questão da bota que tirou o terceiro lugar da Liga ao Sporting, a escassos minutos do final do jogo, com todas as consequências. Concordo que o SCP podia e devia ter arrumado este assunto, antes do último jogo da época. Teve essa grande oportunidade, mesmo descontando erros graves de arbitragem. Não concordo, porém,  com alguns sportinguistas que aqui defenderam veementemente que a decisão do árbitro/VAR foi totalmente correcta.

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Pode concluir-se, que de acordo com as imagens e a colocação das malfadadas linhas, determinadas em cada momento pelo VAR, se descobriu que havia uma nesga de bota a pôr o marcador do golo em jogo. Mas também se pode questionar se a colocação da câmara utilizada  que dá azo ao traçamento da linha, era a mais correcta, de acordo com a realidade, como também aqui foi defendido. E muito mais se pode questionar se a decisão seria a mesma, noutro contexto.

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Mas quero, a partir deste caso concreto, que prejudicou o Sporting, ir um pouco mais além nesta questão da marcação ou não, de foras-de-jogo ao milímetro. É um preciosismo de pretenso rigor, que prejudica as equipas em jogo e o próprio futebol. Na lei do fora de jogo beneficia-se quase sempre o infractor que é precisamente quem procura tirar alguma vantagem do adiantamento. E tem evidentes reflexos no posicionamento das defesas, que se organizam com base nesse pressuposto. No fundo, o que se perde é a fluidez de jogo.

Na minha perspectiva, esta medição falível dos fora-de-jogo, a partir de linhas virtuais só por si susceptíveis de erro, que decide  por uma unha do pé ou da mão, é uma aberração. A perfeição nunca existiu , nem existirá. Por isso, seria de bom senso alterar a lei de fora-de-jogo, no sentido de criar uma margem de segurança, que não deixe dúvidas, como por exemplo o corpo ou parte dele, na totalidade. Ganharia a dinâmica do jogo e a verdade desportiva. Isto para não pôr em causa a própria regra, o que talvez merecesse profunda reflexão.

Numa última nota, parece-me não merecer qualquer discussão, que em caso de dúvida se decide sempre contra o Sporting CP. Ou por um pé, ou por uma pretensa falta ofensiva, ou por um qualquer derrube na área considerado normal. Eu não sou de assumir atitudes de “calimero”, mas o histórico das arbitragens nos jogos do Clube, tem um saldo fortemente negativo em casos menos claros. E se nalguns pode não ter efeitos graves, noutros já tem custado títulos.

E faço esta pergunta: que raio de influência tem uns centímetros de um pé, na sequência de uma jogada?

publicado às 02:50

Sporting: um saco de gatos

Naçao Valente, em 23.07.20

Uma pergunta recorrente no universo do Sporting é qual a razão por que estamos tantos anos sem ganhar a principal prova do nosso calendário nacional, o campeonato. Após uma consulta rápida, verifiquei que a partir de 1960 o clube tem o seguinte palmarés: anos sessenta 3 campeonatos, anos setenta, 2 campeonatos, anos oitenta 1 campeonato, anos noventa, 1 campeonato,  na primeira década do século XXI,  1 campeonato e na segunda zero campeonatos.

Decerto que esta curva descendente não se deve a uma única razão. Há diversos factores que explicam esta evolução. Depois do desaparecimento progressivo da equipa conhecida como os cinco violinos, não houve competência e capacidade para a renovar, com a mesma qualidade. Pelo contrário, o SLB conseguiu nos anos sessenta reunir um plantel, onde jogavam os melhores atletas que existiam em Portugal. Deste modo, hegemonizou os anos sessenta e setenta. A partir dos anos oitenta começou o domínio do FCP.

Apenas uma análise bastante aprofundada, pode explicar esta contínua perda de plantéis com capacidade para lutar de igual para igual com os rivais. Mas de uma forma geral, com a profissionalização do futebol como indústria, que movimenta muito dinheiro, os êxitos desportivos são sinónimo de mais receitas e vice-versa. Nesse sentido, o Sporting entrou num ciclo vicioso negativo recorrente, onde a conquista regular de títulos, não permitiu alavancar meios financeiros, para lutar com as armas dos adversários. Por outro lado, também não é despiciendo considerar, as influências no comportamento das arbitragens pelos rivais.

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Mas queria nesta abordagem focar-me num aspecto que considero importante: a divisão entre adeptos. E se nos anos sessenta ela não é assim muito visível, até porque ainda se conseguiram três títulos em dez possíveis, a partir das décadas seguintes, o divisionismo foi aumentando. E se com João Rocha e Sousa Cintra ainda se notou alguma tolerância, com os outros presidentes, começou a tolerância zero, e começaram a cair como baralhos de cartas.

O aumento de poder dos adeptos, especialmente concentrado no poder das claques, foi responsável pela constante boicote de decisões que prejudicaram a estabilidade do Clube. Este poder exagerado atingiu o seu zénite na presidência populista de Bruno de Carvalho. A grande divisão entre adeptos provocada pela Direcção, ostracizando todos os críticos, atingiu níveis deveras inimagináveis, e instalou um ambiente que continuou para além do brunismo, muito por culpa dos seus apaniguados.

O divisionismo interno tornou-se endémico. Não é possível, seja em que clube for, ganhar campeonatos com uma guerra fratricida permanente, que se transfere das bancadas para dentro do campo. Sem unidade e apoio aos nossos atletas não se vão ganhar campeonatos. A condição financeira ajuda mas não é determinante. Veja o que aconteceu no período do brunismo. Alto investimento no futebol, com o treinador português mais caro, e que se traduzia apenas a conquista de uma Taça da Liga. Não refiro a conquista  de uma Taça de Portugal, porque aconteceu antes do período de deslumbramento.

Em suma, para se efectuar a transformação de um Clube perdedor, no futebol profissional, a um clube vencedor, tem de deixar de ser um saco de gatos. Tem de se canalizar a luta para os adversários, com determinação e humildade. Para além das muitas razões que se possam associar aos fracassos, a da falta da unidade interna é fundamental. No entanto, nesta fase, estou seriamente pessimista. Basta seguir as redes sociais quando o Sporting não ganha para tirar esta conclusão.

P.S.: Envergonha ler a página de Facebook do Sporting CP, com adeptos a insultar-se. Os brunistas desaparecidos enquanto o Sporting ganha, saem da sua clausura aos milhares, sempre que há um resultado desfavorável.

publicado às 03:04

A "ala dos namorados"

Naçao Valente, em 03.07.20

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A batalha de Aljubarrota, onde um muito pequeno exército português, sem a sua cavalaria tradicional que se passou para o inimigo, venceu o gigante castelhano, tem sido objecto de estudo. Em linhas gerais, a vitória de Aljubarrota é resultado de uma táctica de guerra inovadora, conhecida como o “quadrado” e por alguma displicência do inimigo, que convencido da sua superioridade, julgava que “eram favas contadas”. Mas explica-se também pela determinação de um exército, bem mentalizado e dirigido, pelo jovem Nuno Álvares Pereira. À sua fiel imagem havia muitos jovens naquele exército, muitos deles agregados numa ala que ficou conhecida pela “ala dos namorados”, tendo em conta a sua juventude.

Mas não é dessa batalha que garantiu a independência nacional que pretendemos falar neste contexto. Queremos falar de futebol e do nosso “novo Sporting”. A introdução do texto vem a propósito de se encontrar alguma similitude, com as devidas distâncias, com a actual equipa principal do Clube.

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Nesse sentido, pode-se considerar que temos também uma equipa guerreira, motivada e determinada, que vai ganhando batalhas, conseguindo vitórias, nas quais muitos não acreditavam e que outros “castelhanos” não desejavam. Dessas vitórias fazem parte um comandante jovem, ambicioso e sem medo algum de arriscar. Dessas vitórias fazem muitos jovens imberbes que podemos classificar como uma “ala dos namoradas”. Dessas vitórias fazem parte as tácticas adequadas a cada situação.

A questão que se coloca é: vão-se ganhando batalhas, mas pode-se ganhar a guerra com a “ala dos namorados”? Pode-se desde que a equipa seja composta também por veteranos com experiência. O que acontece, na minha perspectiva, é que não existem em qualidade e quantidade. Em campo temos Coates, Ristovski, Battaglia. Fora dele (lesionados) Vietto, Acûna e alguns jovens com mais experiência, como Jovane e Francisco Geraldes, para além de alguns emprestados.

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Na preparação da próxima época deve seguir-se esta estratégia, mantendo em campo a “ala dos namorados”, mas enquadrada com atletas de boa qualidade e mais experiência, necessários para ganhar uma guerra. Neste momento, creio que não existem, e portanto é preciso ir ao mercado providenciar esses meios. E estou convicto que o timoneiro, com a sua competência, estará atento à situação.

Na simbiose entre juventude aguerrida e experiência competente estará a solução. E para poder dar passos neste caminho a formação é vital. Pena foi ter sido descurada, sobretudo na fase de aproveitamento dos novos talentos., aos quais não foram concedidas todas as oportunidades. Por outro lado. para que esta tarefa tenha total êxito, precisamos de um Sporting unido e ao lado da equipa, nos bons e nos maus momentos. Aljubarrota também é consequência da vontade de toda a nação.

publicado às 04:19

A montanha pariu um rato

Naçao Valente, em 30.05.20

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Este assunto, o desfecho do caso "Alcochete", já aqui foi debatido ontem, especificamente sobre o ponto de vista jurídico. Não é propriamente nesse aspecto que o vou abordar. Nem vou pronunciar-me, em relação ao caso concreto, sobre as decisões específicas tomadas pelo tribunal. Sabemos que a justiça é aplicada por pessoas com formação adequadas, que agem de acordo com as provas que forem reunidas e com as normas jurídicas. Deste modo, num processo colectivo, e algo complexo, é normal que tenham sido condenados os que foram apanhados a cometer os actos conhecidos, ou seja os  que designamos como arraia miúda, ou soldados rasos.

Mas em qualquer batalha existe sempre uma cadeia de comando, que começa nos generais e acaba nos cabos. Neste processo, da linha de comando apenas um cabo foi condenado, porque se sabe que dirigiu as tropas na acção directa. Toda a restante cadeia de comando ficou oculta na penumbra. Nem sargentos, nem capitães, nem generais deram a cara. Mas meus amigos, se quisermos ser sérios, temos que admitir que uma operação com estas características, não se podia fazer, de improviso, e sem conhecimento e consentimento de altos comandos. O histórico de este tipo de acções também nos mostra que elas, sem a mesma gravidade, aconteceram após autorização de cúpulas dirigentes.

O certo é que tais comandos não assumiram a operação, especialmente depois de ter tido repercussões que não seriam esperadas. Mas tenho a convicção, que sem saberem que a acção resultaria em actos violentos, tiveram amplo conhecimento que se realizaria. Há vários indícios que apontam nesse sentido e que são bem conhecidos, nomeadamente a facilidade com que os operacionais entraram e agiram em instalações privadas. E mesmo que assim não tivesse sido, deviam ser responsabilizados por negligência na segurança de bens e pessoas.

Ao longo dos anos da história judiciária houve sempre erros que incriminaram inocentes ou desculpabilizaram culpados. As provas nem sempre são fáceis de reunir. A propósito, vem-me à mente um caso que teve lugar na cidade de Lisboa na década de setenta, que ficou conhecido como "o estripador de Lisboa", sobre um indivíduo que assassinou cinco prostitutas. Embora a polícia tivesse referenciado vários suspeitos, nunca acusou nenhum por não ter encontrado quaisquer provas no local do crime. Mas o facto é que estes crimes aconteceram.Inteligência do criminoso ou incompetência da polícia?

No evento de Alcochete, a polícia também não conseguiu reunir provas claras e palpáveis. Apenas um ou outro indício, insuficiente para fazer acusação. Está claro que a autorização para que o ataque se realizasse só poderá ter passado de boca em boca, sem qualquer outro registo. Depois bastou protegerem-se uns aos outros, sem ninguém a dar com a língua nos dentes. E até me presto a admitir que os intervenientes directos, que receberam o plano da baixa patente, desconhecessem quem deliberou, ao mais alto nível, que aquilo acontecesse.

Dois anos depois, o veredicto final condenou os executantes, mas não conseguiu condenar, por acção ou inacção, os mandantes. E em termos de aplicação de justiça a montanha pariu um rato.

Isto foi bom para o Sporting... como já vi defender? Não me parece. Bruno de Carvalho, do alto da sua "inocência", já começou a apresentar a factura. Que foi uma mera vítima... que fez muito pelo Clube, que quer uma AG para ser readmitido como sócio, e eventualmente voltar a candidatar-se à presidência. Não me parece que essa pretensão tenha viabilidade, mas acredito que continuará a assombrar o Sporting CP com o grupo, ainda numeroso, de fanáticos que o seguem, e que cada vez fala mais alto. 

A actual Direcção não pode fazer nada uma vez que não  foi ela que o incriminou... nem lhe competia. Quer que o caso se encerre de vez para conseguir alguma paz e estabilidade. Mas na minha perspectiva, que desejava errada, não vai ter da parte do "brunismo" qualquer trégua. Para mal do Sporting.

P.S.: Para os que consideram que a destituição de Bruno de Carvalho foi injusta, quero aqui lembrar que ela não decorreu directamente do ataque à Academia. Resultou de actos ilegítimos, como não respeitar a marcação de uma AG, e consequentemente ter criado órgãos ilícitos paralelos, à revelia dos Estatutos.

publicado às 04:04

Pão e circo

Naçao Valente, em 12.05.20

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Podemos viver sem futebol? Teoricamente sim, mas na prática, na vida do dia a dia, é complicado. Há um velho ditado que diz que nem só de pão vive o homem. Verdade incontestável, sendo igualmente certo que sem pão não se vive. Mas para além disso, o homem vive também de circo. É assim desde tempos imemoriais, com grande expressão a partir da Antiguidade. A componente lúdica da vida, que acompanha a manifestação das emoções, sempre assumiu uma expressão fundamental no quotidiano da humanidade.

O futebol, ou outros desportos de massas, conforme as preferências, por países, são o circo dos tempos contemporâneos. Desempenham a função que este desempenhava no tempo antigo, canalizando as emoções para fora das actividades profissionais e políticas. Criando um enorme espaço marginal para descarregar frustrações, esquecer dificuldades, exprimir agressividades. Esse papel é desempenhado pelo futebol, com as rivalidades, muitas vezes doentias, expressas nos campos, e mais recentemente na comunicação social.

Mas com a evolução tecnológica, com o refinamento do sistema capitalista, o futebol ao contrário do circo antigo, tornou-se em mais uma indústria privada que produz mais valias financeiras. No fundo, são sustentadas pelos seus espectadores, seja através de pagamento directo, ou indirecto, dando corpo e sustentabilidade a outras grandes indústrias, as redes de comunicação e a publicidade.

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Deste modo, é impensável a falência do futebol. Para além do óbvio papel que desempenha no condicionamento das massas populares, tem uma relevância muito determinante no sector económico. Pelos postos de trabalho directos e indirectos que promove e mantém, pelos rendimentos que propicia aos cofres dos Estados. 

Daí a grande preocupação do poder político, envolvendo-se, apesar dos riscos sanitários, com o recomeço dos campeonatos interrompidos. Os clubes precisam do financiamento pelos operadores de conteúdos, como de pão para a boca. E para estes, sem circo não há pão. Isso explica, à saciedade, a urgência de retomar a actividade, com os riscos inerentes. Os estados modernos não podem como os antigos financiar o circo, dada a multitude de outras e emergências.

Por fim, será que esta grave crise sanitária com os seus condicionalismos e consequências provocará mudanças na organização do futebol? Será que os malefícios desta indústria, que atrai para o seu dirigismo global o oportunismo, a irresponsabilidade, a ilegalidade e a corrupção, serão substituídos por comportamentos mais virtuosos? Pelo que conheço da natureza humana arriscaria dizer que não.

E se numa primeira fase, terá de haver alguma contenção nos gastos, nomeadamente na especulação de passes de atletas, logo que a situação normalize vai ser tudo como dantes. No nosso circo caseiro os chamados 'três grandes' vão continuar a hegemonizar as receitas televisivas. Neste mundo cão, igualdade e solidariedade são palavras meramente vãs. O futebol precisava de outras mentalidades. O mundo pode ser feito de mudança, mas o pão e o circo vão continuar, como sempre, apesar de metamorfoseados.

publicado às 03:04

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Dia de dentista

Uma massa que cai, uma falha no sorriso, as palavras que escapam pelo buraco, aberto no centro da boca. Fazer o que? Aguentar. Antes, ainda tinha as mãos delicadas de uma dentista a manipular as brocas. Mas a jeitosa foi para Holanda e deixou-me em estado de orfandade. Agora, quando me esparramo naquela cadeira, tenho à frente um doutor barbudo.

A única coisa que temos em comum é a paixão pelo mesmo clube. Nos preliminares do trabalho, dá-me dois dedos de conversa sobre os jogos, as tácticas, as arbitragens que perseguem o Sporting. Tudo o que se discute até à exaustão em programas de televisão em hora nobre.

Entrei no consultório e fui recebido com um sorriso pelo doutor e pela sua assistente. Aparentemente estava a correr bem. Pergunta da praxe:

-Então em que posso ser útil, disse o doutor Esperança...
Limitei-me a abrir a boca.

-É pá, sem esse dente, parece mesmo um arrumador de carros.
Risos da Assistente. Afinal, enganei-me, quando pensei que ia correr bem. Então o gajo, quer dizer o doutor da mula ruça, confunde-me com um arrumador de viaturas, e di-lo nas minhas fuças. É para isso que lhe pago, e bem. Ultrapassou o espectável. Eu tenho respeito por todas as profissões, incluindo a dita cuja. Mas todos sabem que essa está associada a drogas leves, médias e duras.

Ser arrumador vá que não vá, agora consumidor de produtos proibidos, deixou-me à beira da apoplexia. Sou um cidadão respeitador das leis da República. Já não tenho idade para isto. Limitei-me a fazer um sorriso amarelo. Ao fim e ao cabo ele é que tem as brocas. Acondicionei-me e nem um grama de conversa sobre futebol lhe dei. Que vá fiar borra para o raio que o parta.

O pior estava para vir. O doutorzinho depois de olhar para a minha ficha, continuou no mesmo registo:
-É pá, nasceu na década de quarenta. Tem x anos, já tem a idade até à qual eu espero viver.

A idade até à qual eu espero viver? Mau, mau. Querem ver que o finório me acha já fora do circuito. Uma espécie de múmia ressuscitada. Tudo é possível nesta vida. Bem, eu juro que vi um defunto que saiu do palácio de Belém, e julga que está vivo, ou então, é um holograma. Ainda há pouco tempo apareceu armado em escritor de assuntos de maus costumes, maus fígados e piores bofes. Literatura top. Por enquanto não é esse o meu caso. O doutor continuava imparável:

-Tenho uma doença muito grave. Tenho tensão alta. Agora o senhor ainda vai chegar aos cem.

Tensão alta? Isso hoje é um distúrbio controlável. Portanto ele que se cuide. Apesar de me considerar fora de prazo, um fantasma a arrumar carros, entre duas passas, desejo-lhe longa vida. Mas se a sua previsão se concretizar não estou preocupado. Dentistas há muitos. A estória de chegar aos cem, pelo dentista, numa de dar uma no cravo e outra na ferradura, fez-me recordar coisas que tinha esquecido, e que se passaram quando ainda era jovem.

Estava num período mó de baixo... (a garina com quem andava trocou-me por um sexagenário), quando me passou pela cabeça consultar um Quiro Astrólogo, que descobri num anúncio de jornal. O indivíduo, estudou-me as linhas da mão, mediu a linha da vida com um transferidor e depois, assertivo, sentenciou: “casamento garantido no ano tal, doença grave na idade Y e esperança de vida até aos X anos. Tudo comprovado com certidão passada e assinada.

Fiquei agradado. Para mais, ainda me restavam quarenta anos deste lado da barricada. O problema é que o que antes era muito tempo, é agora cada vez menos. Estou mais inclinado a esquecer o Astrólogo e aplicar a expressão “só Deus sabe”. E que não se meta o dentista armado em adivinho para emendar a mão. Cem anos não são nada no oceano do tempo.

Chegou a hora de abrir bem a boca e ficar calado. Enquanto punha molde, tirava molde, a conversa mudou de alvo e prosseguiu com a diligente assistente.

-Ó Ercília, você tem que se cuidar mais, está cada vez mais curvada. Eu até tenho visto, na televisão, o anúncio de um colete especial que põe os corcundas direitos que nem um fuso. Ou então, porque não vai para a ginástica correctiva.

-Nem pensar doutor, disse ela, sempre a rir. É um problema de família. Com a idade todos ficamos assim. Ninguém foge ao seu destino.

Às tantas, a Ercília deve pensar que é descendente de algum corcunda famoso, talvez do de Notre Dame, que se tornou conhecido nas páginas do livro de Victor Hugo. Mas aposto que não foi aí que ela o conheceu. Mais certo ter sido no filme de Walt Disney, que deve ter visto na juventude, numa sala de cinema, de mão dada com o seu namorado “ó mor aquele ali parece mesmo o meu avô” .

-Senhor José, disse o doutor Esperança, cuspa e bocheche, por hoje está despachado. Volte daqui a quinze dias para continuarmos o trabalho.

Despedi-me e saí sem dizer palavra. Nas grandes tormentas, uma pequena saída limpa, é como uma grande vitória. Senti-me livre e feliz. Tinha estado à beira de ser arrumador, fantasma, e possivelmente corcunda, e pior, não poder escrever a crónica do Cota-Diano

publicado às 17:00

Um clube de tolos?

Naçao Valente, em 28.04.20

No ano 2000, em Dezembro, o técnico (Mourinho) esteve bem perto de suceder a Augusto Inácio e tudo estava acordado com o emblema de Alvalade. No entanto, Luís Duque, na altura presidente da SAD, voltou atrás com a decisão, face à opinião dos adeptos.

"O Duque ia anunciá-lo no Sporting depois de um treino, mas adiou devido ao impasse e críticas dos adeptos. Depois tudo caiu por terra e eu estava com o Mourinho e ele só disse ‘Mas está tudo tolo?’ completamente irritado", referiu.

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   ‘Mourinho: Derrière le Special One’ o novo livro de Nicolas Vilas

Estas informação é só por si bastante significativa e dispensava comentários. Mas pareceu-me interessante fazer uma breve reflexão.

Será o Sporting um clube de tolos?

A resposta é não... No entanto, se perguntarmos se existem tolos no Sporting, temos que admitir que sim, como aliás se verifica noutros clubes e na sociedade. Estou convencido que serão uma mera minoria ruidosa, e que, ao contrário da maioria silenciosa, tem tido influência perniciosa na longa vida da nossa colectividade, como aconteceu na contratação falhada de Mourinho.

Uma outra constatação que se pode apurar é que a espécie humana nem sempre aprende com os erros. Ainda recentemente o Sporting passou por um período de tolice, com apoio dos verdadeiros tolos e de outros que pela sua ingenuidade se deixaram enganar. Como foi possível acreditar que alguém sem currículo profissional e de vida, tinha perfil para dirigir uma instituição, como o Sporting Clube de Portugal? Pior. Como é possível insistir na mesma solução?

Dir-me-ão, que isso são águas passadas. Aparentemente são, mas na realidade não é tanto assim. Os tolos, que mesmo perante tantas evidências teimam em idolatrar esse ignóbil passado, e manter viva a esperança do seu regresso, continuam por aí. E se durante a grave crise sanitária e económica por que passamos no Mundo, (onde a sobrevivência dos clubes é bem evidente), estão um pouco mais discretos, não desistiram e apenas esperam melhor oportunidade.

Vou dar alguns exemplos. Nos blogues que nas redes sociais assumem a defesa da tolice, a teoria dos ditos tolos continua bem viva. Se não vejamos: aquando do incumprimento do pagamento ao Sporting de Braga da prestação referente à contratação de Amorim, com a alegação de atraso nas receitas programadas, que posição tomaram? Colocaram-se contra a Direcção acusando-a de caloteira. Fosse ela dirigida por um tolo e seria elogiada.

Ao invés, e segundo uma notícia de O Jogo, onde se referia que o Sporting CP não estava a receber os pagamentos estipulados com a venda de Bruno Fernandes, porque a entidade bancária com a qual estava contratado o pagamento, aludia a dificuldades relacionadas com a situação especial que vivemos, quem criticaram? A Direcção, pois claro. Porquê? Porque é incompetente, não pega num canhão e não assalta essa instituição. Estivesse um tolo na presidência e já o teria feito. Mas como não o temos, voltaram à velha cantilena da demissão dos órgãos sociais, como se tivesses em tempo de continuar a brincar às tolices. Mas continua tudo tolo?

Estes exemplos fazem ver à sociedade porque é que o nosso nobre Clube não estabiliza. Não somos um Clube de tolos... mas um Clube onde os tolos insistem em manter viva a prática da tolice. Porque o verdadeiro tolo gosta mais dela do que do próprio Clube.

P.S.: A propósito do tema deste texto, lembrei-me de uma discussão a que assisti em 1976 sobre o ataque bombista à embaixada de Cuba, em Lisboa. Dizia um militante comunista:

-Agora os russos deviam vir cá bombardear-nos.

Respondeu o seu interlocutor.

-Afinal você é português ou russo?

Para bom entendedor.

publicado às 04:05

Capitães de Abril

Naçao Valente, em 25.04.20

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Faz 46 anos. Na minha memória esse dia de Abril, no qual tive o privilégio de participar, continua bem vivo. Aqui deixo esta singela homenagem aos militares que ousaram pôr fim à ditadura.

Capitães do meu país
Soldados da minha terra
Viram o povo infeliz
E com paz fizeram guerra.

No alvor da madrugada
Acordaram a cidade
E sem nunca pedir nada
Ofereceram liberdade.

No força que idealizaram
Esperança de mil cores
Quando as armas dispararam
Delas saíram flores.

E no seio da revolução
Nasceu uma democracia
E com ela a convicção
Que é real a utopia.

E quem nunca viu Abril
Nem sabe a revolução
Urdiu artimanhas mil
Subjugou a nação.

É tempo de ir para a guerra
E levantar a cerviz
Ó gentes da minha terra
Capitães do meu país.

publicado às 19:30

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O baile

No tempo em que o proverbial engate fazia parte do meu quotidiano, fui convidado por companheiros de “route” para um baile particular, numa espécie de salão de bombeiros. O intuito era reunir malta jovem, vinda de distantes regiões do país, e que vivia numa zona da cidade grande, para tirar, num corpo a corpo ritmado, um sarro com umas macacas, expressão usada por um amigo meu, o Joaquim, creio que com sentido carinhoso.

Na hora marcada compareci com a minha turma para dar o anunciado pé de dança. Diz o ditado que homem pequenino ou é velhaco ou dançarino. Mas como em tudo, nos ditados também há excepções, pois velhaco não me considero e dançarino também não por mais que me esforce. Ainda fiz um curso rápido para dar um arzinho de bailador, mas sou mesmo duro de ouvido e pé de chumbo, e nessa área da dança deixo muito a desejar. Seja como for, e como era uma excelente oportunidade para engatar gajas lá fui cheio de expectativas.

Estava meio perdido no meio do “maralhal” quando o meu amigo Joaquim se aproximou e me disse:

-vai em frente Zé; está ali uma macaca desocupada.

Enchi o peito de ar deitei borda fora de mim a maldita timidez, e lá fui em direcção à dita macaca: ---   -vamos dançar?

-não, a não ser que tires esse emblema que trazes na lapela.

-nem pensar. É o emblema do melhor clube do mundo. Porque é que te incomoda?

-não danço com "lagartos". Arrepia-me. 

O organizador do convívio social que assistiu à cena toda, caiu logo em cima dela (salvo seja) criticando a sua pobre atitude: “ouve lá, mas que mer.. é esta? Vens para aqui para dar “tampas”? Isto é uma festa familiar, e sem clubites. Mas que raio de palavra é que não percebeste? A garina enrolou a "ganforina”, baixou a bolinha e deu o dito por não dito: “vamos lá dançar”.

Passou-me um "vaipe" pela tola, um homem tem o seu brio, e disse para a tipa, ainda por cima anorética, ou como se dizia na época, um pau -de -virar -tripas. E também "galinha" , embora esse não fosse critério, pois sou liberal nos costumes.

-Não quero dançar contigo, e não dançaria nem que fosses a Gina Lollobrigida.

Para as novas gerações, convém esclarecer, que a Gina é uma actriz italania, muito famosa nesse tempo, e que tinha mais curvas por metro quadrado que a antiga estrada do Marão. E quem se importaria de se estampar naquelas curvas?

A trinca-espinhas nem sequer sabe o que perdeu por se armar em carapau de corrida. Se me tivesse dado bola, quem sabe se aquela dança não acabava no altar. Na altura andava muito carente e como náufrago à deriva agarrava-me a qualquer destroço que aparecesse. Assim lá ficou de monco caído sem ninguém que lhe aquecesse os ossos.

A festa começou a ficar algo chata e com o meu grupo resolvi dar de “frosque”. Entrámos no meu “coupé” para rumar a outras paragens. Quando nos afastávamos do local vimos sair do baile sem honra nem glória, a magricela benfa. Parei o coupé (também na altura instrumento de alto engate) e fiz um sorriso cínico. (se calhar sou mesmo velhaco) A moça enraivecida aproximou-se e deu dois pontapés na viatura.

Partimos, e nunca mais a vi, nem mais magra (quase impossível) nem mais gorda. Houve outras danças e contradanças, mas hoje presto-lhe a minha homenagem. Em tempos de falta de assunto saltou-me do fundo da memória para me alimentar o vício da escrita, essa droga que causa tanto prazer como a “heroína”. Quem diria que passados tantos anos um simples “não” deixou de significar traste para significar heroína. São muito estranhos os caminhos da literatura.

P.S.: No dia do livro, lembro que a leitura faz muito bem.

publicado às 19:00

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Fui às meninas...e gostei.

As meninas estavam referenciadas, como altamente competentes no seu mister. Marquei o encontro por telefone. Apresentei-me à hora combinada. Toquei à campainha do número 69 de um espaço dúplex. Abriu a porta uma menina de grandes e profundos. olhos pretos. Fixei o tamanho desmesurado das pestanas. Pestanejou.

-Olá, disse. Chamo-me Diano…

-Oi, disse a moça, com sotaque abrasileirado.. Estávamos à sua espera. Seja bem-vindo. Faz favor de entrar. Sente-se e espere um momento.

Fiquei à espera numa salinha, com ar acolhedor. Paredes de cores neutras, uma pequena secretária, um maple de aspecto confortável, onde me sentei. A menina com ar de mestre-de-cerimónias pegou num telefone e anunciou.

-Podes vir. Já chegou o cliente.

Pouco depois apareceu outra moça. Chamou-me a atenção, o cabelo curto, e cor de fogo Ao aproximar-se notei algo invulgar. Os olhos tinham cores diferentes. Um era azul mar, o outro, um azul mais esverdeado.

Olá, é o senhor Diano. Que caso curioso... Eu sou Diana, mas todos me tratam por Di. Acompanhe-me.

Segui a menina por um corredor com várias portas. Introduziu-me num espaço com uma cama, uma cadeira e uma pequena mesa.

-Esteja à vontade, disse Di, com um aberto sorriso que deu para ver uns dentes bem alinhados. É a primeira vez?

Não menina Di, retorqui. Ou melhor, aqui neste lugar é a primeira vez. Como é óbvio, já tenho idade suficiente por ter de passar por estas experiências.

-Okey, Diano. Pode despir-se e deitar-se. Vamos começar por uma massagem relaxante. Depois vai sentir a temperatura a subir um pouco. Faz parte.

O pudor é uma maldição que se nos cola à pele há gerações. E por mais modernista que queiramos ser... não lhe conseguimos fugir. Despir-se perante estranhos causa sempre algum constrangimento. É certo que me tinha preparado bem. Tomei um banho com sais perfumados, mas com toque masculino, como aliás deve ser. Untei-me com cremes para apresentar a pele sedosa, mas hesitava. A expressão serena da moça descontraiu-me. Aproximou-se para me ajudar. Reparei então nas suas mãos, pequenas e finas, com umas unhas bem tratadas. Talvez unhas de gel, decoradas com variados motivos, incluindo um emblema do SCP. o maior clube do mundo. Bom gosto. Prometia.Vestia uma espécie de bata, discretamente cintada e abotoada a frente. Decerto adequada à função.

-Prefere que me deite de costas ou de frente? Perguntei

-Para começar fica de barriga para baixo, temos qua aliviar a tensão lombar. Sem isso nunca se consegue atingir a descontracção física e mental para um bom desempenho. Depois vamos mudando para outras posições.

Debruçou-se sobre mim e começou a sua tarefa. Estava a ficar agradado. Parecia-me estar nas mãos de uma verdadeira profissional, bem preparada para a sua função. E que mãos, posso dizer. Foram percorrendo, com enorme sabedoria, a pele e os músculos como se os conhecessem na intimidade. A continuar assim talvez o nirvana estivesse próximo. Fechei os olhos e deixei-me levar. Nestas coisas, palavras só atrapalham. Apenas ouvia a sua respiração. Apenas sentia o discreto perfume da sua juventude.

-Está a ficar mais aliviado? perguntou Diana

-Quase aliviado. Está a ir muito bem. Pode continuar.

Quando terminou, abri os olhos e vi Diana sorridente e confiante no seu trabalho.

-Venha amanhã à mesma hora.

-Já amanhã? Outra vez?

-Claro, cavalheiro. Nestas coisas o mínimo são dez dias seguidos. Vai ver que aguenta.

Depois de tudo o que se passou, tenho de confiar na Diana. Garanto que saí mesmo muito aliviado. E recomendo o serviço das meninas, a quem precisar. Uma tendinite não é pera doce. E agora até já posso voltar a teclar para escrever a crónica do Cota-Diano.

publicado às 19:00

Crónica do cota-diano, do tempo sem futebol

Naçao Valente, em 14.04.20

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O massagista "lampiónico"

Há quem diga que a idade está na cabeça, mas o corpo passa ao lado de teorias e segue a normal marcha da natureza. Por mais que diga ao meu esqueleto que não seja queixinhas, que não se deixe abater apenas por uma dorzinha aqui, uma ardor acolá, um mal estar "acoli”(aiaiai) não me ouve. Não ouve mesmo.

Vai daí, por mais que diga ao meu ombro que não ligue ao protesto dos tendões, e ao seu choradinho, o facto é que não se cala. É pior que bebé chorão. E tanto me chateou que lhe fiz a vontade e levei-o ao massagista.

Estava sentado na sala de espera, com direito a senha e a ecrã plano de televisão, quando saiu do gabinete de massagens um paciente seguido do de um matulão “praí” de um metro e noventa. Reparei nas manápulas que saiam das mangas da bata branca. Era o homem das massagens. Mandou-me entrar, e depois de um breve diálogo, pediu-me para me deitar, em cima de uma marquesa. Foi então que reparei numa faixa vermelha e branca, colocada na parede em frente,onde se lia SLB. Se tivesse visto antes, de certo que tinha saído, sem dar cavaco. Mas era tarde.

-Dispa-se, deite-se de bruços e imagine que está em cima de uma marquesa de verdade, disse.

Nada mal para começo de tratamento. O cavalheiro mostra sentido de humor, embora brejeiro. Aceito, como processo de descontrair o paciente e criar proximidade.

Palavras não eram ditas comecei a sentir a delicadeza das manápulas no meu lombo. Pancada de criar bicho. Aguenta por seres queixinhas, disse no recesso da intimidade corporal. Até a marquesa gemeu, mas foi de dor.

-É pá, a sua coluna tem mais curvas que a estrada do Sabugueiro. Ainda é muito novo para estar neste estado. Não faz desporto? O SLB tem um ginásio à sua espera.

-Não sabe, mas eu não tenho tempo disponível, e além disso sou sportinguista, atrevi-me a dizer.

- Ai é? 

Agarra-me no braço puxa, puxa, roda, roda, de tal modo que este parece uma ventoinha a sair do eixo. Será que ainda está agarrado ao corpo?

-Não sou assim tão novo, respondi timidamente. Pelo menos já tenho idade para ter juízo e não me meter nestas alhadas, pensei…

- Sexagenário? Não lhe dava essa idade! Se tirar as banhas e pintar o cabelo, até parece um jovem. ---Sabe o que lhe digo? Saia do sofá, vá caminhar, olhe para as gajas, para as novinhas claro, vai-se sentir melhor, e até ainda muda para o "glorioso".

- Pró glorioso, nem morto, balbuciei,  mas logo me arrependi.

O braço ainda está no seu lugar. Até ver. E vem mais pancada. Agora dá-me um apertão tão forte na carcaça que senti que o esqueleto se separava da musculatura. Se é que ainda tenho esqueleto no verdadeiro sentido do termo.

- Pois é…coluna toda empenada…é uma pena. Caminhe…olhe para as tipas…velhas não…faça sexo…endireita a espinha e outras coisas, como o ânimo, bem entendido, sentencia o massajador.

Nem dou troco à conversa. Palavras para quê? Quero é que o matulão acabe, para sair dali, mas continua e volta ao braço,

Roda, roda, roda, roda
Roda, roda, sem parar
Tanto roda, tanto roda,
Que ao lugar há-de voltar

Porra, além de torturador também é versejador. Deixo-me levar na onda para ver se o tempo passa. Mentalmente vou dizendo,

Soda, soda, soda, soda
Soda soda sem parar
Deixa-me o braço num oito
E ainda tenho que pagar.

Quando nada o fazia prever, volta o apertão da ordem. Desta vez penso que me vão sair as miudezas pela boca, mas vá lá, ainda conseguiram voltar ao seu sítio, ou quase.

-É o que lhe digo, comece por caminhar cinco quilómetros, dez quilómetros e depois sexo. Tem que ser, você parece um puto, tem que viver como tal…

-Puto que o pariu. Quilómetros e quilómetros de sexo. Mas onde é que eu estou? Numa sala de massagens, numa câmara de tortura,  num consultório de sexologia, ou numa sucursal do "benfas". A medo arrisco dizer: “não se atrase, tem muita gente à espera”.

-Terminámos e não se esqueça dos meus conselhos. Aplique a minha receita e não se arrependerá.

Uff! Vamos lá ver, se ao menos consigo caminhar. Quanto ao resto logo se vê. Bem, se alguém tiver um corpo queixinhas, ou de certo modo achar que exagero, tenho o cartão do fulano e recomendo. 

Palavra do cota-diano

publicado às 21:30

A nau e os piratas

Naçao Valente, em 10.03.20

O Sporting CP faz lembrar uma nau a navegar num mar encapelado. Essa navegação que começou à cerca de ano meio, tem sobrevivido com uma espécie de navegação à vista. Os rombos que sofreu no quase naufrágio de 2018 têm sido difíceis de tapar. Os timoneiros tiveram como principal preocupação não deixar a nau afundar. A tripulação, com alguma serenidade, foi tapando as maiores brechas para que a água não entrasse. Tarefa difícil mas bem conseguida.

No primeiro ano houve uma aparente acalmia, no segundo depois de sucessivas mudanças de pilotos, para tentar levar a nau a porto seguro, sem o resultado pretendido, surgiu outro perigo que sempre esteve latente, mas que se encontrava na expectativa de poder actuar. E porque umas vezes por culpa dos timoneiros, outras por culpa dos pilotos, houve alguma oscilação, os piratas saíram das seus esconderijos para a tentar ocupar de novo. 

Os piratas saídos da bruma, após manobras de diversão, pensaram que tinha chegado a hora do ataque final. E aí estão, na sua plenitude, com perna de pau, olho de vidro, cara de mau e faca nos dentes, a fazer a abordagem de cara destapada. Como fantasmas saídos do nevoeiro, não respeitam, nem se dão ao respeito.

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Mas que querem estes brunistas de uma nau que navega com dificuldades? Salvá-la? Não! Querem os seus despojos, querem vingança, querem, se for  preciso, afundá-la, mesmo que não possa ser recuperada. Com piratas sem escrúpulos e sem o mínimo de ética, que mais que o timoneiro prejudicam a nau, não pode haver cedências.

Mas está o timoneiro e a sua tripulação no bom caminho? Diria pelo percurso da nau que está no caminho possível? Poderia ter feito melhor? Possivelmente. De certo que cometeu erros, de certo que não acertou nos melhores pilotos. Deseja-se e confia-se que acerte no último, para que a pirataria, não afunde de vez a nau.

Levar a nau a bom porto, não será tarefa muito fácil, Depois dos rombos, dos ataques dos tubarões e das piranhas, a tripulação tem de estar unida, o comando tem de ser reforçado, o rumo tem de ser firme, para a tirar do mar encapelado tem de a levar a bom porto. Salva a nau da pirataria, será a altura de repensar então livremente e sem pressão, quem a deve dirigir.

P.S.: À margem desta alegoria e sobre a crítica feita ao presidente Varandas, em relação à contratação de Rúben Amorim, estou convicto, que este e outros actos idênticos, são da responsabilidade da estrutura desportiva e de toda a Direcção, até pelo investimento que implica. Por isso espero que corra bem, e que obrigue os "marretas", que na comunicação social prevêem cenários catastróficos, a meter a viola no saco.

publicado às 02:34

Primeiro estranha-se, depois entranha-se

Naçao Valente, em 06.03.20

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Fernando Pessoa, que não sei se ligava ao futebol, para além da poesia, escreveu o slogan para promover um refrigerante novo em Portugal, e que é,  "Primeiro estranha-se, depois entranha-se". E, com convicção ou não, acabou por estar certo.

Quando se contrata um treinador de futebol, e um pouco conhecido, enquanto tal, não se sabe se vai entranhar-se ou não. Para já, para muitos sportinguistas, apenas se estranha. Fazendo um esforço para ser isento, focando-me apenas no acto e no seu contexto, e não em pressupostos em relação a quem o toma, prefiro assumir a expressão na sua totalidade.

A decisão de contratar Rúben Amorim, por mais especulações que avancemos, só obedece às motivações de quem a tomou. Podemos dizer que foi desespero, podemos afirmar que é de grande risco, podemos dizer que é deveras ousada, e o mais que nos vier à cabeça. Mas a verdade é que certamente foi ponderada, discutida, avaliada, por quem tem legitimidade para a tomar, até porque implica a disponibilidade de uma verba muito significativa. Neste sentido, parece-me de bom senso dar, no mínimo, o benefício da dúvida.

A vantagem ou desvantagem da bondade desta contratação, ou de outra, nunca se deve avaliar à priori. As avaliações feitas deste modo, valem o mesmo que os prognósticos dos resultados de jogos, com uma agravante, ou é por revanchismo ou por má fé. Tanto mais que a história recente do Clube está cheia de más decisões, já comprovadas. Se este acto de gestão desportiva foi bom ou mau saber-se-á a seu tempo, e só então poderemos apurar consequências.

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Pode-se dar um bom número de exemplos de decisões que correram mal - que são por de mais conhecidas - que geralmente passaram incólumes e sem o mínimo de contestação. O problema é que a memória é muito curta, e a avaliação sempre subjectiva e à conveniência.

Outra questão discutível é a ética desta aquisição, retirando o técnico ao clube para quem trabalhava, embora com base nos regulamentos, mas sem o seu acordo. O presidente desse clube pelos vistos rejeitou qualquer negociação e mostrou não querer perder o treinador neste momento... se estava a ser sincero. Nesse aspecto, tenho que referir, que não me parece muito correcto e que esta norma devia ser revista.

Mas concretizada a contratação, de acordo com as regras em vigor, Rúben Amorim, que aceitou o desafio (não foi obrigado a tal) como um passo em frente na sua carreira, é o treinador do Sporting, e precisa de ser bastante apoiado por todos os que põem o Sporting acima de direcções, e que não reagem previamente em função de simpatias, ou das suas avaliações subjectivas. O seu êxito é antes de mais o êxito do Sporting.

P.S.: Admito que a cláusula de rescisão é muito elevada, e pouco comum, mas era a única possibilidade para trazer o técnico de imediato. Fomos informados pelo presidente que será acomodado no orçamento já aprovado para o futebol. E se não há equipas sem bons jogadores, muito menos as há sem bons treinadores. Só o tempo o dirá.

publicado às 14:30

O regresso do 'brunismo' é possível?

Naçao Valente, em 01.03.20

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Procurando ser realista, nunca admiti a ideia de o Sporting poder ganhar a Liga Europa. Só uma muito invulgar conjugação de factores extremamente favoráveis, difíceis de reunir, poderia concretizar essa hipótese. E... mesmo assim, teriam de estar os "astros" todos alinhados nesse sentido.

Mas a continuidade nesta prova era bem possível por mais uma ou duas eliminatórias. Se tivesse acontecido, isso teria tido aspectos positivos e negativos. Teria acumulado mais valias financeiras e dado uma maior motivação à equipa. Ao invés, causaria um desgaste físico num plantel curto e de qualidade mediana, com reflexos na competição interna, onde é importante conseguir o terceiro lugar.

Por outro lado, permitiria à actual Direcção ganhar algum sossego, retirando argumentos à oposição, apenas assentes nos maus resultados. Esta saída extemporânea da Liga Europa, pelas razões que têm sido dissecadas, vai servir aos mentecaptos radicais do brunismo, a quem já se juntam outros adeptos descontentes, aumentarem a contestação, continuando a desestabilizar o Clube, convictos de que o regresso do brunismo é possível.

A anunciada manifestação para o dia 8 de Março, antes de um jogo de futebol, insere-se nessa estratégia. Quanto mais instabilidade semearem, mais dividendos esperam colher. Para esta gente vale tudo. Jogam no desespero e descontentamento geral dos adeptos em função dos resultados e têm em mira aliená-los para a sua causa. A reabilitação do líder deposto está em curso, já de uma forma descarada.

Ainda hoje, numa rádio onde é pregador, o presidente destituido disse com todas as letras que é candidato à presidência do Sporting. Que irá lutar pela sua reintegração como sócio. Para quem tinha dúvidas que este notório oportunista, que deixou o Sporting à beira da falência, queria voltar, como sempre tenho dito, aqui está a prova. E a razão é simples: este personagem não tem outra forma de vida.

Que fique bem claro, que o que move este movimento de contestação, não é o presidente chamar-se Varandas. Até podia ter outro nome, porque perante as mesmas circunstâncias, seria contestado da  mesma maneira. Que fique claro, que o que esta gente alienada quer é repor Bruno e o brunismo. Não lhe interessa mais nada. Que não se iludam aqueles que pensam que com a queda de Varandas se pretende que haja escolha livre. Não, pretende-se mais um golpe, como acontecu no pós-Alcochete. Os cabecilhas destes movimento não têm princípios, valores, ou qualquer moral.

O eventual regresso deste cenário, que ainda me recuso a admitir, atiraria o Sporting para uma decadência imprevisível. Não são sportinguistas, são fanáticos de tipo "religioso" a quem é completamente indiferente as consequências de uma "guerra santa" que em nada se relaciona com futebol. O fanatismo desta gente, para muitos inconsciente, para outros consciente, tem de ser travado. Os sportinguistas iludidos, que tiveram a lucidez de parar a loucura que estava a destruir o SCP, têm de cerrar fileiras. O que está em causa não é esta Direcção, nem meros resultados transitórios. O que está em causa é o Sporting.

Conclusão: as possibilidades objectivas do regresso do brunismo, são muito reduzidas, mas é urgente não continuar a dar motivações a essa minoria.

P.S.1: Esta análise concreta sobre a oposição golpista, não serve de desculpa para os erros cometidos pela Direcção, no aspecto desportivo. É preciso construir uma estrutura forte, com um projecto claro e realista. Esta novela de Silas, sai não sai, de Amorim, entra não entra, já devia ter sido parada pela Direcção, dando total apoio ao treinador até ao fim do campeonato. Mas isso é assunto para outro debate.

P.S 2. : De acordo com os estatutos um sócio excluído pode pedir a readmissão, que tem de ser concedida em AG por dois terços dos votos (Secção V, artigo 29). 

O direito de ser eleito para cargos sociais pertence exclusivamente aos sócios efectivos com pelo menos cinco anos de inscrição ininterrupta na categoria e que nos últimos cinco anos anteriores à data da eleição, pelo menos, tenham pago ininterruptamente as quotas (Secção II, artigo 20).

É considerada como ininterrupta a inscrição de todos os sócios readmitidos se, no acto de reingresso, efectuarem o pagamento total das quotas em atraso, salvo deliberação do Conselho Directivo em sentido diverso.(Secção V, artigo 29).

Desta leitura algo simplificada, pode-se depreender que a readmissão é possível, embora limitada. Depreende-se também que o facto de não ter pago quotas de forma ininterrupta, poderá ser ultrapassado.  

publicado às 05:04

O mais ecléctico dos clubes portugueses

Naçao Valente, em 18.02.20

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*Título extraído de um comentário de Leão Zargo, num post sobre Joaquim Agostinho

O Sporting Clube de Portugal foi fundado por homens que gostavam de jogar futebol, uma modalidade, importada da Inglaterra, mas com muita aceitação no início do século XX. Mas quem consultar a história do Clube encontra logo no período da sua fundação várias outras modalidades, como ténis, atletismo e ginástica. Igualmente curioso é constatar que houve, desde sempre, grande participação de mulheres atletas na vida do Clube, como por exemplo Hortense Roquette.

O Sporting CP é um clube ecléctico, o campeão do eclectismo em Portugal. É e sempre foi. Sendo o futebol como modalidade popular, menos exigente em meios, e portanto acessível a todos os que o quisessem praticar,  depressa se popularizou. Bastava uma bola, às vezes feita de trapos para se reunirem interessados, num espaço mais ou menos amplo, e para se organizar um jogo.

No entanto, outras modalidades foram gradualmente ganhando o seu lugar, captando atletas e competindo ao mais alto nível interno e externo. Não foi por acaso que o Clube ganhou desde muito cedo títulos nacionais e europeus. É uma pena que esta rica história desportiva, não seja mais divulgada, porque é pouco conhecida da gerações mais recentes. Refere-se o ciclismo, que levou ao clube até ao país mais recôndito, o atletismo  com mais de sessenta medalhas internacionais, o hóquei em patins, com oito medalhas de ouro europeias, só para dar alguns exemplos.

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Quando se aprecia a grandeza de um clube, tem que se ter em consideração o papel que desempenhou, não apenas no desenvolvimento e divulgação do futebol, mas no trabalho que foi feito noutras modalidades. Esta herança que vem do passado, mas que continua a estar presente, devia orgulhar todos os sportinguistas, e, diga-se, até os portugueses que apoiam outros clubes.

No Camarote Leonino, ao contrário de outros espaços, dá-se grande relevo a todas as modalidades. Um serviço de evidente valor que se presta ao Sporting e que merece ser devidamente reconhecido. Pena é que muitos dos seus leitores passem ao lado dessa divulgação. Pena é que os adeptos sportinguistas, e de todos os clubes, só vivam focados no futebol, com uma cegueira que não permite ir mais além. Deste modo, o chamado desporto rei, que também sigo com paixão, aliena mais do que liberta, como devia ser a função do desporto.

Os sportinguistas precisam de olhar para o Clube de uma forma mais ampla, valorizando o seu historial, passado e presente, unindo-se à sua volta com a convicção que não somos, de nenhum modo, inferiores aos nossos adversários. E  devemos mostrar que como adeptos de um clube ecléctico, apoiamos o eclectismo.

Isto é o verdadeiro Sporting e não o que hoje pulula nas redes sociais!

publicado às 03:33

Calado é um poeta

Naçao Valente, em 15.02.20

Já aqui escrevi que Frederico Varandas está sozinho nesta luta para resgatar o Sporting do domínio de energúmenos que não representam o Clube e que são a antítese do que deve ser o desporto.

Varandas não conta com o apoio de outros clubes, que têm as suas claques controladas e que utilizam na luta externa. Não tem o apoio do poder político que assobia para o lado. Nem sequer tem o apoio de órgãos do mundo do futebol, que se refugiam numa estranha passividade.

Os chamados notáveis do Sporting com uma ou outra excepção, incluindo ex-candidatos, estão mudos e quedos. E os que se pronunciam é para deitar mais achas na fogueira. Refiro, concretamente, Sousa Cintra, que depois de estar no Tribunal como testemunha arrolada pelo advogado do assaltante Francisco Marques, prestou declarações onde fez feroz ataque à actual Direcção.

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Criticou a precipitada substituição de José Peseiro, e nesse aspecto dou-lhe alguma razão, porque aqui me bati contra a pressão dos adeptos para que isso acontecesse. Foi um erro, mas ao qual associo adeptos e mais uma vez as claques.

Mas agora pergunto: que autoridade moral tem Sousa Cintra para criticar neste aspecto Varandas, quando despediu Robson com a equipa a liderar o campeonato? Que autoridade tem, quando durante a sua presidência de seis anos não ganhou um único campeonato? Que autoridade tem, tendo presente que durante a presidência da SAD aumentou despesa, com conhecimento da grave situação financeira?

Mas o que considero ainda muito mais grave foi a sua obnóxia defesa das claques, depois dos graves acontecimentos que se têm sucedido. Sobre os ataques a pessoas e interesses do Sporting, nada disse. Nem uma mera ténue condenação. Porque é que este personagem de opereta bufa não se cala. Calado é um poeta.

Com amigos destes o Sporting não precisa de inimigos.

publicado às 02:33

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