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Um recente post do Camarote Leonino caracterizava, de forma esquemática, a composição actual do plantel leonino, composto por 24 jogadores e onde se incluem dois jovens que vão estar entre as equipas A e B, e abordava o facto do número de jogadores disponíveis poder ser curto para a necessária competitividade em todas as frentes.

Em relação a esta questão, já são muitíssimo bem conhecidas as ideias de Rúben Amorim, nomeadamente na forma como deseja apenas dois jogadores por posição de modo a todos sentirem que podem ser titulares. O próprio já publicamente assumiu ser uma decisão de risco mas totalmente consciente.

Ao contrário da época passada, o Sporting, pelo menos até à pausa do Natal, apresenta uma densidade competitiva muito mais acentuada, consequência da participação numa competição com um nível de permanente exigência como a Liga dos Campeões. Neste contexto, e tendo por base a opção de Rúben Amorim, torna-se evidente que todos os jogadores do actual plantel têm mesmo de estar preparados para serem titulares, uma vez que a densidade competitiva vai exigir intersubstituições de forma a, não só preservar a saúde física dos atletas, como diminuir a probabilidade de lesões e o desgaste físico que, lá para o último terço da época, podem ser fatais para as aspirações da equipa.

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Para melhor compreender a necessidade dessas eventuais alterações traduz-se em seguida a realidade competitiva da equipa do Sporting até à pausa natalícia, a qual implica a disputa de 20 jogos (21 se passar à 4ª eliminatória da Taça de Portugal) em 80 dias, o que dará uma média de 1 jogo a cada 4 dias. Em função da concentração de jogos pode-se dividir esta etapa em quatro períodos.

O primeiro de 11/09 a 02/10 (22 dias) e que inclui os jogos com o Porto (em Alvalade-A), Ajax (fora-F), Estoril (F), Marítimo (A), Dortmund (F) e Arouca (F), implicando a disputa, em média, de 1 jogo a cada 3,6 dias.

O segundo de 17/10 a 07/11 (22 dias) com os jogos da Taça de Portugal, Besiktas (F), Moreirense (A), Famalicão (A) para a Taça da Liga, Guimarães (A), Besiktas (A) e Paços de Ferreira (F), e que implicará a disputa de 1 jogo a cada 3,14 dias em média.

O terceiro de 24/11 a 07/12 (14 dias), contendo os jogos com o Dortmund (A), Tondela (A), Benfica (F) e Ajax (F) e que levará à disputa média de 1 jogo a cada 3,5 dias.

O quarto e último período de 12 a 19 de Dezembro, extensível até ao dia 21 no caso do Sporting ser apurado para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal, que inclui os jogos com o Boavista (A), Penafiel (F) para a Taça da Liga, Gil Vicente (F) e eventualmente o jogo da 4ª eliminatória da Taça de Portugal, implicando a disputa, em média, de 1 jogo a cada 2,67 dias (ou a cada 2 dias se jogar a eliminatória da Taça de Portugal).

Salienta-se que as pausas verificadas entre alguns destes períodos não permitem completo descanso competitivo, uma vez que serão ocupadas por jogos de selecções nacionais e onde alguns jogadores do Sporting CP certamente marcarão presença. Convém também realçar que, teoricamente, o nível de dificuldade competitiva não é igual em todos os períodos, destacando-se muito maior dificuldade dos primeiro e terceiro períodos onde a Sporting disputa os dois clássicos, os quais antecedem os dois compromissos com o Ajax, jogos que serão, provavelmente, de vital importância para as aspirações do Sporting na Liga dos Campeões.

Ao descrever-se este quadro competitivo do Sporting procurou-se, na medida do possível, objectivar uma realidade que futuramente justificará, por parte da equipa técnica, opções e alterações relativamente aos titulares mais efectivos, as quais, com um elevado grau de probabilidade, serão consideradas imprescindíveis na manutenção de um saudável e necessário equilíbrio entre as legítimas aspirações desportivas e a saúde física do plantel. Convém ainda ter em conta que algumas das esperadas decisões poderão ser influenciadas por factores não previsíveis, nomeadamente lesões ou castigos.

Se há algo que caracteriza Rúben Amorim como treinador são as suas fortes convicções, e a forma como construiu o actual plantel, apoiado numa confiança total em todos os seus jogadores e na possibilidade de os utilizar mediante qualquer necessidade, é certamente demonstrativa dessas convicções. Esperemos que a realidade valide as suas ideias e que a sorte o proteja de indesejáveis infortúnios.

publicado às 03:03

A chegada de Pablo Sarabia ao plantel do Sporting Clube de Portugal foi uma surpresa em vários meios do futebol, em especial os ligados ao país vizinho. A sua qualidade desportiva e o seu custo económico pareciam, nesta fase da sua carreira, estarem fora da realidade do Sporting.

No entanto, a conjugação de alguns factores, estabelecida a nível negocial, permitiu que este jogador, durante a presente época desportiva, possa expressar no Sporting as suas vastas qualidades, com a vantagem associada de não implicar qualquer custo do ponto de vista económico. É razoável ser tentado a pensar que, sendo Nuno Mendes o foco principal do negócio efectuado, Pablo Sarabia foi incluído como um "anexo" necessário para a sua concretização. Nada mais errado tendo em conta o valor do jogador e a sua "procura".

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Independentemente dos objectivos financeiros do PSG, devido ao fairplay da UEFA, e da vontade de Pablo Sarabia em ter mais minutos de jogo para continuar a ser opção válida na selecção espanhola, a sua vinda é igualmente reveladora da credibilidade e estabilidade que o projecto desportivo do Sporting actualmente consegue transmitir e proporcionar.

Por mais que alguns desvalorizem este aspecto, o planeamento da carreira de um jogador de alta competição é actualmente tão rigoroso que nenhum aspecto pode ser considerado irrelevante ou deixado ao destino do acaso, muito menos as condições envolventes que são necessárias para o sucesso do seu rendimento desportivo. Se Pablo Sarabia não sentisse confiança no projecto desportivo do Sporting certamente não aceitaria a sua inclusão no negócio.

Para além de toda a importância desportiva, a vinda de um futebolista da sua reconhecida qualidade e curriculum, inegavelmente também credibiliza o Sporting Clube de Portugal a nível do seu projecto desportivo para o futebol. Até porque nos referimos a um jogador de elevadíssima qualidade, para o qual não faltam clubes desejosos de contar com os seus valiosos serviços e que também lhe proporcionariam o suficiente tempo de jogo.

Os objectivos bem definidos do actual projecto desportivo do Sporting Clube de Portugal, a competente e estratégica orientação técnica da equipa de futebol, os exemplos do sucesso recente de compatriotas, associado à uma apelativa presença na actual edição da Liga dos Campeões, criam um ambiente que o jogador julga ser propicio ao seu sucesso desportivo. A este respeito convém destacar a "ajuda" dos compatriotas Pedro Porro e António Adán. Apesar do inegável sucesso individual de ambos, só a elevada confiança que depositam no actual projecto desportivo do Sporting os leva a serem um género de "porta bandeira" no recrutamento de colegas.

A estrutura directiva, pela forma como competentemente (e revelando ter aprendido com os erros) criou e promoveu as condições globais do projecto, e a estrutura técnica, pela forma como desportivamente o legitimou com sucesso, estão intimamente ligadas a esta extraordinária aquisição, mesmo que, e aparentemente, seja apenas por uma época.

Fruto da competência adquirida a diversos níveis, da estabilidade entretanto criada e da confiança gerada por estas duas, o Sporting Clube de Portugal é hoje um clube apetecível e que permite aos seus jogadores, sejam jovens ou consagrados, as oportunidades que lhes possibilitam trilhar o caminho que os leve aos objectivos e expectativas de carreira. Assim eles consigam ter uma visão a longo prazo e não se limitem a olhar para o saldo actual da sua conta bancária!

publicado às 12:30

Quando veremos o ouro do Plata?

Leão do Norte, em 11.08.21

Contratado durante o mercado de inverno de 2019 o rendimento desportivo apresentado por Gonzalo Plata tem ficado, digamos, algo aquém das esperanças da maioria dos adeptos sportinguistas. Talvez seja o jogador com maior diferencial entre as expectativas criadas e o rendimento apresentado. Dotado de técnica individual e criatividade únicas, o problema de Plata tem estado essencialmente na atitude e no compromisso demonstrados.

Depois de um compreensível período inicial de adaptação e integração e de uma contínua intermitência no rendimento, Gonzalo Plata atingiu o ponto mais baixo durante a época passada quando, precisamente devido à sua falta de compromisso, foi relegado para a equipa B durante os meses de Fevereiro e Março.

Depois de um necessário "mea culpa" o jogador foi reintegrado no plantel principal ainda a tempo de mostrar outra atitude e compromisso, nomeadamente no decisivo jogo em Braga onde foi chamado a ocupar o lugar de falso defesa esquerdo, defendendo e lutando para segurar uma preciosa vantagem.

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Por entre a inconstância e turbulência que tem sido a sua prestação no Sporting, o jogador tem encontrado na selecção do Equador o seu "porto de abrigo", terreno onde continua a realizar prestações desportivas assinaláveis, para delírio dos adeptos equatorianos.

Quando se pensava que o jogador tinha percebido a mensagem e poderia ser uma forte aposta para esta época, eis que a pré-época e os jogos oficiais já realizados mostraram que continua a faltar ali qualquer coisa. Seja pela atitude ou compromisso do jogador, seja pela incapacidade deste em adaptar-se à realidade competitiva do futebol europeu, seja pela relação com o treinador... Gonzalo Plata continua a ser um jogador marginal nas escolhas de Rúben Amorim.

Como pode o Sporting ajudar o jogador e, simultaneamente, "ajudar-se" a si próprio?

Com dúvidas na consistência comportamental por parte do jogador e sabendo que Rúben Amorim é um treinador de fidelidade extrema às suas ideias e aos seus princípios, começo a pensar se um empréstimo não será uma opção válida para o futuro do jogador. Não se trata de "desistir" do jogador, antes pelo contrário. Tanto talento em tão jovem idade não podem correr o risco de ficar mais um ano sem real competição.

Existe sempre o argumento de que a época é longa, com múltiplas competições e que não faltarão oportunidades e necessidades para a utilização do Gonzalo Plata, mas duvido que uma utilização intermitente ou condicionada a rotação dos habituais titulares seja o mais indicado para o perfil do jogador em causa.

Parece quase uma "heresia" que perante um jogador com tanto potencial se pense desta forma, mas um empréstimo (sem opção de compra!) pode, nesta fase, ser a melhor opção para o futuro do Gonzalo Plata e do Sporting. Eu que sempre fui contra esta ideia!

publicado às 03:03

Esgaio, até onde deve ir o Sporting?

Leão do Norte, em 13.06.21

Parece ser evidente que a aquisição do lateral direito Ricardo Esgaio é um desejo por parte de Rúben Amorim e que a administração do Sporting está a desenvolver diversos esforços para satisfazer as pretensões do seu técnico. No entanto, também circulam notícias sobre a intransigência do SC Braga, nomeadamente do seu presidente, em concordar com a saída do jogador pelos valores que o Sporting estará na disposição de oferecer.

Segundo notícias vindas a público, António Salvador estará a avaliar o passe de Ricardo Esgaio em 10 milhões de euros e, uma vez que o Sporting detém 20% do passe do jogador, a sua contratação implicaria um custo de 8M€.

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É incontestável que a equipa necessita de uma alternativa sólida a Pedro Porro e que a realidade competitiva da próxima temporada exigirá mais e melhores soluções ao nível do plantel. Para além disso estamos a falar de um jogador com formação no Clube, habituado ao futebol português e cujas características e qualidades parecem agradar ao treinador. Contudo, e salvo imponderáveis de mercado ou clínicos, convém não esquecer que tratar-se-á de uma solução alternativa ao habitual titular e que o Sporting necessita de manter liquidez para reforçar outras posições.

Deverá o Sporting investir esse valor, mais ainda sabendo-se a especificidade negocial e a animosidade que esse presidente tem para com o Sporting Clube de Portugal? Se não, qual deve ser o valor limite para o Sporting contratar Ricardo Esgaio?

Sou da opinião que o Sporting, dadas as circunstâncias do negócio e do próprio jogador, não deve pagar o valor que estará a ser exigido pelo SC Braga. Sem prejuízo de procurar alternativas no mercado, pode, e deve, manter alguma pressão negocial e os falados 5/6 milhões de euros que eventualmente o Sporting estará na disposição de oferecer parecem-me bastante razoáveis. Até porque duvido muito que o presidente adversário, nas actuais circunstâncias do mercado, consiga realizar, com qualquer outro clube que não o Sporting, o negócio nas condições que exige.

Convém é não transformar está contratação em mais uma novela com protagonistas do Minho a Lisboa.

P.S.: Por mera coincidência, Record noticia hoje que o Sporting "subiu" a proposta para 5 milhões de euros, mas que o SC Braga "só baixa" até aos 6 milhões.

publicado às 04:49

Rafael Camacho, um caso (muito) particular

Leão do Norte, em 11.06.21

Há poucos dias, aqui no Camarote Leonino, a situação dos emprestados/excedentários do Sporting foi debatida e, de entre as diversas situações, há uma que, na minha perspectiva, suscita particular atenção. A de Rafael Camacho.

Na pré-época de 2019 a contratação de Rafael Camacho por parte do Sporting implicou não só um esforço algo significativo do ponto de vista económico, como, desportivamente, constituiu uma aposta na qual se depositavam fundadas esperanças. Infelizmente a sua prestação na época 2019/20 esteve aquém das expectativas geradas, constituindo, para os adeptos, uma das maiores desilusões da época. Como consequência não integrou o plantel em 2020/21.

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Após um período na equipa B, onde manifestamente não andou motivado, foi, na segunda metade dessa época, emprestado ao Rio Ave. Rapidamente conquistou um lugar na equipa, constituindo-se como uma das principais referências ofensivas e tendo inclusive marcado três golos. Uma lesão na fase final da época afectou a boa prestação que vinha desenvolvendo.

Estando em preparação a época 2021/22 coloca-se uma questão. Como resolver a situação de Rafael Camacho?

É inegável que ainda apresenta alguma imaturidade e lacunas a nível técnico-táctico. Para além destes factos parece não "encaixar" nas ideias e exigências de Rúben Amorim para o desempenho no corredor direito da equipa. Mas sendo ainda bastante jovem (completou 21 anos em Maio) e possuindo potencialidades que lhe são reconhecidas desde os tempos do Liverpool, parece-me prematuro que o Sporting abdique do futuro desportivo deste jogador.

Com contrato até Junho 2024, Rafael Camacho é um dos dossiers que deve merecer maior cuidado por parte da actual estrutura dirigente leonina. Se não existir a possibilidade de venda com um mínimo de rentabilidade económica e uma vez que parece não fazer parte dos planos de Rúben Amorim para a época que se avizinha, o seu empréstimo deve ser cuidadosamente preparado. Será de total interesse e conveniência que o Clube (e até o treinador) tenham a capacidade para o ajudar a "crescer", nomeadamente nas lacunas e imaturidade que evidencia.

Na minha opinião, este futebolista tem "demasiado" potencial para, tão prematuramente, o Sporting prescindir dele.

publicado às 04:34

Na sombra do sucesso. Os outros heróis.

Leão do Norte, em 30.05.21

Ao nível da equipa do Sporting, Rúben Amorim, Coates, Palhinha, Pote… foram os rostos mais visíveis e mediáticos do extraordinário sucesso desportivo atingido nesta época. No entanto, sem prejuízo da natural maior relevância dada a alguns dos seus intervenientes, o sucesso desportivo da equipa do Sporting assentou no seu espírito colectivo, na sua união, na sua força como grupo.

Para que tal ocorresse também foi importante o contributo de quem, na sombra do sucesso de alguns, desempenhou um papel essencial e crucial na tarefa de construção de um coeso e fantástico grupo. É de inteira justiça recordá-los e prestar-lhes o merecido tributo pela sua enorme importância no título conquistado. De entre várias possibilidades destacam-se aqui quatro exemplos. 

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LUÍS MAXIMIANO

Quando se é um jovem valor, de potencial reconhecidamente elevado, e se conquistou a titularidade numa equipa como a do Sporting, não é fácil fazer um retrocesso e passar a ser a alternativa. Max, para além de ter correspondido quando foi chamado à titularidade, soube aceitar a opção tomada em favor de Adán, nunca sendo um foco de instabilidade e contribuindo para a relação saudável no grupo dos guarda-redes. O seu futuro desportivo certamente será brilhante e esta experiência também contribuirá para isso.

LUÍS NETO

É comum falar-se, diga-se com alguma propriedade, das insuficiências e limitações do Luís Neto, mas em momento algum se pode ignorar, ou questionar, o seu perfil ao nível da liderança, a sua entrega e o papel extremamente importante que teve na criação do forte espírito de grupo. Foi um dos “faróis” que guiou os jovens no caminho do sucesso.

JOÃO PEREIRA

Em final de carreira "aceitou” fazer meia época, em trânsito para uma carreira técnica, como mentor de jovens valores. Acabou por ter uma importância desportiva superior ao inicialmente esperado e rapidamente tornou-se numa voz ouvida e respeitada no seio do grupo. A braçadeira de capitão no jogo com o Benfica foi o reconhecimento público que Rúben Amorim lhe prestou, pela dedicação e importância no grupo.

ANTUNES

Dada a sua maturidade e vasta experiência foi contratado essencialmente com a função de apoiar o desenvolvimento do Nuno Mendes, sendo mais um exemplo de que o seu papel na equipa ultrapassou em muito essa função. Durante os jogos, no banco de suplentes, era um dos mais interventivos no incentivo aos colegas e era vê-lo a vibrar com os sucessos da equipa. Em termos do rendimento desportivo correspondeu ao solicitado, nomeadamente na Madeira, no confronto com o Marítimo, tendo sido uma peça importante numa vitória significativa. A braçadeira de capitão no último jogo do campeonato foi um justo prémio.

O sucesso de uma equipa está muito para além da exclusiva soma do potencial técnico dos seus jogadores. Em boa altura, contrariamente a ocasiões no passado, o Sporting, através de Rúben Amorim e da sua estrutura directiva, o percebeu.

A união, a força e a crença são deveras fundamentais no espírito e no sucesso de um grupo de trabalho, devendo a sua construção assentar especificamente num padrão em que a utilização das qualidades de todos os intervenientes, mesmo dos que não tenham muitos argumentos técnicos, é uma realidade. Até porque, na maioria das ocasiões, são eles que colocam os interesses do colectivo acima das ambições pessoais.

Também a eles, através destes quatro exemplos, é justo prestar o tributo pelo mérito que possuem nesta época fantástica.

publicado às 03:05

O médico, o paciente, a doença e a cura...

Leão do Norte, em 23.05.21

Apesar de viver tempos de euforia, a memória de acontecimentos passados e uma curiosa associação de ideias recordou-me a importância de termos um médico à "disposição".

O aparecimento de doenças ou de alterações no estado de saúde é, ao longo da vida, quase uma inevitabilidade. É nesses acontecimentos que os serviços de um médico, muitas vezes personalizando uma equipa, podem ser realmente essenciais. Se porventura o médico for "generalista" e "dominar" diversas especialidades os resultados podem ainda ser mais satisfatórios.

Devido à acumulação de erros próprios ou por acção de "agressões" externas podemos ser "fustigados" por uma doença que nos abala e que coloca muito do que julgamos adquirido em causa. É o momento de canalizarmos todas as nossas energias para esse "combate" e a presença de um médico, acompanhado pela sua equipa, torna-se essencial.

O diagnóstico de uma doença pode não ser fácil de realizar, especialmente se no paciente existirem factores endógenos que conduzam a permanente dano e conflitualidade. Esta dificuldade diagnóstica leva a um penoso atraso na instituição da terapêutica. Mesmo após o diagnóstico correctamente efectuado, definir a terapêutica correcta pode ser uma etapa ainda mais complicada e implicar escolhas iniciais pouco eficazes. 

Qualquer tratamento, para além do desejável efeito benéfico, apresenta um conjunto de riscos e custos associados. Estabelecer uma relação benefício/risco favorável pode protelar o início do tratamento e atrasar a percepção do desejado benefício, mas é essencial para a escolha correcta.

Existirão sempre situações em que o paciente poderá não ter as condições, nem o tempo necessário, para essa espera. Poderá o médico também não ter a capacidade para definir a orientação terapêutica correcta. Poderá ainda existir uma pressão externa, ao doente e ao médico, que muito dificulte esse processo. Mas, mesmo podendo haver indicadores iniciais contrários, se existir competência do médico (e da sua equipa) e a necessária confiança por parte do paciente, o sucesso terapêutico terá elevada probabilidade de ocorrer.

E nessa altura, após um difícil e muitas vezes penoso percurso, obter-se-à a desejada cura, com plena satisfação do paciente e dos que mais directamente a ele estão ligados. Serão eles os que mais devem exteriorizar o seu contentamento.

Ao médico compete um comportamento de maior recato e, sem prejuízo de uma satisfação com o trabalho realizado, a sua "celebração" no sucesso alcançado deve ser mais íntima. No fundo, ele e a sua equipa, cumpriram a sua "obrigação" e devem direccionar energias para o próximo episódio que possa afectar a saúde do paciente. É que a saúde é um estado transitório sempre à espera de um episódio que a afecte.

"Alargando", metaforicamente, as definições de médico, de paciente e de doença podemos encontrar situações de "cura" muito para além de actos exclusivamente médicos. Seja na nossa família, na nossa empresa ou no nosso Clube. Até porque todos nos lembramos de um médico.

publicado às 04:03

Na baliza está uma das bases do sucesso

Leão do Norte, em 18.04.21

Há algum tempo que este post estava preparado, mas pelo ambiente e pela realidade que, recentemente, envolveu o Sporting CP, não achei muito oportuna a sua publicação. A feliz coincidência da excelente exibição do Antonio Adán contra o Farense veio tornar a sua publicação uma "obrigatoriedade".

Ao longo de uma temporada, um guarda-redes de futebol pode evitar tantos golos, com clara tradução significativa em pontos, que tornam a sua posição imprescindível em equipas com elevadas aspirações competitivas. Habitualmente, não têm a mesma fama e o proveito (a nível monetário) dos jogadores de campo, nem a sua valorização comercial, mas são tão, ou mais, importantes que eles.

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Esta época, na baliza do Sporting, Antonio Adán tem sido o reflexo dessa realidade e, se nos lembra-mos da importância de Peter Schmeichel na conquista do título de 1999/2000, percebemos não só o alcance, como o acerto, da sua contratação.

Apesar de todo o talento, capacidades e qualidades que um jovem guarda-redes pode ter, a especificidade de um clube que luta por títulos, exige outras características, as quais serão decisivas nas contas finais. A experiência acumulada, ao longo de anos, em clubes de topo, sempre habituados a conquistar títulos, permite aos guarda-redes adquirirem a confiança, a imprescindível segurança, a leitura de jogo e a capacidade para orientarem os colegas de equipa, aspectos que são fundamentais para um clube com aspirações.

Num clube como o Sporting a exigência para com o guarda-redes é enorme e não se esgota nas suas qualidades técnicas, por mais elevadas que elas sejam. Habitualmente, e por jogo, não fará muitas defesas, mas terá inevitavelmente uma constante pressão psicológica de não poder falhar. Qualquer erro ou falha pode ser fatal para a equipa.

Antonio Adán, para além das evidentes qualidades técnicas, tem vindo a provar possuir essas outras importantes características necessárias ao sucesso da equipa e, através disso, tem conseguido transmitir à própria equipa e aos adeptos a confiança necessária. Como exemplo recordo os jogos contra o Braga, Boavista, Portimonense, Santa Clara, Guimarães e recentemente o Farense, onde, e apesar de não ter sido submetido a intenso trabalho, efectuou defesas cruciais, que foram decisivas para as vitórias da equipa. Viu até ser-lhe dado o reconhecimento individual, traduzido nos vários prémios de melhor guarda-redes do mês da Liga.

No futebol a posição de guarda-redes não pode, nem deve, ser subavaliada e congratulo quem, na preparação da presente época do Sporting, teve a lucidez não só para o perceber, como a coragem para o efectuar.

Adán no presente e outros grandes nomes no passado assim o demonstram.

publicado às 05:49

O sucesso volta a passar por Alcochete

Leão do Norte, em 28.03.21

A "prematuridade" da estreia de Dário Essugo na equipa principal do Sporting atingiu uma tal notoriedade que colocou, definitivamente, a aposta na formação no centro da realidade leonina.

O Sporting Clube de Portugal sempre foi considerado um clube de excelência ao nível da formação futebolística, como comprovam os inúmeros talentos gerados no seu historial, ainda que, ao longo dos anos, tenha passado por períodos de intermitência nessa formação e algum subaproveitamento desses valores.

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A essência de sucesso da formação desportiva deve assentar em três pilares fundamentais: prospecção, condições de trabalho e oportunidades. Infelizmente, durante um período considerável, o "abandono" desses pilares condicionou esse sucesso na formação do clube leonino.

Nesse período, ao nível da prospecção, que num clube com a dimensão do Sporting deve ser de âmbito global e o mais abrangente possível, o nosso Clube foi ultrapassado pelos dois rivais (Porto e Benfica) e na região norte do país clubes como o Braga e mesmo o Vitória de Guimarães tornaram-se mais influentes. Alguns desses clubes chegaram a recrutar no Sporting os recursos humanos com que dinamizaram as suas estruturas de "scouting" e formação.

Foram tornadas públicas deficiências na manutenção das infra-estruturas e na melhoria das condições para o desenvolvimento dos atletas, o que condicionou negativamente esse desenvolvimento e o seu rendimento. As consequentes oportunidades ao nível da equipa principal foram escassas e inconstantes, fosse pela diminuição do talento disponível, fosse pela fraca aposta, por parte da equipa técnica, nos jovens formados na academia, muitas vezes em detrimento de jogadores com qualidade duvidosa e nitidamente inferior.

É com descomunal agrado que actualmente se constata, cumprindo uma promessa inicial e corporizando o projecto desportivo, que a actual Direcção apostou fortemente no reforço desses pilares de sucesso para a formação.

Para além do forte investimento nas condições físicas da academia e na metodologia de treino é rara a semana em que não assistimos à renovação de um jovem valor da formação, o que comprova a atenção dada ao percurso dos jovens e à sua estabilidade. Auscultando os intervenientes no terreno é fácil constatar o "regresso", a nível nacional, por parte do Sporting, à identificação, acompanhamento e contratação de jovens valores, que pelo país fora são continuamente gerados. Como complemento ideal para o sucesso deste projecto temos a competência e a coragem de uma equipa técnica que, com a sua aposta convicta nos jovens da formação, fornece-lhes as oportunidades necessárias para demonstrarem o seu potencial.

Dário Essugo conquistou os "holofotes da fama", mas Nuno Mendes (já internacional A), Gonçalo Inácio e Tiago Tomás são habituais titulares da equipa principal e importantes peças no seu sucesso actual. Se a estes juntarmos as utilizações frequentes de Matheus Nunes e Daniel Bragança, as apostas já feitas em Eduardo Quaresma e Joelson Fernandes e as chamadas constantes de muitos outros jovens aos trabalhos da equipa principal, comprovamos que a aposta na formação está no caminho do sucesso e o reforço dos seus pilares essenciais foi decisivo para estes resultados. 

Apostar na formação em nome do "ADN Sporting" não pode ser um "cliché" ou uma mera promoção comercial, mas sim criar as condições para o seu sucesso, pois esse é o caminho correcto para tornar o Sporting um clube sustentável e sustentado por títulos.

publicado às 03:04

Reconhece-se que estamos ainda muito longe do objectivo final, mas é inevitável que a vasta maioria de sportinguistas comece a olhar para o que resta do campeonato 2020/21 com uma atitude de prognóstico, associada a alguma ansiedade.

Todos os jogos podem ser complicados e, como amiúde se refere, o próximo jogo é sempre o mais importante e o mais complicado. No entanto, podemos sempre estabelecer, a nível teórico, uma gradação dessa dificuldade.

Contra aquilo que me é habitual, vou procurar estabelecer, com base apenas em teoria e à data actual, uma avaliação/reflexão sobre o que os restantes jogos podem implicar para o Sporting, a nível de dificuldade.

Para melhor poder objectivar esta nossa avaliação, estabeleci uma simples escala, de 1 a 5, sendo o 1 atribuído aos jogos teoricamente menos complicados e 5 aos mais complicados. A avaliação dos jogos será feita pela ordem natural do calendário.

TONDELA (Fora) - 2 - Esta época o Tondela revela ser uma das equipas mais frágeis do campeonato. No entanto a jogar em sua casa tem obtido bons resultados e é um local onde o Sporting várias vezes experimentou dificuldades.

V. GUIMARÃES (Casa) - 3 - O V. Guimarães é das equipas com melhores resultados na condição de visitante (melhores mesmo do que a jogar em casa), essencialmente porque tem jogadores rápidos, tecnicamente dotados e que jogam muitíssimo bem em transição explorando o espaço dado pelos adversários. Podem colocar problemas sérios ao Sporting.

MOREIRENSE (Fora) - 3 - Jogar em Moreira de Cónegos nunca é fácil, especialmente pela forma aguerrida como o Moreirense joga e, particularmente, defende.

FAMALICÃO (Casa) - 2 - O Famalicão está muito abaixo da prestação da época passada, mas não deixa de ter um grupo de jogadores de talento que a qualquer momento podem complicar. Para além disso poderá significar o reencontro com Silas.

FARENSE (Fora) - 4 - Prevejo este como um dos jogos mais complicados. O Farense, além de defender bem, utiliza o factor casa, nomeadamente as características do São Luís, para dificultar ainda mais a tarefa dos adversários.

BELENENSES SAD (Casa) - 2 - A dificuldade deste jogo vai estar no "estilo Petit"... jogo defensivo e físico no limite.

SC BRAGA (Fora) - 5 - Um dos principais adversários. Muito forte a jogar em casa e com variadas soluções. Jogo de dificuldade máxima e que pode definir muita coisa.

NACIONAL (Casa) - 1 - A dificuldade inerente a este jogo vai estar muito ligada à forma com sairmos da jornada anterior. Como espero que saiamos fortalecidos, atribuí o 1. Que seja o início da contagem final.

RIO AVE (Fora) - 4 - Outra equipa que coloca muitas dificuldades aos grandes a jogar em sua casa, especialmente pela forma como gosta de jogar, e tem jogadores para isso, em transição e a explorar os espaços. Espero que saiamos de lá como em 2000... em euforia.

BOAVISTA (Casa) - 2 - Optei pelo 2 face à realidade actual, mas, dependendo da posição aflitiva do Boavista nesse momento, o jogo pode ter um grau de dificuldade mais elevado.

BENFICA (Fora) - 5 - Este jogo até pode não vir a ter um carácter decisivo para as contas do campeonato, mas o dérbi lisboeta é sempre um jogo de dificuldade máxima para as duas equipas.

MARÍTIMO (Casa) - 1 - Esperemos que seja a merecida consagração.

O futebol é o momento e qualquer avaliação antecipada é sempre subjectiva e poderá ser alterada pela realidade quando chegar esse momento. Uma avaliação prévia da dificuldade de um jogo, imposta por determinado adversário, pode ser alterada pelas condicionantes existentes nessa altura, como sejam a sua posição na tabela classificativa ou as incidências do próprio jogo (expulsões, golos precoces...). Isto para além da forma como o decorrer das jornadas vai influindo nas seguintes.

No entanto decidi aventurar-me nesta avaliação, através de uma gradação objectiva, para, a esta distância, caracterizar o mais objectivamente possível o que resta do percurso do Sporting rumo ao sucesso, sabendo que tal "aventura" engloba de algum modo algo de futurologia, que a realidade pode desmentir, e que, por cada pessoa que o faça, teremos muito provavelmente avaliações diferentes.

Mas esta é a vantagem de uma boa e interessante discussão.

publicado às 03:18

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A época futebolística de 99/00 ficará para sempre na memória de todos os sportinguistas que a puderam viver. Tal deve-se, essencialmente, ao facto de nela se ter quebrado o longo e deveras penoso jejum, ao nível do título de campeão nacional, que a equipa de futebol atravessava.

Com a surpreendente carreira da actual equipa de futebol, e pela possibilidade de terminar um novo e similar tempo de jejum, começam-se a estabelecer comparações entre as duas épocas. A história não se repete, as realidades são muito distintas e as condicionantes mais ainda. No entanto, e sem estabelecer qualquer relação directa, há uma série de curiosas coincidências que se podem estabelecer entre ambas, e que ajudam a alimentar a ilusão do ansiado título de campeão nacional.

Convém recordar que este post é apenas, e a título de curiosidade, um simples relato de coincidências, que obviamente não têm implicação directa no desfecho da presente época. Mas, essencialmente para quem acredita em coincidências do destino, pode vir a ter algum interesse.

A primeira associação começa logo pelo similar período temporal sem o título de campeão nacional. Dezoito anos (dezassete épocas desportivas) na época de 99/00 e dezanove anos (dezoito épocas desportivas) na presente época.

No início das duas épocas as expectativas desportivas, nomeadamente quanto à conquista do título, eram muito reduzidas e tinham como ponto de partida um quarto lugar na época anterior. Muito embora em moldes bastante diferentes, era notório que as duas direcções sofriam contestação externa e viam os seus projectos serem colocados em causa se os resultados não aparecessem a breve prazo.

Na constituição do plantel optou-se, igualmente, pela aposta num guarda redes experiente, estrangeiro e possuidor de um curriculum com passagens por grandes clubes europeus. Com todas as evidentes diferenças entre Schmeichel e Adán, não deixa de existir um traço comum entre eles e na aposta feita.

A participação nas competições europeias saldou-se por uma eliminação precoce de ambas as equipas, perante adversários pouco credenciados a nível europeu.

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Apesar de inícios de época distintos, ambas as equipas conseguiram ultrapassar o habitual síndrome da época natalícia em condições favoráveis para a disputa do título nacional.

O habitualmente denominado "mercado de inverno" ao nível de contratações, saldou-se por um triplo reforço em posições iguais ou similares. Um defesa direito (César Prates e João Pereira), um central/lateral esquerdino (André Cruz e Matheus Reis) e um avançado (Mbo Mpenza e Paulinho).

Com o decorrer da época ambas as equipas foram demonstrando uma imagem e um estilo de jogo assentes num vincado espírito de luta, na união e na coesão, com as sucessivas vitórias a serem conseguidas através do rigor, do esforço e da aplicação (algumas até com muito sofrimento) e não com exuberância ou "nota artística", tantas vezes desnecessárias e ilusórias face ao verdadeiro objectivo.

Notou-se que a união do grupo constituiu um factor essencial para a génese de uma crença que levou a várias vitórias. Curiosamente, na segunda metade da época de 99/00, também se instituiu o discurso da importância do jogo a jogo e se passou a apelidar esses mesmos jogos como sucessivas finais.

A nível da calendário, e nos últimos quatro jogos, há ainda duas coincidências. Defrontar o Rio Ave, em Vila de Conde, na 31ª jornada e defrontar o rival da segunda circular na 33ª, e penúltima jornada, se bem que desta vez na posição de visitante.

Esperemos que a estas coincidências se junte aquela que será a mais importante de todas, a conquista do título nacional.

Apesar das coincidências apresentadas, é um dado óbvio que cada uma destas épocas tem uma especificidade própria, não repetível e que entre as duas existem múltiplas diferenças. Excluindo de forma óbvia a ausência de público, talvez a orientação técnica da equipa e a aposta feita nos jovens sejam as mais salientes. Mas, a título de curiosidade, aqui ficaram algumas coincidências que nos podem levar a "sonhar" com o que o destino nos reserva... a conquista do ambicionado título.

Todavia, convém recordar que a realidade, especificamente a do futebol, não se compadece com sonhos, mas com acções concretas. É essa acção, jogo a jogo, que certamente nos vais levar ao nosso objectivo e aí sim estabelecer uma "irmandade" entre estas duas épocas. 

publicado às 03:19

Por mais ilusão ou deslumbramento que o momento actual possa transmitir, o caminho do sucesso para a equipa do Sporting será longo, difícil e traiçoeiro. Apesar da euforia se estar a apoderar de alguns de nós e dos "especialistas" habituais nos tentarem inebriar, usando o nosso sucesso actual, a realidade do Sporting CP tem de continuar assente no trabalho diário, indiferente a pressões externas e com o objectivo focado no curto prazo, ou seja no próximo jogo.

Elogiando o extraordinário percurso da equipa até ao momento, temos de entender que os feitos conseguidos não nos garantem absolutamente nada, antes pelo contrário, tornando o nosso caminho cada vez mais exigente. As futuras vitórias serão cada vez mais difíceis, não só pela inevitável motivação de quem defronta um líder incontestado e imbatível até ao momento, como pelas movimentações de quem não esperava, nem deseja, abdicar de um "poleiro" habitual.

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É comum dizer-se que no futebol nada é adquirido e que o futuro é sempre imprevisível. Para atestar a favor dessa específica realidade futebolística basta recordar as duas últimas épocas desportivas, onde supostas lideranças confortáveis (sete pontos), em plena segunda volta, revelaram-se incapazes de, no final das mesmas, se traduzirem nos tão anúnciados títulos. O passado não implica que a prévia realidade se efective no presente, mas deve servir de alerta para evitar a sua repetição no futuro.

Alegra-me o comportamento e a orientação demonstrado pelo líder da estrutura técnica do Sporting, Rúben Amorim, na avaliação desta realidade e na forma como já a transmitiu ao grupo de trabalho, em especial aos seus lideres. Para além da competência e capacidade, já sobejamente demonstradas, é portador de uma lucidez e uma inteligência que lhe permite distinguir a realidade da vontade, o essencial do acessório.

Por mais que o estimulem, incentivem ou obriguem, Rúben Amorim certamente não cairá na "ratoeira" de alterar o seu discurso em função da vontade e do interesse de terceiros. Estou seguro que o faz, não por medo ou teimosia, mas pela convicção de que, para além de nada acrescentar aos seus objectivos, serviria para oficializar o Sporting CP como um "alvo" para os crónicos "atiradores" de serviço começarem as descarregar as "munições" há muito guardadas. Até seria mesmo um excelente incentivo para o avanço da habitual cruzada contra todos aqueles que afrontam o poder instalado.

Não há nada que nos impeça de, merecidamente, "saborear" todo o sucesso presente e ter confiança redobrada no futuro, mas é nestes momentos que a racionalidade deve imperar. Toda a euforia excessiva, ou qualquer outro descontrolo emocional, retirar-nos-á a lucidez e invariavelmente levará a uma diminuição do nosso estado de alerta, tão necessário para prever e enfrentar os perigos futuros.

O futuro competitivo do Sporting, que todos esperamos será revestido de sucesso, passará, em partes iguais, por um aumento da entrega e da exigência competitivas, assim como por um elevado controlo emocional face às diversas ameaças, sejam elas externas ou internas, depreciativas ou, porventura, até ilusoriamente elogiosas. É importante adoptarmos estes comportamentos para não se correr o risco de tornar o que brilhantemente foi conquistado até à data, num mero registo estatístico para a história.

Pedir isto a um "mundo" como o do futebol é uma tarefa árdua, mas tenho plena confiança que o Sporting tem, na actualidade, os comandantes ideais para esta missão. Assim todos sigam as suas orientações.

publicado às 03:03

Quando falta um, estão lá os outros todos!

Leão do Norte, em 31.01.21

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Apesar da revoltante exclusão de Palhinha do dérbi de amanhã, até com vários traços que indiciam uma acção premeditada, este é o momento para dizer que as nossas aspirações de vitória continuam intactas e a nossa ambição só redobrou com este infame episódio.

Todos sabemos quais são os poderes obscuros do futebol português e os meios usados para o exercer e perpetuar, mas compete-nos, não só os denunciar permanentemente, como também tornar a sua tarefa cada vez mais difícil. E é precisamente dentro do campo que esta equipa tem conseguido ser um "osso duro de roer" e um obstáculo a esses poderes.

Amanhã, privados injustamente de um elemento importante como o Palhinha, teremos de demonstrar em campo, e mais uma vez, que os desprezíveis meios usados por esses velhos poderes para nos tentar enfraquecer, não só não resultam, como nos tornam mais fortes.

Seja com a solução mais óbvia, através de Matheus Nunes, seja através de uma surpresa de Rúben Amorim (estou a lembrar-me da utilização de Eduardo Quaresma nessa posição), o importante é que quem tenha a missão de "substituir" o Palhinha (assim como a restante equipa), entre em campo, não para o fazer esquecer, mas lembrando-se da injustiça da sua ausência e da elevada importância que o seu esforço e tenacidade, ao longo do jogo, terão na possibilidade de se poder dedicar-lhe a vitória. Habituado que estou ao enorme espírito combativo e de união da actual equipa, personalizado e fomentado pelo seu treinador, não tenho a mínima dúvida que amanhã o estado de espírito será esse. 

Por mais importantes que as palavras sejam, não será só com elas que demonstraremos a nossa revolta e restabeleceremos um mínimo de justiça. É através de actos, essencialmente dentro das quatro linhas, que poderemos provar o difícil que é vergar esta equipa e o quão trabalhosa será a tarefa de a derrubar, por mais "encomendas" que façam.

Neste momento, há que provar a união inabalável deste grupo e a sua capacidade de reagir às injustiças, mostrando que se o privam de um dos seus elementos, vão ter de levar com todos os outros. E no final espero que a nossa resistência seja superior à deles!

publicado às 02:35

Sem ter a fama ou os notórios "holofotes" que a comunicação social proporciona a diversos jogadores, Nuno Santos tem-se destacado na actual equipa do Sporting, sendo justíssimo realçar a sua importância na excelente carreira da equipa nesta época.

Começo por referir que tenho prestado particular atenção ao percurso deste jogador, que começou nos tempos em que o vi jogar ainda nas camadas jovens, e não estou admirado, em nada, com o seu actual rendimento e a demonstração de qualidade nos diversos níveis de acção do jogo.

O que me admira, mas com inteira satisfação, é poder estar a fazê-lo no Sporting Clube de Portugal, quando, todos sabemos, era forte desejo de um dos concorrentes directos. É um dos grandes exemplos do acerto, na política de contratações, da estrutura do Sporting na presente época.

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São muitos os que se intitulam, ou outros os intitulam, de jogadores completos, mas são muito poucos os que realmente o são. Nuno Santos é um dos que demonstra, em campo, ser realmente um jogador completo, dada a forma com contribui para a equipa em quase todas as dimensões do jogo.

O Nuno é detentor de uma qualidade técnica bem apurada, de uma inteligência na leitura de jogo deveras assinalável e de uma excelente capacidade de remate, qualidades lhe tem permitido ser uma das referências ofensivas da equipa. O seu destaque vem, não só pelos golos que tem conseguido marcar (5 na época), como também na capacidade para assistir os colegas, sendo o terceiro melhor assistente da Liga.

Mas a importância do Nuno, para a equipa, também se verifica no rendimento defensivo. A forma como consegue ajudar a "fechar" o flanco esquerdo às acções ofensivas por parte dos adversários, ou ainda como, em permanente articulação com o lateral esquerdo, sabe efectuar as necessárias compensações e estabelecer os equilíbrios defensivos, são perfeitos exemplos  da sua enorme qualidade e importância neste domínio do jogo. Não é por acaso que o lado esquerdo da equipa tem sido uma "fortaleza" para as investidas dos adversários.

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Além das suas qualidades futebolísticas, o Nuno Santos apresenta uma força mental e uma atitude perante o jogo de salientar. O seu querer e a sua "garra" em campo, já o levaram a situações de "confronto" com os adversários e lhe valeram sanções. Sendo uma situação a controlar, são reveladoras do seu estado de espírito e da sua vontade de vencer.

Pessoalmente, prefiro jogadores com este espírito de "sangue na guelra" àqueles que são "amorfos" e algo acomodados perante o jogo. De tais qualidades não podemos dissociar a forma como este futebolista superou duas graves lesões, as quais, certamente, o tornaram mais forte e preparado para reagir às adversidades.

Como sportinguista, é um orgulho ter um jogador com esta qualidade e entrega na equipa, mas também, não deixa de ser bastante gratificante, poder verificar toda a capacidade que a estrutura directiva e futebolística do Sporting teve de, finalmente, ganhar a "corrida" a um dos rivais por um jogador desta qualidade.

O Nuno, sendo Santos e não Santo, tem conseguido operar verdadeiros "milagres", não só na forma com tem conduzido a sua carreira, como na actual época do Sporting.

publicado às 04:49

Com a reabertura do mercado futebolístico de transferências é inevitável um aumento das discussões sobre a eventual necessidade de um reforço ao nível do plantel do Sporting, estando a questão do avançado, neste post definido como ponta de lança, entre as mais discutidas.

Com a prestação da equipa a surpreender, agradavelmente, pela positiva, facto que, não só aumenta as expectativas e exigências dos adeptos, como também gera um maior "respeito" dos adversários nos jogos com o Sporting, levando-os a utilizarem esquemas de jogo com elevada densidade defensiva, é pertinente colocar uma questão... é, ou não, necessário reforçar o sector ofensivo da equipa com outro ponta de lança?

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Em contra dessa necessidade de reforço podemos argumentar com a realidade financeira do Clube, com as características específicas de um mercado como o de "Inverno", ou com a rentabilização dos recursos internos disponíveis no Clube. Em relação a este último ponto há vários aspectos a salientar.

A recuperação do Luiz Phellype poderá oferecer um "reforço", faltando ainda saber o seu estado após a recuperação clínica e a forma como as suas características se encaixam no esquema e ideias do Rúben Amorim. A evolução do jovem Tiago Tomás também tem de ser considerada em conta, sabendo-se, no entanto, que muitos processos acelerados de "amadurecimento" podem ser prejudiciais para a carreira de um jovem. De Sporar, apesar da inconstância exibicional e de ainda não ter correspondido em pleno ao desejado por Rúben Amorim, é lícito esperar um contributo mais efectivo e decisivo. Por último, com reduzidas possibilidades de serem opções contínuas, mas para situações pontuais, temos os jovens da equipa B, da qual destaco o Pedro Marques.

Em favor da necessidade de um reforço ofensivo para a equipa e sem esquecer a realidade financeira do Clube, temos a evidente dificuldade que a equipa demonstra em ter presença contínua na área adversária, facto essencial contra equipas que jogam "fechadas", com linha defensiva muito baixa e que não permitem o espaço que a equipa necessita para o seu jogo em transição. E convenhamos que a maioria das equipas vai jogar contra o Sporting nesse esquema.

Face a estas visíveis dificuldades da equipa, seria útil ter outro tipo de ponta de lança, com características de jogo diferentes dos que actualmente compõem a área ofensiva do plantel do Sporting, especialmente com capacidade para jogar mais fixo na área, dar "luta" aos defesas e aproveitar o jogo aéreo.

Nesta necessidade de contratação apresenta-se um dilema. Será de tentar a contratação de goleador vindo de outro campeonato ou, pelo contrário, apostar num jogador já adaptado ao campeonato nacional?

Se a decisão recair sobre esta última opção, até porque já aqui no Camarote Leonino estes nomes foram abordados, dou dois exemplos de jogadores que, pelas suas características e rendimento, podem ser considerados, Douglas Tanque e Rodrigo Pinho.

Uma decisão como esta envolve sempre a avaliação e consideração de muitas variáveis, e o lançamento destas ideias serviu para revelar essa realidade, mas, seja a aposta na evolução ou consolidação das opções disponíveis, seja a da contratação de uma nova opção, julgo que a equipa terá de trabalhar e apresentar outras formas de actuação ofensiva, sob pena das equipas adversárias, pela habituação, encaixarem no jogo do Sporting, bloqueando assim as suas accções ofensivas. É urgente impedir que, à frente da baliza dos nossos adversários, se forme um "parque de estacionamento" de autocarros!

publicado às 04:04

A âncora que mantém a equipa segura

Leão do Norte, em 27.12.20

João Palhinha foi uma das "novelas" da pré-temporada do Sporting e, seja por ter existido um entendimento entre os intervenientes, seja por "linhas travessas", acabou por ficar no plantel, estando até ao momento a escrever uma das belas histórias da temporada e sendo unanimemente reconhecido como um elemento chave no excelente rendimento da equipa.

Com um esquema baseado em três centrais e dois laterais de forte apoio ofensivo, a equipa necessita de um elemento que faça a ligação entre sectores e que a estabilize tacticamente. Alguém que reaja logo à perda de bola da equipa, fazendo a pressão e permitindo o tempo necessário para que esta se reequilibre, e que, ao mesmo tempo, saiba ocupar os espaços, jogando tanto em antecipação como em contenção, conforme a necessidade do momento. Paralelamente, esse elemento deve ser dotado das capacidades imprescindíveis para, uma vez recuperada a posse de bola, ser uma ajuda aos centrais na construção ofensiva.

João Palhinha, pelas suas qualidades físicas e técnicas, associadas à evidente inteligência táctica, tem vindo a desempenhar esta essencial posição na equipa, de forma exemplar. O conhecimento que já possuía das ideias-base de Rúben Amorim também ajudou-o nessa tarefa. É só avaliar o rendimento da equipa após a sua entrada e a forma como ela, a partir daí, cresceu. 

Poderia ter saído por 10/12 milhões de euros, mas, a esta distância, podemos afirmar que no rácio qualidade/preço, muito dificilmente encontraríamos alguém que desempenhasse a função melhor do que o Palhinha. E, em boa hora para o Sporting, não só não saiu, como ainda teve o prémio da renovação. Muitas vezes a melhor solução está mais próxima do que pensamos.

Ele é a verdadeira âncora da equipa, aquele que surge a estabilizar o "barco", no local onde se podem gerar as tormentas. E tanto é assim, que as forças externas já perceberam sua importância no fio de jogo da equipa e tentam condicionar o seu rendimento, através da sucessiva marcação de faltas (muitas delas inexistentes) ou na amostragem de cartões amarelos, como aquele aos 37 segundos do jogo com o Gil Vicente.

publicado às 03:34

A etimologia da palavra Amorim remete-nos para o "lugar dos amantes" e é precisamente vindo da relação própria dos amantes, que se pode encontrar o "lugar" onde, actualmente, está presente o vincado sentimento do universo sportinguista para com o treinador Rúben Amorim, no denominado "entusiasmo de uma paixão".

Ultrapassadas as discussões sobre o elevado custo da contratação ou até a sua competência profissional, Rúben Amorim tem vindo a provar aos mais cépticos, desconfiados ou pura e simplesmente maledicentes, o fulcral acerto que foi sua contratação e, pelas manifestações apresentadas, já terá conseguido despertar uma "paixão" em muitos sportinguistas. E com o seu "amor" à causa leonina despertou, entre os sportinguistas, um fenómeno traduzido no título deste post:

"Quando se apaixona um, apaixonam-se (quase) todos!"

Sem entrar em determinadas avaliações técnicas, para as quais há quem, aqui mesmo no camarote leonino (sem desprimor para os demais, destaco o nosso assíduo e participativo leitor juliuscoelho), esteja mais "habilitado" e vestindo o "equipamento" de adepto, realço o bem que a equipa joga e o prazer que dá vê-la jogar. Esta forma de jogar é, sem dúvida, a expressão de todo um trabalho, que assenta na valorização do colectivo e na maximização do seu rendimento, potenciando, por aí, as qualidades individuais de cada jogador.

Neste contexto, não é de estranhar que diversos jogadores estejam, este ano, a apresentar um rendimento desportivo muito superior ao apresentado anteriormente, nem que, como no último jogo da Taça de Portugal contra o Paços de Ferreira, a ausência do seu jogador mais em evidência até à data (Pedro Gonçalves, "Pote"), não tenha levado a uma quebra no rendimento da equipa ou que os jogadores chamados para suprir a sua ausência o tenham feito com distinção.

Esta realidade só se tornou possível porque Rúben Amorim, com a sua equipa técnica, têm desenvolvido um trabalho assente numa matriz e num modelo de jogo, em que o colectivo tem uma maior relevância na 'expressão' do rendimento da equipa, do que as indiscutíveis potencialidades individuais de cada jogador. Estas surgirão infalivelmente como resultado do seu enquadramento no rendimento colectivo, sendo sempre mais valias, e não o factor decisivo, a esse rendimento.

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Obviamente que a qualidade dos jogadores é relevante, mas essa qualidade é canalizada, e até potenciada, para uma ideia colectiva e global de jogo, que leva a equipa a não estar tão dependente da presença ou inspiração de um determinado jogador, num determinado jogo.

Defendo que a competência de um qualquer treinador não deve ser avaliada apenas pelos resultados. Exemplificando com recurso ao absurdo, não seria de todo legítimo exigir a um treinador, com reconhecida competência, que vencesse o campeonato nacional, se à sua disposição lhe fosse colocado um plantel formado por jogadores de um mero respeitoso campeonato distrital qualquer. Lá diz o provérbio que "não se fazem omeletes sem ovos", e seria deveras injusto avaliar a sua competência pelos resultados, mas, mesmo neste caso, poderíamos então avaliar o trabalho realizado e alguma da sua competência, pela forma como teria potenciado o rendimento da equipa e dos jogadores.

No meu ponto de vista, e contra a notória realidade existente no futebol da "ditadura dos resultados", qualquer avaliação justa sobre a qualidade de um treinador deve ter sempre em conta quanto, tendo por base um teórico rendimento individual esperado para cada jogador do plantel, o rendimento global apresentado pela equipa é superior à simples soma desses teóricos rendimentos individuais previamente esperados. Quanto maior for essa diferença, mais valor acrescenta o treinador à equipa, não só em termos de resultados desportivos, mas também no que respeita ao aspecto "comercial" dos jogadores. E Rúben Amorim, a julgar pela evidência à vista, tem conseguido apresentar um rendimento global da equipa que é indiscutivelmente superior à soma do valor individual de cada um dos seus jogadores. 

Muitos já chamam ao rendimento da equipa do Sporting este ano, o milagre de Amorim. Os milagres, a acontecerem, são raríssimos e mais ainda no futebol. O que acredito é que o  rendimento da equipa do Sporting, este ano, não resulta de nenhum milagre, mas sim da competência de Amorim.

Voltando ao sentimento prevalecente, na relação íntima do universo sportinguista com Rúben Amorim, convém recordar que, habitualmente, as paixões envolvem sentimentos intensos mas efémeros, e que, quando colocadas perante as dificuldades e o insucesso, são passíveis de se transformarem em revolta e desilusão. Não estando a comparar, com esse extremo afectivo, a relação do universo sportinguista com o actual treinador, convém ter a prudência e racionalidade essenciais, até porque o mundo do futebol também desencadeia emoções fortes e de volatilidade conhecida.

Reconheçamos a felicidade de ter o Rúben Amorim no comando técnico da nossa equipa e valorizemos a qualidade do seu trabalho, mas mantenhamos o distanciamento emocional necessário, até para benefício e tranquilidade do próprio, que inevitavelmente aumentará as hipóteses de sucesso da equipa.

publicado às 03:34

A arte de legitimar um contínuo rouVAR!

Leão do Norte, em 07.12.20

A chegada da tecnologia do vídeo-árbitro ao futebol foi inicialmente entendida, por quem de boa fé o analisava, como uma forma de melhorar as decisões arbitrais, evitando os chamados erros grosseiros, tornando assim a competição teoricamente mais transparente e justa. Em abono da verdade convém lembrar que o Sporting Clube de Portugal esteve na primeira linha dos proponentes e reclamando a sua necessidade.

O exemplo vindo anteriormente de outras modalidades pressupunha que, no futebol, estes objectivos seriam fácil e prontamente atingidos e que a tecnologia do VAR tornar-se-ia na verdadeira revolução positiva. Mas o futebol é um mundo muito sui generis, onde não impera a lógica vigente em outras modalidades ou mesmo em outras realidades. 

Numa primeira fase, a reacção adoptada pelos poderes então instalados no futebol foi a de recusa, invocando um vasto número de razões que impediam a sua aplicação. Mas, com o decorrer do tempo, a pressão para a sua utilização foi aumentando e os argumentos em contra já não se mostravam, por si só, suficientes. Assim, não restou outra alternativa que não fosse a de aceitar esta tecnologia.

Mas como os ditos poderes do futebol não dormem, logo começaram a pensar em formas diversas de adulterar a ideia original da sua utilização, transformando-a numa ferramenta que poderia servir para manter os seus vastos privilégios, desde que fosse cuidadosamente utilizada. E se bem o pensaram, mais depressa o fizeram.

E é nesta fase em que actualmente estamos. O VAR está instrumentalizado, não a favor de uma justiça nas decisões, mas sim em favor de decisões que, em determinadas ocasiões, são as que melhor servem os interesses dos poderes instalados. 

Desengane-se quem, ingenuamente, pensa que a resolução futura desta desolada situação passa pela melhoria dos protocolos ou das condições tecnológicas. Duvido mesmo que a publicação dos "audios" das comunicações entre o árbitro e o VAR venha a resolver algo, pois, pela sua implementação, os intervenientes vão sempre encontrar formas "especiais" de comunicação, que não os comprometam.

Os "donos disto tudo" (onde é que eu já ouvi isto?) vão continuar, sem qualquer pudor ou temor, a explorar a face "oculta" desta tecnologia e com as mais variadas formas, de modo a perverterem o seu verdadeiro sentido de justiça. Seja parando as imagens 5 cm mais à frente ou 5 cm mais atrás do real, o suficiente para colocar a linha do fora de jogo no local que mais lhes convém, seja apresentando uma imagem de um possível contacto sem que se perceba quem é o verdadeiro responsável pelo contacto, seja por uma "falha" ao nível das comunicações - isto, sempre em jogadas determinantes - seja até porque o VAR teve a necessidade ultra-imperiosa de ir ao WC ou se distraiu a ver um qualquer canal memória durante o jogo e não viu uma qualquer jogada. Enfim... passe o exagero e o ridículo de algumas destas situações, quase tudo pode servir para justificar as acções do VAR em favor de decisões que mantêm o domínio dos mesmos.

E escusam de vir a terreiro os habituais "cartilheiros", "fruteiros", "justiceiros" ou simples "comentadeiros", clamar que só falamos quando somos prejudicados e que o Sporting até tem sido muito beneficiado. O VAR deve funcionar correcta e uniformemente em TODAS as situações, quer se fale ou não. E em relação a qualquer eventual benefício por parte do Sporting, isso traduziu-se em quê? Para além de possíveis e pontuais vitórias, os títulos de campeão e os lugares de acesso aos milhões da Liga dos Campeões vão quase sempre para outros. Se o resultado do benefício para o Sporting é este, eu quero é ser prejudicado como os outros!

Como súmula, podemos afirmar que a funcionalidade do VAR, actualmente, serve para legitimar e "credibilizar", até com algum rigor, a continuação dos roubos que há décadas se assistem no futebol.

publicado às 03:34

Alerta, o perigo espreita!

Leão do Norte, em 30.11.20

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A excelente, mas inesperada, carreira da equipa de futebol do Sporting na Liga portuguesa, colocará muitos intervenientes do futebol português, em especial os nossos adversários, em "acção", num horizonte temporal não muito distante.

Para Benfica e FC Porto é um dado perfeitamente factual que os dois primeiros lugares da Liga são uma questão exclusiva de ambos e a competição destina-se apenas a definir a sua ordem. No entanto, o rendimento da equipa do Sporting, bem acima do esperado, colocou-os perante uma nova realidade, de todo inesperada para eles. E perante o incómodo de tal situação, ninguém tenha dúvida de que vão agir e tão rapidamente quanto a prestação da equipa do Sporting continuar a surpreender.

Nesta mais recente paragem do campeonato começámos a assistir às primeiras "acções", nomeadamente através de declarações que desvalorizam o valor da equipa do Sporting na luta pelo título e centram a discussão nos "clientes" habituais. Também na análise do jogo com o Moreirense foram notórios os comentários, dos "comentadeiros", a clamarem que o Sporting tinha sido beneficiado (?) pela arbitragem.

Se por um lado o curso prudente passa por ignorar tais comportamentos e prosseguir com o rumo traçado, por outro devemos estar alerta porque são fiáveis indicadores de futuras acções, tendentes a prejudicar a nossa prestação desportiva. E se inicialmente são apenas na forma verbal, rapidamente se transformarão em acções concretas, típicas dos poderes instalados no futebol português, tão decididos que estão em não abdicar dos privilégios conquistados, sabemos muito bem de que forma.

Estejamos pois em alerta para o surgimento, num futuro próximo, de nomeações arbitrais "cuidadosamente" efectuadas, de habituais dificuldades de comunicação e acção do VAR, assim como de critérios disciplinares em "versão exclusiva" para os jogadores do Sporting, de "motivação" extra por parte dos adversários.

E, como diria um famoso humorista, 'last but not least', de alguma comunicação social - "opinadores", "cartilheiros" e afins - em uníssono, a debitarem fastidiosamente a habitual narrativa e a "desenterrarem" notícias "bafientas" numa tentativa de fabricarem supostos casos que condicionem o rendimento da equipa do Sporting e estimulem a habitual luta "fraticida" do nosso Clube e que tanto nos enfraquece.

A todos aqueles que sofrem e apoiam o verde e branco - sem outro interesse que não o do inigualável prazer das sucessivas vitórias - compete não servir de "combustível" a esta notória fogueira já ateada pelos vários rivais e que tem por objectivo principal "incinerar" as nossas aspirações desportivas.

Um vez que, face à actual realidade, estamos afastados dos estádios e não podemos dar o apoio directo ao nosso grande amor, que demonstremos todo esse apoio pela "omissão" de comportamentos inevitavelmente danosos ao Clube e que os nossos adversários tão bem têm sabido aproveitar ao longo dos últimos anos. Neste momento é, com certeza, um apoio muito mais importante para o Clube do que alguns possam imaginar.

Saibamos cumprir o nosso secular papel de adeptos, bastando para tal seguir o exemplo do indiscutível líder da equipa (Rúben Amorim), personalizado na forma como tem sabido contornar as "ratoeiras" que semanalmente lhe vão colocando.

Não tenho grandes dúvidas, porventura até aqui no Camarote Leonino, que os diversos alertas feitos para a ocorrência destas situações, bem como as possíveis reacções por parte de elementos do Sporting, irão desencadear, mais uma vez, o aparecimento do tradicional discurso de que tudo não passa de um produto da nossa fértil "mania" de vitimização e de perseguição.

Acredite quem quiser, mas este tipo de argumento, para além de muito conveniente, tem servido na perfeição aos nossos rivais mais directos para desvalorizar e descredibilizar, logo à partida, toda e qualquer posição assumida pelo Sporting.

Os que seguem atentamente o futebol há vários anos sabem bem que a mera coincidência ou a incompetência, não chegam, por si só, para explicar muitos dos acontecimentos que a equipa do Sporting tem sofrido "cirurgicamente" em alturas críticas da temporada, quase sempre quando se "intromete" no "acesso reservado" aos dois clubes que ilegitimamente se julgam os únicos detentores do crédito para disputar o título nacional. 

publicado às 03:34

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O afastamento prematuro da Liga Europa por parte do Sporting, tem motivado a discussão sobre uma eventual vantagem desse afastamento. 

Sendo inegável que qualquer tentativa de avaliação de uma hipotética vantagem (se é que de facto ela realmente existe) será sempre um acto subjectivo, irei procurar, na medida do possível, ilustrar, através de números, a realidade desse afastamento, para assim se poder inferir com mais propriedade uma eventual vantagem.

Sendo necessário o estabelecimento de condições para realizar um termo comparativo com um mínimo de fundamento razoável e tendo em conta toda a realidade e previsibilidade desportivas na presente data, estabeleci os seguintes dados:

  • Comparação da realidade competitiva, em jogos, de Sporting, Benfica, SC Braga e FC Porto até ao final de Março de 2021;
  • Número total de jogos a disputar pelas quatro equipas até ao final de Março de 2021, desde o início da época;
  • As quatro equipas classificar-se-ão para os quartos de final da Taça de Portugal;
  • As quatro equipas classificar-se-ão para as meias finais da Taça de Liga;
  • O FC Porto apurar-se-á para os oitavos de final da Liga dos Campeões;
  • O Benfica e o SC Braga disputarão os oitavos de final da Liga Europa.

Bem sei que estas premissas podem ser falíveis (por defeito ou por excesso em número de jogos), mas para conseguir ter uma razoável base comparativa são as que, à data actual, me parecem as mais prováveis. Deliberadamente, optei por excluir os jogos das meias finais da Taça de Portugal e da final da Taça da Liga, uma vez que a definição destes outros cenários levaria a tarefas de previsibilidade muito mais subjectiva. Refiro, no entanto, que poderão implicar, no máximo, a realização de mais três jogos às equipas eventualmente apuradas.

Com base nos dados da realidade estabelecida, verifiquei que no final de Março de 2021 o Benfica teria disputado o total de 41 jogos, o SC Braga 40 jogos, o FC Porto 38 jogos e o Sporting 32 jogos. Cenário este que corresponderia ao Sporting ter disputado um número de jogos 22% inferior ao Benfica, 20% inferior ao SC Braga e 16% inferior ao FC Porto.

Em relação à avaliação do número de jogos agendados por mês, em Janeiro temos o mês com mais densidade competitiva a nível das provas nacionais (oito jogos), sendo mesmo o único mês onde não se disputam jogos das competições europeias e como tal apresenta o mesmo número de jogos para as quatro equipas. Em Dezembro de 2020, o Sporting, em relação aos três concorrentes, irá realizar menos 28% dos jogos (5 vs 7) e em Fevereiro de 2021 menos 17% que o FC Porto (5 vs 6) e menos 28% que o Benfica e SC Braga (5 vs 7). Já em Março de 2021 disputará menos 25% que o FC Porto (3 vs 4) e menos 40 % que o Benfica e SC Braga (3 vs 5).

Claro que a estatística no futebol tem um valor relativo e esta exemplificação quantitativa é uma forma simplista de avaliar o contexto competitivo dado existirem diversos factores na definição do desgaste competitivo. No entanto pretende ser um pequeno contributo para a discussão da eventual vantagem atribuída à equipa do Sporting por não estar envolvida nesta fase das competições europeias.

publicado às 04:03

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