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O sucesso volta a passar por Alcochete

Leão do Norte, em 28.03.21

A "prematuridade" da estreia de Dário Essugo na equipa principal do Sporting atingiu uma tal notoriedade que colocou, definitivamente, a aposta na formação no centro da realidade leonina.

O Sporting Clube de Portugal sempre foi considerado um clube de excelência ao nível da formação futebolística, como comprovam os inúmeros talentos gerados no seu historial, ainda que, ao longo dos anos, tenha passado por períodos de intermitência nessa formação e algum subaproveitamento desses valores.

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A essência de sucesso da formação desportiva deve assentar em três pilares fundamentais: prospecção, condições de trabalho e oportunidades. Infelizmente, durante um período considerável, o "abandono" desses pilares condicionou esse sucesso na formação do clube leonino.

Nesse período, ao nível da prospecção, que num clube com a dimensão do Sporting deve ser de âmbito global e o mais abrangente possível, o nosso Clube foi ultrapassado pelos dois rivais (Porto e Benfica) e na região norte do país clubes como o Braga e mesmo o Vitória de Guimarães tornaram-se mais influentes. Alguns desses clubes chegaram a recrutar no Sporting os recursos humanos com que dinamizaram as suas estruturas de "scouting" e formação.

Foram tornadas públicas deficiências na manutenção das infra-estruturas e na melhoria das condições para o desenvolvimento dos atletas, o que condicionou negativamente esse desenvolvimento e o seu rendimento. As consequentes oportunidades ao nível da equipa principal foram escassas e inconstantes, fosse pela diminuição do talento disponível, fosse pela fraca aposta, por parte da equipa técnica, nos jovens formados na academia, muitas vezes em detrimento de jogadores com qualidade duvidosa e nitidamente inferior.

É com descomunal agrado que actualmente se constata, cumprindo uma promessa inicial e corporizando o projecto desportivo, que a actual Direcção apostou fortemente no reforço desses pilares de sucesso para a formação.

Para além do forte investimento nas condições físicas da academia e na metodologia de treino é rara a semana em que não assistimos à renovação de um jovem valor da formação, o que comprova a atenção dada ao percurso dos jovens e à sua estabilidade. Auscultando os intervenientes no terreno é fácil constatar o "regresso", a nível nacional, por parte do Sporting, à identificação, acompanhamento e contratação de jovens valores, que pelo país fora são continuamente gerados. Como complemento ideal para o sucesso deste projecto temos a competência e a coragem de uma equipa técnica que, com a sua aposta convicta nos jovens da formação, fornece-lhes as oportunidades necessárias para demonstrarem o seu potencial.

Dário Essugo conquistou os "holofotes da fama", mas Nuno Mendes (já internacional A), Gonçalo Inácio e Tiago Tomás são habituais titulares da equipa principal e importantes peças no seu sucesso actual. Se a estes juntarmos as utilizações frequentes de Matheus Nunes e Daniel Bragança, as apostas já feitas em Eduardo Quaresma e Joelson Fernandes e as chamadas constantes de muitos outros jovens aos trabalhos da equipa principal, comprovamos que a aposta na formação está no caminho do sucesso e o reforço dos seus pilares essenciais foi decisivo para estes resultados. 

Apostar na formação em nome do "ADN Sporting" não pode ser um "cliché" ou uma mera promoção comercial, mas sim criar as condições para o seu sucesso, pois esse é o caminho correcto para tornar o Sporting um clube sustentável e sustentado por títulos.

publicado às 03:04

Reconhece-se que estamos ainda muito longe do objectivo final, mas é inevitável que a vasta maioria de sportinguistas comece a olhar para o que resta do campeonato 2020/21 com uma atitude de prognóstico, associada a alguma ansiedade.

Todos os jogos podem ser complicados e, como amiúde se refere, o próximo jogo é sempre o mais importante e o mais complicado. No entanto, podemos sempre estabelecer, a nível teórico, uma gradação dessa dificuldade.

Contra aquilo que me é habitual, vou procurar estabelecer, com base apenas em teoria e à data actual, uma avaliação/reflexão sobre o que os restantes jogos podem implicar para o Sporting, a nível de dificuldade.

Para melhor poder objectivar esta nossa avaliação, estabeleci uma simples escala, de 1 a 5, sendo o 1 atribuído aos jogos teoricamente menos complicados e 5 aos mais complicados. A avaliação dos jogos será feita pela ordem natural do calendário.

TONDELA (Fora) - 2 - Esta época o Tondela revela ser uma das equipas mais frágeis do campeonato. No entanto a jogar em sua casa tem obtido bons resultados e é um local onde o Sporting várias vezes experimentou dificuldades.

V. GUIMARÃES (Casa) - 3 - O V. Guimarães é das equipas com melhores resultados na condição de visitante (melhores mesmo do que a jogar em casa), essencialmente porque tem jogadores rápidos, tecnicamente dotados e que jogam muitíssimo bem em transição explorando o espaço dado pelos adversários. Podem colocar problemas sérios ao Sporting.

MOREIRENSE (Fora) - 3 - Jogar em Moreira de Cónegos nunca é fácil, especialmente pela forma aguerrida como o Moreirense joga e, particularmente, defende.

FAMALICÃO (Casa) - 2 - O Famalicão está muito abaixo da prestação da época passada, mas não deixa de ter um grupo de jogadores de talento que a qualquer momento podem complicar. Para além disso poderá significar o reencontro com Silas.

FARENSE (Fora) - 4 - Prevejo este como um dos jogos mais complicados. O Farense, além de defender bem, utiliza o factor casa, nomeadamente as características do São Luís, para dificultar ainda mais a tarefa dos adversários.

BELENENSES SAD (Casa) - 2 - A dificuldade deste jogo vai estar no "estilo Petit"... jogo defensivo e físico no limite.

SC BRAGA (Fora) - 5 - Um dos principais adversários. Muito forte a jogar em casa e com variadas soluções. Jogo de dificuldade máxima e que pode definir muita coisa.

NACIONAL (Casa) - 1 - A dificuldade inerente a este jogo vai estar muito ligada à forma com sairmos da jornada anterior. Como espero que saiamos fortalecidos, atribuí o 1. Que seja o início da contagem final.

RIO AVE (Fora) - 4 - Outra equipa que coloca muitas dificuldades aos grandes a jogar em sua casa, especialmente pela forma como gosta de jogar, e tem jogadores para isso, em transição e a explorar os espaços. Espero que saiamos de lá como em 2000... em euforia.

BOAVISTA (Casa) - 2 - Optei pelo 2 face à realidade actual, mas, dependendo da posição aflitiva do Boavista nesse momento, o jogo pode ter um grau de dificuldade mais elevado.

BENFICA (Fora) - 5 - Este jogo até pode não vir a ter um carácter decisivo para as contas do campeonato, mas o dérbi lisboeta é sempre um jogo de dificuldade máxima para as duas equipas.

MARÍTIMO (Casa) - 1 - Esperemos que seja a merecida consagração.

O futebol é o momento e qualquer avaliação antecipada é sempre subjectiva e poderá ser alterada pela realidade quando chegar esse momento. Uma avaliação prévia da dificuldade de um jogo, imposta por determinado adversário, pode ser alterada pelas condicionantes existentes nessa altura, como sejam a sua posição na tabela classificativa ou as incidências do próprio jogo (expulsões, golos precoces...). Isto para além da forma como o decorrer das jornadas vai influindo nas seguintes.

No entanto decidi aventurar-me nesta avaliação, através de uma gradação objectiva, para, a esta distância, caracterizar o mais objectivamente possível o que resta do percurso do Sporting rumo ao sucesso, sabendo que tal "aventura" engloba de algum modo algo de futurologia, que a realidade pode desmentir, e que, por cada pessoa que o faça, teremos muito provavelmente avaliações diferentes.

Mas esta é a vantagem de uma boa e interessante discussão.

publicado às 03:18

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A época futebolística de 99/00 ficará para sempre na memória de todos os sportinguistas que a puderam viver. Tal deve-se, essencialmente, ao facto de nela se ter quebrado o longo e deveras penoso jejum, ao nível do título de campeão nacional, que a equipa de futebol atravessava.

Com a surpreendente carreira da actual equipa de futebol, e pela possibilidade de terminar um novo e similar tempo de jejum, começam-se a estabelecer comparações entre as duas épocas. A história não se repete, as realidades são muito distintas e as condicionantes mais ainda. No entanto, e sem estabelecer qualquer relação directa, há uma série de curiosas coincidências que se podem estabelecer entre ambas, e que ajudam a alimentar a ilusão do ansiado título de campeão nacional.

Convém recordar que este post é apenas, e a título de curiosidade, um simples relato de coincidências, que obviamente não têm implicação directa no desfecho da presente época. Mas, essencialmente para quem acredita em coincidências do destino, pode vir a ter algum interesse.

A primeira associação começa logo pelo similar período temporal sem o título de campeão nacional. Dezoito anos (dezassete épocas desportivas) na época de 99/00 e dezanove anos (dezoito épocas desportivas) na presente época.

No início das duas épocas as expectativas desportivas, nomeadamente quanto à conquista do título, eram muito reduzidas e tinham como ponto de partida um quarto lugar na época anterior. Muito embora em moldes bastante diferentes, era notório que as duas direcções sofriam contestação externa e viam os seus projectos serem colocados em causa se os resultados não aparecessem a breve prazo.

Na constituição do plantel optou-se, igualmente, pela aposta num guarda redes experiente, estrangeiro e possuidor de um curriculum com passagens por grandes clubes europeus. Com todas as evidentes diferenças entre Schmeichel e Adán, não deixa de existir um traço comum entre eles e na aposta feita.

A participação nas competições europeias saldou-se por uma eliminação precoce de ambas as equipas, perante adversários pouco credenciados a nível europeu.

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Apesar de inícios de época distintos, ambas as equipas conseguiram ultrapassar o habitual síndrome da época natalícia em condições favoráveis para a disputa do título nacional.

O habitualmente denominado "mercado de inverno" ao nível de contratações, saldou-se por um triplo reforço em posições iguais ou similares. Um defesa direito (César Prates e João Pereira), um central/lateral esquerdino (André Cruz e Matheus Reis) e um avançado (Mbo Mpenza e Paulinho).

Com o decorrer da época ambas as equipas foram demonstrando uma imagem e um estilo de jogo assentes num vincado espírito de luta, na união e na coesão, com as sucessivas vitórias a serem conseguidas através do rigor, do esforço e da aplicação (algumas até com muito sofrimento) e não com exuberância ou "nota artística", tantas vezes desnecessárias e ilusórias face ao verdadeiro objectivo.

Notou-se que a união do grupo constituiu um factor essencial para a génese de uma crença que levou a várias vitórias. Curiosamente, na segunda metade da época de 99/00, também se instituiu o discurso da importância do jogo a jogo e se passou a apelidar esses mesmos jogos como sucessivas finais.

A nível da calendário, e nos últimos quatro jogos, há ainda duas coincidências. Defrontar o Rio Ave, em Vila de Conde, na 31ª jornada e defrontar o rival da segunda circular na 33ª, e penúltima jornada, se bem que desta vez na posição de visitante.

Esperemos que a estas coincidências se junte aquela que será a mais importante de todas, a conquista do título nacional.

Apesar das coincidências apresentadas, é um dado óbvio que cada uma destas épocas tem uma especificidade própria, não repetível e que entre as duas existem múltiplas diferenças. Excluindo de forma óbvia a ausência de público, talvez a orientação técnica da equipa e a aposta feita nos jovens sejam as mais salientes. Mas, a título de curiosidade, aqui ficaram algumas coincidências que nos podem levar a "sonhar" com o que o destino nos reserva... a conquista do ambicionado título.

Todavia, convém recordar que a realidade, especificamente a do futebol, não se compadece com sonhos, mas com acções concretas. É essa acção, jogo a jogo, que certamente nos vais levar ao nosso objectivo e aí sim estabelecer uma "irmandade" entre estas duas épocas. 

publicado às 03:19

Por mais ilusão ou deslumbramento que o momento actual possa transmitir, o caminho do sucesso para a equipa do Sporting será longo, difícil e traiçoeiro. Apesar da euforia se estar a apoderar de alguns de nós e dos "especialistas" habituais nos tentarem inebriar, usando o nosso sucesso actual, a realidade do Sporting CP tem de continuar assente no trabalho diário, indiferente a pressões externas e com o objectivo focado no curto prazo, ou seja no próximo jogo.

Elogiando o extraordinário percurso da equipa até ao momento, temos de entender que os feitos conseguidos não nos garantem absolutamente nada, antes pelo contrário, tornando o nosso caminho cada vez mais exigente. As futuras vitórias serão cada vez mais difíceis, não só pela inevitável motivação de quem defronta um líder incontestado e imbatível até ao momento, como pelas movimentações de quem não esperava, nem deseja, abdicar de um "poleiro" habitual.

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É comum dizer-se que no futebol nada é adquirido e que o futuro é sempre imprevisível. Para atestar a favor dessa específica realidade futebolística basta recordar as duas últimas épocas desportivas, onde supostas lideranças confortáveis (sete pontos), em plena segunda volta, revelaram-se incapazes de, no final das mesmas, se traduzirem nos tão anúnciados títulos. O passado não implica que a prévia realidade se efective no presente, mas deve servir de alerta para evitar a sua repetição no futuro.

Alegra-me o comportamento e a orientação demonstrado pelo líder da estrutura técnica do Sporting, Rúben Amorim, na avaliação desta realidade e na forma como já a transmitiu ao grupo de trabalho, em especial aos seus lideres. Para além da competência e capacidade, já sobejamente demonstradas, é portador de uma lucidez e uma inteligência que lhe permite distinguir a realidade da vontade, o essencial do acessório.

Por mais que o estimulem, incentivem ou obriguem, Rúben Amorim certamente não cairá na "ratoeira" de alterar o seu discurso em função da vontade e do interesse de terceiros. Estou seguro que o faz, não por medo ou teimosia, mas pela convicção de que, para além de nada acrescentar aos seus objectivos, serviria para oficializar o Sporting CP como um "alvo" para os crónicos "atiradores" de serviço começarem as descarregar as "munições" há muito guardadas. Até seria mesmo um excelente incentivo para o avanço da habitual cruzada contra todos aqueles que afrontam o poder instalado.

Não há nada que nos impeça de, merecidamente, "saborear" todo o sucesso presente e ter confiança redobrada no futuro, mas é nestes momentos que a racionalidade deve imperar. Toda a euforia excessiva, ou qualquer outro descontrolo emocional, retirar-nos-á a lucidez e invariavelmente levará a uma diminuição do nosso estado de alerta, tão necessário para prever e enfrentar os perigos futuros.

O futuro competitivo do Sporting, que todos esperamos será revestido de sucesso, passará, em partes iguais, por um aumento da entrega e da exigência competitivas, assim como por um elevado controlo emocional face às diversas ameaças, sejam elas externas ou internas, depreciativas ou, porventura, até ilusoriamente elogiosas. É importante adoptarmos estes comportamentos para não se correr o risco de tornar o que brilhantemente foi conquistado até à data, num mero registo estatístico para a história.

Pedir isto a um "mundo" como o do futebol é uma tarefa árdua, mas tenho plena confiança que o Sporting tem, na actualidade, os comandantes ideais para esta missão. Assim todos sigam as suas orientações.

publicado às 03:03

Quando falta um, estão lá os outros todos!

Leão do Norte, em 31.01.21

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Apesar da revoltante exclusão de Palhinha do dérbi de amanhã, até com vários traços que indiciam uma acção premeditada, este é o momento para dizer que as nossas aspirações de vitória continuam intactas e a nossa ambição só redobrou com este infame episódio.

Todos sabemos quais são os poderes obscuros do futebol português e os meios usados para o exercer e perpetuar, mas compete-nos, não só os denunciar permanentemente, como também tornar a sua tarefa cada vez mais difícil. E é precisamente dentro do campo que esta equipa tem conseguido ser um "osso duro de roer" e um obstáculo a esses poderes.

Amanhã, privados injustamente de um elemento importante como o Palhinha, teremos de demonstrar em campo, e mais uma vez, que os desprezíveis meios usados por esses velhos poderes para nos tentar enfraquecer, não só não resultam, como nos tornam mais fortes.

Seja com a solução mais óbvia, através de Matheus Nunes, seja através de uma surpresa de Rúben Amorim (estou a lembrar-me da utilização de Eduardo Quaresma nessa posição), o importante é que quem tenha a missão de "substituir" o Palhinha (assim como a restante equipa), entre em campo, não para o fazer esquecer, mas lembrando-se da injustiça da sua ausência e da elevada importância que o seu esforço e tenacidade, ao longo do jogo, terão na possibilidade de se poder dedicar-lhe a vitória. Habituado que estou ao enorme espírito combativo e de união da actual equipa, personalizado e fomentado pelo seu treinador, não tenho a mínima dúvida que amanhã o estado de espírito será esse. 

Por mais importantes que as palavras sejam, não será só com elas que demonstraremos a nossa revolta e restabeleceremos um mínimo de justiça. É através de actos, essencialmente dentro das quatro linhas, que poderemos provar o difícil que é vergar esta equipa e o quão trabalhosa será a tarefa de a derrubar, por mais "encomendas" que façam.

Neste momento, há que provar a união inabalável deste grupo e a sua capacidade de reagir às injustiças, mostrando que se o privam de um dos seus elementos, vão ter de levar com todos os outros. E no final espero que a nossa resistência seja superior à deles!

publicado às 02:35

Sem ter a fama ou os notórios "holofotes" que a comunicação social proporciona a diversos jogadores, Nuno Santos tem-se destacado na actual equipa do Sporting, sendo justíssimo realçar a sua importância na excelente carreira da equipa nesta época.

Começo por referir que tenho prestado particular atenção ao percurso deste jogador, que começou nos tempos em que o vi jogar ainda nas camadas jovens, e não estou admirado, em nada, com o seu actual rendimento e a demonstração de qualidade nos diversos níveis de acção do jogo.

O que me admira, mas com inteira satisfação, é poder estar a fazê-lo no Sporting Clube de Portugal, quando, todos sabemos, era forte desejo de um dos concorrentes directos. É um dos grandes exemplos do acerto, na política de contratações, da estrutura do Sporting na presente época.

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São muitos os que se intitulam, ou outros os intitulam, de jogadores completos, mas são muito poucos os que realmente o são. Nuno Santos é um dos que demonstra, em campo, ser realmente um jogador completo, dada a forma com contribui para a equipa em quase todas as dimensões do jogo.

O Nuno é detentor de uma qualidade técnica bem apurada, de uma inteligência na leitura de jogo deveras assinalável e de uma excelente capacidade de remate, qualidades lhe tem permitido ser uma das referências ofensivas da equipa. O seu destaque vem, não só pelos golos que tem conseguido marcar (5 na época), como também na capacidade para assistir os colegas, sendo o terceiro melhor assistente da Liga.

Mas a importância do Nuno, para a equipa, também se verifica no rendimento defensivo. A forma como consegue ajudar a "fechar" o flanco esquerdo às acções ofensivas por parte dos adversários, ou ainda como, em permanente articulação com o lateral esquerdo, sabe efectuar as necessárias compensações e estabelecer os equilíbrios defensivos, são perfeitos exemplos  da sua enorme qualidade e importância neste domínio do jogo. Não é por acaso que o lado esquerdo da equipa tem sido uma "fortaleza" para as investidas dos adversários.

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Além das suas qualidades futebolísticas, o Nuno Santos apresenta uma força mental e uma atitude perante o jogo de salientar. O seu querer e a sua "garra" em campo, já o levaram a situações de "confronto" com os adversários e lhe valeram sanções. Sendo uma situação a controlar, são reveladoras do seu estado de espírito e da sua vontade de vencer.

Pessoalmente, prefiro jogadores com este espírito de "sangue na guelra" àqueles que são "amorfos" e algo acomodados perante o jogo. De tais qualidades não podemos dissociar a forma como este futebolista superou duas graves lesões, as quais, certamente, o tornaram mais forte e preparado para reagir às adversidades.

Como sportinguista, é um orgulho ter um jogador com esta qualidade e entrega na equipa, mas também, não deixa de ser bastante gratificante, poder verificar toda a capacidade que a estrutura directiva e futebolística do Sporting teve de, finalmente, ganhar a "corrida" a um dos rivais por um jogador desta qualidade.

O Nuno, sendo Santos e não Santo, tem conseguido operar verdadeiros "milagres", não só na forma com tem conduzido a sua carreira, como na actual época do Sporting.

publicado às 04:49

Com a reabertura do mercado futebolístico de transferências é inevitável um aumento das discussões sobre a eventual necessidade de um reforço ao nível do plantel do Sporting, estando a questão do avançado, neste post definido como ponta de lança, entre as mais discutidas.

Com a prestação da equipa a surpreender, agradavelmente, pela positiva, facto que, não só aumenta as expectativas e exigências dos adeptos, como também gera um maior "respeito" dos adversários nos jogos com o Sporting, levando-os a utilizarem esquemas de jogo com elevada densidade defensiva, é pertinente colocar uma questão... é, ou não, necessário reforçar o sector ofensivo da equipa com outro ponta de lança?

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Em contra dessa necessidade de reforço podemos argumentar com a realidade financeira do Clube, com as características específicas de um mercado como o de "Inverno", ou com a rentabilização dos recursos internos disponíveis no Clube. Em relação a este último ponto há vários aspectos a salientar.

A recuperação do Luiz Phellype poderá oferecer um "reforço", faltando ainda saber o seu estado após a recuperação clínica e a forma como as suas características se encaixam no esquema e ideias do Rúben Amorim. A evolução do jovem Tiago Tomás também tem de ser considerada em conta, sabendo-se, no entanto, que muitos processos acelerados de "amadurecimento" podem ser prejudiciais para a carreira de um jovem. De Sporar, apesar da inconstância exibicional e de ainda não ter correspondido em pleno ao desejado por Rúben Amorim, é lícito esperar um contributo mais efectivo e decisivo. Por último, com reduzidas possibilidades de serem opções contínuas, mas para situações pontuais, temos os jovens da equipa B, da qual destaco o Pedro Marques.

Em favor da necessidade de um reforço ofensivo para a equipa e sem esquecer a realidade financeira do Clube, temos a evidente dificuldade que a equipa demonstra em ter presença contínua na área adversária, facto essencial contra equipas que jogam "fechadas", com linha defensiva muito baixa e que não permitem o espaço que a equipa necessita para o seu jogo em transição. E convenhamos que a maioria das equipas vai jogar contra o Sporting nesse esquema.

Face a estas visíveis dificuldades da equipa, seria útil ter outro tipo de ponta de lança, com características de jogo diferentes dos que actualmente compõem a área ofensiva do plantel do Sporting, especialmente com capacidade para jogar mais fixo na área, dar "luta" aos defesas e aproveitar o jogo aéreo.

Nesta necessidade de contratação apresenta-se um dilema. Será de tentar a contratação de goleador vindo de outro campeonato ou, pelo contrário, apostar num jogador já adaptado ao campeonato nacional?

Se a decisão recair sobre esta última opção, até porque já aqui no Camarote Leonino estes nomes foram abordados, dou dois exemplos de jogadores que, pelas suas características e rendimento, podem ser considerados, Douglas Tanque e Rodrigo Pinho.

Uma decisão como esta envolve sempre a avaliação e consideração de muitas variáveis, e o lançamento destas ideias serviu para revelar essa realidade, mas, seja a aposta na evolução ou consolidação das opções disponíveis, seja a da contratação de uma nova opção, julgo que a equipa terá de trabalhar e apresentar outras formas de actuação ofensiva, sob pena das equipas adversárias, pela habituação, encaixarem no jogo do Sporting, bloqueando assim as suas accções ofensivas. É urgente impedir que, à frente da baliza dos nossos adversários, se forme um "parque de estacionamento" de autocarros!

publicado às 04:04

A âncora que mantém a equipa segura

Leão do Norte, em 27.12.20

João Palhinha foi uma das "novelas" da pré-temporada do Sporting e, seja por ter existido um entendimento entre os intervenientes, seja por "linhas travessas", acabou por ficar no plantel, estando até ao momento a escrever uma das belas histórias da temporada e sendo unanimemente reconhecido como um elemento chave no excelente rendimento da equipa.

Com um esquema baseado em três centrais e dois laterais de forte apoio ofensivo, a equipa necessita de um elemento que faça a ligação entre sectores e que a estabilize tacticamente. Alguém que reaja logo à perda de bola da equipa, fazendo a pressão e permitindo o tempo necessário para que esta se reequilibre, e que, ao mesmo tempo, saiba ocupar os espaços, jogando tanto em antecipação como em contenção, conforme a necessidade do momento. Paralelamente, esse elemento deve ser dotado das capacidades imprescindíveis para, uma vez recuperada a posse de bola, ser uma ajuda aos centrais na construção ofensiva.

João Palhinha, pelas suas qualidades físicas e técnicas, associadas à evidente inteligência táctica, tem vindo a desempenhar esta essencial posição na equipa, de forma exemplar. O conhecimento que já possuía das ideias-base de Rúben Amorim também ajudou-o nessa tarefa. É só avaliar o rendimento da equipa após a sua entrada e a forma como ela, a partir daí, cresceu. 

Poderia ter saído por 10/12 milhões de euros, mas, a esta distância, podemos afirmar que no rácio qualidade/preço, muito dificilmente encontraríamos alguém que desempenhasse a função melhor do que o Palhinha. E, em boa hora para o Sporting, não só não saiu, como ainda teve o prémio da renovação. Muitas vezes a melhor solução está mais próxima do que pensamos.

Ele é a verdadeira âncora da equipa, aquele que surge a estabilizar o "barco", no local onde se podem gerar as tormentas. E tanto é assim, que as forças externas já perceberam sua importância no fio de jogo da equipa e tentam condicionar o seu rendimento, através da sucessiva marcação de faltas (muitas delas inexistentes) ou na amostragem de cartões amarelos, como aquele aos 37 segundos do jogo com o Gil Vicente.

publicado às 03:34

A etimologia da palavra Amorim remete-nos para o "lugar dos amantes" e é precisamente vindo da relação própria dos amantes, que se pode encontrar o "lugar" onde, actualmente, está presente o vincado sentimento do universo sportinguista para com o treinador Rúben Amorim, no denominado "entusiasmo de uma paixão".

Ultrapassadas as discussões sobre o elevado custo da contratação ou até a sua competência profissional, Rúben Amorim tem vindo a provar aos mais cépticos, desconfiados ou pura e simplesmente maledicentes, o fulcral acerto que foi sua contratação e, pelas manifestações apresentadas, já terá conseguido despertar uma "paixão" em muitos sportinguistas. E com o seu "amor" à causa leonina despertou, entre os sportinguistas, um fenómeno traduzido no título deste post:

"Quando se apaixona um, apaixonam-se (quase) todos!"

Sem entrar em determinadas avaliações técnicas, para as quais há quem, aqui mesmo no camarote leonino (sem desprimor para os demais, destaco o nosso assíduo e participativo leitor juliuscoelho), esteja mais "habilitado" e vestindo o "equipamento" de adepto, realço o bem que a equipa joga e o prazer que dá vê-la jogar. Esta forma de jogar é, sem dúvida, a expressão de todo um trabalho, que assenta na valorização do colectivo e na maximização do seu rendimento, potenciando, por aí, as qualidades individuais de cada jogador.

Neste contexto, não é de estranhar que diversos jogadores estejam, este ano, a apresentar um rendimento desportivo muito superior ao apresentado anteriormente, nem que, como no último jogo da Taça de Portugal contra o Paços de Ferreira, a ausência do seu jogador mais em evidência até à data (Pedro Gonçalves, "Pote"), não tenha levado a uma quebra no rendimento da equipa ou que os jogadores chamados para suprir a sua ausência o tenham feito com distinção.

Esta realidade só se tornou possível porque Rúben Amorim, com a sua equipa técnica, têm desenvolvido um trabalho assente numa matriz e num modelo de jogo, em que o colectivo tem uma maior relevância na 'expressão' do rendimento da equipa, do que as indiscutíveis potencialidades individuais de cada jogador. Estas surgirão infalivelmente como resultado do seu enquadramento no rendimento colectivo, sendo sempre mais valias, e não o factor decisivo, a esse rendimento.

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Obviamente que a qualidade dos jogadores é relevante, mas essa qualidade é canalizada, e até potenciada, para uma ideia colectiva e global de jogo, que leva a equipa a não estar tão dependente da presença ou inspiração de um determinado jogador, num determinado jogo.

Defendo que a competência de um qualquer treinador não deve ser avaliada apenas pelos resultados. Exemplificando com recurso ao absurdo, não seria de todo legítimo exigir a um treinador, com reconhecida competência, que vencesse o campeonato nacional, se à sua disposição lhe fosse colocado um plantel formado por jogadores de um mero respeitoso campeonato distrital qualquer. Lá diz o provérbio que "não se fazem omeletes sem ovos", e seria deveras injusto avaliar a sua competência pelos resultados, mas, mesmo neste caso, poderíamos então avaliar o trabalho realizado e alguma da sua competência, pela forma como teria potenciado o rendimento da equipa e dos jogadores.

No meu ponto de vista, e contra a notória realidade existente no futebol da "ditadura dos resultados", qualquer avaliação justa sobre a qualidade de um treinador deve ter sempre em conta quanto, tendo por base um teórico rendimento individual esperado para cada jogador do plantel, o rendimento global apresentado pela equipa é superior à simples soma desses teóricos rendimentos individuais previamente esperados. Quanto maior for essa diferença, mais valor acrescenta o treinador à equipa, não só em termos de resultados desportivos, mas também no que respeita ao aspecto "comercial" dos jogadores. E Rúben Amorim, a julgar pela evidência à vista, tem conseguido apresentar um rendimento global da equipa que é indiscutivelmente superior à soma do valor individual de cada um dos seus jogadores. 

Muitos já chamam ao rendimento da equipa do Sporting este ano, o milagre de Amorim. Os milagres, a acontecerem, são raríssimos e mais ainda no futebol. O que acredito é que o  rendimento da equipa do Sporting, este ano, não resulta de nenhum milagre, mas sim da competência de Amorim.

Voltando ao sentimento prevalecente, na relação íntima do universo sportinguista com Rúben Amorim, convém recordar que, habitualmente, as paixões envolvem sentimentos intensos mas efémeros, e que, quando colocadas perante as dificuldades e o insucesso, são passíveis de se transformarem em revolta e desilusão. Não estando a comparar, com esse extremo afectivo, a relação do universo sportinguista com o actual treinador, convém ter a prudência e racionalidade essenciais, até porque o mundo do futebol também desencadeia emoções fortes e de volatilidade conhecida.

Reconheçamos a felicidade de ter o Rúben Amorim no comando técnico da nossa equipa e valorizemos a qualidade do seu trabalho, mas mantenhamos o distanciamento emocional necessário, até para benefício e tranquilidade do próprio, que inevitavelmente aumentará as hipóteses de sucesso da equipa.

publicado às 03:34

A arte de legitimar um contínuo rouVAR!

Leão do Norte, em 07.12.20

A chegada da tecnologia do vídeo-árbitro ao futebol foi inicialmente entendida, por quem de boa fé o analisava, como uma forma de melhorar as decisões arbitrais, evitando os chamados erros grosseiros, tornando assim a competição teoricamente mais transparente e justa. Em abono da verdade convém lembrar que o Sporting Clube de Portugal esteve na primeira linha dos proponentes e reclamando a sua necessidade.

O exemplo vindo anteriormente de outras modalidades pressupunha que, no futebol, estes objectivos seriam fácil e prontamente atingidos e que a tecnologia do VAR tornar-se-ia na verdadeira revolução positiva. Mas o futebol é um mundo muito sui generis, onde não impera a lógica vigente em outras modalidades ou mesmo em outras realidades. 

Numa primeira fase, a reacção adoptada pelos poderes então instalados no futebol foi a de recusa, invocando um vasto número de razões que impediam a sua aplicação. Mas, com o decorrer do tempo, a pressão para a sua utilização foi aumentando e os argumentos em contra já não se mostravam, por si só, suficientes. Assim, não restou outra alternativa que não fosse a de aceitar esta tecnologia.

Mas como os ditos poderes do futebol não dormem, logo começaram a pensar em formas diversas de adulterar a ideia original da sua utilização, transformando-a numa ferramenta que poderia servir para manter os seus vastos privilégios, desde que fosse cuidadosamente utilizada. E se bem o pensaram, mais depressa o fizeram.

E é nesta fase em que actualmente estamos. O VAR está instrumentalizado, não a favor de uma justiça nas decisões, mas sim em favor de decisões que, em determinadas ocasiões, são as que melhor servem os interesses dos poderes instalados. 

Desengane-se quem, ingenuamente, pensa que a resolução futura desta desolada situação passa pela melhoria dos protocolos ou das condições tecnológicas. Duvido mesmo que a publicação dos "audios" das comunicações entre o árbitro e o VAR venha a resolver algo, pois, pela sua implementação, os intervenientes vão sempre encontrar formas "especiais" de comunicação, que não os comprometam.

Os "donos disto tudo" (onde é que eu já ouvi isto?) vão continuar, sem qualquer pudor ou temor, a explorar a face "oculta" desta tecnologia e com as mais variadas formas, de modo a perverterem o seu verdadeiro sentido de justiça. Seja parando as imagens 5 cm mais à frente ou 5 cm mais atrás do real, o suficiente para colocar a linha do fora de jogo no local que mais lhes convém, seja apresentando uma imagem de um possível contacto sem que se perceba quem é o verdadeiro responsável pelo contacto, seja por uma "falha" ao nível das comunicações - isto, sempre em jogadas determinantes - seja até porque o VAR teve a necessidade ultra-imperiosa de ir ao WC ou se distraiu a ver um qualquer canal memória durante o jogo e não viu uma qualquer jogada. Enfim... passe o exagero e o ridículo de algumas destas situações, quase tudo pode servir para justificar as acções do VAR em favor de decisões que mantêm o domínio dos mesmos.

E escusam de vir a terreiro os habituais "cartilheiros", "fruteiros", "justiceiros" ou simples "comentadeiros", clamar que só falamos quando somos prejudicados e que o Sporting até tem sido muito beneficiado. O VAR deve funcionar correcta e uniformemente em TODAS as situações, quer se fale ou não. E em relação a qualquer eventual benefício por parte do Sporting, isso traduziu-se em quê? Para além de possíveis e pontuais vitórias, os títulos de campeão e os lugares de acesso aos milhões da Liga dos Campeões vão quase sempre para outros. Se o resultado do benefício para o Sporting é este, eu quero é ser prejudicado como os outros!

Como súmula, podemos afirmar que a funcionalidade do VAR, actualmente, serve para legitimar e "credibilizar", até com algum rigor, a continuação dos roubos que há décadas se assistem no futebol.

publicado às 03:34

Alerta, o perigo espreita!

Leão do Norte, em 30.11.20

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A excelente, mas inesperada, carreira da equipa de futebol do Sporting na Liga portuguesa, colocará muitos intervenientes do futebol português, em especial os nossos adversários, em "acção", num horizonte temporal não muito distante.

Para Benfica e FC Porto é um dado perfeitamente factual que os dois primeiros lugares da Liga são uma questão exclusiva de ambos e a competição destina-se apenas a definir a sua ordem. No entanto, o rendimento da equipa do Sporting, bem acima do esperado, colocou-os perante uma nova realidade, de todo inesperada para eles. E perante o incómodo de tal situação, ninguém tenha dúvida de que vão agir e tão rapidamente quanto a prestação da equipa do Sporting continuar a surpreender.

Nesta mais recente paragem do campeonato começámos a assistir às primeiras "acções", nomeadamente através de declarações que desvalorizam o valor da equipa do Sporting na luta pelo título e centram a discussão nos "clientes" habituais. Também na análise do jogo com o Moreirense foram notórios os comentários, dos "comentadeiros", a clamarem que o Sporting tinha sido beneficiado (?) pela arbitragem.

Se por um lado o curso prudente passa por ignorar tais comportamentos e prosseguir com o rumo traçado, por outro devemos estar alerta porque são fiáveis indicadores de futuras acções, tendentes a prejudicar a nossa prestação desportiva. E se inicialmente são apenas na forma verbal, rapidamente se transformarão em acções concretas, típicas dos poderes instalados no futebol português, tão decididos que estão em não abdicar dos privilégios conquistados, sabemos muito bem de que forma.

Estejamos pois em alerta para o surgimento, num futuro próximo, de nomeações arbitrais "cuidadosamente" efectuadas, de habituais dificuldades de comunicação e acção do VAR, assim como de critérios disciplinares em "versão exclusiva" para os jogadores do Sporting, de "motivação" extra por parte dos adversários.

E, como diria um famoso humorista, 'last but not least', de alguma comunicação social - "opinadores", "cartilheiros" e afins - em uníssono, a debitarem fastidiosamente a habitual narrativa e a "desenterrarem" notícias "bafientas" numa tentativa de fabricarem supostos casos que condicionem o rendimento da equipa do Sporting e estimulem a habitual luta "fraticida" do nosso Clube e que tanto nos enfraquece.

A todos aqueles que sofrem e apoiam o verde e branco - sem outro interesse que não o do inigualável prazer das sucessivas vitórias - compete não servir de "combustível" a esta notória fogueira já ateada pelos vários rivais e que tem por objectivo principal "incinerar" as nossas aspirações desportivas.

Um vez que, face à actual realidade, estamos afastados dos estádios e não podemos dar o apoio directo ao nosso grande amor, que demonstremos todo esse apoio pela "omissão" de comportamentos inevitavelmente danosos ao Clube e que os nossos adversários tão bem têm sabido aproveitar ao longo dos últimos anos. Neste momento é, com certeza, um apoio muito mais importante para o Clube do que alguns possam imaginar.

Saibamos cumprir o nosso secular papel de adeptos, bastando para tal seguir o exemplo do indiscutível líder da equipa (Rúben Amorim), personalizado na forma como tem sabido contornar as "ratoeiras" que semanalmente lhe vão colocando.

Não tenho grandes dúvidas, porventura até aqui no Camarote Leonino, que os diversos alertas feitos para a ocorrência destas situações, bem como as possíveis reacções por parte de elementos do Sporting, irão desencadear, mais uma vez, o aparecimento do tradicional discurso de que tudo não passa de um produto da nossa fértil "mania" de vitimização e de perseguição.

Acredite quem quiser, mas este tipo de argumento, para além de muito conveniente, tem servido na perfeição aos nossos rivais mais directos para desvalorizar e descredibilizar, logo à partida, toda e qualquer posição assumida pelo Sporting.

Os que seguem atentamente o futebol há vários anos sabem bem que a mera coincidência ou a incompetência, não chegam, por si só, para explicar muitos dos acontecimentos que a equipa do Sporting tem sofrido "cirurgicamente" em alturas críticas da temporada, quase sempre quando se "intromete" no "acesso reservado" aos dois clubes que ilegitimamente se julgam os únicos detentores do crédito para disputar o título nacional. 

publicado às 03:34

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O afastamento prematuro da Liga Europa por parte do Sporting, tem motivado a discussão sobre uma eventual vantagem desse afastamento. 

Sendo inegável que qualquer tentativa de avaliação de uma hipotética vantagem (se é que de facto ela realmente existe) será sempre um acto subjectivo, irei procurar, na medida do possível, ilustrar, através de números, a realidade desse afastamento, para assim se poder inferir com mais propriedade uma eventual vantagem.

Sendo necessário o estabelecimento de condições para realizar um termo comparativo com um mínimo de fundamento razoável e tendo em conta toda a realidade e previsibilidade desportivas na presente data, estabeleci os seguintes dados:

  • Comparação da realidade competitiva, em jogos, de Sporting, Benfica, SC Braga e FC Porto até ao final de Março de 2021;
  • Número total de jogos a disputar pelas quatro equipas até ao final de Março de 2021, desde o início da época;
  • As quatro equipas classificar-se-ão para os quartos de final da Taça de Portugal;
  • As quatro equipas classificar-se-ão para as meias finais da Taça de Liga;
  • O FC Porto apurar-se-á para os oitavos de final da Liga dos Campeões;
  • O Benfica e o SC Braga disputarão os oitavos de final da Liga Europa.

Bem sei que estas premissas podem ser falíveis (por defeito ou por excesso em número de jogos), mas para conseguir ter uma razoável base comparativa são as que, à data actual, me parecem as mais prováveis. Deliberadamente, optei por excluir os jogos das meias finais da Taça de Portugal e da final da Taça da Liga, uma vez que a definição destes outros cenários levaria a tarefas de previsibilidade muito mais subjectiva. Refiro, no entanto, que poderão implicar, no máximo, a realização de mais três jogos às equipas eventualmente apuradas.

Com base nos dados da realidade estabelecida, verifiquei que no final de Março de 2021 o Benfica teria disputado o total de 41 jogos, o SC Braga 40 jogos, o FC Porto 38 jogos e o Sporting 32 jogos. Cenário este que corresponderia ao Sporting ter disputado um número de jogos 22% inferior ao Benfica, 20% inferior ao SC Braga e 16% inferior ao FC Porto.

Em relação à avaliação do número de jogos agendados por mês, em Janeiro temos o mês com mais densidade competitiva a nível das provas nacionais (oito jogos), sendo mesmo o único mês onde não se disputam jogos das competições europeias e como tal apresenta o mesmo número de jogos para as quatro equipas. Em Dezembro de 2020, o Sporting, em relação aos três concorrentes, irá realizar menos 28% dos jogos (5 vs 7) e em Fevereiro de 2021 menos 17% que o FC Porto (5 vs 6) e menos 28% que o Benfica e SC Braga (5 vs 7). Já em Março de 2021 disputará menos 25% que o FC Porto (3 vs 4) e menos 40 % que o Benfica e SC Braga (3 vs 5).

Claro que a estatística no futebol tem um valor relativo e esta exemplificação quantitativa é uma forma simplista de avaliar o contexto competitivo dado existirem diversos factores na definição do desgaste competitivo. No entanto pretende ser um pequeno contributo para a discussão da eventual vantagem atribuída à equipa do Sporting por não estar envolvida nesta fase das competições europeias.

publicado às 04:03

As discutíveis opções da Selecção Sub-21

Leão do Norte, em 19.11.20

A tripla dose de jogos da Selecção de sub-21 que deu para concluir a fase de apuramento para o Europeu do próximo ano revelou opções muito discutíveis na elaboração da equipa titular.

Pedro Gonçalves (Pote), elemento mais em destaque (sendo mesmo o melhor marcador) do Sporting CP e que foi "" o melhor jogador (não foi eleito o melhor jovem, foi mesmo o melhor na globalidade dos jogadores!) da Liga NOS nos meses de Setembro e Outubro, não mereceu a titularidade em nenhum dos jogos realizados nesta tripla jornada, entrando apenas nas segundas partes. 

Gedson Fernandes, que esta época disputou a relevante marca de um jogo (!) e 63 minutos pelo Tottenham, foi titular nos três jogos realizados pela Selecção.

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Apresentei estes dois exemplos, como até poderia apresentar outros, mas este será mesmo o caso mais exemplificativo das muito discutíveis opções por parte do seleccionador Rui Jorge. Parece-me deveras incompreensível que Pedro Gonçalves, pelo seu momento de forma, não seja titular nesta equipa em nenhum dos três jogos disputados e, mais ainda, quando alguns outros jogadores com reduzido ritmo competitivo foram titulares em todos os jogos.

A Selecção de sub-21 deve ser um espaço de competição onde jogam os melhores jovens do momento, e não funcionar quase ao estilo "plantel de clube", onde há uma equipa base que joga quase sempre, independente do estado de forma e de competição dos jogadores. Além disto, as formações jovens nunca devem ser (e espero bem que não sejam) uma "coutada" gerida por alguns em benefício dos seus "protegidos", nem uma "montra" onde se expõe e valoriza a "mercadoria" para selectivos futuros negócios.

ADENDA

Não sei bem o que o cartoonista tem em mente, mas o que mais transparece é que se Rui Jorge não esteve bem nestes últimos jogos, Fernando Santos não fez melhor, praticamente oferecendo o apuramento para a final four da Liga das Nações à França com a sua escolha de jogadores para o 'onze' inicial no jogo decisivo.

A formação gaulesa é sempre um adversário muito difícil, mais ainda quando a Equipa das Quinas opta por jogar logo de início em 'inferioridade' numérica.

publicado às 03:50

Custou um valor elevado... foi caro?

Leão do Norte, em 15.11.20

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No momento em que, para muitos, Rúben Amorim está na "moda" e muito se tem falado dos seus inegáveis méritos na carreira da equipa até à data, gostaria de abordar um tema que gerou, e continuará a gerar, muita discussão. O custo da sua contratação.

Deixando de lado as formas e prazos de pagamento, entretanto resolvidos entre os clubes, muitos foram os que questionaram, e continuam a questionar, o valor despendido por um treinador jovem e sem curriculum, quando o Clube está em notória contenção financeira.

Se as dificuldades financeiras vividas pelo Clube são um motivo preponderante para não se despenderem verbas elevadas em contratações, não é menos válido que essas dificuldades obrigam a um nível elevado de escolhas acertadas, sob pena do contínuo insucesso vir a originar, na globalidade, um dispêndio de verbas também elevado, com a agravante dos inevitáveis prejuízos desportivos.

Terá sido então Rúben Amorim um treinador caro e uma aposta demasiado arriscada para a realidade do Sporting?

Foi seguramente contratado por valores considerados elevados para a realidade económica do clube, mas eu não afirmaria que foi um treinador caro. Certamente que foi uma aposta de risco, face ao escasso curriculum, apesar de no seu curto período de trabalho em Braga ter demonstrado assinaláveis qualidades, nomeadamente um estilo de jogo atractivo e ter conseguido inegável e relevante sucesso desportivo, no qual se incluem as vitórias contra adversários teoricamente superiores e nos seus redutos. Paralelamente demonstrou uma personalidade vincada, com ideias definidas e um discurso fluído e comunicativo. Para os mais atentos, estava ali, ao nível da qualidade e do potencial , um treinador com algo de diferente e com futuro muito promissor.

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Conhecido o insucesso do Clube nas apostas feitas anteriormente e perante nova mudança, não restava à direcção do Clube outro tipo de solução, que não fosse a de encontrar alguém com o elevado potencial para ter sucesso, e para isso teria de arriscar, pois novo insucesso seria, quiçá, fatal para o seu projecto desportivo. Definiu o Rúben Amorim como a escolha certa e numa jogada de antecipação arriscou, mesmo tendo de pagar um valor considerado elevado. E ao escolher o Rúben Amorim não tinha alernativa senão arriscar.

Em primeiro lugar, porque treinava então um clube que na altura lutava pelos mesmos objectivos do Sporting e só o contrataria pagando a elevado valor da cláusula de rescisão, e em segundo, porque o tempo corria a desfavor, dado que havia a forte suspeita que estaria "em trânsito" para um outro rival. Pese embora o facto de ser ainda relativamente cedo para a avaliação concreta, esta aposta parece, até à data, ter provado que o risco assumido valeu a pena. E não falo só com base nas actuais vitórias consecutivas, mas na forma como ele transformou tanto a equipa como o próprio Clube ao nível de jogo, de mentalidade, de discurso, de planeamento e contratações...

Pelo que tenho observado Rúben Amorim prova que é um treinador destinado a atingir o topo. Pode, eventualmente, não vir a ter o sucesso que todos desejamos no Sporting, uma vez que as contingências são muitas (instabilidade do Clube, "status" do futebol português, decisões arbitrais...), mas não tenho a mínima dúvida que terá uma carreira de sucesso.

E um clube com a histórica dimensão e indisputável realidade do Sporting CP, para ter um potencial treinador de topo, terá sempre de arriscar na forma como o contrata e no timing do negócio, jogando em antecipação, pois só o conseguirá integrar nos seus quadros antes de outros concorrentes, se arriscar contratá-lo no período em que começa a demonstrar o seu potencial e não quando ele estiver já no topo. Nesta fase aparecerão outros, com outros argumentos, e o levarão.

Respondendo à questão colocada como mote para este post, afirmo o seguinte:

Caros não são os que realmente custam muito dinheiro... Caros são os que não rendem, por pouco dinheiro que custem!

Despender uma verba elevada com algo que nos dá rendimento é um investimento, que no futuro, conforme a rentabilidade, poderá muito bem vir a compensar. E na contratação de Rúben Amorim não duvido que o seu elevado custo, foi um investimento que futuramente será rentável, como aliás já se começou a verificar na valorização dos activos e na imagem que é transmitida pela equipa.

publicado às 03:04

Sporting, o Lema na origem do Sucesso

Leão do Norte, em 07.11.20

Se habitualmente é um prazer escrever neste blogue, hoje é com redobrado gosto que o faço, uma vez que aceitei o honroso convite de integrar a equipa de redactores. Tal facto implica um elevado grau de responsabilidade, não só para com quem teve a iniciativa de me convidar, como para todos aqueles, e são muitos, que diariamente lêem os textos aqui publicados.

Espero que as minhas reflexões possam ser interessantes e que despertem nos leitores a participação activa nas discussões. Não espero, nem é desejável, que as minhas ideias sejam partilhadas por todos. Espero sim que elas estimulem a diversidade de opinião e que assim se estabeleça uma pluralidade positiva para um saudável debate, sempre em benefício do Sporting Clube de Portugal.

... E para começar nada melhor do que aproveitar a visão dos fundadores do Sporting enquadrando-a na realidade actual deste grande clube.

Estando o Sporting a viver uma realidade especialmente positiva a nível desportivo, não nos devemos iludir ou deslumbrar com tal situação. As dificuldades e obstáculos só têm tendência a aumentar e as "ameaças" surgirão de vários quadrantes. E é com base no Lema do nosso clube que proponho uma reflexão sobre como, partindo dele, podemos contornar esses obstáculos e dificuldades, para prosseguir no caminho do sucesso.

ESFORÇO permanente.

Nada se consegue sem muito esforço e nós sportinguistas sabemos bem o esforço que é necessário fazer para atingir os nossos objectivos. A Rúben Amorim e aos jogadores é pedido profissionalismo, assente no esforço permanente do trabalho diário, mas também o esforço de não se iludirem com os sucessos, nem com as palavras dos oportunistas de ocasião que debitam presentes envenenados.

DEDICAÇÃO completa.

O afastamento prematuro da Liga Europa não deixou de ser um rude golpe no universo sportinguista, mas há que procurar o lado positivo que qualquer situação proporciona, que neste caso deverá passar por uma dedicação ainda maior aos objectivos das competições nacionais. Esta súbita maior disponibilidade face aos concorrentes directos proporciona o tempo necessário, não só para uma melhor recuperação entre jogos, como também para uma maior oportunidade de trabalho, permitindo então à equipa assimilar as ideias do treinador. Assim haja a dedicação para tal.

DEVOÇÃO inequívoca.

Os nossos adeptos, pela sua relação emocional ao Clube, são por excelência quem melhor interpreta este comportamento, através de uma devoção quase religiosa. Como adeptos não nos podemos alhear da importância que o nosso comportamento, por acções positivas ou negativas, tem no rendimento da equipa. Compete-nos, em nome da nossa devoção ao clube, ser uma força de apoio essencial à equipa para que esta alcance o sucesso ou, pelo menos, não interferir negativamente nessas possibilidades de sucesso.

À equipa (na sua grande maioria) obviamente não se pede esta devoção afectiva, pede-se devoção no profissionalismo e na entrega total, mas se ela sentir este comportamento por parte dos adeptos, ficará com certeza mais afectivamente ligada à necessidade de sucesso.

GLÓRIA como destino.

Com a reconhecida qualidade do plantel, a competência da equipa técnica e a conjugação dos pontos anteriores, certamente o clube estará destinado a trilhar o caminho para a glória. Poderá não ser tão breve como desejamos, mas certamente acontecerá no futuro.

Mais do que aparentes conceitos filosóficos, estas são reflexões bem reais na criação de condições para o desejado sucesso. A competência e qualidade dos integrantes da equipa do Sporting deixam-me esperançado no consecução desse sucesso.

Atingir o sucesso dá muito trabalho, a começar por aquilo que aparentemente não parece estar relacionado directamente com ele. Já os fundadores, na notável sua sabedoria e visão o sabiam. Só necessitamos de o aplicar à incontornável realidade do momento, pois só assim continuaremos a ser a maior potência desportiva nacional e que "o Sporting seja um grande Clube, tão grande como os maiores da Europa".

publicado às 04:18

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