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Ser Sporting não se implora, não se ensina, não se espera, somente se vive... ou não.
Ando já há algum tempo intrigado com a sofrível performance de William Carvalho, que eu hesito em atribuir apenas aos problemas físicos que sofreu no início da época e o sequente período de ausência.
Parcialmente assente nas informações divulgadas pela comunicação social e tanto ou mais por tudo aquilo que já é de registo factual, creio que existem dois outros factores principais e um terceiro menos consequente, que têm tido impacte no desempenho do médio leonino.
Actualmente com contrato válido até 2018, William será, tudo indica, um dos jogadores com o salário mais baixo entre o elenco de titulares do Sporting. Um dos diários desportivos adianta que aufere um salário de cerca de 5 mil euros mensais, 60 mil anuais, mais prémios. Como sempre, não sabemos se estes números correspondem à verdade, mas o que parece certo é mesmo que em comparação com muitos dos seus colegas - inclusive dos recém-chegados ao Clube - o atleta não é remunerado ao nível do seu calibre futebolístico nem pela sua importância na equipa.
Há muito que parecia inevitável que ele fosse aumentado ao nível de Rui Patrício e Adrien Silva, os jogadores mais bem pagos do plantel, mas essa proposição aparenta ainda estar longe da realidade. Entretanto, o empresário Jorge Mendes assumiu a gestão da sua carreira, mas pela informação disponível, aparenta haver um impasse nas negociações desde Setembro de 2015. Confirmando-se, falta saber a que se deve este impasse. Suspeitamos, no entanto, e partindo do princípio que a Sporting SAD não vacilará no seu reconhecimento do jogador, que a disputa se centra em torno da cláusula de rescisão. O jogador pretenderá uma cláusula mais acessível a uma eventual transferência, que não corresponderá aos usuais 45 ou 60 milhões de euros que a SAD estipula nos vínculos de contratação e renovação.
Já tenho este artigo escrito há três ou quatro dias, mas esta sexta-feira surge o Record a reportar que a SAD está receptiva a aumentar o salário de William ao nível dos mais bem pagos do plantel, cerca de 1,5 milhões de euros ilíquidos por época, com o contrato a ser prorrogado até 2020. Sendo verdade, um aumento deveras considerável.
Este será, indubitavelmente, um dos factores que tem afectado a sua performance. O segundo, que também não é mais do que a minha mera opinião, é que sinto que William acredita que já houve oportunidade para ele ser transferido para um dos clubes de topo da Europa, a exemplo do Manchester United e Arsenal, que há longo acompanham assiduamente a sua carreira. Além de um retorno financeiro muito substancial para o Sporting, uma mudança deste calibre proporcionaria William com um contrato milionário. É evidente que o Clube tem a última palavra e o pleno direito de salvaguardar os seus melhores interesses, nomeadamente, neste caso, desportivos. Isto, no entanto, não anula a possibilidade de este ser o estado de espírito do jogador.
O terceiro e último factor, e o que eu considero menos consequente por poder ser facilmente remediado, é a suspeita que William não se enquadra, com perfeição, no sistema de jogo de Jorge Jesus, e que, muito em especial, não se adapta à filosofia do treinador quanto à função da posição "6", o chamado trinco. A verdade é que Jorge Jesus afirmou logo no início da época que, com ele, William Carvalho jogaria muito mais e melhor, mas essa disposição ainda não se verificou.
Seja como for, e indiferente da especificidade das causas do presente estado das coisas, uma consideração me parece muito importante para todos; para o Sporting, para o jogador e até para a Selecção Nacional. William Carvalho terá forçosamente de elevar o seu jogo, e muito rapidamente, para poder contribuir para a tentativa da conquista do título e até para não correr o risco de der preterido por Fernando Santos na convocatória para o Euro 2016.
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